Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus:

PODER 360/BRASÍLIA
Data Veiculação: 26/05/2020 às 19h32

O exame de contraprova para covid-19 realizado pelo presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Dias Toffoli, confirmou o resultado negativo do teste anterior. De acordo com o Hospital DF Star, onde o magistrado de 52 anos está internado desde sábado (23.mai.2020), o ministro “demonstra nas últimas 24 horas melhora clínica progressiva, permanecendo sem necessidade de nenhum tipo de suporte respiratório “. Eis a íntegra da nota divulgada nesta 3ª feira (26.mai). Receba a newsletter do Poder360 Toffoli foi internado e passou por cirurgia para drenagem de 1 abscesso na noite de sábado. Na ocasião, o secretário de saúde do Supremo, Marco Polo Dias Freitas informou que o ministro havia apresentado “sinais respiratórios que sugeriram infecção pelo novo coronavírus“. Disse que Toffoli fez 1 primeiro teste para a doença na 4ª feira (20.mai), com resultado negativo. O presidente do STF é acompanhado por uma equipe médica que inclui a doutora Ludhmila Hajjar, que era do Sírio-Libanês e agora é da rede D’Or (dona do DF Star) e que desembarcou em Brasília no domingo (26.mai) justamente para acompanhar o caso do magistrado. Durante o período de ausência de Toffoli, as sessões do STF são presididas pelo vice da Corte, ministro Luiz Fux.

ONCOLOGIA BRASIL
Data Veiculação: 26/05/2020 às 16h18

O que esperar da ASCO 2020 Virtual Annual Meeting? 26/05/2020 2 min. de leitura. Os médicos oncologistas clínicos Dr. Rafael Kaliks, do Hospital Israelita Albert Einstein, e Dr. Rodrigo Munhoz, do Hospital Sírio-Libanês e ICESP, estão à frente da nossa cobertura do ASCO 2020 Virtual Annual Meeting e convidam a todos os colegas a acompanharem e assistirem às discussões. Devido à pandemia de COVID-19, o evento será completamente diferente este ano. Pela primeira vez tanto a apresentação das sessões de pôsteres e suas discussões, quanto as sessões plenárias e as apresentações de trabalhos orais acontecerão em formato integralmente digital. Os abstracts já foram disponibilizados no último dia 13/05 e, a partir do dia 28/05, todo os late breakings abstracts também estarão disponíveis. No primeiro dia do evento, sexta-feira, 29/05, todo o conteúdo finalmente ficará à disposição de quem se registrou na plataforma do congresso. Sábado e domingo, respectivamente 30 e 31/05, serão realizadas as sessões de discussão dos highlights por temas específicos, um modelo bastante distinto do que os médicos estão acostumados no evento presencial, mas que promete ser bastante rico. Na nossa cobertura especial, Dr. Rafael e Dr. Rodrigo coordenam diariamente, além de notícias, vídeos e webinars com renomados oncologistas para compartilhar os principais destaques de cada tema: biomarcadores e medicina de precisão, cabeça e pescoço, gastrointestinal, geniturinário, ginecologia, hematologia, mama, melanoma e sarcoma, mutações raras, novas drogas e novo potencial agnóstico, neuro-oncologia, e pulmão. Dr. Rafael Kaliks, Dr. Rodrigo Munhoz, Dr. Alessandro Leal, Dr. Thiago Bueno, Dr. Fernando Santini, Dra. Rachel Riechelmann, Dr. Fabio Schutz, Dra. Angelica Nogueira, Dr. Jacques Tabacof e GBOT – Grupo Brasileiro de Oncologia Torácica. Confira a programação e inscreva-se para participar dos webinars: https://webmdhealth.com.br/asco-2020/ Posts Relacionados

METRÓPOLES/BRASÍLIA
Data Veiculação: 26/05/2020 às 15h13

A decisão da Organização Mundial da Saúde (OMS) de suspender os testes com hidroxicloroquina e cloroquina, anunciada na segunda-feira (25/05), não vai interromper as pesquisas sobre o medicamento que estão sendo feitas no Brasil. Já em andamento, as pesquisas abrangem entre 40 e 60 hospitais do país, com 1.100 pacientes da Covid-19. O projeto é capitaneado pelos hospitais Albert Einstein, HCor, Hospital Sírio Libanês, Hospital Moinhos de Vento, Hospital Alemão Oswaldo Cruz, BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo e Rede Brasileira de Pesquisa em Terapia Intensiva (BRICNet), junto com o Ministério da Saúde. A coalizão realiza três frentes de pesquisas: uma para avaliar o uso da azitromicina e da hidroxicloroquina em 630 pacientes hospitalizados com quadro leve a moderado da doença; outra, monitora o uso do medicamento nos casos mais graves da Covid-19, com 440 pacientes e uma terceira frente estuda um medicamento chamado dexametasona, com ação anti-inflamatória, em pacientes em ventilação mecânica. A OMS suspendeu os testes temporariamente depois que a revista The Lancet publicou um grande estudo sobre os riscos da hidroxicloroquina, entre eles: o aumento no risco de morte por problemas cardíacos, como arritmia. O estudo avaliou pacientes internados em 671 hospitais de seis continentes, entre 20 de dezembro e 14 de abril.

