Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus:

G1/NACIONAL
Data Veiculação: 15/03/2020 às 16h56

Desde que surgiu na China no final de 2019, o novo coronavírus se espalhou pelo planeta e colocou o mundo todo em alerta. Com o anúncio de uma pandemia pela OMS e os novos casos no Brasil, é mais do que importante estar atento aos cuidados com higiene e prevenção. Estrutura da família coronavírus tem forma de coroa — Foto: Getty Images via BBC Veja abaixo algumas dúvidas frequentes sobre o novo coronavírus 1) Bichos de estimação podem transmitir o vírus? Não existe nenhum relato de transmissão de animal para ser humano. Eles não têm a capacidade de transmitir e também não se infectam. 2). As crianças podem brincar na rua? As atividades ao ar livre são as mais indicadas nesse momento. A orientação é de que isso ocorra em horários alternativos, que tem pouca gente. Diminuir o contato com outras crianças pode ser bom, pois aglomerações não são recomendadas. 3). Num carro, se o passageiro anterior tinha o vírus, qual é o risco? A orientação principal neste momento é que motoristas mantenham os vidros abertos. É importante manter o ar circulando. 4) Como se proteger na academia de ginástica? É melhor evitar? A recomendação é fazer atividades ao ar livre, mas se você foi para a academia, use sempre álcool em gel e higienize suas mãos. E mais: esportes de contato também devem ser evitados. 5) posso visitar meus amigos? A recomendação é evitar reuniões e aglomerações. Se for um compromisso social mais importante, mas alguém estiver com sintomas, não vá. Evite correr o risco de pegar a doença e não coloque outras pessoas em risco também. 6). Qual é a recomendação para quem está se tratando em casa? Não sair, não ficar em contato com outras pessoas, mesmo na residência. Fique em um local reservado em relação aos outros contactantes domiciliares. Não compartilhe talher ou copo com ninguém. 7). Há como reforçar o sistema imunológico? Não há nenhum método de evidência científica clara de que algo que a gente faça ou tome, vá reforçar a imunidade. Uma vida saudável, dormir adequadamente e evitar muito estresse são coisas que podem te ajudar a se proteger melhor. Confira a cobertura completa e atualizada sobre a pandemia os infectologistas Alberto Chebabo, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e Mirian Dal Ben, do Hospital Sírio-Libanês, explicam como os brasileiros devem lidar com o Covid-19 e tiram dúvidas sobre sintomas, transmissão e cuidados. Veja a íntegra com as dúvidas sobre o novo coronavírus 1) O quão preocupados devemos ficar? Inicialmente, a preocupação da OMS veio por conta do Covid-19 ser muito parecido com o vírus da SARS. O medo do desconhecido é normal e compreensível, mas de acordo com Alberto Chebabo e Mirian Dal Ben, não há necessidade de nenhum tipo de pânico. 2). Como é a transmissão do vírus? A transmissão acontece de três formas: 1- por vias respiratórias, através das gotículas de saliva que são eliminadas no ar quando a pessoa tosse, espirra ou fala a um ou dois metros de distância. 2 - Por contato físico, quando essas gotículas com o vírus alcançam mucosas do olho, nariz e boca através de beijos e abraços. 3 - Por meio de contato com superfícies contaminadas. Manter as mãos longe do rosto e sempre limpas é primordial. Lavar com água e sabão ou álcool em gel são opções para manter a higienização. Garanta que você passou o sabão ou o álcool em todas as superfícies da mão: palma, dorso, espaço entre os dedos, unhas e polegar. NOVO CORONAVÍRUS: VEJA ALGUNS CUIDADOS BÁSICOS DE HIGIENE PARA SE PREVENIR Cuidados coronavírus — Foto: Fantástico Cuidados coronavírus — Foto: Fantástico Cuidados coronavírus — Foto: Fantástico 3). Quem deve usar máscara? Não existem evidências de que usar máscara de forma indiscriminada controle nenhum tipo de epidemia. Três situações possuem indicação para usar a máscara: 1 - a pessoa que tem sintomas. 2- O profissional da área da saúde que vai prestar atendimento para o paciente sintomático. 3 - O contactante domiciliar da pessoa doente. 4). Quanto tempo o vírus sobrevive no ambiente? Os vírus não costumam sobreviver muito tempo nos ambientes, pelo menos não de modo infectante. Ou seja, não de uma maneira capaz de infectar o ser humano. Produtos de limpeza simples, que temos em casa, como água e sabão, desinfetante e água sanitária são eficazes para eliminar o vírus de superfícies. 