Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus:

FOLHA DE S.PAULO/SÃO PAULO | COTIDIANO
Data Veiculação: 16/05/2020 às 03h00

Bolsonaro empurra 2º ministro da Saúde para demissão em um mês Após fritura e ultimato por cloroquina, Nelson Teich anuncia saída e surpreende presidente; país tem quase 15 mil mortes O secretário-executivo, general Eduardo Pazuello, assume interinamente. “A vida é feita de escolhas, e hoje eseolhi sair. Dei o melhor de mim”, disse Teich, em curto discurso à tarde, saúde bi Nelson Teich durante o breve pronunciamento que fez no Ministério da Saúde PedroLadeira/Foihapress A dois dias de completar um mês no cargo de ministro, Nelson Teich pediu demissão ontem do comando da Saúde em plena pandemia. O médico oncologista não explicou o motivo da saída. A decisão foi anunciada pela manhã em nota divulgada pela pasta. Ao fim do dia, o país somava 14.817 mortes em decorrência da Covid-19 —das quais 824 nas últimas 24 h— e 218.223 infectados. Sob fritura, Teich abandonou o governo após ultimato para ampliar o uso de cloroquina em pacientes com quadros leves da doença. O presidente Jair Bolsonaro foi surpreendido pela notícia. A divergência sobre o protocolo do medicamento foi considerada a gota d’água para a queda do ministro, que tomou posse em 17 de abril após a demissão de Luiz Henrique Mandetta. O antecessor travou longo embate com Bolsonaro quanto às políticas de combate ao vírus, entre elas o uso da cloroquina, obsessão do presidente seguidamente desqualificada pela ciência. saúde coronavírus FOLHA DE S.PAULO ★ ★ ★ SÁBADO, 16 DE MAIO DE 2020 B1 14.817 mortes País tem 824 novas mortes e 15.305 novos casos em 24 h 218.223 casos Os estados com maior número são SP (58.378) e CE (22.490) Teich pede demissão após ultimato por cloroquina e surpreende Bolsonaro Ex-ministro da Saúde ficou menos de um mês no cargo e quis evitar fritura sofrida por antecessor brasília A dois dias de completar um mês no cargo de ministro, Nelson Teich pediu demissão nesta sexta-feira (15) do comando da Saúde. O médico oncologista não explicou o motivo da saída. A decisão foi anunciada pela manhã em nota divulgada pela pasta. Ao fim do dia, o país somava 14.817 mortes em decorrência da Covid-19 —das quais 824 nas últimas 24 h— e 218.223 infectados. Em processo de fritura, Teich abandonou o governo após ultimato para ampliar o uso de cloroquina em pacientes com quadros leves da nova doença. O presidente Jair Bolsonaro foi surpreendido com a saída do auxiliar. A divergência sobre o protocolo do medicamento foi considerada a gota d’água para a queda de Teich. Bolsonaro ainda não escolheu seu terceiro ministro da Saúde. À frente da pasta no momento de enfrentamento da pandemia do novo coronavírus ficará interina mente o secretário-executivo, general Eduardo Pazuello. “A vida é feita de escolhas, e hoje escolhi sair. Dei o melhor de mim nos dias em que estive aqui nesse período”, afirmou o agora ex-ministro em pronunciamento na tarde desta sexta. Teich chegou ao ministério em 17 de abril. Ele substituiu Luiz Henrique Mandetta, que travou longo embate com Bolsonaro sobre as políticas de combate ao coronavírus, entre elas o uso da cloroquina. O Ministério da Saúde indica o medicamento para pacientes graves e críticos. Bolsonaro, porém, defende a indicação mais ampla, que ainda carece de comprovação científica de sua eficácia. Após a saída de Teich, o Ministério da Saúde já prepara novo protocolo para uso da cloroquina em pacientes com quadro leve, na contramão de estudos recentes. Os ajustes no protocolo são analisados por médicos vinculados à pasta e passaram a ser feitos ainda nesta sexta, segundo membros da pasta. Nos 27 dias à frente do cargo, Teich teve o poder como ministro minimizado por Bolsonaro. A empresários na quinta-feira (14), o presidente havia afirmado que o protocolo “pode e vai mudar”. Teich, porém, vinha defendendo que eventual alteração na recomendação do ministério só ocorrería após a conclusão de estudos. “Cloroquina hoje ainda é uma incerteza. Houve estudos iniciais que sugeriram benefícios, mas existem estudos hoje que falam o contrário”, disse o então ministro em 29 de abril. Nesta sexta, Teich avisou Bolsonaro que não poderia mudar o protocolo sem comprovação científica sobre a eficácia da cloroquina no início do tratamento. Há riscos cardíacos no uso do remédio. No discurso, Teich agradeceu a equipe