Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus:

EL PAÍS/SÃO PAULO
Data Veiculação: 20/07/2020 às 20h09

Quase duas semanas após o anúncio feito pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de que testou positivo para o novo coronavírus, ao menos dois ministros também já confirmaram estar com a doença. Nesta segunda-feira, Onyx Lorenzoni (Cidadania) e o recém-empossado Milton Ribeiro (Educação), anunciaram pelo Twitter que testaram positivo para a covid-19. Na última quarta-feira, Bolsonaro anunciou que fez um novo teste para a covid-19 e que o resultado voltou a dar positivo. O ultradireitista continua trabalhando em isolamento no Palácio da Alvorada. “Estou bem, graças a Deus. Ontem de manhã fiz o exame e, à noite, o resultado foi que ainda sou positivo para o coronavírus”, contou numa transmissão ao vivo do Facebook, no jardim da residência oficial da Presidência da República. O mandatário revelou em 7 de julho que havia sido infectado após passar um fim de semana com “certa indisposição, cansaço, febre e dor muscular”. A previsão é que ele realize um novo teste em breve para retomar suas atividades. “Espero que nos próximos dias eu faça um novo exame e, se Deus quiser, dê tudo certo para a gente voltar logo”, afirmou. Mesmo doente, o presidente cumprimentou de longe seus apoiadores que se manifestavam em frente ao Palácio do Alvorada neste domingo e chegou até a exibir uma caixa de cloroquina, levantando-a com os braços. Desde o anúncio de seu contágio, Bolsonaro promoveu o uso da cloroquina e hidroxicloroquina, medicamentos análogos e que até agora não se mostraram eficazes no tratamento da covid-19, segundo os principais estudos. Na quarta-feira, o presidente voltou a defender a substância. “Coincidência ou não, sabemos que não tem nenhuma comprovação científica, mas deu certo comigo. No mais, não existe nenhum medicamento hoje no mundo que tenha comprovação científica constatada. Então é uma situação de observação. Deu certo comigo, deu certo com muita gente. E muitos médicos dizem que a hidroxicloroquina funciona”, declarou. Em maio, após a nomeação do general Eduardo Pazuello para o Ministério da Saúde, centenas de técnicos foram substituídos por militares, e a cloroquina passou a fazer parte do tratamento contra a covid-19 nos hospitais públicos. “Não tô fazendo nenhuma campanha para o medicamento. Afinal de contas, o custo é baratíssimo. Talvez por causa disso que tem muitas pessoas contra. E outras parece que é por questões ideológicas. Eu recomendo que você procure o seu médico e converse com ele. O meu, no caso, um médico militar, foi recomendado a hidroxicloroquina e funcionou”, disse Bolsonaro. O presidente se mantém distante de sua esposa, Michelle Bolsonaro, e de sua filha e sua enteada, que moram com ele no Alvorada. As três fizeram exame com resultado negativo para o coronavírus. Mas o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o empresário Paulo Skaf, esteve com Bolsonaro em 3 de julho, dias antes do primeiro teste positivo do presidente. Agora, está internado no Hospital Sírio-Libanês com diagnóstico confirmado de covid-19, segundo o boletim médico da última quinta-feira. Na quarta, o jornal O Globo informou que o assessor presidencial Tércio Arnaud, o “rapaz das redes” de Bolsonaro, também deu positivo. Em março, mais de 20 pessoas que participaram da comitiva do presidente aos Estados Unidos tiveram coronavírus. Fabio Wajngarten, secretário da Comunicação, foi o primeiro caso, seguido de integrantes tanto do alto escalão, como o general Augusto Heleno, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, quanto a advogada do presidente, Karina Cufa, e o chefe do cerimonial, Carlos França. Na época, Bolsonaro chegou a fazer o teste mas manteve em segredo seu resultado, colocando o exame no centro de um vai e vem judicial até chegar nas mãos do Supremo Tribunal federal (STF) e, por fim, se revelar negativo, no início de maio. O Brasil já registrou mais de 75.000 mortes por coronavírus desde o início da pandemia, segundo dados do Ministério da Saúde divulgados na última quarta-feira. Na quinta, o país ultrapassou a marca dos 2 milhões de contágios confirmados pelas autoridades sanitárias. Apesar das cifras, Bolsonaro continua afirmando que há um alarmismo excessivo e que o vírus provoca só uma “gripezinha”. A negligência política do ultradireitista afetou a imagem internacional do Brasil. E, mesmo infectado, não há sinais de que o presidente abandonará sua aposta no negacionismo. Informações sobre o coronavírus: - Clique para seguir a cobertura em tempo real, minuto a minuto, da crise da Covid-19; - O mapa do coronavírus no Brasil e no mundo: assim crescem os casos dia a dia, país por país; - O que fazer para se proteger? Perguntas e respostas sobre o coronavírus; - Guia para viver com uma pessoa infectada pelo coronavírus; - Clique para assinar a newsletter e seguir a cobertura diária.

