Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus:

FOLHA DE S.PAULO ONLINE/SÃO PAULO
Data Veiculação: 20/03/2020 às 15h26

Diante da pandemia do novo coronavírus, operadoras de saúde estão cancelando novas autorizações para exames e cirurgias que não se enquadrem em casos de urgência e emergência. Até senhas já liberadas têm sido postergadas. Nesta quinta (19), a Amil, a maior operadora de planos de saúde no país, comunicou que estava adiando novas autorizações de procedimentos feitos em ambiente hospitalar a partir de orientações do Ministério da Saúde. "Essa decisão preserva leitos hospitalares para os pacientes acometidos pelo vírus da Covid-19 e evita que pacientes saudáveis frequentem unidades de saúde, com exposição a risco de contaminação", diz a operadora. Para os casos de autorizações já concedidas, a operadora recomenda que os hospitais avaliem com seus pacientes a possibilidade de adiamento dos procedimentos. A decisão será mantida enquanto durar o estado de emergência de saúde pública, segundo a Amil. A Notredame Intermédica também cancelou as cirurgias eletivas e os exames de colonoscopia. Está recomendado ainda que seus beneficiários evitem consultas médicas e idas aos pronto-socorros. Para o diretor Paulo Chapchap, diretor do Hospital Sírio-Libanês, há cirurgias que não são exatamente urgentes, mas que não podem esperar três meses para acontecer. "Um câncer de mama, de intestino, de fígado, de estômago, você tem que continuar, não dá para parar porque esse indivíduo vai ter uma progressão da doença e vai ter chance de cura menor", diz. Outras cirurgias, como uma rotura de ligamento de joelho, causam sofrimento e também não deveriam ser adiadas, segundo ele. "A pessoa não consegue subir e descer escada, não consegue pisar, tem de tomar um monte de anti-inflamatórios, às vezes opioides. Vamos esperar três meses?", questiona. Já outras operações e exames como mamografia, colonoscopia e endoscopia, quando de rotina, podem ser adiados, segundo ele. "Os pacientes estão entendendo muito bem e até pedindo para não irem a um ambiente hospitalar neste momento." Mas também há exceções para o caso de exames. "Tivemos um paciente que fez quimioterapia e precisamos fazer uma endoscopia para saber se ele é operável ou não." Para Chapchap, é errado os convênios negarem sumariamente autorização para casos que não se enquadrem como urgentes. "Eles não têm como saber cada caso específico." TUDO SOBRE A COVID-19 Veja o que se sabe até agora sobre o novo coronavírus Quais são os sintomas do novo coronavírus? Saiba como se proteger e o que fazer em caso de suspeita Acompanhe o caminho do novo coronavírus pelo mundo Como falar sobre o coronavírus com crianças e adolescentes Novo coronavírus pode não ser tão letal mas se espalha mais facilmente Isolamento domiciliar tem regra até para usar o banheiro 'Pegou a Covid-19? Só procure um hospital se sentir falta de ar', diz especialista Vídeo ensina a lavar as mãos nesta sexta (20), o Sírio já fazia menos da metade cirurgias diárias (foram de 80 para 35, em média). O hospital está com 12% da sua capacidade já ocupada por pacientes com confirmação ou suspeita de infecção pelo novo coronavírus. Alexandre Ruschi, presidente da Central Nacional Unimed, diz que recomendou à rede de 323 cooperativas e credenciados o adiamento dos procedimentos eletivos de qualquer natureza. "Não fazia sentido proibir, como eu vi em manifestações de outras operadoras, derrubando autorizações, porque é uma ofensa ao regulamento", afirma Ruschi. Segundo ele, houve aceitação dos médicos. "Até porque eles estão na linha de frente e precisam se preservar", afirma. Ao mesmo tempo, pediu à ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) que regulamente o assunto em forma de resolução. "A gente tem um monte de prazo para agendamento de consultas, de procedimentos, de liberação de guias de exames. Todos esses prazos estão vinculados a penalidades." Segundo José Cechin, superintedente-executivo do Iess (Instituto de Estudos de Saúde Suplementar), as operadoras estão mobilizadas não só para adequar a assistência de seus beneficiários nesse momento de crise sanitária, mas também para proteger seus profissionais da saúde. "Submeter-se a qualquer procedimento já é arriscado. Nesse ambiente atual de alto risco, não é recomendado, se a pessoa pode adiar o procedimento. Temos que deixar os equipamentos disponíveis para as emergências e para o coronavírus." Entre os pacientes, especialmente os que lidam com doenças graves, o clima é de apreensão. Uma jovem com câncer de mama conta que teve que adiar as três últimas sessões de quimioterapia e que o mesmo deve ocorrer com a cirurgia, prevista para 23 de abril. "Fiquei um pouco frustrada, mas considero uma decisão sensata para o momento que estamos vivendo. Daqui a um mês não haverá mais hospitais seguros, todos estarão provavelmente ocupados com pacientes com coronavírus." Segundo a psicóloga Luciana Holtz, presidente do Instituto Oncoguia, já começam a aparecer problemas de todas as ordens, de adiamento de cirurgias a cancelamento de retornos de pacientes já operados. "Torço para que as clínicas usem e abusem da teleorientação. Dessa forma, o paciente se sentirá mais amparado, ficando mais seguro numa hora de tantas incertezas", afirma.

