Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus:

FOLHA DE S.PAULO ONLINE/SÃO PAULO
Data Veiculação: 26/06/2020 às 17h28

O Hospital Israelita Albert Einstein recomendou na quinta-feira (25) que os médicos ligados à instituição não prescrevam cloroquina ou hidroxicloroquina a pacientes internados com Covid-19. Antes, profissionais do corpo clínico aberto do hospital poderiam recomendar os remédios desde que os pacientes estivessem de acordo. Em nota enviada à imprensa, o hospital diz que nunca teve um protocolo que indicava o uso desses medicamentos para o tratamento da Covid-19. O uso acontecia na modalidade "off label", que significa a prescrição de medicamentos fora das indicações homologadas pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), sob responsabilidade do(a) médico (a). Segundo o Albert Einstein, a nova recomendação foi motivada pela decisão da FDA (agência que regula medicamentos nos Estados Unidos) de revogar a autorização de uso emergecial dos medicamentos em pacientes de Covid-19. A decisão da agência norte-americana foi publicada após uma série de estudos mostrarem a falta de benefício do uso do remédio para esses doentes em comparação com o tratamento padrão adotado. A hidroxicloroquina é indicada para tratar malária, lúpus e artrite reumatoide, entre outras doenças. O composto é um derivado menos tóxico da cloroquina, mas com efeitos semelhantes no corpo humano. Por meio de assessoria de imprensa, o Hospital Sírio-Libanês disse que a instituição não tem recomendação sobre conduta universal de tratamentos. "O médico tem liberdade para discutir com seu paciente qual o tratamento a ser seguido e pode recomendar o uso da hidroxicloroquina desde que o paciente esteja ciente de que não há evidência científica de eficácia do tratamento para Covid-19 e o médico explique os riscos de efeitos colaterais. O paciente precisa assinar um termo de autorização do uso", afirma o texto. Os dois hospitais fazem parte da Coalizão Covid Brasil, que reúne médicos de alguns dos principais hospitais do país para o teste de tratamentos potenciais contra a Covid-19. A cloroquina e a hidroxicloroquina estão entre as substâncias testadas pela equipe. Segundo a nota do Sírio-Libanês, os estudos estão ainda em andamento. A cloroquina e a hidroxicloroquina ganharam destaque em meados de março, quando o presidente americano Donald Trump passou a endossar seu uso para tratamento da Covid-19 baseado em evidências que cientistas consideravam frágeis. O presidente Jair Bolsonaro seguiu o mandatário norte-americano e incentivou o uso do remédio. O Exército entrou na produção do medicamento, e o laboratório químico e farmacêutico da instituição chegou a gastar mais de R$ 1,5 milhão para ampliar a produção do composto. No dia 17 de junho, a OMS (Organização Mundial da Saúde) informou que iria interromper os experimentos com hidroxicloroquina para tratamento de Covid-19 no estudo Solidarity, que é realizado em vários países do mundo.

METRÓPOLES/BRASÍLIA
Data Veiculação: 26/06/2020 às 12h50

Um estudo realizado por cientistas de quatro universidades inglesas mostrou que pacientes da Covid-19 internados em estado grave podem sofrer vários tipos de complicações cerebrais, como acidente vascular cerebral (AVC), confusão mental e inflamações neurológicas. Os pesquisadores das universidades de Liverpool, Southampton, Newcastle e University College London analisaram quadros clínicos de 125 pessoas internadas nos hospitais do Reino Unido entre os dias 02 e 26 de abril. Destas, 62% (77 pessoas) sofreram derrames, de acordo com trabalho publicado na quinta-feira (25/06) na revista The Lancet Psychiatry. A maioria dos casos foi provocada por coágulos sanguíneos no cérebro (derrame isquêmico). Acredita-se que os trombos sejam formados a partir das inflamações causadas pela Covid-19. Os médicos também observaram que pelo menos 39 pessoas demonstraram sinais de confusão mental ou mudanças de comportamento enquanto estavam doentes. Vinte e três foram diagnosticadas com condições psiquiátricas como psicose de início recente ou síndrome semelhante à demência. Nove tiveram encefalopatia (disfunção cerebral não identificada) e sete encefalite, uma inflamação do cérebro. “Os médicos devem estar atentos à possibilidade de os pacientes com Covid-19 desenvolverem essas complicações e, inversamente, à possibilidade de Covid-19 em pacientes que apresentam síndromes neurológicas e psiquiátricas agudas”, comentou o co-autor do estudo, Benedict Michael, da Universidade de Liverpool, na publicação. Os efeitos do coronavírus no cérebro ainda estão sendo mapeados. No Brasil, a Universidade de Brasília (UnB) realizará um estudo, em parceria com o Hospital Universitário de Brasília (HUB) e o Hospital Sírio Libanês, sobre o assunto.

ISTOÉ DINHEIRO ONLINE/SÃO PAULO
Data Veiculação: 26/06/2020 às 09h30

Maior empresa de telemedicina do planeta, a americana Teladoc aposta todas as suas fichas no Brasil – o novo epicentro da Covid-19 no mundo. Com operação em 175 países e valor de mercado de US$ 14 bilhões, a companhia está ampliando seus serviços para o consumidor final, não apenas para profissionais da saúde. “A pandemia acelerou a necessidade da transformação digital em todos os mercados e na saúde não seria diferente”, afirma Jean Marc Nieto, que comanda a empresa no Brasil. Até o ano que vem, a Teladoc planeja atender mais de 10 milhões de brasileiros com o novo app. Até agora, a empresa oferecia aconselhamento médico, por telefone, para 5,2 milhões de usuários de planos de saúde corporativos de empresas como Aon, Porto Seguro e Hospital Sírio-Libanês. (Nota publicada na edição 1177 da Revista Dinheiro) Veja também + Receita abre consulta a segundo lote de restituição de IR, o maior da história + Homem encontra chave de fenda em pacote de macarrão + Baleias dão show de saltos em ilhabela, veja fotos! + 9 alimentos que incham a barriga e você não fazia ideia + Modelo brasileira promete ficar nua se o Chelsea for campeão da Champions League + Cuide bem do seu motor, cuidando do óleo do motor + 12 dicas de como fazer jejum intermitente com segurança

