Obesidade e Transtornos Alimentares

Bulimia Nervosa

​​​​​​​​​​Bulimia N​ervosa

  • O que é?

    O nome bulimia vem do grego Bous (boi) e limos (fome), ou seja, fome intensa. Chamamos de bulimia quando um indivíduo tem episódios recorrentes e incontroláveis de consumo de grandes quantidades de alimentos em curto período de tempo (geralmente em menos de duas horas), seguidos de comportamentos compensatórios inadequados a fim de evitar o ganho de peso. Estes incluem:

    • Uso de laxantes e diuréticos.
    • Provocar vômitos.
    • Exercícios vigorosos (muitas horas na academia).
    • Jejum.
    • Dietas radicais.
    • Uso de remédios emagrecedores sem orientação médica.

    Em geral, esses pacientes têm uma insatisfação com a imagem corporal e o peso, mas, diferentemente da anorexia, eles têm faixa ponderal adequada.

    Acomete todas as classes sociais e afeta principalmente mulheres jovens, sua prevalência na população feminina (18 a 48 anos) é de 1 a 3%.

  • Qual a causa do aparecimento desse distúrbio?

    A causa é multifatorial. Pode surgir de alteração neuroquímica cerebral como também de um comportamento psicológico, genético, familiar e sociocultural. Em algumas profissões em que a estética e o corpo são muito valorizados há maior frequência da patologia.

  • Como fazer o diagnóstico?

    A pessoa que tem bulimia costuma consumir uma quantidade de alimentos, em um período limitado de tempo (menos de duas horas), que consideravelmente excede aquela que a maioria das pessoas consumiria num período de tempo equivalente. Geralmente são alimentos de alto teor calórico (doces, chocolate, bolachas, sorvetes e salgadinhos).

    Durante esse período de compulsão há uma sensação de perda de controle sobre a ingestão de alimentos (a pessoa não consegue controlar a quantidade que ingere ou parar).

    O individuo acredita (erroneamente) que se usar comportamentos compensatórios pode neutralizar os efeitos da compulsão alimentar (isto é, ele acredita que tais atitudes o ajudarão a não ganhar peso e a não se sentir tão culpado pela ingestão exagerada). Ele usa, por exemplo, laxantes para não absorver e eliminar mais facilmente o que ingeriu, induz o vômito para remover o alimento do estômago, faz exercícios exagerados para perder qualquer excesso de peso que possa ser obtido.

    A frequência dessa compulsão alimentar e do uso desses mecanismos compensatórios ocorrem pelo menos duas vezes por semana durante um período de três meses.

    O individuo é obcecado pelas aparências e formas corporais. Ele acha que descobriu uma forma de comer sem controle e não ganhar peso.

    É importante diferenciar ou separar de outras condições patológicas, como anorexia nervosa, depressão, distúrbios borderline de personalidade, tumores cerebrais, e algumas síndromes raras.

  • Como deve ser o tratamento?

    É necessária uma equipe multidisciplinar, que inclua, além do endocrinologista, para fazer uma avaliação clínica e nutricional completa e para tratar possíveis deficiências de eletrólitos decorrentes dos vômitos e do uso de laxantes e diuréticos, também psiquiatra, nutricionista e psicólogo.

    Equipe multidisciplinar:

    • Nutricionista Nutricionista
    • Psicólogo Psicólogo
    • Psiquiatra Psiquiatra
    • Endocrinologista Endocrinologista

    O tratamento modelo é a terapia cognitivo-comportamental, que consiste em:

    • Automonitorização da ingestão de alimentos.
    • Recomendações específicas para normalizar o comportamento alimentar e reduzir as dietas.
    • Controle do peso.
    • Reestruturação cognitiva focada na etiologia dos fatores responsáveis pelo desenvolvimento e manutenção da bulimia.
    • Prevenção de recaídas, desenvolvendo estratégias para controle de episódios de compulsão alimentar e dos comportamentos compensatórios.

    Além disso, há uma abordagem da autoestima, modificação da relação com à imagem corporal e com o sistema de crenças disfuncionais. A psicoterapia familiar é muito importante e eficaz para os adolescentes.

    Por se tratar de uma doença com componente neuroquímico, muitas vezes o uso de antidepressivos tem importante ação terapêutica, com ação nas vias de noradrenalina e serotonina cerebrais. Eles ajudam a reduzir a frequência dos ​episódios compulsivos, diminuem sintomas de ansiedade e de depressão.

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