G1/NACIONAL
Data Veiculação: 20/07/2020 às 19h40

O deputado Georgiano Neto (PSD) recebeu alta na tarde desta segunda-feira (20)da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. De acordo com a assessoria, o parlamentar vem correspondendo bem ao tratamento contra a Covid-19. Já o seu pai, o deputado federal Júlio César (PSD) recebeu alta médica após ficar curado da Covid-19 e saiu do hospital nesta tarde. Ele deve continuar em São Paulo aguardando a liberação do filho. Pai e filho foram diagnosticados com coronavírus início do mês e foram internados no Hospital Sírio-Libanês, onde atende o médico da família. Júlio César estava assintomático. Georgiano apresentou sintomas leves da doença, como tosse e febre. Porém, a saturação apresentava oscilação, por este motivo foi transferido para a UTI. O parlamentar tem obesidade e hipertensão. Decretos determinam distanciamento social Para evitar a contaminação pelo vírus, o isolamento social e medidas emergenciais foram determinadas por meio de decretos do governo do estado e das prefeituras, como na capital piauiense, para que a população fique em casa e evite ao máximo ir às ruas. Aulas em escolas e universidades, a maioria das atividades comerciais, esportivas e de serviços em geral estão suspensas por tempo indeterminado. Serviços essenciais como farmácias, postos de combustíveis e supermercados continuam mantidos mas estão regulamentados. O atendimento em clínicas, hospitais e laboratórios, assim como o funcionamento de escritórios de advocacia e contábeis também foram liberados mediante cumprimento de regras. O uso de máscaras em locais públicos tornou-se obrigatório em todo o estado. Policiais fazem abordagens nas fronteiras do estado a ônibus e veículos particulares. Os decretos preveem que quem descumprir as regras pode ser penalizado com multa ou até prisão. Prevenção, contágio e sintomas Lavar as mãos de forma correta (veja vídeo), uso de álcool em gel, sempre usar máscaras, evitar contato pessoal e aglomerações de pessoas são algumas das orientações para evitar o contágio da doença. É importante também ficar atento quanto aos principais sintomas (tosse seca, congestão nasal, dores no corpo, diarreia, inflamação na garganta e, nos casos mais graves, febre acima de 37° C e dificuldade para respirar). Um guia ilustrado preparado pelo G1 ajuda a tirar dúvidas.

PIAUÍ HOJE.COM/TERESINA
Data Veiculação: 20/07/2020 às 13h57

Os deputados do PSD-PI, Júlio César (pai) e Georgiano Neto (filho) Foto: Montagem Piauihoje.com O deputado federal Júlio César recebeu alta nesta segunda-feira (20) após uma semana internado no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, em tratamento contra o novo coronavírus. Já seu filho, o deputado estadual Georgiano Neto segue internado, mas tem previsão de deixar a UTI nesta terça-feira (21). A informação foi confirmada ao Piauihoje.com por Simone Pereira, pré-candidata à prefeitura de Teresina do PSD. Ela está em São Paulo acompanhando os dois desde que Georgiano foi transferido para lá no último dia 12 de julho. "O deputado Júlio César recebeu alta do hospital, superou a Covid 19. Os médicos Dr Davi Uip e Dr Roberto Kallil Filho deram boas notícias sobre o Georgiano, que está muito bem, mas por segurança vão liberar amanhã da UTI para ele ter uma recuperação mais rápida", diz comunicado divulgado nas redes sociais.

JORNAL DA TARDE/TV CULTURA/SÃO PAULO
Data Veiculação: 20/07/2020 às 12h11

Em todo o mundo mais de 300 pesquisas internacionais, tentam descobrir a atuação do novo coronavírus nas células cerebrais. Na Espanha, esses pacientes que tiveram um novo coronavírus precisam de fisioterapia para recuperar movimentos e falhas cognitivas, Daniel de 62 anos ficou 21 dias internado, teve vários acidentes vasculares cerebrais, consertar partes que tive toda a parte esquerda braço perna sem poder mover lá se mover um a 1013 terá a médica do centro de reabilitação de Barcelona explica que há pacientes que deixou a UTI sem sequelas mas outros apresentam perdas neurológicas importantes salemi aos e caminhando e Astori alguns pacientes têm disfunção no sistema nervoso central, que não se permite pensar que não que ficam momentos em que tem falta de memória de um ano. Um estudo da Universidade de Londres acompanhou 43 pacientes com corte de 10 internados em UTI Sul com idade entre 16 85 o ano os que apresentaram sintomas neurológicos graves com uma inflamação cerebral disfunções cerebrais temporárias, como confusão mental e alucinações por conta disso é que nós que é muito importante reconhecer nas e tratá-la precocemente, porque o tratamento fadas pessoas melhorarem, é preciso saber que isso pode acontecer com cérebro na pesquisa inglês, os cientistas sugerem que o dano cerebral seja causado por uma resposta excessiva do sistema imunológico, a doença Masa pesquisadores encontrando evidências de que o vírus pode realmente invadir o cérebro no Japão, a ressonância magnética cerebral de um homem sofreu convulsões, generalizadas, detectou o novo coronavírus no licor um líquido retirado da espinha que circula no cérebro de um paciente chinês também apresentou traços do vírus no licor e na Itália a necropsia de um paciente revelou partículas virais nas células que revestem os vasos sanguíneos cerebrais são trabalho muito muito muito precoce informações. Muito muito recente, mas a gente tem que prestar atenção que isso pode acontecer se você tem um caso que o Procon sob a mira de para ele, mas olha que isso pode em 20 minutos Carlos, então, é preciso mais de atenção são sinais de filmes tem uma preocupação mais um sinal de atenção. Pesquisadores brasileiros também tentam entender os mecanismos da couve de 10 para afetar o cérebro, mais de 50 pacientes que desenvolveram sintomas neurológicos. Por aqui são acompanhados por um grupo de médicos e cientistas do Hospital Universitário de Brasília em conjunto com o hospital sírio-libanês Albert as tem Hospital Geral de Fortaleza e pelos institutos de Medicina Tropical da USP e de Infectologia Emílio Ribas, quantidade de casos de doenças neurológicas não é tão grande temos comparado com a principal manifestação que decidirá que em um dia. Então, essas marcas não foram mortos numa frequência muito maior do que é você costuma dar, mas depois disse que com o tempo passou os últimos aprenda a PM a mais ou menos e o uso de civis por causa de mim, você levou. Hospital Sorocabana dos mais tradicionais da cidade de São Paulo será reaberto em agosto, com 60 leitos para tratamento da couve de 10 moradores da região pedem que todos os 200 leitos sejam colocados à disposição do público.

