Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus:

G1/NACIONAL
Data Veiculação: 20/06/2020 às 12h32

A Fundação Municipal de Saúde (FMS) de Teresina passou a recomendar que médicos considerem a prescrição de um corticoide para quadros leves da Covid-19, e decidam sobre uso do medicamentos avaliando o quadro de cada paciente. Infectologistas ouvidos pelo G1 foram contra a decisão, e afirmam que medida "não é baseada em ciência". As informações estão no protocolo clínico da FMS para o tratamento de pacientes adultos com suspeita de infecção pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2). As instruções do documento têm aplicação nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), ambulatórios, Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs), Hospitais Municipais (enfermarias e UTIs) e Maternidades Municipais. O objetivo do protocolo, segundo a FMS, é “definir as melhores práticas em pacientes com quadro leve, moderado e grave, nas diferentes fases da Covid-19”. Esse corticoide foi apontado por pesquisadores da Universidade de Oxford como um possível remédio que poderia ser capaz de reduzir mortes por Covid-19, mas apenas quando utilizado em casos severos da doença. O medicamento não teve eficácia em casos leves, segundo pesquisas. Ou seja, o corticoide que o protocolo da FMS considera a prescrição para quadros leves não apresentou benefícios em pacientes que não precisaram de suporte de oxigênio, sendo ineficaz também como prevenção. A Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) também orientou essa medicação para entubados ou internados na UTI, com pneumonia grave e baixa oxigenação. O protocolo da FMS, elaborado por nove médicos e publicado no site do órgão na última quarta-feira (17), também é assinado pelo prefeito de Teresina, Firmino Filho (PSDB), Manoel Moura Neto, presidente da Fundação, e pelo Conselho Regional de Enfermagem do Piauí. O documento diz que na abordagem clínica para quadros leves, deve-se "considerar a prescrição de dexametasona casos os sintomas estiverem persistindo por mais de sete dias (fase inflamatória)". O documento ressalta na abordagem clínica para o quadro leve: “sempre que possível, realizar avaliação laboratorial e radiológica prévia ao uso de corticoide, conforme recomendado para os quadros moderados. O ideal é que o uso de corticoides seja realizado em ambiente hospitalar, sob monitorização do controle glicêmico e pressórico”. Teresina contabilizou 5.621 casos de coronavírus até a última atualização do boletim Covid-19 da Secretaria Estadual de Saúde. São mais de 250 mortes devido à doença. A taxa de ocupação nas UTIs da capital é de 77% (206 ocupadas e 62 livres). FMS explica o uso remédio em casos leves A infectologista Amparo Salmito, médica e gerente de epidemiologia da FMS, que assinou o documento médico, informaram ao G1 que a entidade não contrariou especialistas e nem ao estudo da Universidade de Oxford, usado na atualização do protocolo da Fundação Municipal de Saúde. Segundo a médica, a prescrição do corticoide é para casos moderados e graves, no entanto, apresenta uma condicionalidade para pacientes leves. “Às vezes, a evolução [para caso mais graves] pode ser de forma muito rápida. Por isso, essa condicionalidade. É um consideração para o médico poder decidir [avaliando o quadro do paciente]”, comentou Amparo Salmito. A médica disse que o uso do corticoide nessa especificidade não traz riscos. “Fizemos uma discussão bastante ampla. É um medicamento de bastante conhecimento. A recomendação [no caso Covid-19] é para uso nos casos moderados e graves”. Ela também ressaltou que o corticoide não é usado como prevenção. "Não é uma vacina", contou. Especialistas discordam Médicos infectologistas ouvidos pelo G1 discordaram categoricamente sobre o uso do corticóide dexametasona em