G1/NACIONAL
Data Veiculação: 26/05/2020 às 14h24

Nesta quarta-feira, dia 20, a UniFAJ – Centro Universitário de Jaguariúna divulgou o link de inscrição para o primeiro processo seletivo do curso de Medicina (Humana) que ofertará 80 vagas, com aulas previstas para iniciar no segundo semestre de 2020. De acordo com a comissão do vestibular, o processo seletivo permite que o candidato utilize a nota do ENEM - Exame Nacional do Ensino Médio de edições entre os anos de 2009 e 2019, e contará com uma fase de avaliação online utilizando um software de alta tecnologia, garantindo a eficiência no processo. A decisão de fazer um vestibular online foi tomada com base nas recomendações estabelecidas pelo MEC - Ministério da Educação e autoridades sanitárias devido à COVID-19, como explica o diretor Acadêmico do centro universitário, professor Flávio Pacetta. “A UniFAJ, no intuito de manter a credibilidade do Processo Seletivo de Medicina utilizará de ferramentas e tecnologias altamente qualificadas que garantam o processo dentro da maior lisura, como sempre realizou em seus 21 anos de atuação, bem como nos Processos Seletivos de Medicina já realizados em sua coligada UniMAX, em Indaiatuba”, explicou. As aulas do curso previstas para iniciar em agosto deste ano, seguirão de acordo com o Projeto Pedagógico da graduação da UniFAJ que foi aprovado com nota máxima pelo MEC, bem como as orientações dos órgãos competentes neste momento de Pandemia e isolamento social. “Compreendemos também que a tecnologia é nossa aliada nesse momento de transformação. A telemedicina, por exemplo, é uma das realidades do novo profissional Médico que estamos formando em nossa unidade de Indaiatuba e que será formado em Jaguariúna. Tanto que um dos Programas que nossos alunos participam dentro do Hospital Sírio-Libanês é denominado “Médicos do Futuro”. E é neste profissional que acreditamos e que formamos”, ressalta Pacetta. O curso Autorizado pelo MEC no dia 22 de abril, o curso de Medicina (Humana) da UniFAJ foi avaliado com nota máxima (5) Ministério da Educação em todos os requisitos: projeto pedagógico, coordenação e corpo docente, e infraestrutura. Com este desempenho, a graduação do centro universitário fica entre os 5% dos melhores cursos do Brasil. O projeto pedagógico diferenciado é baseado nas mesmas metodologias usadas em Universidades de Harvard, Oxford e MIT. Na UniFAJ, os alunos trabalharão com promoção e prevenção, desde o primeiro ano do curso, nas Unidades Básicas de Saúde e hospitais parceiros no projeto. Os estudantes enfrentarão situações-problemas, proporcionando uma preparação singular, uma formação humanizada e capacitação para o mercado de trabalho a partir da ampliação do conhecimento, instigando o aprendizado, aprimorando habilidades e competências. “Essa é a concretização de mais um sonho que vem sendo sonhado há tempos. É com muito orgulho e muita força que trazemos o curso de Medicina de Jaguariúna”, ressalta o Reitor, professor Dr. Ricardo Tannus. As aulas ocorrerão no campus VI, construído especialmente para receber o curso, que é o CCEM (Centro Clínico de Especialidades Médicas), localizado na Rodovia Adhemar de Barros (SP 340), km 127, nº280, Tanquinho Velho, que deve ser inaugurado em breve. Este é o sexto campus da UniFAJ e conta com mais de 2.300 m² de área construída. O objetivo é atender a população de Jaguariúna e ser um espaço para a prática da Medicina pelos estudantes. O local beneficiará também cidades da região em diversos aspectos, entre eles o educacional e a melhoria nos índices de saúde pública. Parcerias O curso de Medicina de Jaguariúna já nasce com apoio de um conselho consultivo formado pelos Doutores Paulo Chapchap, Silvano Raia e Giovanni Guido Cerri, todos do corpo médico do Hospital Sírio-Libanês, e pelo Prof. Dr. Robson Capasso da Universidade de Stanford, numa estreita parceria com renomados centros de referência nacional e internacional em saúde. Os médicos do conselho consultivo contribuem ativamente para o planejamento das atividades educacionais da graduação e de atenção à saúde de Jaguariúna, assim como fazem na UniMAX – Centro Universitário Max Planck em Indaiatuba. Também são parceiras as prefeituras de Jaguariúna, Holambra, Santo Antônio de Posse, Pedreira e Amparo e os hospitais de Jaguariúna, Pedreira, Amparo (Santa Casa Anna Cintra e Beneficência Portuguesa), o Hospital Samaritano e o HAOC (Hospital Augusto de Oliveira Camargo) em Indaiatuba. A instituição A UniFAJ conta com mais de 25 cursos das áreas de Humanas, Saúde, exatas e Agrárias, que têm por proposta a vivência prática da carreira. Sendo eles, considerados os melhores do Brasil de acordo com pesquisas referências na área educacional, como o Ranking Universitário Folha - RUF, que em 2019, a instituição foi classificada como o 4º melhor centro universitário do País e o 2º melhor do estado de São Paulo. Vestibular O interessado deve acessar o site e realizar a inscrição no Vestibular de Medicina. A taxa de inscrição é de R$200,00 e a prova será no dia 13 de junho. Para mais informações, basta entrar em contato pelo telefone 0800 755 55 55 ou no site da instituição.