5). Pode beijo e aperto de mão? O ideal é evitar contatos físicos, para minimizar a transmissão de vírus respiratórios. Quem já está doente deve evitar completamente cumprimentar, dar a mão, deve inclusive avisar antes: ‘olha, eu estou gripado, eu estou com resfriado’, porque é exatamente essa pessoa que tem maior risco de transmitir doenças respiratórias. Imagem microscópica do novo coronavírus — Foto: NIAID-RML/AP 6) Gente com o vírus, mas sem os sintomas, pode transmitir a doença? Pessoas assintomáticas ou com muito poucos sintomas podem transmitir o vírus. A capacidade de transmissão desse vírus nas pessoas assintomáticas ainda não é totalmente esclarecida, mas o que se sabe é que essas pessoas são capazes de transmitir o novo coronavírus sim. 7). Tratar o paciente em casa é o ideal? O ideal é ficar em casa para conter a epidemia, a não ser que ele desenvolva sintomas muito graves. Pacientes com suspeita são acompanhados por contato (telefone) para ver se é necessário voltar ao hospital para reavaliar o quadro. 8). É possível ser infectado mais de uma vez? Isso acontece para outros vírus também. Não é que as pessoas voltaram a ter a infecção: voltou-se, em um teste posterior, a detectar o vírus nas vias respiratórias. Algumas pessoas excretam o vírus por mais tempo, principalmente pessoas que são imunocomprometidas, imunossuprimidas, pessoas que têm algum problema de imunidade. Outra coisa que é importante a gente saber é que, quando fazemos o teste para saber se há a existência do vírus no corpo de alguém, existe uma diferença entre detectar o vírus, ou seja, identificar o RNA do vírus, e esse vírus ser infectante. Às vezes, ele é detectado, mas não é um vírus capaz de infectar outras pessoas, não é transmissível. Quando nas vias aéreas, esse vírus é infectante. 9). Tem remédio? Tem trabalho saindo dizendo que alguns retrovirais, usados no tratamento do HIV e do ebola, algumas medicações na malária, tudo isso talvez tenha algum efeito contra o coronavírus, mas a gente tem que lembrar que isso é muito inicial, tanto que ainda não está previsto ainda o uso dessas medicações. 10). Como proteger as pessoas idosas? É a população com mais risco, então devemos intensificar os cuidados que já dissemos. Vai visitar? Não vá se estiver com tosse, nariz escorrendo, mesmo que não tenha febre. Se você vive na mesma casa, intensifique a higienização das mãos, use máscara para proteger quem você mais ama. Ouça o podcast do Fantástico: Veja abaixo algumas dúvidas frequentes sobre o novo coronavírus 1) Bichos de estimação podem transmitir o vírus? Não existe nenhum relato de transmissão de animal para ser humano. Eles não têm a capacidade de transmitir e também não se infectam. 2). As crianças podem brincar na rua? As atividades ao ar livre são as mais indicadas nesse momento. A orientação é de que isso ocorra em horários alternativos, que tem pouca gente. Diminuir o contato com outras crianças pode ser bom, pois aglomerações não são recomendadas. 3). Num carro, se o passageiro anterior tinha o vírus, qual é o risco? A orientação principal neste momento é que motoristas mantenham os vidros abertos. É importante manter o ar circulando. 4) Como se proteger na academia de ginástica? É melhor evitar? A recomendação é fazer atividades ao ar livre, mas se você foi para a academia, use sempre álcool em gel e higienize suas mãos. E mais: esportes de contato também devem ser evitados. 5). Posso visitar meus amigos? A recomendação é evitar reuniões e aglomerações. Se for um compromisso social mais importante, mas alguém estiver com sintomas, não vá. Evite correr o risco de pegar a doença e não coloque outras pessoas em risco também. 6). Qual é a recomendação para quem está se tratando em casa? Não sair, não ficar em contato com outras pessoas, mesmo na residência. Fique em um local reservado em relação aos outros contactantes domiciliares. Não compartilhe talher ou copo com ninguém. 7). Há como reforçar o sistema imunológico? Não há nenhum método de evidência científica clara de que algo que a gente faça ou tome, vá reforçar a imunidade. Uma vida saudável, dormir adequadamente e evitar muito estresse são coisas que podem te ajudar a se proteger melhor. Confira a cobertura completa e atualizada sobre a pandemia. Os infectologistas Alberto Chebabo, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e Mirian Dal Ben, do Hospital Sírio-Libanês, explicam como os brasileiros devem lidar com o Covid-19 e tiram dúvidas sobre sintomas, transmissão e cuidados. 