Reumatologia

​​​​Espondiloartrites

As espondiloartrites englobam um grupo de doenças inflamatórias da coluna que afetam ligamentos e tendões entre o osso e a cartilagem articular (entesites). São caracterizadas por dor lombar e rigidez pela manhã que pioram no repouso e melhoram aos movimentos. Comprometem sobretudo a coluna lombossacra e a articulação sacroilíaca da bacia levando à sacroiliíte, além das pernas, região de tendão de Aquiles e calcanhar; envolvimento dos braços e mãos é menos comum. Outras manifestações em pele, mucosas, olhos, trato genitourinário e gastrointestinal podem ocorrer. Em geral, fatores genéticos, ambientais e infecciosos contribuem para seu surgimento. Fazem parte deste grupo de doenças a espondilite anquilosante (EA), artrite reativa, artrite psoriásica (A Ps), artrite relacionada a doenças inflamatórias intestinais como o Crohn e a retocolite ulcerativa e as espondiloartrites indiferenciadas.

Embora as bases do tratamento das espondiloartrites sejam semelhantes, o que vai determinar o esquema terapêutico é a evolução dos diferentes quadros. Daí a necessidade da individualização terapêutica e a abordagem conjunta de especialistas, como o reumatologista, gastroenterologista, dermatologista e oftalmologista.

ARTRITE REATIVA: A inflamação nas articulações ocorre 3 a 6 semanas após uma infecção geniturinária ou gastrointestinal que pode eventualmente passar desapercebida. Quando presentes, os sintomas gastrointestinais se manifestam como diarreia ou disenteria. Já os sintomas urogenitais são uretrite com queimação e dor uretral no homem, enquanto que na mulher, uretrite, cistite e cervicite tendem a ser silenciosas. Febre baixa, perda de peso, mal-estar, conjuntivite e aftas na boca podem se manifestar. Predomina o envolvimento de articulações de membros inferiores, joelhos, tornozelos e pés com entesopatia (inflamação na inserção do tendão no osso) levando ao aspecto de “dedos em salsicha” ou dactilite. Dor no calcanhar e planta dos pés cm rigidez ao acordar pela manhã é comum. A dor lombar é mal definida, decorre da inflamação dos tendões da coluna e pode evoluir com dor e rigidez, com sacroiliíte em até 1/3 dos casos.

ARTROPATIAS INFLAMATÓRIAS INTESTINAIS: Fazem parte deste grupo a doença de Crohn (DC), retocolite ulcerativa inespecífica (RCUI) e mais raramente doença de Whipple, artrite após by-pass intestinal e a artrite associada a doença celíaca. Todas podem apresentar manifestações articulares inflamatórias em algum momento ou de forma mais constante e crônica. O envolvimento articular pode ser periferico com artrite de mãos e pés ou afetar a coluna de forma típica e semelhantes às espondiloartrites e espondilite anquilosante. Neste caso, em geral as manifestações são mais brandas, e a dor na coluna lombar inflamatória é mais leve a moderada.

ESPONDILITE ANQUILOSANTE (EA): compromete de forma importante e característica a coluna vertebral e as articulações sacroilíacas com dor inflamatória. Entesites de inserções ligamentares e tendíneas, artrite periférica sobretudo de membros inferiores, como tornozelos, quadris e joelhos são comuns, e mais raramente de membros superiores, principalmente ombros. Afeta mais pacientes homens com de início antes dos 40 anos de idade. A dor na coluna ou lombalgia é de difícil localização irradiando-se para a região glútea, com início insidioso, rigidez matinal que melhora com exercício e piora com o repouso. Após alguns meses torna-se persistente, com rigidez e sensação dolorosa difusa na região lombar baixa. A dor pode acordar o paciente durante o sono, muitas vezes obrigando-o a executar algum exercício para diminuí-la. Com a evolução e se não for diagnosticada e tratada de forma adequada, pode haver redução importante dos movimentos da coluna vertebral levando à sua fusão ou anquilose, daí o nome da doença: espondilite anquilosante.

Prof. Dra. Cláudia Goldenstein Schainberg – CRM (SP): 52.963.

Médica do NARE

 


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