Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus:

REVISTA BRASIL+/BRASÍLIA | GERAL
Data Veiculação: 30/06/2020 às 11h38

TENDÊNCIAS ACELERADAS A pandemia de coronavírus vem antecipando transformações que levariam anos, talvez décadas, para acontecer. São mudanças comportamentais e tecnológicas que permeiam o dia a dia da sociedade entenda como será o novo normal em áreas como trabalho, negócios, consumo, saúde e educação POR RICARDO LACERDA Aproxima epidemia? Não estamos preparados. Esse é o título de uma palestra dada por Bill Gates paraoTEDTalks em 2015. Disponível no YouTube, a apresentação viralizou na quarentena e chegou a ser considerada profética. Em oito minutos, o fundador da Microsoft explica por que a sociedade está mais exposta a vírus do que a guerras, e faz um apelo para que os governos invistam com mais vigor em pesquisas sanitárias. “Não há razão para pânico, mas precisamos nos apressar", afirma. Não se tratava de um alerta isolado. Havia bastante tempo que a comunidade científica previa um evento dessa magnitude. Agora concretizado, ele estabelece um antes e um depois na história da humanidade. A declaração de pandemia pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em 11 de março, colocou a vida como a conhecemos em suspenso: trabalho, escola, viagens, relações, consumo praticamente tudo foi impactado. A necessidade de distanciamento social levou mais de 4,5 bilhões de pessoas a algum tipo de isolamento. E a inesperada mudança de rotinas está antecipando transformações que eram projetadas para ocorrer daqui a muitos anos. Nesse futuro acelerado, enquanto a ciência não descobre uma vacina contra a Covid-19, a sociedade experimenta o que se convencionou chamar de novo normal. FUTURO: TECNOLOGIA HUMANIZADA Com a finalidade de avaliar o impacto da crise do coronavírus nos negócios, a revista Fortune divulgou em maio uma pesquisa com CEOs das 500 maiores empresas dos Estados Unidos. E os resultados não são nada animadores. Para 60% deles, a atividade econômica só voltará aos níveis de antes da pandemia em 2022. Outros 27% acham que isso acontecerá apenas em 2023. A reticência diz respeito, sobretudo, às incertezas que pairam sobre o enfrentamento da doença. Na mesma semana, uma reportagem da The Economist apresentou o conceito de Economia de 90% segundo o qual, depois das quarentenas, o mundo deixará de gerar 10% de riquezas em razão dos novos hábitos e comportamentos da sociedade. Em situações assim, é natural que governos ajam para evitar um cenário de depressão social. A principal medida é injetar recursos em planos de recuperação. Até meados de abril, a somatória global das políticas de estímulo adotadas pelas nações atingidas pela Covid-19 chegava a US$ 10,6 trilhões. Para se ter uma ideia da dimensão, o plano Marshall, criado pelos EUA para auxiliar a Europa após a Segunda Guerra, era oito vezes menor segundo cálculo da McKinsey. A maior parte dos recursos é direcionada para suprir necessidades básicas dos cidadãos, preservar empregos Apesar do drama da saúde e do quadro de fragilidade econômica, a pandemia deixará legados positivos. O mais marcante será a transformação tecnológica, impulsionada pelo isolamento social. Segundo o especialista em cultura digital Cit Giardelli, membro da Federação Mundial de Estudos do Futuro (WFSF, na sigla em inglês), antes mesmo do coronavírus o mundo passava por uma transição para a Sociedade 5.0. A ideia amplia o alcance da Quarta Revolução Industrial e prevê a massificação de soluções como big data, inteligência artificial (IA) e robótica em favor do bem-estar humano. "É uma transformação nunca vista, que coloca as pessoas no centro de tudo, com inovação, integração e inteligência. Agora, com a Covid-19, isso vai ser muito acelerado", explica. Também conhecida como Sociedade Superinteligente, a Sociedade 5.0 foi cunhada pelo governo do Japão cerca de cinco anos atrás. Mas quem aparece na dianteira de sua propagação é a China, através do projeto Cinturão Econômico da Rota da Seda (Belt and Road Initiative, em inglês), que prevê investir cerca de US$ 1 trilhão em mais de 100 países até 2027. Os aportes incluem estradas, portos, ferrovias e outros empreendimentos de infraestrutura. Mas a revolução prometida está nas redes de quinta geração de internet móvel. "O que a Inglaterra e os Estados Unidos fizeram na primeira e na segunda Revolução Industrial, com navios e estradas de ferro, agora será feito pela China com redes de 5G", diz Giardelli, que é roboticista e professor em 23 CAPA O mundo já passava por um movimento de automação, mas a partir de agora isso será ainda mais acelerado, com as pessoas no centro de tudo com mais inovação, integração e inteligência. GilGiardelli, especialista em cultura digital e membro da Federação Mundial de Estudos do Futuro (WFSF) Foto: CloudMinds / Divulgação instituições como ESPM e PUCRS. O potencial tecnológico chinês ficou evidente nos esforços para achatar a curva de contágio. E provou que o país caminha a passos largos para se tornar líder global em IA até 2030 conforme plano anunciado em 2017. No país asiático, a liberdade pós-quarentena cobra seu preço por meio de soluções disruptivas: o monitoramento da população, por exemplo, é feito por ferramentas da saúde baseadas em IA e cálculos de big data. Ao refletir sobre o mundo pós-pandemia em artigo no Financial Times, o historiador e filósofo israelense Yuval Noah Harari,autorde27 Lições para o Século 27, se diz favor dousodetecnologiasque beneficiem a saúde pública. Entre elas,ferramentas de monitoramento como as da China. "Se eu pudesse rastrear minha própria condição médica 24 horas por dia, aprenderia não apenas se me tornei um risco a outras pessoas, mas também quais hábitos contribuem para minha saúde", assinala. Harari, entretanto, faz a ressalva de que esses recu rsos não pode e m se r u ti lizad os para a criação de um Estado ultra vigilante e totalitário. Em linha com esse conceito, o professor André M iceli, coordenador do MBA em Marketing, Inteligência e Negócios Digitais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), destaca que a transformação digital ajudará a humanizara tecnologia. "Vivemos muito tempo a discussão infundada sobre a tecnologia, se ela aproximava ou distanciava as pessoas. Mas se ignorava o aspecto humano, que decide o que fazer com ela", afirma. NEGÓCIOS: SOBREVIVÊNCIA E TRANSFORMAÇÃO Ao reconfigurar hábitos e rotinas, o isolamento social abre 24 [BRÀSIL-HJUNHODE202 A NECESSIDADE SE IMPÕE Depois de anos em debate, em março a telemedicina foi regulamentada em caráter emergencial no Brasil. Ainda que o uso de tecnologias interativas para o atendimento médico esteja válido apenas na pandemia, especialistas são unânimes ao dizer que a modalidade veio para ficar. AS TRÊS MODALIDADES AUTORIZADAS NA PANDEMIA SÃO: TELEORIENTAÇÃO Permite que médicos orientem a distância pacientes em isolamento. TELEMONITORAMENTO Sob supervisão ou orientação médica, possibilita acompanhar remotamente parâmetros de saúde e doença. TELEINTERCONSULTA Autoriza a troca de informações e opiniões entre médicos, a fim de auxiliar no diagnóstico ou na terapia. POLÍTICA PRÓ-SAÚDE China e índia são dois dos principais fornecedores mundiais da área da saúde, desenvolvendo insumos para a fabricação de medicamentos, itens de proteção individual e equipamentos como respiradores artificiais. O contexto de pandemia levantou dúvidas quanto aos rumos da globalização, evidenciando vulnerabilidades na política industrial de vários países. Mas Cláudio Porto, da Macroplan, não apostaria em um futuro marcado pelo fechamento de fronteiras. "O processo de globalização tem muito mais ganhos do que perdas. O que deve acontecer é o aumento da regulação", acredita. Daí a importância de se manter estoques estratégicos, algo semelhante ao que acontece com a indústria de Defesa que se resguarda ao manter parte da produção internamente. Nesse sentido, o Brasil pode estar diante de uma janela de oportunidades única para renovar o complexo industrial da saúde. "Aspectos como demanda crescente e a emergência de se construir uma agenda de saúde como prioridade apontam para uma área muito dinâmica", diz Porto. Para isso, seria necessário desenvolver uma política industrial focada e com tempo predeterminado, além de abrir um amplo diálogo entre poder público, setor privado, comunidade científica e órgãos reguladores. Em relatório recente, a McKinsey inclusive vislumbra uma maior intervenção estatal na saúde, a fim de equipar os países para enfrentar futuras pandemias. bitantes, o Brasil é o único com atendimento gratuito e universal à população. "O setor tem buscado economistas e gestores qualificados, o que vai ajudar a melhorar a alocação dos recursos. É a chance de o país finalmente dar um salto", afirma Porto. Prova de que esse amadurecimento não precisa vir exclusivamente do governo é a aliança Todos pela Saúde, criada pelo Itaú Unibanco para auxiliar no enfrentamento da Covid-19. Comandada por um grupo de especialistas, a iniciativa tem orçamento de R$ 1,2 bilhão e não encerrará quando a pandemia for superada. A garantia vem do cirurgião Paulo Chapchap, diretor-geral do Hospital Sírio-libanês e líder do Todos pela Saúde. Segundo ele, um dos focos será o desenvolvimento de iniciativas que ajudem na capacidade de resposta do Sistema Único de Saúde (SUS) a desafios futuros. Outra ideia é melhorar o processo de governança da saúde pública nacional. "Não se trata da substituição do Estado, mas de uma parceria para a estruturação do SUS. É preciso conhecer bem as demandas e a capacidade de supri-las." SAÚDE: CIÊNCIA FORTALECIDA No começo de junho, pelos cálculos da OMS, havia aproximadamente 100 vacinas contra a Covid-19 em desenvolvimento mundo afora. A maioria delas estava em fase de