AGÊNCIA GBC
Data Veiculação: 20/07/2020 às 11h30

Os leitos foram instalados no Hospital Universitário Entram em funcionamento 12 novos leitos em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no Hospital Universitário. Eles serão usados exclusivamente para tratamento de casos graves do novo coronavírus. Essa ampliação se junta aos esforços realizados pela Prefeitura de Canoas para aumentar o número de vagas em UTI, que já havia criado 26 leitos para casos graves. Agora, a cidade passa a contar com 44 leitos de UTI exclusivos para o combate ao coronavírus, além de 220 leitos clínicos, também criados durante a pandemia. A ampliação de leitos é uma resposta da Prefeitura de Canoas para a grande taxa de ocupação de UTIs no Rio Grande Sul. Com o pico do coronavírus se aproximando, já que especialistas e universidades apontam que o estado terá na segunda quinzena de agosto o pior momento da pandemia, a cidade está colocando em prática o planejamento assistencial que vem sendo elaborado desde fevereiro. Este planejamento já possibilitou a abertura de dois hospitais de campanha, que, juntos, têm 20 leitos clínicos e quatro de UTI e já atenderam mais de 5.000 pessoas. Além disso, foram feitas ações para levar serviços e alimentos nas casas dos canoenses, beneficiando mais de 60.000 cidadãos. A ampliação dos leitos no Hospital Universitário foi possível graças ao trabalho de reconstrução que a Prefeitura de Canoas vem executando há três anos. A casa de saúde teve 90% de sua estrutura reformada e modernizada, mais profissionais foram contratados e os protocolos de atendimento foram reformulados, ficando iguais aos executados pelo hospital Sírio-Libanês, referência nacional em cuidados. Para o prefeito de Canoas, Luiz Carlos Busato, é um acréscimo fundamental na estrutura de assistência de combate ao coronavírus. “É uma conquista muito importante para a cidade. Todos nós estamos muito preocupados com a ocupação das UTIs e, com mais 12 leitos, teremos um alento”, disse. Ele também aproveitou para agradecer a todos os profissionais que têm atuado na linha de frente do combate ao vírus. “São nossos heróis. Dia e noite estão dentro dos hospitais salvando vidas, cuidado de pessoas em situação complicada, mas trabalhando com coragem, amor e carinho”. Ampliação de leitos Desde que iniciou a pandemia do coronavírus, a Prefeitura já abriu 266 novos leitos. Deste total, 38 em unidades de terapia intensiva e 228 em alas clínicas. Somente o Hospital Universitário teve sua capacidade clínica aumentada em 200 leitos, a partir das reformas dos 8º e 9º andares, que estavam desativados há vários anos. Também houve aumento de leitos em UTI no Hospital de Pronto Socorro para o atendimento de acidentes e outros traumas

VEJA SAÚDE/SÃO PAULO | GERAL
Data Veiculação: 20/07/2020 às 03h00

0 MELHOR CAFÉ PARA A ROTINA Especialistas revelam o preparo mais saudável para o seu corpo MEXA-SE CONTRA A COVID-19 O papel dos exercícios na prevenção das complicações RACISMO É UMA DOENÇA Provado: o preconceito causa problemas físicos e mentais COMIDA DIRETO DA FONTE A tendência agora é comprar dos pequenos produtores AS DORES DA PAN DEMIA Com a vida mais reclusa e menos ativa, disparam as queixas de dor nas costas, no pescoço e na cabeça. Saiba identificar os fatores por trás disso e como evitar ou aliviar o suplício confira novas descobertas sobre as formas de contágio do vírus e os testes com E não é força de expressão! O trabalho em casa, o sedentarismo e o estresse dos dias atuais têm um desdobramento direto e doloroso em músculos, articulações e outras estruturas do corpo. VEJA SAÚDE explica como evitar que isso se reflita em alfinetadas nas costas, no pescoço, na cabeça... de crescimento nas pesquisas por “dor nas costas” no Google durante a pandemia texto ANDRE BIERNATH design LETÍCIA RAPOSO fotos TOMÁS ARTHUZZI s DORES DA PANDEMIA VEJA SAÚDE JULHO 2020 de aumento nas buscas por “dor de cabeça” no Google entre março e junho de 2020 em relação a 2019 Foi quanto cresceu a venda de analgésicos livres de prescrição nas farmácias em março de 2020 A artista mexicana Frida Kahlo (19071954) teve uma vida bastante trágica. Aos 6 anos, foi diagnosticada com poliomielite, doença infecciosa que deixou uma sequela em seu pé direito. Aos 18, voltava para casa quando o ônibus em que estava se envolveu num grave acidente com um trem. Uma das ferragens do veículo perfurou suas costas, dilacerou a pelve e exigiu uma série de cirurgias reparadoras. Por causa dessas limitações, a pintora precisou produzir muitos de seus quadros deitada na cama, utilizando um espelho no teto para ter noções de perspectiva. Mas sua história sofrida só ficou completa mesmo quando, aos 21 anos, ela conheceu o muralista Diego Rivera (1886-1957), por quem se apaixonou e com quem teve um relacionamento conflituoso, marcado por brigas e traições. Não é exagero afirmar que, ao longo das décadas, Frida vivenciou em algum grau todos os incômodos que um ser humano é capaz de suportar. Não à toa, as aflições físicas e emocionais são tema recorrente de suas obras mais famosas. Em A Colma Quebrada, por exemplo, ela substitui suas próprias vértebras por um pilar greco-romano com várias rachaduras, enquanto seu corpo está cheio de pregos cravados na pele. “Minha pintura traz consigo a mensagem da dor”, disse certa vez a artista. De várias maneiras, o mundo está vivendo hoje algo que aparece com angústia e pulsação nas telas de Frida: a pandemia de Covid-19, que já causou mais de meio milhão de mortes, teve uma série de desdobramentos na rotina, na economia e na nossa relação com