Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus:

JORNAL DA CULTURA/TV CULTURA/SÃO PAULO
Data Veiculação: 28/05/2020 às 21h41

Transcrição

diz que a gente vai falar agora com mais detalhes capaz, shopping center as criou protocolos de Biossegurança para a reabertura gradual dos estabelecimentos na capital paulista. Assim que houver a liberação pela prefeitura depois de mais de setenta dias com a loja fechada a empresária Maria Tereza prepara o retorno às atividades a os cuidados com a segurança dos clientes vão ser mais rígidos a nossa ideia é disponibilizar como a gente tem muita prateleira. E para cada dois metros disponibilizando ao Pixel pessoas sentirem mais confortáveis e seguras na hora de manusear um produto na hora de poder tocar na ele hockey e a quantidade de pessoas, então. Hoje o shopping, onde fica a loja também vai passar por algumas adaptações para voltar a receber clientes serão duzentos pontos de distribuição de álcool em gel espalhados pelos corredores. Além disso, todos que entrarem aqui terão a temperatura medida e esse acesso será controlado é evidente que com isso é uma coisa inédita no mundo feitas adaptações. Você vai começar a uma forma e pode ser que você tenha que mudar essa forma ao longo do aluno do tempo e as medidas são parte do Protocolo de reabertura dos jovens na capital paulista para voltar a funcionar, eles precisam entregar propostas para receber o aval da prefeitura a partir de segunda-feira associações que representam o setor criaram uma série de procedimentos. A reabertura não poderá ter eventos para evitar o fluxo intenso, o funcionamento será em horário reduzido cinemas teatros e praças de alimentação continuam fechados, além disso, deverá ser obrigatório o uso de máscaras aferição de temperatura e disponibilização de álcool em gel o acesso deverá ser controlado nas áreas comuns e nas lojas respeitando a distância mínima e os bebedouros só devem ser usados com copos para evitar a contaminação por saliva protocolo que foi baseado em experiências internacionais. E uma consultoria da rede Sírio-libanês estão juntos há anos, o protocolo prevê vinte e três ações para que possamos esperar o segurança nesse momento de retomada. Mesmo com os cuidados, o momento exige cautela. O momento não é de e tomar sessenta setenta que em dias de vendas em uma semana nós entendemos que o retorno, ele deve ser gradual. O segurança e de recuperação da confiança da população. Será que a população vai respeitar nessa volta gradual e uma reabertura precipitada quais os cuidados essenciais dentro do local fechado com ar-condicionado ser acha sim, o bom senso vai ter que impera as pessoas vão entender que eu tenho certeza. Que as pessoas hoje se não precisar estar indo fosse e sua aquisição de um produto dentro de um choque, elas não farão procuraram lojas de rua vão sentir muito mais e assim força aves e seguras nesse fim de semana eu as pessoas e a gente não pode subestimar as pessoas que colaboraram sim, para esses números, esses números se de ver exatamente a colaboração da população que ficou em casa e que chegou um ponto que elas não aguentava ficar em casa seja por uma questão econômica, seja por questões propriamente, psicológicas isso deve ser dito, sim, e muito possivelmente, não se aguentaria manter e uma quarentena tão rígida, como aquela que vinha acontecendo, mas a população sabe também que se ela não respeitar essa segunda fase, ela volta para o Cast, então é uma forma da gente virar fala senhora, vamos lá, se vai voltar para o quartinho escuro se quer que seja e onze antes do mundo seja, consciente, então não é para todo mundo sair para a rua ao mesmo tempo, as pessoas volta diz é importante que as pessoas tenho essa esse bom, se isso for a gente evita o estudo do número de casos. Agora capaz do ponto de vista da economia, essa reabertura me parece urgente qual deve ser o impacto dessa reabertura na economia numeração, sendo muito. Muito e é inevitável que a gente tenha previsões hoje de queda do PIB em torno de seis por cento, as conservadoras a gente nunca sabe até onde vai chegar e em que ponto você começa a ter um novo normal. Que a gente começaria a voltar para o fluxo agora é inevitável. Se você olhar é tanto do psicológico econômico das pessoas, então, se você também não começa abre com gradual bom senso e tudo se perde a sua respeitabilidade e controle político como líder Osmar não, eu vou manter você acha isso o respeitam um risco muito grande, então é melhor fazer de maneira controlada começar a recuperar gradualmente economia. A gente vê que os jovens estão preparados e fazer um trabalho extraordinário para isso e daqui para frente pode se tem o risco de voltar a fazer gols e deu uma chance para que todos pudessem e não só isso lembra e agora voltou já noventa e oitocentas pessoas, os mascarados, né, uso da máscara virou igual o relógio tem pegar Sul e saí, isso é fato preponderante na questão da visita ao comércio, o show que estava em massa sem Augusta de mastro você não entra se exatamente isso.

JORNAL DA CULTURA/TV CULTURA/SÃO PAULO
Data Veiculação: 28/05/2020 às 21h34 Duração: 00:07:34

Transcrição

A reabertura gradual das atividades econômicas na cidade de São Paulo ainda nem começou e já causa polêmicas prefeitos da região metropolitana do interior e do litoral não aceitam a classificação que receberam do Governo do estado. Especialistas estão apreensivos com a reabertura das atividades, um dia depois do Governo apresentar um plano para a reabertura da economia São Paulo bateu recorde de novos casos de couve de dezenove foram seis mil trezentos e oitenta e dois registros em vinte e quatro anos já são mais de noventa e cinco, o mil infectados no estado e quase sete mil motos na capital, a reabertura vai depender da prefeitura. Enquanto isso a quarentena será mantida a partir da próxima segunda-feira, entidades que representam os diversos setores da economia deverão apresentar propostas de saúde higiene testagem fiscalização e política de comunicação de regras para proteger funcionários e clientes, as propostas deverão ser enviadas para o site da prefeitura e serão analisadas pelas secretarias de Desenvolvimento Econômico e saúde, só depois do aval do município, as empresas poderão abrir as portas. Infelizmente ainda não viramos a página, mas pelos índices conquistados, a gente já pode falar numa retomada, é tranquila, a retomada é gradual para que a gente possa retomar a atividade econômica aqui na cidade. A capital foi incluída na fase dois do plano São Paulo, nesta etapa é permitida abertura com restrições de atividades imobiliárias, concessionárias, escritórios e comércios e shoppings em outras áreas do estado prefeitos conquistaram plano cidades da região metropolitana da capital e da Baixada Santista, por exemplo, segue na fase um que permite apenas o funcionamento de serviços essenciais em Santos, a taxa de ocupação dos leitos de UTI é de setenta e três por cento com três mil cento e setenta infectados e cento e trinta e sete mortos não concordamos com que o Estado e definiu como critério para a Baixada Santista temos feito um trabalho estrutural leitos de saúde para estes aguardamos que o estado possa ter uma decisão sobre essa reclassificação. Quinta feira o objetivo de que a Baixada Santista seja colocada lugar que verdadeiramente está especialistas em saúde também criticaram o plano de reabertura do estado. Eles consideram prematuro retomar as atividades quando a pandemia ainda está em alta, um estudo divulgado hoje pela Fundação Oswaldo crus mostrou que os casos de síndrome respiratória aguda grave mantêm tendência de crescimento em diversas regiões do país, incluindo São Paulo. Segundo o estudo, essa tendência e o alto índice de casos de couve de dezenove indicam a necessidade de manter o distanciamento social está havendo aumento das mortes de aumento. Dos casos pela Urbs e nove o número de pessoas dos municípios da Grande São Paulo, que trabalhou na capital é bastante expressivo Houston aumentando esse grupo de pessoas, então que não trabalhando aqui circular e a circulação é o maior pedido para o controle. Andar de Niro. A taxa de ocupação das úteis está perto do limite, a doença segue avançando para se referir a gente ainda lida com a falta de testes e não me preocupar. Essa retomada será possível retomada essa retomando ela foi avaliada por técnicos, o controle e das contingências eram cento de contingências e controle para o coronavírus e baseado nesses dados estatísticos acredito sim, na possibilidade dessa flexibilização faziam são fases. Não é uma normalidade e nós temos a fase cinco o dessa fase final, que exatamente um novo normal em que nós vamos também tem que manter algumas medidas sanitárias e higiênicas nesse nessa fase dois que exista sim, essa abertura de maior circulação, as pessoas vão ter ainda que manter aqueles três de sinais de e distanciamento social uso de máscaras ali e Jenny das mãos tudo isso, mas isso vai ter que ser colocado dentro das próprias instituições, por exemplo, o comércio. Eu vou ter uma loja que vou ter que manter ainda esse distanciamento dentro da minha loja não possui numeradas pessoas a circulação dos shoppings deve ser restrita às áreas de alimentação não poderão funcionar elas uma ser mantidas com delivery mas todas e de cada um dos setores vai sim, receber essas normativos é importante lembrar que em uma semana serão reavaliados os índices se houver um aumento do número de casos o a concomitante se do aumento do número de vagas ocupadas nas U T is vai ser reavaliado, talvez o retrocesso, caso contrário, se mantém ou até mesmo se avalia uma flexibilização para uma nova fase sempre se utilizando os dados. A epidemia lógicos e de vagas em UTI, agora você falou sobre se o prefeito Bruno Covas afirmou que vai haver uma vigilância Sanitária, mas é possível fiscalizar de forma adequada uma cidade do tamanho de São Paulo. Pois é isso não é impossível por isso. É sempre importante que o empregador, o empresário é dividido suas empresas. Purus onde a falar agora todo mundo vai trabalhar das oito às dezoito aglomera se todo mundo e vestiários transporte público, as mas dentro de um escritório que muitas vezes não tem distanciamento, são utilizados de forma compartilhada, telefones e computadores, então, tudo isso e tem que ser rede mencionando a ponto de garantir segurança a todos tanto dentro do próprio estabelecimento, quanto fora do transporte público não levando essa contaminação, evento até mesmo para casa para aquelas pessoas que ainda continuam em e quarentena, principalmente. Aqui me público de risco de evoluir de forma linear para cá para ser um outro impasse importante, né. Os prefeitos de cidades da Grande São Paulo, com menos casa até a capital estão revoltados aí com essa divisão e que aconteceu divulgada pelo pelo Governo faz sentido. A gente até conversaram sobre isso, na verdade, um grande problema desse em torno da capital e que se você lidera também o em torno como o número de hospitais disponíveis é muito menor do que na capital se acaba explodindo e eventualmente o número de casos que vamos tratar onde nos hospitais de São Paulo, então você tem que tomar esse cuidado e com essa questão colocada aqui em relação à responsabilidade, doze empresários, daqueles que vão realmente reabrir a shopping center já cento e setenta shoppings estão abertos no Brasil, trinta por cento do shopping já estão sendo abertos e funcionando de que forma com o protocolo super rígido, mas, por exemplo, Associação Brasileira de shopping center contratou o hospital Albert e sírio-libanês para fazer um protocolo para todos os shoppings do Brasil abriu em. Com exatamente se cuidar de sua própria responsabilidade.