testagem, mas algumas traziam perspectivas de chegar ao mercado entre o fim de 2020 e o começo de 2021. Em cenários normais, uma vacina costuma demorar ao menos uma de- 28 [BRÀSIL-H JUNHO DE 202Cf cada entre o começo das pesquisas e a imunização populacional. Logo, não seria errado dizer que, em termos científicos, o coronavírus está encurtando a distância até o futuro. "Estamos evoluindo rapidamente nos conhecimentos, nos protocolos. Há estudos multicêntricos sendo feitos para beneficiar o mundo inteiro", destaca Chapchap, do Sírio-Libanês. A emergência sanitária tem feito a sociedade cobrar por maior atenção e recursos para a saúde. E essa atenção não se resume a dinheiro. Ainda que autorizada em caráter excepcional, a telemedicina ganhou popularidade no isolamento social. "Não há dúvida que a modalidade veio para ficar, até porque os grandes bloqueios no ambiente regulatório devem desaparecer", acredita Chapchap. Segundo ele, a medicina remota precisa funcionar como ferramenta adicional, que não anula o contato tradicional entre médico e paciente. "Ela potencializa a capacidade do sistema e permite beneficiar populações mais isoladas, por exemplo." Desde 2018, o Sírio-Libanês desenvolve o projeto Regula Mais Brasil, que se vale da telemedicina para apoiar médicos em unidades básicas de várias localidades do país. TRABALHO: FLEXIBILIDADE E RESULTADOS Se uma área tão relevante quanto a medicina pode se aproveitar da tecnologia para funcionar a distância, o que dizer de atividades que dispensam o contato pessoal? Pois é nessa toada que o teletrabalho invadiu as residências. Um exemplo é a disparada do uso de plataformas de colaboração e aplicativos de teleconferência. Quando a OMS declarou pandemia, a plataforma Microsoft Teams tinha em média 32 milhões de usuários por dia. No fim de abril, esse número era de 75 milhões. "Vimos dois anos de transformação digital em dois meses", disse Satya Nadella, CEO da empresa, na divulgação de resultados. A solução de videoconferências Zoom deu um salto ainda maior: de 10 milhões para 300 milhões de participações diárias em suas salas de reuniões. Para não ficar para trás, o Facebook lançou o Messenger Roms e expandiu as funcionalidades de videochamadas do WhatsApp. Já o Coogle atualizou o Duo, permitindo que mais pessoas participassem das salas de reunião e bate-papo, e retirando a exigência de que todos os usuários tivessem o app baixado. Além disso, inúmeras ferramentas até então pouco conhecidas ganharam popularidade. Tendência que evoluía aos poucos, o trabalho remoto se tornou solução de ocasião para manter milhões de negócios funcionando. "É um caminho sem volta", assinala André Miceli, da FCV. Para o professor, depois da pandemia cerca de 30% das organizações deverão aderir em definitivo ao modelo híbrido que intercala trabalho em casa e no escritório. Com o rompimento das barreiras que freavam o home Office, seus benefícios ficarão ainda mais evidentes. Enquanto o colaborador ganha autonomia e flexibilidade, a empresa pode enxugar custos com estruturas desnecessárias. De quebra, a menor circulação de pessoas nas ruas, ou em horários alternativos, melhora a mobilidade e pode até reduzir a emissão de poluentes. Uma pesquisa da Fundação Dom Cabral (FDC) em parceria com a consultoria e auditoria Grant Thornton aponta que mais da metade dos 700 respondentes (54%) pretende seguir em trabalho remoto após a pandemia. Contudo, Gil Giardelli destaca que é preciso encontrar um ponto de equilíbrio nessa travessia. "Devemos chegar a um meio termo, pois haverá o entendimento de que não será mais preciso ficar na empresa das 8h às 18h." As operações remotas incluíram até mesmo o governo. Nos primeiros meses de isolamento, a Os governos devem arregimentara sociedade civil para que ela apoie ou discuta, que faça evoluir o conjunto de ideias e conceitos da gestão do Estado. Não deve haver separação entre responsabilidades exclusivas do governo e da sociedade, e sim uma maior capacidade de leitura, dos dois lados, das necessidades sociais e governamentais. Paulo Chapchap, médico, diretor do Hospital Sírio-Libanês e líder do movimento Todos pela Saúde á “Aprendizagem não é apenas transmitir conteúdo. Precisa ter interatividade, mediação, discussão entre pares. Lúcia Dellagnelo, diretora-presidente do Centro de Inovação para a Educação Brasileira (Cieb) União colocou mais de 100 mil servidores em home Office. "Mudamos drasticamente a forma de trabalho e estamos abertos à inovação e colaboração com o setor privado", explica Paulo Uebel, do Ministério da Economia. Brasil afora, câmaras municipais, assembleias legislativas e o Congresso experimentaram uma inédita mudança para o virtual. E votações importantes, como das medidas de auxílio à economia e à sociedade na Câmara e no Senado, foram feitas a distância. "Esta realidade serviu de estímulo para ampliarmos as discussões sobre a reestruturação do serviço público no país. O governo pós-coronavírus será muito diferente, muito mais digital e focado em resultados", acrescenta o secretário. Responsável pelo estudo Tendências de Marketing e Tecnologia 2020, lançado em abril, André Miceli aponta que o trabalho remoto aumenta a produtividade de 15% a 30%. Mas a estimativa é válida apenas em tempos de normalidade. Durante uma pandemia, é natural haver dificuldade para o estabelecimento de rotinas eficientes. Ainda assim, há quem já esteja aproveitando muito bem a nova condição. Prova disso é o fato de que 31% dos respondentes da pesquisa da FDC VEM AI A ERA DO TRABALHO HÍBRIDO Entre abril e maio, a Fundação Dom Cabral (FDC) e a consultoria e auditoria CrantThornton divulgaram os resultados da pesquisa Covid-19 Home Office Trabalho Remoto. O levantamento se baseou nas respostas de 705 profissionais, entre os quais 61% ocupam cargos de liderança em suas organizações. ATE A PANDEMIA... 35% 25 adotavam home Office ao menos uma vez ao ano % adotavam home office ao menos uma vez na semana 29 % nunca haviam trabalhado em home office NA COMPARAÇÃO HOME OFFICE X ESCRITÓRIO 31 12 15 3 % se dizem mais produtivos em home office % significativamente mais produtivos , j% dizem ter a mesma produtividade % menos produtivos em home office % significativamente menos produtivos 30 [BRASIL-H JUNHO DE 2020* PRETENDE PROPOR AO SEU UDER SEGUIR TRABALHANDO REMOTAMENTE DEPOIS DA PANDEMIA? % % % SIM NAO TALVEZ SOCIABILIDADE, LIDERANÇA E FOCO % não acham necessário se encontrar com colegas para seguir trabalhando remotamente % sentem falta de interagir pessoalmente com colegas dizem que seus líderes são eficazes em ajudar no trabalho remoto reclamam de distrações na rotina de home office. / 1 ■ 1 V 1 _ ■ ^ J 1 « se dizem mais produtivos em home office e 12%, significativamente mais produtivos. "Empresas com cultura inovadora e experimental costumam ter mais sucesso nessa transição", destaca. Exemplo disso é a consultoria Accenture. Em menos de duas semanas, a multinacional colocou mais de 500 mil funcionários em trabalho remoto e foi a primeira organização do mundo a ter meio milhão de pessoas utilizando o Microsoft Teams. Diretor-executivo de tecnologia da Accenture para América Latina, Fernando Teixeira destaca que muitos clientes temiam adotar o modelo: "Em empresas mais tradicionais havia a crença de que não sobreviveriam". O medo, diz ele, está relacionado especialmente à queda de produtividade, algo que pode ser contornado com ferramentas de avaliação de desempenho e uma liderança eficaz. A valorização do tempo trabalhado, e não dos resultados alcançados, é uma cultura típica de empresas com visão dogmática. Quem diz isso é Daniel Castanho, CEO do grupo Ânima Educação. "Se esses negócios já estavam com seus dias contados antes, agora mesmo é que esse tempo será acelerado." EDUCAÇAO: CONECTIVIDADE E PENSAMENTO DIGITAL Não foram só os adultos que tiveram de migrar os seus afazeres para casa. Crianças e jovens acabaram impelidos a fazer o mesmo. Foi assim que a pandemia disseminou o ensino a distância expondo tanto seus benefícios quanto suas fragilidades. Na educação superior, a modalidade vinha superando desconfianças e atraindo milhares de alunos. Mas na rede básica se tratava de uma novidade, pois apenas em 2018 o governo regulamentou a EaD e unicamente para o Ensino Médio. 31 CAPA Em abril, o Centro de Inovação para a Educação Brasileira (Cieb) consultou as secretarias de educação de 3.011 cidades e de 21 estados para saber como pretendiam reagir à quarentena. O resultado mostrou uma dura (e esperada) realidade: 60% dos municípios não tinham traçado uma estratégia de ensino remoto, sendo que 40% deles nem sequer dispunham de recursos tecnológicos para isso. A primeira reação das escolas foi adiantar férias e recessos para ganhar tempo. Ou então suspender as aulas. Para Lúcia Dellagnelo, diretora-presidente do Cieb, a situação é fruto de um problema que antecede o coronavírus: a falta de experiência das escolas na incorporação de tecnologias em sala de aula. Nesse sentido, existem dois gargalos para o ensino remoto avançar na rede básica mesmo como um mero apoio. O primeiro é o despreparo dos professores. "Os cursos de Pedagogia não enfatizam o saber ensinar com tecnologia", diz Dellagnelo. Já o segundo, infraestrutura digital deficiente, penaliza em especial estudantes de baixa renda. "O acesso à internet é essencial para se exercer direitos básicos como a educação." A Organização das Nações Unidas (ONU) defende, desde 2011, a conectividade como um direito humano fundamental. Países como Espanha e Estônia levaram essa recomendação a sério e hoje são referência na oferta de internet pública o que faz a diferença para muitas crianças e jovens que precisaram estudar em casa na quarentena. No Brasil, as limitações de conexão e o despreparo dos docentes levaram o poder público a