Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus:

R7.COM/SÃO PAULO
Data Veiculação: 18/06/2020 às 02h00

O novo coronavírus pode afetar o sistema neurológico, causando até encefalite (inflamação do cérebro geralmente provocada por uma infecção), segundo a neurologista Gisele Sampaio, da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, em São Paulo. Ela ressalta que esses casos são raros e, normalmente, muito graves. “Normalmente causa dor de cabeça, sonolência. Depende muito da área do cérebro que o vírus ataca. Pode provocar dificuldades motoras e na fala, perdas cognitivas e até colocar a pessoa em coma permanente”, afirma. Mais frequentes que as encefalites, outros acometimentos no sistema neurológico podem ocorrer pela falta de oxigenação do cérebro diante de um quadro pulmonar muito grave e por consequência das medicações utilizadas para a sedação, de acordo com a médica. Cerca de 30% dos pacientes internados por covid-19 apresentam algum tipo de consequência neurológica como essa, ainda de acordo com a neurologista. “É uma combinação dos dois fatores: o pulmão do paciente muito debilitado absorve menos oxigênio e a própria medicação utilizada para sedar pode ter algum efeito.” Autistas podem ir à rua sem máscara em cidades de São Paulo A médica explica que não existe um período determinado para que a sedação comece a ter efeitos neurológicos, mas que a recomendação é deixar o paciente sedado o menor tempo possível. “É um recurso de último caso, mas na covid-19 e outras doenças nas quais é necessária a intubação e o uso de ventilação mecânica, acaba sendo necessário. Os respiradores são muito desconfortáveis e o paciente acaba não aguentando.” Segundo ela, os pacientes de covid-19 mais graves estão ficando entre uma semana e 14 dias sedados. "Dados da França revelaram que 70% dos casos graves de covid-19 tiveram um acometimento neurológico", afirma. “É comum que isso ocorra em pacientes com quadros pulmonares muito graves, de outras doenças também. São observadas confusão mental ou algumas alterações no nível de consciência”, acrescenta. A neurologista destaca ainda que cerca de um quarto dos pacientes que desenvolvem algum tipo de comprometimento neurológico por conta da sedação e baixos níveis de oxigenação também apresentam alguma perda cognitiva. “A maior parte se recupera. É comum que alguns pacientes fiquem com alguma sequela, mas coisas pequenas, que não consideramos clinicamente”. Além disso, podem acontecer comprometimentos a longo prazo devido a possíveis paradas respiratórias, quando o paciente permanece muito tempo sem oxigenação, ressalta. Outra maneira possível de ter acometimentos no sistema neurológico é por meio de AVC (acidente vascular cerebral). “O vírus causa uma reação que altera o sistema de coagulação do corpo, gera uma tendência trombótica, se essa coagulação acontecer no cérebro pode acontecer um AVC.” Gisele afirma que, segundo o que foi observado na China, cerca de 5% dos pacientes internados por covid-19 acabaram por ter um AVC. “Lembrando que esses dados são de pacientes que ficaram hospitalizados. Não há como coletar dados de todas as pessoas contaminadas. Entre todos seria um número muito menor”, frisa. Além disso, observa-se a ação da covid-19 no sistema nervoso periférico. “A falta de olfato e paladar é por conta de um inchaço no bulbo olfatório, que é o nervo que leva a sensibilidade do nariz para o cérebro. Esse inchaço é verificado por meio de ressonância magnética durante a infecção e, depois, observamos a resolução.” Gisele afirma que a anosmia, que é a perda de olfato e paladar, é um sintoma comum e específico da doença e que ajuda no diagnóstico. “É uma pista clínica quando o paciente fala que parou de sentir o cheiro das coisas. É praticamente certeza de que é covid-19.” Segundo a neurologista, foram registrados alguns casos em que os pacientes desenvolveram síndrome de Guillain-Barré, doença na qual o sistema imunológico começa a atacar os nervos. Os sintomas são fraqueza e formigamento dos pés e pernas. Pode ocorrer paralisia em alguns casos, segundo ela. Saiba mais: Novo coronavírus pode estar presente na lágrima, afirma estudo com exceção da síndrome de