RÁDIO CBN FM 90,5/SÃO PAULO | CBN SÃO PAULO
Data Veiculação: 28/05/2020 às 11h09

Transcrição

flexibilização da quarentena que foi anunciada pelo Governo do Estado de São Paulo, ontem, a cidade de São Paulo foi classificada como setor, 2 laranjas, é uma classificação que permite a reabertura com alguns cuidados de comércios, incluindo shoppings centers, além de imobiliárias, concessionárias e escritórios. A nova fase passa a valer a partir do dia 1º de junho só que o prefeito Bruno Covas destacou que essa abertura não será imediata a partir desta data, ele ainda vai conversar com cada um dos setores firmar protocolos em conjunto com esses representantes que depois serão aprovados pela Vigilância Sanitária Covas prometeu divulgar nesta tarde, os detalhes dessa retomada na cidade de São Paulo, porque a Associação Brasileira de Lojistas de shopping já estar com um protocolo que um to para apresentar as prefeituras paulistas que se encaixam nessa fase laranja. O presidente da entidade Glauco, mas destaca alguns pontos. Um dos policiais, a medição de temperatura quando você chega no shopping, você tem escadas rolantes adesivados para que uma pessoa da ex de graus e elevadores fechados. Então temos alteração reduzida em horário reduzido humorado Shop que a gente propõe é um horário de meio-dia, às 8 da noite. Esse protocolo foi feito com apoio do Hospital sírio-libanês e o Governo do estado também tem suas próprias recomendações para o setor de comércio, entre elas, a orientação para que as lojas restrinjam a lotação máxima para apenas 35 por cento da capacidade e tem até a utilização de alarmes para lembrar os funcionários de lavar a mão constantemente só que mesmo com esses cuidados. Especialistas da área de saúde consideraram a reabertura como um risco no início do programa chegamos a ouvir a opinião do infectologista Marcos Boulos que é do Comitê de coronavírus de São Paulo. Ele diz que do ponto de vista médico e uma flexibilização precoce na cidade. A medida citando a taxa de ocupação de hotéis. A ação de ocupação de leitos de UTI na cidade de São Paulo bateu 85, o por sim, nós estamos vez no dia 5 1 de maio. Trabalhando nesta faixa já são, portanto, mais e 3 semanas em que o índice fica entre um 35 o e 92 por cento, até agora, a cidade de e cumprido uma das premissas de uma das ações envolvidas que é não deixar ninguém sem atendimento. O prefeito também alegou que a taxa de crescimento da doença está estável com aumento semanal de 3 por cento e que cada pessoa infectada na cidade de São Paulo transmite o vírus para mais uma corda, os também pontuou que houve estabilização do número de mortes por dia nas últimas 4 semanas até o momento São Paulo registra a cidade, né. 3717 mortes confirmadas por coronavírus e outras 3400. Que estão investigação Fabiola obrigada Thaís, então o resumo a gente também continuou vindo aqui infectologista, acho muito importante a palavra de médicos infectologista diante disso, a gente viu há pouco a infectologista do Instituto Emílio Ribas Rosana ritmo que fala justamente sobre essa situação e da abertura de shoppings, vamos ouvir. Em relação ao risco da reabertura é claro que tem e por isso que vigilância fundamental e testagem seria fundamental para a gente poder avaliar se não estamos tendo ou não, uma subida no número de casos de tudo o que foi o que foi falado ontem termos de reabertura, o que mais me chamou a atenção em termos de risco e em especial no município de São Paulo e reabertura dos shoppings e mesmo com regras, eu creio que é muito mais difícil você fazer essa vigilância, você fazer esse monitoramento dentro do shopping center as por ser um local fechado um local onde é mais difícil você manter o isolamento social e mais difícil você fazer de fato uma vigilância. E eu perguntei também conversei mais cedo com uma das responsáveis pelo se planos de abertura do Governo do Estado de São Paulo, a economista Ana, Carla Abrão. Para me explicar a respeito por que os shoppings abertos nessa possibilidade da defesa de shoppings e os parques que são ao ar livre fechados e ele explica para a gente. Fabíola ponto aqui é a seguinte, o shopping você consegue ter controle das pessoas que entram e vai funcionar com um número bem reduzido de pessoas é mais fácil se fiscalizar e controlar o número de pessoas é por isso que só quem foi aberto e parte não lembrando que tem um critério econômico aí também, né. Como tem que ser uma abertura gradual na abertura, muito controlado, a gente tinha que escolher qual setor que deveria ser priorizado nesse momento tão juntou a ele, tanto a parte de capacidade de controlar com um e é uma questão econômica. Aí nessa fala da economista Ana, Carla Abrão tiveram que escolher, mas há uma polêmica em relação a isso, né, porque é um ambiente fechado com circulação de ar condicionado e tudo mais aberto e os parques né, se vê em alguns lugares, as pessoas até fazendo atividades físicas ao redor do parque já que os parques estão fechados, porque você aí não sou vinte pensa a respeito de tudo isso, mas a mensagem para cá Fabíola ponto central a pouco a CVM ponto com ponto BR onze horas e quinze minutos.

UOL NOTÍCIAS - ÚLTIMAS NOTÍCIAS/SÃO PAULO
Data Veiculação: 28/05/2020 às 11h00

Enquanto a cloroquina e a hidroxicloroquina ainda estão em fase de testes para serem classificadas ou não como drogas eficazes e seguras para combater a covid-19, dúvidas surgiram entre muitos: por que os remédios não podem ser usados agora se já existem e são vendidos há várias décadas? Por que eles ainda não são considerados seguros para a doença causada pelo novo coronavírus se já são usados para outras comorbidades? Para entender as questões que ainda impedem o uso generalizado dos medicamentos na pandemia, Viva Bem conversou com Rachel Rieira, reumatologista e pesquisadora do Hospital Sírio-Libanês (SP), e André Ramos, reumatologista da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo. Os especialistas são enfáticos ao dizer que ainda não podemos descartar completamente o uso da droga para tratar a doença. Embora grande parte dos estudos apontem a falta de eficácia, tanto as pesquisas que sugerem benefícios quanto as que repreendem o tratamento com os medicamentos não são consideradas perfeitas aos olhos da ciência por questões como métodos científicos utilizados, quantidade de pacientes envolvidos e falta de revisão das publicações. De acordo com Ramos, o potencial da substância já atraiu (e ainda atrai) pesquisadores de diversas comorbidades. "Já foi investigada para HIV, influenza... Do ponto de vista de efeitos in vitro, ela tem uma gama de ações na célula, e isso indica que teoricamente poderia ser utilizada para várias doenças. Só que esses benefícios teóricos precisam de provas clínicas, que não se sustentam para qualquer quadro após estudos meticulosos." Drogas são usadas para pacientes com perfis diferentes hoje, elas são mais utilizadas por pessoas que sofrem de doenças reumatológicas, como lúpus e artrite reumatoide. "Para essas doenças, todos os medicamentos têm efeitos adversos. Mas quando pesamos os benefícios e os riscos desses eventos adversos para esse grupo de pessoas especificamente, muitas vezes os benefícios vencem", indica Rieira. De acordo com a médica, os pacientes não costumam ter outras comorbidades que possam interferir com o remédio —se existe, os casos são avaliados individualmente. "No caso de quem tem covid-19, ainda precisamos entender como o remédio funciona na presença do vírus. O que nos parece, pelos trabalhos científicos, é que a cloroquina aumenta o risco de eventos adversos e por isso é essencial que os médicos vigiem de perto aqueles que estão fazendo o uso." Além disso, as doenças reumatológicas são quadros crônicos, o que significa que os pacientes fazem acompanhamento médico constante. "Se ocorrer algum problema, o profissional de saúde poderá perceber rapidamente e ajustar a dose ou interromper o medicamento", aponta. "Se um remédio valesse para tudo, não precisaríamos de órgãos reguladores" Para Rieira, a premissa que se uma droga é válida para uma doença, ela é válida para todas é a contramão da ciência. "Se fosse assim, órgãos reguladores como a Anvisa e a norte-americana FDA não pediriam validação para outras doenças." Os medicamentos, resume a médica, podem ter efeitos diferentes de acordo com o organismo e a doença que cada paciente apresenta. "O medicamento não deve ser usado porque ele é eficaz ou é seguro, deve ser um combo. Se isso não fosse verdade, não teríamos tantos estudos sobre medicamentos em andamento", conclui.