CONTEXTO EXATO/BRASÍLIA
Data Veiculação: 20/03/2020 às 08h46

Coronavírus está evoluindo mais rapidamente no Distrito Federal? Entenda Dados oficiais mostram que casos do Covid-19 crescem mais no Distrito Federal do que em outros estados. Especialista faz ressalvas Ricardo Taffner - Metrópoles - 20/03/2020 - 08:46:00 Os brasileiros estão atentos aos casos de coronavírus em suas cidades. Quanto mais o Covid-19 avança sobre uma região, maior é a preocupação da população. Por isso, algumas comparações têm sido feitas a fim de tentar identificar onde há maior incidência. O (M) Dados, núcleo de jornalismo de dados do Metrópoles, mapeou a evolução da doença nos dez primeiros dias a partir do primeiro caso em cada unidade da federação. O Distrito Federal aparece com a curva mais acentuada, o que dá a impressão de que o coronavírus tem se dissipado mais rapidamente na capital federal do que em outros estados. No entanto, Alexandre Cunha, infectologista do Sírio Libanês, do Hospital Brasília e dos laboratórios Sabin, alerta que esse tipo de comparação não retrata a realidade, uma vez que as regiões passam por situações diversas e enfrentam dificuldades diferentes umas das outras. Para a análise, foram considerados os números de casos por 100 mil habitantes. O método permite uma comparação proporcional da população, mas ainda assim não representa com exatidão cada UF. “É preciso considerar que os sistemas de vigilância sanitária são muito diferentes entre os estados. Por exemplo, você não pode olhar da mesma forma para a capacidade de rastreamento de São Paulo com a de uma cidade no interior do nordeste”, adverte Alexandre Cunha. Segundo o infectologista, o mesmo erro acontece ao se comparar o avanço do coronavírus no Brasil com a Itália. “Não é possível analisar sequer a taxa de letalidade do Covid-19 em regiões e países diferentes, porque não se sabe quantos doentes foram realmente testados.” Alexandre Cunha ainda ressalta que a capacidade de testagem no Distrito Federal foi superior ao de outras unidades da federação. “É muito mais fácil fazer o controle aqui por conta do tamanho do DF”, diz. Ele destaca, por exemplo, que a rede pública de São Paulo só fará testes nos pacientes graves, o que afetará diretamente para baixo as estatísticas de todo o estado.