de secretários e Bolsonaro. O ex-ministro disse que “seria muito ruim” para sua carreira não ter tido a oportunidade de atuar no Ministério da Saúde. “Não aceitei o convite pelo cargo, mas porque achava que poderia ajudar o Brasil e as pessoas”, disse. No pronunciamento, Teich afirmou ter sido “criado no sistema público”. Ele fez uma U A vida é feita de escolhas, e hoje escolhi sair. Dei o melhor de mim nos dias em que estive aqui nesse período u A missão da saúde é tripartite, e isso é uma coisa importante de deixar claro. O Ministério da Saúde vê isso como verdadeiro e essencial. É um momento em que o país inteiro luta pela saúde Nelson Teich ex-ministro da Saúde referência à formação e à residência médica em universidades e hospitais públicos. A declaração representa tentativa de rebater críticas de que teria pouca experiência na gestão do Sistema Único de Saúde. Teich atuou por mais tempo no setor privado. O ex-ministro fez um aceno a representantes de estados e municípios, com quem teve embates. O impasse se deu na política de isolamento social, criticada por Bolsonaro. “A missão da saúde é tripartite, e isso é uma coisa importante de deixar claro. O Ministério da Saúde vê isso como verdadeiro e essencial. É um momento em que o país inteiro luta pela saúde”, disse. Segundo ele, ficou pronto um programa de testagem e plano com diretrizes que indica cinco níveis de isolamento social para serem adotados por estados e municípios. Nesta semana, o exministro chegou a anunciar que apresentaria o texto. O lançamento, porém, foi cancelado por falta de consenso com secretários estaduais e municipais de Saúde, para quem a medida seria inoportuna em meio ao aumento de casos e mortes. Entre disputas, na segundafeira (11), mais um episódio deixou clara a falta de sintonia entre Teich e Bolsonaro durante entrevista no Planalto. Teich soube ao vivo da notícia de que o presidente ampliara por decreto o número de atividades consideradas essenciais. Bolsonaro havia incluído barbearias, salões de beleza e academias na lista. O ex-ministro se mostrou surpreso e virou motivo de memes. O fato reforçou a visão de que Teich estava afastado de decisões que interferem em recomendações da Saúde. Em outro ponto de discórdia, Teich afirmou que um “lockdown” —política rígida de isolamento social que proíbe a circulação— poderia ser aplicado onde a situação da Covid-19 se mostre mais grave. Bolsonaro, porém, defende a imediata retomada do comércio e das atividades. O presidente argumenta querer evitar maiores danos para a economia. Nos últimos dias, Teich vinha modulando o discurso em relação ao isolamento. Inicialmente, chegou a dizer que o país “não sobrevive um ano parado” e defendeu “plano de saída”. Em seguida, passou a dizer que o ministério “nunca mudou” de posição sobre o distanciamento. Ainda assim, vinha defendendo que medidas fossem avaliadas de acordo com o cenário local. Na quinta, Teich relatou a pessoas próximas na pasta que estudava pedir demissão por ter ficado incomodado com a edição do decreto e com a pressão de Bolsonaro sobre a cloroquina. No ministério, a avaliação é a de que o ministro não tinha tinta na caneta e quem coordenava de fato era Pazuello. Após o decreto, o general, já ciente de que Teich poderia sair, disse a pessoas próximas que não achava conveniente assumir o ministério efetivamente. Ele disse que não quer ficar em um tiroteio político. Pesa a avaliação de uma ala de militares de que não seria bom para as Forças Armadas ter mais um militar da ativa em um ministério. Há o receio de misturar mais ainda os fardados com o governo. Porém, uma outra ala dos militares do Planalto tenta emplacar o contra-almirante Luiz Froes. Médico, ele é diretor de Saúde da Marinha e ex-diretor do Hospital das Forças Armadas. A médica NiseYamaguchi, entusiasta da cloroquina, esteve com Bolsonaro em audiência antes do encontro dele com o ex-ministro nesta sexta. Assessores consideram seu nome como forte. O contra-almirante Antonio Barra Torres, presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), também é citado como opção. Os médicos Cláudio Lottenberg, do Hospital Sírio-Libanês, e Ludhmila Hajjar, do Hcor (Hospital do Coração), cotados na saída de Luiz Henrique Mandetta, também voltaram para a bolsa de apostas. Nessa lista de nomes técnicos entra também o presidente da Associação Médica Brasileira, Lincoln Lopes Ferreira. Ao