1) O quão preocupados devemos ficar? Inicialmente, a preocupação da OMS veio por conta do Covid-19 ser muito parecido com o vírus da SARS. O medo do desconhecido é normal e compreensível, mas de acordo com Alberto Chebabo e Mirian Dal Ben, não há necessidade de nenhum tipo de pânico. 2). Como é a transmissão do vírus? A transmissão acontece de três formas: 1- por vias respiratórias, através das gotículas de saliva que são eliminadas no ar quando a pessoa tosse, espirra ou fala a um ou dois metros de distância. 2 -Por contato físico, quando essas gotículas com o vírus alcançam mucosas do olho, nariz e boca através de beijos e abraços. 3 - Por meio de contato com superfícies contaminadas. Manter as mãos longe do rosto e sempre limpas é primordial. Lavar com água e sabão ou álcool em gel são opções para manter a higienização. Garanta que você passou o sabão ou o álcool em todas as superfícies da mão: palma, dorso, espaço entre os dedos, unhas e polegar. NOVO CORONAVÍRUS: VEJA ALGUNS CUIDADOS BÁSICOS DE HIGIENE PARA SE PREVENIR 3). Quem deve usar máscara? Não existem evidências de que usar máscara de forma indiscriminada controle nenhum tipo de epidemia. Três situações possuem indicação para usar a máscara: 1 - a pessoa que tem sintomas. 2- O profissional da área da saúde que vai prestar atendimento para o paciente sintomático. 3 - O contactante domiciliar da pessoa doente. 4). Quanto tempo o vírus sobrevive no ambiente? Os vírus não costumam sobreviver muito tempo nos ambientes, pelo menos não de modo infectante. Ou seja, não de uma maneira capaz de infectar o ser humano. Produtos de limpeza simples, que temos em casa, como água e sabão, desinfetante e água sanitária são eficazes para eliminar o vírus de superfícies. 5). Pode beijo e aperto de mão? O ideal é evitar contatos físicos, para minimizar a transmissão de vírus respiratórios. Quem já está doente deve evitar completamente cumprimentar, dar a mão, deve inclusive avisar antes: ‘olha, eu estou gripado, eu estou com resfriado’, porque é exatamente essa pessoa que tem maior risco de transmitir doenças respiratórias. 6) Gente com o vírus, mas sem os sintomas, pode transmitir a doença? Pessoas assintomáticas ou com muito poucos sintomas podem transmitir o vírus. A capacidade de transmissão desse vírus nas pessoas assintomáticas ainda não é totalmente esclarecida, mas o que se sabe é que essas pessoas são capazes de transmitir o novo coronavírus sim. 7). Tratar o paciente em casa é o ideal? O ideal é ficar em casa para conter a epidemia, a não ser que ele desenvolva sintomas muito graves. Pacientes com suspeita são acompanhados por contato (telefone) para ver se é necessário voltar ao hospital para reavaliar o quadro. 8). É possível ser infectado mais de uma vez? Isso acontece para outros vírus também. Não é que as pessoas voltaram a ter a infecção: voltou-se, em um teste posterior, a detectar o vírus nas vias respiratórias. Algumas pessoas excretam o vírus por mais tempo, principalmente pessoas que são imunocomprometidas, imunossuprimidas, pessoas que têm algum problema de imunidade. Outra coisa que é importante a gente saber é que, quando fazemos o teste para saber se há a existência do vírus no corpo de alguém, existe uma diferença entre detectar o vírus, ou seja, identificar o RNA do vírus, e esse vírus ser infectante. Às vezes, ele é detectado, mas não é um vírus capaz de infectar outras pessoas, não é transmissível. Quando nas vias aéreas, esse vírus é infectante. 9). Tem remédio? Tem trabalho saindo dizendo que alguns retrovirais, usados no tratamento do HIV e do ebola, algumas medicações na malária, tudo isso talvez tenha algum efeito contra o coronavírus, mas a gente tem que lembrar que isso é muito inicial, tanto que ainda não está previsto ainda o uso dessas medicações. 10). Como proteger as pessoas idosas? É a população com mais risco, então devemos intensificar os cuidados que já dissemos. Vai visitar? Não vá se estiver com tosse, nariz escorrendo, mesmo que não tenha febre. Se você vive na mesma casa, intensifique a higienização das mãos, use máscara para proteger quem você mais ama.