utilizar toda sorte de estratégias. Em estados como Amazonas, Maranhão e Paraná, uma das saídas foi transmitir aulas pela televisão. Em outros locais, o rádio foi a opção. Essas soluções, no entanto, devem ser encaradas de maneira circunstancial. "Aprendizagem não é apenas transmitir conteúdo. Precisa ter interatividade, mediação, discussão entre pares", defende Dellagnelo. Mestre e doutora em Educação pela Universidade Harvard, ela sugere que no pós-pandemia o governo desenvolva programas para subsidiar a conectividade. "O primeiro problema a resolver é dar equidade de acesso." Criado sem fins lucrativos em 2016 para promover a inovação na educação pública, o Cieb difunde o conceito de "escola conectada". Muito além dos laboratórios de informática popularizados duas décadas atrás, a ideia é desenvolver equipes com competências digitais, dispor de equipamentos de conectividade em sala de aula e de recursos tecnológicos alinhados ao currículo. Daniel Castanho, da Ânima, 32 [BRASIL-H JUNHO DE 2020* Foto: Ânima / Divulgação FUNDAMENTOS PARA O NOVO NORMAL Em meio à pandemia, a McKinseypublicou o relatório O futuro não é mais o que costumava ser: pensamentos sobre a forma do próximo normal. Sustentado por sete princípios que deverão moldar o mundo daqui para frente, o documento traz orientações para líderes conduzirem seus negócios durante e depois da crise. Confira os ensinamentos: 1. A VOLTA DA DISTÂNCIA A partir da década de 1990, o avanço tecnológico e especialmente a internet encurtaram distâncias e impulsionaram a globalização. Se de uns anos para cá o mundo já experimentava uma redução nesse movimento, a perspectiva agora é de mais restrições nas fronteiras, com maior preferência a produtos e serviços locais. 2. RESIDÊNCIA PARATER EFICIÊNCIA Mais do que ajustar o modelo de negócio, muitas organizações precisarão repensá-lo completamente e até descobrir outras maneiras de se sustentar. Acima de tudo, a capacidade de absorver um choque e sair dele ainda melhor (ou seja, a resiliência) será fundamental para quem deseja sobreviver e prosperar em longo prazo. 3.0 BAIXO CONTATO AVANÇA Três segmentos da economia experimentam um momento decisivo e têm tudo para sair da pandemia fortalecidos: comércio eletrônico, telemedicina e automação. Mesmo que a maioria das atividades retorne a um estado de quase normalidade, já é possível imaginar um mundo com operações guiadas pelo contato humano reduzido. 4. A ETERNA MÃO DO ESTADO Em situações dramáticas, a sociedade fica mais disposta a aceitar o maior controle do governo na economia. Foi o que aconteceu quando os EUA injetaram recursos para salvar empresas em 2008. E é o que tem acontecido agora, com governos destinando trilhões de dólares para apoiar empresas e cidadãos, preservando empregos e oferecendo renda básica. 5. O VALOR DAS ORGANIZAÇÕES Antes mesmo do coronavírus já havia um questionamento crescente quanto ao que efetivamente deve ser a geração de valor de uma empresa. Ou seja, deve-se apenas investir e trabalhar com objetivo de colher mais dividendos? Alinhado à tendência de investimentos mais responsáveis, o conceito do triple bottom line baseado no trinômio lucro, pessoas e planeta já está sendo alçado a novos patamares de importância. 6. DA INDÚSTRIA AO CONSUMO, TUDO PODE MUDAR Os efeitos da pandemia estão criando novos hábitos na sociedade, com reflexos na indústria e no consumo. As pessoas estão trabalhando de casa, estudando em casa, cozinhando mais. A dinâmica de cinemas, restaurantes, eventos e casas noturnas será a mesma? As maiores incertezas pairam sobre os millenials e a geração Z, que contemplam pessoas nascidas entre 1980 e 2012 e são mais suscetíveis a novos costumes. 7. O QUE RESTA DE POSITIVO A comunicação é uma necessidade natural do ser humano. Mesmo que inúmeras atividades acabem sendo transpostas para o mundo digital, indivíduos, comunidades, empresas e governos precisam buscar as melhores formas de fazer essa transição não apenas de maneira inovadora, mas também inclusiva. ONDE A EAD ACONTECE Entre 2009 e 2018, o crescimento da educação a distância no ensino superior brasileiro foi de 145%. No mesmo período, as matrículas presenciais caíram 2,1%. Fonte: Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) Nos últimos dois anos, o número de startups de educação (as edtechs) cresceu 23% no Brasil. Fonte: Centro de Inovação para a Educação Brasileira (Cieb) e Associação Brasileira de Startups (ABStartups) Segundo Peter Diamandis, fundador da Singularity University, os investimentos em edtechs no mundo ultrapassaram os US$ 18,6 bilhões em 2019. Em um cenário impactado pela pandemia, ele acredita que esse valor possa chegar a US$ 400 bilhões em 2025. defende que tanto escolas quanto universidades adotem o que ele chama de pensamento digital e não digitalizado. "Não basta mandar um texto por e-mail. Isso não muda nada. É preciso ter mentalidade digital, trabalhar colaborativamente." Hoje com 140 mil alunos, a Ânima foi criada em 2003, já inserida no contexto do ensino a distância. Não surpreende o grupo ter lançado, no começo de 2020, um vestibular online. Por meio de um aplicativo com ferramentas para evitar fraude (como reconhecimento facial), os candidatos respondem a questões discursivas diretamente pelo smartphone. No país onde milhões de crianças não conseguem acompanhar aulas remotamente, a educação superior a distância vive outra realidade. Conforme o último censo do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), vinculado ao Ministério da Educação, as matrículas de EaD cresceram 145% entre 2009 e 2018. Enquanto isso, as presenciais recuaram 2,1%. Dentro de uma conjuntura muito mais evoluída em relação à educação de base, as universidades debatem outros tipos de abordagens para o novo normal. "Currículo híbrido, ensino a distância, isso tudo acabou. Estamos falando de aprendizado com uso de tecnologia", salienta castanho. Para ele, o novo papel das instituições de ensino superior se estrutura em dois pilares: a transformação dos professores e a criação de ambientes de aprendizagem a exemplo dos espaços maker e de prototipagem. "Assim, o aluno não irá mais cursar Administração ou Engenharia, e sim um conjunto de na no cursos que fará mais sentido para a trajetória dele", prevê. FILANTROPIA: CULTURA DE SOLIDARIEDADE A reflexão da sociedade e do mundo corporativo sobre a tragédia do coronavírus se transformou em uma onda de solidariedade inédita no Brasil. Em apenas dois meses do começo de abril a meados de junho a Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR) contabilizou mais de R$ 5,6 bilhões em doações para combater a Covid-19. Detalhe: nessa soma entram apenas valores anunciados publicamente e envolvendo dinheiro. Ações de empresas comprando alimentos ou fabricando álcool em gel, luvas e máscaras, por exemplo, não são contabilizadas. A estimativa de Márcia Woods, presidente do Conselho Deliberativo da ABCR, é de que, a cada cinco avisos de 34 [BRASIL-H JUNHO DE 2020* 0 BRASIL NO ÍNDICE GLOBAL DE SOLIDARIEDADE 6o Canadá 7o Reino Unido 8o Holanda 5o Irlanda Io Estados Unidos O World Giving Index 2019, elaborado pela Charities Aid Foundation com indicadores da Callup, considera o agregado dos resultados de 126países entre 20092019. O computo envolve 740 Brasil 6 dados relativos a recursos doados, trabalho voluntário eajuda direta. 126° China 2o Mianmar ,A 9°SriLankaò d) 10° Indonésia 4o Austrália 3o Nova Zelândia doações que a entidade recebe, apenas um tenha valoração monetária. Ou seja, 80% da filantropia não envolve transferência direta de recursos. "O volume, na verdade, acaba sendo muito maior do que 0 registrado pelo Monitor de Doações", explica. A ideia de registrar as doações tem origem no movimento feito por grandes empresas ao doarem volumes atípicos para a filantropia no país. De acordo com 0 Cife, uma associação de investidores sociais do Brasil, as doações no país somaram R$ 3,2 bilhões em 2018. Um dos primeiros gestos a chamar atenção foi do Itaú Unibanco, que anunciou R$ 200 milhões e depois subiu para R$ 1 bilhão recursos que financiam 0 Todos pela Saúde. O cenário criado pelo coronavírus foge à realidade nacional, já que 0 Brasil aparece apenas na 74a posição entre os 126 países do último índice Mundial de Solidariedade da Charities Aid Foundation. O ranking analisa três fatores: ajuda a pessoas na rua, doações de recursos para ONGs e trabalho voluntário envolvendo ONGs. Woods, da ABCR, celebra 0 senso de resposta e 0 espírito solidário dos brasileiros. "A crise também mostra que a sociedade civil organizada pode contribuir com 0 país", diz ela. Já Marina Cançado, fundadora da Converge Capital, plataforma que fomenta 0 amadurecimento de investimentos sustentáveis no Brasil, destaca que a origem das doações não se restringe a grandes corporações. "Os recursos vieram de todos os lugares e bolsos e, além de dinheiro, milhares de pessoas se mobilizaram e dedicaram muito tempo para que a ajuda chegasse aos destinos." O cenário de exposição das marcas engajadas com a filantropia, e mesmo de pessoas famosas, é visto como altamente positivo. Na opinião de Woods, isso rompe uma cultura vinculada à formação religiosa do brasileiro, conforme a qual a prática da filantropia precisaria ser recatada. "Não se deve ter vergonha de dizer publicamente que doa." Em países como Estados Unidos e Inglaterra, quem contribui com causas sociais, em geral, fala para amigos, familiares, e é reconhecido pela sua comunidade. Como legado para a pós-pandemia (e mesmo durante), a porta-voz da ABCR espera que se retome a atenção a outras áreas da filantropia, como educação e desigualdade social. E mais: que 0 governo encare 0 setor como um parceiro estratégico algo que poderia começar pela revisão de tributos que incidem sobre doações. B-f 35 CAPA