SAÚDE! É VITAL/SÃO PAULO | GERAL
Data Veiculação: 20/03/2020 às 03h00

CORONAVÍRUSl Em meio a temores e incertezas, a nova ameaça chega ao Brasil e continua alimentando o que há de melhor (e pior) na humanidade por ANDRÉ BIERNATH | design EDUARDO PIGNATA fotos GETTYIMAGES | ilustrações THIAGO ALMEIDA 40 • SAUDE E VITAL OQUE PODEMOS APRENDER COM ELE? No dia 2 de março de 2019, os biólogos chineses Yi Fan e Peng Zhou, do Instituto de Virologia de Wuhan, publicaram um artigo científico que não teve grande impacto na comunidade acadêmica internacional, tampouco chamou a atenção da imprensa e de autoridades. Mesmo assim, há uma frase logo no primeiro parágrafo que hoje causa espanto pelo tom premonitório: "É altamente provável que surtos futuros de coronavírus se originem de morcegos, e há uma probabilidade maior de que isso ocorra na China". Nem o mais pessimista dos futurólogos poderia imaginar que, em menos de dez meses, a previsão se tomaria realidade com tamanha exatidão: a descoberta de um novo coronavírus, batizado de SARS-CoV-2, virou a preocupação mundial de 2020. As notícias começaram a brotar nas últimas semanas de 2019, quando médicos notificaram um aumento do número de crises respiratórias na cidade de Wuhan, na porção leste da China. Poucos dias depois, já se sabia que o quadro misterioso era provocado por um tipo desconhecido de coronavírus, da mesma família de agentes que estiveram por trás das epidemias de Sars (sigla para síndrome aguda respiratória grave), em 2002, e Mers (síndrome respiratória do Oriente Médio), em 2012. Até o fechamento desta edição, eram mais de 111 mil casos e 3 800 mortes pela doença chamada de Covid-19. Embora a vasta maioria dos infectados esteja concentrada na China, as notificações já se estendem por 110 países, e o Brasil confirmou o primeiro infectado no dia 26 de fevereiro. Apesar de os sintomas serem leves 85% das vezes, idosos e sujeitos com doenças crônicas, como asma e diabetes, estão mais vulneráveis a complicações e morte. Outro temor é a possibilidade de o vírus ser transmitido de pessoa para pessoa numa fase inicial, quando não há sintomas, o que dificultaria o controle. Diante de um contexto tão instável, que lições podemos tirar dessa história, inclusive para contornar uma ameaça que ainda não foi vencida? © SAÚDE É VITAL • MARÇO 2020 • 41 A história do cruzeiro Diamond Princess dá uma dimensão da seriedade do assunto: o navio viajaria pelo Sudeste Asiático, mas precisou ficar desde o dia 5 de fevereiro atracado em Yokohama, no Japão, após quatro passageiros serem diagnosticados com o coronavírus. Na quarentena, que foi alvo de severas críticas dos médicos que realizaram visitas ao navio, a doença se espalhou para outros 700 passageiros, cerca de 20% do total de turistas e tripulantes. A boa notícia é que as autoridades estão formulando respostas com uma rapidez nunca antes vista. "Em menos de duas semanas, já se sabia qual era o vírus e suas informações genéticas", observa o infectologista Celso Granato, do Fleury Medicina e Saúde. A título de comparação, a aids despontou nos anos 1970 e o HIV, seu causador, foi descoberto em 1983. Mais recentemente, o zika tocou o terror no Brasil em 2016. Mas ele circulou anônimo por quase um ano e só chamou a atenção após o aumento nos casos de microcefalia em bebês. O comportamento da China durante essa crise, aliás, é digna de elogios. Em 2002, no surto de Sars, que também se iniciou por lá, eles demoraram um tempão para avisar o resto do mundo. O erro não se repetiu em 2020. Entre as ações tomadas pelo governo chinês, destacam-se a construção de um hospital de mil leitos em dez dias e a operação de isolamento de Wuhan, que tem 11 milhões de habitantes (o mesmo que São Paulo). Nessa linha, órgãos internacionais adotaram uma postura firme e enérgica: a Organização Mundial da Saúde (OMS) logo decretou emergência pública internacional, o que incentivou as nações a criarem planos de contingência. Jornais científicos deram acesso livre e gratuito a todas as publicações com descobertas sobre o coronavírus. Governos de países ricos ajudaram os mais pobres nas medidas de precaução. "Só vamos sair dessa por meio da cooperação e do trabalho em conjunto", acredita a médica Nancy Bellei, da Sociedade Brasileira de Infectologia. © Q 5 9"$ 2 5 § O > Q Q o <3 §> S2 o £ < o 3 UJ Q j O PERFIL DO CORONAVÍRUS Essa família viral está no planeta há 300 milhões de anos — ela é mais antiga que os dinossauros! morcego coronavírus IA ENTIDADE O coronavírus recebeu esse nome porque parece ter uma coroa em sua superfície quando visto no microscópio. Ele é comum em vários países, inclusive no Brasil. 42 • SAÚDE É VITAL ■ MARÇO 2020 célula nariz 2 INTERMEDIÁRIOS O SARS-Cov-2, o coronavírus da epidemia atual, veio de morcegos. Existe a suspeita de que ele passou por um mamífero chamado pangolim antes de afetar humanos. boca 3 PORTAS DE ENTRADA O novo vírus invade o corpo pelos olhos, pelo nariz ou pela boca. Ele foi aspirado pela primeira vez a partir das fezes de algum animal, muito provavelmente num mercado da cidade de Wuhan. copias de vírus 4 SENHA CORRETA O coronavírus se conecta ao receptor ACE2, que fica na superfície das células. Após o ataque, ele usa o maquinário celular para produzir um monte de cópias de si mesmo. vírus 6 GRAVES REPERCUSSÕES Até 15% dos pacientes acometidos pela Covid-19 vão apresentar complicações como dificuldade para respirar e pneumonia. Isso é mais frequente em idosos e portadores de doenças crônicas. 5 ESPERA SILENCIOSA A infecção fica de dois a seis dias sem dar sinal. Esse é o tempo que os vírus demoram para se replicar e dominar novas células. Aos poucos, ganham terreno até chegar aos pulmões. 