G1/NACIONAL
Data Veiculação: 26/05/2020 às 14h02

Os hospitais privados de São Paulo vão manter os estudos sobre o uso de cloroquina em pacientes, mesmo após a Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciar que suspendeu o uso da hidroxicloroquina em pesquisas que ela coordenava com cientistas de 100 países. Segundo divulgado pela OMS nesta segunda-feira (25), interrupção é temporária e foi tomada até que a segurança da droga seja reavaliada, já que estudos recentes mostraram que ela não é eficaz contra a Covid-19 e pode aumentar a taxa de mortalidade. Ao G1, os hospitais Sírio Libanês e Albert Einstein, em São Paulo, informaram que os testes e pesquisas não serão interrompidos. Em nota, o Einstein disse que seu estudo está em fase final e deve ser divulgado nas próximas três semanas. Os hospitais fazem de uma iniciativa nomeada Coalizão COVID Brasil desenvolvida em parceria com o Ministério Público para realizar pesquisas com pacientes internados pela doença. A reportagem também entrou em contato com o Hospital Oswaldo Cruz, que integra o grupo, e aguarda retorno. Em nota, o Hospital Sírio Libanês disse que trabalha com inúmeros estudos de tratamento contra a doença, sendo que "três dessas pesquisas avaliam o uso da hidroxicloroquina". "O Hospital Sírio-Libanês faz parte da Coalizão Covid, que reúne vários hospitais e entidades para o estudo de diversos tratamentos para COVID-19. Três dessas pesquisas avaliam o uso da hidroxicloroquina. Os testes ainda estão em andamento e os resultados dos dois primeiros devem ser divulgados dentro de 20 a 25 dias. Esses estudos não serão paralisados. Todos os pacientes do Sírio-Libanês estão em observação e são acompanhados na eventualidade de qualquer efeito adverso", disse o hospital, em nota.

HOSPITAIS BRASIL ONLINE
Data Veiculação: 26/05/2020 às 00h00

O Hospital Unimed Volta Redonda (RJ) demonstra mais um exemplo de pioneirismo e passa a fazer parte do grupo Coalizão Covid Brasil, que reúne hospitais que estão conduzindo estudos para o tratamento do novo Coronavírus. É o único hospital do interior do Rio de Janeiro que integra essa iniciativa, que tem como objetivo avaliar a eficácia e segurança de medicamentos para pacientes com infecção pelo Covid-19. Os pesquisadores dessas instituições farão avaliação de opções de tratamento para pacientes infectados pelo coronavírus e, a partir desses estudos, será possível avaliar a segurança e eficácia das terapêuticas adotadas em diferentes perfis de pacientes. O Hospital Unimed Volta Redonda se une a alguns dos principais centros hospitalares do país, como Hospital Israelita Albert Einstein, HCor, Hospital Sírio-Libanês, Hospital Moinhos de Vento, Hospital Alemão Oswaldo Cruz, BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, além da Rede Brasileira de Pesquisa em Terapia Intensiva (BRICNet) e do Ministério da Saúde. O Dr. Vicente Lopes da Silva Júnior vai estar à frente do estudo feito pela Unimed, que vai avaliar se existe benefício do uso da hidroxicloroquina no tratamento da doença. As pesquisas devem começar ainda neste mês e será feita com pacientes com quadro mais leve de coronavírus, que apresentam sintomas, mas sem indicação para internação. O estudo vai acompanhar o quadro clínico de quem aceitar participar do estudo, que consiste em acompanhar os efeitos do medicamento ao longo de sete dias de uso. “Participar desse estudo nos coloca como referência em pesquisa do coronavírus no estado do Rio. É uma oportunidade de contribuir para a ciência no Brasil e no mundo, pois a doença ainda não tem tratamento e poderemos participar de uma importante descoberta”, avalia o presidente da Unimed Volta Redonda, Luiz Paulo Tostes Coimbra. Sobre a quantidade de pacientes que serão avaliados ainda não é possível precisar números, pois depende da quantidade de pessoas que aceitarem participar do estudo.

HOSPITAIS BRASIL ONLINE
Data Veiculação: 26/05/2020 às 00h00

Nessa terça-feira (26), às 19h, a HSM e o Hospital Sírio-Libanês promoverão webinar sobre os impactos da Covid-19 na saúde e nos negócios. A conversa terá a participação de Daniel Castanho, Presidente do Conselho da Ânima Educação; Dr. Paulo Chapchap, Diretor Geral do Hospital Sírio-Libanês e presidente do Conselho de Ensino e Pesquisa da instituição, e Prof. Dr. Esper Kallas, médico infectologista, professor da Faculdade de Medicina da USP, pesquisador e coordenador do Centro de Pesquisas Clínicas do Hospital das Clínicas da FMUSP. Durante o bate-papo, os especialistas discutirão os impactos da pandemia e seus desdobramentos na medicina, nas instituições de saúde e no ambiente de negócios do país. Para acompanhar, basta se cadastrar gratuitamente por meio do link: bit.ly/webinarSirioHSM