LIDE/SÃO PAULO | GERAL
Data Veiculação: 30/06/2020 às 03h00

INOVAÇÃO E FORTALECIMENTO No Brasil, a Covid-19 lançou luz a um antigo problema: a alta dependência de importação de insumos farmacêuticos usados para a produção de medicamentos que são comprados principalmente da China e da índia. Sérgio Angioni, presidente do Conselho Administrativo da associação que representa as indústrias de química fina e de biotecnologia, a ABIFINA, explica que esse modelo foi adotado pela maior parte das nações. Com o fechamento da fronteira dos dois países asiáticos para conter a disseminação do novo corona vírus, houve impacto negativo para todos que dependem desse sistema. “Hoje, 76% das matérias-primas dos medicamentos feitos nos Estados Unidos são importados da Ásia e no Brasil esse índice chega a95%”, indica Frangioni. Apesar do alerta vermelho, as fabricantes instaladas no Brasil, de origem nacional ou estrangeira, têm realizado grandes esforços para avançar no campo da inovação e do desenvolvimento de novos produtos. Um exemplo é a joint-venture re- INDÚSTRIA DE FÁRMACOS GANHAATENÇÃO REDOBRADA DEVIDO ÀSEXPECTATIVAS COM RELAÇÃO ASUA CAPACIDADE DE PRODUÇÃO EDESENVOLVIMENTO DE NOVOSPRODUTOScém-criada pelos laboratórios Aché,EMS, Hypera Pharma e União Química. A união dessas companhias fez nascer a jovem e brasileiríssima Bionovis. A fábrica da companhia que será construída em Valinhos, interior de São Paulo, absorveu investimentos de R$ 420 milhões. Com objetivo de inserir o Brasil no ciclo global de medicamentos biológicos - uma das frentes mais inovadoras da indústria farmacêutica no mundo a startup está reunindo forças para produzirem território nacional medicamentos que hoje só são fabricados por um pequeno grupo de países. Na visão de Odenir Finto-te, presidente da Bionovis, a produção de medicamentos biológicos no Brasil traz inúmeros ganhos. “Estamos fazendo investimentos em pesquisas, formação de mão de obra altamente qualificada, transferência de tecnologia e na construção de uma planta produtiva laboratórios que incorporam o estado da arte da biotecnologia farmacêutica”, declara confiante. Oportunidades as empresas tradicionais do setor também têm priorizado o caminho da inovação, tanto para combater ocoronavírus como para buscar o tratamento de diversas outras doenças. A EMS destina 6% do faturamento anual para o seu centro de pesquisa e desenvolvimento instalado no seu complexo fabril, em Hortolândia, interior de São Paulo, e vem se destacando no lançamento de medicamentos de prescrição médica mais inovadores já desenvolvidos no Brasil. Com vários estudos clínicos em andamento e mais de 50 novos produtos em diversas etapas de desenvolve- cimento, a EMS passa por revoluções de processos que incluem aprovação de protocolos de pesquisa em tempo recorde e execução de estudos clínicos de relevância em parceria com hospitais e centros de pesquisas do País para encontrar uma resposta definitiva ou até mesmo paliativa em combate ao novo corona vírus. O vice-presidente institucional do laboratório, Marcus Sanchez, diz que essas iniciativas, realizadas em um curto espaço de tempo, são essenciais para proporcionar mais eficiência agilidade aos processos de produção em pesquisa e desenvolvimento de medicamentos. “Temos a cultura de enxergar oportunidades nas dificuldades e seguir investindo, inclusive em momentos de crise”. Soluções ágeis neste momento, a GSK, empresa global de saúde com foco em ciência, e que no Brasil está presente há mais de 100 anos, está debruçada no desenvolvimento de uma vacina para aCovid-19. Por meio de uma parceria com a francesa Sanofi, o laboratório criou uma plataforma de adjuvantes (matéria prima adicionada). Com ela, é possível imunização mais potente duradoura. “Nossa expectativa é de produzir até 1 bilhão de vacinas em2021”, explica Carlos Fender, presidente da divisão farmacêutica das no Brasil. O centro de pesquisa e desenvolvimento da GSK está focado em ciência relacionada ao sistema imunológico e do uso da genética humana e de tecnologias avançadas. Para Fender, isso representa um diferencial para combater doenças que exigem medicamentos cada vez mais personalizados e eficazes. Nano passado, a empresa lançou um produto inovador para o tratamento de doença pulmonar obstrutiva crônica que afeta milhões de brasileiros. Como será? Executivos da indústria farmacêutica respondem quais serão as principais tendências do setor nos “Acredito que a colaboração parcerias, toco mu nas no me rcadoamericano e europeu, possa ser uma realidade no País, pois estamos vivendo um período de resultados imediatos de demandas cada vez mais peculiares ’Carlos Fender, presidente da divisão farmacêutica da GSKPesquisadores da Pfizer estão à frente de uma revisão científica sobre estudos relacionados às propriedades antivirais da azitromicina para combater a Covid-19 Luta contra a Covid-190 governo de São Paulo e o diretor do Instituto Butantã, Dimas Covas, anunciaram em junho uma parceria inédita entre o Instituto a farmacêutica chinesa Inova para produção e testes em estágio avançado de uma vacina contra o corona vírus. 0 acordo prevê testagem em 9 mil voluntários no Brasil e fornecimento de doses até junho de2021, caso a imunização se prove eficaz e segura. "Poucos meses após confirmação do primeiro caso de Covid-19 no País, São Paulo vai liderar um ensaio clínico fase três e se prepara para iniciar a produção nacional de uma vacina promissora, que poderá ser disponibilizada em tempo recorde na rede pública de saúde", afirmou o Diretor do InstitutoButantan, Dimas Tadeu Covas. "Queremos beneficiar mais e mais pessoas, tornando o Brasil uma afiliada de maior representativida de dentro de nossa organização, ampliando nossa participação de mercado e, com isso, levando mais saúde para milhões depessoas"Márjori Dulcine, diretora médica da Pfizer Brasil “Uma possibilidade é a mudança de paradigma de preço por procedimento para modelo baseado em valor. Ao estabelecer uma remuneração baseada em valor, foco sai da doença passa a ser otratamento"Esse foi o maior lançamento da GSKna área respiratória nos últimos 20anos. “Em 2020, estamos expandindo para a área oncológica com lançamento de um medicamento para câncer de ovário”, revela. A Pfizer, uma das principais companhias bi farmacêuticas do mundo, também anunciou recentemente avanços importantes para o tratamento prevenção da Covid-19: o desenvolvimento de uma vacina em conjunto com a empresa alemã Bionte e avaliação do uso de um inibidor oral nos processos inflamatórios característicos de algumas doenças autoimunes, como artrite reumatoide. Um grupo de pesquisadores da Pfizer está à frente de uma revisão científica sobre estudos in vitro e clínicos relacionados às propriedades antivirais da azitromicina, antibiótico usado no tratamento de várias infecções bacterianas. O material poderá contribuir para pesquisas adicionais futuras sobre o medicamento no combate ao corona vírus. “Temos um cenário sem precedentes com 95 moléculas em estudo”, contaMárjori Dulcineia, diretora médica da Pfizer Brasil. A farmacêutica norte-americanas é outra grande companhia do setor que acaba de anunciar que está desenvolvendo duas vacinas e um antiviral contra o novo corona vírus. Os esforços para a contenção da Covid-19estão sendo realizados por meio de parcerias e da aquisição de uma empresa de biotecnologia para acelerar estudos promissores já em andamento. “Anunciamos o início de nossos esforços para identificar e para acelerar soluções importantes para esse desafio global. Garantiremos que todos os programas tenham os recursos, a atenção e o foco de que precisam e que a pandemia da Covid-19 exige”, diz Kenneth C. Frazier, CEO da MSD. Já em relação a testagem para identificar novos pacientes de Covid-19, uma relevante novidade é o exame molecular, desenvolvido pelo laboratório Mandélicas em parceria com o Hospital Sírio-Libanês. Feita a partir da saliva e com estimativa de processamento de 110 mil amostras por dia, o novo teste está disponível para empresas e hospitais. A análise identifica o material genético do vírus e será realizado para a detecção da doença em sua fase aguda. De acordo com DavidSchneleiger, CEO da Mendelics, além de ser feito em larga escala, seu preço médio é de apenas R$ 95,00. “A gente não vai vender o teste para pessoa física, mas para empresas a fim de voltar à normalidade, para que as pessoas voltem a circular mais”. Outras necessidades agilidade dos laboratórios na busca por soluções contra a Covid-19só foi possível por conta da larga experiência do setor em estudar soluções inovadoras nas mais diferentes áreas. Mesmo diante do cenário atual, a Novartis Brasil se comprometeu em manter todos os investimentos previstos em pesquisas clínicas e está dando continuidade aos estudos em andamento. De acordo com Renato Carvalho, presidente do Grupo Novartis no Brasil, a Covid-19 trouxe um cenário novo para todos, cheio de incerteza e instabilidade, mas deixará inúmeras lições e aprendizados. “Entre as possíveis contribuições na areada saúde, destaco as mudanças que poderão ser impulsionadas no desenvolvimento de estudos clínicos. São iniciativas que estavam em processo de implementação ou em fase piloto, mas que serão aceleradas com as restrições impostas pela pandemia”, diz. Carvalho reconhece que lidar com uma pandemia requer novos níveis desenvolvimento e colaboração entre indústria, a academia e todas as áreas da sociedade. “A Novartis está profundamente dedicada em promover inovação científica, garantir o acesso à medicina e iniciar novas pesquisas clínicas para buscar soluções”. "0 cenário da pandemia deixou ainda mais evidente importância do cuidado com a saúde, tanto no âmbito individual, com uma conscientização maior sobre prevenção e controle de doenças, quanto no âmbito da atenção saúde pública “Olhar para o futuro A Alcíon, Líder global em cuidados com a visão e saúde ocular está apoiando parceiros que atendem populações mais vulneráveis afetadas ela pandemia de Covid-19. A Alcíon Foundation realocou fundos e fez doações para organizações locais, nacionais e globais para apoiar programas de alimento para crianças e idosos, fornece suprimentos essenciais para abrigos e ajudar nos esforços de assistência à saúde pública. "Acreditamos que investir em inovação tecnologia é, acima de tudo, continuar garantindo o acesso da população terapias e soluções que contribuam para melhorar a qualidade de vida" setor" Estamos vivenciando uma evolução espetacular de diversos tipos de tecnologias, como as terapias avançadas (gênica celular) e os medicamentos biológicos "Acesso facilitado Em busca de inovações nos seus serviços para facilitara experiência de seus clientes, a Ultra Farma, uma das maiores redes de farmácias populares e especializada em genéricos do País, lançou recentemente o seu aplicativo. "Por nosso público ser majoritariamente formado por idosos, justamente o grupo que mais sofre com a Covid-19, decidimos investir no projeto para incentivar os consumidores a realizarem suas compras pelo app, em suas casas", explica Sidney Oliveira, fundador da empresa. "Haverá um foco maior em P&D em necessidades médicas não assistidas e em áreas como oncologia doenças raras e aparte de neurologiatambém"Um outro bom exemplo é a alemã Boehringer Ingelheim, que destina globalmente mais de 18% do seu faturamento para pesquisa e desenvolvimento. Em 2019, a companhia injetou cerca de 3,5 bilhões de euros nessa área. No Brasil, a empresa tem utilizado inovações para contribuir para a melhoria da qualidade de vidada população atendida pelo SUS em doenças de maior mortalidade como infarto e AVC. “Estamos ancorados no propósito de servir a humanidade melhorando a saúde das pessoas, empreendendo todos os esforços para contribuir com a saúde pública do País”, explica Marc Hassan, presidente da Boehringer Ingelheim Brasil. A Bayer, também de origem alemã, se mantém trabalhando intensamente em novos desenvolvimentos. O presidente da empresa para a América Latina, Adib Jacob, conta que o laboratório está se fortalecendo muito em áreas como oncologia, alcançando o primeiro medicamento aprovado no Brasil seguindo o conceito de indicação “tratamento tumor agnóstico”, ou seja, quando o tumor é classificado e tratado de acordo com uma característica molecular específica, não tendo como base apenas o tecido que deu origem ao câncer. “Essa mudança na estratégia de tratamento do câncer representa importante avanço no campo da medicina de precisão”, destaca. ■