ONCO NEWS/SÃO PAULO
Data Veiculação: 15/03/2020 às 16h42

A oncologista Mariana Scaranti (foto), ex-fellow do The Royal Marsden NHS Foundation Trust e médica do Centro de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês e do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo – ICESP é primeira autora de artigo de revisão publicado no Nature Reviews Clinical Oncology que descreve o status atual da pesquisa sobre receptor de folato α (FRα) no câncer, incluindo dados de ensaios clínicos com terapias direcionadas ao FRα e o uso de novas tecnologias em diagnóstico que utilizam o FRα como marcador. A ligação ao FRα é um dos vários métodos pelos quais o folato é absorvido pelas células. No entanto, este receptor é um alvo atraente de drogas anticâncer devido à super expressão de FRα em uma variedade de tumores sólidos, incluindo câncer de ovário, pulmão e mama. “Em tecidos normais a expressão de FRα é escassa. Por outro lado, a expressão diferencial e abundante deste receptor em células cancerosas, notadamente em câncer de ovário, torna esta glicoproteína um potencial alvo no tratamento e diagnóstico de neoplasias. Em teoria, essa particularidade nos permitiria entregar uma terapia citotóxica exclusivamente para o tecido doente, poupando tecidos saudáveis e portanto, com menor toxicidade associada ao tratamento”, explica Mariana. A oncologista destaca os recentes avanços em ensaios clínicos com anticorpo droga-conjugado, anticorpos monoclonais, e moléculas pequenas cujo alvo é o FRα. “Em câncer de ovário resistente à platina, por exemplo, um anticorpo droga-conjugado contra FRα (mirvetuximab-soravtansine) está em avaliação em estudo fase III com pacientes que apresentam tumores com alta expressão FRα por imuno histoquímica; os resultados são promissores, mas há muito ainda a ser feito em termos de pesquisa para determinar a real aplicabilidade deste marcador e possível alvo terapêutico na prática clínica”, conclui. Referência: Scaranti, M., Cojocaru, E., Banerjee, S. et al. Exploiting the folate receptor α in oncology. Nat Rev Clin Oncol (2020). https://doi.org/10.1038/s41571-020-0339-5

UOL NOTÍCIAS - ÚLTIMAS NOTÍCIAS/SÃO PAULO
Data Veiculação: 15/03/2020 às 13h38

É claro que, para o coronavírus, não faz diferença se o hospedeiro é rico ou pobre. Mas dizer que a infecção impacta ambos da mesma forma é achar que a população é idiota. O necessário Sistema Único de Saúde não conta com leitos e respiradores em número suficiente para absorver a demanda que se avizinha, lembrando que todos os outros problemas - das gripes comuns aos infartos e AVCs - não vão esperar na fila em respeito ao Covid-19. Toda política global para a pandemia vem no sentido de reduzir a velocidade de contágio para garantir que doentes venham "em prestações" aos serviços de saúde e não na forma de um tsunami. Teremos longas filas em hospitais particulares, mas nada que se compare ao que deve ocorrer com o sistema público, que atende emergências dos mais pobres. Isso sem contar que aqueles que são vistos como a xepa da sociedade, como pessoas em situação de rua ou vivendo em moradias precárias, estão à mercê da sorte. Para muitos, não faz sentido a recomendação de lavar as mãos porque não tem acesso nem à água limpa. E trabalhadores mais pobres, como empregadas domésticas, porteiros, motoristas, faxineiros, não terão a mesma liberdade para se impor em quarentena. A primeira leva de infectados contraiu a doença na Europa e nos Estados Unidos, sendo a grande maioria de pessoas com poder aquisitivo maior, o que levou a uma procura por hospitais de ponta, como o Albert Einstein e o Sírio-Libanês, em São Paulo. O problema é o segundo momento, quando o vírus se replica por aqui e atinge a população que não tem dinheiro para pegar ônibus no final de semana, nem comprar dipirona. O presidente da República pode chamar a infecção de "fantasia" à vontade. Caso contraia, terá o melhor tratamento médico do país. Pena que isso não será estendido aos milhões que escutam o presidente da República, tornando-se alvo da doença e vetores de sua verbalização. Faço parte daquela parcela da população dependente de remédios para ter uma vida normal. No meu caso, coração, hipertensão, diabetes. Sou um exemplo vivo de que a humanidade consegue dar um nó na seleção natural. Não, não são os fortes que herdarão a Terra, mas quem tem a "vantagem competitiva" de contar com o melhor