ISTOÉ DINHEIRO/SÃO PAULO | GERAL
Data Veiculação: 26/06/2020 às 03h00

POR HUGO CILO ROBÔS INVADEM 0 JUDICIÁRIO A Neoway, empresa de Big Data e Inteligência Artificial, desenvolveu duas novas soluções para ajudar a desafogar o judiciário brasileiro: Neoway Lawsuits e Neoway Legal. Os lançamentos integram o pilar de Legal Analysis, que usa deep learning (aprendizado profundo de máquina) para dar previsibilidade sobre decisões judiciais e apoiar estratégias jurídicas. A tecnologia é capaz de analisar petições e decisões judiciais de todo o Brasil levando em consideração, de forma automatizada, a linguagem utilizada pelos advogados, por meio do processamento de linguagem jurídica (L-NLP). “Analisamos com profundidade decisões e petições dos processos dos principais sistemas de tribunais brasileiros. São mais de 345 milhões de casos, que resultam no maior big data de processos do País”, afirma Ricardo Fernandes, diretor da Neoway. “Cerca de 25 milhões de novas ações são somadas à plataforma todos os anos." Dinheiro 01/07/2020 I FOTOS: ISABELA VERA l MARCOANKOSQUI I LEO ORUMOND/NITRO I RODRIGO CAPOTE I DIVULGAÇÃO A partir de 5 de agosto, um nova instituição de ensino nascerá com a missão de formar executivos e empresários no mercado brasileiro. Idealizado pelo investidor e administrador de empresas Álvaro Schocair, a Link School of Business (LBS) será a primeira faculdade de empreendedorismo do Brasil com estrutura e programa preparados para aulas 100% digitais, com a tecnologia Google For Education. A concepção da Link teve participação de empresas como XP Investimentos, Ambev, Google e Stone, que ajudaram a criar a metodologia das aulas e 0 próprio processo seletivo. Para chegar a 50 alunos, foram avaliados mais de 750 candidatos, segundo Schocair. “Não seremos uma escola de negócios como Insper ou FGV, seremos um laboratório de novas empresas, onde utilizaremos desafios reais de gestão para preparar nossos alunos”, diz Schocair. “O programa Venture Lab será uma aceleradora dentro da faculdade e dará suporte aos alunos para desenvolverem ou aprimorarem suas próprias empresas”, afirma. Entre os diferenciais estão 0 programa internacional, recebendo aulas de Stanford, London Business School e Harvard, além de imersões presenciais nas universidades Disney, Tel Aviv e Xangai. "Seremos, em alguns anos, um grande fundo de venture capital chamado de escola.” A mensalidade da LSB será de R$ 8,9 mil e a grade curricular é de quatro anos, com período integral opcional. DOIS ANOS EM TRÊS MESES Nada como uma crise para acelerar os planos de digitalização. No Grupo Pão de Açúcar (GPA), 0 crescimento das vendas pelos canais digitais previsto para acontecer em dois anos se concretizou em três meses, segundo 0 diretor de e-commerce da companhia, Rodrigo Pimentel. Em 15 de março, apenas um centro de distribuição e 120 das 800 lojas da rede estavam habilitadas para fazer separação e entrega das compras on-line. Hoje, são 289 unidades e cinco CDs dedicados à demanda de compra remota. “Estávamos crescendo a um ritmo de 40% ao ano, mas disparamos 300% nos últimos três meses", afirma Pimentel. O executivo diz ainda que teve de recrutar 1 mil novos funcionários para encorpar a operação digital, além de colocar 1,2 mil carros parao delivery, absorvendo 0 trabalho de motoristas de aplicativo como 99, Eu Entrego, com e Uber. CASHBACKNA MAO ENGAJAMENTO AO ESTILO MINEIRO A empresa mineira de tecnologia Robbyson cresceu 60% durante o período de pandemia oferecendo uma ferramenta essencial para manter o engajamento dos funcionários e o acompanhamento dos dados especialmente durante o home Office: uma plataforma para gestão de pessoas e negócios. Batizada com o mesmo nome da empresa, a plataforma Robbyson utiliza recursos de gamificação e inteligência computacional para gerir, engajar e reconhecer pessoas em qualquer atividade econômica, segundo a diretora Laila Costa. "Algo que se tornou ainda mais relevante durante o isolamento social e a migração ágil para o trabalho remoto”, diz a executiva. Com a chegada de novos clientes, a Robbyson passou de 25 mil para 40 mil usuários ativos da plataforma. O crescimento também se reflete na expectativa de faturamento anual. A previsão para 2020 é chegar a R$ 14 milhões, uma cifra 75% maior do que em 2019. A startup Winn, lançada pela publicitária Claudia Toledo e pelo empresário Ricardo Lorenzo, criou um aplicativo gratuito de fidelidade premiada para aumentar os descontos ao consumidor. O usuário valida os cupons fiscais de compras realizadas em lojas físicas, pela internet ou por aplicativos de delivery e ganha cashback imediato para gastar como quiser, além de concorrer a prêmios em dinheiro. A solução pretende movimentar R$ 500 milhões até 2021. Inédito no mercado, o Winn tem uma instituição de pagamento própria, que disponibiliza o dinheiro automaticamente na conta do usuário, que não precisa acumular um valor mínimo nem utilizar em um estabelecimento específico. A flexibilização do dinheiro pode contribuir para o consumidor gerar benefícios tangíveis e acessíveis, e também para as empresas aumentarem o giro dos produtos. O aplicativo está disponível em iOS e Android, em São Paulo e no Rio de Janeiro. PANDEMIA DA TELEMEDICINA Maior empresa de telemedicina do planeta, a americana Teladoc aposta todas as suas fichas no Brasil o novo epicentro da Covid-19 no mundo. Com operação em 175 países e valor de mercado de US$ 14 bilhões, a companhia está ampliando seus serviços para o consumidor final, não apenas para profissionais da saúde. “A pandemia acelerou a necessidade da transformação digital em todos os mercados e na saúde não seria diferente", afirma Jean Marc Nieto, que comanda a empresa no Brasil. Até o ano que vem, a Teladoc planeja atender mais de 10 milhões de brasileiros com o novo app. Até agora, a empresa oferecia aconselhamento médico, por telefone, para 5,2 milhões de usuários de planos de saúde corporativos de empresas como Aon, Porto Seguro e Hospital Sírio-Libanês. PARA VOLTAR A SORRIR MAIS VINHO NO ISOLAMENTO Com o avanço da pandemia do novo coronavírus, foi possível ver uma série de mudanças no mercado, principalmente, no que diz respeito ao consumo de bebidas em casa. A wine.com.br, um dos maiores clubes de vinhos do mundo, viu um crescimento de 30% no número de clientes fazendo a primeira compra no e-commerce e teve um aumento expressivo no número de sócios aderindo ao clube de assinatura. “As pessoas começaram a se entreter em casa, marcar happy hours virtuais, acompanhar uma série de lives com shows de artistas. O vinho acabou caindo no gosto de todos”, diz Marcelo D'Arienzo, CEO da Wine. A empresa fechou o mês de maio com 165 mil sócios. “A captação de novos clientes, somente em maio, foi 188% maior do que no mesmo período de 2019.” Diante da maior crise da história, com aviões sem poder voar e hotéis fechados, o programa de fidelidade Smiles quer recuperar a alegria por meio da filantropia. Com o programa Milhas do Bem, a empresa doou em abril 10 milhões de milhas para projetos de combate à pandemia. “A cada milha doada por um cliente, a Smiles doa outra. As milhas são transformadas em dinheiro pela Smiles e doado diretamente âs instituições parceiras”, diz André Fehlauer, CEO da Smiles. Em maio, a Smiles recebeu a doação de 50 milhões de milhas de seus clientes. Se não pode sorrir, pelo menos faz alguém feliz. Dinheiro 01/07/2020