Guillain-Barré e da anosmia, a maior parte dos acometimentos neurológicos ocorrem nos casos mais graves de covid-19. “Quanto maior a gravidade clínica, maior a chance de ter comprometimentos desse tipo.” No caso da síndrome de Guillain-Barré, algumas pessoas possuem uma predisposição imune e genética para a doença, destaca a neurologista. Pesquisa brasileira A UNB (Universidade de Brasília) e o hospital da faculdade, junto ao Hospital Sírio-Libanês, farão uma pesquisa para analisar os impactos da covid-19 no sistema neurológico, segundo divulgado pela secretaria de comunicação da UNB. O grupo de análise será composto por pacientes que desenvolveram algum tipo de acometimento neurológico, como encefalite, mielite, anosmia, AVC e Síndrome de Guillain Barré. Os pacientes serão observados durante um ano por meio de coleta de material biológico e análises clínicas. Os primeiros resultados devem sair em três meses. A ideia da pesquisa surgiu a partir de resultados de análises na China e Itália. Os estudos nesses locais mostraram que entre 30% a 40% dos pacientes com covid-19 desenvolveram algum tipo de problema neurológico. Segundo o neurologista, Felipe Von Glehn, coordenador da pesquisa, o objetivo é entender qual o mecanismo de ação do vírus: se é o próprio vírus que ataca o neurônio ou se são as células do corpo que, ao se defender do coronavírus, acabam destruindo o neurônio. Identificar esse mecanismo possibilitará encontrar medicamentos para tratar as doenças neurológicas associadas à covid-19. A pesquisa também será realizada no Instituto de Medicina Tropical da USP, no Instituto de Infectologia Emílio Ribas, no Hospital Israelita Albert Einstein e no Hospital Geral de Fortaleza. *Estagiária do R7 sob supervisão de Deborah Giannini Com filas e álcool gel, SP tem 1º dia de reabertura de shoppings

CORREIO BRAZILIENSE/BRASÍLIA | GERAL
Data Veiculação: 18/06/2020 às 03h00

Saúde 20 • CORREIO BRAZILIENSE • Brasília, quinta-feira, 18 de junho de 2020 Editora: Ana Paula Macedo anapauLa.dffddabr.com.br 3214-1195 • 3214-1172 Falta de comprovação de que a droga reduz a mortalidade em pacientes com covid-19 leva agência a suspender experimentos. Nos últimos dias, outros grupos de pesquisa adotaram a mesma medida alegando, por exemplo, a ocorrência de complicações cardíacas » VILHENASOARES Um dia depois de o corticoide dexametasona ter sido apresentado como o primeiro medicamento capaz de evitar mortes em pacientes com sintomas graves da covid-19, a Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciou a interrupção de testes clínicos com a hidroxicloroquina, droga que já foi considerada uma das principais apostas para o combate ao coronavírus. Segundo a agência das Nações Unidas, experimentos com a substância criada para tratar a atrite reumatoide não resultaram em dados positivos ligados à redução da mortalidade pelo Sars-CoV-2. Outros projetos de pesquisas adotaram a mesma medida recentemente, o que deixa o medicamento e a sua fórmula de origem, o antimalárico cloroquina, cada vez mais distantes de serem uma opção terapêutica para o Sars-CoV-2. A OMS lidera uma frente de pesquisa internacional, chamada Solidarity, que conta com a participação de 400 hospitais em 35 países e tem avaliado uma série de medicamentos no combate à covid-19. Testes com a hidroxicloroquina são um dos braços do projeto e, desde maio, têm sido alvo de decisões polêmicas (Leia Para saber mais). A medida anunciada ontem foi tomada após duas rodadas de consultas com especialistas e integrantes do projeto. “As evidências dos ensaios mostraram que a hidroxicloroquina, quando comparada com o tratamento padrão de pacientes hospitalizados, não reduz a mortalidade. Com base nessa análise e nas revisões publicadas, decidimos interromper os estudos randomizados com hidroxicloroquina no Solidarity”, enfatizou, em coletiva virtual, Ana Maria Henao Restrepo, médica da Unidade de Emergências Sanitárias da OMS Restrepo explicou que a decisão também levou em consideração os resultados do estudo Recovery, do Reino Unido, que testou a mesma substância e também não identificou benefícios em pacientes com covid-19.0 grupo liderado pela Universidade de Oxford, responsável