Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus:

G1/NACIONAL
Data Veiculação: 19/07/2020 às 18h09

O deputado estadual Georgiano Neto (PSD) apresentou melhora no quadro de saúde após ser transferido para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Em redes sociais, o parlamentar agradeceu as mensagens de apoio. O parlamentar foi diagnosticado com coronavírus dia 6 de julho e desde o dia 12 de julho está internado no hospital em São Paulo. Georgiano informou que os sintomas leves (tosse e febre) desapareceram. No entanto, saturação apresentava oscilação, por este motivo foi transferido para a UTI. "Não tenho palavras para agradecer as mensagens de apoio que chegam em milhares. São tantas que nem consigo responder a todas diretamente. Muito obrigado, de coração. Que Deus ilumine cada um de vocês", declarou. O parlamentar tem obesidade e hipertensão. O pai de Georgiano, o deputado federal Júlio César (PSD) também testou positivo para a Covid-19. Ele está assintomático e segue internado no mesmo hospital. Decretos determinam distanciamento social para evitar a contaminação pelo vírus, o isolamento social e medidas emergenciais foram determinadas por meio de decretos do governo do estado e das prefeituras, como na capital piauiense, para que a população fique em casa e evite ao máximo ir às ruas. Aulas em escolas e universidades, a maioria das atividades comerciais, esportivas e de serviços em geral estão suspensas por tempo indeterminado. Serviços essenciais como farmácias, postos de combustíveis e supermercados continuam mantidos, mas estão regulamentados. O atendimento em clínicas, hospitais e laboratórios, assim como o funcionamento de escritórios de advocacia e contábeis também foram liberados mediante cumprimento de regras. O uso de máscaras em locais públicos tornou-se obrigatório em todo o estado. Policiais fazem abordagens nas fronteiras do estado a ônibus e veículos particulares. Os decretos preveem que quem descumprir as regras pode ser penalizado com multa ou até prisão. Prevenção, contágio e sintomas Lavar as mãos de forma correta (veja vídeo), uso de álcool em gel, sempre usar máscaras, evitar contato pessoal e aglomerações de pessoas são algumas das orientações para evitar o contágio da doença. É importante também ficar atento quanto aos principais sintomas (tosse seca, congestão nasal, dores no corpo, diarreia, inflamação na garganta e, nos casos mais graves, febre acima de 37° C e dificuldade para respirar). Um guia ilustrado preparado pelo G1 ajuda a tirar dúvidas.

UOL NOTÍCIAS - ÚLTIMAS NOTÍCIAS/SÃO PAULO
Data Veiculação: 19/07/2020 às 04h00

Não é pouca gente. Quando a oncologista Nise Yamaguchi fala da resistência dos médicos ao uso de hidroxicloroquina na prevenção e tratamento da covid-19, ela se refere aos mais importantes pesquisadores da comunidade científica do mundo. Para ela, a recusa em divulgar e recomendar o medicamento estaria ligada a "interesses escusos" em uma suposta conspiração contra à vida. Por trás do "ataque à cloroquina", haveria uma competição entre grandes potências pela dominação do planeta. "Envolve geopolítica", diz ela, em entrevista concedida na quinta-feira em sua casa. "Há uma série de fatores que levam à tentativa de enfraquecer as populações, deixando que morram. Se um país colapsa, e se ajoelha, perde a capacidade de produção. Eu luto para que o Brasil se fortaleça, que sobreviva a essa guerra". Culpa da esquerda Segundo Nise, "dois partidos de esquerda" estariam particularmente empenhados nesse enfraquecimento. Quais? Ela ri. "Aí, você vai ter que descobrir", informa. Digo que só podem ser o PT e o PSOL. Ela ri mais. Mas por que esse interesse em enfraquecer o brasileiro? A resposta soa descabida. "Talvez por não perceberem o nosso valor. Existe uma síndrome de vira-lata. As pessoas ainda pensam a favor de outras hegemonias, não trabalham do lado do nosso povo..." Muito preparada Ao expor suas teorias conspiratórias, Nice o faz com uma expressão misteriosa, impenetrável, que parece propositalmente forjada para deixar o interlocutor admirado com o alcance do raciocínio dela. "Sou muito preparada", avisa. "Falo quatro línguas, morei na Alemanha, na Suíça, fui esportista, toco piano e ouço ópera desde os três anos. Fui convidada para trabalhar em vários países...era para eu estar nos Estados Unidos." Ela afirma ainda que é diretoria da Associação Brasileira de Mulheres Médicas e da Business Profession Women, e conselheira da Associação Paulista de Medicina. "Não sei se sou conselheira ou delegada. Põe membro..." Angustiada, em Brasília Muito midiática também, Nise Yamaguchi se tornou nacionalmente famosa quando teve seu nome associado ao do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que por sua vez fala da cloroquina com surpeendente intimidade. Nise: "Eu fui a Brasília e procurei o presidente, porque