Apneia provoca pausas respiratórias no sono e aumenta risco para doenças cardíacas

Cardiologia; Doenças Pulmonares e Torácicas
Fonte: Dr. Maurício da Cunha Bagnato, pneumologista e integrante da Unidade de Medicina do Sono do Hospital Sírio-Libanês.
Publicado em 09/10/2015

Roncar durante o sono é comum para muitas pessoas, principalmente quando se deitam de barriga para cima ou consomem bebidas alcoólicas. No entanto, quando o ronco começa a interromper o sono e é seguido de pausas respiratórias, pode ser apneia. Esse grave distúrbio provoca a redução da oxigenação sanguínea, elevando os riscos de doenças cardíacas.

A apneia, geralmente, provoca pausas na respiração maiores que dez segundos, seguidas de forte inspiração (suspiro) e, muitas vezes, de pequeno movimento no leito. “Quem sofre com esse problema costuma fazer caretas ao dormir, pois a respiração trava”, descreve o dr. Maurício da Cunha Bagnato, pneumologista e integrante da Unidade de Medicina do Sono do Hospital Sírio-Libanês.

Aumento dos riscos cardiovasculares

Ao provocar fragmentação do sono em decorrência da falta de ar, a apneia pode levar o organismo a lançar mais adrenalina no sangue, podendo determinar aumento da pressão arterial e desenvolvimento de resistência à insulina. Ou seja, as pessoas com apneia têm maior tendência a desenvolver hipertensão e diabetes. O sono ruim também interfere no hormônio leptina, um dos responsáveis pela regulação da saciedade (o metabolismo). “Todos esses efeitos nocivos relacionados à apneia criam na pessoa um quadro de síndrome metabólica, o que faz crescer as chances de ganho de peso e de doenças cardíacas”, explica o dr. Bagnato.

Diversos estudos nacionais e internacionais apontam para uma prevalência da apneia em torno de 4% nos homens e 3% nas mulheres com mais de 40 anos de idade. Além do envelhecimento, outros fatores que contribuem para o aparecimento da apneia são:

  • Obesidade (excesso de gordura na região da garganta).
  • Queixo retroposicionado (para trás).
  • Tabagismo.
  • Consumo de álcool.
  • Amígdalas e adenoides grandes.
  • Congestão nasal.
  • Doenças como miastenia gravis e acidente vascular cerebral (AVC).

Todos esses fatores podem interferir na musculatura das vias aéreas superiores, provocando de alguma forma a obstrução normal da respiração.

Diagnóstico e tratamento

As pessoas que não dividem cama ou quarto tendem a demorar mais para desconfiar que estão com apneia. Embora elas acordem várias vezes durante a noite devido às paradas de respiração, raramente reconhecem o motivo pelo qual acordaram.

Além do ronco e das pausas respiratórias, a redução cognitiva também deve ser levada em conta como sinal da apneia. Depois de noites mal dormidas, a pessoa tende a diminuir seu poder de raciocínio e de memória, seus reflexos ficam mais lentos, sente-se cansada e irritada.

“Isso afeta muito a vida social e profissional”, comenta o dr. Bagnato. “Algumas pessoas passam a produzir menos e chegam a perder o emprego, antes de descobrirem que estão com esse problema”, acrescenta o médico.

A Unidade de Medicina do Sono do Hospital Sírio-Libanês conta com profissionais experientes e especializados no diagnóstico da apneia. Essa unidade tem um dos mais modernos serviços de polissonografia do País, em que são registrados as ondas cerebrais, o nível de oxigênio no sangue, as frequências cardíaca e respiratória, assim como os movimentos dos olhos e das pernas durante o sono.

O conjunto de recursos tecnológicos disponíveis na Unidade de Medicina do Sono do Hospital Sírio-Libanês a diferencia das demais por apresentar um poder de resolução altíssimo nos exames, como sensor para monitorização esofágica, transdutores de pressões e fluxos nasais e orais; e capnógrafo de ar expirado e transcutâneo.

A apneia pode ser revertida, em muitos casos, com a eliminação do fator causador do problema. Conforme cada caso, perda de peso, redução do consumo de álcool à noite, correção de problemas nasais, amígdalas ou adenoides podem corrigir a apneia. Alguns casos exigem a realização de cirurgia.

Enquanto isso não ocorre, a apneia pode ser tratada com o uso de um equipamento para auxiliar na respiração. Trata-se do CPAP, sigla em inglês para Pressão Positiva Contínua nas Vias Aéreas, dispositivo que impede que o paciente deixe de respirar. Esse equipamento conta com um compressor de ar silencioso, que sopra o ar por uma tubulação flexível até a boca e o nariz do paciente, prevenindo a obstrução da garganta durante o sono.

A Unidade de Medicina do Sono do Hospital Sírio-Libanês oferece exames diurnos ou noturnos, conforme a necessidade de cada paciente.