CARTA CAPITAL ONLINE/SÃO PAULO
Data Veiculação: 26/05/2020 às 00h00

Nesta segunda-feira 25, a Organização Mundial da Saúde anunciou a suspensão dos estudos com a cloroquina e hidroxicloroquina. A decisão foi tomada após um estudo publicado na revista científica The Lancet, que observou 96 mil pacientes, indicar aumento no risco de morte e piora no quadro cardíaco. No Brasil, o movimento é inverso. Na semana passada, após determinação do presidente Jair Bolsonaro, o Ministério da Saúde implementou um protocolo que prevê o uso da cloroquina em estágios iniciais de pacientes com o novo coronavírus. E não dá sinais de recuo. A pressão pelo afrouxamento já culminara na saída do ministro Nelson Teich, substituído interinamente pelo general Eduardo Pazuello. Diante dos fatos, estariam Bolsonaro e seu ministro interino incorrendo em crime de responsabilidade? Para o médico e advogado Daniel Dourado, professor universitário e pesquisador do Centro de Estudos e Pesquisas de Direito Sanitário da Universidade de São Paulo, sim. Na opinião do especialista, incentivar uso da cloroquina sem o devido conhecimento dos riscos fere o nono item 7º da lei 1.079, que proíbe violar patentemente qualquer direito ou garantia individual e direitos sociais assegurados pela Constituição. “Eles estão, conscientemente, mantendo um protocolo sem saber se ele é seguro. É obrigação do Estado assegurar medidas de proteção, recuperação da saúde do cidadão. Caso persistam, é possível enquadrá-los nesse dispositivo.” Além disso, destaca Dourado, o governo tem usado a questão da cloroquina para forçar prefeitos e governadores a relaxar o isolamento. “É grave, pois ainda não há condição de relaxar ainda essas medidas.” Horas após o comunicado da OMS, a Procuradoria-Geral da República recebeu um pedido da deputada Sâmia Bonfim (PSOL) para proibir o novo protocolo do medicamento aprovado pela Ministério da Saúde. De acordo com a parlamentar, o “pode custar milhares de vidas” e impede o Estado “de atuar de maneira eficaz contra a doença.” Dourado concorda. “O uso da cloroquina contra a covid-19 não sequer tem registro na Anvisa. A Lei Orgânica da Saúde exige evidências científicas, a lei da pandemia exige evidencias científicas. Com esse risco evidente, a OMS suspendendo estudos, o mínimo era suspender o protocolo por aqui.” Apesar das evidências mais robustas até aqui serem desfavoráveis à cloroquina, a questão científica ainda é campo aberto. No caso do estudo do Lancet e outros recentes, publicados no New England Journal of Medicine e na revista Jama, a pesquisa era observacional: os pesquisadores observam pessoas que já tomaram (ou não) o remédio, e compara diferenças. Há ainda os ensaios clínicos, onde os cientistas controlam quem vai e receber a droga e de que forma. “O nível de exigência do ensaio clínico é maior”, explica Dourado. O maior estudo do tipo no Brasil, coordenado pelo HCor, Sírio-Libanês e outras dezenas de hospitais, deve apresentar os resultados em três semanas.