LIDE/SÃO PAULO | GERAL
Data Veiculação: 30/06/2020 às 03h00

LEONARDO SANCHEZ VISÃO DISRUPTIVA FORTALECE O DESENVOLVIMENTO DA INDÚSTRIA FARMACÊUTICA ESPECIAL SAÚDE MEDICINA DO FUTURO UNE AVANÇOS TECNOLÓGICOS E GESTÃO DE QUALIDADE Membro do Conselho de Administração DESAFIO DAGERAÇÃOINVESTIMENTO EM CIÊNCIA E INOVAÇÃOTORNAM O GRUPO NC UM SÍMBOLO DOCRESCIMENTO DA INDÚSTRIAFARMACÊUTICA NACIONAL capa. A pandemia do novo coronavírus fez com que a atual geração de líderes empresariais encarasse pela primeira vezuma situação com tamanho impacto em seus negócios. Um momento que exigiu tomadas de decisão ágeis, mas não menos complexas, fez com que empresas e profissionais que já vivenciavam uma profunda transformação cultural em suas rotinas pudessem aplicar, de maneira arrojada, todos os seus esforços contra a Covid-19 e a favor de seus clientes e da sociedade. Um exemplo que vem do próprio mercado de saúde é o Grupo NC, lançada oficialmente em 2014, mas que acumula uma trajetória demais de 55 anos, com presença inclusive nos Estados Unidos. O Grupo, de origem brasileira e com sede em Hortolândia, interior de SãoPaulo, conta com mais de 8 mil colaboradoresdiretos e 25 empresas, com destaque para aEMS, o maior laboratório farmacêutico noBrasil e líder de mercado há 14 anos consecutivos. De acordo com Leonardo Sanchez,CEO Global da USK - uma das empresas do conglomerado - e membro do Conselho de Administração do Grupo NC, assim concebido o aporte de R$ 500 mil em investimentos. “Com esse novo modelo de trabalho, a média de visitas médicas por mês deve aumentar 20%no futuro. A expectativa é ampliar o alcance da EMS, que hoje atinge entre 30% e 40%dos 530 mil médicos do País. Novas abordagens de comunicação, oferecendo conteúdos que despertem o interesse do médico e criem maior engajamento, são uma parte importantedas mudanças que ocorrerão com essa nova plataforma. Estamos estudando e investindo bastante nessa área, inclusive com ações de telemedicina e teleconsulta - Projeto Médico Exponencial, que permite consultas a distância-, para levar de maneira ágil e interativa mais soluções inovadoras aos profissionais de medicina, além de ampliar o acesso da populaçãoà saúde”, detalha Sanchez. Ciência em primeiro Lugar. A indústria farmacêutica tem tido papelessencial em meio à pandemia ao investir em novas pesquisas. A EMS, por exemplo, tem apoiado três estudos clínicos em parceria com hospitais nacionais de renome para avaliar a eficácia e segurança do uso de hidroxicloro. Com mais de 55 anos de história e mais de cinco mil colaboradores, a EMS acredita no potencial da sua equipe que diariamente leva a marca para milhões de pessoas em todo o País muitas outras indústrias, a EMS, passou por um processo acelerado de transformação digital nos últimos meses devido à pandemia, atingindo inclusive a propaganda médica, que transformou-se em um modelo híbrido de visitação presencial e virtual. Devido à nova realidade de isolamento social, a visita médica virtual foi implementada em tempo recorde de duas semanas, tendo requina isolada ou em associação à azitromicina(antibiótico utilizado no combate a infecções srespiratórias) em pacientes com o novo coronavírus e com sintomas graves, moderados eleves. Os esforços estão justamente na busca de respostas com base em protocolos de pesquisa robustos e sérios. Os estudos estão sendo conduzidas pela Coalizão Covid-19, formadapelos hospitais Sírio Libanês, HCOR, Oswaldo20 Cruz, Moinhos de Vento, Beneficência Portuguesa, Rede Brasileira de Pesquisa em TerapiaIntensiva (BRICNet) e BCRI. “Com mais de 55 anos de história e mais de cinco mil colaboradores, a EMS acredita no potencial da sua equipe que diariamente leva a marca para milhões de pessoas em todo o País, o que mantém o seu crescimento e a expansão acelerada dos negócios. Temos o propósito de investir em talentos e capacitar nossos colaboradores para que possam caminhar conosco na vanguarda da indústria farmacêutica, ampliando a atuação da empresa em segmentos voltados principalmente à área de inovação e garantindo novas opções de tratamento para a população. Temos quatro fábricas pelo País, investimos consistentemente em pesquisa, atuamos em diversas frentes do setor farmacêutico e atendemos quase todas as especialidades médicas”, descreve o empresário. No entanto, Sanchez lembra que o setor farmacêutico é um dos mais regulamentados dopais e, em alguns casos, a burocracia pode gerar entraves no processo produtivo das empresas. “Soma-se a isso o fato de ser desafiador inovarno Brasil. Apesar desse cenário, o mercado farmacêutico é um dos que mais aportam recursos em pesquisa e desenvolvimento para trazer cada vez mais medicamentos e soluções eficazes e seguras em saúde à população”, analisa. 21 capa22 InternacionalizaçãoA EMS deu um passo importante para avançar para outros mercados. No final de 2019, por meio de sua controlada Vero Biotech, localizada em Atlanta, Geórgia, nos Estados Unidos, a empresa obteve a aprovação de seu primeiro produto submetido à FDA (Food and Drug Administration), agência federal do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, posicionando o laboratório como uma empresa de inovação no mercado global. O dispositivo - chamado Genosyl® (DS) - foi, inclusive, utilizado por médicos americanos para tratamento de um paciente com coronavírus em isolamento domiciliar. Essa conquista revela o processo de internacionalização da EMS e consolida a presença entre os grandes players globais. Além disso, a EMS foi a empresa farmacêutica nacional pioneira, em 2005, na exportação de medicamentos para o continente europeu. O primeiro produto de venda externa foi a Ciclosporina Microemulsão genérica, um medicamento de alta complexidade utilizado por pacientes transplantados, para evitar rejeição do órgão, e, até hoje, é um dos principais produtos exportados pelo laboratório. A EMS está em mais de 40 países, incluindo a Alemanha e a Inglaterra, que apresentam as legislações sanitárias de maior rigor em todo o mundo. Em termos de infraestrutura fabril, neste ano, o Grupo NC, por meio da EMS, já deu início à construção de uma nova unidade de medicamentos oncológicos injetáveis. “Seguiremos investindo em lançamentos, em infraestrutura fabril, em pesquisa e desenvolvimento, e em projetos e medicamentos inovadores para as pessoas viverem cada vez mais e melhor, pois acreditamos que a indústria farmacêutica tem papel essencial inclusive e especialmente em circunstâncias como a que estamos presenciando”, afirma. Retomada A EMS integra a lista das companhias que mantiveram suas atividades durante a pandemia de Covid-19 por prestarem serviços essenciais à sociedade. Por isso, passou a adotar diversas medidas com o intuito de garantir a produção e abastecimento de medicamentos à população, ao mesmo tempo, a segurança dos seus colaboradores que continuaram atuando nas fábricas. Por outro lado, cerca de 1600 funcionários, de diversas áreas administrativas, comerciais e até técnicas, foram colocados em trabalho remoto também em tempo recorde. Assim como outras companhias, o home office é uma das ações que a EMS e outras empresas do Grupo NC pretendem manter em algumas áreas para determinadas funções. Sanchez explica que está em estudo uma política e diretriz de trabalho remoto permanente para as atividades possíveis, incluindo a implementação de ferramentas de feedback on-line. “Nossa experiência nesses meses se mostrou positiva, inclusive, com aumento de produtividade em alguns casos. As ferramentas digitais, de maneira geral, vieram para ficar e isso vem com um desafio para os profissionais de RH, pois precisamos capacitar nossos colaboradores para que eles acompanhem essa revolução. Já estávamos trabalhando e investindo nisso, mas tudo se intensificou e, no pós-covid, foco muda. Vamos dedicar ainda mais tempo em treinamentos e desenvolvimento de ferramentas ações, como, por exemplo, as lives. Absorvemos esse modelo para nossos treinamentos, que antes eram presenciais, e hoje podem abranger muito mais pessoas, já que são feitos totalmente remoto. Também estamos intensificando os processos de educação contínua por meio da nossa Universidade Corporativa (UCNC), com módulos de e-learning muitomais abrangentes”, detalha Leonardo Sanchez.