pacientes com quadros leves de Covid-19. O infectologista Carlos Henrique Nery disse que "a medicina deve ser baseada em evidências", e que quando prescrito durante a fase leve da doença, o medicamento permite a proliferação do corona vírus. "Minha opinião é que a recomendação deve se ater exclusivamente às recomendações internacionais, da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI). Discordo desse tipo de indicação, uma vez que a medicina tem que ser baseada em evidências, e as evidências que nós temos é o trabalho de Oxford", disse o médico Carlos Henrique. O infectologista Kelson Veras, também em entrevista ao G1, afirmou que "o protocolo não é baseado em ciência". Segundo ele, a dexametasona "não funciona" em pacientes que não precisam de oxigênio. O médico disse ainda estar "decepcionado" com o protocolo da Fundação Municipal de Saúde. "É uma tentativa de enganar as pessoas com falsas ilusões, e ajuda a confundir ainda mais os médicos, de modo geral, dando orientações equivocadas", disse o infectologista Kelson Veras. Alerta para automedicação Ícaro Araújo, vice-presidente do Conselho Regional de Farmácia do Piauí, explicou sobre os riscos da automedicação e a busca desenfreada até as farmácias pela procura de medicamentos ainda em estudo. “Não adianta usar certos tipos de medicação sem prescrição médica em qualquer estágio da doença, não vai surtir efeito”. Veja no vídeo abaixo. Além dos problemas no combate à Covid-19 em casos leves, o medicamento tem efeitos colaterais sobre outras condições. Segundo a infectologista Rosana Richtmann, do Hospital Emílio Ribas, em São Paulo, os corticosteroides podem piorar quadros como diabetes e osteoporose. Por isso, é importante que as pessoas não tentem a automedicação com a substância, lembra a especialista. O médico Luciano Azevedo, do Hospital Sírio-Libanês, reforça a recomendação. Ele disse que toda vez que a comunidade científica divulga uma pesquisa como a do medicamento, se gera uma "corrida às farmácias" porque muitas pessoas acham que podem tomar como prevenção. "Não faz o menor sentido usar o corticoide nem como prevenção nem para pacientes em estado leve. Se tiver alguma indicação, é para os pacientes em estado grave, que precisam de oxigênio ou de respirador artificial" – Luciano Azevedo, médico do Hospital Sírio-Libanês Decretos determinam distanciamento social Para evitar a contaminação pelo vírus, o isolamento social e medidas emergenciais foram determinadas por meio de decretos do governo do estado e das prefeituras, como na capital piauiense, para que a população fique em casa e evite ao máximo ir às ruas. Aulas em escolas e universidades, a maioria das atividades comerciais, esportivas e de serviços em geral estão suspensas por tempo indeterminado. Serviços essenciais como farmácias, postos de combustíveis e supermercados continuam mantidos, mas estão regulamentados. O atendimento em clínicas, hospitais e laboratórios, assim como o funcionamento de escritórios de advocacia e contábeis também foram liberados mediante cumprimento de regras. O uso de máscaras em locais públicos tornou-se obrigatório em todo o estado. Policiais fazem abordagens nas fronteiras do estado a ônibus e veículos particulares. Os decretos preveem que quem descumprir as regras pode ser penalizado com multa ou até prisão. Prevenção, contágio e sintomas Lavar as mãos de forma correta (veja vídeo), uso de álcool em gel, sempre usar máscaras, evitar contato pessoal e aglomerações de pessoas são algumas das orientações para evitar o contágio da doença. É importante também ficar atento quanto aos principais sintomas (tosse seca, congestão nasal, dores no corpo, diarreia, inflamação na garganta e, nos casos mais graves, febre acima de 37° C e dificuldade para respirar). Um guia ilustrado preparado pelo G1 ajuda a tirar dúvidas.

