Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus:

AGORA SÃO PAULO/SÃO PAULO | Geral
Data Veiculação: 28/06/2020 às 03h00

Vendedor de loja vira profissão de perigo com reabertura Sonale da Silva, 19 anos (ao fundo), trabalha em uma loja no largo 13 de Maio (zona sul). "No sábado, uma cliente tirou a máscara, pedimos para recolocar, mas ela saiu da loja", conta. Reabertura parcial do comércio na capital colocou vendedores na linha de frente do coronavírus. A3 Ronny Santos/Folhapress DESTAQUE DO DIA | PANDEMIA DE CORONAVÍRUS Vendedor se sente em perigo com reabertura do comércio Transporte lotado e lojas cheias deixam trabalhadores com risco de contaminação pela Covid-19 Vendedora de uma loja de roupas no Largo 13 de Maio (zona sul), Sonale da Silva se preocupa com a contaminação pelo novo coronavírus e afirma que os clientes não colaboram no distanciamento social Ronny Santos/Folhapress Transporte expõe trabalhador a risco WILLIAM CARDOSO ■ A reabertura parcial do comércio na capital paulista colocou na linha de frente do coronavírus uma categoria que não está dentro dos hospitais. Vendedor de loja tornou-se, desde o dia 11, a nova "profissão perigo" em meio à pandemia. Mesmo com a necessidade de vender para ter alguma renda, eles não escondem o medo de adoecer pela Covid-19. Vendedora de roupas no Largo 13 de Maio, em Santo Amaro (zona sul), Sonale da Silva, 19 anos, diz que os próprios clientes não colaboram. "A gente fala que não pode provar a roupa, mas insistem. No sábado, uma cliente tirou a máscara, pedimos para recolocar, mas ela saiu da loja." Ingrid Santana, 33, que trabalha no Center Norte (zona norte), diz que as supostas medidas de segurança implantadas nos centros de compras não são suficientes. 'Trabalho em uma loja em que a gente tem a necessidade de medir as pessoas, mas, por segurança, não podemos tocá-las. Elas se medem sozinhas, mas passam a fita para lá e para cá. Também tiram máscaras para sentir o perfume de essências", conta. Além de apontarem um retorno antes da hora, os vendedores também têm receio de que a flexibilização da quarentena seja ampliada no estado. "0 shopping vai aumentar a carga horária, a praça de alimentação vai voltar a funcionar e a aglomeração será maior. Aí que entra o risco", diz o vendedor Denys Barbassa, 26, do Shopping Light (região central da capital). Muitas vezes, o vendedor é também seu próprio patrão, como o caso do comerciante Vinícius Assis, 30, que tem uma banca em uma galeria no Largo 13 de Maio. Além da saúde, também se preocupa com a falta de grana. Para ele, a ajuda oferecida pelo governo federal foi insuficiente e, durante a quarentena, as pessoas buscaram alternativas para sobreviver, mesmo com riscos. "Conheço muitos que tiveram de ir para a rua trabalhar como camelô para poder venderas mercadorias." ■ 0 perigo nem sempre está no contato com os clientes, dentro das lojas, e os vendedores sabem bem disso. Quem se viu obrigado a voltar ao trabalho durante o pico da pandemia conhece a realidade de ônibus e trens lotados. 0 medo da contaminação faz com que trabalhadores tenham até que mudar seus itinerários. É o caso da vendedora Laila Lopes, 20 anos, que ■ Além de apresentar produtos para clientes, vendedores têm acumulado outra função nas lojas da capital. São eles que se revezam, geralmente, de 30 em 30 minutos, nas portas dos comércios, com um termômetro pistola na mão impedindo a entrada de pessoas com temperatura elevada. A vendedora Amanda Carvalho, 26, que trabalha no Bom Retiro (região central), diz que nem sempre a clientela colabora. "Tem pessoas que não aceitam que a gente tem que usar a mora na Água Funda, no Cursino (zona sul), e trabalha em Santana (zona norte). Antes, tomava o metrô. Hoje, usa dois ônibus, mais vazios, para fazer o trajeto ao trabalho. "Anteriormente, eu vinha e voltava de metrô, aquela multidão respirando o mesmo ar. Mas, pela minha segurança, pelas pessoas ficarem mais afastadas, ônibus é melhor para mim", diz. pistolinha", afirma. Segundo Amanda, quem se recusa é orientado a aguardar um pouco. Se a temperatura segue elevada, é impedido de entrar. Uma vendedora de 43 anos, que também faz a medição de temperatura na porta da loja, diz que a prática é necessária, mas arriscada. "Querendo ou não, a gente fica mais próximo da pessoa para fazer a medição. Temo pela minha saúde e pela da pessoa também. A gente sai bem e quer voltar bem para casa", diz. (wc) A volta ao trabalho em meio à explosão no número de mortos trouxe preocupação para Laila. "Moro com um sobrinho asmático. Não é confortável vir para rua. Fico com medo de estar contaminada, não saber e passar para outra pessoa", explica. 0 temor de levar a Covid-19 para as pessoas mais queridas também deixa preocupada a gerente de loja Fábia Lopes, 41, que trabalha na rua Teodoro Sampaio, em Pinheiros (zona oeste). "Minha maior preocupação é o transporte. Na loja, a gente não tem um fluxo tão grande e dá para fazer a higienização a cada cliente", diz. Fábia viaja de ônibus desde Embu das Artes (Grande SP). 'Tenho uma filha de 17 anos e minha mãe é do grupo de risco." (wc) RESPOSTA Associação diz que proposta foi validada ■ A Alshop (Associação Brasileira de Lojistas de Shopping) afirma que a reabertura gradual e em formato reduzido é fruto de uma adequação validada pelo hospital Sírio Libanês, pela Vigilância Sanitária e pela Secretaria de Estado da Saúde. Sobre lotação no metrô e na CPTM, a Secretaria dos Transportes Metropolitanos, da gestão João Doria (PSDB), diz que está com "Operação Monitorada" para constatar quando há necessidade de mais trens e metrô e que faz o reforço. A SPTrans afirma que "desde o início da quarentena, manteve a frota de veículos bem acima da demanda'^ que monitora situação das linhas de ônibus. 0 governo estadual afirma que a decisão de reabertura levou em consideração o nível de controle sanitário desses estabelecimentos, além de aplicação dos protocolos de distanciamento, higiene e proteção. "0 plano prevê faseamento regionalizado e segue sob monitoramento contínuo e diário, permitindo, inclusive, a intensificação das medidas de restrição se necessário". Procuradas, a Prefeitura de São Paulo e a Associação Comercial de São Paulo não responderam até a conclusão desta reportagem, (wc) Vendedora teme novo contágio ■ A vendedora Amanda Petito, 26 anos, sabe bem o que é a Covid-19 e, por isso mesmo, não consegue entender o que leva as pessoas a passear pelo shopping sem necessidade. Ela, que trabalha no Shopping Metrô Santa Cruz, na Vila Mariana (zona sul), e o marido tiveram doença. Segundo Amanda, a volta ao trabalho foi traumática, pois a mãe e avó são diabéticas e ela teme transmitir a doença a elas. (wc) 0 termômetro pistola é item obrigatório para ver se os clientes estão com febre Rivaldo Gomes 10.jun.20/Folhapress Acúmulo de função aumenta clima de tensão nas lojas