pelo anúncio dos testes com a dexametasona, cessou os experimentos com a hidroxicloroquina no início deste mês. Na última segunda-feira, a Food and Drug Administration (EDA), órgão que controla o uso de medicamentos nos Estados Unidos, revogou a autorização para uso de emergência para hidroxicloroquina e cloroquina em George Frey/AFP Droga usada para tratar a artrite reumatoide já foi considerada uma das principais apostas contra a pandemia Para saber mais Uma semana de suspensão Um estudo científico publicado no periódico The Lancet em 22 de maio apontava para a falta de eficácia da hidroxicloroquina no combate à covid-19, além do aumento do risco cardíaco e de mortalidade com o uso do medicamento. O trabalho, apresentando como a investigação com a maior amostra sobre o tema, sofreu uma avalanche de críticas da comunidade científica, boa parte delas voltada para a metodologia aplicada. Assim que o estudo foi divulgado, a OMS decidiu suspender os testes com a hidroxicloroquina no projeto Solidarity para avcdiar o risco de mortalidade da droga. Uma semana depois, liberou novamente a condução dos experimentos justificando que não havia diferença das taxas do tratamento com as de outras abordagens experimentais. Palavra de especialista um caminho natural "Pesquisadores da área de infectologia já sabiam das limitações envolvidas no uso da cloroquina para o tratamento da pacientes com covid-19 também alegando que as drogas “provavelmente não serão eficazes" no tratamento da doença. De acordo com autoridades americanas, a decisão também considerou relatos de “eventos adversos cardíacos graves e de outros efeitos colaterais graves” associados ao uso das duas drogas no tratamento de pacientes infectados pelo patógeno Sars-CoV-2. No Brasil, os estudos com as drogas continuam. Um deles é o do grupo Coalizão Covid Brasil, coordenado pelo hospital SírioLibanês, em São Paulo. A equipe analisa os efeitos da hidroxicloroquina em 1.100 pacientes, divididos em duas pesquisas, que envolvem 60 hospitais brasileiros. covid-19, como o risco de problemas cardíacos, algo que foi reforçado em uma série de estudos publicados recentemente. Essas constatações, em conjunto com os dados do estudo Recovery divulgado na terça-feira, já indicavam que a Organização Mundial da Saúde poderia ter esse Luciano Azevedo, superintendente de ensino e pesquisador do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, é um dos cientistas participantes da investigação. “Ainda não temos previsão da divulgação dos resultados, é uma pesquisa trabalhosa, mas acreditamos que, em pouco tempo, vamos poder publicá-los e entender os detalhes relativos ao uso dessa droga em pacientes brasileiros”, disse. O médico acredita que a suspensão anunciada pela OMS se justifica devido ao número diverso de estudos que mostram como a hidroxicloroquina tipo de posicionamento. É um caminho natural, à medida que os dados vão sendo gerados, deixamos drogas menos promissoras de lado e nos concentramos nas que se mostram mais eficientes. É um processo comum e esperado. Isso não quer dizer que ela esteja totalmente descartada, não responde a expectativas de especialistas da área. “Muitos estudos têm mostrado uma inabilidade desse medicamento ao tratar até outros tipos de vírus, como a dengue e o zika. E as poucas pesquisas que mostraram dados positivos foram feitas com poucos pacientes”, afirmou. Corticoide Na coletiva de imprensa, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, também celebrou a notícia dos “resultados iniciais positivos” dá caso dados positivos surjam futuramente. Mas devido à urgência que vivemos, é importante priorizar compostos que se mostram mais eficazes." Werciley Júnior, infectologista e chefe da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Santa Lúcia, em Brasília dexametasona em pacientes com sintomas graves da doença. De acordo com conclusões preliminares divulgadas pela equipe do Recovery, a droga reduz a mortalidade em um quinto em infectados submetidos a assistência com oxigênio (não entubados) e em um terço entre os que precisam de respirador. Ghebreyesus enfatizou que a droga só deve ser usada sob “supervisão clínica próxima” e que