RÁDIO CBN FM 90,5/SÃO PAULO | JORNAL DA CBN
Data Veiculação: 20/06/2020 às 08h54

Preferido e no site da CBN vem ele diz ter ninguém e não. Hoje de 54. 8 horas e 54 minutos, você acompanha que o Jornal da CBN a falta do metrô viu oseltamivir os usados contra a influenza já atingem pelo menos 9 estados brasileiros a demanda pelo medicamento aumentou depois que ele passou a ser usado para pacientes com sintomas da COVID 19. Para o especialista ouvida pela CBN o remédio deve parar de ser aplicado quando houver o diagnóstico confirmado de coronavírus ao -9 estados sofrem com a falta do medicamento oseltamivir usado contra H um em um e outros tipos de influenza nas utilizado também em pacientes com sintomas como os 10 considerando os 26 estados e Distrito Federal, apenas 5, o disseram que o antiviral em estoque conhecido comercialmente como Tamiflu o remédio não está sendo oferecido na rede pública de grande parte dos municípios brasileiros a compra é feita pelo Ministério da Saúde que entrega os estados para distribuição entre as cidades que o grande do Norte Bahia no Nordeste estão sem o medicamento há um mês a infectologista do Hospital sírio-libanês Melinda o bem explicou que o medicamento é usado apenas para pacientes com sintomas de convite, 10 que algumas vezes são parecidos com os primeiros sinais de influenza com a confirmação de coronavírus o remédio pode ser retirado da prescrição não por ano. Este Homem de Ferro à no meio e é, mas aí depois que a para uma hora em hora quando o caminho deveria ter que tirar o pão de um médico na hora e meia de carro, hoje, como não tem como a gente a gente ainda aí correndo e ainda a gente acaba migrando outro caminho e agora caiu e ficou comprovado que ele tem que parar de comer é menor quando ela poderia tranquilamente, rádio a olho nele. Apesar disso, a médicos receita no medicamento mesmo com teste positivo para coronavírus é o caso da professora Celina Lucena e do marido dela, que foram atendidos no ama da rainha, o era na zona norte da capital paulista. Ela só encontra o remédio e com dificuldade na rede privada. Que foi o meu marido tinha é de que a Al com o médico passou para um show para ele não encontramos não uma a uma e nenhuma outra e ganhou ontem contra a HP para ele a encontramos em 1 1 marcha de 1 1 ponto em que 80 reais e 97 em pauta em São Paulo e Rio de Janeiro, no Sudeste, pacientes também não encontra um remédio. No Espírito Santo na mesma região a entrega está atrasada há 10 dias Amazonas, Roraima, Pernambuco e Distrito Federal também registraram problemas laboratório farmacêutico federal Farmanguinhos ligada à Fiocruz teve que buscar novos fornecedores laboratório informou que já iniciou a produção de 7 milhões de cápsulas para a concentração de 75 miligramas serão entregues em 2 meses também serão produzidos medicamentos de 30 45 miligramas a farmacêutica Roche também é responsável pela produção de 30 miligramas, o Ministério da Saúde afirmou que realizou nova aquisição emergencial para ampliar a disponibilidade intrega do remédio que o grande do Sul e Paraná, na região Sul do país Mato Grosso no centro-Oeste Maranhão, no Nordeste e Tocantins, na região Norte relataram estar com os estoques normalizados de São Paulo, Matheus Meirelles.

UOL NOTÍCIAS - ÚLTIMAS NOTÍCIAS/SÃO PAULO
Data Veiculação: 20/06/2020 às 04h00

O esforço para compreender os efeitos do novo coronavírus (Sars-CoV-2) e encontrar tratamentos para combatê-lo ganhou um novo estímulo na quarta-feira, 17, com o lançamento da plataforma Covid-19 Data Sharing/BR. Resultado de uma articulação coordenada pela Fapesp envolvendo a Universidade de São Paulo (USP), o Grupo Fleury e os hospitais Albert Einstein e Sírio-Libanês, a iniciativa tem por objetivo promover o compartilhamento de dados laboratoriais e demográficos de pessoas diagnosticadas com a doença em todo o Brasil, além de informações clínicas de indivíduos diagnosticados em São Paulo. O repositório abrigará, inicialmente, informações de 75 mil pacientes, além de 6.500 dados de desfecho de casos — como recuperação ou óbito — e mais de 1,6 milhão de exames clínicos e laboratoriais realizados desde novembro de 2019. Ainda que o primeiro caso da doença no Brasil tenha sido registrado em fevereiro, o período de cobertura dos dados permitirá que os pesquisadores analisem o histórico de saúde dos pacientes e identifiquem evidências de sintomas da Covid-19 em indivíduos atendidos anteriormente. "A plataforma, em breve, também deverá compartilhar dados de imagens