7 ESPALHOU GERAL Estima-se que, numa situação sem controle ou isolamento, um sujeito com a moléstia seja capaz de transmiti-la para outras seis pessoas por meio de gotículas de saliva, tosses e espirros. pulmões SAÚDE É VITAL • MARÇO 2020 • 43 Claro que essa urgência, motivada por um vírus desconhecido e perigoso, tem seus efeitos adversos. A disseminação de notícias falsas é uma delas. Em aplicativos de mensagens como o WhatsApp, circula um monte de imagens que revelam milhares de mortos espalhados pelas ruas, indicando que a situação seria mais grave que o divulgado. Em paralelo, textos sugerem tomar chá de erva-doce para se resguardar da doença. Tudo lorota... A própria OMS chegou a classificar a situação com o coronavírus como uma "infodemia", ou epidemia de informações mentirosas. Teve até gente que se aproveitou do momento para levantar uma graninha. O dono de um centro de estética em São Paulo, que teve seu registro de médico cassado, postou um vídeo no Instagram oferecendo injeções de vitamina D para evitar a moléstia. Uma clínica de Minas Gerais passou a indicar sessões de ozonioterapia com a mesma finalidade. O absurdo é que não há comprovação de que esses tratamentos tenham efeitos contra a Covid-19. As fakes News são um verdadeiro crime na saúde, pois geram um pânico enorme na população", argumenta David Uip, coordenador do Centro de Infectologia do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. O biólogo e comunicador científico Atila Iamarino sabe bem como é lidar com esse mar de informações desencontradas. "Enquanto tudo está incerto, fica fácil vender um monte de certezas”, raciocina. Nas últimas semanas, ele vem produzindo uma série de conteúdos sobre o coronavírus em sua conta no Twitter, que tem mais de 180 mil seguidores, ou para o canal do YouTube Nerdologia, que agrega 2,6 milhões de inscritos. Apesar do caos, o especialista vê melhoras no controle de boatos e mentiras na internet. "Na epidemia de zika, o YouTube trazia quatro vídeos feitos por fontes confiáveis e o resto era tudo teoria da conspiração. Hoje, o site não mostra aos usuários conteúdos que não tenham sido feitos por órgãos oficiais ou veículos de imprensa", compara. Será que temos enfim uma luz no fim desse túnel? © DA PRA CONTER A EPIDEMIA? Parte da estrutura montada para enfrentar o coronavírus foi utilizada em outras doenças, como zika e ebola & < s 2 £■< 2? Z 2: z z IS £ o o u < < Q Z > 2 O < S< LIDERANÇA GLOBAL Quem coordena as ações entre os países é a Organização Mundial da Saúde (OMS). Os técnicos e dirigentes acompanham os casos, reúnem informações e sugerem as medidas adequadas. 2 NOSSO PEDAÇO O Brasil montou um comitê emergencial, que congrega Ministério da Saúde, Agência Nacional de Vigilância Sanitária e outros órgãos. Abaixo, algumas das ações tomadas por aqui: | “ ■J n |§ ! !< í «ã í < í 13 ~ 1 j- MATERIAL INFORMATIVO Pôsteres e folhetos com recomendações de saúde são entregues em aeroportos. PROTEÇÃO AOS FUNCIONÁRIOS Em fronteiras e postos de imigração, os empregados recebem óculos e máscaras. AVISOS SONOROS Nos navios e cruzeiros internacionais, megafones emitem alertas em várias línguas. 44 • SAÚDE É VITAL • MARÇO 2020 3 PULGA ATRÁS DA ORELHA A situação é considerada suspeita quando alguém está viajando de uma região com casos confirmados e apresenta sintomas como tosse, febre e dificuldade para respirar. 4 SEM CONTATO COM O MUNDO O indivíduo passa então por uma avaliação com um especialista ainda no avião ou no navio. Depois, é encaminhado para isolamento em um hospital de referência da cidade de desembarque. HORA DA VERDADE Nesse período de internação, o paciente é submetido a uma série de exames. Se o resultado for positivo, ele fica em observação e recebe os tratamentos. Caso seja negativo, está liberado. O QUE FAZEMOS? Lavar as mãos com frequência é essencial, assim como cobrir a boca ao espirrar e tossir. As máscaras só são indicadas para quem já está doente e não quer transmitir o vírus. SAÚDE É VITAL ■ MARÇO 2020 ■ 45 Entre avanços e retrocessos, o episódio do novo coronavírus serve ao menos para reforçar mensagens valiosas de proteção à saúde, úteis inclusive contra outras doenças mais comuns, como o resfriado e a gripe. É importante, por exemplo, lavar as mãos com frequência, especialmente ao chegar em casa, trabalho ou escola. Na hora de espirrar ou tossir, cobrir a boca e o nariz com o braço (nunca com as mãos!). Se aparecerem sintomas leves, como mal-estar, nariz entupido e febre, ficar em casa para não transmitir a moléstia às pessoas ao redor. E, claro, só ir ao pronto-socorro se esses incômodos piorarem ou aparecerem sinais mais sérios, como falta de ar e confusão mental. Em última análise, a experiência atual com o coronavírus deixa a humanidade mais preparada para lidar com pandemias futuras. "Quer apareça na natureza, quer pelas mãos de um terrorista, segundo os epidemiologistas, uma doença transmitida pelo ar que se propaga rapidamente pode matar 30 milhões de pessoas em menos de um ano", alertou o empresário americano Bill Gates num discurso em 2018. Todos os acertos e erros dessas primeiras semanas de 2020 serão repetidos (ou consertados) para enfrentar novos vírus que surgirão em algum canto do planeta daqui a dois, cinco ou 20 anos. "Temos que integrar os sistemas de vigilância e desenvolver vacinas e remédios com mais rapidez”, chama a atenção o virologista Edison Luiz Durigon, professor do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP). Por fim, o Covid-19 nos deixa uma rica lição sobre os cuidados com o meio ambiente. "Quanto mais preservarmos os ecossistemas, menor o risco de esses vírus saltarem dos animais silvestres para as pessoas", avalia o virologista Paulo Eduardo Brandão, da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP. Eis uma responsabilidade que passa por nossas ações individuais, pela pressão da comunidade e pelas decisões de governantes. O que está em jogo é, nada mais, nada menos, o próprio futuro da humanidade • AS ÚLTIMAS AMEAÇAS Nas duas décadas passadas, outros vírus assustaram o planeta e exigiram muito dos cientistas e das autoridades SARS Também se iniciou pela China. Foram 8 mil infectados e 800 mortes. Nenhum caso novo é notificado desde 2004. EBOLA Apesar de ter provocado surtos no passado, o estrago foi grande e preocupante na África Ocidental em 2014. GRIPE AVIÁRIA O vírus H5N1 pintou entre pássaros na Ásia e havia um grande temor de que ele pulasse de vez para os humanos. ZIKA Era visto como um primo fraco da dengue — até se descobrir no Brasil que estava por trás da microcefalia em recém-nascidos. 46 ■ SAÚDE É VITAL • MARÇO 2020 2002 -SARS China GRIPE SUÍNA De origem mexicana, foi declarada como pandêmica em junho de 2009, após afetar mais de 75 países de todos os continentes. SARAMPO Velho conhecido, estava eliminado de várias nações. Mas voltou a incomodar, começando por Europa e EUA. 2005-GRIPE AVIÁRIA Vietnã, Tailândia, Indonésia e Camboja 2009 GRIPE SUÍNA/H1N1 México 2012 MERS Jordânia e Arábia Saudita 2014 -EBOLA Guiné, Serra Leoa e Libéria 2015/2016 ZIKA Brasil 2015/2016 SARAMPO EUA e Europa 2015/2016 POLIOMIELITE Nigéria, Paquistão e Afeganistão.

