Reumatologia

​​​​​Artrite P​soriásica

A artrite psoriásica (APs) é uma doença inflamatória articular que ocorre em uma dentre três pessoas que tem psoríase cutânea. A psoríase na pele é caracterizada por lesões vermelhas e descamativas pelo corpo podendo ser localizada ou difusa, associada ou não a alterações nas unhas e afeta cerca de 1 a 3% da população geral. Na grande maioria das vezes, a psoríase precede a artrite, em algumas as alterações de pele e articular são simultaneas e menos comumente, o quadro articular precede a doença cutânea.

Sua causa é desconhecida, mas seu surgimento e períodos de piora sofrem influências de fatores ambientais, infecciosos e imunogenéticos. Com certa frequência há correlação temporal com traumas, estresse emocional ou psicológico e infecções por vírus ou bactérias como desencadeantes do início dos sinais e sintomas da artrite psoriásica. Em seguida, várias alterações imunológicas levam ao aumento de células e proteínas inflamatórias como o TNF-alfa e as interleucinas 12, 23 e 17 no sangue, na pele e nas articulações dos pacientes, sendo assim, potenciais alvos de tratamento já utilizados na nossa prática diária.

Em geral a psoríase na pele surge na segunda ou terceira décadas de vida. Já o envolvimento musculo esquelético e a inflamação articular (artrite) podem se manifestar em qualquer idade, desde a infância até idosos, com maior incidência entre os 30 e 50 anos e frequência similar em homens e mulheres. A forma mais comum compromete pequenas e grandes articulações das mãos, pés, braços e pernas. A inflamação nas enteses (entesite) e nos dedos levando ao característico “dedo em salsicha” (dactilite) são frequentes. Já a forma espondilítica compromete a coluna sendo mais comum em homens e está associada ao marcador genético HLAB27. A artrite se manifesta com dor, inchaço e rigidez nas articulações sobretudo ao acordar pela manhã piorando nos períodos de repouso. Se não for diagnosticada e tratada de maneira adequada, pode ser rapidamente progressiva levando a deformidades importantes. A artrite mutilante é a forma mais grave da doença por ser erosiva e destrutiva mas ocorre em apenas cerca de 5-8% dos pacientes, geralmente mais jovens. Manifestações extra articulares como uveíte, conjuntivite e aftas nas mucosas podem estar associadas enquanto fibrose pulmonar e insuficiência aórtica são raras. Já as comorbidades como síndrome metabólica, diabetes, hipertensão arterial, aumento de colesterol e doença cardiovascular são comuns contribuindo para redução da expectativa de vida dos pacientes, devendo ser ativamente questionadas e controladas.

O diagnóstico da artrite psoriásica é clínico e baseado nas manifestações características da história clínica e exame físico reumatológico já que não há exame específico para a doença; daí a importância de que, na suspeita, o paciente procure rapidamente o médico reumatologista, especialista clínico capacitado para diagnosticar e tratar a doença psoriásica. Cabe ressaltar que diagnóstico precoce e tratamento apropriado são fundamentais já que o curso natural da doença pode ser rapidamente progressivo levando a deformidades e incapacidade funcional comprometendo a qualidade de vida do doente. Uma vez estabelecido o diagnóstico, é importante caracterizar a forma clínica e o principal tipo de envolvimento no sentido de possibilitar um melhor prognóstico final da doença.

É fundamental iniciar o tratamento específico precocemente no intuito de manter a capacidade funcional e qualidade de vida aos indivíduos afetados. Nesse sentido, o tratamento da artrite psoriásica dependerá do tipo e gravidade do envolvimento cutâneo e musculo esquelético, das manifestações extra articulares e das comorbidades associadas. Anti-inflamatórios aliviam os sintomas articulares na maioria dos casos. Agentes modificadores da doença sintéticos e/ou biológicos aliados a fisioterapia e terapia ocupacional são fundamentais no intuito de bloquear a evolução da doença. O controle das lesões cutâneas com produtos tópicos é importante coadjuvante. Corticosteroides devem ser evitados mas, quando usados localmente, ajudam no manejo das artrites isoladas. Na falha ao manejo tradicional, usamos tratamentos mais modernos com agentes biológicos que regulam o sistema imunológico permitindo estabilização da doença e melhora das lesões de pele e do quadro articular. Para manter amplitude de movimentos e evitar restrições, incentivamos e orientamos quanto à postura e à prática de atividade física e exercícios adequados. Procedimentos cirúrgicos e intervenções ortopédicas podem ser necessárias quando as limitações funcionais são graves.

Em resumo, a artrite psoriásica é comum e seu diagnóstico requer alto grau de suspeita clínica devendo ser rapidamente estabelecido. Metade dos pacientes poderão ter artrite erosiva progressiva grave, destrutiva e deformante, sobretudo as mulheres mais jovens e com persistência de atividade clínica da doença. Entretanto, atualmente e graças ao diagnóstico precoce e acesso a terapia correta, o médico reumatologista é amplamente capacitado para tratar o doente com artrite psoriásica de forma adequada, evitando suas complicações e permitindo manutenção plena das suas atividades diárias e qualidade de vida.

Tratamento

O tratamento da artrite psoriásica é individualizado. Em geral, a maioria dos pacientes apresenta alívio dos sintomas articulares com o uso de anti-inflamatórios. Medicamentos remissivos costumam ser a melhor opção já que possibilitam mudança na evolução natural da doença.

Medicações também podem ser colocadas diretamente dentro da junta afetada proporcionando rápida melhora da dor. Medidas físicas, reabilitação, fisioterapia e terapia ocupacional são ainda fundamentais e, quando necessário, cirurgias ortopédicas corretivas podem ser realizadas.

A introdução do uso de agentes biológicos – ou terapia imunobiológica – que atua diretamente nas células e nas proteínas alteradas da artrite psoriásica têm mostrado excelentes resultados, melhorando de forma significativa a doença articular e cutânea.

Estes medicamentos são aplicados na veia ou sob a pele com supervisão médica cuidadosa em clínicas de infusão ou hospitais promovendo melhor qualidade de vida ao paciente afetado pela doença.

Dra. Cláudia Goldenstein Schainberg – CRM (SP): 52.963.

Membro do NARe, GRAPPA (Grupo de Pesquisa e Avaliação da Psoríase e Artrite Psoriásica), ACR (Colégio Americano de Reumatologia), AAP (Academia Americana de Pediatria), SBR, SBP, SPR, SPP (Sociedades Paulista e Brasileira de Pediatria, Sociedades Paulista e Brasileira de Reumatologia).

 


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