associadas à doença, como radiografias e tomografias", explicou o neurocientista Luiz Eugênio Mello, diretor científico da Fapesp, durante o evento online de lançamento da iniciativa. "A expectativa é que essas informações possam ser usadas no aprimoramento do diagnóstico, em estudos sobre fatores relacionados à evolução da doença no Brasil, e mesmo em investigações sobre candidatos a medicamentos e vacinas." Todas as informações serão compartilhadas preservando a identidade dos pacientes — apenas informações sobre sexo, ano de nascimento e região de residência ficarão disponíveis. Qualquer pesquisador, de instituições do Brasil e do exterior ou tomador de decisão, poderá acessar a plataforma. O novo repositório funcionará com base em uma estrutura computacional desenvolvida pela Superintendência de Tecnologia da Informação da USP. Desde dezembro de 2019 ela está sendo usada na sustentação da Rede de Repositórios de Dados Científicos do Estado de São Paulo, que reúne informações geradas em pesquisas em sete instituições públicas de ensino e pesquisa paulistas: as três universidades estaduais (USP, Unicamp e Unesp), as três federais (Unifesp, UFSCar e UFABC) e o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), além, também, da Embrapa Informática Agropecuária (ver Pesquisa Fapesp nº 287). "O fato de já termos essa estrutura pronta nos ajudou a acelerar a implementação da nova plataforma para compartilhamento de dados clínicos e laboratoriais da Covid-19", destacou o físico Sylvio Canuto, pró-reitor de Pesquisa da USP. Segundo ele, ao facilitar o acesso a esse tipo de informação, a plataforma Covid-19 Data Sharing/BR deverá impulsionar parcerias de pesquisa e gerar conhecimento novo relacionado ao Sars-CoV-2. "A iniciativa reforça nosso compromisso com essa nova forma de produzir conhecimento", disse Luiz Fernando Lima Reis, diretor de Ensino e Pesquisa do Sírio-Libanês. "A pesquisa hoje, mais do que nunca, precisa ser empreendida de modo colaborativo e envolvendo instituições públicas e também privadas", reforçou Luiz Vicente Rizzo, diretor superintendente de Pesquisa da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein. A instituição atualmente desenvolve 68 projetos de pesquisa sobre a Covid-19 e outros 113 prestes a serem iniciados. Na avaliação da cientista da computação Claudia Bauzer Medeiros, do Instituto de Computação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e coordenadora da criação da Rede de Repositórios, uma das principais vantagens da nova plataforma é compartilhar dados referentes a pacientes brasileiros com Covid-19. "Essas informações deverão ser bastante úteis para que os pesquisadores possam identificar características específicas associadas à dinâmica da doença no nosso país e entender melhor os seus padrões de evolução", ela diz. "Da mesma forma, os resultados de pesquisas produzidas a partir desses dados, abertos para o mundo, poderão auxiliar na tomada de decisão e no manejo adequado da pandemia no Brasil e, até mesmo, no enfrentamento de outras crises de saúde." Edgar Rizzatti, diretor-executivo médico do Grupo Fleury, explicou que a iniciativa vai atender à demanda crescente de pesquisadores e startups por dados clínicos e laboratoriais. "Há meses recebemos pedidos de pesquisadores interessados nesses dados para uso em suas pesquisas", disse. "Esperamos que essa iniciativa dê conta de atendê-los." Em um primeiro momento, apenas um pequeno conjunto de dados ficará disponível para consulta. A proposta é que a plataforma seja avaliada pela comunidade científica, que poderá apontar problemas e sugerir melhorias no sistema de busca, consulta e acesso aos dados. O conjunto completo de informações será disponibilizado no dia 1º de julho. "A partir daí", explica Mello, "a ideia é que as instituições participantes alimentem o repositório com novos dados periodicamente". A USP já treinou uma equipe técnica responsável por disponibilizar os dados na plataforma. "Já as instituições participantes se comprometeram a criar equipes internas, responsáveis pelo levantamento, tratamento e padronização das informações antes que elas sejam inseridas na plataforma", explicou João Eduardo Ferreira, superintendente de Tecnologia da Informação da USP. Ainda que o foco da nova plataforma seja dados de pacientes com a Covid-19, ela poderá ser ampliada no futuro para outras enfermidades. Da mesma forma, espera-se que outras instituições, públicas e privadas, juntem-se à iniciativa e que alimentem a plataforma com mais dados.

