Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus:

CORREIO DO ESTADO/CAMPO GRANDE | Outros
Data Veiculação: 27/05/2020 às 03h00

Hospital gasta R$ 1 milhão por mês com servidores cedidos DENÚNCIA. Referência para tratar pacientes com coronavírus em MS, o Hospital Regional banca salários de médicos, enfermeiros e técnicos em outros setores da administração estadual O Ministério Público foi à Justiça para que servidores que deveriam estar na linha de frente no combate à Covid-19 voltem a trabalhar no Hospital Regional. I lá funcionários não só em outras repartições da Saúde, mas também na Secretaria de Administração e na de Segurança Pública. 111 "EMPRESTADOS" Ação ajuizada pelo Ministério Público Estadual, que contou com relatórios do Tribunal de Contas e auditoria independente, aponta que o Hospital Regional tem 119 servidores cedidos a prefeituras e outros órgãos da administração estadual. Deste total, 111 - entre eles 26 médicos - têm seus salários bancados pelo hospital. CAMPO GRANDE. Maioria dos leitos para pacientes com Covid-19 está instalada no Hospital Regional de MS ÁLVARO REZENDE pAg. 7 Hospital gasta R$ 1 milhão por mês com servidores cedidos Referência no tratamento de pacientes com Covid-19 em MS, Hospital Regional banca salários de médicos, enfermeiros e outros profissionais da saúde em prefeituras e até na Secretaria de Segurança Pública PANDEMIA Referência em Mato Grosso do Sul para o tratamento de pacientes com Covid-19, doença causada pelo coronavírus, o Hospital Regional, em Campo Grande, gasta RS 1,04 milhão por mês com o pagamento de salários de 111 funcionários cedidos a outros órgãos da administração pública estadual. O caso é tratado na 1 • Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos da Capital, em ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul (MPMS) no mês passado, que solicita o retorno urgente destes profissionais ao hospital. Os servidores cedidos não atuam somente em outras divisões da Secretaria Estadual de Saúde, mas em outros órgãos da administração pública, como a Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), Secretaria Estadual de Administração e Desburocratização (SAD), Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), Agência Estadual de Previdência (Ageprev) e para várias prefeituras dos municípios. A Fundação Estadual de Saúde, responsável pela administração do Hospital Regional, e a Secretaria Estadual de Saúde, ambas por meio da Procuradoria-Geral do Estado, já se manifestam no processo. Elas alegam que é quase impossível devolver esses servidores ao Hospital Regional, por muitos trabalharem em serviços que poderiam ser interrompidos caso saíssem, como a rede Hemosul, o Laboratório Central (Lacen), o Centro de Informação e Vigilância em Saúde (Cievs), a Coordenadoria Estadual de Vigilância Epidemiológica, entre outros. Por isso, dos 119 servidores do Hospital Regional, cedidos a outros órgãos, somente quatro (um da secretaria de Saúde e outros três da UEMS) voltaram para o hospital. A Procuradoria-Geral do Estado, na defesa dos órgãos governamentais, não informou se os servidores do Hospital Regional cedidos a prefeituras c outros órgãos, como Segurança Pública e Administração, são igualmente essenciais, mas ressaltou que neste ano abriu processo seletivo para contratar 183 novos funcionários para o Hospital Regional, entre médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem. Esses novos profissionais foram - ou estão sendo - contratados temporariamente, para atender ao aumento da demanda de pacientes no hospital por causa da pandemia de Covid-19. Na mesma ação civil pública, assinada pelo promotor de Justiça Marcos Alex Vera de Oliveira no mês passado, também é revelado um déficit de R$ 3 milhões nas contas do hospital. “Nesse sentido, torna-se ainda mais severa a manutenção da cedência de servidores do IIRMS a outros órgãos da Administração Pública (muitos dos quais estão afastados da atividade-fim), que, a despeito de incrementar o déficit financeiro do hospital, acaba por contribuir para a deficiência na prestação dos serviços de saúde ainda mais sobrecarregados com a demanda decorrente da Covid-19", argumenta o promotor de Justiça. Na ação, ajuizada no início do mês passado, embora o promotor de Justiça Marcos Alex Vera peça o retorno imediato dos servidores ao hospital por meio de liminar e o governo justifique a manutenção dos funcionários no hospital em que estão, os pedidos de tutela de urgência ainda não foram apreciados. EM FALTA Em depoimento prestado ao Ministério Público e anexado à ação, a diretora do Hospital Regional, Rosana Leite Melo, comentou o impacto da cedência de alguns servidores. Ao comentar que a farmácia do hospital teve de ser fechada no período noturno, ela destacou: "estamos em fiscalização por falta de farmacêuticos. Estamos tentando equacionar isso com a Secretaria (de Saúde]". Auditoria feita no ano passado pelo Hospital Sírio-Libanês no Hospital Regional detalhou a função dos servidores cedidos: são 26 médicos, 18 auxiliares de enfermagem, 16 auxiliares de serviços hospitalares, 13 agentes de serviços hospitalares, 9 farmacêuticos, 6 enfermeiros, 6 gestores de serviços hospitalares, 3 técnicos de enfermagem, 2 técnicos de laboratório, 3 nutricionistas, 2 terapeutas ocupacionais e 2 assistentes sociais. No ano passado, logo após a auditoria feita pelo Hospital Sírio-Libanês, a administração estadual admitiu que pretendia mudar a gestão do Hospital Regional. Uma das alternativas seria entregá-lo a uma organização social de saúde (OSS). 119 "EMPRÉSTIMOS" No mês passado, o Hospital Regional de Mato Grosso do Sul tinha 119 servidores "emprestados" a outros órgãos públicos. Destes, 111 têm seus salários pagos pelo hospital. Só quatro deles voltaram para a instituição. FORA DA LINHA DE FREIVTE Servidores do Hospital Regional cedidos a outros órgãos públicos 26 médicos; 18 auxiliares de enfermagem; 16 auxiliares de serviços hospitalares; 13 agentes de serviços hospitalares; 9 farmacêuticos, 6 enfermeiros; 6 gestores de serviços hospitalares; 3 técnicos de enfermagem; 3 nutricionistas; 2 terapeutas ocupacionais; 2 assistentes sociais; 2 técnicos de laboratório; 19 de outras funções. Fonte: Auditoria do Hospital Sírio-Libanês. AlVAROREZtNOE CAMPO GRANDE. Hospital Regional é referência para tratar pacientes com Covid-19 no Estado EDUARDO MIRANDA