A REDAÇÃO/GOIÂNIA
Data Veiculação: 28/05/2020 às 10h23

Mônica Parreira Goiânia - O presidente da Federação do Comércio do Estado de Goiás (Fecomércio-GO), Marcelo Baiocchi, apresenta nesta quinta-feira (28/5) uma proposta para reabertura gradativa de shoppings e outros estabelecimentos em Goiânia que estão fechados devido à pandemia da covid-19. A ideia é estabelecer medidas de proteção e restrição. “Defendemos o trabalho e o emprego, mas também a vida. Então, o retorno tem de ser com muita segurança”, disse. Baiocchi falou sobre o projeto durante breve participação de uma live nesta manhã com o governador Ronaldo Caiado. No encontro on-line, ele revelou que estava na sede da Prefeitura de Goiânia aguardando um encontro com a equipe técnica do Comitê de Covid-19. “É necessário planejar retorno e flexibilização para alguns segmentos, em especial aqueles que estão há mais tempo sem funcionar”, ponderou. O presidente da Fecomércio-GO disse que a retomada de alguns setores em Goiânia se sustenta a partir de um estudo realizado pelo Hospital Sírio-Libanês e Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrace), e que seria apresentado na reunião com o comitê municipal. “Estamos sugerindo abertura parcial do comércio, inclusive shoppings, e outras atividades que se encontram fechadas, como bares e restaurantes.” Para abertura dos shoppings, Baiocchi defendeu que alguns segmentos que implicam em maior aglomeração de pessoas continuem fechados, como cinemas, espaços de entretenimento e atividades para crianças. E sobre as lojas, sugere funcionamento em horário reduzido; que funcionários, lojistas e clientes utilizem máscaras; aferição de temperatura; orientações sobre frequente limpeza das mãos; entre outras medidas.

O GLOBO ONLINE/RIO DE JANEIRO
Data Veiculação: 28/05/2020 às 04h30

RIO — O Ministério da Saúde tenta recuperar a força de uma frente de trabalho montada para agilizar a avaliação de estudos que podem resultar em medicamentos e vacinas contra o coronavírus. Cerca de 30 projetos aguardam o aval da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), um colegiado apontado por algumas associações científicas como lento e burocrático. A Conep recebe estudos de áreas temáticas, como genética e reprodução humana, encaminhados pelos 846 comitês de ética (CEPs) espalhados pelo Brasil, presentes em instituições como hospitais, clínicas e universidades. Estas comissões são responsáveis pela avaliação ética de pesquisas em seres humanos. Coronavírus: Brasil tem 411.821 casos confirmados e 25.598 mortes no início do ano, porém, a Conep resolveu expandir seu leque. Em um informe encaminhado aos CEPs, determinou que seria o único órgão responsável por analisar todos os protocolos sobre Covid-19. A Conep indicou agilidade, concluindo a análise ética de protocolos de pesquisa em 24 horas. Mas a enxurrada de projetos recebidos foi tamanha que, em abril, o colegiado recuou e, em novo informe, voltou a destinar algumas funções aos CEPs. Ainda assim, monopoliza a análise ética de estudos de assuntos como desenvolvimento de testes sorológicos, uso de plasma para terapias e saúde mental de pacientes e profissionais de saúde. — Fizemos a resolução do início do ano para provocar celeridade nos estudos científicos, mas de repente estávamos com 700 projetos para analisar, e aí a situação ficou complicada — admite Jorge Venâncio, coordenador da Conep. — No começo, tínhamos apenas uma câmara técnica fazendo as análises sobre a Covid-19. Depois, aumentamos para quatro, mas não havia jeito. O volume continuava muito maior do que nossa capacidade individual. Esperança:Soro produzido a partir do plasma com anticorpos de cavalos pode ajudar no combate à Covid-19 Desde o início da pandemia, a Conep aprovou 347 pesquisas sobre a Covid-19. Pelo menos 85 aguardam seu parecer. Aproximadamente 30 estão voltadas à área biomédica. — Estamos recuperando terreno (em relação ao ritmo de trabalho inicial). Hoje, demoramos entre 48 e 72 horas para cumprir a análise de cada projeto — explica Venâncio. Abaixo-assinado contra burocracia. As informações, porém, são contestadas pela Aliança Pesquisa Clínica Brasil (APCB), órgão que idealizou recentemente um abaixo-assinado contra a burocracia da Conep. A APCB reconhece que a força de trabalho da Conep contra o coronavírus teve bons resultados iniciais, mas, segundo ela, o ritmo arrefeceu significativamente. Agora, segundo a entidade, alguns grupos demoram de um a dois meses até ganhar o aval para conduzir seus estudos. Elogio:'Cientistas brasileiros têm produzido conhecimento crucial', diz presidente da Academia Brasileira de Ciências sobre coronavírus O oncologista Fábio Frank, presidente da APCB, avalia que a burocracia governamental é a principal responsável pela dificuldade de inclusão de cientistas do país em pesquisas internacionais sobre o coronavírus. — A análise ética dos estudos é lenta e, por isso, os cientistas brasileiros não conseguem estabelecer prazos para entrega de suas pesquisas. Por isso, não somos convidados por grupos de trabalho estrangeiros para participar, por exemplo, do desenvolvimento de medicamentos experimentais — explica. — Trata-se de mais um revés ao país, que já está com a imagem desgastada no exterior quando o assunto é o coronavírus. Frank destaca que a Conep é composta de apenas 35 integrantes, e que precisa avaliar todas as pesquisas clínicas com participação de seres humanos, e não apenas as relacionadas à Covid-19. Portanto, as “incontáveis pendências e exigências”, como destaca no abaixo-assinado, são cotidianas há anos no conselho. Pesquisa:Pandemia do coronavírus faz crescer confiança na Ciência, indica estudo. No início do mês, 185 protocolos de pesquisa relacionados ao coronavírus aguardavam emendas e notificações na Conep. Jorge Venâncio revela que alguns estudos tiveram de ser analisados mais de quatro vezes, devido a problemas como a falta de esclarecimentos ou a necessidade de atualizações. — Há situações como projetos aprovados e que, depois, encaminham alguma emenda. Ou, então, da morte de um pesquisador envolvido no trabalho, e aí nós precisamos fazer pareceres — explica. Os pesquisadores clínicos reivindicam que o trabalho da Conep seja descentralizado. Desta forma, os CEPs seriam os responsáveis por toda a análise ética de uma pesquisa científica, incluindo a de estudos que poderiam colaborar para a geração de novos fármacos. Este é o modelo adotado em diversos países, como os Estados Unidos. Entre os defensores da mudança dos conselhos de ética está Luis Augusto Russo, pesquisador clínico da Academia Nacional de Ciências Farmacêuticas: — Temos instituições de excelência, como a Fiocruz, e hospitais de primeira linha, como o Samaritano, o Sírio-Libanês e o Albert Einstein, todos com bons comitês de ética. Eles podem analisar este aspecto de suas pesquisas e, depois, encaminhar os resultados à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o órgão responsável pela parte técnica do estudo científico. Se os resultados forem positivos, teríamos um caminho para a criação de um novo medicamento. Sinal animador:Resultados de testes iniciais em humanos indicam que vacina contra Covid-19 é segura Os cientistas indicam, também, que a Conep não pode ser ágil apenas em pesquisas relacionadas à Covid-19. Segundo seus críticos, o colegiado demora até oito meses para concluir análises éticas sobre pesquisas de outros assuntos. Nos Estados Unidos e na Europa, este trabalho é concluído em um prazo de 45 a 60 dias. A Conep rebate a acusação, assegurando que realiza toda a sua atividade em apenas 25 dias, desde que os cientistas apresentem todo o detalhamento necessário de seus protocolos. De acordo com a APCB, o Brasil participa de menos de 2% dos estudos clínicos. Sem a burocracia envolvida na análise ética das pesquisas, este índice poderia quadruplicar. — Usamos medicamentos importados dos Estados Unidos e da Europa, desenvolvidos através de estudos de uma população diferente da nossa, que é miscigenada. Então, um remédio testado aqui pode não ter a mesma taxa de sucesso entre pacientes do que a vista em seu país de origem — explica Frank. — Se o Brasil participasse mais da produção científica internacional, teria chance de conhecer melhor as características genéticas de sua própria população.