os outros. Fatores como trabalhar em casa, lidar com tarefas simultaneamente e parar de fazer exercícios tomaram-se comuns ao longo dos últimos meses e, claro, cobram o preço em diversas instâncias da saúde. Um primeiro sinal dessa bagunça toda pode ser sentido em músculos, tendões e articulações. É a dor, um grito do corpo de que há algo errado. Há uma série de indicativos de que as pessoas estão experimentando mais dores em razão de todas as mudanças deflagradas pelo coronavírus. Uma primeira pista disso vem das farmácias: ainda em março de 2020, a compra de analgésicos isentos de prescrição teve um aumento de 62% no Brasil em comparação com o mesmo período do ano passado. Já em maio, foi a vez de as pomadas e os emplastros subirem 10%. Os números fazem parte dos relatórios da Iqvia, consultoria que faz a coleta de estatísticas do mercado de saúde e bem-estar. Outra evidência desse fenômeno chega da internet: um levantamento realizado pelo Google a pedido de VEJA SAÚDE revela que nunca os brasileiros buscaram tanto por dor quanto em maio de 2020. A procura por “dor de cabeça” se elevou em 33% entre 15 de março e 20 de junho na comparação com as mesmas datas de 2019. Já “dor nas costas” passou por um crescimento de 22%. Embora não haja números precisos e oficiais, as queixas também decolaram nos contatos (presenciais ou a distância) com os médicos. E pode reparar em seus próprios hábitos: quando você sente pontadas em alguma parte do corpo, a tendência num primeiro momento é tomar um comprimido ou jogar no Google o que aquele sintoma pode significar. Só apelamos para a ajuda especializada numa clínica ou no pronto-socorro quando o incômodo não melhora ou piora de vez. Essa tendência se fortalece ainda mais num cenário de pandemia, em que a recomendação é ficar em casa e só sair à rua para serviços essenciais e emergências. Os próprios especialistas em tratar essas chateações sentiram falta dos pacientes a partir de março, quando a coisa começou a apertar no Brasil. “No início, a gente até brincou: será que todos os indivíduos com dores nas costas sararam de uma só vez?”, relata a anestesiologista Fabíola Peixoto Minson, coordenadora da pós-graduação em dor do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. Para evitar qualquer risco de infecção, muitos preferiram empurrar o problema com a barriga e ficar sem a avaliação aprofundada de um profissional. “Várias pessoas mascararam os sintomas com os analgésicos de venda livre, mas a tendência é que agora elas busquem os serviços de saúde novamente, muitas vezes com um quadro agravado”, vislumbra a médica. Para tornar o enredo mais complicado, a dor de cabeça ou pelo corpo também pode ser sintoma de Covid-19. Mas como diferenciá-la de algo causado pela má postura ou pelo sedentarismo? “No caso da infecção por coronavírus, o incômodo costuma vir junto de outras manifestações, como tosse e febre”, responde o ortopedista André Evaristo, do Núcleo de Medicina Avançada do Hospital Sírio-Libanês, na capital paulista. Dúvida esclarecida, é hora de entender em profundidade os três fatores que mais contribuem para as alfinetadas durante a pandemia. © VEJA SAÚDE JULHO 2020 Vamos ao primeiro: mais tempo em casa. A psicóloga Cláudia Danienne Marchi, sócia da consultoria de recursos humanos Degoothi, no Rio de Janeiro, avalia que, de forma geral, as empresas não se organizaram para oferecer boas condições de trabalho remoto aos funcionários. “Muitas delas não tinham uma cultura de home Office bem estabelecida e precisaram fazer tudo às pressas e sem planejamento”, analisa. Isso significa que profissionais de diversas áreas passaram a prestar serviço sem sair do conforto do lar. E é justamente aí que está o problema: conforto não é o mesmo que ergonomia. Usar o notebook no colo enquanto você está sentado no sofá ou deitado pode até parecer cômodo nos primeiros dias. Mas uma hora a coluna vai chiar. Os escritórios modernos foram pensados (ou deveríam ser pensados) para garantir que os colaboradores fiquem ali por oito horas sem desenvolver dores pelo corpo. Por isso, as cadeiras trazem suporte para as costas e para os braços. As mesas possuem tamanhos específicos e a tela dos computadores fica alinhada à altura dos olhos. Até a iluminação desses locais segue normas para prevenir encrencas à visão. No ambiente domiciliar, muitas dessas recomendações se perdem pelo caminho. “Quando adotamos uma postura errada por longos períodos, produzimos uma sobrecarga e um estresse maior sobre algumas estruturas da região lombar e cervical, como os músculos, os discos entre as vértebras e as articulações”, destrincha o ortopedista Alexandre Fogaça Cristante, do Hospital das Clínicas de São Paulo. Em curto prazo, esse desbalanço provoca dores nas costas. Se nada for feito, o desgaste se agrava e pode evoluir até para uma hérnia de disco. Nesse contexto, é bom ter em mente que o home Office vai virar realidade pra muita gente mesmo quando a pandemia arrefecer: um estudo feito pela empresa do ramo imobiliário Cushman & Wakefield aponta que 40% dos empresários que não tinham estabelecido antes a prática do trabalho a distância pretendem adotá-la de forma definitiva a partir de agora. Portanto, é essencial pensar em soluções de ergonomia, que reproduzam minimamente as condições do escritório dentro de um cômodo de sua casa. Para isso, vale investir (ou pedir apoio da chefia) na compra de alguns acessórios básicos, como cadeiras com apoio para a coluna lombar, suporte de notebook, fone de ouvido com microfone acoplado, além de teclado e mouse auxiliares. “Vale ainda adotar o