VEJA.COM/SÃO PAULO
Data Veiculação: 27/05/2020 às 10h53

A Covid-19 é uma doença sistêmica, ou seja, afeta várias partes do corpo. Entretanto, sua ação inicial e principal é nos pulmões. Em muitos pacientes, o vírus danifica o órgão de um jeito nunca visto pelos médicos e a pessoa não consegue respirar sozinha. É nessa fase que entram os equipamentos de suporte, como a cânula de oxigênio e o respirador. O problema é que o ventilador mecânico apenas ajuda o paciente a respirar ao facilitar a entrada de oxigênio até os pulmões e a retirada do gás carbônico na expiração. Mas, em alguns casos, os alvéolos – pequenos sacos de ar responsáveis pela troca gasosa que oxigena o sangue -, estão tão afetados que nem o ventilador mecânico é suficiente. Nesses casos, há um último recurso: o ECMO, sigla em inglês para o procedimento chamado oxigenação por membrana extracorpórea. “Esse procedimento é usado em casos extremos, quando o doente não respondeu a nenhum recurso disponível anteriormente e esse é um dos últimos ou o último para mante-lo vivo. Ele não é a cura, mas ajuda a manter a pessoa viva até que a doença passe”, explica o cirurgião cardíaco pediátrico do Incor Luiz Fernando Caneo, ex-presidente da Organização para Suporte Vital Extracorpóreo (Elso, na sigla em inglês) latino-americana , responsável por interligar centros que oferecem o ECMO na América Latina. O equipamento pode exercer simultaneamente a função do pulmão e do coração em pacientes em que um desses órgãos ou ambos – perdeu temporariamente a capacidade de realizar estas funções. “O equipamento tem uma bomba, que faz a vez do coração e um oxigenador que faz a vez do pulmão.”, Caneo. Essa tecnologia já era usada em serviços de saúde de referência pelo Brasil e pelo mundo, mas era usado em situações específicas, como em cirurgias cardíacas, operações de grande porte ou durante transplantes de pulmão e coração. Agora, o equipamento ganhou nova importância e está sendo usado com frequência em pacientes com Covid-19 em serviços como o Hospital Albert Einstein, o Hospital Sírio-Libanês e o Hospital das Clínicas. Estima-se que cerca de 50 pacientes com Covid-19 tenham sido submetidos ao procedimento em todo o Brasil. O Hospital Israelita Albert Einstein, responsável pelo diagnóstico do primeiro caso brasileiro do novo coronavírus no Brasil em fevereiro e referência no tratamento da Covid-19 no país, adquiriu recentemente mais três equipamentos de ECMO. “São equipamentos de alta tecnologia e de grande complexidade. […] Estes não estão presentes em todas as UTIs — nem do mundo, nem do nosso país. Já tínhamos algo semelhante, mas agora estamos ainda mais preparados para poder oferecer aos pacientes mais graves pela Covid-19 ou por outra doença que deteriore o pulmão uma chance maior de recuperação”, explica Sidney Klajner, presidente da instituição. Como funciona Praticamente, é como se a máquina “respirasse” pelo paciente. Ela drena o sangue de uma veia, remove o dióxido de carbono, acrescenta oxigênio, aquece o sangue e depois retorna o sangue para uma artéria. Ao oxigenar o sangue externamente, a máquina permite que o pulmão se recupere e o paciente tenha possibilidade de melhora. “O ventilador mecânico não substitui a função do pulmão do paciente, ele só fornece um fluxo de ar para o interior dos pulmões. Já este equipamento funciona como um pulmão adicional”, explica Celso Freitas, diretor médico da LivaNova, empresa global de tecnologia médica, que forneceu os novos equipamentos ao Hospital Albert Einstein. Tão importante quanto o equipamento, é o treinamento dos profissionais de saúde em sua utilização. É necessário um cirurgião para inserir os dispositivos nos pacientes, uma equipe clínica altamente treinada para operar a máquina e equipe de suporte para monitorar o paciente o tempo todo. “O maior problema hoje é a demanda aumentada por esses dispositivos e o treinamento das equipes multiprofissionais para usarem essa tecnologia. Isso não é uma coisa que pode ser feita da noite para o dia, tão pouco por centros que não se prepararam para oferecer esse tratamento antes da pandemia”, afirma Caneo. Por ser um procedimento complexo e invasivo, sua principal indicação é para pacientes jovens, com lesão pulmonar grave. E é um tratamento longo. Os pacientes costumam ficar pelo menos 15 dias nesse suporte. “A ECMO ocupa hoje um importante papel no aumento da sobrevida dos pacientes. Em todas as pandemias anteriores, a ECMO surgiu como apoio para pacientes com insuficiência respiratória aguda grave. Na pandemia de H1N1, por exemplo, hospitais que ofereceram ECMO ao paciente tiveram maior taxa de recuperação do que aqueles sem essa tecnologia.”, diz o cirurgião cardíaco.