OFICINA NEWS
Data Veiculação: 26/06/2020 às 07h30

Tendo em vista a segurança de colaboradores e clientes, IQA lança programa que ajuda empresas do setor a retomar os negócios no período pós-pandemia. Denominado Auto Retorno, o programa do Instituto da Qualidade Automotiva foi desenvolvido em parceria com o Sírio-Libanês, definindo e validando as melhores práticas em saúde e segurança. Receba nossas notícias pelo WhasApp, clique aqui e mande “Oi Oficina” Segundo o anúncio do instituto, o Auto Retorno é um novo serviço que visa garantir o retorno dos negócios, assegurando a saúde dos colaboradores, fornecedores, clientes e parceiros das empresas do setor automotivo (montadoras, concessionárias, fabricantes de autopeças, distribuidores, varejistas e oficinas de reparação automotiva), neste momento de retomada e diante da pandemia da Covid-19. Veja recomendações dos novos processos em oficina no pós-pandemia aqui Este programa visa atestar as melhores práticas implementadas pela organização no seu retorno pós Covid-19, por meio da: – Certificação de Saúde e Segurança das Operações – Certificação da Eficácia das Operações Produtivas “Diante do atual cenário, faz-se necessário às empresas demonstrar confiança e transparência perante seus colaboradores, clientes e partes interessadas”, afirma Alexandre Xavier, superintendente do IQA. IQA lança programa que ajuda empresas do setor a retomar os negócios: Parceria O IQA celebrou uma parceria com a área de Consultoria em Saúde do Hospital Sírio-Libanês, para suportar todas as questões de melhores práticas relacionadas à medicina e à saúde das pessoas. Esta área do Sírio-Libanês tem o objetivo de desenvolver projetos em saúde para organizações públicas e privadas, cumprindo o propósito fundamental da instituição que é Conviver e Compartilhar. O Sírio-Libanês apoiará também treinamentos e capacitação de pessoal sobre medidas preventivas contra a Covid-19, programa de saúde corporativa, telemedicina, medicina diagnóstica e testes laboratoriais. “Desenhamos o Auto Retorno para assegurar a retomada eficaz dos negócios e produção, garantindo proteção à saúde das pessoas, e por isso a parceria com o Sírio-Libanês é fundamental e importante”, afirma Xavier. Certificação A certificação relacionada à saúde e segurança tem os requisitos de avaliação estabelecidos em um Guia de Boas Práticas, que podem ser utilizados pelas organizações como referência em sua preparação e implementação, incluindo protocolos e melhores práticas de saúde e segurança validados pelo Sírio-Libanês. Já a certificação da eficácia das operações produtivas leva em consideração os requisitos essenciais para o reinício dos processos produtivos, de forma a manter a integridade das operações, qualidade do produto, desde o seu planejamento, produção, controle e inspeção, e embarque ao cliente. O AutoRetorno está baseado em uma abordagem de risco e seu processo de certificação leva em consideração a avaliação dos seguintes requisitos: 1) Mapeamento da Organização 2) Análise de Risco 3) Controles e Boas Práticas 4) Monitoramento A certificação será realizada através de uma avaliação presencial na organização, utilizando-se de aplicativos de auditoria com interface IQA/Cliente. Para um resultado positivo da avaliação, será emitido um Certificado de Conformidade para a organização, e o direito de uso do Selo de Certificação AutoRetorno de forma a demonstrar a confiança aos colaboradores, clientes e sociedade. “Ao aderir ao novo serviço Auto Retorno, do IQA, a empresa garantirá a retomada dos negócios com segurança, através de diretrizes e requisitos criados e validados por duas organizações de referência no mercado que atuam: saúde (Sírio-Libanês) e automotivo (IQA), afirma Xavier.