são necessárias mais terapias que possam ser usadas principalmente para indivíduos com sintomas leves. Segundo o diretor executivo da agência, Michael Ryan, eles aguardam dados mais detalhados sobre o estudo britânico e também sua revisão por outros cientistas — a divulgação dos resultados em uma revista científica deve ocorrer nos próximos dias, de acordo com os autores. A OMS, porém, já começou a coordenar uma análise e a avaliar dados de vários ensaios clínicos com pacientes graves a fim de entender melhor o quadro, afirmou Ryan. Tedros Ghebreyesus informou que, em breve, a organização atualizará sua diretriz clínica “para refletir como e quando a dexametasona deve ser usada para tratar a covid-19”. Para Luciano Azevedo, os dados vistos no estudo inglês são animadores, mas necessitam ser mais bem avaliados. “Encaramos como uma boa notícia, porém temos cuidado, já que não foi divulgado na íntegra. Muitos estudos têm sido publicados recentemente e grande parte deles não é revisada, o que pode gerar falhas. Precisamos saber do perfil desses pacientes, como esse medicamento foi administrado e por quanto tempo, entre outros detalhes importantes”, justificou. O médico conta que o Coalizão Covid Brasil também realiza testes com o medicamento dexametasona em pacientes com covid-19. Os primeiros resultados estão previstos para agosto. VÍRUS

FOLHA DE S.PAULO/SÃO PAULO | COTIDIANO
Data Veiculação: 18/06/2020 às 03h00

País tem 200 tipos de testes para Covid-19, mas ainda testa pouco Exames usam material genético, anticorpos e pedaços de proteínas para detectar o vírus, mas oferta é limitada AnaBottallo são paulo Com cerca de 200 testes registrados e mais 300 aguardando aprovação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), o Brasil ainda é um dos países que menos testam para o novo e o coronavírus. Segundo o Ministério da Saúde, até o último dia 10, foram realizados 632 mil exames RTPCR na rede pública do país, ou apenas três testes a cada mil habitantes. Os EUA realizaram no mesmo período 66,6 testes a cada mil habitantes. A Anvisa exibe em sua página todos os testes para SarsC0V-2 em fase de avaliação ou já registrados, além de novas tecnologias desenvolvidas em laboratórios passíveis de registro. O método convencional por RT-PCR, considerado padrão ouro, consiste em buscar o RNA (material genético) do vírus no organismo, a partir de swab (espécie de cotonete) coletado do nariz e garganta. Detecta-se tanto quantidades baixas quanto presença mais forte do vírus no organismo. Idealmente, o teste é feito no início da infecção —entre o 3o e o 10o dia—, quando o vírus é expelido por gotículas da saliva ou do espirro. Como o alvo é o material genético do vírus, o exame tem especificidade (quão específico o teste é para detecção doSars-CoV-2) de 100% e sensibilidade (nível de precisão do teste; quanto mais alta, menor a taxa de falsos negativos) acima de 95%. Em média, grandes laboratórios públicos processam cerca de 500 amostras por dia. A rede de diagnóstico paulista, coordenada pelo Instituto Butantan, processa cerca de 1.700 amostras por dia. Há oferta de 59 kits RT-PCR no país, a maioria importada de países como China, Coréia do Sul e EUA, dos quais 33 possuem registro da Anvisa. O RT-PCR é gratuito na rede pública. Na rede privada, o exame pode ser feito com pedido médico com preço de R$ 150 a R$ 470. Recentemente, o Hospital Sírio-Libanês (HSL) divulgou novo teste com custo de R$95. De mesma especificidade e sensibilidade que o RT-PCR, o exame também busca o material genético do vírus, mas de forma mais simples e, por isso, mais barata. A saliva é o material a nalisado, e o próprio paciente pode fazer a coleta. De acordo com o laboratório, a análise dura apenas uma hora. O HSL afirma ter capacidade de processar 100 mil exames por dia. No momento, o exame não é ofertado para pessoas físicas, sendo disponível apenas para alguns laboratórios parceiros e o próprio HSL. A rede de medicina diagnostica do Hospital Israelita Albert Einstein patenteou um novo teste para Sars-CoV-2. O método, conhecido como sequenciamento de nova geração, busca também o material genético do vírus. A partir de swab do nariz e da garganta, o