UOL NOTÍCIAS - ÚLTIMAS NOTÍCIAS/SÃO PAULO
Data Veiculação: 28/05/2020 às 04h00

Lá se vão mais de quarenta dias desde que o isolamento social foi colocado como medida para evitar a transmissão acelerada do novo coronavírus (Sars-CoV-2) no Brasil. Embora alguns municípios tenham voltado a funcionar, a maioria do país segue dentro de casa. Neste cenário, o estresse reina. Estamos lidando com muitas incertezas, que vão da saúde a econômica. O resultado do excesso de preocupação aparece no restante do corpo. Entre as possíveis reações físicas estão: surgimento de espinhas em adultos, dores de cabeça e na cervical, dores no estômago, entre outros. O estresse do dia a dia afeta cada um de uma maneira —em um momento como o que vivemos, você pode estar mais abatido do que um amigo, por exemplo. "O que define isso são as nossas vivências, como lidamos com as frustrações e outras questões internas", explica o psicólogo e doutor em neurociência do comportamento Yuri Busin. Por isso, VivaBem conversou com especialistas de diversas áreas para entender o porquê de o estresse estar causando alterações no corpo e traz dicas para você lidar com esses problemas. 1. Espinhas Porque aparecem: Espinhas surgem nesse momento pois o estresse produz hormônios que aumentam a oleosidade da pele. Isso pode ser agravado se for aliado a uma alimentação desregrada (alimentos industrializados, cheios de açúcares e carboidratos simples, por exemplo, podem inflamar o corpo, como consequência surgem as espinhas) e a ausência de exercícios físicos (que possuem ação anti-inflamatória). Como lidar: Mantenha uma alimentação equilibrada, rica em alimentos coloridos, para garantir o aporte de vitaminas e minerais. Tenha também uma rotina com horários para acordar, dormir e fazer as refeições. Inclua exercícios físicos diários. "Precisamos evitar que essa circunstância tome conta de nossa vida. Por mais que esses hábitos pareçam simples, a somatória disso é positiva", orienta Tatiana Villas Boas Gabbi, dermatologista e assistente do departamento de Dermatologia do HC-FMUSP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo). Quanto aos cuidados com skin care, a profissional recomenda, para quem conhece o próprio corpo e o tipo de pele, o uso de um sabonete antiacneico. Na dúvida, procure um dermatologista —muitos estão atendendo online. "Na correria do dia a dia, a gente não se cuida, e fazer isso nesse período reforça a autoestima", diz Gabbi. 2. Dor de cabeça e na cervical porque aparece: O estresse libera substâncias no corpo e faz com que nossos alarmes de dor sejam disparados mais cedo do que aconteceria normalmente. E aí entra a dor de cabeça. Contudo, existem dois tipos: a comum, que acomete 30% da população mundial geral, e a crônica. A primeira é aquela que aparece de vez em quando, tem um padrão e que resolvemos tomando um remédio. Num período como o da quarentena, que tendemos a estar mais estressados, ela se torna preocupante se aparece três ou mais vezes por semana, como explica Daniel Ciampi, neurologista do núcleo da Dor e Distúrbios do Movimento do Hospital Sírio-Libanês. "Quando constante, tem risco de se tornar crônica ou a pessoa tende a fazer uso exagerado de medicação", diz. Fora desse contexto comum, a dor de cabeça é um problema quando apresenta alguns indícios mais graves: se estiver associada à fraqueza muscular (paralisia dos braços, por exemplo) ou ao escurecimento da vista. Quando ela vem de maneira abrupta ou acompanhada de febre —principalmente em pessoas com doenças que afetam a imunidade — também é preciso buscar ajuda. Já a dor na cervical está atrelada à postura —talvez você não esteja acostumado a ficar no computador tanto tempo ou não tem os aparatos ideais em casa (cadeira com boa regulagem e mesa na altura ideal). Para quem se exercitava, a diminuição no ritmo também pode ser uma causa. A tensão nos músculos da parte superior das costas e do pescoço também pode levar à dor de cabeça. Como lidar: manter boas noites de sono e se alimentar corretamente são essenciais. Também é importante incluir exercícios de alongamento na rotina e manter uma postura correta. Para quem está trabalhando em casa, lembre-se de sentar direito, com os pés encostando no chão e os ombros na altura certa, e de fazer pausas de hora em hora para se alongar. Eventualmente, é possível colocar uma bolsa com água quente na cervical. 3. Fome excessiva. Porque acontece: A causa principal é a mudança abrupta na rotina. Nesse período, há quem tenha trocado os seus horários (a noite pelo dia) ou durma pouco ou demais (confira aqui como fazer as pazes com o sono na quarentena). Devido a isso, há alteração nas reações metabólicas do corpo, que costumam ser programadas ao longo do dia conforme nossos momentos de sono e vigília. Logo, há aumento de ansiedade. E daí, entra a preferência por alimentos de calorias vazias, que trazem um sentimento de felicidade breve, como os ricos em açúcares, gorduras, sódio e afins. Esses produtos são pobres em fibras e não promovem a sensação de saciedade por muito tempo. Com isso, a grelina, hormônio que avisa o cérebro que precisamos comer, envia mensagens com mais frequência para o órgão de que estamos com fome. Como lidar: Consuma alimentos que regulem a leptina, o hormônio que causa a sensação de saciedade: peixes magros, oleaginosas, azeite extra virgem e abacate, por exemplo. A prática de atividade física também ajuda a aumentar a produção desse hormônio. Mantenha horários para se alimentar e um cardápio variado e rico em fibras (com frutas, legumes, vegetais, grãos e carnes). Crie também estratégias: tire do alcance ou não tenha em casa guloseimas industrializadas, como embutidos, congelados e bolachas e evite o consumo de bebida alcóolica. "Nós somos um botão correto, só que estamos alterando todo o funcionamento", afirma Keli Pittner, nutricionista da Cia Athletica. 4. Dor de estômago e mudanças no trânsito intestinal porque acontece: O aparelho digestivo é muito sensível às emoções, tanto do estresse quanto a euforia ou tristeza, e sempre se manifesta de alguma maneira. No caso do estômago ocorre um conjunto de sintomas: queimação, dor na boca do órgão, a sensação de estar empachado, regurgitação e azia, o que pode evoluir para uma gastrite nervosa. "É provável que essa alteração nem apareça num exame, mas é preciso tratar, porque a longo prazo pode se tornar uma lesão", revela Vanessa Prado, médica do Centro de Especialidades do Aparelho Digestivo do Hospital Nove de Julho. Já a mudança no funcionamento do intestino ocorre por conta da alimentação repleta de industrializados e baixa ingestão de líquidos, que leva a constipação. Já a diarreia pode surgir porque o estresse aumenta o fluxo do intestino, que trabalha mais rápido. Mas vale o alerta, alterações frequentes da velocidade intestinal também são sintomas da síndrome do intestino irritável e pode ser preciso investigar melhor com um médico. Como lidar: A solução é criar uma rotina, com horário para fazer as refeições. Nesse momento, desligue as telas e foque no que está fazendo, na mastigação adequada dos alimentos. Evite ficar bebericando café ao longo do dia de estômago vazio, pois o hábito aumenta a produção de ácidos estomacais e, para quem sente algum desconforto intestinal, a tendência é ter mais dor. Outra dica é consumir uma xícara de chá de camomila meia hora depois das refeições para ajudar na digestão e a prevenir problemas gastro-intestinais. Existem medidas gerais para evitar o estresse? Não tem cartilha que sirva para todos, mas algumas estratégias podem ajudar a melhorar a sensação de ansiedade e a seguir o dia com mais leveza. Algumas já foram mencionadas nas boas práticas para cada problema individual: alimentação equilibrada, organização de rotina e exercício físicos são essenciais. Além disso, por mais que o passar dos dias possam tornar tudo mais pesado, descubra o que te faz bem, as atividades que te dão prazer. "É um bom momento para você relembrar o que gosta de fazer ou buscar novas atividades que te trazem prazer. Estamos muito focados nesse assunto e restringimos nosso olhar, mas o mundo tem muito mais para ofertar, só não estamos olhando", explica Busin.

