Obesidade e Transtornos Alimentares

​​​​​​​Obesidade Adulto

  • Quando consideramos uma pessoa acima do peso?

    A obesidade é definida como o excesso de gordura corporal em relação à massa magra (quantidade de músculo). Para diagnosticá-la corretamente é necessário avaliar a composição corpórea do indivíduo.

    No ambulatório, usa-se para isso, como recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), o índice de massa corpórea (IMC), que classifica relações entre peso e altura. Se o IMC estiver entre 25 e 29,9 kg/m2 há sobrepeso ou pré-obesidade. Se for igual ou superior a 30 kg/m2​ já se considera obesidade.

  • Como calculamos o IMC?

    O IMC é calculado dividindo o peso, em quilogramas, pela altura, em metros, elevada ao quadrado (IMC = peso/altura2​). O IMC apresenta grande precisão, mas tem o inconveniente de não distinguir o aumento de gordura do de músculo, nem a sua distribuição pelo corpo.

    Tabela 1. Classificação da obesidade segundo o índice de massa corpórea (IMC) e risco de doença (Organização Mundial da Saúde).

    IMC (kg/m2) Classificação Obesidade grau Risco de doença
    <18,5Magreza0Elevado
    18,5-24,9Normal0Normal
    25-29,9SobrepesoIElevado
    30-39,9ObesidadeIIMuito elevado
    >40,0Obesidade graveIIIMuitíssimo elevado
  • Por que a obesidade é perigosa?

    Há um aumento da prevalência de obesidade em diversas populações do mundo, incluindo o Brasil. Dados da OMS sugerem uma prevalência de 1,6 bilhão de adultos com sobrepeso no mundo. Destes, cerca de 400 milhões são obesos. No Brasil, 47% da população tem sobrepeso, e 13% das mulheres e 9% dos homens já podem ser considerados obesos.

    Sabemos que há uma associação entre obesidade e mortalidade por elevação das doenças cardiovasculares, cerebrovasculares, diabetes e certos cânceres. A obesidade pode levar a doenças como:

    • Hipertensão arterial.
    • Diabetes.
    • Dislipidemia (problemas de colesterol).
    • Apneia do sono.
    • Refluxo gastroesofágico.
    • Esteatose hepática.
    • Câncer (próstata, mama e colo do útero).
    • Doenças do coração.
    • Derrame cerebral.
    • Trombose.
    • Gota.
    • Dermatoses e acnes.
    • Alterações hormonais com aumento dos pelos corpóreos.
    • Alterações menstruais.
    • Disfunção erétil.
    • Infertilidade.
    • Depressão.
    • Problemas ortopédicos e posturais.
    • Doenças periodontais.

    A distribuição do excesso de peso pelo corpo é um importante indicador das alterações metabólicas e cardiovasculares (distúrbios do metabolismo de glicose e lipídeos). O excesso de gordura na parte superior do corpo, considerada obesidade central, androide ou abdominal, é o que mais frequentemente se correlaciona com o aumento da mortalidade e o risco de doenças como diabetes mellitus, hipertensão arterial e aterosclerose.

  • Como medimos a gordura na região abdominal?

    Podemos utilizar tanto a medida da circunferência abdominal como a relação cintura/quadril.

    Relação cintura/quadril

    Relação cintura/quadril – A medição deve ser realizada com o paciente em pé, na expiração. Considera-se cintura a menor circunferência existente entre a última costela e a crista ilíaca ântero-superior. O quadril é medido na região de maior perímetro no nível da região glútea. Como regra geral, uma relação menor do que 0,90 para homens e menor que 0,85 para mulheres pode ser aceita como limite superior da normalidade (valores maiores são considerados como indicativos de distribuição androide).

    Perímetro da cintura – Tem sido considerado superior à relação cintura quadril por refletir melhor o conteúdo de gordura visceral. Importante considerar que o valor de risco da cintura modifica com a idade e com os grupos étnicos.

    Tabela circunferência abdominal e risco de complicações metabólicas associadas com obesidade em homens e mulheres caucasianos:

    Risco complicações metabólicasHomemMulher
    Aumentado> 94 cm> 80 cm
    Muito aumentado> 102 cm>​ 88 cm
  • Por que as pessoas ficam obesas?

    A obesidade é uma doença complexa, multifatorial, resultante da interação de fatores genéticos e ambientais, mediada por condições sociais, econômicas, endócrinas, metabólicas e psiquiátricas. Os fatores ambientais estão ligados aos hábitos de vida, como ingestão de dietas com alto teor calórico e sedentarismo. A herança genética é poligênica, de influência predominantemente na modulação dos neurotransmissores cerebrais ligados ao centro da fome, da saciedade e controle do metabolismo corporal.

    São vários fatores que estão envolvidos na causa da obesidade, por isso é tão difícil a sua cura somente por meio de uma medicação. O sucesso no tratamento depende de uma constante vigilância no nível de atividade física e da ingestão de alimentos, além de outros fatores como apoio social, familiar e automonitorização.

  • Por que temos que combater a obesidade?