O ESTADO DE S.PAULO/SÃO PAULO | CADERNO 2
Data Veiculação: 20/06/2020 às 03h00

Viagem Nathalia Molina ESPECIAL PARA O ESTADO Turismo dentro do Brasil e, de preferência, em lugares aonde se vá de carro. Com essas tendências na pós-pandemia, a retomada das viagens certamente passa pelos hotéis. Resorts ou pousadas, tanto faz. Daqui em diante, o que os viajantes devem ficar de olho são as práticas de higiene e cuidados com a saúde. “Quem conseguir passar uma imagem de segurança vai ter vantagem”, avalia Marcela Ferreira, professora do curso de Turismo da Universidade Anhembi Morumbi. Para ela, marcas conhecidas da hotelaria podem significar solidez. “A pessoa vai pesquisar a viagem e, se encontrar um íbis, já sabe o que vai encontrar. Se for ver uma pousada qualquer, pode ficar na dúvida.” Hotéis menores também podem transmitir confiança devido ao número reduzido de visitantes. “As sete villas, em um bosque natural de 7 mil metros quadrados, são bem ventiladas, assim como o lounge ao redor da piscina”, diz André Zanonato, proprietário do Etnia Casa Hotel, em Trancoso, na Bahia. “Justamente por propormos esse conceito, cada família ou casal em sua villa já está, praticamente, seguindo o distanciamento.” Entre as várias medidas para o retorno, em julho, está o intervalo de 72 horas após o check-out em cada quarto, antes da entrada de novo hóspede. “Acreditamos que os resorts, por exemplo, sairão na frente, exatamente por terem mais espaços abertos do que os menores”, afirma Emerson Belan, diretor geral da CVC. “A retomada das viagens vai se dar principalmente no setor doméstico. Lugares de praia, de campo e hotéis que oferecem muito espaço de fato livre serão as nossas apostas.” A reabertura dos integrantes da Resorts Brasil, associação brasileira do segmento, depende do controle da covid-19 nas cidades e de adaptações aos protocolos de segurança, diz Sérgio Souza, presidente da instituição. Só sete dos 56 empreendimentos estão funcionando em junho; a maioria volta em julho ou agosto. Outro aspecto é evitar retrocesso. “O que aconteceuem Gramado (quereabriupara 0 turismo e teve de retroceder) é a pior coisa. Agente não quer isso”, diz Souza. “A preparação não é pequena. Tem de começar a operar e aperfeiçoar os protocolos. Imagine isso em um resort com mil apartamentos, embora todos estejam com capacidade reduzida para ter distanciamento.” Segundo ele, sauna e jacuzzi * ficam fechadas em todos os resorts. Estão liberados spa (“é mais fácil de controlar com hora marcada”) e piscina (“o vírus não sobrevive no cloro e garantimos o distanciamento entre cadeiras”) . “Apesar de todo cuidado, agente não vai ter uma explo- * são de demanda. A gente quer passar essa segurança de que as pessoas podem passar a ter o seu lazer de volta, mas sabe que ► o retorno vai ser paulatino”, diz. A Airbnb, plataforma de compartilhamento de imóveis, vem fazendo parcerias no mundo para fomentar viagens localmente. Por aqui, escolheu o Estado de São Paulo. “Cidades perto dos grandes centros ou de onde a pessoa vive são a bola da vez”, disse Leonardo Tristão, chefe mm •4*» i-* Tv Personalizado. No Botanique, na Serra da Mantiqueira, 0 café da manhã já era servido nos chalés agora, todas as refeições são entregues no quarto HOTÉIS NA PÓS-PANDEMIA Pousada ou resort, não importa: o que trará o viajante de volta será a imagem de higiene que a hospedagem conseguir transmitir Eu respeito você. E você me respeita. Use a suo máscara corretamente! Cubra c boca e o nariz m Monte Verde. Hotéis criaram protocolos Cuidados. Tauá reforçou Limpeza do Airbnb no País, em entrevista ao caderno Link do Estadão. “No Brasil, estamos medindo o interesse em viajar no volume de buscas na plataforma e isso já cresceu, quando olhamos para o verão de 2021.” Para a limpeza dos imóveis, a empresa criou o Protocolo Avançado de Higienização, com a orientação de autoridades sanitárias como o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos. O intervalo mínimo entre hospedagens deve ser de 24horas. Medidas. Independentemente do tamanho e do estilo de hospedagem, todos investem em uma extensa lista de regras. A Associação Roteiros de Charme lançou o Guia de Orientação para seus 73 integrantes. Entre as recomendações estão a entrega de kit com máscara e álcool em gel na chegada, a conscientização dos hóspedes em relação ao distanciamento e à higiene