estava angustiada de ver tanta gente morrendo sem necessidade, por falta de conhecimento sobre a hidroxicloroquina. Eu sabia que a covid tinha cura, que esse medicamento salvaria vidas e me senti na obrigação de levar essa informação ao ministério da Saúde", diz Yamaguchi, que se apresenta como oncologista e imunologista. "Dediquei minha vida aos pacientes, e não me conformava com aquele obscurantismo." Além da hidroxicloroquina na prevenção da covid-19, Yamaguchi recomenda corticoide, azitromicina e zinco. Todos contra Entre os resistentes ao uso da hidroxicloroquinha estão médicos, cientistas, institutos de pesquisa e publicações especializadas. Estudos conduzidos recentemente pela Oxford Univeristy, na Inglaterra, pelo NIH (National Institutes of Health), norte-americano, e pela OMS (Organização Mundial de Saúde) concluíram que a cloroquina não na prevenção da doença, nem no tratamento. Na quinta-feira (16), a Annals of Internal Medicine, uma das mais respeitadas revistas científicas do mundo, publicou o resultado de uma pesquisa feita com 423 pacientes adultos da covid-19 para "investigar se a hidroxicloroquina poderia reduzir os sintomas graves provocados pela infecção". A resposta foi negativa. Muitos nãos na sexta-feira (17), em entrevista à Globonews, o pesquisador e coordenador do Núcleo de Epidemiologia e Vigilância da Fiocruz Brasília, Cláudio Maierovitch, afirmou que a instituição não recomenda o uso de cloroquina ou hidroxicloroquina para tratar pacientes com coronavírus. Ele rebatia o ofício enviado pelo ministério da Saúde, orientando a instituição a divulgar amplamente e recomendar o uso da cloroquina e da hidroxicloroquina no tratamento precoce de pacientes da covid-19: "A Fiocruz afirma que não há base científica para a cloroquina, pelo contrário, há evidências de que não deve ser utilizada. Mas, se recebe comunicado do Ministério da Saúde, não pode deixar de informar seus profissionais", declarou Maierovitch. "Internamente, é conhecido [na Fiocruz] que [a cloroquina] não tem eficácia." A fundação participa de um estudo que avalia medicamentos que eventualmente possam ser utilizados no tratamento da covid-19, e a cloroquina não faz parte dele. Também na sexta-feira, a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) anunciou que vai acompanhar "a orientação dada por todas as sociedades médicas científicas dos países desenvolvidos e pela OMS, de que a hidroxicloroquina deve ser abandonada em qualquer fase do tratamento da covid-19". Saquinho de ilusão Em uma live com seis médicos organizada na semana passada pelo oncologista Drauzio Varella, todos se mostraram radicalmente contra o uso da cloroquina na prevenção e cura da covid-19: "Ficou triste de ouvir os parlamentares de racionalidade zero relatando que a família usou cloroquina e deu certo", diz a pneumologista Margareth Dalcolmo, pesquisadora do Centro de Referência Professor Hélio Fraga da Fiocruz. Ela chama o pacote composto por cloroquina, corticoide, invermectina e zinco de "saquinho de ilusão": "Não tomem isso, em nome da melhor ciência. Não usem cloroquina para covid-19, mesmo que ganhem de alguém." Para a pneumologista Elnara Marcia Negri, da USP (Universidade de São Paulo) e do hospital Sirio Libanês, "é muito fácil vender o saquinho de ilusão porque 85% dos pacientes evoluem bem e parece que foi por conta da cloroquina". O infectologista e imunologista Esper Kallas, professor da USP, diz: "Essa história de cloroquina não é nova, vem desde os anos 1980, contra viroses. Não deu certo com ebola e não dará com nada." Sem discussão à coluna, a bióloga Natalia Pasternak, fundadora do "Instituto Questão de Ciência", afirmou que "não há mais o que discutir, a não ser talvez a questão ética de seguir prescrevendo um remédio que já se sabe não funcionar". "O ministério da Saúde e a dra Yamaguchi utilizam estudos observacionais e de má qualidade como "prova" de que hidroxicloroquina funciona. No entanto, estudos observacionais não indicam relação de causa e efeito, e não podem ser usados para nortear condutas. Também usam a desculpa de que não há tempo de realizar rcts (estudos clínicos randomizados), mas só há tempo como já foram feitos." Natalia cita os estudos da OMS e INH, "que avisaram em press release que interromperiam os testes com HCQ por falta de eficácia". $escape.getH()uolbr_geraModulos('embed-foto','/2020/nise-se-sente-solitaria-em-sua-luta-tudo-o-que-eu-quero-e-salvar-vidas-1595054509850.vm') Cloroquina também é arte É natural que Yamaguchi se sinta solitária em sua luta para salvar vidas. Diz que seus dois filhos, um músico e uma artísta plástica, imploram para que ela não dê mais entrevistas. A filha, Marjorie, para mostrar seu amor a mãe, pintou um autoretrato com uma caixa de remédio na mão, representando a cloroquina. No rótulo, ela escreveu "empatia", e na tarja vermelha, "o amor