longo desta sexta, Bolsonaro disse a aliados que baterá o martelo sobre o ministério na segunda-feira (18). O desfecho, porém, poderá se estender ao longo da semana. Desde a semana passada, o presidente já afirmava a amigos e aliados que Teich demonstrava sinais de incomodo e insatisfação. Bolsonaro dizia acreditar, no entanto, que se tratava de reação normal de quem estava há menos de um mês no cargo. Para ele, não havia chance de Teich deixar o posto. Segundo relatos de auxiliares, o pedido de demissão, além de surpreso, deixou o presidente atordoado. Em público, Bolsonaro não comentou a saída de Teich. No dia anterior ao pedido de demissão, Bolsonaro e Teich haviam se reunido no Planalto. O presidente saiu com a expectativa de que mudaria o protocolo da cloroquina. Ele esperava ainda que Teich concordasse com a mudança em novo encontro marcado nesta sexta. O ministro, no entanto, quebrou rapidamente a expectativa de Bolsonaro. Logo no início da reunião, Teich já disse, de acordo com relatos feitos à Folha, que a mudança não era correta e que faltava amparo cientifico. Antes mesmo de Bolsonaroargumentar, Teich afirmou que pretendia deixar o cargo. Como resposta, o presidente lamentou e disse que buscaria um nome afinado com seu discurso para substituí-lo. Caso o ministro não aceitasse a mudança na regra, o presidente avaliava intensificar um processo de fritura contra ele. Repetiría, assim, o expediente adotado com o antecessor Mandetta. Teich, no entanto, não quis esperar chegar a esse ponto. De acordo com servidores da pasta, ele ressaltou que não colocaria a perder a sua trajetória profissional. Bolsonaro já começou a analisar nomes para a pasta. Em paralelo, pediu a técnicos do governo que, antes da nomeação de um novo ministro, já deixem pronto o novo protocolo da cloroquina. Em conversas de bastidor, ele disse que quer alguém que, além de concordar com a aplicação do medicamento, passe uma imagem de crediDilidade diante da crise sanitária. Assim como ocorreu na saída de Mandetta, houve panelaçosem São Paulo e no Rio de Janeiro após o anúncio. Natália Cancian, Renato Machado, Gustavo Uribe, Talita Fernandes e Julia Chaib Obsessão do presidente vira política e reduz alternativas para a Saúde ANÁLISE Igor Gielow são paulo A obsessão de Jair Bolsonaro com o uso da cloroquina contra a Covid-19 ultrapassou a barreira do pensamento mágico a que estava conserita. Agora, é política de Estado. Isso fará a escolha do substituto de Nelson Teich à frente do Ministério da Saúde uma via de mão única. Ou aceita o cargo um militar preso à hierarquia, ou um militante bolsonarista, se não uma fusão dos dois. Há poucos dias, um estudo internacional demonstrou a ineficácia e os riscos da administração da cloroquina e da hidroxidoro quina. Mas o futuro titular da Saúde terá de aceitar não só que o remédio “salva vidas” como tuita o clã Bolsonaro, mas também que ele deve ser administrado no início da doença. Mesmo médicos que admitem testar a cloroquina o fazem apenas em casos graves, como recurso emergencial. E, até aqui, sem comprovação de eficácia. O rebaixamento do padrão científico para o da crendice especulativa se espalhou pela Esplanada dos Ministérios e chegou à pasta talvez mais central para o país agora. Nesse contexto, é irônico que se lance mão de militares, que sempre buscaram se apresentar como reservas de racionalidade no governo. Há uma boa probabilidade de o substituo de Teich acabar sendo o general Eduardo Pazuello, que está interino mas já era o ministro de fato na pasta. Pazuello tem fama de bom organizador logístico, decorrente de sua atuação com refugiados venezuelanos, mas só. De resto, cumprirá o oue o presidente da República mandar. A alternativa militar, o almirante médico Luiz Fróes, traz consigo o verniz de ser da área — é diretor de Saúde da Marinha. Mas, segundo ouem conhece Pazuello, ele teria dificuldade em aceitar a subordinação. Restam então médicos bolsonaristas, que não se importam em ser associados ao governo de país relevante mais mal avaliado na condução da pandemia —apesar da competição dura de Trump nos EUA. Pode ser o político Osmar Terra, ou a influência parda NiseYamaguchi. A rejeição da maioria da classe da saúde estará garantida. Teich, por sua vez, saiu como entrou: invisível e sem altivez nem para explicar os motivos óbvios de sua saída do ministério. Aos poucos, Bolsonaro consegue montar um governo à sua imagem. Ele tem sido colocado pela imprensa internacional ao lado de caricaturas como o líder da Belarus, Aleksandr Lukaehenko, por seu manejo da pandemia. Corre o risco de se isolar até nesse clube. O bonachão autocrata só receita vodca e sauna para o vírus, não remédios que podem causar arritmias fatais. [...] Teich saiu como entrou: invisível e sem altivez nem para explicar os motivos óbvios de sua saída