365 NEWS
Data Veiculação: 27/05/2020 às 11h31

Para examinar os resultados dos testes RT-PCR que diagnosticam a Covid-19, além de orientar as pessoas e monitorar os pacientes que estão com a doença causada pelo Coronavírus, a Secretaria de Saúde (SMS) de Aparecida de Goiânia implantou a Sala de Situação e a Central de Monitoramento de Telemedicina. Por telefone, as equipes dos dois serviços informam resultados e avaliam diariamente os pacientes positivos. Sob a coordenação dos médicos Murillo Moraes e Fernando Evangelista e da enfermeira Érika Lopes, a Sala e a Central estão localizadas num mesmo recinto na sede da SMS (Centro) e funcionam todos os dias da semana das 7h às 19h. Os serviços são desempenhados por 70 estudantes de Medicina (divididos em grupos de 5 por turno) e 3 médicas habilitados para analisar os exames coletados nas UPAs da cidade e no drive-thru. O coordenador Murillo Moraes informa que toda manhã os exames liberados são impressos na Sala de Situação, analisados pelos profissionais e separados em negativos e positivos. A partir daí, os negativos são encaminhados para os estudantes de Medicina, trabalhadores voluntários que, sob a supervisão de um coordenador, entram em contato com as pessoas testadas e informam os resultados dos exames. Desde a sua implantação, a Sala de Situação já analisou mais de 4 mil exames com média de 100 análises diárias. Acompanhamento dos pacientes positivos já os resultados positivos vão para a equipe da Central de Telemedicina, composta atualmente por 3 médicas. Até o fim da semana, mais uma profissional se juntará à equipe. Elas ligam para os testados, informam os resultados e fazem consultas via telefone analisando os pacientes, dando orientações essenciais e providenciando os atestados necessários. “As médicas da Central ligam todo dia para cada um dos pacientes com Covid-19 em Aparecida de Goiânia, e, nesse acompanhamento, se elas percebem qualquer indício de agravamento da doença, encaminham o paciente para uma unidade de Urgência na qual será verificada a eventual necessidade de internação”, esclarece o coordenador Murillo Moraes. O secretário de Saúde Alessandro Magalhães, que também preside o Comitê de Prevenção e Enfrentamento ao Covid-19 em Aparecida, ressalta que as equipes da Sala e da Central têm papel fundamental no combate ao Coronavírus porque falam diretamente com os pacientes e seus familiares ou responsáveis: “É um contato muito próximo, mesmo quem testou negativo recebe orientações para proteger a si mesmo e a comunidade e quem está positivo sabe que não está sozinho e que pode conversar diretamente com um profissional da Medicina. É uma segurança a mais para o paciente, que se sente amparado, além de ser uma ação indispensável de Vigilância em Saúde”. Esforço conjunto contra a pandemia Alessandro Magalhães frisa que, se houver aumento da demanda, a SMS destacará mais profissionais para a Sala e a Central, que já contam com o apoio que a equipe do Agendamento Municipal de Consultas, o 0800-646-1590, tem dado na orientação à população. “Graças ao empenho do prefeito Gustavo Mendanha e de toda a Prefeitura, temos enfrentado essa pandemia evoluindo sempre: 123 leitos de UTIs e semi-UTIs foram implantados, equipamentos foram adquiridos, foi ampliada a testagem da população para cerca de 300 exames diariamente e 1.200 testes rápidos domiciliares quinzenais, bem como foi selada parceria com o Hospital Sírio-Libanês para tratamento orientado à distância para os pacientes com Covid-19 das UTIs do HMAP. A Sala de Situação e a Central de Monitoramento de Telemedicina são realizações indispensáveis desse esforço conjunto e vamos aperfeiçoar ao máximo todas as iniciativas para proteger e salvar vidas.” Fonte: Polliana Martins

FOLHA VITÓRIA/VITÓRIA
Data Veiculação: 27/05/2020 às 13h56

Lançado em 13 de abril deste ano, o Todos pela Saúde, que é uma iniciativa lançada pelo Itaú Unibanco para enfrentar o novo coronavírus e seus efeitos sobre a sociedade brasileira, acaba de doar mais de 520 mil equipamentos de proteção individual (EPIs) ao Espírito Santo. Entre os itens enviados com o objetivo de proteger os profissionais que atuam na saúde pública, estão: · 275 mil máscaras cirúrgicas · 9 mil máscaras N95 · 31 mil pares de luvas · 3,5 mil óculos de proteção · 206 mil aventais A necessidade de equipamentos de proteção individual (EPIs) foi apontada como uma das mais urgentes pelos 27 secretários de saúde que participaram da reunião promovida pelo Todos pela Saúde, em abril. De acordo com Sidney Klajner, presidente do Hospital Albert Einstein, grande parte do problema de atendimento à pandemia, como já demonstrado na Europa, é a falta da proteção individual para equipes de saúde. "Se contaminados, esses profissionais são afastados, prejudicando o atendimento à população." Klajner lembra que, dentre esses profissionais, muitos que fazem parte do grupo de risco são recrutados para o atendimento na pandemia, especialmente onde a mão de obra em saúde muitas vezes é escassa. "É fundamental proteger quem cuida. Eu cuido de quem está cuidando e, assim, asseguramos a saúde de toda a população." Todos pela Saúde O Todos pela Saúde teve um aporte inicial de R$ 1 bilhão, realizado pelo Itaú Unibanco. Com recursos administrados por um grupo de especialistas da área da saúde e ações estratégicas baseadas em premissas técnicas e científicas, a iniciativa se guia por quatro pilares de atuação: informar, proteger, cuidar e retomar. O Todos pela Saúde é liderado por Paulo Chapchap, diretor-geral do Hospital Sírio Libanês, e conta também com a participação de Drauzio Varella, médico, cientista e escritor; Gonzalo Vecina Neto, ex-presidente da Anvisa; Maurício Ceschin, ex-diretor-presidente da Agência Nacional de Saúde; Eugênio Vilaça Mendes, consultor do Conselho dos Secretários de Saúde; Sidney Klajner, presidente do Hospital Albert Einstein; e Pedro Barbosa, presidente do Instituto de Biologia Molecular do Paraná, instituição ligada à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Canais online Todos pela Saúde - Site: www.todospelasaude.org - Facebook: www.facebook.com/todospelasaude - YouTube: www.youtube.com/channel/UC0rR0Ihzc3l0uq_r52RnwYw - Twitter: http://twitter.com/todospelasaude - Instagram: @todospelasaude.