UOL BLOGOSFERA
Data Veiculação: 20/03/2020 às 04h00

O grande problema da covid-19 nesta altura todos nós já estamos carecas de saber: o vírus provoca uma pneumonia grave, capaz de desencadear uma inflamação tão forte que os pulmões se encharcam de líquido. Tomados por esse caldo derramado pela própria inflamação, seus alvéolos deixam de fazer as trocas gasosas a contento — o oxigênio mal entra, o gás carbônico mal sai. É a tal da insuficiência respiratória. E quando se chega a esse ponto, a saída é buscar um hospital para que os médicos façam alguma coisa — ou melhor, especificamente para que eles deem o suporte de uma ventilação mecânica. Mas o coronavírus indiretamente nos impõe outra grande ameaça —aliás, é por causa dela que estamos todos quietinhos em casa. O doente ofegante pode chegar ao hospital e, se ele já estiver lotado de pessoas infectadas, não encontrar leito. Bater com o nariz na porta. Ou até se internar, mas continuar sem respirar direito lá dentro, porque simplesmente vão faltar equipamentos para a ventilação mecânica. Faz sentido: todo hospital tem mais camas do que esses aparelhos, portanto eles tendem a se esgotar antes delas. Sufoco. Os britânicos estão bem preocupados — e não só eles, claro, mas é que o Reino Unido já divulgou um cálculo assustador. Somando todos os ventiladores mecânicos que existem por lá, existem 5 mil desses aparelhos para adultos e mais 900 para crianças em todas as suas instalações de saúde. Feitas as contas, a previsão é de que, no pior cenário, vão faltar 20 mil desses aparelhos nas próximas semanas. O Primeiro Ministro Boris Johnson, alarmado com o coronavírus um tanto em cima da hora, já ordenou que as fábricas produzam a toque de caixa mais e mais ventiladores. Mas não há linha de produção acelerada capaz de materializar assim tão ligeiro a quantidade necessária. Por isso o destaque dado pelo jornal Daily Mail, um dos mais populares entre os britânicos, para a notícia de que, nos Estados Unidos — lá também essa é uma enorme preocupação —, no Saint John Medical Center, em Detroit, a médica emergencista Charlene Babcock e seus colegas estão dando um jeito de um ventilador mecânico servir para quatro pacientes com coronavírus ao mesmo tempo. Ou seja, a gambiarra quadruplicaria a capacidade de atendimento. Mas quais seriam suas limitações? Por aqui, um dos que mais dominam o tema ventilação mecânica é o paraibano Luciano César Pontes de Azevedo, médico do Hospital Sírio Libanês e professor da Universidade de São Paulo, responsável por cursos de atualização nessa área oferecidos pela Manole — a mais consagrada editora de livros técnicos de saúde no país — e autor de nove livros no campo da Medicina Intensivista e Emergencial, que é a sua grande paixão. "Na época de residência, eu queria ser cardiologista clínico", lembra. "Mas aí percebi que, no fundo, o que eu gostava mesmo na Cardiologia era salvar aqueles indivíduos que davam entrada com anginas graves e agudas, quando a gente tem de atuar de maneira intensa, sem um minuto a perder." E agora aqui está ele, como todos nós, no meio do imbróglio do coronavírus. Segundo o doutor Luciano Azevedo, nem todos os casos de insuficiência respiratória — problema que aparece em cerca de 15% das pessoas infectadas, geralmente aquelas do grupo de risco, como idosos — vão para a intubação. Ao menos, não vão precisar de cara, porque uma das características desse quadro na covid-19 é piorar bastante sem muito aviso prévio. "Nós avaliamos os pacientes, com um exame de sangue chamado gasometria arterial, por exemplo, que mede exatamente quando oxigênio e quanto gás carbônico temos na circulação", ele conta. A partir da gravidade, existe uma ordem de prioridade. Nos pacientes em uma situação menos complicada, talvez funcione aquela espécie de cateter preso no nariz. "Grosseiramente, podemos dizer que ele oferece uma suplementação, um pouco mais de oxigênio", explica Luciano Azevedo. Já nos casos, digamos, intermediários, os médicos lançam mão das máscaras de oxigênio. Mas, sim, há aqueles com pulmões tão comprometidos que não haverá outro jeito: os médicos precisão lhes enfiar um tubo até a traqueia e, ao lado de uma equipe multidisciplinar — "o fisioterapeuta, nesses momentos, é também crucial", ele fiz —, avaliar uma série de parâmetros para ajudar o equipamento que fará as vezes dos pulmões, enquanto esses órgãos repousam. "O objetivo é exatamente esse", explica. "Mais do que normalizar a entrega de oxigênio, é sedar o paciente e dar a oportunidade para os seus pulmões repousarem e, assim, se recuperarem." O equipamento de ventilação mecânica desobriga, enfim, os pulmões de agirem como foles. Faz tudo por eles e a musculatura respiratória nem precisa se mexer. É o famoso dar um tempo — mas, quando falamos em coronavírus, que tempo enorme! "O que temos visto por aí é que as pessoas infectadas com insuficiência respiratória severa, quando sobrevivem, precisam ficar na ventilação mecânica por duas a três semanas", afirma o médico. Ou seja, é um período de 15 a 21dias em que esse equipamento ficará disponível só para ela. "Nesse cenário do coronavírus, talvez a gente tenha um número tão grande de doentes que irá faltar esses respiradores por aqui também", lamenta informar. Será que a gambiarra testada pelos americanos poderia ser uma solução, fazendo com que um equipamento sirva para quatro sujeitos internados? A própria Charlene Babcock ressaltou ao Daily Mail: "É um recurso para casos mais graves, que estão entre a vida e a morte e não temos outra saída". Ela ainda reconhece o risco, que não é pequeno, de uma infecção cruzada quando dois ou mais doentes compartilham a ventilação mecânica. Mesmo assim, diante do contexto, se vê animada e esclarece que a ideia não é exatamente original e que foi inspirada — ou retomada — de um trabalho americano realizado ainda em 2006. Luciano Azevedo diz que existem até mais trabalhos apontando a possibilidade de adaptar a aparelhagem. Fazer essa espécie de emenda, em si, não parece ser das dez coisas mais complicadas. Explicando por alto, dos dois circuitos do aparelho— um para entregar oxigênio e outro para puxar o gás carbônico —, é possível conectar tubos e outros materaisi encontrados com facilidade em qualquer hospital para criar bifurcamentos. "A questão é que isso nunca foi feito para valer com pessoas doentes, muito menos desafiadas por uma condição como a do conoravírus", alerta Luciano Azevedo.

