Biomarcadores na imunoterapia: uma contribuição brasileira

Publicado em 19/02/2018

No CHECKMATE-227, a alta carga de mutação tumoral foi testada usando um painel validado, o Foundation One, que emergiu como importante biomarcador preditivo para avaliar a atividade da imunoterapia no tratamento de pacientes com câncer de pulmão não pequenas células (CPNPC). Por trás da estratégia que ajudou a refinar a população-alvo da combinação de nivolumabe + ipilimumabe em CPNPC está um estudo brasileiro, publicado na Oncotarget em 2015. A pesquisadora Anamaria Camargo, autora sênior do estudo e coordenadora do Centro de Oncologia Molecular do Instituto Sírio Libanês de Ensino e Pesquisa, e Romualdo Barroso-Sousa, co-autor do estudo e Clinical Fellow do Dana-Farber Cancer Institute/Harvard Medical School, comentam o trabalho.

"Após um jornal club que reuniu oncologistas e residentes do ICESP e do Hospital Sírio e Libanês (HSL), a pesquisadora Anamaria Camargo, do Centro de Oncologia Molecular do Instituto de Ensino e Pesquisa do HSL, levantou a hipótese de que a carga mutacional vista pelo sequenciamento completo exoma (WES, da sigla em inglês) poderia ser estimada por painéis menores, com um número pequeno de genes, tipo o Foundation One", recorda o oncologista Romualdo Barroso-Sousa, co-autor do estudo brasileiro e hoje Clinical Fellow do Dana-Farber Cancer Institute/Harvard Medical School.

O artigo partiu da hipótese de que painéis genéticos já usados na prática clínica da oncologia poderiam ser aplicados também para estimar a carga mutacional do tumor e prever o benefício clínico do tratamento com inibidores de checkpoint imune (PD-1 e CTLA-4).

"Esse trabalho só foi possível devido a forte interação existente entre os oncologistas e os pesquisadores básicos do nosso hospital. Para fazer contribuições relevantes é preciso conhecer e compreender os dilemas vividos na clínica. Neste caso, a necessidade de sequenciar o exoma completo representava uma barreira para a utilização do TMB como marcador preditivo de resposta. Utilizando o nosso conhecimento de genômica, buscamos uma alternativa viável e já utilizada na clínica para vencer essa barreira", explica Anamaria.

O estudo de Campesato e colegas utilizou dois painéis genéticos em câncer (CGP) contendo mais de 300 genes e avaliou a acurácia desses painéis em estimar a carga mutacional em tumores sólidos, assim como sua capacidade de predizer o benefício clinico dos inibidores de checkpoint imune em pacientes com melanoma e câncer de pulmão não-pequenas células. O trabalho foi pioneiro a mostrar que os painéis poderiam, de fato, estimar adequadamente a carga mutacional dessas neoplasias e, mais ainda, predizer o benefício clínico duradouro da imunoterapia, de modo comparável ao método de WES.

"Hoje, com o anúncio de que a combinação ipi + nivo foi positiva usando o mutational load, podemos dizer que o uso dos painéis somáticos para estimar a carga mutacional está se tornando realidade, e a gente tem nossa contribuição nisso", reconhece Barroso-Sousa.

Referência: Campesato LF, Barroso-Sousa R, Jimenez L, Correa BR, Sabbaga J, Hoff PM, Reis LF, Galante PA, Camargo AA - Comprehensive cancer-gene panels can be used to estimate mutational load and predict clinical benefit to PD-1 blockade in clinical practice. - Oncotarget. 2015 Oct 27;6(33):34221-7. doi: 10.18632/oncotarget.5950.

 Fonte: www.onconews.com.br


Assunto(s): Clipping; Ensino; Hospital; IEP; Notícias; Pesquisa; Saúde
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