YAHOO! FINANÇAS/SÃO PAULO
Data Veiculação: 30/06/2020 às 21h10

Na busca por medicamentos contra o novo coronavírus (SARS-CoV-2), os principais hospitais do país se uniram para testar a eficácia na prática de tratamentos experimentados em laboratório. Conhecido pelo nome de Coalizão COVID Brasil, a iniciativa investiga, agora, quatro tipos de antivirais para o tratamento de pacientes da COVID-19. Entre os medicamentos que serão testados, estão o daclatasvir e sofosbuvir, normalmente usados para o tratamento de pacientes com hepatite C. Além do atazanavir, que atua contra o vírus do HIV, e o favipiravir, fórmula já usada no Japão para o tratamento da COVID-19. Todos esses medicamentos já apresentaram eficácia positiva contra o novo coronavírus em laboratório. Por isso, serão agora testados em ensaios clínicos, ou seja, em pacientes de forma experimental e com aprovação prévia dos envolvidos. Detalhes da pesquisa Essa nova etapa da pesquisa será feita em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), já que um de seus cientistas, Thiago Moreno Souza, testou alguns dos medicamentos anteriormente in vitro. Nesse cenário, por exemplo, foi verificada a eficácia do antiviral atazanavir associado com o ritonavir no combate ao novo coronavírus, pelo menos em laboratório. Esses antivirais também foram usados em um ensaio clínico no Irã, desenvolvido por pesquisadores do Reino Unido e da Austrália. Por enquanto, os testes dos medicamentos no Brasil serão feitos em 900 pacientes. Nessa primeira fase, cada medicamento será ministrado de forma independente. Em um segundo momento, as drogas consideradas mais eficientes pelos estudos serão ministradas de forma combinada. A ideia é verificar se podem acelerar o tratamento e a melhora da resposta imune dos pacientes. A Coalizão COVID integra pelos hospitais nacionais como Israelita Albert Einstein, Sírio-Libanês, HCor (Hospital do Coração), Moinhos de Vento, Beneficência Portuguesa de São Paulo e Instituto Brasileiro de Pesquisa Clínica. Fonte: Canaltech

EXAME.COM/SÃO PAULO
Data Veiculação: 30/06/2020 às 16h22

Em maio deste ano, um estudo observacional feito por especialistas do Hospital Mount Sinai, de Nova York (EUA), apontou que o uso de anticoagulantes no tratamento do novo coronavírus poderia melhorar o tempo de sobrevivência de pacientes graves infectados pela doença. A pesquisa foi realizada com 2.773 pacientes internados por covid-19. Destes, 28% (786) tiveram um tratamento com doses completas de anticoagulantes, uma dose maior do que é geralmente administrada em casos de coágulos sanguíneos. Foi observado, então, que o uso dos medicamentos melhorou as chances de sobrevivência dos doentes dentro e fora da UTI. A formação de coágulos (ou trombos) é um dos principais agravantes da covid-19. Eles impedem que o sangue dos infectados circule e podem surgir em diversas partes do corpo, como os pulmões, nas pernas e no cérebro. Em muitos casos, os pacientes fatais do vírus passam pela formação de coágulos. É ai que os anticoagulantes entram: como uma opção de afinar o sangue e melhorar a circulação, evitando, assim, que um estado pró-trombótico se instaure e o infectado desenvolva um quadro mais grave. Recentemente a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em uma pesquisa feita em parceria com pesquisadores da Inglaterra e da Itália, testaram o anticoagulante heparina em casos de SARS-CoV-2. Os testes em laboratório se mostraram promissores e o remédio foi capaz de reduzir em 70% a infecção de células pelo novo coronavírus. Agora se iniciam os testes clínicos de um novo anticoagulante em doses maiores. A rivaroxabana, medicamento oral usado para o tratamento de trombose venosa profunda, pode ser mais uma das opções no mercado para reduzir o tempo de internação dos pacientes por coronavírus. A ideia do grupo brasileiro Coalizão é testar a eficácia da rivaroxabana em dose plena versus a da heparina (intravenosa) em doses menores e identificar se o primeiro será responsável por diminuir ainda mais a formação de coágulos. “A gente já conhece a eficácia e a segurança dessa droga. Mas agora queremos dar uma resposta muito importante que o mundo precisa hoje: será que se eu usar uma droga mais potente para diminuir a criação de trombos e coágulos isso pode melhorar a sobrevida dos doentes e o tempo de internação do hospital?”, questiona o doutor Renato Lopes, professor da Divisão de Cardiologia da Escola Paulista de Medicina (Unifesp), da Universidade de Duke, nos Estados Unidos, e líder da pesquisa no Brasil. O objetivo é testar a droga em até 600 pacientes em 40 hospitais ao redor do Brasil e chegar a uma conclusão positiva em até quatro meses. Até o momento, 10 voluntários estão participando da testagem com a rivaroxabana. “Estamos muito no começo para garantir algo”, explica Lopes. Para garantir a eficácia da pesquisa e evitar riscos (como o aumento de sangramento nos pacientes), um comitê internacional analisará todo o processo. Se algo não estiver certo na avaliação deste, o estudo será pausado. Mas Lopes ressalta que o uso de anticoagulantes não é a cura para o novo coronavírus. “Isso é um tratamento para uma das complicações mais graves que os pacientes da covid-19 têm, que são as tromboses — que matam e deixam sequelas. Esse medicamento pode vir a salvar vidas. A gente não sabe ainda, por isso estamos estudando”, diz. O grupo Coalização é formado pelas instituições Hospital Israelita Albert Einstein, HCor, Hospital Sírio Libanês, Hospital Moinhos de Vento, Hospital Alemão Oswaldo Cruz, BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, Brazilian Clinical Research Institute (BCRI) e Rede Brasileira de Pesquisa em Terapia Intensiva (BRICNet). O projeto conta com o apoio da farmacêutica EMS fornecendo os medicamentos hidroxicloroquina e azitromicina, da fabricante Aché fornecendo dexametasona e da gigante na área medicinal Bayer fornecendo a rivaroxabana. Nenhum medicamento ou vacina contra a covid-19 foi aprovado até o momento para uso regular, de modo que todos os tratamentos são considerados experimentais. De acordo com o relatório A Corrida pela Vida, produzido pela EXAME Research, unidade de análises de investimentos e pesquisas da EXAME, as pesquisas para o desenvolvimento de uma vacina já contam com o financiamento de pelo menos 20 bilhões de dólares no mundo. Desse valor, 10 bilhões foram liberados por um programa do Congresso dos Estados Unidos. Mais de 200 vacinas estão sendo desenvolvidas atualmente. Segundo o monitoramento em tempo real da universidade Johns Hopkins, mais de 10 milhões de pessoas estão infectadas pelo vírus no mundo e 509.474 morreram, segundo o monitoramento em tempo real da universidade americana Johns Hopkins. Os Estados Unidos são o epicentro da doença, com mais de 2,5 milhões de doentes e mais de 129 mil mortes. Em segundo lugar no ranking está o Brasil, com 1.368.195 de infectados e 58.314 óbitos.

A NOTÍCIA MT
Data Veiculação: 30/06/2020 às 14h16

POLÍTICA Terça-feira, 30 de Junho de 2020, 14:16 - A | A VÍRUS NA POLÍTICA Senador testa positivo para Covid-19 e vai para isolamento Mídia News Christiano Antonucci/Secom-MT O senador Jaime Campos (DEM) testou positivo para Covid-19 (novo coronavírus). O resultado do exame PCR ficou pronto na manhã desta terça-feira (30). A informação foi confirmada pela Secretaria de Comunicação de Várzea Grande. O senador já havia sido submetido a um teste rápido, mas o resultado havia dado negativo. Mesmo sem apresentar sintomas, ele optou por fazer um teste mais preciso, em razão de ter entrado em contato com pessoas que contraíram o vírus. Ainda nesta manhã, o senador realizou uma tomografia e não foi constatado nenhum comprometimento dos pulmões. Jaime, que tem 68 anos de idade e é fumante, ficará em isolamento domiciliar. A prefeita de Várzea Grande, Lucimar Campos (DEM), esposa de Jaime, e as filhas do casal também aguardam resultados dos exames. O secretário de Saúde do Município, Diogenes Marcondes, recebeu resultado também nesta manhã e não foi detectada presença do vírus. Dois senadores com Covid Jaime Campos é o segundo senador do estado a contrair a doença. Seu colega, Carlos Fávaro (PSD), também foi infectado, mas apresentou um quadro mais grave da doença. O parlamentar ficou internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, onde já tratava de um nódulo no pulmão. Em um vídeo divulgado em suas redes sociais no último final de semana, Fávaro disse que chegou a ficar com 50% do pulmão comprometido. Agora, já está em casa. Comentar

ÚNICA NEWS
Data Veiculação: 30/06/2020 às 13h39

Gilberto Leite O senador Jayme Campos (DEM) testou positivo para o novo coronavírus. A informação foi confirmada nesta terça-feira (30). A esposa de Jayme a prefeita de Várzea Grande, Lucimar Campos aguarda a contraprova do exame para confirmar ou não a infecção. Filhos e genros também fizeram os exames. De acordo com o próprio senador, que tem 68 anos, a tomografia demonstrou que os pulmões não foram afetados pela doença. Agora, Jayme já se encontra em quarentena. Jayme é o segundo senador de Mato Grosso que foi infectado pela Covid-19. Carlos Fávaro (PSD) chegou a ficar na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no hospital Sírio-Libanês, mas agora já está curado. Outros políticos mato-grossenses também tiveram a covid-19, como o governador Mauro Mendes (DEM), os deputados estaduais, Paulo Araújo (PP), Faissal Calil (PV), Thiago Silva (MDB), e os secretários estaduais, Gilberto Figueiredo (Saúde), Alan Kardec (Cultura) e o chefe de gabinete do governo Beto dois a um.