FOLHA DE S.PAULO/SÃO PAULO | ILUSTRADA
Data Veiculação: 20/03/2020 às 03h00

TUDO MENTIRA 0 Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de SP) afirma que está recebendo diversas denúncias referentes a falsos tratamentos médicos e a fake news sobre a Covid-19. Desde segunda-feira (16), 12 pessoas foram denunciadas, além de um laboratório de manipulação. mentira 2 Das 12 pessoas, 7 são médicas e serão investigadas pelo conselho; 5, não médicas, serão denunciadas ao Judiciário e ao Ministério Público por charlatanismo. necessário O hospital Oswaldo Cruz, de Sp suspendeu nesta semana os exames em pacientes que não apresentam sintomas mais graves do vírus ou que não estão internados. Os hospitais Albert Einstein e Sírio Libanês já tinham adotado a medida. LINHA DE FRENTE O Sindicato dos Médicos de SP (Simesp) recebeu até quinta (19) dez denúncias de falta de equipamentos de proteção individual (EPI) e sobrecarga de trabalho em hospitais e ambulatórios públicos e privados de SP emergência Entre os locais citados estão o Pronto Socorro Municipal Dona Maria Antonieta Ferreira de Barros, o Ambulatório Médico de Especialidades (AME) de Interlagos e os hospitais particulares São Camilo e Sírio-Libanês. ATENDIMENTO NOS dois primeiros, respectivamente, são relatadas falta de equipamentos de proteção e sobrecarga de trabalho causada pela pandemia do novo eoronavírus. Nos particulares, alega se falta e itens de EPI. itens O Sírio-Libanês e São Camilo negam haver falta de material e dizem estar preparados para atenderão público. humanos “O governo fica muito preocupado em estruturar leitos de UTI, com razão, mas tem que pensar mais como vai organizar essa base de atendimento sem expor os profissionais" avalia o presidente do Simesp, Eder Gatti. igual O TSE negou pedido de um partido para que as datas de filiação de pessoas que pretendem se candidatar às eleições municipais fosse alterada O argumento de que a crise do coronavírus dificulta reuniões políticas não foi acatado. RODA DE SAMBA 0 sambista Arlindinho Cruz B, os atores Aline Borges B e Alexandre Rosa Moreno B e a drag queen Silvetty Montilla O compareceram à estreia do musical "Quando a Gente Ama" com sambas de Arlindo Cruz, realizado no Teatro Porto Seguro, em SR na semana passada, antes das recomendações para 0 coronavírus. A atriz Patrícia Costa 0, a modelo Camila Cordeiro□, 0 ator Alex NaderH e a passista Maiara Concessa □ estiveram lá. Gregsaiibian/ Folhapress faísca A manifestação do embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, criticando o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) chamou a atenção de empresários brasileiros que fazem negócios com aquele país por destoar do perfil diplomático adotado pelo chinês até então. fala o que quer “Faço negócios com a China desde 2005 e jamais vi uma declaração tão xenófoba contra o nosso maior parceiro comercial", afirma o diretor executivo do grupo de empresários LIDE China, José Ricardo dos Santos Luz Júnior. “A indignação foi tamanha que o próprio embaixador reagiu veementemente.” fala Murro Na quarta (18), o deputado postou mensagem em uma rede social culpando a China pela pandemia do novo coronavírus. “Tal atitude flagrante anti-China não condiz com o seu estatuto como deputado federal nem [com] a sua qualidade como uma figura pública especial" respondeu Wanming. foi mal O deputado disse posteriormente que não quis ofender o povo chinês. salto A crise do coronavírus impulsionou a audiência da GloboNews: na terça, o salto foi de 70% sobre a média do canal em todas as terças de 2020. salto 2 A audiência da faixa horária das 4I1 da manhã às 3h da tarde, com programação ininterrupta sobre o tema, aumentou 33% em comparação com as quatro terças anteriores. controle já número de casas com TVs ligadas cresceu 14%. esticadinha O prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), pediu para que Alê Youssef fique no comando da Secretaria Municipal de Cultura até o dia 2 de abril —Youssef deixaria a pasta nesta sexta (20). mão na massa essa prorrogação tem como objetivo estruturar, junto com Hugo Possolo, que entrará no lugar de Youssef, as medidas de apoio ao setor cultural durante a pandemia do novo coronavírus. para todos A deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP), os deputados estaduais Alexandre Padilha (PT-SP), Mônica Seixas e Raquel Marques (as duas da Bancada Ativista, em SP) e o vereador de Campinas Pedro Tourinho de Siqueira (PT) assinam representações contra a iniciativa avaliada pelo Governo de SP de limitar a realização de testes de diagnóstico do novo corona viras apenas a casos graves. com Bruno B. Soraggi, Bianka Vieira e Victoria Azevedo.