GAÚCHAZH./PORTO ALEGRE
Data Veiculação: 28/05/2020 às 03h36

O entusiasmo de alguns médicos e de parte da população brasileira com o uso de fármacos que não possuem utilidade comprovada contra o coronavírus deixa claro: ainda falta muito para a consolidação da medicina baseada em evidências no país. Essa abordagem, que busca usar os melhores dados científicos disponíveis para embasar as decisões sobre o tratamento de cada paciente, tem ficado de lado quando profissionais e gestores de saúde optam pelo emprego de medicamentos como a cloroquina ou a ivermectina, cuja eficácia e segurança ainda não foram demonstradas. — Em vez de medicina baseada em evidências, vemos alguns praticando medicina baseada em impressões. Parece que a gente está fracassando na tentativa de ensinar método científico nos cursos de medicina, enfermagem e outros da área de saúde — diz a bióloga Natalia Pasternak, presidente do Instituto Questão de Ciência, associação dedicada à defesa de políticas públicas embasadas em dados científicos. Embora tentativas de testar tratamentos cientificamente tenham ocorrido desde os séculos 17 e 18, a proposta de sistematizar esses testes como um guia para a prática médica é bastante recente, remontando aos anos 1980 e 1990, quando o termo "medicina baseada em evidências" foi empregado pela primeira vez por pesquisadores como Gordon Guyatt, da Universidade McMaster, no Canadá. A intenção era aumentar a objetividade das decisões clínicas com base no conhecimento obtido, por exemplo, em múltiplos estudos com grande número de pacientes para recomendar ou não determinada terapia. Para reforçar a confiabilidade, tais estudos deveriam aderir a padrões como a existência de grupos-controle, ou seja, a divisão dos pacientes estudados em, ao menos, dois grupos. Um deles receberia o tratamento sendo testado, enquanto o outro receberia tratamento padrão já usado antes, ou uma substância inócua, por exemplo. Além disso, o padrão de "randomização", a alocação os pacientes aos diferentes grupos de modo aleatório, também deveria ser seguido. Tais abordagens são necessárias para diminuir vieses que surgem naturalmente durante a observação de um tratamento. Muitos problemas de saúde, por exemplo, acabam melhorando graças ao próprio organismo dos pacientes, mas a inexistência de um grupo-controle poderia levar os médicos a assumir erroneamente que o tratamento foi o responsável pela melhora. No Brasil, ainda são raros os cursos de formação de profissionais de saúde que incluem em seu currículo disciplinas especificamente dedicadas a ensinar esses conceitos. — No caso das faculdades de medicina, muitas vezes há apenas um módulo sobre o tema na disciplina de epidemiologia, por exemplo. Existem também muitos cursos esporádicos e outros de pós-graduação, que têm crescido — diz a reumatologista Rachel Riera, do Hospital Sírio-Libanês e da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), onde ministra justamente uma dessas raras disciplinas. Para Riera, a medicina baseada em evidências não é oposta à experiência pessoal de cada médico ao lidar com seus pacientes no cotidiano, mas ajuda a evitar que certos tratamentos continuem a ser usados de forma acrítica apenas por hábito, sem que tragam benefícios reais para o tratamento. Ela cita o exemplo dos pacientes com queimaduras graves, os quais, em geral, podem morrer por duas causas: infecções nas feridas ou pela forte diminuição do volume do sangue. Durante muitos anos, um dos tratamentos prescritos para enfrentar o choque hipovolêmico foi o uso da proteína albumina no soro desses pacientes, para aumentar a pressão sanguínea. — Era algo que parecia fazer sentido, mas estava baseado em estudos observacionais de pequena escala. Dados mais amplos, sob condições mais controladas, revelaram que, além de ser mais caro, o procedimento com albumina levava a mais mortes do que o simples uso de soro fisiológico. É claro que existe uma grande lacuna, muitas vezes, entre o que seria a melhor solução possível e o contexto de cada profissional de saúde e cada paciente. Tratar um infarto agudo do miocárdio nunca vai ser a mesma coisa num hospital de uma grande cidade e numa comunidade ribeirinha da Amazônia. Não adianta só focar nos resultados de grandes estudos se você não leva isso em conta — pondera. Riera diz ainda que nenhuma situação recente pode ser comparada à pandemia de covid-19, quando se considera a necessidade de aprender com grande rapidez maneiras de enfrentar uma nova doença. Para os especialistas, entretanto, o ineditismo do desafio não significa que qualquer recomendação de tratamento é igualmente válida. O bioquímico Hernan Chaimovich Guralnik, do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP), compara o debate sobre tratamentos não comprovados contra a covid-19 à questão da mudança climática. — Existe uma diferença brutal entre a posição individual de cientistas e médicos, que é legítima, e o que é consenso sobre uma determinada questão. A opinião individual de um pesquisador pode até ser respeitável na sua área do conhecimento, mas o IPCC [painel da ONU sobre o clima] tenta se guiar por um consenso mundial ao analisar o tema. É claro que os consensos também podem mudar, mas isso só acontece quando uma grande quantidade de novas evidências contraria um consenso vigente — explica. Natalia Pasternak lembra que a chancela do Sistema Único de Saúde (SUS) ao emprego de dezenas de práticas alternativas de saúde sem comprovação científica, como a homeopatia, é outro indício de como o debate sobre medicina baseada em evidências ainda engatinha no Brasil. — Essa falta de racionalidade já estava chancelada, no fundo, mas ela nunca tinha tido afetado tão profundamente um contexto de emergência quanto agora. Receba duas vezes por dia um boletim com o resumo das últimas notícias da covid-19. Para receber o conteúdo gratuitamente, basta se cadastrar neste link. Quer saber mais sobre o coronavírus? Clique aqui e acompanhe todas as notícias, esclareça dúvidas e confira como se proteger da doença

HOSPITAIS BRASIL ONLINE
Data Veiculação: 28/05/2020 às 00h00

A FGV Educação Executiva em parceria com o FGVSaúde (FGV EAESP) apresenta o Programa FGV e Saúde – gerindo crise em tempo de pandemia. A iniciativa é composta por oito minicursos gratuitos e tem a finalidade de contribuir com a sociedade e profissionais da saúde. Os cursos são autoinstrucionais e estarão disponíveis no site da FGV (fgv.br/cursos-gratuitos). Vale ressaltar que os participantes cadastrados terão acesso à questões objetivas e automáticas e, ao respondê-las, receberão a emissão de declaração de participação personalizada. Confira a programação: Minicurso 1 – O sistema de saúde em tempos de pandemia educacao-executiva.fgv.br/cursos/online/curta-media-duracao-online/o-sistema-de-saude-em-tempos-de-pandemia Palestrante: Gonzalo Vecina Neto, médico pela Faculdade de Medicina de Jundiaí (SP), é mestre em administração de empresas pela FGV EAESP. Foi superintendente corporativo do Hospital Sírio-Libanês de 2007 a 2015. Atualmente, é professor assistente da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo e professor da FGV EAESP. A aula tem a finalidade de repercutir como o sistema de saúde, entendido como o SUS e o setor privado – AMS -, pode se organizar para responder à pandemia, como fazer a regulação dos serviços escassos para que eles sejam utilizados de maneira a atender às necessidades da população, mas, como nem tudo é solucionável pelo sistema de saúde, também discutirá como fazer o isolamento de pessoas que não têm residência fixa ou, quando a têm, moram em poucos metros quadrados, sem condições de higiene apropriadas, e, por fim, quais são as implicações da judicialização. Minicurso 2 – Liderança em cenários turbulentos: revigorando as equipes de saúde no enfrentamento da Covid-19 educacao-executiva.fgv.br/cursos/online/curta-media-duracao-online/lideranca-em-cenarios-turbulentos-revigorando-equipes-de-saude-no-enfrentamento-da-covid-19 Palestrante: Sandra Betti é psicóloga pela PUC-SP, com mestrado em psicologia social pela PUC-SP, com especialização em desenvolvimento de recursos humanos pela Harvard University (US) e em estratégia de RH pela University of Michigan Business School (US). Possui certificação em master coaching pelo Behavioral Coaching Institute (NY), é coautora do livro Assessment Centres and Global Talent Management. Tem vasta experiência na área de RH, tendo ocupado cargos executivos em empresas de grande porte, já foi palestrante no TEDex Morro do Imperador (“O Poder do Amor”). Atualmente, é sócia-diretora da MBA Empresarial, sócia e conselheira da Talent Academy, atuando também como consultora e especialista em desenvolvimento gerencial, coaching, team building, identificação de talentos e avaliação de potencial. É mentora da Brasil Júnior, da EJ-FGVEAESP, da ITA Júnior, da Endeavor e da Fundação Estudar. É professora convidada nos programas de gestão da saúde na FGV EAESP. O curso irá abordar a importância da liderança em tempos de turbulência, com agente transformacional do ambiente de trabalho, quais são as dificuldades, estratégias e oportunidades para a liderança fortalecer e encorajar a equipe de saúde no enfrentamento de uma crise em cenários incertos. Além disso, também irá repercutir a arte da autoliderança, o poder do exemplo e os pilares da liderança transformadora, qual é o papel do líder como agente de aprendizagem, como inspirar e fortalecer os times e a inteligência emocional na prática, resiliência, adaptação e criatividade. Também ajudará a compreender a gestão do tempo e do estresse. Minicurso 3 – Direitos e deveres do cidadão em tempos de Covid-19 educacao-executiva.fgv.br/cursos/online/curta-media-duracao-online/direitos-e-deveres-do-cidadao-em-tempos-de-covid-19 Palestrante: Heide Landi, doutora em direito do consumidor e mestre em direitos difusos e coletivos pela Universidade Metropolitana de Santos (2011 e 2003), tem extensão universitária em direito sanitário pela Escola Superior do Ministério Público de São Paulo (2018). Graduada em direito pelas Faculdades Integradas de Guarulhos (1998), é mediadora e conciliadora judicial e extrajudicial (Resolução/CNJ nº125). Profissionalmente, atua de forma autônoma, como advogada e consultora do setor de saúde. Professora da FGV EAESP nos cursos de gestão, MBA e mestrado profissional, onde trabalha com disciplinas voltadas para a legislação aplicada à saúde; Faculdade de Educação em Ciências da Saúde – Hospital Alemão Oswaldo Cruz, nos cursos de gestão e MBA em saúde, onde trabalha com a disciplina aspectos legais aplicados à saúde, e Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein, no curso de pós-graduação em auditoria em serviços de saúde, onde trabalha com a disciplina Judicialização na Saúde. A finalidade do curso é discutir a Constituição e os direitos dos cidadãos em tempos de crise, como a Justiça pode ajudar na proteção dos dados das pessoas em função das medidas restritivas de isolamento social. Outro ponto importante da aula é sobre o cidadão e a sociedade, qual é o seu papel frente às pandemias e os impactos na sociedade em função da omissão de seus deveres. Minicurso 4 – A Atenção Primária em Saúde (APS) na resposta à pandemia Covid-19 Lançamento: 05/06 educacao-executiva.fgv.br/cursos/online/curta-media-duracao-online/atencao-primaria-em-saude-aps-na-resposta-pandemia-de-covid-19 Palestrante: Adriano Massuda, médico formado pela UFPR, com residências em medicina preventiva e social e em administração em saúde pela Unicamp, é doutor em saúde coletiva pela Unicamp. Foi secretário de Saúde em Curitiba, secretário-executivo substituto e secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos no Ministério da Saúde, consultor internacional na Organização Pan-Americana de Saúde. É professor da FGV EAESP, membro do FGVSaúde, pesquisador visitante no Departamento de Saúde Global da Harvard Chan School of Public Health e pesquisador associado no Instituto de Estudos em Políticas de Saúde. As emergências em saúde pública testam a resiliência dos sistemas de saúde e exigem respostas rápidas, inovadoras e eficazes de governos nacionais e locais, por isso, é fundamental a adoção de medidas urgentes para antecipar os problemas, planejar e coordenar respostas, identificando as áreas e os grupos populacionais mais vulneráveis, com diagnósticos precoces e, em casos positivos, para tratamento e isolamento. Essas iniciativas podem auxiliar a romper as cadeias de transmissão e preparar seus sistemas de saúde para mitigar o impacto do surto sobre a população. Na preparação do sistema de saúde para a resposta à pandemia Covid-19, os serviços de APS devem ter um papel central. Porém, é preciso modificar o modo de funcionamento durante o período da epidemia. Dessa forma, a palestra tem como objetivo discutir os papéis e funções da APS nos sistemas de saúde frente às situações de emergência em saúde pública, as características do modelo de APS brasileiro – a Estratégia Saúde da Família (ESF): oportunidades e limites para resposta frente à pandemia Covid-19, as estratégias para realizar no âmbito da APS: a) análise territorial, visando identificar localidades e grupos populacionais de risco para a Covid-19; b) monitoramento ativo de grupos de risco, principalmente populações idosas e moradores em instituições; c) minimização do atendimento presencial de pacientes sintomáticos respiratórios nas unidades de APS; d) manutenção de atividades de rotina a pacientes crônicos; e, por fim, e) treinamento e proteção dos profissionais de saúde. Minicurso 5 – Governança do sistema de saúde em tempos de pandemia Lançamento: 10/06 educacao-executiva.fgv.br/cursos/online/curta-media-duracao-online/governanca-do-sistema-de-saude-em-tempos-de-pandemia Palestrante: Ana Maria Malik, médica especialista em administração em saúde, é mestra em administração pela FGV EAESP, doutora em ciências pelo Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP. É pesquisadora em avaliação e qualidade em saúde, ex-diretora de serviços de saúde públicos e privados, consultora para gestão de serviços de saúde e coordenadora da FGV Saúde e diretora do PROAHSA / FGV EAESP. O SUS é um sistema complexo, que junta os três níveis de governo (federal, estadual e municipal) e os setores público e privado, tudo isso organizado por lei. No entanto, a realidade é um sistema fragmentado, em que o comando não é claro e onde o cumprimento dos pilares da governança – transparência, equidade, prestação de contas e responsabilidade corporativa – não são observados. Isso leva a uma situação em que a população fica, muitas vezes, perdida, sem saber onde está e o que se espera dela. Qual o papel dos gestores do setor de saúde nessa situação? E quando há uma condição de risco para os cidadãos, como no caso da pandemia atual, quais as mudanças nesse cenário? A saída da situação deverá ser conduzida, e quanto mais responsável a gestão mais adequada será a situação seguinte. Minicurso 6 – Gestão de pessoas: impactos da pandemia para os profissionais de saúde Lançamento: 17/06 educacao-executiva.fgv.br/cursos/online/curta-media-duracao-online/gestao-de-pessoas-impactos-da-pandemia-para-os-profissionais-de-saude Palestrante: Laura Maria César Schiesari, doutora em medicina preventiva pela Faculdade de Medicina da USP e mestre e especialista em administração de serviços de saúde/administração hospitalar pela Faculdade de Saúde Pública da mesma instituição. Também é pediatra e médica formada pela Escola Paulista de Medicina – Unifesp. Trabalhou com gestão da qualidade em diferentes hospitais, no Brasil e no exterior. Atualmente, é gerente nacional de educação corporativa do United Health Group Brasil e professora da FGVEAESP. A aula abordará a gestão de pessoas em época de pandemia, quais são os fatores que influenciam o desempenho das equipes em momento de crise, o desenvolvimento da força de trabalho e o preparo de equipes em cenários incertos. Também discutirá a importância dos profissionais de saúde para melhorar a jornada do paciente e de seus familiares frente à pandemia do coronavírus. Minicurso 7 – Gestão de suprimentos em tempos de pandemia Lançamento: 19/06 educacao-executiva.fgv.br/cursos/online/curta-media-duracao-online/gestao-de-suprimentos-em-tempos-de-pandemia Palestrante: Walter Cintra Ferreira Jr, médico pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, doutor e mestre em administração de empresas pela Fundação Getulio Vargas. Foi diretor executivo do Instituto de Ortopedia e Traumatologia e do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Tem experiência na área de saúde coletiva, com ênfase em administração de serviços de saúde, atuando principalmente nos seguintes temas: organização e planejamento e gestão hospitalar e de serviços de saúde nos setores público e privado. Atualmente, é coordenador do Curso de Especialização em Administração Hospitalar e de Serviços e Sistemas de Saúde – CEAHS da FGV EAESP. A palestra tem o objetivo de abordar os pontos nevrálgicos para organizar a cadeia de suprimentos, as questões centrais em uma conjuntura de epidemia, a especificação de materiais e equipamentos. Além disso, discutirá o processo de aquisição, recebimento e distribuição para os estabelecimentos de atendimento à saúde, a articulação entre os diversos entes em situação de crise e quais são as perspectivas de curto e médio prazos. Minicurso 8 – Saúde e Economia: impacto da Covid-19 e perspectivas para o Brasil Lançamento: 01/07 educacao-executiva.fgv.br/cursos/online/curta-media-duracao-online/saude-e-economia-impacto-da-covid-19-e-perspectivas-para-o-brasil Palestrante: Wilson Rezende da Silva, mestre em administração de empresas pela FGV e economista pela PUC. Sua experiência profissional inclui os cargos de diretor de finanças, diretor comercial e superintendente de empresas públicas e privadas. É pesquisador associado do FGVSaúde, atua como professor e coordenador acadêmico de cursos do FGV InCompany, também é professor do mestrado profissional – linha de saúde – da FGV EAESP. Autor de livro e artigos sobre planejamento estratégico e gestão. Esse último curso abordará a dicotomia da saúde em relação à economia, um panorama dos principais indicadores econômicos nas últimas décadas, com as características do setor de saúde – público e privado. Também refletirá a colaboração e competição entre o setor público e o setor privado, quais são os impactos da Covid-19 e as tendências para os próximos anos, e as lições que podemos aprender com a pandemia.