FOLHA DE S.PAULO ONLINE/SÃO PAULO
Data Veiculação: 27/05/2020 às 15h22

Para contribuir com o maior movimento social empresarial de combate à Covid-19, a Alpargatas doará R$ 5 milhões e 1 milhão de máscaras de tecido para a campanha Todos pela Saúde. Criada pelo Itaú Unibanco, a iniciativa tem quatro eixos de atuação junto à sociedade: informar, proteger, cuidar e retomar. Recém-integrada à lista de empresas que compõem a ação, a Alpargatas atua desde o início da pandemia com foco voltado à saúde e às comunidades vulneráveis. Já foram anunciadas pela empresa de calçados doações de 1,3 milhão de máscaras de uso hospitalar, 250 mil pares de calçados Havaianas para comunidades assistidas pelo Instituto Alpargatas e 500 mil itens de cesta básica para famílias vulneráveis. Se somadas, as diversas iniciativas da empresa beneficiam a sociedade em mais de R$ 40 milhões. “Nossa visão é que o caminho para superar essa crise humanitária é trabalhando de forma organizada, unindo esforços com outras empresas, representantes de comunidades, entidades de ajuda", afirma Roberto Funari, CEO da Alpargatas. "Acreditamos que com empatia e solidariedade somos mais fortes para combater o coronavírus e seus efeitos." A distribuição das máscaras e os recursos aportados no Todos pela Saúde serão administrados por um grupo de especialistas liderado pelo médico Paulo Chapchap, doutor em clínica cirúrgica pela Universidade de São Paulo e diretor-geral do Hospital Sírio Libanês. Essa equipe define as ações a serem financiadas, de forma que as decisões estratégicas sejam respaldadas por premissas técnicas e científicas. Além de Chapchap, integram o grupo o médico e escritor Drauzio Varella, o ex-presidente da Anvisa Gonzalo Vecina Neto, o ex-diretor-presidente da Agência Nacional de Saúde (ANS) Maurício Ceschin, o consultor do Conselho dos Secretários de Saúde (CONASS) Eugênio Vilaça Mendes, o presidente do Hospital Albert Einstein, Sidney Klajner, e o presidente do Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP), instituição ligada à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Pedro Barbosa.

FOLHA DE S.PAULO ONLINE/SÃO PAULO
Data Veiculação: 27/05/2020 às 18h16

O entusiasmo de alguns médicos e de parte da população brasileira com o uso de fármacos sem utilidade comprovada contra o novo coronavírus deixou claro que ainda falta muito para que a chamada medicina baseada em evidências se consolide no país. Essa abordagem, que busca usar os melhores dados científicos disponíveis para embasar as decisões sobre o tratamento de cada paciente, tem ficado de lado quando profissionais e gestores de saúde optam pelo emprego de medicamentos como a hidroxicloroquina ou a ivermectina, cuja eficácia e segurança ainda não foram demonstradas. “Em vez de medicina baseada em evidências, vemos alguns praticando medicina baseada em impressões”, diz a bióloga Natalia Pasternak, presidente do Instituto Questão de Ciência (associação dedicada à defesa de políticas públicas embasadas em dados científicos). “Parece que a gente está fracassando na tentativa de ensinar método científico nos cursos de medicina, enfermagem e outros da área de saúde.” Embora tentativas de testar tratamentos cientificamente tenham ocorrido desde os séculos 17 e 18, a proposta de sistematizar esses testes como um guia para a prática médica é bastante recente, remontando aos anos 1980 e 1990, quando o termo “medicina baseada em evidências” foi empregado pela primeira vez por pesquisadores como Gordon Guyatt, da Universidade McMaster (Canadá). A intenção era aumentar a objetividade das decisões clínicas com base no conhecimento obtido, por exemplo, em múltiplos estudos com grande número de pacientes para recomendar ou não determinada terapia. Para reforçar a confiabilidade dessas recomendações, tais estudos deveriam aderir a padrões como a existência de grupos-controle (ou seja, a divisão dos pacientes estudados em pelo menos dois grupos, um dos quais recebia o tratamento sendo testado, enquanto o outro recebia um tratamento padrão já usado antes ou uma substância inócua, por exemplo) e a chamada randomização (alocando os pacientes aos diferentes grupos de modo aleatório). Tais abordagens são necessárias para diminuir os diferentes vieses que surgem naturalmente durante a observação de um tratamento. Muitos problemas de saúde, por exemplo, acabam melhorando graças ao próprio organismo dos pacientes, mas a inexistência de um grupo-controle poderia levar os médicos a assumir erroneamente que o tratamento foi o responsável pela melhora. No Brasil, ainda são raros os cursos de formação de profissionais de saúde que incluem em seu currículo disciplinas especificamente dedicadas a ensinar esses conceitos. “No caso das faculdades de medicina, muitas vezes há apenas um módulo sobre o tema na disciplina de epidemiologia, por exemplo”, diz a reumatologista Rachel Riera, do Hospital Sírio-Libanês e da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), onde ministra justamente uma dessas raras disciplinas. “Existem também muitos cursos esporádicos e outros de pós-graduação, que têm crescido.” Para Riera, a medicina baseada em evidências não é oposta à experiência pessoal de cada médico ao lidar com seus pacientes no cotidiano, mas ajuda a evitar que certos tratamentos continuem a ser usados de forma acrítica apenas por hábito, sem que tragam benefícios reais para o tratamento. Ela cita o exemplo dos pacientes com queimaduras graves, os quais, em geral, podem morrer por duas causas: infecções nas feridas ou choque hipovolêmico (forte diminuição do volume do sangue). Durante muitos anos, um dos tratamentos prescritos para enfrentar o choque hipovolêmico foi o uso da proteína albumina no soro desses pacientes, para aumentar a pressão sanguínea. “Era algo que parecia fazer sentido, mas estava baseado em estudos observacionais de pequena escala”, explica a médica. Dados mais amplos, sob condições mais controladas, revelaram que, além de ser mais caro, o procedimento com albumina levava a mais mortes do que o simples uso de soro fisiológico. “É claro que existe uma grande lacuna, muitas vezes, entre o que seria a melhor solução possível e o contexto de cada profissional de saúde e cada paciente. Tratar um infarto agudo do miocárdio nunca vai ser a mesma coisa num hospital de uma grande cidade e numa comunidade ribeirinha da Amazônia”, pondera ela. “Não adianta só focar nos resultados de grandes estudos se você não leva isso em conta.” Riera diz ainda que nenhuma situação recente pode ser comparada à pandemia de Covid-19, quando se considera a necessidade de aprender com grande rapidez maneiras de enfrentar uma nova doença. Para os especialistas, entretanto, o ineditismo do desafio não significa que qualquer recomendação de tratamento é igualmente válida. “Existe uma diferença brutal entre a posição individual de cientistas e médicos, que é legítima, e o que é consenso sobre uma determinada questão”, explica o bioquímico Hernan Chaimovich Guralnik, do Instituto de Química da USP. Ele compara o debate sobre tratamentos não comprovados contra a Covid-19 à questão da mudança climática. “A opinião individual de um pesquisador pode até ser respeitável na sua área do conhecimento, mas o IPCC [painel da ONU sobre o clima] tenta se guiar por um consenso mundial ao analisar o tema. É claro que os consensos também podem mudar, mas isso só acontece quando uma grande quantidade de novas evidências contraria um consenso vigente.” Natalia Pasternak lembra que a chancela do SUS (Sistema Único de Saúde) ao emprego de dezenas de práticas alternativas de saúde sem comprovação científica, como a homeopatia, é outro indício de como o debate sobre medicina baseada em evidências ainda engatinha no Brasil. “Essa falta de racionalidade já estava chancelada, no fundo, mas ela nunca tinha tido afetado tão profundamente um contexto de emergência quanto agora.” “Os seres humanos são irracionais por natureza, o que significa que entender comportamentos irracionais não é difícil”, disse Gordon Guyatt à Folha. “Mas, se era para escolher uma droga não testada para usar, as evidências sugeririam que várias outras são uma aposta melhor que a hidroxicloroquina.”