cuidado de saúde. Podemos comprar remédios de ponta que funcionam e têm poucos efeitos colaterais (sucesso garantido, às vezes, graças a exigentes testes realizados à exaustão pelas maiores indústrias farmacêuticas do mundo, inclusive em milhares de "voluntários" de regiões pobres) e com passe-livre nos melhores centros de tratamento. O coronavírus é uma pandemia sem precedentes, seja por conta da velocidade com que se espalha, seja porque mostra que sistemas públicos de saúde de países desenvolvidos estavam despreparados ou são inexistentes (como nos Estados Unidos), seja porque chega em um momento em que mais da metade do mundo se informa e espalha boatos em tempo real. O resultado é uma parte da população que fica, como alguns de seus líderes, entre a histeria e o descaso. A malária infectou 228 milhões de pessoas e matou cerca de 405 mil, em 2018, segundo dados da Organização Mundial da Saúde. Nos países onde o problema é maior, não se viu redução significativa de mortes entre 2014 e 2018. E, ao contrário do coronavírus, crianças são o grupo mais vulnerável. Estima-se também que 11 milhões de grávidas foram infectadas apenas na África Subsaariana, levando a 900 mil crianças nascerem abaixo do peso. Já peguei duas vezes, do tipo falciparum, cobrindo conflitos armados em Timor Leste e Angola e, posso atestar que, definitivamente, não é agradável. A malária não é uma pandemia que atinge o mundo, causa dor e sofrimento, mata, arrefece e sobrevive como mais um tipo de gripe - o que deve acontecer com a atual infecção. É uma doença que mata todos os anos quase o mesmo contingente. O coronavírus por atingir ricos e pobres, mesmo que impactando de forma desigual, levou a uma corrida para descobrir uma cura ou uma vacina, o que é fundamental. E há pesquisadores em todo o mundo dedicando suas vidas para fazer o mesmo pela malária, mas sem a mesma atenção do público e dos governantes. Milhões de pessoas morrem anualmente no mundo por causa de doenças que poderiam ser evitadas com cuidados que passam por moradia adequado, saneamento básico, educação para prevenção, atendimento médico de qualidade. O que inclui não apenas a malária, mas também outras doenças como a nossa dengue - quase 800 mortos em 2019) ou a febre amarela. Quando uma pessoa que tem acesso a recursos privados de saúde, como eu ou o doutor Drauzio Varella (que pegou febre amarela e narrou a experiência no belo livro "O Médico Doente"), fica ruim, há chance maior de cura do que alguém que depende de si mesmo, do poder público e de suas filas. Além disso, a ocorrência dessas moléstias é mais intensa em regiões de fronteira agrícola, no contato do ser humano com áreas preservadas. E a periferia do planeta ainda tem muita floresta para ser vítima da ganância. Se bem que, no ritmo que andam as coisas, em breve talvez não haja mais floresta para contar história. Se isso acontecer, também não precisaremos nos preocupar com mosquitos. Aliás, com nada mais, porque teremos ajustado de vez a temperatura do planeta para "gratinar os idiotas". E aí sim, caro amigo e cara amiga, será o fim do mundo como o conhecemos. Parte da população vive no século 21, enquanto outros ainda engatinham pela Idade Média. O coronavírus veio nos lembrar disso, pois, ao que tudo indica, os mais pobres infectados vão sofrer duas vezes mais que os ricos - pela doença em si e pela sensação de abandono causado por um sistema que precisava ter sido ampliado para atender melhor o cidadão. Mas que, ao invés de injeção de recursos, recebeu sucessivas bananas de nossos gestores públicos. E uma pá de cal chamada de Emenda de Teto dos Gastos, que limita o crescimento de investimentos públicos em saúde por duas décadas. Garantir o ajuste fiscal é importante, mas isso deve levar em conta a dignidade humana. Caso contrário, governos não fazem sentido de existir. A crise do coronavírus deveria ser usada para refletirmos sobre as prioridades e a quem o país serve. A pandemia vai passar, mas outras tragédias continuarão. Quem consegue jogar xadrez com a Morte (usando a imagem do recém-falecido Max Von Sydow, no filme Sétimo Selo, de Ingmar Bergman) e enganá-la por um tempo são os mais ricos, que possuem os meios para tanto. Os mais pobres vão se virando e sobrevivendo, apesar de tudo e de todos, ajudando com seu trabalho e, algumas vezes, como cobaias, os que ganharam na loteria da vida a terem uma existência mais feliz.