O GLOBO/RIO DE JANEIRO | Geral
Data Veiculação: 20/03/2020 às 03h00

Á distância, Mandetta reforça pedido de afastamento Governo adota novo espaçamento entre autoridades em entrevistas; comitiva presidencial aos EUA já tem 18 contaminados Distanciamento. Mandetta, na coletiva da Saúde, separado por cadeiras RENATA MARIZ, ANDRÉ DE SOUZA ENAIRA TRINDADE sociedade@oglobo.com.br BRASÍLIA m dia depois de dar entrevista no Palácio do Planalto sentado próximo do presidente Jair Bolsonaro e de outros colegas de Esplanada, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, manteve distanciamento maior de outras autoridades ontem. Em entrevista coletiva no Ministério da Saúde, cada um dos participantes foi separado por uma cadeira vazia, que criou um afastamento físico entre eles. Além do exemplo, Mandetta ressaltou a importância desse afastamento: explicou que é preciso manter uma distância de dois metros para evitar o risco de contágio. —Dois metros de distância de uma pessoa para a outra. Essa é a recomendação atual de distância social, porque quando você fala, a gotícula, mesmo que você não veja, sai —disse Mandetta. O ministro destacou que o vírus pode permanecer no local por algum tempo: — Quando eu falo aqui, cai em cima dessa mesa. Eu saio e o pessoal tem que passar álcool na mesa. As coletivas no Ministério da Saúde têm sido virtuais, como medida de enfrentamento ao novo coronavírus. Apenas os cinegrafistas são permitidos. Os repórteres enviam perguntas por meio do WhatsApp. O governo ainda tenta lidar com o desgaste causado pelas posturas consideradas equivocadas na condução da crise. Quatro dias após a ida do presidente Jair Bolsonaro a uma manifestação, desobedecendo as recomendações de se manter em isolamento devido à pandemia do novo coronavírus, no Palácio do Planalto a avaliação é de que a alta adesão ao panelaço contra Bolsonaro na noite de quarta-feira foi um “efeito rebote”. Monitoramento interno do governo das redes sociais de Bolsonaro mostra que o presidente vem perdendo apoio desde domingo. Numa tentativa de reagir ao desgaste, Bolsonaro convocou a coletiva com seus ministros na quarta-feira. Há no governo um temor de que a popularidade do presidente sofra uma queda nos próximos meses. A orientação no momento é para que ele se distancie da ala ideológica, deixando-a sob comando de seus filhos. Ontem, o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), Sérgio Segovia, recebeu o resultado positivo para o novo coronavírus. Ele é o 18g integrante da comitiva do presidente Jair Bolsonaro que retornou dos Estados Unidos na semana passada a contrair a doença. O senador Nelsinho Trad (PSD-MS), também infectado, está internado no hospital Sírio-Libanês de Brasí ia, em estado estável. Já o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, passou a noite de quarta-feira no mesmo hospital, mas recebeu alta na manhã de ontem.

REVISTA VEJA SÃO PAULO | GERAL
Data Veiculação: 20/03/2020 às 03h00

Hospitais, empresas e famílias paulistanas se preparam para lidar com a pandemia de coronavírus e o período de quarentena necessário para ajudar a conter o problema Sérgiò Quintella A pandemia de coronavírus fez com que governos anunciassem medidas de contenção para tentar diminuir a transmissão da doença, e isso afetou escolas e universidades, transporte e órgãos públicos, empresas, comércio e famílias. Todos tiveram de adaptar seus hábitos para não deixar nem São Paulo nem a vida parar. Para as próximas semanas, quando as autoridades esperam um crescimento do número de infectados, os hospitais paulistanos se preparam para esse novo momento, com a possibilidade de adiamento de cirurgias eletivas (aquelas não são urgentes), aumento da quantidade de leitos de unidade de terapia Passageiros com máscara em metrô de São Paulo: hora de ficar em casa intensiva (UTI) e suspensão de férias dos profissionais de saúde. A rotina do maior complexo hospitalar da América Latina está prestes a ser mudada devido ao aguardado crescimento de casos de coronavírus em São Paulo. Dos 400 leitos de UTI atualmente disponíveis no Hospital das Clínicas. 75 serão destinados aos novos casos da doença. Desses. 37 estão prontos e instalados no 11° andar de um de seus edifícios. "Vamos deslocar os pacientes para as outras UTIs e deixar os leitos isolados no 11° andar, que será usado apenas para casos de coronavírus”, afirma Beatriz Perondi. coordenadora do Comitê de Emergências do HC. O grupo foi criado em 2012 e acionado pela primeira vez no ano seguinte, após o incêndio no Memorial da América Latina. Na ocasião, mais de trinta bombeiros foram intoxicados. "Cada atendimento demandava de cinco a dez profissionais por vez"’, relembra Beatriz. Em outros hospitais, a rotina também será alterada. Principal local de diagnósticos na capital, com mais de 7 000 exames de coronavírus realizados, o Hospital Albert Einstein passou o último fim de semana separando currículos e realizando entrevistas. "Vamos contratar mais médicos e enfermeiros”, revela Sidney Klajner, presidente da Sociedade Israelita Albert Einstein. Ali. outra preocupação é com os pacientes e colaboradores. "A gente montou uma preparação especial, com fluxo de entrada e saída diferenciado, além de atendimento separado.” Apesar de tanta atenção, dois funcionários do local foram contaminados com o coronavírus. No Sírio-Libanês. o cuidado é com os médicos mais velhos, pertencentes ao grupo de maior risco de contaminação pelo coronavírus. Por lá, os profissionais com mais de 60 anos foram colocados em postos mais distantes do primeiro atendimento, função executada por especialistas mais jovens. "Profissionais de saúde são sempre os mais vulneráveis. É nossa obrigação proteger nosso pessoal”, afirma o médico Paulo Chapchap. presidente do Hospital Sírio-Libanês. No Hospital Samaritano. em Higienópolis, a Ortopedista Bergamaschi, em clínica na Zona Sul: 1 menos movimento g 2 20 Veja São Paulo 25 de março. 2020 “Não abandonei meu posto, mas faço parte do grupo de risco e resolvi ficar um período maior em casa” consultas de pacientes de outras especialidades diminuem a cada dia. diferentemente das demandas por tratamentos de gripe. Para atender aos casos, o time do pronto-socorro foi reforçado e novas contratações poderão ser feitas. No Nove de Julho, a preocupação é também com a alimentação dos funcionários. O bufê do almoço, que ficava exposto, foi suspenso, e agora a comida para os médicos e enfermeiros é só à lá carte. Na rede pública municipal, o desafio será manter o atendimento de outras áreas quando a pandemia cresce na cidade. “Vamos fazer um novo planejamento de cirurgias eletivas, mas há casos que não podem esperar, como os pacientes oncológicos”, assegura o secretário municipal da Saúde, Edson Aparecido. Enquanto os hospitais públicos e particulares se movimentam à espera de novos casos, as clínicas e os consultórios particulares vão no sentido contrário. Com dez médicos e três salas, a clínica de ortopedia Atualli. em Cerqueira César, já prevê o prejuízo. “Esperamos uma grande redução de receita nos próximos dois meses”, afirma o ortopedista João Paulo Bergamaschi. dono do espaço, que descarta por ora a demissão de funcionários. Perto dali, nos Jardins. a cirurgiã do aparelho digestivo Vanessa Prado tem atendido apenas a casos mais complicados. “Só têm aparecido os pacientes recém-operados ou com diagnósticos mais graves, com sangramentos ou suspeitas de tumores.” O cirurgião plástico Aristóteles Bersou Júnior também viu a sala de espera ficar vazia. Desde a última semana, apenas casos de urgência são atendidos por Bersou. “Não vale a pena correr riscos. Se ocorrer algo com meus pacientes, dirão que a culpa é minha. O respeito à vida vem antes de tudo.” De olho na própria saúde, há quem tenha tirado o pé do acelerador por conta própria. Com quase cinquenta anos de trabalho no Instituto Dante Pazzanese, o cardiologista Nabil Ghorayeb. 73, referência na medicina esportiva, vem reduzindo as consultas. “Não abandonei meu posto, mas faço pane do grupo de risco e resolvi ficar um período maior em casa”, diz. “Tenho uma mãe de 93 anos e uma filha de 10. a gente fica vulnerável.”