CANALTECH
Data Veiculação: 27/05/2020 às 18h35

Na quarta-feira passada (20), o Ministério da Saúde divulgou um novo protocolo para o uso da cloroquina e da hidroxicloroquina, associadas ao antibiótico azitromicina, no tratamento da infecção causada pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2). A orientação amplia o uso dos medicamentos também para os casos mais leves e até mesmo moderados da COVID-19 no Sistema Único de Saúde (SUS), sem necessidade de internação. Já nesta quarta (27), alguns hospitais brasileiros estão quebrando esse protocolo, para justamente descartar o uso da hidroxicloroquina, uma vez sem resultados. OMS interrompe testes com hidroxicloroquina por razões de segurança Estudo com hidroxicloroquina é investigado por autoridades no Brasil COVID-19 no Brasil: o que muda após liberação de cloroquina e hidroxicloroquina? Acontece que uma pesquisa sobre a hidroxicloroquina publicada na revista científica Lancet apontou que a droga não apenas deixa a desejar em relação a benefícios, como também traz riscos cardíacos aos pacientes. De acordo com a pesquisa, realizada com base em 96 mil pacientes de hospitais do mundo todo, foi constatado que a cloroquina, seja associada a antibióticos ou não, apresenta uma taxa de mortalidade consideravelmente maior em relação aos pacientes que não fizeram seu uso. Isso inclusive motivou a Organização Mundial de Saúde (OMS) a suspender os testes com a cloroquina por conta dos riscos. Hospitais brasileiros deixam de usar cloroquina para tratar COVID-19 Segundo o UOL, algumas unidades de saúde chegaram a usar a cloroquina, mas retiraram pouco tempo depois. No Hospital dos Servidores do Estado, de Recife, a medicação chegou a ser usada nos primeiros pacientes, mas pela ausência de benefício, no dia 29 de março o remédio foi retirado do protocolo. Em Floriano, no Piauí, também mudaram o protocolo durante o curso da pandemia. Outros hospitais afirmam ter como guia estudos que apontaram a ineficácia da droga. O UOL conta que outros três médicos consultados declararam não terem visto resultados positivos no tratamento feito com cloroquina e pediram para não serem identificados. França proíbe o uso da cloroquina no tratamento de pacientes com COVID-19 O Hospital Universitário Oswaldo Cruz de Recife também anunciou que vai paralisar os estudos. A prefeitura de Recife, com base no estudo publicado pela revista médica The Lancet, vai retirar os medicamentos do protocolo de medicações para uso hospitalar. Por sua vez, em São Paulo, os hospitais Sírio Libanês e Albert Einstein não chegaram a colocar o uso da cloroquina em seus protocolos e só usam a medicação em estudos clínicos.

EXPRESSO CNN/CNN BRASIL/SÃO PAULO
Data Veiculação: 27/05/2020 às 18h48

 

CNN BRASIL ONLINE
Data Veiculação: 27/05/2020 às 19h49

N140 shoppings de SP estão prontos para reabrir e só esperam prefeituras Governo paulista anunciou que parte das cidades do estado poderá reabrir o comércio a partir de 1º de junho; por ora, decisão contempla shoppings de 40 cidades 27 de Maio de 2020 às 19:49 Compartilhar 16.mar.2020 - Shopping Light, no centro de São Paulo. Consumo foi afetado pelo coronavírus Foto: JOÃO ALVAREZ/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO O governo do Estado de São Paulo anunciou que uma parte das cidades paulistas poderá reabrir o comércio a partir da segunda-feira, 1º de junho. A decisão autoriza, por enquanto, o funcionamento de shoppings centers em cerca de 40 cidades paulistas, onde há 140 empreendimentos, sendo 54 só na cidade de São Paulo. Esses shoppings já estão prontos para reabrir as portas, mas a decisão depende de cada prefeitura. Reabertos em algumas regiões do Brasil, os empreendimentos estão bem diferentes, com até 30% das lojas fechadas, sem atrações de lazer e com consumidor gastando pouco tempo dentro de cada shoppings. No caso da capital paulista, o setor de shoppings já apresentou à prefeitura um protocolo para a reabertura desenhado por especialistas em parceria com o Hospital Sírio Libanês e, agora, as empresas esperam decisão da prefeitura. O presidente da Associação Brasileira de Shoppings Centers (Abrasce), Glauco Humai, disse que recebeu de forma “muito positiva” a decisão tomada pelo governador de São Paulo, João Doria, de reabrir a economia paulista gradualmente. Normalmente, a reabertura acontece com horários reduzidos e sem o funcionamento de áreas de lazer e alimentação – que inicialmente só trabalham com entregas.Atualmente, há 155 shoppings de portas abertas no Brasil, principalmente no interior. A reabertura, porém, não acontece a todo vapor. “Nos que reabriram, pouco mais de 70% das lojas estão abertas”. O restante dos lojistas preferiu temporariamente não abrir – como grandes nomes como o Magazine Luiza –, uma parte ainda não conseguiu porque faltam funcionários ou estoque e, por fim, uma parte dos comerciantes quebrou desde o início da pandemia. “Mas é uma pequena parcela desses que não voltaram”, diz o presidente da Abrasce. O consumidor também volta diferente. “Passou a ser um consumidor muito mais assertivo. Se antes da pandemia o consumidor médio costumava gastar, na média, 76 minutos por visita no shopping, os empreendimentos que reabriram observam média de apenas 25 minutos por visita. “É um consumidor mais direto, que vai diretamente para a loja”. Atualmente, o movimento de pessoas está em torno de 50% do considerado normal e o volume de vendas está entre 40% e 50%”, disse Humai. Em cidades em que a reabertura já ocorreu há mais tempo, como Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, o fluxo já está perto de 75% do considerado normal e as vendas alcançam 65%.