CORREIO BRAZILIENSE/BRASÍLIA | GERAL
Data Veiculação: 15/03/2020 às 03h00

Ana Maria Campos Medidas de Ibaneis contra o vírus visam também ganhar tempo para preparara rede para uma eventual epidemia. Atividades em escolas, exibições de teatro e de cinema, além de encontros que reúnam mais de 100 pessoas, estão proibidos a contar de amanhã. Número de casos confirmados da doença subiu de cinco, na sexta-feira, para oito, ontem MAIS 15 DIAS SEM AULAS E EVENTOS » ANA MARIA CAMPOS » DARCIANNE DIOGO »JULIANA ANDRADE O Governo do Distrito Federal reforçou as medidas de prevenção contra a contaminação do coronavírus. Decreto assinado pelo governador Ibaneis Rocha (MDB) suspendeu por mais 15 dias as aulas na rede pública e privada. A medida, publicada em edição extra do Diário Oficial do DF (DODF) ontem, começa a valer a partir de amanhã. Nas escolas públicas, o recesso de julho será antecipado. Já as unidades particulares poderão optar por seguir a mesma orientação ou por suspender as atividades. Até o fechamento desta edição, eram oito os casos confirmados de Covid-19 no DF. A adequação para o cumprimento do calendário escolar será de responsabilidade da Secretaria de Educação. A pasta informou que as aulas serão retomadas em 31 de março, uma terça-feira. O período pode ser estendido a depender do cenário de evolução da pandemia. “Por isso, as áreas técnicas darão início ao planejamento de metodologias alternativas às aulas presenciais”, destacou, em texto publicado na página oficial. As creches e os Centros de Ensino da Primeira Infância (Cepi) funcionarão normalmente, pois não estão abarcados no decreto — e são unidades pequenas, com média de pouco mais de 150 crianças. Apesar de reconhecer a importância da medida, o Sindicato dos Professores no Distrito Federal (Sinpro-DF) externou preocupação com a antecipação do recesso do meio do ano. "Essa é uma decisão do governo e ele tem as informações precisas, que devem ser graves. Por outro lado, precisamos conversar sobre essa recomposição do calendário escolar, pois não foi uma situação criada pelos professores e os mesmos não podem ser penalizados”, esclareceu, também por de nota, o diretor Samuel Fernandes. O Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Distrito Federal (Sinepe-DF) se reunirá amanhã para discutir as orientações a serem repassadas às unidades de ensino. Algumas, no entanto, já haviam enviado comunicado aos pais ontem confirmando a suspensão das aulas pelo período determinado no decreto. A Universidade de Brasília (UnB) também confirmou que Ed Alves/C B/D. A Press Secretaria vai antecipar para amanhã o recesso de julho nas escolas públicas; unidades particulares podem optar por seguir o mesmo caminho prorrogará a suspensão das aulas. “Durante este período, estarão mantidas apenas as atividades presenciais de segurança ou outras consideradas essenciais. As atividades acadêmicas poderão ser substituídas por exercícios domiciliares, realizados sob a orientação dos decanatos de Ensino de Graduação (DEG) e Pós-Graduação (DPG), com supervisão das unidades acadêmicas”, informou a instituição de ensino. O Instituto Federal de Brasília (IFB) comunicou a suspensão de ontem a 22 de março, mas ainda não havia atualizado a previsão até o início da noite deste sábado. Novos casos O decreto foi publicado no dia em que o número de casos confirmados no DF subiu para oito. Durante a manhã de ontem, além do Icasal de advogados ao Reino Unido e do dirigente do Flamengo Maurício Gomes de Mattos, dois novos pacientes testaram positivo para a doença: um argentino, de 51 anos, consultor do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), e um brasiliense, de 46, funcionário da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O argentino esteve na Inglaterra e Dinamarca e desembarcou em Brasília no domingo passado. Ele está sendo atendido no Hospital Sírio-Libanês. O brasiliense chegou da França em 7 de março e passou pelo Hospital São