FOLHA DE S.PAULO/SÃO PAULO | COTIDIANO
Data Veiculação: 28/05/2020 às 03h00

Tire suas dúvidas sobre o coronavírus A Folha recebe perguntas de leitores pelo e-mail dúvidas coronavirus @grupofolha.com.br GRUPOSVULNERÁVEIS Eu e minha filha temos colesterol elevado. Corremos mais perigo diante da Covid-19? José Roberto de Fonseca, cardiologista do Hospital Samaritano Paulista, explica que portadores de hipercolesterolemia familiar (HF) tendem a formar placas de gordura nas veias e artérias, o que pode provocar acidentes vasculares e infarto. 0 maior estudo feito até o momento para avaliar os efeitos da cloroquina e hidroxicloroquina em pacientes com Covid-19 classificou a hiperlidemia (genética ou não) como um fator que pode levar arritmias. AHFé uma forma de hiperlipidemia (aumento de lipídios no organismo). Cerca de 30 mil pacientes dos 96 mil avaliados no estudo tinham hiperlipidemia. A condição esteve associada à mortalidade e também à ocorrência de doenças coronárias arteriais. Quem tem peito escavado está no grupo de risco? Ângelo Fernandez, cirurgião e coordenador do Núcleo de Doenças Pulmonares e Torácicas do Hospital Sírio Libanês, explica que não há evidência científica de que a condição —deformidade da parede do tórax, em que o osso esterno e as costelas sofrem uma depressão dando a impressão de 'peito afundado ‘ou 'escavado'— agrave o risco diante da Covid-19. Em raros casos, ela pode ser corrigida por cirurgia, para fins estéticos, mas, se houver debilidade funcional, o tratamento com fisioterapia é recomendado. A prevenção e eventual tratamento da Covid-19 para essas pessoas é igual ao indicado para a população em geral, diz ele. Ana Bottallo Voluntários entregam livros com cestas básicas em Recanto das Emas, no Distrito Federal GuilhermeMartimon/Grace Projeto inclui livros em cestas básicas doadas DIAS MELHORES Ana Luiza Albuquerque rio de janeiro “Você aceita um livro?”, pergunta o publicitário Mateus Santana, 28, durante a distribuição de cestas básicas a moradores de uma periferia no Distrito Federal. Mateus é o idealizador do projeto Bienal da Quebrada, fundado em julho de 2019 com o objetivo de democratizar o acesso à literatura nas favelas. Uma das ações é a arrecadação e entrega de livros nessas áreas. Em dez meses, a iniciativa distribuiu mais de 3.000 livros com a ajuda de 60 voluntários em todo o país. As entregas ocorrem, principalmente, no Distrito Federal, em São Paulo e no Rio de Janeiro. Após o início da pandemia do novo coronavírus, o número de ações diminuiu para garantir a segurança cios voluntários. Para contornar o problema, Mateus passou a doar um livro junto a cada cesta básica distribuída pelo Grace (Grupo de Resistência e Ajuda Coletiva na Emergência), que distribui na periferia do DF, onde mora. Ele conta que, ao abordar o morador, sempre faz uma espécie de convite: pergunta se a pessoa gostaria de receber um livro, já que muitos não têm proximidade com a leitura. “Quase ninguém nega. A reação é muito legal, porque a gente entrega o livro e a pessoa já pergunta se temos outro que ela possa escolher. A receptividade tem sido muito boa.” Por enquanto, Mateus entregou 30 livros na cidade Recanto das Emas (DF). Outras distribuições já estão agendadas em Sol Nascente e na Cidade Estrutural, também no Distrito Federal. Nascido e criado na periferia, o publicitário, o primeiro da família a concluir o ensino superior, defende a importância de estimular os demais moradores a buscar a leitura e o conhecimento. “O livro também é necessidade básica. O conhecimento formal, da escola, da academia, já é dificultado para nós. Se não for a gente, que vem desse território [a estimular a leitura], dificilmente outras pessoas farão”, afirma. “Foi a partir da leitura que passei a me interessar pela U O livro também é necessidade básica. O conhecimento formal, da escola, da academia, já é dificultado para nós. Se não for a gente, que vem desse território a estimular a leitura], dificilmente outras pessoas farão Mateus Santana publicitário e idealizador do projeto Bienal da Quebrada escrita, a fazer faculdade, a estar em espaços públicos discutindo sobre a nossa realidade”, completa. Para viabilizar a distribuição em outros estados, Mateus repassou 1.300 livros para duas iniciativas do Rio de Janeiro. A ONG Voz das Comunidades receberá mil e o coletivo Favela Vertical, 300. O Bienal da Quebrada recebe as doações a partir de contatos nas redes sociais. A pessoa que quer repassar um livro deve informar o estado e a cidade onde se encontra, para que Mateus verifique se existem voluntários no local. Nesse caso, o voluntário vai até o doador e armazena os livros na própria casa ou em depósitos específicos do projeto, até o dia da distribuição.