REPORTERNEWS.COM.BR
Data Veiculação: 30/06/2020 às 13h18

O senador Jaime Campos (DEM) testou positivo para Covid-19 (novo coronavírus). O resultado do exame PCR ficou pronto na manhã desta terça-feira (30). A informação foi confirmada pela Secretaria de Comunicação de Várzea Grande. O senador já havia sido submetido a um teste rápido, mas o resultado havia dado negativo. Mesmo sem apresentar sintomas, ele optou por fazer um teste mais preciso, em razão de ter entrado em contato com pessoas que contraíram o vírus. Ainda nesta manhã, o senador realizou uma tomografia e não foi constatado nenhum comprometimento dos pulmões. Jaime, que tem 68 anos de idade e é fumante, ficará em isolamento domiciliar. A prefeita de Várzea Grande, Lucimar Campos (DEM), esposa de Jaime, e as filhas do casal também aguardam resultados dos exames. O secretário de Saúde do Município, Diogenes Marcondes, recebeu resultado também nesta manhã e não foi detectada presença do vírus. Dois senadores com Covid Jaime Campos é o segundo senador do estado a contrair a doença. Seu colega, Carlos Fávaro (PSD), também foi infectado, mas apresentou um quadro mais grave da doença. O parlamentar ficou internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, onde já tratava de um nódulo no pulmão. Em um vídeo divulgado em suas redes sociais no último final de semana, Fávaro disse que chegou a ficar com 50% do pulmão comprometido. Agora, já está em casa.

GAZETA DIGITAL/A GAZETA/CUIABÁ
Data Veiculação: 30/06/2020 às 13h17

O senador Jayme Campos (DEM) e sua esposa, a prefeita de Várzea Grande Lucimar Campos (DEM), testaram positivo para covid-19. A confirmação de Jayme ocorreu nesta terça-feira (30). Já a Lucimar, aguarda a contraprova do exame para confirmar ou não a infecção. Filhos e genros também fizeram os exames. De acordo com o próprio senador, que tem 68 anos, a tomografia demonstrou que os pulmões não foram afetados pela doença. Agora, Jayme já se encontra em quarentena. Jayme é o segundo senador de Mato Grosso que foi infectado pelo novo coronavírus. Antes, Carlos Fávaro (PSD) chegou a ficar na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no hospital Sírio-Libanês. Porém, já está curado. Outros políticos mato-grossenses também tiveram a covid-19, como o governador Mauro Mendes (DEM), os deputados estaduais, Paulo Araújo (PP), Faissal Calil (PV), Thiago Silva (MDB), e os secretários estaduais, Gilberto Figueiredo (Saúde), Alan Kardec (Cultura) e o chefe de gabinete do governo Beto 2 a 1. Já o presidente da Fapemat e ex-reitor da Unemat, Adriano Silva, não resistiu à doença e faleceu no início deste mês.

FOLHAMAX/CUIABÁ
Data Veiculação: 30/06/2020 às 12h23

O senador Jayme Campos (DEM) está com Covid-19. Na manhã desta terça-feira (30), o democrata anunciou que testou positivo para a presença do novo coronavírus, conforme resultado do exame tipo PCR. Ele havia recebido um falso negativo em um teste rápido, do tipo IGG-IGM, que só funciona entre sete a 10 dias após a contaminação, pois ele só detecta a presença de anticorpos, não do vírus. Decidiu fazer um novo teste por conta própria — não apresentava sintomas —, porque manteve contato com pessoas acometidas nos últimos dias. Desta vez, o resultado foi positivo. Hoje de manhã, Jayme passou por uma tomografia, cujo resultado não apontou comprometimento dos pulmões, apesar dos 68 anos e do tabagismo do senador. Ele cumpre isolamento domiciliar. A esposa dele e prefeita de Várzea Grande, Lucimar Sacre de Campos (DEM), e suas filhas foram submetidas a exames do tipo definitivo e esperam os resultados. O secretário de Saúde da Cidade Industrial, Diogenes Marcondes, que está na linha de frente do combate a doença e manteve contato com o senador também foi testado hoje de manhã e o resultado deu negativo. Não há informações sobre a qual tipo de teste ele foi submetido. Um especialista explicou ao FOLHAMAX a diferença entre os tipos de exame para identificar o novo coronavírus. “Se a pessoa for testada com menos de 7 dias após a contaminação, o teste rápido sempre vai dar negativo porque só os PCR detectam o vírus”, explicou o doutor em governança em Serviços de Saúde, Laudicério Machado, consultor da Med Gear USA, parte do conglomerado de saúde que representa cinco laboratórios da Coreia do Sul que produzem e entregam esse tipo de testes definitivos em massa, como a Solgent, M. Monitor, Osang Health Care e Gencurix. Além de Jayme Campos, outro senador, o interino Carlos Fávaro (PSD) anunciou, há cerca de 10 dias, que estava infectado, foi acometido de complicações mais graves e chegou a ser internado em uma UTI no Hospital Sírio-Libanês, localizado em São Paulo e considerado um dos melhores da América Latina, onde tratava um nódulo no pulmão. O quadro chegou a comprometer-lhe 50% da capacidade pulmonar, mas ele conseguiu se recuperar, recebeu alta e segue a vida.

CORREIO WEB/CORREIO BRAZILIENSE/BRASÍLIA
Data Veiculação: 30/06/2020 às 06h00

(foto: Ed Alves/CB/D.A Press) Após o decreto de calamidade pública no Distrito Federal anunciado, ontem, pelo governador Ibaneis Rocha (MDB), a médica e professora da Universidade de Brasília (UnB) Valéria Paes reforçou a importância do isolamento social, da higienização das mãos, além do uso correto da máscara como principais medidas de prevenção para conter a disseminação do novo coronavírus. Em entrevista ao programa CB.Poder — parceria do Correio com a TV Brasília —, a infectologista ressaltou que a rede de saúde do DF está sobrecarregada e que é necessário o apoio cada vez maior da população nas ações de proteção. “Eu queria passar essa mensagem para que as pessoas continuem se cuidando, se todo mundo não fizer a sua parte vai ser muito mais difícil a gente conter essa situação”, explicou. A professora também defendeu o lockdown como uma possibilidade para combate da pandemia e reprovou medidas de flexibilização com a abertura de pontos comerciais. “A gente não tem como descartar essa possibilidade (do lockdown) e temos de estar preparados para isso acontecer a qualquer momento, porque é necessário ter uma clareza, como sociedade, que as vidas estão em primeiro lugar”, disse Valéria. “Se eu tiver um ponto de encontro de aglomeração de pessoas, eu estou assumindo um risco de que ali pode acontecer uma transmissão”, acrescentou. O governador decretou estado de calamidade pública por conta da pandemia. O que muda com essa medida? Nós estamos em uma situação de emergência de saúde pública, acho que é a maior emergência dos últimos tempos, a gente precisa realmente de investimentos fortes, principalmente na área de prevenção e também para o tratamento das pessoas que estão acometidas pela covid-19. A medida serviu de alerta e foi um pedido de ajuda para o governo federal simplesmente? Sim, é um alerta. Acho que a população está acompanhando há algum tempo e nós observamos nos últimos dias um aumento mais acelerado no número de casos e de mortes também. Só esse decreto é suficiente para resolver o problema? Com certeza não. A gente precisa de ações coordenadas do governo, das equipes de saúde, de educação, dos serviços de saúde e principalmente da população como um todo. É necessário que cada pessoa adote as medidas de prevenção que são preconizadas, como a higienização das mãos, as medidas de isolamento social sempre que possível, porque se todo mundo não fizer a sua parte, vai ser muito mais difícil a gente conter essa situação. Desde o começo da pandemia a gente está sempre falando sobre o pico. Por que estamos sempre falando desse pico, que nunca chega? O que significa? Isso significa que também nós tivemos algum sucesso nesse início do controle dos casos aqui no DF. Aqui, muito cedo, diferentemente de outros estados, a gente adotou medidas mais restritivas, então na verdade o adiamento desse pico indica que essas medidas iniciais tiveram algum efeito. A gente imagina que agora estamos em um número grande de casos, mas a gente só vai saber que passamos do pico quando observarmos a redução do número de casos, dia após dia. A Secretaria de Saúde trabalha com a possibilidade de que o pico seja nessa semana ou nas próximas, mas é difícil precisar quando vai chegar de fato? Nós temos que estar preparados a cada momento, quando a gente vê o aumento de casos, a gente sabe que tem que ter mais recursos hospitalares e de atendimento, maior preparação dos laboratórios, mas só vamos ter certeza mesmo quando passar. O GDF estuda abrir os setores que estão fechados, como bares restaurantes, salões de beleza, academia. A gente tem segurança para fazer uma medida desse tipo? Eu ainda estou preocupada com o aumento do número de casos, e pelo que estou vendo hoje, se refere a uma transmissão que aconteceu há mais ou menos 15 dias. Então a minha preocupação com essa flexibilização é que a gente tenha um aumento muito abrupto, porque a gente sabe que a nossa capacidade hospitalar, tanto pública quanto privada, é uma capacidade limitada e me preocupa muito. A senhora acha que a gente pode chegar ao ponto de ser necessário um lockdown aqui no DF ou já é necessário? A gente não tem como descartar essa possibilidade. A gente tem que estar preparado para qualquer momento isso acontecer, porque temos que ter uma clareza, como sociedade, que as vidas estão em primeiro lugar. O isolamento social ainda é necessário e eficaz nesse momento? A gente tem que pensar que quem está saindo do isolamento social está decidindo correr risco de adquirir a covid-19. Eu atendi pacientes que acabaram adquirindo porque foram ao supermercado. Temos que ser firmes a essas mudanças nesse momento. Mas a gente tem que pensar que é por um motivo maior. O sistema de saúde do DF vai conseguir passar por isso sem chegar ao colapso? Como a senhora vê a situação nossa hoje? Eu gostaria muito que sim, mas não tenho certeza. Espero que os gestores da saúde estejam providenciando todo o necessário para que nenhuma pessoa fique sem atendimento. Que a gente não chegue em condições dramáticas como aconteceu no exterior.

