Obesidade e Transtornos Alimentares

Compulsão Alimentar

​​​​​​​​​​​​Compulsão Alimentar

  • O que é compulsão?

    Compulsão alimentar é o aumento episódico da ingestão alimentar. Frequentemente é a tradução clínica de um distúrbio de ansiedade e/ou afetivo. O termo compulsão se refere ao ato de compelir, que significa empurrar forçadamente, ou seja, o paciente come sem fome, como uma tradução de um distúrbio de apetite.

  • Qual é a causa?

    A causa é multifatorial, envolvendo fatores genéticos, neuroquímicos, psíquicos e socioculturais.

  • Quais são os grupos mais envolvidos?

    É o distúrbio alimentar mais frequente, tendo incidência global populacional de 5%.

    • Sexo

      Costuma ocorrer mais em mulheres (60%), mas a presença em homens (40%) é maior do que dos outros distúrbios alimentares.

    • Raça

      É mais comum em brancos, ocidentais e em classe social média ou alta.

    • Faixa Etária

      Aparece com mais frequência entre os 30 os 50 anos de idade.

  • Como é o quadro clínico?

    Como o paciente não se utiliza de diuréticos ou laxantes para compensar o episódio de comer compulsivo (quando ele se utiliza caracteriza-se a bulimia nervosa), não apresenta as complicações relacionadas a esses usos. Como consequência, a tradução clínica do distúrbio não existe em 75% dos casos. Os outros 25% têm a obesidade como tradução morfológica. É fundamental a história clínica, principalmente na caracterização do hábito alimentar (inventário alimentar completo). Nos Estados Unidos, pelo menos 50% desses distúrbios não são diagnosticados.

  • Como fazer o diagnóstico?

    O comer compulsivo pode ter vários tipos de manifestações clínicas. Pode se caracterizar por:

    • Ingestão voraz e abusiva seguida de sentimentos de culpa (aquilo que os americanos chamam de "binge-eating").​
    • Ingestão voraz apenas de doces, sem sentimento de culpa (aquilo que os americanos chamam de "sugar-crave").
    • Ingestão voraz de salgado e ou doce sem culpa.

    Os episódios são recorrentes, e apresentam as seguintes características:

    • Ingestão de grande quantidade de alimento e em curto período de tempo.​
    • Perda de controle durante o episódio.
    • Intensa decepção e tristeza com a compulsão.
    • Pelo menos três dos seguintes fatores associados:

      - Comer rapidamente

      - Comer até ficar desconfortavelmente cheio

      - Cão estar com fome

      - Comer sozinho para evitar constrangimento

    • Recorrência de pelo menos duas vezes por semana, durante seis meses consecutivos.
    • Ausência de uso de mecanismos para tentar compensar (laxantes, diuréticos, exercícios, etc...).
    • Ausência de anorexia nervosa.
    • A depressão, sensação de fracasso e ansiedade são comorbidades psíquicas em até 70% dos casos. Também pode ocorrer abuso de álcool e drogas.

      Os exames laboratoriais não têm nenhum valor para rastreamento da compulsão, dando frequentemente resultados normais e criando a falsa ilusão ao paciente de que ele não tem nada e está ótimo.

      A compulsão alimentar pode ocorrer em certas doenças, como as genéticas (Prader-Willi), convulsões de lobo temporal do cérebro, doenças degenerativas do sistema nervoso como Alzheimer, e lesões da glândula chamada hipotálamo. Quando existem "pistas", elas devem ser investigadas e devidamente afastadas. Assim, por exemplo, se uma senhora de 80 anos começar a ter compulsão, deverá ser investigada.

  • Qual deve ser o tratamento?

    O tratamento da compulsão deve ser multidisciplinar com:

    • Endocrinologista Endocrinologista

      Faz o diagnóstico por meio da anamnese e inventário alimentar completo e pesquisa doenças associadas

    • Psiquiatra Psiquiatra

      Avalia a necessidade tratamento com antidepressivos que tenham ação no mecanismo neuroquímico da doença (serotonina, noradrenalina) e investiga as comorbidades psíquicas frequentes.

    • Psicóloga Psicóloga

      Pode propor psicoterapia ou terapia comportamental e apoio familiar.

    • Nutricionista Nutricionista

      Propõe estratégias de cardápio para evitar a compulsão, como comer com frequência, "bolar" alternativas agradáveis para colocar no cardápio, incentivar o paciente a fazer inventário alimentar completo para que não perca o controle sobre o que come.

    A maior importância do tratamento está na abordagem multidisciplinar, com boa int​eração entre as equipes, para que a via final comum seja a cura do paciente.

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