CORREIO BRAZILIENSE/BRASÍLIA | GERAL
26/05/2020 às 03h00

IMUNIZACAO PASSIVA A grande maioria dos pacientes que se recuperam de covid-19 desenvolve anticorpos neutralizantes para várias proteínas que compõe o Sars-Cov-2 entre duas e três semanas após a infecção. Elas são detectáveis pelo teste Elisa, entre outros métodos. 14 • CORREIO BrAZILIENSE • Brasília, terça-feira, 26 de maio de 2020 7. Primeiro estudo sobre o uso do plasma convalescente em pacientes da covid-19 que compara a eficácia da técnica a um grupo de controle mostra redução da mortalidade e do tempo de internação daqueles tratados com a abordagem centenária Transfusão de anticorpos » PALOMA OLIVETO Em 1890, uma publicação científica descreveu, pela primeira vez, uma abordagem que já vinha sendo observada por cientistas. O micro biólogo alemão Emil Behring relatou, na revista Deutsche Medicin ishce Wochenschrift, que animais infectados com difteria e tétano poderiam ser curados pelo sangue de outros, saudáveis, que haviam se recuperado da mesma doença. Além de ajudar a estabelecer as bases da vacina, o pesquisador apresentou evidências de uma terapia que, mais de 100 anos depois, está sendo testada para enfrentar a pandemia da covid-19. Sem vacina nem medicamentos específicos disponíveis até agora, médicos experimentam o tratamento com sangue convalescente para fazer com que os pacientes desenvolvam anticorpos para o SarsCoV-2, a partir do plasma purificado de pessoas curadas da doença. Pequenos estudos de casos têm demonstrado que a abordagem ajuda a eliminar o vírus mais rapidamente do organismo, reduzindo o tempo de internação e a gravidade da covid-19. Agora, cientistas da Faculdade de Medicina Icahn do Monte Sinai, em Nova York, divulgaram os resultados de uma pesquisa na qual compararam a eficácia do tratamento de pessoas submetidas à abordagem a de pacientes que não receberam o plasma. É a primeira vez que, na pandemia atual, usa-se um grupo de controle para avaliar essa terapia. De acordo com o artigo, divulgado na plataforma online de pré-publicação científica medRxiv, os pacientes internados no Hospital Universitário Monte Sinai que receberam plasma convalescente tiveram sobrevida maior e apresentaram melhora na oxigenação comparados a um grupo de hospitalizados não submetidos ao tratamento. Contudo, mesmo que o estudo tenha usado a metodologia considerada padrão-ouro das pesquisas científicas — isto é, pacientes em grupos passíveis para comparação —, os autores observam que, no caso daqueles que não receberam o plasma, os dados foram obtidos retrospectivamente — eles não foram acompanhados ao mesmo tempo das pessoas que passaram pelo tratamento experimental. Os dados do estudo norte-americano — primeiro país, depois da China, a testar o plasma convalescente em pacientes de covid-19 —, referem-se a 78 infectados pelo Sars-CoV-2. Trinta e nove deles receberam cerca de 500ml de sangue. Os relatos são preliminares, pois os testes continuarão a ser feitos, com números maiores de participantes. Seleção Nicole Bouvier, professora da Faculdade de Medicina Ichan e coautora do artigo, explica que as informações do grupo de controle foram obtidas por um algoritmo que fez a seleção dos pacientes nos prontuários disponíveis pelo Sistema de Saúde da cidade de Nova York, uma das primeiras e mais atingidas pela epidemia nos Estados Unidos. De acordo com ela, o programa buscou pessoas infectadas pela covid19 com características semelhantes às das que participaram ativamente do estudo, como idade, comorbidades, necessidade de oxigenação suplementar etc. Todos os participantes, inclusive os do grupo controle, precisaram de oxigenação no primeiro dia de internação. Sessenta e nove por cento receberam o oxigênio de baixo fluxo (por máscara ou cateter no nariz) e o restante por ventilação mecânica invasiva (respirador). No 14° dia, as condições clínicas pioraram em 18% dos pacientes com plasma e 24,3% dos controles. Nos dias 1 e 7, o grupo plasmático também mostrou uma redução na proporção de internos com piora do estado de oxigenação, mas essa diferença não foi estatisticamente significativa. Em Io de maio, ao fim de duas semanas de estudo, 12,8% dos receptores de plasma e 24,4% dos pacientes controle haviam morrido; e 71,8% e 66,7%, respectivamente, recebido alta. “Estamos confiantes de que nossa avaliação inicial tenha fornecido evidências em apoio ao plasma convalescente como uma intervenção eficaz”, afirma Nicole Bouvier. De acordo com ela, aparentemente os pacientes menos graves tendem a se beneficiar mais do tratamento, algo que deve ser confirmado em estudos futuros. “São necessárias pesquisas adicionais para confirmar esses dados, para tirarmos conclusões mais definitivas em diferentes populações”, destaca. Embora centenária, essa terapia ainda não foi testada em muitos pacientes, seguindo a metologia padrão ouro dos estudos científicos. Uma dificuldade para isso, segundo especialistas, é a alta mortalidade em tempos de epidemias de doenças infecciosas, quando, para salvar vidas, os médicos têm de lançar mão dos tratamentos com eficácia conhecida, em detrimento de randomizar pacientes em grupos comparativos. Influenza Um dos maiores trabalhos científicos sobre o plasma convalescente em termos numéricos foi realizado no ano passado por uma equipe de pesquisadores norte-americanos, financiada pelo Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas dos EUA, o Niaid. Cento e quarenta crianças e adultos com influenza foram divididos aleatoriamente em dois grupos, sendo