hábito de levantar a cada hora para fazer uma caminhada curta e um alongamento de pernas e braços”, acrescenta a médica Rosylane Rocha, presidente da Associação Nacional de Medicina do Trabalho. © UM ESCRITÓRIO PARA CHAMAR DE SEU Aprenda a criar uma estação de trabalho ergonômica no ambiente doméstico Membros inferiores Membros superiores os pés precisam ficar a maior parte do tempo encostados no chão se necessário, compre um apoio ou use um banquinho. Os joelhos e o quadril permanecem num ângulo de 90 graus. Para não cansar ou desenvolver lesões por esforço repetitivo, é importante que os cotovelos estejam apoiados em suportes da cadeira. Daí os braços se alinham ao tronco. Al, MEU PESCOÇO! Computador mal posicionado, sobrecarga de trabalho e estresse constituem uma fórmula terrivelmente eficaz para gerar incômodos na coluna cervical. Em algumas semanas, essa região fica contraída e sensível. Para trazer alívio imediato, é possível apelara banhos ou bolsas de água quente, que relaxam os músculos. Exercícios de respiração, atenção plena e meditação são outra estratégia para apaziguar e botar o corpo nos eixos novamente. 24 VEJA SAÚDE JULHO 2020 Cabeça Costas Cadeira Caminhada Iluminação A parte de cima da tela do computador é posicionada em paralelo aos olhos (use caixas, livros ou suportes específicos para garantir essa altura). Se o notebook está baixo, o pescoço fica contraído por muito tempo. Se você usa um notebook, invista em teclado e mouse auxiliares. Esses componentes evitam que você fique com o tronco inclinado para a frente, sobrecarregando as estruturas da coluna. Dê preferência aos modelos fabricados para escritório, pois trazem um bom apoio para a lombar. Se não tiver uma em casa, improvise com a cadeira da cozinha por um tempo e use uma almofada nas costas. A cada hora, levante-se e dê uma volta pela casa durante cinco minutos. Aproveite para fazer breves alongamentos dos braços e das pernas. Isso ajuda a manter uma boa circulação sanguínea. Tente ficar próximo de janelas para garantir luz natural em boa parte do dia. Se você permanece no batente no período noturno, mantenha as lâmpadas acesas para não forçar a vista. exercício na era do isolamento chegamos ao segundo combustível para as dores: o sedentarismo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) preconiza 75 minutos de atividade física intensa ou 150 minutos de exercícios moderados durante a semana para os adultos. Essa meta, que já não era cumprida por 47% da população brasileira de acordo com o Ministério da Saúde, se tomou praticamente inatingível durante a pandemia. Afinal, parques, praças, clubes, ginásios, campos de futebol, pistas de caminhada e academias ficaram fechados por boa parte do primeiro semestre, segundo a determinação das autoridades públicas. Só que o buraco parece ser ainda mais embaixo. “As pessoas estão confinadas em ambientes pequenos, sem fazer as movimentações mínimas do dia a dia, como caminhar até o restaurante no horário do almoço”, observa Evaristo. E o que isso tem a ver com as dores? Pra começo de conversa, o corpo vai perdendo massa muscular. Esse processo ocorre em paralelo ao ganho de gordura. Sobra pra quem? As coitadas das articulações e os pobres dos tendões perdem o suporte e precisam fazer esforço extra para as tarefas do dia a dia. A sobrecarga, claro, vai estourar em algum momento. Só há uma saída para evitar que isso aconteça: manter-se ativo dentro das possibilidades atuais. “Ê importante priorizar exercícios que usem o próprio peso do corpo para trabalhar os músculos”, orienta o médico do esporte Pablius Braga, do Hospital 9 de Julho, em São Paulo. Pelo bem da coluna, é vital caprichar em práticas que estimulem o core, o conjunto de músculos no tórax e no abdômen que dão sustentação às vértebras. “Treinos funcionais, pilates, RPG e ioga cumprem bem esse papel”, indica o ortopedista Giancarlo Polesello, presidente eleito da Sociedade Brasileira de Quadril. Para atenuar a imobilidade, muitos quarentenados vêm assistindo a aulas ao vivo no YouTube ou no Instagram. Outros apostam nos aplicativos de celular que trazem treinos pré-programados. A startup AppsFlyer aponta, inclusive, que a procura por soluções fitness online subiu 116% só em março de 2020. Bacana, mas cabe uma ponderação: sem o acompanhamento de um profissional, a atividade física malfeita também pode ser fonte de dor e de lesões. “A prática esportiva é algo muito individual e deve respeitar as limitações de cada um. Por isso, um professor com formação na área consegue adaptá-la às necessidades e aos objetivos de seus alunos”, afirma o ortopedista Ivan Pacheco, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte. Em tempos de isolamento, uma boa sacada é marcar as aulas a distância, com o auxílio das ferramentas de videochamada. © 26 VEJA SAÚDE JULHO 2020 Como manter-se minimamente ativo sem precisar sair de casa Estica e puxa Modalidade ideal Alongamentos são essenciais para garantir a flexibilidade e a mobilidade. Faça uma sessão ao acordar ou aposte em práticas que foquem nesse quesito, como pilates e ioga. Na hora de selecionar qual exercício fazer, pense no que gosta de praticar e no que traz prazer. Vale ainda adequar à sua capacidade: de nada adianta pegar pesado e ficar com dor pelo resto da semana. Hora da faxina Pós-treino As tarefas domésticas servem como exercício, mas é preciso cautela ao erguer objetos pesados, como baldes dágua e tapetes molhados, e não ficar agachado ou curvado por longas horas. Até certo ponto, é natural sentir um incômodo muscular após uma atividade mais intensa. Se essa