por princípio, a ordem por base e o progresso por fim". Os apelos dos filhos não são suficientes para afastar Nise da mídia. Na mesma sexta-feira em que a Sociedade Brasileira de Infectologia anunciou o abandono do uso da cloroquinha, Nise esteve no programa do pastor-cantor bolsonarista Magno Malta, na TV Brasil, para falar de suas convicções. Dividiu o sofá, sem máscara, com o uma especialista em harmonização facial, uma ex-viciada em crack. e o neto do dono da cadeia de lojas Riachuelo. Império do medo Microfone em punho, ela faz um apelo aos médicos: "Gente, vocês são meus amigos, nós trabalhamos juntos nos hospitais, por que então tirar do brasileiro a chance de se curar?" Magno Malta: "Faz parte do esquema de malandragem de governos que estão ligados à China. É o Império do Medo." Nise: Não adianta ter um instrumento musical Stradivarius, um celo sofisticado, se você não dá o melhor se si. Magno Malta: "[A hidroxicloroquina] serviu para o Witzel, para o Helder Barbalho, para o governador do meu estado...a mulher dele tomou, o motorista, e não há nada de errado nisso, graças a Deus eles tomaram! A prefeita de Porto Seguro tomou. E o povo não pode tomar?" Nise: "Pois é! Por quê?" Malta diz que "não sabia que o Brasil tinha tanto médico despreparado". Para ele, a 'hidroque de cloroquina' virou "um instrumento para sacar Jair Bolsonaro do poder". "Eles querem que Rodrigo Maia seja presidente do Brasil". Em um impulso de magnanimidade, ao dizer que a cura está acima de questões político-partidárias, Yamaguchi se empolga: "A gente precisa organizar uma frente suprapartidária para democratizar a hidroxicloroquina!" Mister da medicina contra todas as evidências, Nise Yamaguchi afirma que não tem partido. Seu advogado, doutor Danilo de Andrade, presente à entrevista, pede que se publique que "dra. Nice permanece à disposição para servir o país, não apenas no aguerrido mister da medicina, mas para colaborar junto ao ministério da Saúde, se for essa a necessidade". Para mostrar o seu desprendimento partidário, Nise conta que trabalhou "inclusive no governo do PT". "No segundo mandato do Lula, fui vice-ministra do (ministro da Saúde José Gomes) Temporão em São Paulo. Trabalhei em todos os níveis de prevenção e tratamento de doenças crônicas." Procurado pela coluna, temporão reagiu surpreso: "Ela foi nomeada representante do ministério da Saúde em São Paulo para uma função que não tinha nenhuma responsabilidade de atenção à saúde ou de pesquisa. Era um cargo de representação." Meditação na sinagoga no momento, a alardeada ligação com Bolsonaro ganhou concorrente à altura no noticiário. A polêmica agora envolve um comentário infeliz que Nise fez sobre os judeus, no programa de Malta na semana retrasada. A propósito do uso da cloroquina, ela afirmou que o medo "paralisa" e transforma as pessoas em "massa de manobra", e comparou os brasileiros aos judeus vítimas do nazismo. "Você acha que alguns poucos militares nazistas conseguiram controlar aquela massa de rebanho de judeus famintos se não os submetessem diariamente a humilhações?", indagou. Além de receber inúmeras notas de repúdio da comunidade judaica, Nise foi suspensa pelo Hospital Israelita Albert Einstein, onde atende. Ela alega que sempre teve admiração profunda pelo povo judeu, que costuma meditar na sinagoga e que tem uma irmã convertida à religião. "Gente, eu ouço música judaica, faço jejum no Yom Kippur. Eu adoro perdoar." Por outro lado, a médica suspeita que o verdadeiro motivo da suspensão é outro. Depois de contar que Yamaguchi conta com o depoimento providencial do assistente do médico judeu ortodoxo Vladimir Zelenko, que ficou conhecido por uma entrevista concedida ao ex-prefeito de Nova York Rudoph Giuliani, advogado de Donald Trump. Postado em março no Youtube, o vídeo é acompanhado por um texto que afirma que Zelenko obteve 100% de sucesso no tratamento de covid-19, usando hidroxicloroquina, zinco e azitromincina. De acordo com o Projeto Comprova, que reúne 28 veículos de comunicação brasileiros que investigam a fidedignidade de informações, a postagem é "enganosa". Não há evidências de que essa pesquisa de Zelenko tenha realmente sido realizada a não ser a palavra do próprio médico. Os resultados anunciados ruidosamente por ele não foram publicados em nenhum periódico acadêmico. Já nas reuniões com Bolsonaro, que ela conta com indisfarçável orgulho que, ao entrar na sala, "o presidente recomenda aos militares que se comportem": "Mas não dura muito", conta. Depois da saída do ministro Luiz Henrique Mandetta, o nome de Nise teria sido cogitado para ocupar a pasta, mas nunca confirmado. Nise Yamaguchi, ela mesma, diz que toma cloroquina uma vez por semana. Ainda assim, o comentado convite para assumir o ministério da Saúde de Bolsonaro não prosperou. Afinal, houve mesmo um convite? ".......", responde ela, sorrindo.