que metade recebeu plasma convalescente com altos níveis de anticorpos virais, e metade o placebo, que consistiu em sangue sem anticorpos. O estudo foi duplo-cego: nem médicos nem pacientes sabiam quem era receptor do tratamento verdadeiro. O artigo, publicado na revista médica TheLancet, concluiu que não houve benefícios para aqueles que receberam o plasma convalescente. O vírus testado, porém, foi a influenza A, que não pertence à mesma família do Sars-CoV-2. Na época das epidemias de Sars e Mers, corona vírus semelhantes ao causador da covid-19, pequenos estudos indicaram melhora dos receptores de sangue convalescente, com presença comprovada por testes de anticorpos circulantes no organismo. Recentemente, um estudo com macacos rhesus mostrou que os animais tratados com essa abordagem eliminaram o micro-organismo mais rapidamente e, quando colocados em contato novamente com o Sars-CoV-2, não foram desinfectados. Há poucos trabalhos sobre os efeitos dessa terapia em humanos durante a pandemia atual. Geralmente, as publicações são estudos de casos. No início do mês, pesquisadores indianos fizeram uma compilação da literatura disponível e encontraram bons resultados. O artigo foi publicado no Journal ofMedicalVirology. Para a pesquisa, os autores buscaram nos indexadores de estudos científicos artigos sobre o uso do plasma convalescente na pandemia da covid-19. Eles encontraram cinco artigos que, juntos, envolveram 27 pacientes. Quatro foram realizados na China e um na Coréia do Sul. Vinte e uns hospitalizados eram considerados críticos quando admitidos nas Unidades de Terapia Intensiva, e 14 dependiam de respiradores. Dezessete foram diagnosticados com a síndrome do estresse respiratório agudo, a fase mais grave da covid-19. “Todos os cinco estudos constataram que a terapia com plasma convalescente reduziu, significativamente, a carga viral e aumentou o nível de anticorpos neutralizadores ao longo tempo”, escreveram os autores. “Depois de receberem a transfusão, quase todos os pacientes mostraram melhoras nos sintomas, incluindo normalização da temperatura corporal, absorção das lesões pulmonares em graus variados, cura da síndrome e dispensa da ventilação mecânica entre um a 35 dias após a transfusão.” Os autores observaram que nenhum dos cinco estudos foram randomizados, com grupos de placebo para comparação. Porém, como os efeitos colaterais do tratamento são basicamente nulos, alguns especialistas defendem o uso do plasma convalescente nos pacientes da covid19. É o caso de Foad Alzoughool, pesquisador da Universidade de Hashemite, emAmsterdam. Ele estudou a imunização passiva em epidemias anteriores, como de ebola, chicungunha e H1N1, e afirma que as evidências da eficácia desse tratamento são convincentes. “O uso de plasma dos pacientes recuperados pode ser útil na guerra mundial contra a covid-19”, acredita. De acordo com ele, especialmente quando a transfusão é feita logo após os primeiros sintomas, o tempo de internação é “significativamente mais baixo" e a mortalidade é menor, comparado a pessoas com características semelhantes, que não receberam esse tratamento. “Se estamos buscando terapias para a covid-19, vamos encontrá-la no sangue dos sobreviventes. Em uma época na qual não há nenhuma droga antiviral nem vacina para essa doença, a imunização passiva pode ajudar a frear o vírus letal e salvar vidas, particularmente de idosos e pacientes com comorbidades”, diz. 0 que se espera » Pesquisas no Brasil Atualmente, há mais de 140 projetos mundiais para uso da terapia com plasma convalescente em pacientes de covid-19 e ao menos 60 estudos em andamento. No Brasil, o tratamento experimental está em curso no Hemocentro do Pará, no Hemorio (RJ) e em uma parceria do Hospital Israelita Albert Einstein, do Hospital Sírio Libanês, da Universidade de São Paulo e da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, todos em São Paulo. Ainda não há resultados publicados desses estudos, que estão sendo acompanhados pelo Ministério da Saúde. A terapia busca fazer com que a transferência do plasma dos pacientes recuperados neutralize o vírus em doentes da covid-19, impedindo uma replicação viral adicional e interrompendo os danos contínuos nos órgãos. A quem se destina acredita-se que essa abordagem funcione melhor em pacientes com infecção menos grave, no início do curso da doença ou profilaticamente em indivíduos altamente suscetíveis, como profissionais de saúde expostos ou cuidadores familiares de pacientes com covid-19. Também está sendo testada em pacientes muito graves, sem resposta dos demais tratamentos. Como é feita ■ 0 plasma do doador é testado, para verficar se está infectado por outros micro-organismos, como HIV, hepatites e sífilis. ■ 0 paciente da covid-19 recebe o plasma por meio de uma injeção na veia de um dos braços. 0 procedimento dura de uma a duas horas. Riscos São os mesmos de se receber uma transfusão de sangue, caso este esteja contaminado. Evidências ■ é uma terapia experimental, há poucos estudos sobre a abordagem. Contudo, nas últimas décadas, pequenos estudos de caso nas epidemias dos coronavírus Sars e Mers mostram que, especialmente se feita no início da doença, a transfusão do sangue convalescente é segura e limpa o vírus do organismo mais rapidamente. ■ Macacos rhesus infectados com Sars-CoV-2 geraram respostas de anticorpos e não foram reinfectados pelo vírus em um estudo publicado no Journal of Clinicai Investigation. Fonte: Sociedade Norte-Americana de Hematologia Valdo Virgo/CB/D.A Press