das mãos e o treinamento para atender a quem apresente sintomas. Já o Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB) lançou um protocolo de biossegurança feito com base em informações da Organização Mundial da Saúde (OMS), da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Ministério da Saúde. No link fohb.com.br/protocolos, há o material para download. Cada rede ou hotel busca uma solução. “No início desta pandemia fechamos um acordo com o Bureau Veritas para estabelecer um protocolo, com selo de certificação de higienização e conduta dos hotéis”, conta Patrick Mendes, CEO da Accor América do Sul. “Com isso, lançamos um rótulo de limpeza e prevenção: Allsafe. Em paralelo, revimos todos os nossos procedimentos e lançamos o Guia da Retomada, para assegurar o seguimento de novas medidas e procedimentos, garantindo a saúde de colaboradores e clientes.” Dos 321 hotéis da Accorno Brasil,emtorno de 100 estão abertos. Uma parceria do Palladium Hotel Group com a suíça SGS, empresa de inspeção, verificação, testes e certificação, levaram à criação doprotocolo de segurança e bem-estar. A decisão da Atlantica Hotels foi lançar o selo Atlantica Safe & Clean Protocol (AS&CP) e um Manual de Diretrizes, aprovado pelo Instituto do Coração (InCor) da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Entre diversas medidas estão a medição de temperatura dos hóspedes na recepção e a espera de 24 horas entre o check-out e a entrada da equipe de limpeza. Hi-tech. Luiz Gonzaga Godoi Trigo, professor do curso de Lazer e Turismo da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP, destaca ainda os investimentos da hotelaria em tecnologia de ponta. “Além da higiene das camareiras e do pessoal da cozinha, vai fazer diferença o uso de equipamentos como o de ultravioleta para higienizar bagagens e até robôs no room Service.” O Botanique, que conta com chalés individuais e suítes, localizado na Serra da Mantiqueira, já usa disparos de luz ultravioleta para limpar as malas. “O hotel está com procura altíssima”, conta Fernanda Sem ler, sócia e idealizadora do hotel, reaberto desde 4 de junho. “As opções de mergulho na natureza são raras em hotéis. A região de fazendas não oferece relevo, altitude, clima temperado ou águas minerais. Certamente mais pessoas se darão conta, a partir de agora, que imersão na natureza não equivale a condomínios lotados de paulistanos.” Antes da pandemia, o café da manhã já era servido nos chalés. Agora, todas as refeições são entregues em room Service. Uma das mudanças mais visíveis no setor, aliás, diz respeito à comida. “Recomendamos que o atendimento de alimentação seja feito, preferencialmente, nos quartos. Caso seja em salões, deve diminuir o número de mesas para assegurar o distanciamento mínimo de dois metros e as refeições são servidas nas mesas, pois proibimos o bufê”, diz Rebecca Wagner, presidente da Agência do Desenvolvimento de Monte Verde e Região (Move), em Minas Gerais, cujos hotéis e pousadas também voltaram a funcionar em 4 de junho. Nos pequenos hotéis, em geral, o bufê foi abolido. Nos grandes, encontram-se variações. “Tem resort que faz à lá carte ou bufê invertido, com funcionários servindo as refeições. Em outros, os hóspedes pegam a comida com luvas descartáveis, mas sempre com uma proteção de acrílico por cima”, explica o presidente da Resorts Brasil. O Tauá ResortAtibaia reabriu em 5 de junho com os hóspedes se servindo com luvas, depois descartadas. “Os talheres serão sanitizados e embalados, sem contato manual”, informou o Departamento de Marketing do Grupo Tauá de Hotéis. As refeições são marcadas no check-in, quando hóspedes recebem um kit com cartilha de boas práticas, máscara e álcool em gel. A luz ultravioleta está na tecnologia contra poluentes do ar no Tauá Aquapark Indoor, parque aquático com 5 mil metros quadrados. Para ser usado nos dez empreendimentos da GJP Hotels & Resorts, que começam a voltar em julho, um aplicativo com várias funcionalidades está quase pronto. “O hóspede poderá realizar check-in e check-out, consulta de cardápios e reservas de serviços, além da geolocalização nos resorts para verificar o mapa de pessoas em tempo real, para que não haja aglomerações”, diz Fabio Godinho, CEO do grupo, que conta com o Hospital Sírio-Libanês para certificar e auditar os novos padrões de higiene e desinfecção e segurança em seus hotéis.