dor limita movimentos ou prejudica a qualidade de vida, porém, é bom ficar atento. Foi quanto aumentou a procura por aplicativos de exercícios em março de 2020 E os apps? A oferta é imensa: há aplicativos pra todos os públicos e bolsos. Procure aqueles com um bom volume de avaliações positivas e que tragam algum tipo de certificação de entidades de saúde. dos brasileiros já eram considerados sedentários mesmo antes da pandemia AGULHADAS NA LOMBAR A dor nas costas é uma das chateações mais frequentes do mundo. No Brasil, atinge até 13% da população e só perde para a pressão alta no ranking das queixas de saúde. A boa-nova é que o tratamento passou por uma revolução: as cirurgias, que antes eram a primeira opção, se modernizaram e hoje só são feitas quando as outras terapias não funcionam. Atividade física, fisioterapia e remédios ganharam espaço e apreço entre os experts. Foco na postura.Para o tiro não sair pela culatra, tome muito cuidado com atividades como abdominais e agachamentos. Uma posição errada da coluna é sinônimo de or nos dias seguintes. VEJA SAÚDE JULHO 2020 27 COMO DESARMAR ESSA BOMBA? Chegamos, enfim, ao último detonador de dores no cenário da pandemia: os abalos emocionais. Sim, são as altas doses de estresse, nervosismo, ansiedade e tristeza que todos estamos sentindo. E, cá entre nós, não é para menos: além dos milhões de casos e dos milhares de mortes por Covid-19, estamos à beira de uma grave crise econômica, com escândalos políticos a cada semana e uma constante sensação de injustiça, desigualdade e falta de orientação sobre o que devemos fazer para resguardar a saúde e o bolso. “Em paralelo a isso, temos uma alteração profunda dos hábitos, o que desorganizou uma série de padrões da rotina, como o ritmo de sono, as horas trabalhadas e o padrão alimentar”, elenca a psicóloga Dirce Perissinotti, diretora da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor. É muita mudança de uma só vez, e nenhum cérebro lida direito com tudo isso. Daí que o acúmulo dessa tensão vai ser descarregado em algumas partes do corpo. Os ombros se enrijecem. As costas ficam arqueadas. O pescoço se aperta na direção da cabeça. No sistema nervoso, aparecem as marteladas de uma crise de enxaqueca. “Para tentar combater isso, o primeiro passo é criar uma rotina adaptada ao momento e, principalmente, estabelecer horas regulares para dormir e acordar”, sugere a neurologista Thaís Villa, especialista no tratamento das dores de cabeça da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Se a mente está em completo desalinho e a qualidade de vida foi para o espaço, já passou da hora de procurar a avaliação e o suporte de um psicólogo ou de um psiquiatra. Um artigo recente publicado no periódico British Medicai Journal ofSports Medicine ressalta a importância das questões emocionais no aparecimento das dores. De acordo com os autores do documento, todo médico que lida com pacientes que sofrem de incômodos crônicos nas costas, na cabeça ou em qualquer outra área do corpo precisa botar na balança os fatores psíquicos. “O tratamento moderno da dor é multidisciplinar e envolve não apenas cirurgias ou remédios, mas fisioterapia, exercícios físicos, acompanhamento psicológico...”, reforça o fisiatra Marcus Yu Bin Pai, do Hospital das Clínicas de São Paulo. O bem-estar do paciente está no centro da recuperação — afinal, essa pode ser a origem e a solução de todo o incômodo. Isso, aliás, nos remete de novo à trajetória da pintora Frida Kahlo: por mais dolorosa que tenha sido sua vida, a artista nunca deixou de demonstrar paixão por seu trabalho e por aquilo em que acreditava, por mais que a dor exigisse certas adaptações. Eis uma fonte de inspiração para encontrar um pouco de beleza e alívio em meio a esses tempos tão conturbados. • VEJA SAÚDE JULHO 2020 Sim, dá pra encontrar calma e aliviar a mente diante do furacão A origem Se possível, tente analisar a situação e encontrar os motivos de tanta aflição. É o medo do vírus? A crise econômica? A partir dessa descoberta, o que você pode fazer para evitar ou minimizar os danos? Inclua o corpo.Uma ótima ideia é começar a prática de ioga. A modalidade incentiva uma desaceleração da mente e ainda trabalha quesitos como equilíbrio, postura e condicionamento físico. Cabeça alinhada Práticas como a meditação e o mindfulness trazem relaxamento e permitem focar no aqui e no agora. Busque praticá-las com alguma orientação profissional e avalie seus efeitos no dia a dia. A beleza da rotina Dentro das possibilidades e limitações do momento, cultive uma agenda de compromissos e defina bem as horas de trabalho e de descanso. Abra espaço para atividades prazerosas. Sono é sagrado Quantas horas por dia você precisa dormir para sentir-se bem? Tente sempre ir pra cama e acordar nos mesmos horários inclusive em feriados e finais de semana. Apoio especializado.Estamos numa situação sem paralelos. Portanto, é normal que ninguém saiba como responder adequadamente a ela. Conversas com psicólogo ou psiquiatra podem ajudar bastante. dos brasileiros dizem que a palavra “insegurança” é a que mais define seus sentimentos sobre a Covid-19 , A CUCA VAI EXPLODIR Em meioà pandemia,quem nunca tinha vivenciado uma crise de dor de cabeça provavelmente teve sua primeira experiência. É tanta coisa pra pensar, resolver e lidar que o sistema nervoso fica mais sensível mesmo. Em casos isolados, remédios analgésicos trazem um conforto. Mas abusar dos comprimidos não é nada bem-vindo: se você já toma mais de oito desses fármacos por mês, é necessário fazer uma avaliação aprofundada com um especialista.