FOLHA DE S.PAULO/SÃO PAULO | COTIDIANO
Data Veiculação: 26/05/2020 às 03h00

Os estudos mais relevantes já iniciados no Brasil sobre o uso da cloroquina e da hidroxicloroquina para tratamento da Covid-19 não serão interrompidos. falta pouco Um deles, feito pela Coalizão Covid-19 (integrada pelos hospitais Albert Einstein, HCor, Sírio-Libanês, Moinhos de Vento, BP, Oswaldo Cruz e pela rede BRICNet), já incluiu todos os 1.100 pacientes na pesquisa. A maioria já finalizou o tratamento e os resultados agora poderão ser observados. falta pouco 2 Nào faria sentido, portanto, interromper a pesquisa, mesmo depois que a OMS (Organização Mundial da Saúde) interrompeu um estudo que fazia com hidroxicloroquina em 18 países para avaliar a segurança. breque A OMS tomou a decisão depois que a revista científica inglesa The Lancet publicou pesquisa feita com dados de 96 mil pessoas internadas com Covid-19 ern 671 hospitais de seis continentes, indicando que o uso dos medicamentos estava ligado a maior risco de arritmia e de morte. acelerador Aocontrárioda organização, no entanto, o estudo da Coalizão Covid-19 já teve a segurança e a eficácia testadas por um comitê independente, com cientistas internacionais. E recebeu sinal verde para seguir adiante. sorteio um outro dado: o estudo com os 96 mil pacientes não era randomizado, em 3ue os pacientes são escolhios de forma aleatória, considerado o padrão-ouro para a ciência. O brasileiro seguiu o rito. ponto final “A ciência vai mostrar para nós qual é o caminho, com estudos definitivos e randomizados”, diz o médico Otávio Berwanger, diretor da Academie Research Organization, divisão de pesquisa clínica do hospital Albert Einstein. em breve Um outro estudo, da Fiocruz de Manaus, com 250 pacientes hospitalizados, também já está perto do fim e será mantido. As conclusões devem sair em dua s semana s. arquivo A fundação, por outro lado, interrompeu estudo com pacientes leves que tomariam doroquina. segue O estudo divulgado pela revista The Lancet, de qualquer forma, não encerra a questão em torno da hidroxicloroquina. Além dos brasileiros, também na Inglaterra os estudos seguem adiante. segue 2 Depois que a pesquisa foi divulgada, a agência reguladora britânica medicines and Healthcare Products Regulatory Agency decidiu pela continuidade dos testes do medicamento depois de avaliar que o uso não trouxe maiores riscos à saúde dos voluntários. mitinho O ministro da Educação, Abraham Weintraub, despontou em grupos de WhatsApp bolsonaristas como franco favorito para disputar a Presidência em 2026 (depois de sonhada, por eles, reeleição de Jair Bolsonaro). Antes disso, defendem lançálo candidato a prefeito de SP. QUARENTENA A cantora americana Lizzo postou uma foto usando máscara de proteção contra a Covid-19 e luvas com a mesma estampa do seu biquini. "Bem-vindos ao verão de 2020”, eSCreveU Lizzonolnstagram "Cara de um, focinho do outro. #conceicao #adote #viralata #noronhense" escreveu 0 ator Paulinho Vilhena na legenda de Uma Selfie COm 0 SeU Cachorro PaulinhoVilhena no Instagram 0 ator Dudu Azevedo postou u m registro de uma live da qual participou. "Estamos recolhidos, mas temos buscado maneiras de exercitar e exercer nosso papel dentro das possibilidades que temos" disse Dudu Azevedo no Instagram passo a passo O Governo de São Paulo deve publicar nos próximos dias protocolos específicos com diretrizes para o funcionamento de atividades relacionadas à economia criativa durante a pandemia de Covid-19. passo 2 Eles tratarão de projetos drive-in, produções audiovisuais, de espetáculos e de agências de publicidade. passo 3 Para a retomada da produção audiovisual, por exemplo, será obrigatório o cumprimento de medidas como a limitação de 30% da ocupação da capacidade máxima permitida em sets e deverão ser evitadasgravações de cenas com situações de contatos físicos. linha... O Conselho Regional de Enfermagem de SP recebeu até segunda (25) 1.649 denúncias de irregularidades registrados por enfermeiros que atuam no atendimento a pacientes de Covid-19. ...defrente Delas,972consistiam em falta de equipamentos de proteção individual para uso em serviço e 115 diziam respeito a profissionais com idades do grupo de risco sendo colocados para trabalhar. entre muros O deputado estadual paulista Ernídio de Souza (PT) enviou documento a João Doria (PSDB-SP) pedindo que o governo de SP realize testagem em massa de Covid-19 em agentes do sistema penitenciário paulista.

