5 dicas para afastar os mosquitos e evitar doenças

 
Fonte: Dr. Otelo Rigato Jr., infectologista no Hospital Sírio-Libanês e professor de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)
Publicado em 16/02/2016
5 dicas para afastar os mosquitos e evitar doenças

​​No verão, quando as chuvas e os focos de água parada são mais comuns, aumentam as taxas de reprodução de mosquitos, como o Aedes aegypti – responsável pela transmissão da dengue, da febre chikungunya e do vírus zika. Em entrevista com o dr. Otelo Rigato Jr., infectologista no Hospital Sírio-Libanês e professor de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), separamos algumas técnicas de combate aos mosquitos. Veja a seguir como elas funcionam e saiba como se proteger:

1- Destruição dos locais reprodução. O mosquito Aedes aegypti reproduz principalmente em água parada. Para evitar a replicação do mosquito, mantenha fechada as caixas d´água, garrafas e baldes com água. Latas, copos plásticos, tampinhas de refrigerantes, pneus velhos e até folhas grandes caídas também merecem atenção, pois podem acumular água da chuva. Nos ralos, utilize sal de cozinha, água sanitária, ou mantenha-os cobertos e fechados.

Sobre o Aedes aegypti

  • Pode ser facilmente confundido com outros mosquitos e até mesmo com o pernilongo comum.
  • Sua picada nem sempre coça ou é perceptivel.
  • O ciclo de vida do ​Aedes aegypti varia de acordo com as condições climáticas e a disponibilidade de alimentos. Em média, vive por cerca de 1 mês.
  • Em geral, mosquitos sugam uma só pessoa a cada lote de ovos que produzem, mas o Aedes aegypti é capaz de picar mais de uma pessoa para um mesmo lote. Há relato de que um só mosquito Aedes transmitiu dengue para cinco pessoas de uma mesma família, no mesmo dia.

2- Proteção da casa. Segundo lembra o dr. Rigato Jr., o Aedes aegypti costuma picar dentro de casa. Portanto, redes de proteção nas portas e janelas da residência ou ao redor das camas evitam o contato do mosquito. Por não gostarem de baixas temperaturas, o uso de ar-condicionado também contribui para afastar os mosquitos.

3- Inseticida. O uso de inseticidas é eficaz contra o Aedes aegypti. Espirrar esse produto diariamente nos quartos e salas, seguindo o modo indicado pelo fabricante, ajuda a matar esse inseto e evitar o contágio de doenças. Os repelentes conectados à energia elétrica também são efetivos para afastar os mosquitos.

4- Repelente. Entre os três principais agentes dos repelentes disponíveis no Brasil, a icaridina na concentração de 20% a 25% oferece maior duração na pele (dez horas em média de proteção). Os repelentes à base de deet, os mais encontrados nas farmácias, têm concentração de até 15%, e conferem proteção de no máximo seis horas. Já os repelentes com IR3535 são indicados para crianças de 6 meses a 2 anos de idade e exigem a reaplicação a cada duas horas. Os repelentes também podem ser aplicados sobre as roupas, mas segundo ressalta o dr. Rigato Jr., isso é mais indicado para quem vai para regiões endêmicas de malária (Amazônia, África e Ásia). “O mosquito Anopheles, principal transmissor da malária, tem o poder de picar sobre a roupa, enquanto que o Aedes aegypti encontra mais dificuldade para isso”, comenta o médico.

5- Vacina. A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) liberou no final do ano passado a comercialização da primeira vacina contra a dengue registrada no Brasil: a Dengvaxia, do laboratório francês Sanofi Pasteur. A vacina precisa passar por regulação de preço para estar disponível na rede particular de saúde, o que deve ocorrer ao longo do primeiro semestre de 2016. O Ministério da Saúde informa que ainda analisa se oferecerá o produto na rede pública. Essa vacina tem 65,6% de eficácia global no combate aos quatro sorotipos do vírus da dengue. Ainda não há estudos que demonstrem se essa vacina terá algum tipo de eficácia contra os vírus causadores da febre chikungunya e do zika.

Citronela tem baixa efetividade

As folhas dessa planta fornecem um óleo utilizado na fabricação de aromatizadores de ambientes, repelentes, perfumes, entre outros produtos que incomodam os mosquitos. A detecção da citronela é ativada pelas proteínas dos poros do inseto. Quando esses receptores são ativados, eles enviam mensagens químicas ao cérebro do inseto, resultando em uma reação de aversão. No entanto, segundo enfatiza o dr. Otelo, o uso apenas de citronela não pode ser considerado uma estratégia segura contra mosquitos, pois tem efeito limitado. O médico informa que isso também vale para as pulseiras de citronela, que não têm comprovação científica da sua eficácia e, quando usadas por pessoas alérgicas, pode provocar irritação na pele.

Fique atento aos sintomas

Recentemente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou a disseminação do vírus zika e sua provável ligação com casos de microcefalia como uma emergência de saúde pública internacional.

Diante de sinais como febre, olhos avermelhados, coceira, dores no corpo, dores de cabeça e nos olhos e indisposição procure ajuda médica com urgência.

O serviço de Pronto Atendimento do Hospital Sírio-Libanês conta com profissionais habilitados para o diagnóstico e tratamento do zika vírus, dengue e febre chinkungunya.

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