    Frente a esse aumento da obesidade e das complicações associadas a ela, detectar precocemente indivíduos com excesso de peso e aplicar medidas de mudança do estilo de vida se faz cada vez mais necessário. Ao atender um paciente, é importante classificá-lo quanto ao excesso de peso. Para isso, pode ser utilizado rotineiramente o cálculo do IMC, e definida a localização preferencial do excesso de gordura através da medida da circunferência abdominal. Esses dois parâmetros têm grande utilidade para detectar indivíduos que possam ter os critérios de risco para síndrome metabólica e maior morbidade e mortalidade.

  • Como é o diagnóstico de obesidade em crianças e adolescentes?

    Em crianças e adolescentes, a classificação de sobrepeso e obesidade a partir do índice de massa corpórea não se correlaciona com morbidade e mortalidade da forma em que se define obesidade em adultos, mas o IMC está associado de modo significativo à adiposidade.

    A International Obesity Force define sobrepeso para um índice situado na curva de porcentagem de IMC entre valores 85% e 95% para a faixa etária, e a classificação de obesidade corresponde ao valor acima 95%. As crianças obesas apresentam correlação positiva para gordura abdominal e alterações metabólicas (dislipidemia, hiperglicemia, hiperinsulinemia). Não há um ponto de corte para medida de circunferência abdominal definido.

    Sugere-se que crianças com percentual de gordura:

    Maior do que 33% e circunferência abdominal superior a 71 cm são mais dispostas a risco cardiovascular

    Menor do que 20% e circunferência abdominal inferior a 61 cm têm risco cardiovascular mínimo.

  • Como é o tratamento?

    O tratamento básico da obesidade apoia-se na modificação do comportamento alimentar e no incremento da atividade física. Por esse motivo existe uma preocupação crescente no âmbito da prevenção, trabalhando os hábitos saudáveis de vida desde a infância e a necessidade da intervenção multidisciplinar, pois ela é considerada uma doença crônica e sem cura, e seu tratamento deve ser vitalício.

    Não existe nenhum tratamento farmacológico de longo prazo que não envolva mudança de estilo de vida. O sucesso em longo prazo depende de uma constante vigilância.

    Obesidade é uma doença crônica que tende a recorrer após a perda de peso e pessoas obesas devem ter contato e apoio de longo prazo com profissionais de saúde.

    Nos dias atuais há um aumento do:

    • Tabagismo e estresse.
    • Redução do gasto calórico diário, aumento no consumo de alimentos de alta densidade energética e menor qualidade nutricional, com preparações industrializadas, altamente calóricas, ricas em açúcar, sódio e gorduras, de baixo valor nutricional.
    • Acrescido a isso, o tamanho das porções, tanto de alimentos quanto de bebidas alcoólicas e refrigerantes, aumentou consideravelmente.

    Obesos tendem a comer menos vezes ao dia. Os grandes intervalos entre refeições, a omissão do desjejum e as beliscadas não planejadas, consequentes deste padrão alimentar inadequado, contribuem com o quadro de obesidade. A tendência em abusar de alimentos gordurosos favorece seu depósito na forma de gordura corporal e a gordura é menos eficaz, em comparação às proteínas e carboidratos, no envio de sinais de saciedade ao cérebro.

    Desta forma, indivíduos com dietas muito ricas em gordura as ingerem por períodos maiores e em quantidade maior. O balanço positivo crônico entre a ingestão de energia e o gasto calórico resulta em obesidade quando associado à contribuição genética. Evidentemente que para obter uma perda de peso, deve-se ingerir menos calorias do que as calorias gastas. Para isso, muitas vezes é necessário um tratamento comportamental, além de uma reeducação alimentar.

  • ​​Quando está indicado o tratamento farmacológico?​

    Sabemos que o efeito individual de cada medicamento na redução do peso corpóreo é diretamente proporcional às mudanças no estilo de vida e aderência ao plano alimentar e de atividade física, que devem estar sempre acopladas à prescrição da medicação.

    A medicação não age isoladamente, mas é um componente importante de um plano global e está indicada quando os pacientes encontram-se motivados, mas têm dificuldade de seguir e aderir à dieta. Os anorexígenos não são efetivos para todos os pacientes. Alguns apresentam efeitos colaterais e outros não têm um resultado satisfatório, e nunca devem ser impostos, mas discutidos, sempre avaliando riscos e benefícios da perda de peso. Apesar do estigma "​pílulas emagrecedoras", o tratamento da obesidade deve seguir os mesmos critérios do tratamento de uma doença crônica. Existem, atualmente, cinco medicamentos registrados para tratamento de obesidade no Brasil: anfepramona, fenproporex, mazindol, sibutramina e orlistat.

    O núcleo de tratamento do indivíduo obeso conta com endocrinologistas que fazem o primeiro atendimento e encaminham para os demais especialistas conforme as necessidades individuais:

    • Nutricionista Nutricionista
    • Psicólogo Psicólogo
    • Psiquiatra Psiquiatra
    • Treinador físico Treinador físico
    • Cirurgião do aparelho digestivo Cirurgião do aparelho digestivo
​​​​

 


Você está visualizando:

Obesidade e Transtornos Alimentares

Outros conteúdos disponíveis para esta especialidade: