Reumatologia

​​​​​​Espondiloartrite Axial (EpA) ou Espondilite Anquilosante (EA)

Sendo no início, freqüentemente confundida com dores nas costas causadas por tensão emocional, má postura corporal, hérnia de disco ou, até mesmo, dores ciáticas, a espondilite anquilosante (EA) é, na verdade, uma forma distinta de doença reumática que costuma envolver, com mais freqüência, as articulações da bacia, coluna, quadris e ombros.

Sendo mais freqüente em homens jovens, costuma se iniciar por uma dor na bacia se refletindo nas nádegas e/ou uma dor nas costas, geralmente na região lombar, com uma duração maior que 3 meses, que melhora com a movimentação e piora com o repouso e a imobilidade do corpo.

Esta dor costuma piorar à noite e pela manhã ao acordar, podendo ser acompanhada de uma rigidez da bacia e da coluna neste período da manhã. Não raro os seus portadores optam por um banho quente de chuveiro, logo ao acordar, visando melhorar a dor e a rigidez acima mencionadas.

A presença de sacro-iliite bilateral, mais precocemente detectada pela ressonância magnética e, mais tardiamente verificada pela radiologia simples e pela tomografia computadorizada, se constitui no sinal mais sensível e específico para o diagnóstco de certeza da EA.

Embora sua causa seja desconhecida, sabemos que os portadores de um gene chamado HLA B27, têm uma chance bem maior de desenvolvê-la, sendo que a chance do filho de um pai portador de EA, vir também a desenvolvê-la, gira em torno de apenas 10%.

Embora os homens sejam acometidos com mais freqüência, as mulheres também podem apresentá-la, na maioria das vezes com um quadro clínico mais leve, quando comparado aos homens. De maneira geral, quanto mais cedo se inicia a EA, maior a chance de envolvimento mais precoce e intenso das articulações periféricas, principalmente os quadris.

Quanto ao envolvimento extra-articular da EA, é sabido que cerca de um quarto dos seus portadores podem apresentar, no decorrer da vida, uma inflamação aguda e dolorosa dos olhos, conhecida como uveíte, que costuma se manifestar como um quadro clínico agudo de olho vermelho e doloroso. Este manifestação da EA fora das articulações deve ser precocemente reconhecida e tratada, inicialmente apenas com colírios locais.

Quando precocemente diagnosticada e corretamente tratada, o prognóstico da EA costuma ser bom, embora seja importante que o seu portador entenda que apresenta uma doença reumática de natureza crônica, que vai necessitar de acompanhamento médico especializado.

O tratamento deve se iniciar o mais precocemente possível e, baseia-se, principalmente em medicações, exercícios e atividades físicas. Cada pessoa apresenta uma forma peculiar e distinta da EA e, portanto, o tratamento deve ser individualizado e monitorado por um(a) médico(a) e um(a) fisioterapeuta, que tenham experiência em tratar portadores de EA.

As medicações podem ser sintomáticas ou paliativas, como os analgésicos e antiinflamatórios, ou indutoras de remissão como os imunomoduladores, imunossupressores e agentes biológicos.

Nos últimos anos houve grande progresso na eficácia e segurança dos fármacos quer paliativos, como os antiinflamatórios não hormonais da classe dos coxibs, potentes e mais seguros para o sistema digestivo, quer imunossupressores como o metotrexate e a sulfassalazina quando há envolvimento de articulações periféricas e quer indutores de remissão clínica, como os agentes biológicos anti-TNF (infliximabe, etanercepte, adalimumabe, certolizumabe e golimumabe) e anti-IL17 (secuquinumabe) que, embora mais custosos, costumam induzir remissões clínicas parciais, ou até mesmo totais.

O tratamento fisioterápico e as atividades físicas são parte fundamental do tratamento, visando melhorar a dor, a rigidez, a postura corporal, a amplitude de movimentos das articulações e prevenir deformidades e incapacidades.

Se gerar incapacidade física parcial ou total, é importante que o portador de EA saiba que tem direito legal, dependendo da sua gravidade, ao auxílio-doença e, até mesmo, nos casos mais graves, à aposentadoria. Seu médico, o grupo ou associação que você freqüenta, ou mesmo um advogado especializado, podem lhe orientar a como obter estes benefícios sociais.

Dr. Eduardo S. Meirelles e Dra. Flora Maria D. Marcolino

Núcleo Avançado de Reumatologia (NARe) do Hospital Sírio-Libanês e Grupo de Reumatologia do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo

 


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