CORREIO WEB/CORREIO BRAZILIENSE/BRASÍLIA
Data Veiculação: 26/06/2020 às 06h00

Cientistas avaliaram pacientes em estado grave: hipótese é de que a infecção crie coágulos que possam interromper o fluxo sanguíneo (foto: AFP / Luis ACOSTA) A covid-19 chegou a ser considerada uma doença respiratória. Com o tempo, foram surgindo indícios de ocorrência de uma série de complicações em outros órgãos do corpo, principalmente no cérebro. Em um estudo feito com 126 pacientes infectados pelo novo coronavírus, cientistas do Reino Unido mostram o problema neurológico mais comum: o acidente vascular cerebral (AVC). O trabalho foi publicado na última edição da revista The Lancet Psychiatry. Para chegar ao resultado, os pesquisadores criaram uma rede on-line em que médicos reportaram detalhes sobre casos clínicos envolvendo complicações cerebrais e a covid-19. As plataformas foram acessadas por especialistas em neurologia, em terapia intensiva e psiquiatras entre 2 e 26 de abril, durante a fase exponencial da pandemia no Reino Unido. “Há crescentes relatos de uma associação entre essa infecção e possíveis complicações neurológicas ou psiquiátricas, mas, até agora, essas pesquisas estavam limitadas a estudos de 10 pacientes ou menos”, afirma, em comunicado, Benedict Michael, pesquisador da Universidade de Liverpool. Segundo o principal autor do estudo, essa é a primeira investigação nacional a abordar complicações neurológicas associadas à covid-19. “Mas é importante observar que ela se concentra em casos suficientemente graves para exigir hospitalização”, enfatiza Benedict Michael. A equipe analisou 126 infectados, que foram submetidos a uma série de procedimentos de imagem, como raios X e tomografia computadorizada. Os exames mostraram que 77 dos 125 pacientes (61%) sofreram AVC. Em 57, houve formação de um coágulo sanguíneo no cérebro, conhecido como derrame isquêmico, nove tiveram um derrame causado por hemorragia cerebral e um paciente, derrame causado por inflamação nos vasos sanguíneos cerebrais. “Esses dados representam um retrato atual e importante das complicações relacionadas ao cérebro de pacientes hospitalizados com covid-19. É extremamente necessário que continuemos a coletá-los”, defende Sarah Pett, coautora do estudo e pesquisadora da University College London. A cientista enfatiza ainda que a coleta de informações precisa ser ampliada. “Também precisamos entender complicações cerebrais em pessoas da comunidade que têm covid-19, mas que não estão doentes o suficiente para serem hospitalizadas. O nosso estudo fornece as bases para trabalhos maiores que (….) ajudarão a informar sobre a frequência dessas complicações cerebrais, sobre quem está em maior risco e, finalmente, sobre qual a melhor forma de tratar essas pessoas”, defende. Coagulopatia Cláudio Carneiro, coordenador de Neurologia do Hospital Santa Lúcia, em Brasília, e membro titular da Sociedade Brasileira de Neurologia (SBN), destaca que o estudo britânico mostra dados que entram em concordância com o que já se sabe sobre os efeitos da covid-19. “As análises iniciais de pacientes mostraram que essa enfermidade causa a coagulopatia. O sangue vai coagulando, e isso faz com que apareçam pequenos trombos que contribuem para a ocorrência do AVC isquêmico e do derrame”, detalha. O médico acredita ser possível que mais estudos surjam, inclusive no Brasil, com resultados semelhantes. “É algo que temos visto aos poucos. Começou nos pacientes chineses, temos, agora, esse estudo dos ingleses, que acabaram de enfrentar o pico da doença. Todos mostram essas complicações como as mais comuns, o que pode também se repetir aqui”, justifica. Segundo Eli Faria Evaristo, neurologista do Hospital Sírio-libanês, em São Paulo, muito ainda precisa ser estudado para se entender os efeitos neurais gerados pelo vírus, principalmente quando as complicações surgem em situações menos esperadas. “Com a chegada da doença nos Estados Unidos, pesquisadores perceberam o aumento dos casos de AVC em indivíduos mais jovens, algo totalmente inesperado e que não temos ainda uma explicação completa”, diz. “Acredito que, com mais pesquisas, vamos entender melhor os sintomas em pacientes mais graves e outros também relacionados à área neural, como a perda de olfato.” Alteração mental os pesquisadores britânicos também observaram que 39 pacientes apresentaram sinais de confusão ou mudanças no comportamento, indicando possíveis alterações no estado mental. Dessas pessoas, nove foram acometidas por disfunção cerebral não especificada, conhecida como encefalopatia, e sete, por encefalite (inflamação no cérebro). Segundo Eli Evaristo, existem várias razões para que um paciente sofra com encefalopatia. “Pode ser devido à oxigenação ruim no pulmão, a um funcionamento piorado do rim e a alterações cerebrais”, lista o neurologista. “Vemos muitos pacientes com covid-19 apresentando esses problemas, o que atrapalha até a internação, já que eles costumam ficar agitados. Apenas com mais estudos saberemos quais os mecanismos o vírus altera para que esses fenômenos aconteçam.” Palavra de especialista Risco pode ser potencializado “Estudos como esse ainda não trazem dados científicos mais robustos, por serem apenas observacionais. Mas, aos poucos, podemos entender melhor os impactos desse vírus no cérebro. Temos também que considerar o fato de muitos desses pacientes serem mais velhos, o que justificaria problemas como o AVC, pois essas pessoas já têm um risco maior de manifestarem esse tipo de problema de saúde. Sendo assim, a covid-19 contribui ainda mais para que esses casos ocorram. Apenas com o tempo vamos ter certeza da relação dessas enfermidades com a infecção, mas acredito que isso não vai demorar. Temos apenas seis meses de contato com essa enfermidade e já sabemos muito sobre ela, algo que anos atrás era inimaginável.”, Amauri Araújo Godinho, médico neurologista e membro titular da Sociedade Brasileira de Neurologia (SBN).