Mateus, no Cruzeiro Velho. Os dois estão em isolamento domiciliar. À tarde, casos confirmados de três integrantes da comitiva do presidente Jair Bolsonaro na viagem aos Estados Unidos também passaram a ser contabilizados pela Secretaria de Saúde do DF: o senador NelsonTrad (PSD-MS), a advogada do presidente, Karina Kufa, e o secretário-adjunto de Comunicação da Presidência, Samy Liberman. Eles também estão em isolamento domiciliar. Além dessas confirmações, há outras 116 suspeitas de infecção em investigação e 53 descartadas. Estado de saúde até o fim da tarde de ontem, a primeira paciente infectada pelo coronavírus no DF, uma mulher de 52 anos casada com um advogado também infectado, seguia internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Regional da Asa Norte (Hran), em estado grave e sedada. Ela apresenta síndrome respiratória aguda severa e está afebril. Além disso, tem doenças que agravam o quadro clínico. Tele trabalho Além das suspensões de alguns eventos, o governo determinou que os servidores e empregados públicos ou contratados por empresas que prestam serviço ao GDF adotem o tele trabalho caso apresentem os sintomas da doença ou tenham retornado de viagem internacional nos últimos 10 dias. A decisão reforçou ainda a obrigatoriedade dos hospitais e dos laboratórios de informar imediatamente às autoridades sanitárias os casos confirmados de Covid-19. A medida também prevê punições descritas em lei, em razão de abuso de poder econômico, caso haja elevação, sem justa causa, dos valores de insumos de combate à doença. Os eventos que precisam de licença do governo, com um público de mais de 100 pessoas, continuam suspensos por mais 15 dias. O novo decreto inclui suspensão também para atividades coletivas de cinema e de teatro, por isso, os shoppings da cidade anunciaram que não abrirão as salas de exibição de filmes. Os jogos esportivos poderão ocorrer apenas com os portões fechados. Assim como previa a norma anterior, nos bares e restaurantes, as mesas devem ser organizadas com dois metros de distância entre elas e, para os eventos abertos, a recomendação é manter espaço de um metro entre as pessoas. » Duas perguntas para Raquel Estrela, psicóloga como controlar a doença sem pânico? É importante identificar pensamentos que podem nos trazer desconforto. O fato de ficarmos pensando constantemente na doença vai trazendo ansiedade e pânico. Devemos sempre procurar sites oficiais e seguros para saber o que realmente está acontecendo e como combater, pois, há muitas informações falsas. Nós devemos manter uma atitude otimista e objetiva. Houve outras epidemias e vírus e a população conseguiu combater. É importante manter o pensamento positivo, controlar a ansiedade, não entrar em pânico e se cuidar. Como motivar a prevenção em prol do bem comum? É importante deixannos de lado o medo e pensarmos em todos nós. Se eu tiver algum sintoma e procurar ajuda médica, além de resguardar a minha vida, resguardarei as dos meus familiares, das pessoas que convivem comigo e da sociedade. Se cada um fizer a sua parte, vamos sair dessa. Os impactos dadetenninação do governo sobre o comércio começam a aparecer. De acordo com o presidente do Sindicato do Comércio Varejista do Distrito Federal (Sindivarejista), Edson de Castro, há relatos de lojistas com redução de 50% nas vendas e pouco movimento nos shoppings. Nos supermercados, houve o aumento da demanda por parte de pessoas que temem o desabastecimento. "É um mal necessário. Tem consequências, tem, mas estamos falando de saúde, de preservar vidas. Os países que não fizeram dessa forma, estão sofrendo muito", ponderou Castro. Diante da situação, a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Distrito Federal (Fecomércio-DF) montou um comitê de emergência para discutir os impactos do coronavírus. “Os setores mais afetados até agora são o de serviços e o de hotelaria”, revela Francisco Maia, presidente da entidade. Colaborou Adriana Bernardes.