AGORA SÃO PAULO/SÃO PAULO | Geral
Data Veiculação: 28/05/2020 às 03h00

Reabertura é confusa, dizem lojistas ■ O anúncio de um início de flexibilização foi mal recebido entre empresários donos de redes de lojas de shoppings, segundo informações da coluna Painel S.A., da Folha de S.Paulo. A impressão geral é a de que o governo não foi claro em relação aos shoppings. E existe um receio de que as vendas ficarão muito baixas no primeiro momento. "Estou achando confuso. Para nós, que somos gestores de empresa, é ruim porque precisamos trabalhar com planejamento e comunicar funcionários com antecedência", diz Marcelo Feldman, dono das marcas Petistil e Loja 18. (Folha) O ESPECIALISTAS DIZEM QUE É CEDO PARA RELAXAR ■ Para especialistas, a reabertura pode ser precoce. "Pode ser cedo demais, ainda não chegamos ao pico [de casos]", diz Gladys Prado, infectologista do SírioLibanês. "Acho muito risco. Você pode ter até o dobro de mortes, casos ou internações de uma semana para outra", diz Paulo Lotufo, epidemiologistae professor da Medicina da USP. (Folha)

FOLHA DE S.PAULO/SÃO PAULO | COTIDIANO
Data Veiculação: 28/05/2020 às 03h00

Para especialistas, retomada pode ser precipitada * 1 da Covid 19 em SP são paulo O início da retomada das atividades no estado de São Paulo pode dar certo, mas a decisão pode ter sido anunciada de forma precoce, na opinião de profissionais da epidemiologia e da infectologia. “O que você pode dizer é que estamos atrasados [no combate à pandemia] em relação ao resto do mundo, mas discutindo abertura ao mesmo tempo. Pode ser cedo demais, ainda não chegamos ao pico [de casos]” analisa Glaüys Prado, infectologista do corpo clínico do Sírio-Libanês. Nesta quarta-feira (27), o governador João Doria anunciou que a partir do dia 1 de junho entra em ação um plano para possibilitar o retorno das atividades econômicas, desde que as regiões tenham índices de combate à pandemia do e o corona vírus que o permitam. Cabe aos prefeitos dentro de cada uma das regiões decidir, por meio de decreto, reabrir suas respectivas economias segundo o plano de progressão do estado. Para isso, os municípios devem aderir aos protocolos de testagem e apresentar fundamentação científica para justificar a decisão. Para Prado, o governo acerta ao fazer com que não seja um plano de simples abertura, tendo criado gatilhos e metas que cada região precisa atingir antes de começar, gradualmente, a retomar sua economia. Paulo Lotufo, epidemiologista e professor da Medicina da USP, entende que não era hora de se falarem afrouxamento da quarentena, uma vez que a tendência ainda não é de queda de novos casos de e o corona vírus em São Paulo. “Estou achando uma coisa de muito risco, você pode ter até o dobro de mortes, casos ou internações de uma semana para outra”, explica, apontando para os indicadores dos criados pelo governo. Segundo o plano divulgado nesta quarta, cada região do estado será categorizada segundo diretrizes de atenção à capacidade do sistema de saúde e da evolução da epidemia. As classificações vão do vermelho (isolamento mais rígido, como é neste momento) até azul (quarentena mais branda, com protocolos mínimos de higiene e prevenção). Para atribuir a cor a cada região, o governo levará em conta a ocupação das UTIs, a quantidade de leitos intensivos por 100 mil habitantes e o número de novos casos, internações e mortes dos últimos sete dias dividido pelo mesmo número nos sete dias anteriores. O primeiro estágio de reabertura (laranja) pode se dar desde que se tenha UTIs com entre 70% e 80% de sua taxa de ocupação, entre 3 e 5 leitos disponíveis para cada 100 mil habitantes e que o número de casos, óbitos e internações por Covid-19 nos últimos sete dias seja menor que o dobro do registrado nos sete dias anteriores. Prado entende que os critérios que levam em conta a estrutura de assistência à saúde parecem fazer sentido. No entanto cita a falta de testes no estado como um obstáculo importante, uma vez que pode não se ter a real noção do número de novos casos de e o corona vírus por esses simplesmente não estarem sendo diagnosticados. Cada setor da economia terá protocolos próprios, disponíveis em um portal na internet. Segundo o mapeamento do governo, todas as regiões de São Paulo estão, no momento, entre as bandeiras vermelha e amarela. Em que pese o vírus atingir de forma diferente em cada região do estado, dividir o território na hora de reabrir o comércio pode ser um problema. A infectologista cita o exemplo de Wuhan, epicentro da pandemia na China. Assim que anunciou seu “lockdown”, a cidade viu milhares de pessoas se mudarem para outros locais antes de as fronteiras serem fechadas, o que causou enorme propagação do vírus pela região. “Imagina a quantidade de pessoas que trabalham em Osasco, [zona] vermelha [segundo as categorias do governo do estado], que vão trabalhar no comércio em Pinheiros, que vai estar aberto [já que a capital tem bandeira laranja]?”, questiona Lotufo. Ele cita o mesmo problema no interior, onde há forte mobilidade entre municípios. “A ideia mais aceita seria permitir lugares abertos e evitar locais fechados, como shoppings” afirma Prado. JG 89.483 casos 3.466 infecções confirmadas entre terça e quarta; 0 estado registra 203,4 casos por 100 mil habitantes 6.712 mortes 289 óbitos confirmados em 24 h; a taxa no estado é de 15,3 mortes por 100 mil habitantes 73,2% é o índice de ocupação de leitos de UTI no estado 47% de isolamento social foi a taxa registrada na terça-feira (26) 87.400 testes foram realizados desde de março 16 km, às 10h30 foi 0 pico de lentidão.