FOLHA DE S.PAULO ONLINE/SÃO PAULO
Data Veiculação: 27/05/2020 às 20h01

O início da retomada das atividades econômicas no estado de São Paulo pode dar certo, mas a decisão pode ter sido anunciada de forma precoce, na opinião de profissionais da epidemiologia e da infectologia. “O que você pode dizer é que estamos atrasados [no combate à pandemia] em relação ao resto do mundo, mas discutindo abertura ao mesmo tempo. Pode ser cedo demais, ainda não chegamos ao pico [de casos]”, analisa Gladys Prado, infectologista do corpo clínico do Sírio-Libanês. Nesta quarta-feira (27), o governador João Doria anunciou que a partir do dia 1º de junho entra em ação um plano para possibilitar o retorno das atividades econômicas, desde que as regiões tenham índices de combate à pandemia do coronavírus que o permitam. Cabe aos prefeitos dentro de cada uma das regiões decidir, por meio de decreto, reabrir suas respectivas economias segundo o plano de progressão do estado. Para isso, os municípios devem aderir aos protocolos de testagem e apresentar fundamentação científica para justificar a decisão. Para Prado, o governo acerta ao fazer com que não seja um plano de simples abertura, tendo criado gatilhos e metas que cada região precisa atingir antes de começar, gradualmente, a retomar sua economia. Paulo Lotufo, epidemiologista e professor da Medicina da USP, entende que não era hora de se falar em afrouxamento da quarentena, uma vez que a tendência ainda não é de queda de novos casos de coronavírus em São Paulo, por exemplo. “Estou achando uma coisa de muito risco, você pode ter até o dobro de mortes, casos ou internações de uma semana para outra”, explica, apontando para os indicadores criados pelo governo. Segundo o plano divulgado nesta quarta, cada região do estado será categorizada segundo diretrizes de atenção à capacidade do sistema de saúde e da evolução da epidemia. As classificações vão do vermelho (isolamento mais rígido, como é neste momento da quarentena) até azul (quarentena mais branda, com protocolos mínimos de higiene e prevenção). Para atribuir a cor a cada região, o governo levará em conta a ocupação das UTIs, a quantidade de leitos intensivos por 100 mil habitantes e o número de novos casos, internações e mortes dos últimos sete dias dividido pelo mesmo número nos sete dias anteriores. O primeiro estágio de reabertura (laranja) pode se dar desde que se tenha UTIs com entre 70% e 80% de sua taxa de ocupação, entre 3 e 5 leitos disponíveis para cada 100 mil habitantes e que o número de casos, óbitos e internações por Covid-19 nos últimos sete dias seja menor que o dobro do registrado nos sete dias anteriores. Prado entende que os critérios que levam em conta a estrutura de assistência à saúde parecem fazer sentido. No entanto, cita a falta de testes no estado como um obstáculo importante, uma vez que pode não se ter a real noção do número de novos casos de coronavírus por esses simplesmente não estarem sendo diagnosticados. Cada setor da economia também terá protocolos próprios, disponíveis em um portal na internet. Segundo o mapeamento do governo, todas as regiões de São Paulo estão, no momento, entre as bandeiras vermelha e amarela. Em que pese o vírus atingir de forma diferente em cada região do estado, dividir o território na hora de reabrir o comércio pode ser um problema. A infectologista cita o exemplo de Wuhan, epicentro da pandemia na China. Assim que anunciou seu "lockdown", a cidade viu milhares de pessoas se mudarem para outros locais antes de as fronteiras serem fechadas, o que causou enorme propagação do vírus pela região. “Imagina a quantidade de pessoas que trabalham em Osasco, [zona] vermelha [segundo as categorias do governo do estado], que vão trabalhar no comércio em Pinheiros, que vai estar aberto [já que a capital tem bandeira laranja]?”, questiona Lotufo. Ele cita o mesmo problema no interior, onde há forte mobilidade entre municípios. Já na fase laranja, o plano de reabertura prevê a volta, com restrições, do funcionamento de shopping centers, por exemplo. Já espaços públicos, por exemplo, só podem funcionar na última etapa da reabertura. “A ideia mais aceita seria abrir lugares abertos e evitar locais fechados como shoppings. Mesmo que seja um shopping com limite de pessoas. Em princípio, um local fechado teria que ficar por último [na progressão]. Não digo que está errado, mas é discutível”, afirma Prado.