CORREIO WEB/CORREIO BRAZILIENSE/BRASÍLIA
Data Veiculação: 26/06/2020 às 06h00

O intensivista e pneumologista Thiago Fuscaldi tem 37 anos, 10 deles dedicado à profissão (foto: Ed Alves/CB/D.A Press) Eles têm uma missão diária: salvar vidas. Quem escolhe cursar medicina sabe que a profissão exige muitas horas de estudo. Porém, esse é apenas o inicio de tudo. O desafio começa ao entrar em uma unidade de saúde. Atualmente, os médicos lidam com algo que, até então, não estava nos livros. O inimigo é novo, desconhecido e exige muito cuidado. Tratar as pessoas demanda ainda mais atenção. Proteger-se, também, é proteger o paciente do quarto ao lado e a família em casa. Hoje, a série No Front traz um pouco do dia a dia, com receios e vitórias, dos médicos. O intensivista e pneumologista Thiago Fuscaldi tem 37 anos, 10 deles dedicado à profissão. “Eu formei-me em 2009, na época do H1N1. Porém, era diferente. Não aconteceu nesta mesma escala, não tinha essa letalidade, nem a questão do isolamento social”, conta. Ter que encarar uma pandemia jamais passou pela cabeça de Thiago. Hoje, ele atua no Hospital Sírio Libanês, diretamente com os pacientes mais graves, internados na unidade de terapia intensiva (UTI). “Paciente em estado crítico é algo desafiador. Quando vejo um melhorando, e a efetividade do nosso trabalho, é uma sensação muito boa”, completa. A luta diária com a doença também proporciona novas emoções. Para Thiago, além da demanda nos hospitais ter aumentado, a disseminação da covid-19 trouxe receio. Para evitar a contaminação de parentes, Thiago está sem ver os pais. “Tem três meses que eu não os vejo, pois são do grupo de risco. Minha mãe teve câncer, então é, ainda, mais delicado”, ressalta. Com a esposa e os filhos, os cuidados também foram reforçados. “Tomo banho no hospital, troco de roupa, de sapato. Em casa, tiro essa roupa, tomo um banho, para depois ter contato com os familiares”, diz. A situação não é diferente com o médico Luciano Lourenço, coordenador do Pronto-Socorro do Hospital Santa Lúcia. A chegada em casa também precisou de adaptações. Agora, Luciano entra pela área de serviço para poder se higienizar. “Eu isolei a área de serviço. Eu só entro e saio por ela. A intenção é que ninguém passe por lá”, afirma. No hospital, a rotina também precisou se adaptar à pandemia. A equipe da unidade médica dividiu o fluxo dos pacientes do pronto-socorro para evitar o contato entre pessoas que buscam à unidade por motivos comuns e aqueles que possam estar contaminados de pelo novo corona vírus. Para Luciano, ter uma rotina diferenciada faz parte da profissão. Luciano Lourenço é coordenador do Pronto-Socorro do Hospital Santa Lúcia (foto: Mariana Machado/Esp. CB/D.A Press) “Todo médico torna-se médico na infância. A nossa rotina, desde pequeno, é diferente. Eu lembro que enquanto meus amigos estavam jogando bola, eu estava estudando. Enquanto eles viajavam, eu estudava. E, apesar de toda essa tensão e turbulência, a gente tem orgulho de poder usar o nosso conhecimento em prol da vida das pessoas”, destaca Luciano. Para ele, assim como os médicos, qualquer profissional que se destina a salvar vidas trabalha com orgulho e honra de poder ajudar o próximo. “É cansativo. As olheiras ficam mais escuras, mas elas não conseguem esconder o orgulho de sair de casa com a certeza de que as nossas ações estão salvando vidas”, diz. Risco diário Mais de 500 profissionais da rede pública de saúde, entre servidores e terceirizados, testaram positivo para covid-19, segundo a Secretaria de Saúde. Foram 485 diagnósticos em hospitais e 51 nas unidade de atenção primária. Ao todo, a rede pública de saúde conta com 5.259 médicos de diversas especialidades. A pasta informa que o levantamento não traz números específicos sobre a quantidade de resultados positivos ser de médicos, mas, nos corredores, eles lutam para não serem mais um número na estatística. Para isso, a paramentação tornou-se algo crucial no dia a dia dos profissionais. “É uma forma de proteção individual e proteção de terceiros. Hoje, vemos muitos profissionais de saúde se contaminando. Nós trabalhamos em etapas, iniciamos com higienização das mãos, roupa privativa (roupas só utilizadas dentro do hospital), máscara N95, óculos, touca, face shield, capote e sapato específico emborrachado. Normalmente, ficamos com duas luvas”, detalha a médica Adriana Mucio, 33, profissional da UTI do Hospital Universitário de Brasília (HUB). Estar na linha de frente no combate à covid-19 não é fácil, segundo Adriana. O desafio vai além dos cuidados com os pacientes e proteção. Manter-se bem psicologicamente também é uma das tarefas. “A rotina dos médicos mudou, a carga horária aumentou, a gente trabalha o tempo todo paramentado. Ainda precisamos ficar longe dos familiares por medo da contaminação, e sofremos juntos por cada paciente, cada familiar que fica longe do seu ente querido durante a internação, além de precisar lidar com as perdas. São vários desafios”, cita. De médico a paciente O infectologista Werciley Júnior precisou lidar com todas essas dificuldades e ainda sentir na pele a dor que seus pacientes sentiam. Werciley foi contaminado pelo novo coronavírus e ficou intubado por 13 dias. “Eu não imaginei que eu fosse pegar a doença de forma tão grave. Tenho 36 anos, não sou do grupo de risco”, comenta. Werciley é chefe da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Santa Lúcia. Hoje, curado, ele volta aos poucos ao trabalho. “Eu ainda sofro algumas consequências: a falta de força, o cansaço muscular, a fadiga. Estou fazendo a parte administrativa e, cada vez mais, voltando a visitar os pacientes com coronavírus”, conta. Para Werciley, ter vencido a doença fez com que ele se dedicasse ainda mais e procurasse atender aos pacientes da melhor forma possível. “Quando você cuida bem e a pessoa se recupera, é mais um motivo para se dedicar mais. Acaba sendo esse o desafio, de você querer cuidar melhor das pessoas”, diz.