SAÚDE É VITAL/SÃO PAULO
Data Veiculação: 16/05/2020 às 09h54

Imagine a prova mais esperada da Olimpíada, televisionada para o planeta inteiro. Ela começa com um atleta à frente, que de repente perde o fôlego. Outros concorrentes se aproximam, ultrapassam e agora seguem lado a lado. Alguns já não acompanham ou desistem da prova. Ainda está nebuloso vislumbrar o pódio. E, quando houver um vencedor, é bem provável que ele não cruze a linha de chegada sozinho. As previsões da ciência são diferentes das esportivas, mas é mais ou menos assim que enxergamos a corrida por tratamentos e vacinas contra a Covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus (Sars-CoV-2). Nunca o mundo assistiu em tempo real ao trabalho de tanta gente para derrotar uma doença. E o maior desafio é a busca de respostas rápidas, num ritmo oposto ao da dinâmica tradicional e criteriosa das pesquisas. Nessa maratona contra o tempo e o sofrimento dos pacientes, duas medicações com potencial, a cloroquina e a hidroxicloroquina, foram alçadas cedo demais ao posto de favoritas. Experimentos de laboratório feitos em células atestaram que esses compostos usados contra malária e doenças autoimunes inibiam a replicação do vírus Sars-CoV-2. Em março, uma pesquisa francesa com 36 portadores de Covid-19 indicou que todos eles haviam se curado com a combinação de hidroxicloroquina e azitromicina, um antibiótico. O achado foi o estopim para a fama, mas logo recebeu duras críticas: não havia um grupo controle tomando outro remédio ou placebo (pílulas sem princípio ativo) como comparativo, tampouco o trabalho fora revisado por cientistas independentes, um rito clássico para garantir a confiança nos resultados. Semanas depois, estudos conduzidos na China e na Europa colocaram dúvidas sobre o poder de fogo da cloroquina — e ainda apontaram efeitos colaterais sérios, como arritmias. “O assunto virou uma discussão midiática, mas ainda não sabemos a real eficácia dessa abordagem. Das centenas de trabalhos feitos até agora, parte sugere que funciona bem, a mesma quantidade mostra que não e outra parcela diz ainda que ela faz mal”, analisa Luiz Vicente Rizzo, diretor-superintendente de pesquisa do Hospital Israelita Albert Eistein, em São Paulo, que participa da Coalizão Covid Brasil, aliança de instituições nacionais que investiga tratamentos contra a infecção. Veja também MedicinaCoronavírus: estudo avalia uso precoce de hidroxicloroquina e azitromicina17 abr 2020 - 18h04 MedicinaCovid-19 é doença sistêmica: conheça estragos e sintomas fora dos pulmões15 maio 2020 - 14h05 Além da hidroxicloroquina, a coalizão irá testar outra linha promissora de medicamentos, os imunomoduladores, que interferem na reação do corpo ao vírus. A droga escolhida é a dexametasona, anti-inflamatório da classe dos corticoides, que já demonstrou efeito contra outras formas de síndrome do desconforto respiratório agudo — uma das piores evoluções da Covid-19. A lógica por trás é a seguinte: qualquer infecção desperta no organismo uma inflamação. Daí vêm sintomas clássicos como febre e dor. Mas, com o coronavírus, algumas pessoas produzem uma “tempestade inflamatória” — e, aí, o tiro do corpo pode sair pela culatra. “Pacientes com a forma mais grave da doença têm uma resposta exacerbada do sistema imune, que acaba atacando o próprio organismo”, explica Alexandre Biasi, superintendente de pesquisa do HCor, em São Paulo, que também participa da Coalizão Covid Brasil. Além dos corticoides, outros fármacos podem regular a inflamação fora de controle, caso dos anticorpos monoclonais, medicamentos injetáveis mais modernos e capazes de bloquear moléculas inflamatórias específicas. Um deles, o tocilizumabe, demonstrou reduzir rapidamente a febre e melhorar a função respiratória dos acometidos pela doença. “Nosso desafio é entender quem terá essa reação, mas sabemos que ela é importante para explicar, por exemplo, por que certos nonagenários se recuperam e jovens precisam