FOLHA DE S.PAULO/SÃO PAULO | COTIDIANO
Data Veiculação: 15/03/2020 às 03h00

Isolados dentro de casa, infectados devem limpar o banheiro a cada uso 03 Medidas de restrição contra vírus têm dificuldades logísticas Vinícius Torres Freire e Gabriel Alves são Paulo fechar uma escola já é um problema. Parte de uma cidade como São Paulo, ainda mais. Como fazer o “lockdown”? Epidemiologistas afirmam que o governo deveria adotar em breve providências a fim de impedir ou limitar em grande medida aglomerações e movimentações de pessoas, a exemplo do que fizeram países asiáticos e agora a Itália para atenuar a epidemia de Covid-19, como mostrou reportagem da Folha. Eles sugerem suspender aulas, espetáculos esportivos e artísticos, cultos religiosos e qualquer grande reunião e restringir a presença física em locais de trabalho e a circulação. Mas as medidas de restrição têm consequências sérias e precisam de planejamento rigoroso, lembra Mirian Dal Bem, doutora em infectologia e médica do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo. " Vamos fechar escolas, mas muitas crianças deste pais dependem da escola para comer. Outras vão para casa e vão ser cuidados por quem? Algumas podem infectar seus avós ele- dadores. Também não adianta fechar escolas de modo descoordenado, cada um por si. Enfim, tem de haver orientação: não vai para a escola, mas não vai também para outra aglomeração, para o shopping. Temos de ser rigorosos do mesmo modo como a Itália está sendo agora. ” Como fazer? Não existem regras claras sobre fechar ou não estabelecimentos, escolas, aeroportos e sobre fazer grandes quarentenas, segundo Miehael Ryan, chefe do departamento de emergência da OMS em Genebra. Trata-se, em essência, de uma decisão com base na avaliação de risco de cada país e de aceitabilidade —alguns lugares, por exemplo, podem não lidar bem com determinados tipos de proibição. O especialista deu o exemplo de que na China escolas foram fechadas, enquanto em Singapura, não —dois países usados como exemplos positivos da contenção do vírus (a China tem 0 maior número de casos, mas sua curva de crescimento parou de aumentar). “Em países com números menores de casos [como no Brasil], distanciamento social não tem o mesmo impacto imediato de rastrear contatos com pessoas doentes, isolamento desses contatos e de casos, e quarentena de contato. Isso significa que você está perseguindo o vírus”, afirma Ryan. “Quando você perde o fio do vínts, você precisa criar distanciamento social entre todo mundo, porque você não sabe quem está contaminado. É uma substituição pobre para ações de saúde pública agressivas no início, mas pode ser a única opção quando você não sabe mais onde o vírus está”, diz o especialista. O nível de rigor do governo pode fazer a diferença, se vai sugerir que as orientar que as pessoas evitem contatos ou se vai proibi-los, lembra Kraenkel, da Unesp. Também é uma incógnita se as pessoas vão seguir as recomendações. Ele reconhece que há dificuldades. “É fácil para mim, professor universitário, orientar alunos a distância. Mas para alguém com empregos com horários fixos ou que estejam tentando se virar na vida podem ter dificuldades para manter o distanciamento: não vão ganhar dinheiro, o patrão vai descontar os dias de falta etc.” II '* :: ú1' 11 >'.!ígr Tíjji Prilii Movimentação na rua 25 de Março, na região central de São Paulo; coronavírus preocupa comerciantes Rivaldo Gomes/Foihapress ‘Se o álcool não for suficiente, só Deus’, afirma comerciante são Paulo A poucos metros da entrada do pronto-socorro do Hospital Samaritano, em Higienópolis, no centro de São Paulo, Joaquim Ferreira de Araújo, 46, passa o dia ressabiado com o coronavíras. "Agora mesmo veio um rapaz de máscara”, diz. “A gente não sabe quem é, o que tem. Às vezes, não tem nada, mas mesmo assim uso o álcool em gel o dia inteiro", afirma, dando uma reforçada na proteção. Joaquim é vendedor em uma banca de frutas na praça que fica bem ao lado do hospital do bairro de classe alta. “Já está todo mundo meio nervoso com isso, ficar aqui do lado é um pouco mais preocupante”, afirma ele. Contra a ameaça invisível, ele se fia mesmo é no tubo de plástico ao lado das frutas. “Se esse álcool em gel não for suficiente, só Deus para me proteger da corona”, diz. Ele é parte do contingente de trabalhadores que obrigatoriamente têm que manter contato com o público, em geral diariamente. Para esses, as recomendações não são tão diferentes das destinadas ao resto da população, como manter as mãos limpas, cobrir a boca ao tossir e espirrar e manter distância de 1 metros de quem estiver tossindo e espirrando. A um quarteirão de Joaquim, Raimundo Marcos de Araújo, 46, está mais tranquilo em relação ao contato com os clientes. Enquanto fala com a Folha, um grupo de médicos e enfermeiros, jalecos a tiracolo, toma café na loja de conveniência da qual ele é gerente. Nenhum produto é manuseado, nenhum café é tirado sem que os atendentes usem o álcool em gel, garante o gerente da loja de conveniência. “Não tenho receio, não. As pessoas que vem aqui sabem como se proteger e nunca tivemos problema”, diz Raimundo. “Mas mesmo assim, quando chego em casa, a primeira coisa que eu faço é passar mais ainda. ” Emilio SanFAnna