CORREIO BRAZILIENSE/BRASÍLIA | GERAL
Data Veiculação: 26/06/2020 às 03h00

18 • CORREIO BrâZILIENSE • Brasília, sexta-feira, 26 de junho de 2020 Covid-19 com AVC A ocorrência de acidente vascular cerebral é a complicação neurológica mais comum em pacientes infectados pelo Sars-CoV-2, mostra estudo britânico Luis Acosta/AFP yy Palavra de especialista » VILHENA SOARES A covid-19 chegou a ser considerada uma doença respiratória. Com o tempo, foram surgindo indícios de ocorrência de uma série de complicações em outros órgãos do corpo, principalmente no cérebro. Em um estudo feito com 126 pacientes infectados pelo novo coronavírus, cientistas do Reino Unido mostram o problema neurológico mais comum: o acidente vascular cerebral (AVC). O trabalho foi publicado na última edição da revista The LancetPsychiatry. Para chegar ao resultado, os pescjuisadores criaram uma rede on-line em que médicos reportaram detalhes sobre casos clínicos envolvendo complicações cerebrais e a covid-19. As plataformas foram acessadas por especialistas em neurologia, em terapia intensiva e psiquiatras entre 2 e 26 de abril, durante a fase exponencial da pandemia no Reino Unido. "Há crescentes relatos de uma associação entre essa infecção e possíveis complicações neurológicas ou psiquiátricas, mas, até agora, essas pesquisas estavam limitadas a estudos de 10 pacientes ou menos", afirma, em comunicado, Benedict Michael, pesquisador da Universidade de Liverpool. Segundo o principal autor do estudo, essa é a primeira investigação nacional a abordar complicações neurológicas associadas à covid-19. “Mas é importante observar que ela se concentra em casos suficientemente graves para exigir hospitalização”, enfatiza Benedict Michael. A equipe analisou 126 infectados, que foram submetidos a uma série de procedimentos de imagem, como raios X e tomografia computadorizada. Os exames mostraram que 77 dos 125 pacientes (61%) sofreram AVC. Em 57, houve formação de um coágulo sanguíneo no cérebro, conhecido como derrame isquêmico, nove tiveram um derrame causado por hemorragia cerebral e um paciente, derrame causado por inflamação nos vasos sanguíneos cerebrais. “Esses dados representam um retrato atual e importante das complicações relacionadas ao cérebro de pacientes hospitalizados com covid19. É extremamente necessário que continuemos a coletá-los”, defende Sarah Pett, coautora do estudo e pesquisadora da University College London. A cientista enfatiza ainda que a coleta de informações precisa ser ampliada. “Também precisamos entender complicações cerebrais em pessoas da comunidade que têm covid-19, mas que não estão doentes o suficiente para serem hospitalizadas. O nosso estudo fornece as bases para trabalhos maiores que (....) ajudarão a informar sobre a frequência dessas complicações cerebrais, sobre quem está em maior risco e, finalmente, sobre qual a melhor forma de tratar essas pessoas”, defende. Coagulopatia Cláudio Carneiro, coordenador de Neurologia do Hospital Santa Lúcia, em Brasília, e membro titular da Sociedade Brasileira de Neurologia (SBN), destaca que o estudo britânico mostra dados que entram em concordância com o que já se sabe sobre os efeitos da covid19. “As análises iniciais de pacientes mostraram que essa enfermidade causa a coagulopatia. O sangue vai coagulando, e isso faz com que apareçam pequenos trombos que contribuem para a ocorrência do AVC isquêmico e do derrame”, detalha. O médico acredita ser possível que mais estudos surjam, inclusive no Brasil, com resultados semelhantes. “É algo que temos visto aos poucos. Começou nos pacientes chineses, temos, agora, esse estudo dos ingleses, que acabaram de enfrentar o pico da doença. Todos mostram essas complicações como as mais comuns, o que pode também se repetir aqui", justifica. Segundo Eli Faria Evaristo, neurologista do Hospital Sírio-libanês, em São Paulo, muito ainda precisa ser estudado para se entender os efeitos neurais gerados pelo vírus, principalmente quando as complicações surgem em situações menos esperadas. “Com a chegada da doença nos Estados Unidos, pesquisadores perceberam o aumento dos casos de AVC em indivíduos mais jovens, algo totalmente inesperado e que não temos ainda uma explicação completa”, diz. “Acredito que, com mais pesquisas, vamos entender melhor os sintomas em pacientes mais graves e outros também relacionados à área neural, como a perda de olfato.” Alteração mental 9 Os pesquisadores britânicos também observaram que 39 pacientes apresentaram sinais de confusão ou mudanças no comportamento, indicando possíveis alterações no estado mental. Dessas pessoas, nove foram acometidas por disfunção cerebral não especificada, conhecida como encefalopatia, e sete, por encefalite (inflamação no cérebro). Segundo Eli Evaristo, existem várias razões para que um paciente sofra com encefalopatia. "Pode ser devido à oxigenação ruim no pulmão, a um funcionamento piorado do rim e a alterações cerebrais", lista o neurologista. “Vemos muitos pacientes com covid-19 apresentando esses problemas, o que atrapalha até a internação, já que eles costumam ficar agitados. Apenas com mais estudos saberemos quais os mecanismos o vírus altera para que esses fenômenos aconteçam.” Risco pode ser potencializado “Estudos como esse ainda não trazem dados científicos mais robustos, por serem apenas observado mais. Mas, aos poucos, pode- Uma nova investigação científica traz dados que reforçam a suspeita de que as crianças sofrem formas menos graves da covid-19. A equipe analisou 582 jovens na Europa e concluiu que mortes provocadas pela enfermidade são muito raras em pacientes pediátricos. Os dados foram divulgados, ontem, na última edição da revista especializada The Lancet Chilcl & Adolescent Health. O estudo incluiu informações de voluntários com 3 dias a 18 anos. Embora a maioria dos jovens tenha sido internada (62%) em razão da covid-19, menos de um em cada 10 pacientes necessitou de tratamento em terapia intensiva. Os pesquisadores enfatizam que o estudo envolveu apenas pacientes que procuraram ajuda médica e foram testados para a covid-19. Dessa forma, casos mais leves da doença podem não ter sido incluídos. Por isso, a equipe aconselha não extrapolar os números observados para a população em geral. No entanto, eles afirmam que as descobertas devem ser levadas em conta no planejamento da demanda por serviços de terapia mos entender melhor os impactos desse vírus no cérebro. Temos também que considerar o fato de muitos desses pacientes serem mais velhos, o que justificaria problemas como o AVC, pois essas pessoas já têm um risco maior de manifestarem esse tipo de problema intensiva à medida que a pandemia avance. “Nosso estudo fornece a visão mais abrangente da covid-19 em crianças e adolescentes até o momento. Ficamos felizes ao observar que a taxa de mortalidade em nosso grupo de análise foi muito baixa, e é provável que seja substancialmente mais baixa ainda, uma vez que muitas crianças com doença leve não teriam sido levadas à atenção médica”, afirma, em comunicado, MarcTebruegge, principal autor do estudo e pesquisador do de saúde. Sendo assim, a covid-19 contribui ainda mais para que esses casos ocorram. Apenas com o tempo vamos ter certeza da relação dessas enfermidades com a infecção, mas acredito que isso não vai demorar. Temos apenas seis meses de contato com essa en- Instituto de Saúde Infantil Great Ormond Street da University College London, no Reino Unido. Pico inicial O estudo foi realizado de 24 de abril de 2020, durante o pico inicial da pandemia na Europa. Envolveu 82 instituições de saúde especializadas em 25 países. O sintoma mais comum relatado foi febre (65%), seguido de sinais de infecção do trato respiratório superior (54%), evidên- fermidade e já sabemos muito sobre ela, algo que anos atrás era inimaginável.” Amauri Araújo Godinho, médico neurologista e membro titular da Sociedade Brasileira de Neurologia (SBN) Pesquisas têm mostrado que o novo coronavírus é menos letal e agressivo em crianças do jovens atendidos nos hospitais apresentavam febre. 0 sintoma foi o mais relatado na amostra de 582 pacientes cias de pneumonia (25%) e sintomas gastrointestinais (22%). Cerca de 92 crianças (16%) eram assintomáticas, sendo que a maioria foi testada por ter tido contato próximo com alguém infectado pelo coronavírus. Quatro pacientes morreram durante o período do estudo — dois deles tinham condições médicas preexistentes e mais de 10 anos de idade. Ao fim do estudo, 4% dos jovens ainda apresentavam sintomas da doença ou precisavam de apoio para a respiração. Baixa gravidade em crianças AndreasSolaro/AFP