de terapia intensiva”, conta a médica Viviane Cordeiro Veiga, coordenadora da UTI da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo, outro membro da coalizão. Na rota pela cura, a Organização Mundial da Saúde (OMS) capitaneia um estudo global, o Solidarity, em parceria com instituições como a brasileira Fiocruz. Além de remédios com efeito anti-inflamatório, o projeto testará diferentes esquemas com antivirais. São drogas já utilizadas para deter outros vírus, mas potencialmente tóxicas quando usadas em longo prazo (basta pensar no tratamento do HIV). Fora que só inibir a multiplicação do vírus não é garantia de recuperação. “O antiviral pode ajudar, mas o tratamento também precisa minimizar problemas como a reação inflamatória e os danos aos tecidos”, diz Fernando Spilki, presidente da Sociedade Brasileira de Virologia. Outras categorias de medicamentos também estão no alvo de hospitais e centros de pesquisa. É o caso de vermífugos e de anticoagulantes — estes últimos atuam contra um efeito secundário da Covid-19, a formação de microtrombos nos pulmões e coágulos nas artérias. Algo que acelera a busca dos candidatos a terapia é o reposicionamento de remédios já aprovados para outras condições, o que permite eliminar etapas do rito de análise e aprovação de fármacos. Uma medicação nova, concebida especificamente contra o coronavírus, pode demorar mais de uma década para nascer. “Quanto mais drogas prontas descobrirmos, melhor”, afirma o biólogo Lúcio Freitas, do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP), enquanto dirige até Campinas para levar brigadeiros à sua equipe, que vai virar mais uma madrugada em um megaesforço para testar até 4 mil princípios ativos por semana contra o Sars-CoV-2. Aqueles que demonstram ação in vitro (em células) passam por novos estudos até chegar a gente como a gente. “O que se observa nessa primeira etapa é muito diferente daquilo que acontece quando um humano toma um comprimido”, pondera Luciano Cesar Azevedo, superintendente de ensino do Hospital Sírio-Libanês, também parte da Coalizão. Pode levar meses ou anos para que o efeito ou a dosagem sejam delimitados. Os especialistas ouvidos por VEJA SAÚDE visualizam um futuro de múltiplas opções terapêuticas, definidas de acordo com as características do paciente. Ficha técnica – Cloroquina e Hidroxicloroquina O que são: dois medicamentos parecidos e utilizados há décadas contra malária e doenças autoimunes, como lúpus e artrite reumatoide. Alguns governantes e profissionais os alçaram precocemente a solução do problema. Como agem: alteram o pH no interior das células humanas, o que torna o ambiente desfavorável para a replicação do vírus. Também parecem interferir nos receptores celulares utilizados pelo Sars-CoV-2 como porta de entrada. O que sabe a ciência: relatos de caso e estudos clínicos mostram redução da carga viral — especialmente junto à azitromicina —, mas outros dizem que não faz diferença na recuperação da Covid-19. Ensaios maiores trarão respostas até o meio do ano. Para quem: antes receitadas aos casos graves, hoje são administradas também em infectados com sintomas moderados — a critério médico ou dentro de estudos. Mas há risco de eventos adversos graves, sobretudo ao coração. Ficha técnica – Imunomoduladores O que são: medicações que regulam a resposta da imunidade ante o vírus. Fazem parte anti-inflamatórios do tipo corticosteroides, anticorpos monoclonais e drogas como o interferon, utilizado na hepatite C. Como agem: a depender do tipo, podem reduzir a inflamação no geral, bloquear moléculas inflamatórias específicas ou estimular a atividade de defesa da própria célula atacada para impedir a replicação do vírus. O que sabe a ciência: nada categórico por ora. Corticoides já foram estudados para síndrome do desconforto respiratório agudo no passado, mas as evidências disponíveis para Covid-19 são consideradas de qualidade baixa e moderada. Para quem: nos hospitais, são usados em casos graves ou como parte das pesquisas. Há momento certo para entrarem em jogo. No início do tratamento, corticoides podem suprimir demais as defesas, liberando passagem ao vírus. Ficha técnica – Antivirais O que são: fármacos criados originalmente para combater outros vírus em si. Hoje são mais estudados o lopinavir e o atazanavir, que atuam contra o HIV, o remdesivir, feito para o ebola, e produtos que miram o influenza, da