FOLHA DE S.PAULO/SÃO PAULO | COTIDIANO
Data Veiculação: 28/05/2020 às 03h00

Pandemia vira palco de disputa entre médicos e cientistas Entusiasmo com a cloroquina aponta que impressões podem falar mais alto do que a ciência entre médicos Reinaldo José Lopes São Carlos (sp) O entusiasmo de alguns médicos e de parte da população brasileira com o uso de fármacos sem utilidade comprovada contra o novo coronavírus deixou claro que falta muito para que a chamada medicina baseada em evidências se consolide no país. Essa abordagem, que busca usar os melhores dados científicos disponíveis para embasar as decisões sobre o tratamento de cada paciente, tem ficado de lado quando profissionais e gestores de saúde optam pelo emprego de medicamentos como a hidroxicloroquina ou a ivermectina, cuja eficácia e segurança ainda não foram demonstradas. “Em vez de medicina baseada em evidências, vemos alguns praticando medicina baseada em impressões”, diz a bióloga Natalia Pastemak, presidente do Instituto Questão de Ciência (associação dedicada à defesa de políticas públicas embasada sem dados científicos). “Parece que a gente está fracassando na tentativa de ensinar método científico nos cursos de medicina, enfermagem e outros da saúde.” Embora tentativas de testar tratamentos cientificamente tenham ocorrido desde os séculos 17 e 18, a proposta de sistematizar esses testes como um guia para a prática médica é bastante recente, remontando aos anos 1980 e 1990, quando o termo “medicina baseada em evidências” foi empregado pela primeira vez por pesquisadores como Gordon Guyatt, da Universidade McMaster (Canadá). A intenção era aumentar a objetividade das decisões clínicas com base em dados obtido, por exemplo, em múltiplos estudos com grande número de pacientes para recomendar determinada terapia. Para reforçar a confiabilidade dessas recomendações, tais estudos deveriam aderir a padrões como a existência de grupos-controle (ou seja, a divisão dos pacientes em pelo menos dois grupos, um dos quais recebia o tratamento sendo testado, enquanto o outro recebia um tratamento padrão já usado antes ou uma substância inócua, por exemplo) e a chamada randomização (alocando os pacientes aos diferentes grupos de modo aleatório). Tais abordagens são necessárias para diminuir os diferentes vieses que surgem naturalmente durante a observação de um tratamento. Muitos problemas de saúde, por exemplo, acabam melhorando graças ao próprio organismo dos pacientes, mas a inexistência de um grupo e o controle poderia levar os médicos a assumir erroneamente que o tratamento foi o responsável pela melhora. No Brasil, ainda são raros os cursos de formação de profissionais de saúde que incluem em seu currículo disciplinas especificamente dedicadas a ensinar esses conceitos. “No caso das faculdades de medicina, muitas vezes há apenas um módulo sobre o tema na disciplina de epidemiologia, por exemplo”, diz a reumatologista Rachel Ri era, do Hospital Sírio-Libanês e da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), onde ministra uma dessas raras disciplinas. “Existem também cursos esporádicos e outros de pós-graduação, que têm crescido.” Para Riera, a medicina baseada em evidências não é oposta à experiência pessoal do médico ao lidar com seus pacientes, mas ajuda a evitar que certos tratamentos continuem a ser usados apenas por hábito, sem benefícios reais. Ela cita o exemplo dos pacientes com queimaduras graves, os quais, em geral, podem morrer por duas causas: infecções nas feridas ou choque hipovolêmieo (forte diminuição do volume do sangue). Durante muitos anos, um dos tratamentos prescritos para enfrentar o choque hipovolêmieo foi o uso de albumina no soro, para aumentar a pressão sanguínea. “Era algo que parecia fazer sentido, mas estava baseado em estudos observacionais de pequena escala”, explica a médica. Dados mais amplos, revelaram que, além de ser mais caro, o procedimento levava a mais mortes do que o simples uso de soro fisiológico. “É claro que existe uma grande lacuna, muitas vezes, entre o que seria a melhor solução possível e o contexto de cada profissional de saúde e cada paciente. Tratar um infarto agudo do miocárdio nunca vai ser a mesma coisa num hospital de uma grande cidade e numa comunidade ribeirinha da Amazônia”, pondera ela. “Não adianta só focar nos resultados de grandes estudos se não levar isso em conta.” Riera diz ainda que nenhuma situação recente pode ser comparada à pandemia de Covid-19, quando se considera a necessidade de aprender com grande rapidez maneiras de enfrentar uma nova doença. Para os especialistas, entretanto, o ineditismo do desafio não significa que qualquer recomendação é válida. “Existe uma diferença brutal entre a posição individual de cientistas e médicos, que é legítima, e o consenso sobre uma questão”, diz o bioquímico Heman Chaimovich Guralnik, do Instituto de Química da USR Ele compara o debate sobre tratamentos não comprovados contra a Covid-i9 à questão da mudança climática. “A opinião individual de um pesquisador pode até ser respeitável na sua área, mas o 1PCC [painel da ONU sobre o clima] tenta se guiar por um consenso mundial. É claro que os consensos também podem mudar, mas isso só acontece quando uma grande quantidade de novas evidências contraria um consenso vigente.” Natalia Pasternak lembra que a chancela do SUS (Sistema Único de Saúde) ao emprego de dezenas de práticas alternativas de saúde sem comprovação científica, como a homeopatia, é outro indício de como o debate sobre medicina baseada em evidências ainda engatinha no Brasil “Os seres humanos são irracionais por natureza, o que significa que entender comportamentos irracionais não é difícil”, disse Gordon Guyatt à Folha. “Mas, se era para escolher uma droga não testada, as evidências sugeririam que outras são uma aposta melhor que a hidroxicloroquina.”

EXTRA ONLINE/RIO DE JANEIRO
Data Veiculação: 28/05/2020 às 04h30

RIO — O Ministério da Saúde tenta recuperar a força de uma frente de trabalho montada para agilizar a avaliação de estudos que podem resultar em medicamentos e vacinas contra o coronavírus. Cerca de 30 projetos aguardam o aval da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), um colegiado apontado por algumas associações científicas como lento e burocrático. A Conep recebe estudos de áreas temáticas, como genética e reprodução humana, encaminhados pelos 846 comitês de ética (CEPs) espalhados pelo Brasil, presentes em instituições como hospitais, clínicas e universidades. Estas comissões são responsáveis pela avaliação ética de pesquisas em seres humanos. Coronavírus: Brasil tem 411.821 casos confirmados e 25.598 mortes no início do ano, porém, a Conep resolveu expandir seu leque. Em um informe encaminhado aos CEPs, determinou que seria o único órgão responsável por analisar todos os protocolos sobre Covid-19. A Conep demonstrou agilidade, concluindo a análise ética de protocolos de pesquisa em 24 horas. Mas a enxurrada de projetos recebidos foi tamanha que, em abril, o colegiado recuou e, em novo informe, voltou a destinar algumas funções aos CEPs. Ainda assim, monopoliza a análise ética de estudos de assuntos como desenvolvimento de testes sorológicos, uso de plasma para terapias e saúde mental de pacientes e profissionais e de saúde. — Fizemos a resolução do início do ano para provocar celeridade nos estudos científicos, mas de repente estávamos com 700 projetos para analisar, e aí a situação ficou complicada — admite Jorge Venâncio, coordenador da Conep. — No começo, tínhamos apenas uma câmara técnica fazendo as análises sobre a Covid-19. Depois, aumentamos para quatro, mas não havia jeito. O volume continuava muito maior do que nossa capacidade individual. Esperança: Soro produzido a partir do plasma com anticorpos de cavalos pode ajudar no combate à Covid-19 Desde o início da pandemia, a Conep aprovou 347 pesquisas sobre a Covid-19. Cerca de 85 aguardam seu parecer. Aproximadamente 30 estão voltadas à área biomédica. — Estamos recuperando terreno (em relação ao ritmo de trabalho inicial). Hoje, demoramos entre 48 e 72 horas para cumprir a análise de cada projeto — explica Venâncio. Os dados, porém, são contestados pela Aliança Pesquisa Clínica Brasil (APCB), órgão que idealizou recentemente um abaixo-assinado contra a burocracia da Conep. A APCB reconhece que a força de trabalho da Conep contra o coronavírus teve bons resultados iniciais, mas, segundo ela, o ritmo arrefeceu significativamente. Agora, segundo a entidade, alguns grupos demoram entre um a dois meses até ganhar o aval para conduzir seus estudos. Elogio: 'Cientistas brasileiros têm produzido conhecimento crucial', diz presidente da Academia Brasileira de Ciências sobre coronavírus O oncologista Fábio Frank, presidente da APCB, avalia que a burocracia governamental é a principal responsável pela dificuldade de inclusão de cientistas do país em pesquisas internacionais sobre o coronavírus. — A análise ética dos estudos é lenta e, por isso, os cientistas brasileiros não conseguem estabelecer prazos para entrega de suas pesquisas. Por isso, não somos convidados por grupos de trabalho estrangeiros para participar, por exemplo, do desenvolvimento de medicamentos experimentais — explica. — Trata-se de mais um revés ao país, que já está com a imagem desgastada no exterior quando o assunto é o coronavírus. Frank destaca que a Conep é composta por apenas 35 integrantes, e que precisa avaliar todas as pesquisas clínicas com participação de seres humanos, e não apenas as relacionadas à Covid-19. Portanto, as “incontáveis pendências e exigências”, como destaca no abaixo-assinado, são cotidianas há anos no conselho. Pesquisa: Pandemia do coronavírus faz crescer confiança na Ciência, indica estudo no início do mês, 185 protocolos de pesquisa relacionados ao coronavírus aguardavam emendas e notificações no Conep. Venâncio revela que alguns estudos tiveram de ser analisados mais de quatro vezes, devido a problemas como a falta de esclarecimentos ou a necessidade de atualizações. — Há situações como projetos aprovados e que, depois, encaminham alguma emenda. Ou, então, da morte de um pesquisador envolvido no trabalho, e aí nós precisamos fazer pareceres — explica. Os pesquisadores clínicos reivindicam que o trabalho da Conep seja descentralizado. Desta forma, os CEPs seriam os responsáveis por toda a análise ética de uma pesquisa científica, incluindo a de estudos que poderiam colaborar para a geração de novos fármacos. Este é o modelo adotado em diversos países desenvolvidos, como os Estados Unidos. Entre os defensores da mudança dos conselhos de ética está Luis Augusto Russo, pesquisador clínico da Academia Nacional de Ciências Farmacêuticas: — Temos instituições de excelência como a Fiocruz e hospitais de primeira linha, como o Samaritano, o Sírio-Libanês e o Albert Einstein, todos com bons comitês de ética. Eles podem analisar este aspecto de suas pesquisas e, depois, encaminhar os resultados à Agência Nacional de Vigilância Sanitária, o órgão responsável pela parte técnica do estudo científico. Se os resultados forem positivos, teríamos um caminho para a criação de um novo medicamento. Sinal animador: Resultados de testes iniciais em humanos indicam que vacina contra Covid-19 é segura os cientistas indicam, também, que a Conep não pode ser ágil apenas em pesquisas relacionadas à Covid-19. Segundo seus críticos, o colegiado demora até oito meses para concluir análises éticas sobre pesquisas de outros assuntos. Nos Estados Unidos e na Europa, este trabalho é concluído em 45 a 60 dias. A Conep rebate a acusação, assegurando que realiza toda a sua atividade em apenas 25 dias, desde que os cientistas apresentem todo o detalhamento necessário de seus protocolos. De acordo com a APCB, o Brasil participa de menos de 2% dos estudos clínicos. Sem a burocracia envolvida na análise ética das pesquisas, este índice poderia quadruplicar. — Usamos medicamentos importados dos Estados Unidos e da Europa, desenvolvidos através de estudos de uma população diferente da nossa, que é miscigenada. Então, um remédio testado aqui pode não ter a mesma taxa de sucesso entre pacientes do que a vista em seu país de origem — explica Frank. — Se o Brasil participasse mais da produção científica internacional, teria chance de conhecer melhor as características genéticas de sua própria população. Receba a newsletter do Extra Raio-x do coronavírus Cadastrar