CORREIO BRAZILIENSE/BRASÍLIA | GERAL
Data Veiculação: 26/06/2020 às 03h00

Ed Alves/CB/D.A Press Exército de heróis O intensivista Thiago Fuscaldi é um dos milhares de médicos de Brasília na linha de frente contra a covid-19: risco e sacrifício diários para salvar vidas. PÁGINA 23 CM K Uma das carreiras mais disputadas em universidades, a medicina tem mostrado o seu vator na pandemia. No combate ao novo coronavírus, profissionais enfrentam o risco da contaminação para cuidar do próximo VIDEO no tablete no site do CORREIO Propósito: SALVAR VIDAS "As olheiras ficam mais escuras, mas elas não conseguem esconder o orgulho que nós temos de sair de casa com a certeza que as nossa ações estão salvando vidas" Luciano Lourenço, médico e coordenador do Pronto-Socorro do Hospital Santa Lúcia ♦ ♦ ♦ ♦ »JULIANA ANDRADE Eles têm uma missão diária: salvar vidas. Quem escolhe cursar medicina sabe que a profissão exige muitas horas de estudo. Porém, esse é apenas o início de tudo. O desafio começa ao entrar em uma unidade de saúde. Atualmente, os médicos lidam com algo que, até então, não estava nos livros. O inimigo é novo, desconhecido e exige muito cuidado. Tratar as pessoas demanda ainda mais atenção. Proteger-se, também, é proteger o paciente do quarto ao lado e a família em casa. Hoje, a série AfoFVonítrazum pouco do dia a dia, com receios e vitórias, dos médicos. O intensivista e pneumologista Thiago Fuscaldi tem 37 anos, 10 deles dedicado à profissão. “Eu formei-me em 2009, na época do H1N1. Porém, era diferente. Não aconteceu nesta mesma escala, não tinha essa letalidade, nem a questão do isolamento social”, conta. Ter que encarar uma pandemia jamais passou pela cabeça de Thiago. Hoje, ele atua no Hospital Sírio Libanês, diretamente com os pacientes mais graves, internados na unidade de terapia intensiva (UTI). “Paciente em estado crítico é algo desafiador. Quando vejo um melhorando, e a efetividade do nosso trabalho, é uma sensação muito boa”, completa. A luta diária com a doença também proporciona novas emoções. Para Thiago, além da demanda nos hospitais ter aumentado, a disseminação dacovid-19 trouxe receio. Para evitar a contaminação de parentes, Thiago está sem ver os pais. “Tem três meses que eu não os vejo, pois são do grupo de risco. Minha mãe teve câncer, então é, ainda, mais delicado”, ressalta. Com a esposa e os filhos, os cuidados também foram reforçados. “Tomo banho no hospital, troca de roupa, de sapato. Em casa, tiro essa roupa, tomo um banho, para depois ter contato com os familiares", diz. A situação não é diferente com o médico Luciano Lourenço, coordenador do Pronto-Socorro do Hospital Santa Lúcia. A chegada em casa também precisou de adaptações. Agora, Luciano entra pela área de serviço para poder se higienizar. “Eu isolei a área de serviço. Eu só entro e saio por ela. A intenção é que ninguém passe por lá”, afirma. No hospital, a rotina também precisou se adaptar à pandemia. A equipe da unidade médica dividiu o fluxo dos pacientes do pronto-socorro para evitar o contato entre pessoas que buscam à unidade por motivos comuns e aqueles que possam estar contaminados de pelo novo coronavírus. Para Luciano, ter uma rotina diferenciada faz parte da profissão. “Todo médico torna-se médico na infância. A nossa rotina, desde pequeno, é diferente. Eu lembro que enquanto meus amigos estavam jogando bola, eu estava estudando. Enquanto eles viajavam, eu estudava. E, apesar de toda essa tensão e turbulência, a gente tem orgulho de poder usar o nosso conhecimento em prol da vida das pessoas”, destaca Luciano. Para ele, assim como os médicos, qualquer profissional Arquivo Pessoal EU VENCÍ A BATALHA CONTRA A COVID-19 hospital santaLucia 0 infectologista Werciley Júnior teve covid-19 e ficou intubado por 13 dias O intensivista e pneumologista Thiago Fuscaldi tem 37 anos, 10 deles dedicado à profissão r i 5.259 médicos na rede pública de saúde 51 positivos de profissionais da atenção primária Ed Alves/CB/DA Press _ Arquivo Pessoal Mariana Machado/Esp. CB/DA Press Para a médica Adriana Mucio, desafio vai além dos cuidados com os pacientes e da proteção r i 485 resultados positivos para covid-19 em hospitais (servidores e terceirizados) Luciano Lourenço é coordenador do Pronto-Socorro do Hospital Santa Lúcia que se destina a salvar vidas trabalha com orgulho e honra de poder ajudar o próximo. “É cansativo. As olheiras ficam mais escuras, mas elas não conseguem esconder o orgulho de sair de casa com a certeza de que as nossas ações estão salvando vidas”, diz. Risco diário Mais de 500 profissionais da rede pública de saúde, entre servidores e terceirizados, testaram positivo para covid-19, segundo a Secretaria de Saúde. Foram 485 diagnósticos em hospitais e 51 nas unidade de atenção primária. Ao todo, a rede pública de saúde conta com 5.259 médicos de diversas especialidades. A pasta informa que o levantamento não traz números específicos sobre a quantidade de resultados positivos ser de médicos, mas, nos corredores, eles lutam para não serem mais um número na estatística. Para isso, a paramentação tornou-se algo crucial no dia a dia dos profissionais. “É uma forma de proteção individual e proteção de terceiros. Hoje, vemos muitos profissionais de saúde se contaminando. Nós trabalhamos em etapas, iniciamos com higienização das mãos, roupa privativa (roupas só utilizadas dentro do hospital), máscara N95, óculos, touca, face shield, capote e sapato específico emborrachado. Normalmente, ficamos com duas luvas”, detalha a médica Adriana Mucio, 33, profissional da UTI do Hospital Universitário de Brasília (HUB). Estar na linha de frente no combate à covid-19 não é fácil, segundo Adriana. O desafio vai além dos cuidados com os pacientes e proteção. Manter-se bem psicologicamente também é uma das tarefas. “A rotina dos médicos mudou, a carga horária aumentou, a gente trabalha o tempo todo paramentado. Ainda precisamos ficar longe dos familiares por medo da contaminação, e sofremos juntos por cada paciente, cada familiar que fica longe do seu ente querido durante a internação, além de precisar lidar com as perdas. São vários desafios", cita. De médico a paciente O infectologista Werciley Júnior precisou lidar com todas essas dificuldades e ainda sentir na pele a dor que seus pacientes sentiam. Werciley foi contaminado pelo novo coronavírus e ficou intubado por 13 dias. “Eu não imaginei que eu fosse pegar a doença de forma tão grave. Tenho 36 anos, não sou do grupo de risco", comenta. Werciley é chefe da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Santa Lúcia. Hoje, curado, ele volta aos poucos ao trabalho. “Eu ainda sofro algumas consequências: a falta de força, o cansaço muscular, a fadiga. Estou fazendo a parte administrativa e, cada vez mais, voltando a visitar os pacientes com coronavírus”, conta. ParaWerciley, ter vencido a doença fez com que ele se dedicasse ainda mais e procurasse atender aos pacientes da melhor forma possível. “Quando você cuida bem e a pessoa se recupera, é mais um motivo para se dedicar mais. Acaba sendo esse o desafio, de você querer cuidar melhor das pessoas”.

