Programa de Reabilitação Pós-COVID-19

Programa de Reabilitação Pós-COVID-19

A Doença do Coronavírus 2019 (COVID-19) é uma doença viral sistêmica, que pode se apresentar em sua forma leve, moderada, grave ou crítica. Segundo esta classificação do National Institute of Health (NIH) dos Estados Unidos da América, consideram-se cinco possíveis apresentações da infecção pelo coronavírus da síndrome respiratória aguda grave 2 (SARS-CoV-2), conforme segue:

Assintomática ou Infecção Pré-Sintomática (Pré-Clínica): indivíduos com teste positivo para SARS-CoV-2 com uso de testagem viral (ex. teste de amplificação do ácido nucleico ou de detecção de antígeno), mas que não tenham sintomas condizentes com a COVID-19.

Doença Leve: indivíduos com teste positivo e que tenham qualquer sinal ou sintoma da COVID-19 (ex. febre, tosse, dor de garganta, mal estar, cefaleia, dor muscular, náusea, vômitos, diarreia, perda de olfato e paladar), mas que não tenham falta de ar, dispneia ou alteração em exame de imagem pulmonar.

Doença Moderada: indivíduos com teste positivo que apresentam envolvimento das vias aéreas inferiores no exame clínico (cansaço ou dispneia) ou nos exames de imagem e que tenham saturação de oxigênio (Sat O2) ≥ 94% em ar ambiente.

Doença Grave: indivíduos com teste positivo e com Sat O2 < 94% em ar ambiente ou uma relação entre a pressão parcial de oxigênio arterial e a fração inspirada de oxigênio (PaO2/FiO2) < 300 mm Hg ou frequência respiratória > 30 respirações/minuto ou acometimento pulmonar > 50%.

Doença Crítica: indivíduos com teste positivo e com insuficiência respiratória (com necessidade de ventilação mecânica invasiva), choque séptico e/ou disfunção de múltiplos órgãos.

Ainda que as sequelas e as necessidades de reabilitação sejam mais evidentes nas pessoas que desenvolvem as formas grave e crítica da doença, aqueles com as apresentações leves e moderadas podem apresentar sintomas persistentes e se beneficiar dos cuidados de reabilitação. Segundo diferentes estudos realizados, seguem abaixo os sintomas mais prevalentes em pessoas com histórico de COVID-19 e hospitalização, com internação em enfermaria e/ou unidade de terapia intensiva (UTI), condizentes com o que temos observado em nosso hospital e no Centro de Reabilitação:

  • Fadiga (redução da tolerância ao esforço), pelo acometimento sistêmico;
  • Dispneia (falta de ar), pelo acometimento pulmonar e/ou cardíaco;
  • Perda de força muscular;
  • Dor de cabeça, dor nas costas e dor muscular;
  • Perda de funcionalidade (dificuldade para realizar as atividades cotidianas);
  • Distúrbios do sono;
  • Disfunção cognitiva;
  • Ansiedade, depressão e estresse pós-traumático.

A ocorrência destes sintomas persistentes vem sendo denominada de Síndrome Pós-COVID-19, COVID longa e, também, de Síndrome Pós-Cuidados de Terapia Intensiva (Post-intensive Care Syndrome – PICS), nos casos mais graves. Felizmente, os pacientes acometidos por estes quadros apresentam uma boa resposta às intervenções de reabilitação, mas estas devem ser precoces e oportunas, na medida da necessidade de cada paciente, para melhores resultados. A prescrição do programa de reabilitação dependerá das necessidades identificadas, considerando os objetivos terapêuticos traçados, que poderá incluir: programa de reabilitação cardiopulmonar e metabólica; terapias específicas voltadas à analgesia, ganho de mobilidade, força, equilíbrio e funcionalidade; emprego de tecnologia assistiva, orientações para prevenção de quedas e melhora da acessibilidade; suporte psicoafetivo; avaliação e terapia cognitiva; avaliação e orientação nutricional.

A COVID-19 pode levar a complicações neurológicas adicionais, como Acidente Vascular Encefálico, polirradiculopatias, mielopatias e encefalopatias que demandarão programas específicos.

Mais além, a avaliação médica inicial poderá ser realizada por médicos especializados em reabilitação das diferentes áreas: cardiologistas, fisiatras e pneumologistas.

Para agendar a avaliação médica inicial:

Para mais informações sobre a Síndrome Pós-COVID-19 ou COVID Longa, acesse o artigo "Síndrome Pós–Covid-19: o que é e o que fazer a respeito"