HUFFPOST BRASIL/SÃO PAULO
Data Veiculação: 20/07/2020 às 06h00

Enquanto a onda de respostas milagrosas para tratar a covid-19 toma conta das redes sociais e de algumas receitas médicas nos últimos meses, os desafios persistem entre pesquisadores que buscam uma resposta científica para combater o novo coronavírus. Os avanços têm se concentrado no enfrentamento à fase mais grave da doença, e a tendência é que a terapia combinada de mais de um medicamento seja a saída mais promissora, de acordo com cientistas ouvidos pelo HuffPost. A principal iniciativa global de medicamentos para o SARS-CoV-2 é o estudo Solidariedade, lançado em março pela OMS (Organização Mundial da Saúde) em diversos países e coordenado pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) no Brasil. À frente da pesquisa, o vice-diretor de Serviços Clínicos da instituição, Estevão Portela, afirma que “aparentemente existe um espectro da doença em que nos primeiros dias talvez o antiviral seja mais importante e depois o agente mais importante sejam os anti-inflamatórios”. A covid-19 é uma doença sistêmica, que afeta vários órgãos. A presença do vírus desencadeia a chamada “tempestade de citocinas”, uma resposta imunológica do próprio corpo que, se for descontrolada, pode acabar agravando o quadro. Nessa etapa, medicamentos como a dexametasona, um tipo de corticoide, têm se mostrado eficazes. Um remédio para covid-19 Quando surge um novo vírus, é comum que se adote uma estratégia chamada “reposicionamento de fármaco”, que consiste em testar drogas já existentes para tratar a nova doença, a fim de ter respostas mais rápidas e com custo menor. “Isso esbarra em dois problemas. Primeiro o fato de que não são medicamentos desenvolvidos especificamente para esse vírus. Segundo que historicamente sempre sofremos derrotas para tratamentos específicos de doenças virais agudas”, afirma Portela. Ele cita o sarampo e o ebola como exemplos. De acordo com o infectologista, isso acontece porque quando o paciente começa a desenvolver sintomas mais fortes, “o vírus já está caindo, já está entrando em uma fase mais inflamatória do processo, com menos replicação viral e mais resposta inflamatória”. Por esse motivo, a terapia combinada pode ser a resposta ideal. “Provavelmente o que vai acabar sendo desenvolvido são combinações de agente antiviral com anti-inflamatório”, afirma. Portela ressalta, contudo, que é difícil cravar exatamente o momento em que essa divisão ocorre e que ainda há inconsistências sobre ação de remédios no início. “Nos primeiros dias, se o paciente está muito bem, é difícil que um antiviral vá conseguir mostrar um grande benefício. A maior parte desse tipo de paciente evoluiu bem com ou sem o remédio, e a gente precisa de um estudo muito grande para tentar mostrar algum benefício”, explica. O estudo Solidariedade Iniciado com 4 braços - cloroquina ou hidroxicloroquina, remdesivir, lopinavir e interferon -, o estudo Solidariedade continua com apenas 2 medicamentos: interferon e remdesivir. Os outros foram considerados ineficazes e/ou provocaram graves efeitos colaterais, de acordo com pesquisas validadas pelo meio científico. No Brasil, pacientes de hospitais selecionados são divididos entre um grupo que recebe o medicamento e outro que não recebe medicação específica para o SARS-CoV-2. ”É um estudo simples do ponto de vista metodológico. O que ele quer ver é desfecho de morte ou alta [hospitalar]. Não é desenhado para nenhuma aprovação em bula de medicação no Brasil. Quando isso acontece, o estudo tem que ser mais complexo, precisa ter dados para colocar na bula”, explica Portela. Não há previsão de data para finalizar a pesquisa porque depende do ritmo de inclusão de pacientes. Fora os antivirais testados pelo Solidariedade, o pesquisador lembra que anti-inflamatórios estão sendo pesquisados, mas é preciso respeitar o ritmo do método científico. “A gente precisa dar tempo para a ciência, que é uma coisa que não se deu. Ficou sempre correndo atrás de estudos inadequados, sem grupo de controle adequado, com número de pessoas insuficiente. Isso acabou fazendo que várias estratégias de tratamento demorassem a apresentar algum tipo de resultado negativo ou positivo confiável porque os estudos eram metodologicamente muito apressados. A gente realmente tem que dar tempo para conseguir chegar a resultados confiáveis”, argumenta o infectologista. Ministério da Saúde e prefeitos na contramão da ciência O Ministério da Saúde resolveu abrir mão da comprovação científica ao definir o protocolo de tratamento para covid-19 no SUS (Sistema Única do Saúde). A pasta recomenda o uso da cloroquina com azitromicina (antibiótico) ou de sulfato de hidroxicloroquina com azitromicina mesmo para casos leves. Além de não ter se provado eficaz, a cloroquina aumenta o risco cardíaco. Já foram entregues 4,3 milhões de comprimidos pelo Brasil, de acordo com o governo federal. Na última sexta-feira (17), a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) publicou uma nota reforçando a necessidade do fim do incentivo ao uso da cloroquina e hidroxicloroquina. “É urgente e necessário que os agentes públicos, incluindo municípios, estados e Ministério da Saúde reavaliem suas orientações de tratamento, não gastando dinheiro público em tratamentos que são comprovadamente ineficazes e que podem causar efeitos colaterais”, diz o texto. Questionado sobre os critérios adotados pelo ministério, o pesquisador da Fiocruz afirmou que “para que as nossas estratégias ganhem a força da ciência, elas precisam ser embasadas pela metodologia científica adequada”. “A Medicina avançou nos últimos 30, 40 anos quando a gente passou a ser mais criterioso em relação à literatura médica, à metodologia dos estudos publicados. As práticas se tornaram mais baseadas em evidências científicas concretas do que simplesmente na experiência. Experiência é muito difícil. Posso falar que tratei 15 pessoas no meu consultório com a droga X e todas ficaram bem, mas quantas ficariam se não tivessem usado o remédio?”, completa Portela. Ivermectina: do piolho ao SARS-CoV-2 Na esfera municipal, prefeitos têm repetido a