IG/SÃO PAULO
Data Veiculação: 26/06/2020 às 00h00

Em meio à retomada das atividades econômicas e do trabalho na capital paulista, muitos paulistanos estão adequando seus hábitos para respeitar as medidas de segurança contra a Covid-19 no cotidiano. Isso também vale para os cuidados que devem tomados no transporte público, principalmente nos ônibus. Entre as principais recomendações estão: manter as janelas abertas, usar máscara, passar álcool em gel nas mãos ao sair do veículo, evitar tocar o rosto durante a viagem, não se sentar nos degraus e não colocar mochilas e bolsas ao chão. Segundo a enfermeira Juliana Almeida Nunes, especialista da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) do Hospital Sírio-Libanês, o principal alerta é para que os próprios usuários do transporte, na impossibilidade de manter o distanciamento, tenham consciência de que é a população que deve adquirir costumes que respeitem as recomendações sanitárias de autoridades e especialistas. As orientações começam logo na entrada do ônibus, quando Nunes recomenda que os passageiros aguardem que a pessoa à frente passe a catraca para evitar a concentração de muita gente na parte da frente, o que comum caso alguém precise pagar o motorista ou cobrador com dinheiro. Com a decisão da Prefeitura de São Paulo da última sexta-feira (19) que permite que os ônibus passem a transportar passageiros em pé, durante o trajeto é inevitável que seja necessário se segurar nas barras de apoio. Por isso, a enfermeira diz que é fundamental fazer uso de álcool em gel logo após a saída do veículo. “É importante também evitar tocar o rosto ou a máscara. Caso isso seja necessário, é preciso higienizar as mãos antes com o álcool”, diz. A regra também vale para qualquer outro objeto pessoal que seja tocado durante a viagem. Caso contrário, todos esses itens devem ser limpos após o passageiro descer do ônibus. A recomendação vale para celulares, aparelhos de som e outros eletrônicos, carteira e produtos de maquiagem, por exemplo. Uma dúvida recorrente para a qual Nunes chama atenção é em relação ao uso de luvas hospitalares. De acordo com a especialista, não há necessidade para que elas sejam utilizadas, sendo que o correto, na verdade é evitá-las. “Imagine que a luva deixasse uma marca de tinta em cada lugar que ela encosta. Se o primeiro estiver contaminado, ela vai sair deixando marcas em todos os demais lugares em que ela entrar em contato”, explica. Nesse caso, a enfermeira afirma que a melhor opção é o uso do álcool em gel, já que a substância mata o vírus que estará nas mãos. É diferente do ocorre com as luvas, que serão descartadas no lixo e podem se tornar vetores do novo coronavírus (Sars-CoV-2). Outro comportamento bastante comum nos ônibus é o costume que os passageiros têm de colocar bolsas e mochilas ao chão, no meio das pernas. Para evitar o contato com o assoalho, no entanto, Nunes recomenda que elas sejam transportadas à frente do corpo. Assim é evitada a contaminação e os usuários conseguem olhar quando estão incomodando os demais passageiros. A enfermeira ainda dá a dica para que as pessoas não sentem em degraus, situação frequente principalmente nos ônibus articulados e que mantenham as janelas abertas. “É uma coisa automática que a gente costuma fazer, ainda mais agora que estamos entrando em uma estação fria. A gente entra no ônibus e a primeira coisa que faz é fechar as janelas”, completa Nunes. Por fim, caso o veículo fique próximo à sua lotação máxima, a especialista diz que, se possível, os passageiros devem ficar de costas ou de lado um para o outro, nunca de frente. A orientação também vale para um usuário em pé que está à frente de outro sentado por exemplo, já que o passageiro no assento fica exposto às gotículas da respiração de quem está em pé e descem. Redução de frota na capital essa possibilidade se torna possível sobretudo após a capital paulista reduzir a frota de ônibus em mais de 8% nesta quarta (24). Segundo a SPTrans, a diminuição será feita nas linhas com oferta superior à demanda existente. Antes da pandemia, a autarquia informou que os ônibus municipais transportavam 3,3 milhões de passageiros diariamente. Esse número, porém, caiu para 1,3 milhão de pessoas e tem se mantido estável nas últimas semanas. A Secretaria Municipal de Transportes de São Paulo afirmou que vai priorizar o atendimento em bairros mais afastados do centro, onde a concentração de casos da Covid-19 é maior. A SPTrans vai continuar o monitorando a demanda de passageiros e a oferta para quando houver necessidade a fim de evitar que os ônibus fiquem superlotados.

SNIFDOCTOR/SÃO PAULO
Data Veiculação: 26/06/2020 às 00h00

“O estresse é considerado um fator de risco para a ocorrência e desenvolvimento da doença aterosclerótica cardíaca e um dos desencadeadores do infarto agudo do miocárdio.” A afirmação é do cardiologista e coordenador da Unidade Crítica Cardiológica do Hospital Sírio Libanês - SP Luciano Moreira Baracioli. Durante o Congresso Virtual de Cardiologia da SOCESP, que acontece entre os dias 29 de junho e 2 de julho pelas plataformas digitais, o especialista trará a discussão Takotsubo em jovem por Covid. A síndrome de Takotsubo, também conhecida por Síndrome do Coração Partido, é uma cardiomiopatia induzida por estresse, cuja principal característica é a alteração súbita do funcionamento cardíaco, podendo causar lesão miocárdica, e sendo muitas vezes confundida com o infarto agudo do miocárdio. Em geral, as fortes emoções são as responsáveis pela ocorrência e, em tempos de COVID-19, os médicos consideram que o cenário da pandemia pode corroborar para isso. “A primeira descrição de Takotsubo foi em 1991, no Japão, e hoje já temos uma grande casuística dessa doença”, diz. “Porém, no contexto da COVID-19, ainda não tivemos nenhuma publicação com importante série de casos, mas já há alguns relatos publicados.” O desencadeamento de novos eventos cardíacos em pessoas que, até então, não tinham nenhum comprometimento também impacta a própria doença causada pelo novo coronavírus. “Sabemos que pacientes com doenças cardiovasculares prévias têm maior internação em unidades de terapia intensiva, durante o curso da infecção por COVID-19. Mas aqueles que apresentam novas lesões miocárdicas durante o período de contágio são os que apresentam o pior prognóstico, inclusive com maior índice de mortalidade”, alerta o cardiologista. “Por isso, a preocupação redobrada com síndromes cardíacas derivadas do estresse.” Medo que paralisa O receio da contaminação também promove outro problema: os pacientes em tratamento por outras doenças agudas – cardiovasculares ou não –, que necessitam de acompanhamento médico, estão negligenciando a rotina de saúde. Segundo Creio que, do ponto de vista cardiológico, estaremos sim diante de um aumento significativo de novos quadros de doenças cardiovasculares e de complicações ou descompensações das pré-existentes.” Informações e Inscrições: www.socesp.org.br/congressovirtual