Urologia

​​​​​​​​​​Análise do Sêmen

A análise do sêmen deve ser o primeiro teste laboratorial solicitado. Deve ser cuidadosamente realizada para que possa fornecer as informações necessárias com relação à espermiogênese e à permeabilidade do trato reprodutivo. Não é um teste de fertilidade, e o exame do ejaculado deve, no mínimo, corresponder às orientações estabelecidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Geralmente, é aconselhável a obtenção de duas análises de sêmen antes que se ofereça uma opinião sobre a condição do paciente. Um período de abstinência de dois ou três dias deve ser respeitado, e o tempo de entrega do material ao laboratório não deve exceder 1 hora para que não se prejudique a análise da motilidade e da progressão anterógrada dos espermatozoides. Alterações no período de abstinência podem invalidar comparações entre as análises.

Preferencialmente, o ejaculado deve ser obtido na clínica através de masturbação e coletado em um recipiente de vidro ou de plástico especial com uma abertura ampla, que não aglutine os espermatozoides ou diminua sua motilidade e vitalidade. Uma vez que vários lubrificantes e mesmo a presença de saliva podem prejudicar os parâmetros do sêmen e invalidar sua análise, o seu uso deve ser desencorajado.

Repetição do exame

Caso a primeira análise seja normal de acordo com os parâmetros da OMS, outras amostras devem ser obtidas para avaliar a função espermática. No caso de um primeiro exame anormal, ao menos mais um, e possivelmente mais dois, devem ser obtidos em momentos diferentes, para documentar, classificar e confirmar o tipo de anormalidade.

Frutose – É produzida nas vesículas seminais e é dependente de andrógenos. A ausência de frutose no sêmen, o baixo volume seminal e a falha do sêmen em coagular indicam a ausência congênita dos deferentes e vesículas seminais ou a obstrução dos ductos ejaculadores. Os níveis de frutose devem ser determinados em todo paciente com volume ejaculatório inferior a 1,5 ml. Inicialmente deve-se solicitar um teste qualitativo e, se este for negativo ou limítrofe, proceder à análise quantitativa de frutose.

Liquefação do sêmen ​– É um processo fisiológico que ocorre espontaneamente de 5 a 20 minutos após a ejaculação. Os elementos responsáveis pela coagulação são encontrados nas vesículas seminais, enquanto que as enzimas proteolíticas que iniciam a liquefação derivam da próstata.

Viscosidade do sêmen – Deve ser anotada. Alterações nestas características apontam para disfunções das glândulas acessórias e podem afetar a análise da motilidade e densidade do sêmen.

Aglutinações – São altamente sugestivas de problemas imunológicos.

Anticorpos antiespematozoides – Podem ser determinados tanto no sêmen como no sangue. Os testes diretos, que medem a presença de anticorpos antiespermatozoide na superfície do espermatozoide do paciente, são os preferidos. No caso de poucos espermatozoides móveis ou de contagens muito reduzidas, sangue ou sêmen do paciente podem ser usados em testes indiretos.

Células redondas – O surgimento destas deve ser cuidadosamente anotado, e deve-se então proceder a um teste de quantificação leucocitária (teste de Endtz). Este teste é realizado em células suspensas em sêmen liquefeito e quantificado pela contagem de células marcadas em uma câmara de contagem de Makler.

Granulócitos positivos para peroxidase (neutrófilos, leucócitos polimorfonucleares e macrófagos) – São identificados por colorações com imunohistoquímica e contagens leucocitárias superiores a 1 milhão por ml são consideradas anormais. Este teste é extremamente importante porque ajuda na decisão sobre o tratamento de uma possível infecção, evitando o uso excessivo e desnecessário de antibióticos para o que poderia ser apenas a presença de espermatozoides imaturos.

A avaliação seminal, portanto, deve ser realizada de maneira cuidadosa, pois ela fornece informações importantes sobre a espermatogênese e a permeabilidade do trato reprodutivo.

Tradicionalmente, o diagnóstico de infertilidade masculina depende de uma avaliação descritiva dos parâmetros do ejaculado, com ênfase na concentração, motilidade e morfologia dos espermatozoides.

A filosofia fundamental dessa abordagem é que a fertilidade masculina pode ser definida em termos de um número mínimo de espermatozoides morfologicamente normais, com movimento progressivo, que deve ser excedido para que um determinado indivíduo seja considerado fértil. É necessário enfatizar que a análise seminal não é um teste de fertilidade. A avaliação de fertilidade é um fenômeno complexo, multifatorial que envolve a avaliação do casal.

Por razões de padronização e para que resultados obtidos em locais diferentes sejam comparáveis e confiáveis, os testes que envolvem sêmen devem ser realizados de acordo com diretrizes, como, por exemplo, as estabelecidas pela OMS.

Valores da análise seminal considerados anormais pela OMS

  • Volume do ejaculado inferior a 2,0 ml.
  • Concentração de espermatozoides inferior a 20 x 106 por ml.
  • Número total de espermatozoides inferior a 40 milhões.
  • Motilidade dos espermatozoides inferior a 50% das células com progressão linear e grau de qualidade inferior a 2 (escala de 0 a 4).
  • Morfologia dos espermatozoides com formas normais abaixo de 30%.

Os termos oligozoospermia, astenozoospermia, teratozoospermia referem-se a anormalidades no número, na motilidade e na morfologia dos espermatozoides, respectivamente, ou a uma combinação deles.

A avaliação da morfologia requer mais habilidade e experiência do que a avaliação da densidade e da motilidade dos espermatozoides.

Outro exemplo de marcador biológico, cuja função é determinar as falhas de funcionamento dos espermatozoides, é o teste que mede a geração de radicais livres de oxigênio (ROS). Produzidas em níveis fisiológicos, essas moléculas são extremamente importantes para os espermatozoides, pois dão início ao processo de capacitação. Entretanto, quando produzidos em quantidades excessivas, oxidantes, como o peróxido de hidrogênio, podem interromper a função dos espermatozoides causando dano peroxidativo à membrana plasmática e inclusive alterações no DNA do espermatozoide.

Os espermatozoides são especialmente suscetíveis a tais danos e experiências realizadas com radicais livres de oxigênio após processamento seminal correlacionam-se com taxas de fertilização in vitro e in vivo.

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