FOLHA DE S.PAULO ONLINE/SÃO PAULO
Data Veiculação: 20/03/2020 às 01h00

O hospital Oswaldo Cruz, de SP, suspendeu nesta semana os exames em pacientes que não apresentam sintomas mais graves do vírus ou que não estão internados. Os hospitais Albert Einstein e Sírio-Libanês já tinham adotado a medida. LEIA TODOS OS TEMAS ABORDADOS PELA COLUNA NA EDIÇÃO IMPRESSA DESTA SEXTA (20) Conselho de medicina de SP denuncia 12 pessoas por falsos tratamentos da Covid-19 Hospital Oswaldo Cruz de SP limita testes para coronavírus Sindicato dos Médicos de SP recebe denúncias de falta de equipamentos e sobrecarga de trabalho TSE rejeita adiar datas para filiação de candidatos às eleições municipais Declaração de Eduardo Bolsonaro é xenófoba, diz diretor do Lide China Crise do coronavírus faz audiência da GloboNews saltar 70% Alê Youssef ficará no comando da Secretaria de Cultura de SP até abril Parlamentares da esquerda se unem para derrubar limitação de teste de coronavírus a casos graves RODA DE SAMBA O sambista Arlindinho Cruz, os atores Aline Borges e Alexandre Rosa Moreno e a drag queen Silvetty Montilla compareceram à estreia do musical “Quando a Gente Ama”, com sambas de Arlindo Cruz, realizado no Teatro Porto Seguro, em SP, na semana passada, antes das recomendações para o coronavírus. A atriz Patrícia Costa, a modelo Camila Cordeiro, o ator Alex Nader e a passista Maiara Concessa estiveram lá. com BRUNO B. SORAGGI, BIANKA VIEIRA e VICTORIA AZEVEDO.

FOLHA DE S.PAULO ONLINE/SÃO PAULO
Data Veiculação: 20/03/2020 às 01h00

O Sindicato dos Médicos de SP (Simesp) recebeu até quinta (19) dez denúncias de falta de equipamentos de proteção individual (EPI) e sobrecarga de trabalho em hospitais e ambulatórios públicos e privados de SP. EMERGÊNCIA Entre os locais citados estão o Pronto-Socorro Municipal Dona Maria Antonieta Ferreira de Barros, o Ambulatório Médico de Especialidades (AME) de Interlagos e os hospitais particulares São Camilo e Sírio-Libanês. ATENDIMENTO Nos dois primeiros, respectivamente, são relatadas falta de equipamentos de proteção e sobrecarga de trabalho causada pela pandemia do novo coronavírus. Nos particulares, alega-se falta de itens de EPI. ITENS O Sírio-Libanês e o São Camilo negam haver falta de material e dizem estar preparados para atender ao público. HUMANOS “O governo fica muito preocupado em estruturar leitos de UTI, com razão, mas tem que pensar mais como vai organizar essa base de atendimento sem expor os profissionais”, avalia o presidente do Simesp, Eder Gatti. LEIA TODOS OS TEMAS ABORDADOS PELA COLUNA NA EDIÇÃO IMPRESSA DESTA SEXTA (20) Conselho de medicina de SP denuncia 12 pessoas por falsos tratamentos da Covid-19 Hospital Oswaldo Cruz de SP limita testes para coronavírus Sindicato dos Médicos de SP recebe denúncias de falta de equipamentos e sobrecarga de trabalho TSE rejeita adiar datas para filiação de candidatos às eleições municipais Declaração de Eduardo Bolsonaro é xenófoba, diz diretor do Lide China Crise do coronavírus faz audiência da GloboNews saltar 70% Alê Youssef ficará no comando da Secretaria de Cultura de SP até abril Parlamentares da esquerda se unem para derrubar limitação de teste de coronavírus a casos graves RODA DE SAMBA O sambista Arlindinho Cruz, os atores Aline Borges e Alexandre Rosa Moreno e a drag queen Silvetty Montilla compareceram à estreia do musical “Quando a Gente Ama”, com sambas de Arlindo Cruz, realizado no Teatro Porto Seguro, em SP, na semana passada, antes das recomendações para o coronavírus. A atriz Patrícia Costa, a modelo Camila Cordeiro, o ator Alex Nader e a passista Maiara Concessa estiveram lá. com BRUNO B. SORAGGI, BIANKA VIEIRA e VICTORIA AZEVEDO.