FOLHA DE S.PAULO/SÃO PAULO | COTIDIANO
Data Veiculação: 27/05/2020 às 03h00

0 engenheiro Thierry Cintra Marcondes, 32, teve de se adaptar para entender o que as pessoas falam Marceiojusto/Foihapress Surdos que leem lábios têm dificuldades com máscaras Mesmo aqueles que utilizam a língua de sinais podem enfrentar problemas Matheus Moreira são paulo No caixa de um supermercado, um homem coloca a mão sobre pescoço da mulher que o acompanha. A cena é curiosa, mas já se tornou rotina para o engenheiro civil Thierry Cintra Marcondes, 32, que é surdo e precisa sentir a vibração da fala da esposa para saber que a atendente do mercado, que usa máscara, perguntou se ele desejaria incluir o seu CPF na nota fiscal. Não é novidade que a pandemia do novo coronavírus mudou a rotina de milhares de pessoas. No caso dos surdos, às dificuldades que já existiam antes do coronavírus aparecer se somam novos empecilhos. As máscaras, que se tornaram parte do vestuário, são imprescindíveis para se prevenir contra o novo coronavírus quando não é possível evitar o distanciamento social. Muitos surdos fazem uso da leitura labial para entenderem o que é dito por pessoas que não sabem falar Libras (Língua Brasileira de Sinais). Em dezembro, Thierry concedeu à Folha uma entrevista sobre aparelhos auditivos digitais e, durante todo o tempo que conversou com a reportagem, fez uso da leitura labial. Agora, ele precisa sair de casa acompanhado de sua esposa ou levando papel e caneta no bolso para compreender. “No início da pandemia, eu precisei pedir a uma mulher com quem conversava, e que estava sem caneta, para ela tirar a máscara para que eu pudesse fazer a leitura labial. Agora, eu peço para que as pessoas digitem (no celular) e me mostrem quando querem dizer algo. No mercado, às vezes perguntam um monte de coisas, como se eu faço parte dos clubes de descontos ou se quero CPF na nota. Eu acabo sendo mal-educado, porque não consigo entender”, diz. Mesmo os surdos bilíngues, que falam português e Libras, também podem enfrentar dificuldades. A língua de sinais é normalmente associada ao movimento das mãos, mas as expressões faciais são essenciais para facilitar a comunicação. As expressões faciais transmitem emoções e agem, muitas vezes, como entonação do que está sendo dito. O presidente da ASSP (Associação dos Surdos de São Paulo), Leandro Miguel, explica que, apesar de terem sido noticiadas iniciativas de máscaras com partes transparentes sobre a boca, não há uma preocupação geral quanto à fabricação do produto. Para ele, a pandemia joga luz sobre o caráter invisível da surdez. “Essa dificuldade que temos com a máscara nos afeta de várias maneiras. Numa longa fila de banco, por exemplo, se o agente bancário anunciar que pessoas com um determinado problema estão sendo atenuadas do outro lado, essa informação não chegará para o surdo que está no meio No início da pandemia, eu precisei pedir a uma mulher com quem conversava, e que estava sem caneta, para ela tirar a máscara para que eu pudesse fazer a leitura labial. Agora, eu peço para que as pessoas digitem (no celular) e me mostrem quando querem dizer algo Thierry Cintra Marcondes engenheiro civil da fila e ele esperará mais por causa desta falha de comunicação. Ao ser atendido, mesmo se identificando como surdo, o atendente, por razões óbvias, insiste em não tirar a máscara.” Em Minas Gerais e em São Paulo mães têm à mão máscaras transparentes para seus filhos surdos que fazem leitura labial, mas as medidas são isoladas e individualizadas. A reportagem não encontrou empresas ou ONGs que estejam produzindo e distribuindo esse tipo de máscara. Mas não é só fora de casa que Leandro e Thierry enfrentam problemas. Isso porque, no trabalho, reuniões por vídeo-chamada também dificultam a leitura labial. “Trabalhar o dia inteiro com vídeo-chamada nos traz muitas dificuldades. As imagens embaçam, travam, atrasam, isso nos prejudica, cortando a leitura labial. Além disso, são muitas pessoas falando ao mesmo tempo, o que nos impede de acompanhar tudo que está sendo dito”, afirma Thierry, que diz se sentir privilegiado por ter um aparelho auditivo moderno: “o meu aparelho recebe os sons direto do meu computador via Bluetooth”. Outro problema relatado por Leandro é que não é incomum que em uma reunião haja pessoas que estejam conectadas apenas por áudio, dificultando muito a comunicação com pessoas surdas. Leandro tem uma filha de 5 anos que não é surda. Ele explica que sua filha já entende que o pai apresenta dificuldades para entender quando ela fala por causa da máscara, mas que teme por outras famílias em que crianças menores se sintam desesperadas pela falta de resposta dos pais. O Brasil tem cerca de 10,7 milhões de pessoas com algum grau de deficiência auditiva, segundo dados do Instituto Locomotiva. Cerca de 2,3 milhões têm surdez severa. No dia 30 de abril, a ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, publicou em seu perfil no Facebook uma foto em que aparece usando máscara transparente junto com a primeira-dama Michelle Bolsonaro, e a secretaria nacional dos direitos das pessoas com deficiência, Priscila Gaspar. Procurado, o ministério informou que “a foto não se trata de nenhuma campanha ou medida pública” e que o objetivo da publicação era “conscientizar a sociedade de que existem pessoas surdas que não utilizam Libras e se comunicam fazendo a leitura labial, por isso a necessidade da disponibilização também de máscaras transparentes”. No site do ministério, não indicações sobre o uso de máscaras transparentes e outras orientações nesse sentido. Tire suas dúvidas sobre o corona-vírus A Folha recebe perguntas de leitores pelo e-mail dúvidas corona vírus @grupofolha.com.br GRUPOS VULNERÁVEIS Tenho H PN; se contrair a Covid-19, tenho mais risco de morrer? A HPN (hemoglobinúria paroxística noturna) é uma doença rara, ocasionada por uma mutação das células-tronco da medula óssea, causando anemia hemolítica, má formação das plaquetas e destruição dos glóbulos vermelhos defeituosos, em geral durante a noite, daí o nome. José Roberto Fonseca, cardiologista do Hospital Samaritano Paulista, diz que situações como infecções ou desidratação podem desencadeá-la. Por ter efeito nas plaquetas, a HPN pode trazer maior risco diante da Covid-19, embora sejam escassos estudos avaliando a relação entre as duas doenças. Segundo Fonseca, por ser sistêmica e poder causar trombose, a Covid-19 pode também desencadear uma crise de HPN. Em casos mais graves, a HPN pode levar a lesões nos rins, 0 que agravaria um quadro de Covid-19. CONTÁGIO Se alguém queimar objetos ou papéis contaminados com o vírus, há risco do Sars-CoV-2 ser carregado pela fumaça ou fuligem? 0 cirurgião Ângelo Fernandez, coordenador do Núcleo de Doenças Pulmonares e Torácicas do Hospital Sírio-Libanês, afirma que 0 Sars-CoV-2 não fica presente em fumaças produzidas por queima de objetos, uma vez que ele não resiste a altas temperaturas. A presença do vírus na poluição, no entanto, ainda é investigada. Um estudo, publicado na plataforma medRxiv na forma de pré-print (sem revisão de pares), conduzido por pesquisadores do norte da Itália, encontrou carga viral em partículas de poluição analisadas em laboratório. Os resultados indicam que 0 Sars-CoV-2 forma um aglomerado com partículas encontradas em suspensão no ar, 0 que facilita sua dispersão. Mas os autores concluem que mais pesquisas são necessárias para avaliar 0 potencial infeccioso dessas amostras em partículas do ar em tempo real. Ana Bottallo.

