80% dos casos de cegueira poderiam ser evitados

Diabetes
Fonte: Dr. Newton Kara José Junior, professor livre-docente da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e oftalmologista no Hospital Sírio-Libanês
Publicado em 14/10/2015

​A cada cinco segundos uma pessoa fica cega. Segundo a Organização Mundial da Saúde, aproximadamente 285 milhões de pessoas em todo o mundo, ou seja, bem mais que a população brasileira, têm baixa visão ou são cegas, sendo que 80% dos problemas que levam à cegueira poderiam ser tratados.

O professor livre-docente da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e oftalmologista no Hospital Sírio-Libanês, o dr. Newton Kara José Junior, explica que as duas principais causas de cegueira reversíveis são os vícios de refração (miopia, hipermetropia e astigmatismo) e a catarata, que é a opacificação da lente interna dos olhos. Para ambos os casos não existem meios comprovados de prevenção, mas há possibilidades de tratamento (veja no infográfico abaixo).

Não usar óculos aumenta o grau?

Mito. Os óculos não modificam os olhos como estrutura, apenas alteram as imagens por eles percebidas. Portanto, usar não vicia ou faz aumentar ou diminuir o grau refrativo.

Já o glaucoma — um tipo de pressão ocular elevada que leva a lesão no nervo óptico —, embora possa ser tratado, apenas não causa cegueira quando o diagnóstico e o tratamento são precoces. Essa doença é a principal causa de cegueira irreversível. Em geral, o paciente não apresenta nenhum outro sintoma, além da lenta e progressiva diminuição da visão. Por isso a importância do exame oftalmológico de rotina, quando os sinais de glaucoma podem ser percebidos pelo médico.

O diagnóstico desta e de outras doenças oculares está entre os principais desafios da oftalmologia. “Na dinâmica complexa da rotina diária, alguns sintomas visuais, como perda progressiva de visão, dor ocular e olho vermelho, podem ser subvalorizados, com eventuais consequências, algumas vezes irreversíveis”, explica o dr. Kara José Junior.

O médico diz que, como são dois olhos (independentes) que formam somente uma imagem no cérebro, frequentemente não se percebe a perda visual lenta e progressiva de apenas um dos olhos.

Essa dificuldade para perceber a diminuição da visão é ainda mais acentuada nas crianças. Como, em geral, elas não reclamam do incômodo, a ambliopia, ou seja, quando um olho enxerga bem e o outro não, se apresenta como um perigo oculto. “Depois dos 6 ou 7 anos de idade, o olho de pior desempenho não consegue mais se desenvolver visualmente, mesmo que o problema primário (em geral vício de refração ou estrabismo) seja corrigido”, explica o médico.

Por isso, mesmo na ausência de queixa visual, é importante realizar exames oftalmológicos antes dos 5 anos de idade. Após os 40 anos de idade, indicam-se avaliações uma vez ao ano, para triagem especialmente do glaucoma e da catarata.

Os principais sinais de perigo para o olho são: coceira, lacrimejamento, secreção, vermelhidão, dor, manchas escuras móveis na visão, raios luminosos (tipo flash de máquina fotográfica) e diminuição da visão. Diante desses sintomas, um médico deve ser consultado.

O corpo clínico do Hospital Sírio-Libanês conta com diversos oftalmologistas especializados no diagnóstico e no tratamento das doenças oculares. O hospital está preparado também para a realização de cirurgias de catarata, procedimento que evoluiu muito nos últimos anos em relação à segurança e à recuperação. No geral, esse tipo de operação demora apenas alguns minutos, não dói e o paciente volta a enxergar bem em poucos dias.