CORREIO WEB/CORREIO BRAZILIENSE/BRASÍLIA
Data Veiculação: 26/05/2020 às 06h00

Em 1890, uma publicação científica descreveu, pela primeira vez, uma abordagem que já vinha sendo observada por cientistas. O microbiólogo alemão Emil Behring relatou, na revista Deutsche Medicinishce Wochenschrift, que animais infectados com difteria e tétano poderiam ser curados pelo sangue de outros, saudáveis, que haviam se recuperado da mesma doença. Além de ajudar a estabelecer as bases da vacina, o pesquisador apresentou evidências de uma terapia que, mais de 100 anos depois, está sendo testada para enfrentar a pandemia da covid-19. Sem vacina nem medicamentos específicos disponíveis até agora, médicos experimentam o tratamento com sangue convalescente para fazer com que os pacientes desenvolvam anticorpos para o Sars-CoV-2, a partir do plasma purificado de pessoas curadas da doença. Pequenos estudos de casos têm demonstrado que a abordagem ajuda a eliminar o vírus mais rapidamente do organismo, reduzindo o tempo de internação e a gravidade da covid-19. Agora, cientistas da Faculdade de Medicina Icahn do Monte Sinai, em Nova York, divulgaram os resultados de uma pesquisa na qual compararam a eficácia do tratamento de pessoas submetidas à abordagem a de pacientes que não receberam o plasma. É a primeira vez que, na pandemia atual, usa-se um grupo de controle para avaliar essa terapia. De acordo com o artigo, divulgado na plataforma online de pré-publicação científica medRxiv, os pacientes internados no Hospital Universitário Monte Sinai que receberam plasma convalescente tiveram sobrevida maior e apresentaram melhora na oxigenação comparados a um grupo de hospitalizados não submetidos ao tratamento. Contudo, mesmo que o estudo tenha usado a metodologia considerada padrão-ouro das pesquisas científicas — isto é, pacientes em grupos passíveis para comparação —, os autores observam que, no caso daqueles que não receberam o plasma, os dados foram obtidos retrospectivamente — eles não foram acompanhados ao mesmo tempo das pessoas que passaram pelo tratamento experimental. Os dados do estudo norte-americano — primeiro país, depois da China, a testar o plasma convalescente em pacientes de covid-19 —, referem-se a 78 infectados pelo Sars-CoV-2. Trinta e nove deles receberam cerca de 500ml de sangue. Os relatos são preliminares, pois os testes continuarão a ser feitos, com números maiores de participantes. Seleção Nicole Bouvier, professora da Faculdade de Medicina Ichan e coautora do artigo, explica que as informações do grupo de controle foram obtidas por um algoritmo que fez a seleção dos pacientes nos prontuários disponíveis pelo Sistema de Saúde da cidade de Nova York, uma das primeiras e mais atingidas pela epidemia nos Estados Unidos. De acordo com ela, o programa buscou pessoas infectadas pela covid-19 com características semelhantes às das que participaram ativamente do estudo, como idade, comorbidades, necessidade de oxigenação suplementar e etc. Todos os participantes, inclusive os do grupo controle, precisaram de oxigenação no primeiro dia de internação. Sessenta e nove por cento receberam o oxigênio de baixo fluxo (por máscara ou cateter no nariz) e o restante por ventilação mecânica invasiva (respirador). No 14º dia, as condições clínicas pioraram em 18% dos pacientes com plasma e 24,3% dos controles. Nos dias 1 e 7, o grupo plasmático também mostrou uma redução na proporção de internos com piora do estado de oxigenação, mas essa diferença não foi estatisticamente significativa. Em 1º de maio, ao fim de duas semanas de estudo, 12,8% dos receptores de plasma e 24,4% dos pacientes controle haviam morrido; e 71,8% e 66,7%, respectivamente, recebido alta. “Estamos confiantes de que nossa avaliação inicial tenha fornecido evidências em apoio ao plasma convalescente como uma intervenção eficaz”, afirma Nicole Bouvier. De acordo com ela, aparentemente os pacientes menos graves tendem a se beneficiar mais do tratamento, algo que deve ser confirmado em estudos futuros. “São necessárias pesquisas adicionais para confirmar esses dados, para tirarmos conclusões mais definitivas em diferentes populações”, destaca. Embora centenária, essa terapia ainda não foi testada em muitos pacientes, seguindo a metologia padrão ouro dos estudos científicos. Uma dificuldade para isso, segundo especialistas, é a alta mortalidade em tempos de epidemias de doenças infecciosas, quando, para salvar vidas, os médicos têm de lançar mão dos tratamentos com eficácia conhecida, em detrimento de randomizar pacientes em grupos comparativos. Influenza Um dos maiores trabalhos científicos sobre o plasma convalescente em termos numéricos foi realizado no ano passado por uma equipe de pesquisadores norte-americanos, financiada pelo Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas dos EUA, o Niaid. Cento e quarenta crianças e adultos com influenza foram divididos aleatoriamente em dois grupos, sendo que metade recebeu plasma convalescente com altos níveis de anticorpos virais, e metade o placebo, que consistiu em sangue sem anticorpos. O estudo foi duplo-cego: nem médicos nem pacientes sabiam quem era receptor do tratamento verdadeiro. O artigo, publicado na revista médica The Lancet, concluiu que não houve benefícios para aqueles que receberam o plasma convalescente. O vírus testado, porém, foi a influenza A, que não pertence à mesma família do Sars-CoV-2. Na época das epidemias de Sars e Mers, coronavírus semelhantes ao causador da covid-19, pequenos estudos indicaram melhora dos receptores de sangue convalescente, com presença comprovada por testes de anticorpos circulantes no organismo. Recentemente, um estudo com macacos rhesus mostrou que os animais tratados com essa abordagem eliminaram o micro-organismo mais rapidamente e, quando colocados em contato novamente com o Sars-CoV-2, não foram reinfectados. Há poucos trabalhos sobre os efeitos dessa terapia em humanos durante a pandemia atual. Geralmente, as publicações são estudos de casos. No início do mês, pesquisadores indianos fizeram uma compilação da literatura disponível e encontraram bons resultados. O artigo foi publicado no Journal of Medical Virology. Para a pesquisa, os autores buscaram nos indexadores de estudos científicos artigos sobre o uso do plasma convalescente na pandemia da covid-19. Eles encontraram cinco artigos que, juntos, envolveram 27 pacientes. Quatro foram realizados na China e um na Coreia do Sul. Vinte e uns hospitalizados eram considerados críticos quando admitidos nas Unidades de Terapia Intensiva, e 14 dependiam de respiradores. Dezessete foram diagnosticados com a síndrome do estresse respiratório agudo, a fase mais grave da covid-19. “Todos os cinco estudos constataram que a terapia com plasma convalescente reduziu, significativamente, a carga viral e aumentou o nível de anticorpos neutralizadores ao longo tempo”, escreveram os autores. “Depois de receberem a transfusão, quase todos os pacientes mostraram melhoras nos sintomas, incluindo normalização da temperatura corporal, absorção das lesões pulmonares em graus variados, cura da síndrome e dispensa da ventilação mecânica entre um a 35 dias após a transfusão.” Os autores observaram que nenhum dos cinco estudos foram randomizados, com grupos de placebo para comparação. Porém, como os efeitos colaterais do tratamento são basicamente nulos, alguns especialistas defendem o uso do plasma convalescente nos pacientes da covid-19. É o caso de Foad Alzoughool, pesquisador da Universidade de Hashemite, em Amsterdam. Ele estudou a imunização passiva em epidemias anteriores, como de ebola, chicungunha e H1N1, e afirma que as evidências da eficácia desse tratamento são convincentes. “O uso de plasma dos pacientes recuperados pode ser útil na guerra mundial contra a covid-19”, acredita. De acordo com ele, especialmente quando a transfusão é feita logo após os primeiros sintomas, o tempo de internação é “significativamente mais baixo” e a mortalidade é menor, comparado a pessoas com características semelhantes, que não receberam esse tratamento. “Se estamos buscando terapias para a covid-19, vamos encontrá-la no sangue dos sobreviventes. Em uma época na qual não há nenhuma droga antiviral nem vacina para essa doença, a imunização passiva pode ajudar a frear o vírus letal e salvar vidas, particularmente de idosos e pacientes com comorbidades”, diz. Pesquisas no Brasil Atualmente, há mais de 140 projetos mundiais para uso da terapia com plasma convalescente em pacientes de covid-19 e ao menos 60 estudos em andamento. No Brasil, o tratamento experimental está em curso no Hemocentro do Pará, no Hemorio (RJ) e em uma parceria do Hospital Israelita Albert Einstein, do Hospital Sírio Libanês, da Universidade de São Paulo e da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, todos em São Paulo. Ainda não há resultados publicados desses estudos, que estão sendo acompanhados pelo Ministério da Saúde.