RNA viral é identificado em um enorme conjunto de nudeotídeos (unidades que formam o DNA). Com especificidade de 100% e sensibilidade de 90%, o teste tem capacidade de detectar o vírus já a partir do primeiro dia de infecção, e será ofertado ainda a partir deste mês a preço menor em comparação ao seu similar, hoje perto de R$ 250. A capacidade de processamento esperada é de até 24 mil testes por semana. O Fleury também desenvolveu tecnologia inédita para o diagnóstico da Covid-19, a espectrometria de massa, e passou a oferecer também esse exame desde o final de maio. A técnica busca proteínas específicas do Sars-CoV-2, os nucleocapsídeos. As proteínas são isoladas de swabs eolhidos do nariz e da garganta e quebradas em pedaços menores, que são medidos em uma curva de massa. O período para realizar o exame é o mesmo do molecular —3o ao 10o dia— e sua especificidade também é de 100%, mas a sensibilidade alcançada até o momento é de 84%. Uma vantagem do novo diagnóstico é que as amostras não precisam ser congeladas, podendo ser estocadas por até 5 dias em temperatura ambiente. A capacidade de processamento da rede é de até 1.500 amostras por dia, e o resultado liberado em até três dias úteis. O valor ofertado ainda nâo foi definido, mas será cerca de 15% menor que o valor pago pelo RTFCR, entre R$ 170 e R$ 180. Já os testes sorológicos buscam anticorpos no sangue para o eoronavírus, e há três tipos disponíveis: a quimioluminescênda e a imunoabsorção enzimática (Elisa), que usam sangue venoso, e o teste imunocromatográfico, ou “teste rápido”, feito com uma gota de sangue do dedo. Os testes sorológicos identificam pessoas que já tiveram contato com o vírus e, por isso, devem ser feitos a partir do décimo dia de contágio. Os testes de quimioluminescência e Elisa são processados em até 4 h nos laboratórios e consistem em reação entre uma enzima acoplada ao anticorpo que se liga ao vírus (antígeno), gerando cor —no caso do Elisa— ou luz—quimioluminescência. Diversos laboratórios disponibilizam testes sorológicos para Covid-19 —há cerca de 40 exames de diferentes empresas de biotecnologia registrados na Anvisa. Os preços variam de R$ 90 a R$ 380, e o tempo de liberação do laudo é, em média, 24 h. No início da pandemia, os testes sorológicos foram alvo de debate por sua baixa acurácia (precisão) e alta taxa de falso negativo, problema relacionado abaixa sensibilidade. No final de maio, teste da Roche com eficácia de 100% foi aprovado para uso no país. Segundoa empresa, a sensibilidade do novo exame, similar ao de q uimioluminescência, é de 100%, com especificidade maior que 99,8%. A análise é feita em só 18 minutos. Ainda sem preço definido, o teste estará disponível nas unidades parceiras nas próximas semanas. Os testes imunoeromatográfieos resultam da ligação de amostra de ouro coloidal com o conjunto antígeno-anticorpo, criando uma banda quando há reação. Os aparelhos desses testes são semelhantes aos usados para testes de glicemia, onde é colhida gota de sangue da ponta do dedo no próprio aparelho. O resultado sai entre 10 e 30 minutos. A acuráda desses testes, entre 60% e 70%, é muito baixa, afirmam especialistas, e por isso não apontariam com certeza se a pessoa já teve contato com o vírus. Alguns laboratórios particulares, como Einstein, Labi Exames e Hermes Pardini, também oferecem o exame imunocromatográfico. O governo federal distribuiu testes rápidos doados pela Vale para os estados e municípios para testar a população. A aprovação por parte da Anvisa de testes rápidos para distribuição em farmácias causou polêmica entre entidades médicas que avaliaram o uso desses testes com cautela. Eles correspondem ao maior contingente de testes listados na página da agência. São mais de 300 tipos, referentes a cerca de 75% de todos os testes que solicitaram aprovação do órgão, dos quais mais da metade ainda não possui registro aprovado. Segundo a Anvisa, as compras dos produtos que abastecem o sistema público de saúde são descentralizadas e estão sob regimento do Ministério da Saúde, que não respondeu aos questionamentos da reportagem sobre quais testes estão sendo avaliados para compra no país nem sobre o prazo de entrega.