Reumatologia

​​​​​​Miosites Inflamatórias Autoimunes

As miopatias inflamatórias autoimunes são um grupo de doenças que afetam principalmente os músculos esqueléticos, aqueles responsáveis pelos movimentos voluntários (como andar, elevar os braços e pernas, engolir etc) como também o músculo cardíaco, de forma menos sintomática. Trata-se de doença sistêmica comprometendo também pulmões, tendões, articulações e a pele.

Didaticamente, são divididas em dermatomiosites, polimiosites, dermatomiosite juvenil, miosite associada a outra doença reumática, miopatia necrotizante autoimune, miopatia por corpúsculo de inclusão e outras.

A causa dessas miopias ainda é indeterminada. No entanto, alterações no sistema imune levam à inflamação crônica do músculo. Trata-se de doença rara, que acomete 1 em 100.000 pessoas por ano, mais frequentemente mulheres por volta dos 50 anos, sem caráter hereditário.

O principal sintoma é fraqueza muscular, pouco dolorosa, que evolui em semanas a meses, podendo haver dificuldade para engolir alimentos, com ou sem lesão de pele. Compromete tanto membros superiores como inferiores e ambos os lados do corpo. Tipicamente, relata-se dificuldade progressiva para caminhar, subir escadas, se levantar do chão, da cadeira, secar o cabelo, vestir-se, rouquidão, engasgos.

As lesões de pele são avermelhadas, inicialmente parecem com uma alergia, pois são pruriginosas até terem características típicas de vermelhidão em áreas expostas do rosto, colo, cotovelos, pálpebras, mãos e cutículas. O tratamento com fotoprotetores e evitar a exposição solar, são medidas importantes durante todo o tratamento.

O diagnóstico é feito através da história clínica direcionda, exame físico minucioso, exames laboratoriais que indiquem inflamação muscular, provas inflamatórias, avaliacao de autoanticorpos, eletroneuromiografia, ressonância magnética muscular e biópsia muscular.

A maioria dos pacientes recém diagnosticados com poli ou dermatomosite deve ser triada para câncer, pelo risco aumentado de câncer nesta doença. Pelo comprometimento sistêmico da doença, a avaliação cardio-pulmonar, infecciosa e situação vacinal também são de fundamental importância.

Isto inclui papanicoulaou, mamografias, tomografias, colonoscopia, endoscopia, sorologias virais. As infecções como hepatites B e C, HIV e outras são de fundamental importância no screening diagnóstico, pois têm impacto no diagnóstico e no tratamento.

O tratamento se faz com corticosteróides e imunossupressores, que são resolvidos caso a caso e, felizmente, são muitas as escolhas. Medicações como azatioprina, metotrexato, ciclosporina, tacrolimus, micofenolato mofetila, ciclofosfamida, rituximabe, gamaglobulina são usadas sozinhas ou em combinações diversas.

Além das medidas terapêuticas medicamentosas, as medidas não medicamentosas como alimentação e exercícios fisioterapêuticos têm igual importância em todos os momentos da doença e devem ser orientados e reforçados em cada consulta.

Medidas para prevenir infecções oportunistas, infecções de pele, fotossensibilidade, deformidades, fraturas osteoporóticas são de fundamental importância. Suplementacao de cálcio, vitamina D, medicacaoes antireabsortivas devem ser usadas. Exercícios fisioterapêuticos orientados visando prevenir deformidades e manter a força muscular.

O diagnóstico diferencial com doenças infecciosas ou neoplásicas ou doenças neurodegenerativas é fundamental e por vezes, difícil de ser feito.

O prognóstico da dermato e polimiosite no paciente diagnosticado precocemente costuma ser bom, mas é importante lembrar que trata-se de doença crônica e que o acompanhamento especializado em todo o decorrer da vida é de fundamental importância.

Dra. Maria Angela do Amaral Gurgel Vianna.

 


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