R7.COM/SÃO PAULO
Data Veiculação: 28/06/2020 às 02h00

A insuficiência respiratória decorrente da covid-19 pode desencadear a necessidade de interrupção da gravidez, afirma o obstetra Geraldo Caldeira, da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia). Ele explica que, caso a mãe tenha um quadro grave, necessitando de respiradores por exemplo, isso pode diminuir a oxigenação do bebê. “Se o médico avaliar necessário, pode se fazer o parto antes do previsto para proteger esses bebê.” Existe ainda o risco, mais raro, de rompimento da bolsa causada pelo vírus. “O vírus pode gerar um processo inflamatório que irrita o âmnio [membrana que reveste a bolsa amniótica] e causa uma ruptura, gerando o parto prematuro.” Saiba mais: Especialistas põem em dúvida testes de anticorpos de covid-19 Ainda não existe comprovação científica de que gestantes representem grupo de risco para maior gravidade da covid-19. Segundo o obstetra Alexandre Pupo, do Hospital Sírio Libanês, a gravidez não é fator de risco, porém existe uma mudança na resposta imunológica para infecções virais. Caldeira afirma que observou diversas gestantes com piora no quadro, mas explica que ainda são poucos casos para poder afirmar que há uma tendência. “São 50, 40 casos. Isso é muito pouco para ter uma resposta estatística sobre o comportamento da doença.” O obstetra explica que existe uma janela imunológica criada para que o feto se desenvolva. “Como o feto carrega também informações do pai, o corpo não pode rejeitar o feto, então o sistema imunológico da mãe acaba sendo afetado.” Coronavírus: como a covid-19 danifica o cérebro Risco de maior gravidade da doença um levantamento realizado pelo governo norte-americano apontou que mulheres grávidas com covid-19 têm mais chance de serem hospitalizadas, irem para UTI e necessitarem de respiradores do que as outras mulheres com a doença. O estudo não é conclusivo, uma vez que não se sabe se as mulheres foram hospitalizadas por conta do trabalho de parto. Segundo o relatório, mais de 31% das gestantes com covid-19 foram hospitalizadas, contra 6% das mulheres que não estavam grávidas. As informações foram publicadas pelo jornal norte-americano The New York Times. Caldeira explica que existem poucos casos registrados no mundo de transmissão vertical de covid-19, ou seja, transmissão da mãe para o feto durante a gravidez. “Não existe transmissão pelo leite também, a maior parte dos casos de transmissão que a gente tem é por conta do contato da mãe com o bebê depois do nascimento.” Segundo Pupo, existe um pequeno risco de que a transmissão ocorra na hora do parto por conta de contato com os fluidos da mãe. “Se for possível esperar a mãe se curar da doença, a gente indica que adie o parto, quando possível.” Pupo acrescenta que não existe contraindicação para a amamentação, mesmo se a mãe ainda esteja doente. A recomendação é que a mãe utilize máscara e lave bem as mãos para amamentar. “Inclusive, não existe recomendação para isolamento, a mãe e o bebê podem ficar no mesmo quarto, desde que fique a uma distância de 2 metros, que a mãe use máscara 24 horas e tome todos os cuidados de higiene antes de pegar o bebê.” Os médicos acrescentam que a maioria dos bebês que pegam o novo coronavírus evoluem muito bem e não têm grandes complicações. “Além disso, o leite materno passa os anticorpos da mãe para o bebê. Ainda não temos comprovação de que passa o anticorpo contra a covid-19, mas existe essa possibilidade.” Caldeira explica ainda que casos leves não trazem riscos para o bebê e que a chance de a gestante evoluir para um caso grave de covid-19 é maior no final da gravidez. “Quando a mulher já está mais cansada, o bebê está maior, a chance de insuficiência respiratória acaba sendo maior também.” “Existem também alguns relatos bastante controversos de que contrair covid-19 no início da gestação aumentaria o risco de abortamento, mas não dá para confirmar essa informação, ainda é preciso mais estudos sobre isso”, acrescenta Pupo. *Estagiária do R7 sob supervisão de Deborah Giannini Hospital de campanha do Ibirapuera comemora a 1.000ª alta.