FOLHA DE S.PAULO/SÃO PAULO | COTIDIANO
Data Veiculação: 20/06/2020 às 03h00

Dexametasona já é usada em hospitais para tratar doentes graves bs Dexametasona já é usada no Brasil em casos graves de Covid - 19 Antes do estudo inglês, corticoide já era preferido no lugar da cloroquina UTI voltada a paciente com Covid-19 no hospital alemão Oswaldo Cruz zanone Fraissat/roihapress Cláudia Collucci são paulo Hospitais brasileiros já utilizam a dexametasona e outros corticoides dentro do arsenal de terapias farmacológicas para o doente grave de Covid-19 e devem ampliar o uso a partir dos resultados de estudo da Universidade de Oxford apontando que a droga reduz a mortalidade de pacientes internados. O uso off labei (fora da bula, sob responsabilidade do médico) da medicação foi sugerido por uma diretriz de três sociedades médicas (de medicina intensiva, de infectologia e de pneumologia) no início da pandemia no Brasil, quando ainda não havia evidências contrárias ou favoráveis a ela. No documento consta que o remédio não deve ser usado na fase inicial da doença. Entre o sétimo e 0 décimo dia da infecção, poderia ser utilizado em casos selecionados de pacientes internados para controle da inflamação causada pela Covid-19. Segundo a médica Suzana Margareth Lobo, presidente da Amib (Associação de Medicina Intensiva Brasileira), o novo estudo trazmais segurança ao estabelecer doses recomendadas da dexametasona para doentes em suporte de oxigênio e em ventilação mecânica. “Muitos intensivistas já vinham usando em doentes com síndromes respiratórias agudas graves. A gente usava em doses mais altas. Agora pode entrarem paciente em ventilação mecânica, mas não só nos muito graves. Provavelmente será usada em maior escala.” O médico Luciano Cesar Pontes de Azevedo, superintendente de ensino do Hospital Sírio-Libanês e coordenador do estudo sobre o uso da dexametasona na Covid-19 no Brasil, diz que o fato de a droga estar sendo muito utilizada durante a pandemia acabou atrasando o recrutamento de pacientes para a pesquisa. “Muitos pacientes chegavam já fazendo uso há três, quatro dias a gente não conseguia incluir no estudo [para a inclusão, eles precisam ser ‘virgens’ da terapia]”, afirma. Segundo ele, nas últimas semanas os hospitais diminuíram o interesse pela hidro- xidoroquina, cujos estudos não encontraram evidência de eficácia, e optaram mais por corticoides e anticoagulantes. “São os dois tratamentos off labei da Covid mais utilizados no momento. Mas evidências mesmo só começam a ser geradas agora, a partir do Recovery [o estudo britânico]." De acordo com o infectologista Esper Kallás, professor da USP no Hospital das Clínicas o uso de corticoides já é sugerido em casos mais graves. “O estudo confirma o que nós já havíamos percebido: para aqueles casos mais graves, com comprometimento pulmonar mais extenso, com insuficiência respiratória, um pouco de corticoide ajuda.” O hospital tem usado outros corticoides, como metilprednisolona e hidrocortisona. “Na pneumologia há preferência pela metilprednisolona porque ela penetra melhor nos pulmões. Nas inflamações do cérebro, a preferência é pela dexametasona. O uso do corticoide deve ser personalizado, e não usado de forma indiscriminada”, diz Kallás. No mercado mundial há 60 anos, a dexametasona já não tem mais patente e é de baixo custo. Em maio, foram vendidas no Brasil 1,7 milhão de caixas da medicação, fabricadas por'27 farmacêuticas. A caixa com dez comprimidos custa em torno de R$ 7.0 remédio