CORREIO BRAZILIENSE/BRASÍLIA | GERAL
Data Veiculação: 30/06/2020 às 03h00

» entrevista VALÉRIA PAES, MÉDICA E PROFESSORA DA UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA (UnB) “Rede de saúde sobrecarregada” Ed Alves/CB/D.A Press Após o decreto de calamidade pública no Distrito Federal anunciado, ontem, pelo governado r Ibaneis Rocha (MDB), a médica e professora da Universidade de Brasília (UnB) Valéria Paes reforçou a importância do isolamento social, da higienização cias mãos, além do uso correto da máscara como principais medidas de prevenção para conterá disseminação do novo coronavírus. Em entrevista ao programa CB.Poder— parceria do Correio com a TV Brasília —, a infectologista ressaltou que a rede de saúde do DF está sobrecarregada e que é necessário o apoio cada vez maior da população nas ações de proteção. “Eu queria passar essa mensagem para que as pessoas 0 governador decretou estado de calamidade pública por conta da pandemia. 0 que muda com essa medida? Nós estamos em uma situação de emergência de saúde pública, acho que é a maior emergência dos últimos tempos, a gente precisa realmente de investimentos fortes, principalmente na área de prevenção e também para o tra- continuem se cuidando, se todo mundo não fizer a sua parte vai ser muito mais difícil a gente conter essa situação", explicou. A professora também defendeu o lockdown como uma possibilidade para combate da pandemia e reprovou medidas deflexibilização com a abertura de pontos comerciais. ‘14 gente não tem como descartar essa possibilidade (do lockdown) e temos de estar preparados para isso acontecera qualquer momento, porque é necessário ter uma clareza, como sociedade, que as vidas estão em primeiro lugar", disse Valéria. “Se eu tiver um ponto de encontro de aglomeração de pessoas, eu estou assumindo um risco de que ali pode acontecer uma transmissão”, acrescentou o tratamento das pessoas que estão acometidas pela covid-19. A medida serviu de alerta e foi um pedido de ajuda para o governo federal simplesmente? Sim, é um alerta. Acho que a população está acompanhando há algum tempo e nós observamos nos últimos dias um aumento mais acelerado no número de casos e de mortes também. Só esse decreto é suficiente para resolver o problema? Com certeza não. A gente precisa de ações coordenadas do governo, das equipes de saúde, de educação, dos serviços de saúde e principalmente da população como um todo. É necessário que cada pessoa adote as medidas de prevenção que são preconizadas, como a higienização das mãos, as medidas de isolamento social sempre que possível, porque se todo mundo não fizer a sua parte, vai ser muito mais difícil a gente conter essa situação. Desde o começo da pandemia a gente está sempre falando sobre o pico. Por que estamos sempre falando desse pico, que nunca chega? 0 que significa? Isso significa que também nós tivemos algum sucesso nesse início do controle dos casos aqui no DF. Aqui, muito cedo, diferentemente de outros estados, a gente adotou medidas mais restritivas, então na verdade o adiamento desse pico indica que essas medidas iniciais tiveram algum efeito. A gente imagina que agora estamos em um número grande de casos, mas a gente só vai saber que passamos do pico quando observarmos a redução do número de casos, dia após dia. A Secretaria de Saúde trabalha com a possibilidade de que o pico seja nessa semana ou nas próximas, mas é difícil precisar quando vai chegar de fato? Nós temos que estar preparados a cada momento, quando a gente vê o aumento de casos, a gente sabe que tem que termais recursos hospitalares e de atendimento, maior preparação dos laboratórios, mas só vamos ter certeza mesmo quando passar. 0 GDF estuda abrir os setores que estão fechados, como bares restaurantes, salões de beleza, academia. A gente tem segurança para fazer uma medida desse tipo? Eu ainda estou preocupada com o aumento do número de casos, e pelo que estou vendo hoje, se refere a uma transmissão que aconteceu há mais ou menos 15 dias. Então a minha preocupação com essa flexibilização é que a gente tenha um aumento muito abrupto, porque a gente sabe que a nossa capacidade hospitalar, tanto pública quanto privada, é uma capacidade limitada e me preocupa muito. A senhora achaque a gente pode chegar ao ponto de ser necessário um lockdown aqui no DF ou já é necessário? A gente não tem como descartar essa possibilidade. A gente tem que estar preparado para qualquer momento isso acontecer, porque temos que ter uma clareza, como sociedade, que as vidas estão em primeiro lugar. 0 isolamento social ainda é necessário e eficaz nesse momento? A gente tem que pensar que quem está saindo do isolamento social está decidindo correr risco de adquirira covid-19. Eu atendi pacientes que acabaram adquirindo porque foram ao supermercado. Temos que ser firmes a essas mudanças nesse momento. Mas a gente tem que pensar que é por um motivo maior. 0 sistema de saúde do DF vai conseguir passar por isso sem chegar ao colapso? Como a senhora vê a situação nossa hoje? Eu gostaria muito que sim, mas não tenho certeza. Espero que os gestores da saúde estejam providenciando todo o necessário para que nenhuma pessoa fique sem atendimento. Que a gente não chegue em condições dramáticas como aconteceu no exterior.

FOLHA DE S.PAULO/SÃO PAULO | COTIDIANO
Data Veiculação: 30/06/2020 às 03h00

MONICA BERGAMO monka.bergamo@grupofolha.com.br BATEU, LEVOU O procurador-geral da República, Augusto Aras, estuda acionar o CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público) contra os procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato no Paraná. Rebeldes.Na semana passada, eles se rebelaram contra uma visita da procuradora Lindora Araújo, nomeada por Aras para coordenara Lava Jato na Procurado ri a-Geral da República, e resistiram a passar informações a ela. QUARENTENA Luan Santana no Instagram relato De acordo com pessoas próximas de Aras, o material colhido por Lindora justificaria a abertura de processo contra os rebelados. placar no CNMP há hoje cinco conselheiros críticos aos métodos da Lava Jato — além de Aras, que preside o colegiado. Outros cinco tendem a ser favoráveis a eles. luz A Coalizão Covid-19, que reúne alguns dos principais hospitais do país, começará a testar quatro antivirais para o tratamento dos doentes infectados pelo novo coronavírus. no vidro Medicamentos como Dadatasvir e Sofosbuvir, usados para hepatite C, Atazanavir, que trata HIV, e Favipiravir já desenvolveram atividade contra o coronavírus em laboratório —e vão ser agora testados em ensaios clínicos, ou seja, em pacientes. na vida A pesquisa será feita em parceria com a Fiocruz —um de seus cientistas, Thiago Moreno Souza, testou três das drogas in vitro. Elas foram usadas também em um ensaio clínico no Irã, feito por pesquisadores do Reino Unido e da Austrália. passos No Brasil, os testes serão feitos em 900 pacientes. Na primeira fase, cada medicamento será dado separadamente. Depois, as drogas mais eficientes serão ministradas de forma combinada. passos 2 A Coalizão Covid-19, integrada pelos hospitais Albert Einstein, Sírio-Libanês, HCor, Moinhos de Vento, BP, OswaldoCruz,BRICNetepelo Instituto Brasileiro de Pesquisa Clínica, já levantou US$ 150 mil para o projeto, que custará, no total, US$ 500 mil. ponta... A insatisfação com aplicativos de delivery não é exclusiva dos motoqueiros que fazem entrega. Donos de restaurantes também se queixam. “Alguns chegam a cobrar 30% de uma entrega”, diz o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de SP (Abrasei-SP), Perdval Maricato. ...a ponta “Por isso estimulamos o pegue e leve, ou que o próprio restaurante entregue no seu entorno”, segue Maricato. Pesquisa da entidade aponta que, dos 73,5% estabelecimentos que operam com entrega, 80% estão descontentes com os aplicativos. tomada E funcionários apontam que o gerador da instituição está quebrado, aguardando manutenção. No sábado (27), ela ficou sem energia elétrica por algumas horas, quando o bairro da Vila Mariana sofreu com a falta de luz. to mada 2 A Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto, que gere a Cinemateca, não respondeu à coluna até o fechamento desta edição. Jeniffer Nascimento no Instagram Rainer Cadete no Instagram "Sobre dias para descansar" escreveu 0 cantor Luan Santana D em foto publicada em sua rede social. A atriz Jeniffer NascimentoB postou imagem evocando "luz, astral, boas energias” aos seus seguidores. 0 ator Rainer Cadete H exibiu retrato tomando um café. fumaça A empresa que oferece o serviço de bombeiros civis para a Cinemateca Brasileira retirou esses funcionários da instituição audiovisual no fim da semana passada, quando o contrato entre as duas partes chegou ao fim sem que a Cinemateca apresentasse proposta de aditamento. fogo A BK Consultoria e Serviços, responsável pelos bombeiros, afirma que manteve o serviço até a data combinada, mesmo a Cinemateca estando há três meses sem pagar os cerca de R$ 68 mil mensais previstos no contrato. mesmo barco Maricatovêrazão na demanda por melhores remuneração e condições de trabalho dos entregadores de aplicativos, que farão uma paralisação para a quarta (i°). “Eles trabalham muito e não ganham o suficiente”, diz. “O único problema é que o momento é ingrato. O prejuízo que estamos tendo é uma tragédia.” estrutura O cineasta Dodô Azevedo prepara um curso de introdução à história da cultura e da arte negra. “A ideia é que, se todos conhecessem minimamente 0 assunto, estruturalmente tratariam negros como se tratam brancos. Eu adoraria oferecer o curso para polícias militares no Brasil”, afirma Azevedo, que trata de patrocínio para o projeto. coin Bruno B. Soraggi, Bianka Vieira e Victoria Azevedo