UOL NOTÍCIAS - ÚLTIMAS NOTÍCIAS/SÃO PAULO
Data Veiculação: 27/05/2020 às 04h00

A falta de bons resultados em estudos clínicos e a percepção de que a cloroquina e a hidroxicloroquina não trazem resultados positivos no tratamento contra a covid-19 — e ainda causa efeitos colaterais — levaram hospitais do país a descartar o medicamento de seus protocolos médicos sobre a doença causada pelo novo coronavírus. A decisão desses hospitais contraria o novo protocolo do Ministério da Saúde, que na semana passada expandiu, sem nenhuma comprovação científica, o uso da medicação para pacientes na fase inicial da doença, como defende o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Dois dias depois da decisão do ministério, a maior pesquisa já publicada no mundo sobre a cloroquina apontou que a droga não oferece benefícios e traz riscos cardíacos aos pacientes com covid-19. Com base nesse estudo, a Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciou a suspensão dos testes com a cloroquina por conta dos riscos aos pacientes. Antes mesmo da conclusão de estudos mais aprofundados, médicos e hospitais ouvidos pelo UOL apontaram a ineficácia do remédio e alertaram para os riscos. Algumas unidades de saúde chegaram a inserir a cloroquina no protocolo, mas ela foi retirada pouco tempo depois. Segundo Frederico Jorge Ribeiro, coordenador de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do HSE (Hospital dos Servidores do Estado), no Recife, a medicação chegou a ser usada nos primeiros pacientes. Porém, como não se viu qualquer benefício, no dia 29 de março o remédio foi retirado do protocolo. "Já naquela época não evidenciamos resultados que mostrassem a efetividade da cloroquina no tratamento de pacientes com covid-19. Usamos em alguns pacientes do HSE, com resultados frustrantes. Além disso, a cloroquina tem o potencial de provocar arritmias, que é agravado com o uso concomitante de azitromicina. Por isso, suspendemos o uso", afirma. Em Floriano, no Piauí, o diretor do Hospital Regional Tibério Nunes, Justino Moreira, também já havia anunciado que o protocolo fora alterado durante o curso da pandemia. "Aqui, o protocolo clínico colocava cloroquina na fase dois [do tratamento], mas ela não teve nenhum efeito benéfico." Outros hospitais afirmam ter como guia estudos que apontaram a ineficácia da droga. "Retiramos do nosso protocolo por causa dos inúmeros trabalhos científicos", informa Artur Gomes Neto, diretor médico da Santa Casa de Maceió. Por conta do receio da politização em torno da droga, um hospital preferiu não se posicionar. Outros três médicos consultados pelo UOL declararam não terem visto resultados positivos no tratamento feito com cloroquina e pediram para não serem identificados. Suspensão após decisão da OMS Com o anúncio feito anteontem pela OMS, o Hospital Universitário Oswaldo Cruz do Recife divulgou também que vai paralisar os estudos. "Fomos comunicados por e-mail que a OMS pediu a todos os hospitais que faziam parte do braço que estuda a cloroquina para suspender os estudos. Então não vamos mais utilizar. Quem já está utilizando, segue; mas nenhum paciente novo irá entrar no estudo", explicou chefe do setor de infectologia do hospital, Demetrius Montenegro. Ele cita que o Oswaldo Cruz não chegou a usar a droga em pacientes fora do estudo. A prefeitura do Recife também anunciou, com base no estudo publicado pela revista médica The Lancet, que vai retirar os medicamentos do protocolo de medicações para uso hospitalar. "Só casos muito específicos serão considerados, mas com avaliação médica específica", disse o secretário de Saúde do Recife Jailson Correia. Cloroquina em estudos clínicos Em São Paulo, o hospital Sírio Libanês e o Israelita Albert Einstein não chegaram a colocar o uso da cloroquina em seus protocolos e só usam a medicação em estudos clínicos. O Sírio Libanês informou ao UOL que fica a critério do médico definir o tratamento. O hospital realiza três pesquisas sobre o uso da cloroquina em pacientes da covid-19. "Duas delas são de hidroxicloroquina com azitromicina, estão em andamento com pacientes internados e devem durar 15 dias, com resultados dentro de 20 a 25 dias", relata o hospital, que disse manter as pesquisas mesmo com a decisão da OMS. O pneumologista Ricardo Martins, professor da UnB (Universidade de Brasília), comenta que o hospital em que atua na capital federal também decidiu não colocar a cloroquina no protocolo. "Esta é uma decisão individual do médico. Institucionalmente, não há recomendação formal." Ele ponderou que, pelos estudos já divulgados, não indica essas drogas a seus pacientes. "Os últimos estudos mostram que a medicação é até prejudicial à saúde dos pacientes. Não é opção para resolver o problema", acrescenta.