é usado contra doenças inflamatórias e respiratórias, reumatismos, alergias, entre outros. O temor dos médicos é ou pelo fato de ser uma droga barata e de fácil acesso haja corrida às farmácias, como foi com a cloroquina e a hidroxidoroquina. O medicamento não é indicado para casos leves de Covid, como já advertiu a Organização Mundial da Saúde. “O estudo é bastante claro nas indicações. É para paciente hospitalizado, internado, que precisa de oxigênio ou ventilação. Não é para casos leves ou prevenção”, diz Lobo. Ela diz que a droga pode causar efeitos adversos, como aumento da glicemia e da pressão arterial, o que pode deseompensar os pacientes diabéticose hipertensos, além de hemorragias digestivas. O estudo britânico apontou redução do risco de morte em 35% em pacientes em ventilação mecânica e em 20% nos que dependiam de oxigênio. “Os resultados são muito bem-vindos, mas não representam cura.” Para Lobo, será preciso medir o impacto real da terapia na prática clínica. “Pode ser até menor do que o demonstrado no estudo [que foi controlado] porque muitos médicos aqui já vinham utilizando a medicação.” Kallás tem a mesma percepção: “O efeito é bom, mas não é essa maravilha toda. Reduziu a mortalidade em até 35%. E, na doença mais precoce, em vez de ajudar, pode atrapalhar.” Segundo ele, isso reforça conceito básico na infectologia. “Com a infecção na fase inicial, o sistema imune tem que estar funcionando bem para eliminar o vírus. Se der corticoide, você diminui um pouco a capacidade do organismo de combater [a infecção].” Como a Covid é doença bifásica, ou seja, tem a fase virêmica no início e a inflamatória depois, o corticoide só está indicado para a fase mais tardia da infecção. Para o biomédico Renato Sabattini, professor na Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, é preciso que as pessoas entendam que a cura de pacientes graves com Covid é resultante de um conjunto enorme de medidas terapêuticas, aplicadas por profissionais e recursos intensivistas por longo tempo. “Corticosteroidesde forma nenhuma são milagrosos. Muita gente vai continuar morrendo mesmo tratada.” Mesmo com os dados britânicos, um comitê de especialistas independentes anunciou nesta sexta (19) que o estudo brasileiro sobre o uso da dexametasona em pacientes internados com Covid-19, o segundo maior em número de doentes seguidos, deve prosseguir. Havia dúvida se os resultados promissores do estudo britânico, com 6.000 pacientes, já seriam suficientes para atestar a eficácia da droga e ainda valeria a pena continuar a pesquisa brasileira sobre a mesma droga, que acompanha hoje 284 pacientes. A proposta é chegar a 350 pacientes. No país, a dexametasona é testada no Coalizão Covid Brasil, que reúne médicos pesquisadores de alguns principais hospitais, com outras potenciais terapias. Os resultados serão divulgados em agosto. Segundo Luciano Azevedo, que coordena o braço do estudo, alguns dos investigadores, porém, entendem que, dados os resultados robustos do Recovery, seria antiético seguir “randomizando” [escolher de forma aleatória] os pacientes. Com a decisão do comitê independente de que o estudo deve seguir, Azevedo crê que deva cair muito a taxa de inclusão de novos pacientes. “Muitos já vão estar usando a medicação [deforma off labei].” Ele diz que o Recovery, por ora, não passa de um “pressrealese” pois os resultados não foram publicados em revista científica. “Não existe um paper. Temos dados da eficácia da droga, mas não da segurança.”