conduta do governo federal. A distribuição da ivermectina, antiparasitário usado principalmente para tratar piolho, tem se multiplicado pelas cidades, embora não haja comprovação científica de eficácia para prevenir ou tratar o novo coronavírus. Além de não ser eficaz, a ivermectina pode trazer riscos à saúde. Tanto a dosagem alta quanto a interação com outros medicamentos podem trazer malefícios ao paciente. Os chamados “kits covid”, distribuídos por algumas prefeituras, incluem ivermectina, além da azitromicina, dipirona e cloroquina. “As pessoas usam medicamento como se só fosse benéfico. É benéfico, mas tem efeitos adversos. Sempre que um médico dá um medicamento, ele avalia o risco e o benefício. O benefício tem que ser maior que o risco”, afirma Sandra Farsky, vice-presidente da Associação Brasileira de Ciências Farmacêuticas. Professora da Faculdade Ciências Farmacêuticas da USP, ela explica que os medicamentos precisam atingir uma concentração específica no sangue para atingirem eficácia, mas sem provocar toxicidade. “A toxicologia é uma ciência que a gente aprende muito em cima das coisas que dão errado, por exemplo, a talidomida. As crianças tiveram essa gravidade imensa de má formação porque as mulheres começaram a tomar a talidomida para evitar enjoo. A toxicologia a gente descobre infelizmente em cima da tragédias. Nada é inócuo”, afirma. Criada para ser um ansiolítico, a talidomida ficou conhecida na Alemanha na década de 1950. Como um efeito colateral do remédio era tirar enjoo, o fármaco passou a ser usado por grávidas. Em 1959, um jornal alemão informou que 161 bebês haviam sido afetados e o medicamento foi banido do mercado europeu nos anos seguintes. No caso da ivermectina, o uso na pandemia ganhou força ainda em abril, com a publicação de um estudo na Antiviral Research que indicou que o fármaco foi capaz de inibir a replicação do SARS-CoV-2 in vitro (em laboratório). Os pesquisadores alertaram, porém, que, para ter efeito em humanos, a dose teria de ser 10 vezes maior. Dos resultados na bancada de laboratório até os seres humanos o caminho é longo. “Você partir de usar um medicamento a partir de um estudo in vitro não é científico. Não é ético”, afirma Farsky. “Vai do in vitro para a célula isolada; para depois sistemas in vitro mais complexos, que são tecidos com várias células juntas; depois vai para animal de experimentação, de toxicidade e eficácia; e depois vai para o estudo clínico”, explica. Um dos ensaios clínicos da ivermectina no Brasil, conduzido pela UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) com 64 pacientes só terá resultados em 2021. De acordo com relatório mais recente da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), publicado em 14 de julho, há 142 estudos experimentais ou intervencionais relacionados à covid-19 no Brasil. Desse total, 52 são de medicamentos, 23 com plasma convalescente ou técnicas semelhantes e 25 com alternativas, como o uso de células-tronco. Plasma de convalescentes A terapia com plasma de convalescente consiste em fazer uma transfusão do plasma (parte líquida do sangue) de pessoas que tiveram covid-19 e se recuperaram para pessoa com a doença ativa. “A ideia é pegar quem supostamente tem anticorpos para dar para quem está com a doença e atacar mais eficientemente o vírus”, explica José Mauro Kutner, hematologista do hospital Albert Einstein e integrante de um grupo de pesquisa sobre o tema. Desde março, 60 pacientes do Albert Einstein e do Hospital Sírio Libanês com covid-19 confirmada e quadro de insuficiência respiratória relevante participaram do estudo, que ainda não foi concluído. Outras 60 pessoas devem ser incluídas. De acordo com o pesquisador, há fatores que dificultam a análise estatística de dados já coletados. ”É muito complexa porque tem muito fator ‘confundidor’. Alguns usaram cloroquina, outros não. Tem gente fazendo de tudo e você precisa ir separando em subgrupos para tentar comparar o máximo possível. Senão, você corre o risco de comparar laranja com banana”, afirma. Nessa análise estatística, os pesquisadores comparam pacientes que tomaram plasma com um grupo de controle. “A gente precisa fazer o pareamento, que é pegar pacientes com mesma idade, sexo, tempo de doença, tempo de UTI. Isso tudo é extremamente trabalhoso. Não tem um programa que faça isso para gente”, completa Kutner. Também está sendo feito um segundo estudo com plasma de convalescente mais amplo liderado pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo). Ainda não há conclusões sobre a pesquisa, que prevê análise de 120 casos em todos hospitais envolvidos. Questionado se a opção é promissora, o médico afirma que ajuda, mas que “o plasma não está parecendo ser a bala de prata”, de acordo com estudos que têm sido publicados em outros países. Algumas das variáveis são o momento ideal de dar o plasma e a quantidade mínima de anticorpos necessária, além de incertezas sobre como funciona a imunidade para covid-19. “Dependendo da evolução imunológica das pessoas, o uso do plasma pode ir para um lado ou para o outro”, afirma. O pesquisador também participa de uma pesquisa com células mesenquimais, um tipo de célula-tronco, mas que ainda não foi iniciada. “A célula mesenquimal não é tão usada, não se tem muita certeza do tanto de benefícios e de prejuízos dela, então o protocolo é muito mais restrito do que o de plasma e a gente reservou para usar em pacientes mais graves”, afirmou. De acordo com Kutner, ou os doentes não estavam graves o suficiente para se enquadrar ou já estavam mais graves ou a família não quis que participassem do estudo. Outro possível entrave para essa opção é o tempo e o custo. Cada dose demora ao menos 20 dias para ficar pronta e custa até R$ 100 mil. Sobre a cura para covid-19, o hematologista pondera. “Está todo mundo tentando encontrar alguma forma de aliviar essa situação, mas a ciência está fazendo em 6 meses o que se faz em 6 anos, e isso traz uma série de dúvidas, desafios e às vezes inconsistência nas respostas. Nós todos queremos resultados rápidos, mas às vezes isso traz inconsistências nas respostas. É isso que a gente está vendo.”