gripe. Como agem: a ideia de praticamente todos é bloquear alguma etapa da replicação do vírus. O mecanismo é semelhante entre diferentes famílias virais: o patógeno se apodera da célula do hospedeiro e produz um monte de cópias. O que sabe a ciência: em laboratório, funcionaram bem. Mas os testes clínicos apontam resultados contraditórios. O remdesivir é o que parece ter se saído melhor até aqui e foi aprovado para uso emergencial nos Estados Unidos. Para quem: por enquanto são usados em caráter de pesquisa no exterior. No Brasil, os médicos podem receitar o tamiflu, contra o influenza, para pacientes com suspeita de Covid-19 até que se exclua o diagnóstico de gripe. Ficha técnica – Anticorpos O que são: falamos de duas abordagens: o plasma de convalescente, que oferece anticorpos em um soro extraído do sangue de recuperados da Covid-19 para pacientes críticos; e anticorpos criados em laboratório. Como agem: o organismo precisa de um tempo para fabricar seus próprios anticorpos contra um novo agressor. Essa estratégia já os entrega prontos, mas com sobrevivência limitada dentro do corpo. O que a ciência sabe: há indícios de melhora na evolução e na taxa de alta com o plasma de convalescente, que tem poucos efeitos colaterais. Os anticorpos neutralizantes de laboratório estão em construção e ainda não passaram por testes. Para quem: o plasma de convalescente só foi testado em indivíduos com quadros críticos. A Clínica Mayo, nos Estados Unidos, avalia agora a possibilidade de fazer a transfusão mais cedo, nos primeiros dias de internação. Veja também MedicinaComo é o tratamento do novo coronavírus, dos cuidados em casa à UTI27 mar 2020 - 15h03 MedicinaComo o coronavírus é transmitido e por quanto tempo ele resiste por aí19 mar 2020 - 15h03 As vacinas contra o coronavírus Enquanto a jornada pelo tratamento segue seu rumo, outra corrida se desenrola: a dos imunizantes. “É a nossa única arma para realmente evitar a transmissão do vírus e pandemias como essa”, defende o virologista Edison Luiz Durigon, professor do ICB-USP. “São mais de 100 tipos em desenvolvimento, e nossa expectativa é ter a vacina ideal em até dois anos”, conta o imunologista Jorge Kalil, professor da Faculdade de Medicina da USP e líder da pesquisa com uma das candidatas brasileiras. O médico recorda que a vacina mais rápida da história, para o ebola, levou cinco anos para ficar pronta. Agora é torcer para que os cientistas quebrem esse novo recorde. Conheça agora três das principais estratégias de imunização em estudo: mRNA Quem pesquisa: o método se vale da informação genética do vírus e é investigado por farmacêuticas multinacionais e empresas de biotecnologia. Qual é a tecnologia: usa só o RNA mensageiro do vírus, molécula que traduz a informação genética em proteínas. Uma espécie de receita de bolo, só que de fabricação de pedaços virais. Não há vacinas semelhantes disponíveis atualmente. Como atua: induz nossas células a reproduzir somente a proteína que fica na cobertura do vírus e é utilizada em suas invasões. Com isso, o corpo passa a reconhecer o intruso das próximas vezes que cruzar com ele e já sabe se defender. Previsão de chegada: a Pfizer, uma das companhias que investem nessa linha, prevê que, com resultados positivos, poderá iniciar a produção no final de 2020. VLP Quem pesquisa: a sigla faz referência ao termo em inglês virus-like particles, estratégia estudada pelo InCor-USP e por laboratórios americanos. Qual é a tecnologia: cientistas criam uma molécula semelhante a uma casquinha que imita o vírus por fora mas é vazia por dentro. A versão brasileira pretende usar áreas específicas da proteína responsável pela entrada do patógeno nas células. Como atua: a meta é induzir duas respostas diferentes. A produção de células de defesa do tipo CD4, importantes para a fabricação de anticorpos, e as CD8, que reconhecem e destroem outras células já infectadas. Previsão de chegada: testes com humanos devem começar a ser feitos entre o final deste ano e o início de 2021. Bivalente Quem pesquisa: um consórcio entre a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a Fiocruz, a USP e o Instituto Butantan, em São Paulo Qual é a tecnologia: a técnica emprega o vírus influenza, da gripe, atenuado e geneticamente modificado, para que contenha em sua superfície pedaços da proteína do coronavírus que lhe garante a conexão com as células. Como atua: estimularia a produção de anticorpos que freiam o vírus aderindo àquelas proteínas. Espera-se que uma única dose previna tanto a gripe quanto a Covid-19 — e a vacina seja reaplicada de tempos em tempos. Previsão de chegada: estudos clínicos devem ocorrer entre o segundo semestre de 2021 e 2022. Veja também MedicinaCoronavírus: quanto tempo deve demorar até a gente ter uma vacina?27 mar 2020 - 17h03 Alimentação6 cuidados ao pedir comida durante a pandemia15 maio 2020 - 14h05 O rito da ciência Entenda o fluxo de pesquisa convencional para validar remédios e vacinas e como a pandemia pode flexibilizá-lo: Fase 1: após testes positivos com células e animais em laboratório, começa a fase clínica. Na primeira etapa, participam até 100 voluntários. O foco maior é a segurança do composto avaliado e o ajuste de dosagem. Fase 2: o estudo inclui de algumas centenas a mil indivíduos. É o momento de obter mais dados de segurança e começar a averiguar a eficácia em pacientes com determinada doença ou condição. Fase 3: a pesquisa avalia o impacto em milhares de pacientes em mais de uma instituição, por um período de até dez anos. Os resultados são enviados a órgãos técnicos (Anvisa, no Brasil; FDA, nos EUA) para aprovação do produto. Fase 4: depois de o medicamento ou a vacina receber aval das agências, estudos de acompanhamento são realizados para checar a segurança em longo prazo e detectar eventuais efeitos colaterais tardios. Em tempos de Covid: empresas estão realizando simultaneamente as fases 1 e 2, com aprovação das entidades regulatórias, testando fórmulas já consagradas em outros contextos e se preparando desde já para a produção em massa.

BLOGS DO ESTADÃO
Data Veiculação: 16/05/2020 às 10h38

Ouça essa reportagem com Audima no player acima ou acompanhe a tradução em Libras com Hand Talk no botão azul à esquerda. Descrição da imagem #pracegover: Duas mãos unidas sobre um pano branco. Crédito: blog Vencer Limites. Pessoas com deficiência estão no grupo de risco da covid-19, não exatamente porque têm deficiências, mas pelas origens genéticas ou neurológicas que causam essas condições. Além disso, com as medidas necessárias de distanciamento e isolamento social durante a pandemia, para evitar a proliferação do coronavírus, o trabalho presencial diário, os estímulos, as reabilitações, os reforços de ensino e as atividades em grupo estão suspensas. Para tentar suprir a falta dessas ações, pessoas e grupos têm se esforçado para manter a vida online ativa. Nesta semana, duas importantes iniciativas foram lançadas para proteger e atender pessoas com deficiência durante esse período de grande dificuldade. No total, sete instituições participam das propostas. Síndrome de Down – A Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down (FBASD), o Instituto Alana e o Instituto Serendipidade construíram juntos o website ‘Covid-19 e Síndrome de Down: Cuidados especiais e prevenção’, no link covid19.federacaodown.org.br A página traz recomendações gerais em formato de cards ilustrados (que podem ser compartilhados nas redes sociais), e um guia com diversas publicações ligadas ao tema, feitas por entidades e especialistas no Brasil e no mundo. O espaço tem respostas para perguntas como, como: Os sintomas da covid-19 são os mesmos para adultos e idosos com síndrome de Down? Crianças fazem parte do grupo de risco por causa da trissomia do cromossomo 21? Idosos com síndrome têm um maior risco e contágio? A transmissão da covid-19 acontece da mesma forma para pessoas com síndrome de Down? As informações foram produzidas a partir de conversas entre Henri Zylberstajn, fundador do Serendipidade, durante lives realizadas com os médicos Fabio Watanabe, pediatra do Hospital Sírio Libanês, e Marcelo Altona, geriatra do Hospital Albert Einstein. Os conteúdos foram revisados por Ana Claudia Brandão, Anna Paula Baumblatt e Dennis Burn, médicos e membros do Comitê Técnico Científico da FBASD. Todos Por Um – Outra iniciativa lançada nesta semana tem participação da Fundação Dorina Nowill para Cegos, AACD, Instituto Jô Clemente e Derdic (Divisão de Educação e Reabilitação dos Distúrbios da Comunicação), mantida pela Fundação São Paulo e vinculada à PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo). Juntos, esses quatro centros somam quase um milhão de atendimentos gratuitos por ano para pessoas com deficiências visual, física, auditiva e intelectual, incluindo habilitação, reabilitação, terapias, cirurgias, ensino infantil, ensino fundamental e cursos profissionalizantes para o trabalho. A meta do projeto – apoio, saúde, educação e bem-estar de pessoas com algum tipo de deficiência – está destacada na página todosporum.org.br. Desde o começo da pandemia, as quatro instituições enfrentam queda de receita e têm trabalhado para manter a arrecadação continuar em funcionamento. Entre as soluções implantadas estão os atendimentos em telemedicina, produção de vídeos com atividades que podem ser feitas em casa, consultas por telefone, orientações pedagógicas por Whatsapp e triagens auditivas neonatais universais com o uso de EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) para proteção dos profissionais. O grupo lançou a campanha ‘Ponto em Comum’, criada pela Lew’Lara\TBWA, agência parceira da Fundação Dorina. Para receber nossas notícias direto em seu smartphone, basta incluir o número (11) 97611-6558 nos contatos e mandar a frase ‘VencerLimites’ pelo Whatsapp. VencerLimites.com.br é um espaço de notícias sobre o universo das pessoas com deficiência integrado ao portal Estadão. Nosso conteúdo também está acessível em Libras, com a solução Hand Talk, e áudio, com a ferramenta Audima. Todas as informações publicadas no blog, nas nossas redes sociais e enviadas pelo Whatsapp são verdadeiras, produzidas e divulgadas após checagem e comprovação. Compartilhe apenas informação de qualidade e jamais fortaleça as ‘fakes news’. Se tiver dúvidas, verifique. Mande mensagem, crítica ou sugestão para blogVencerLimites@gmail.com Acompanhe o #blogVencerLimites nas redes sociais Facebook – Twitter – Instagram – LinkedIn – YouTube

O PARLAMENTO ONLINE/APARECIDA DE GOIÂNIA
Data Veiculação: 16/05/2020 às 17h09

Home / Cidades / Aparecida de Goiânia / Pacientes do HMAP internados com Covid-19 agora recebem acompanhamento à distância do Hospital Sírio-Libanês Aparecida de Goiânia 0 57 1 minute read Aparecida de Goiânia inicia nesta segunda-feira, 18 de maio, uma parceria inédita com o Hospital Sírio-Libanês (HSL). A partir de agora, todos os pacientes com Covid-19 internados nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) do Hospital Municipal (HMAP) receberão tratamento orientado pela equipe médica do HSL. Esta é a única cidade de Goiás com essa parceria. A iniciativa consiste em receber suporte à distância, via chamada de vídeo, em tempo real, de um profissional médico intensivista do Sírio-Libanês para debater e orientar a equipe do HMAP no atendimento a esses casos. “O HSL é um hospital brasileiro de excelência e já conhecido parceiro da Prefeitura de Aparecida de Goiânia. Mais uma vez fomos em busca da qualidade que eles oferecem e firmamos uma parceria que irá nos ajudar a salvar vidas”, afirma o prefeito Gustavo Mendanha. O secretário de Saúde Alessandro Magalhães, que também preside o Comitê Municipal de Prevenção e Enfrentamento ao novo Coronavírus, explica que a parceria com o HSL prevê o acompanhamento diário de até 30 pacientes com trocas de dados e informações, análises de protocolos e de critérios de admissão e alta, dentre outras orientações. De acordo com ele, o Hospital Sírio-Libanês é membro do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (PROADI-SUS), que viabilzou o serviço de telemedicina entre as instituições. HMAP – referência para tratamento da Covid-19 A partir desta semana o Hmap será o hospital de referência para tratamento da Covid-19 na cidade. O anúncio foi realizado pelo Prefeito Gustavo Mendanha, em vídeo divulgado nas redes sociais: “Agradeço ao governador Ronaldo Caiado que em um primeiro momento recebeu os nossos pacientes no Hospital de Campanha. Mas, diante das dificuldades que diversos municípios têm enfrentado e com a ampliação dos leitos em Aparecida, a partir de agora todos os aparecidenses diagnosticados com Coronavírus e que precisarem de internação serão tratados em nossa cidade”. Na última quinta-feira, 14, a Prefeitura entregou 20 novos respiradores e monitores ao Hospital Municipal de Aparecida. Com isso o município passou a ter 123 leitos hospitalares exclusivos para tratamento da Covid-19 à disposição da população que utiliza o Sistema Único de Saúde. São 50 UTIs e 60 semi-UTIs no Hmap e outras 13 UTIs no Hospital Garavelo. Facebook Twitter Google+ LinkedIn StumbleUpon Tumblr Pinterest Reddit VKontakte Share via Email Print