Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus:

FOLHA DE S.PAULO/SÃO PAULO | COTIDIANO
Data Veiculação: 14/06/2020 às 03h00

Prefeito de SP, Bruno Covas, é diagnosticado com Covid-19 B7 Prefeito de SP, Bruno Covas, recebe diagnóstico de Covid-19 Segundo assessoria, político, que trata um câncer, não apresenta sintomas São Paulo O prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), foi diagnosticado com Covid-19. A informação foi divulgada pela Prefeitura de São Paulo neste sábado (13). A doença foi detectada após Covas, 40, realizar um teste preventivo de rotina. “Ele passa bem, não apresenta sintomas e recebeu recomendação de seu médico, dr. Davi Uip, para permanecer trabalhando em casa e em observação pelos próximos dias”, diz o comunicado da prefeitura. Em vídeo publicado em sua conta no Instagram neste sábado, ele afirmou que não se licenciará do cargo e que irá trabalhar de casa por 10 dias. “Depois de quatro resultados negativos, hoje, infelizmente, testei positivo para a Covid-19. A orientação cio meu médico, já que eu não tenho nenhum sintoma, é ficar dentro de casa”, afirmou Covas. “Não há nenhuma necessidade de me licenciar do cargo de prefeito, vou poder continuar a me reunir de forma online através da internet, vou poder continuar a trabalhar, mas dentro de casa", completou o político. O prefeito da capital paulista está em tratamento para conter um câncer no sistema digestivo, entre o esôfago e o estômago, descoberto no passado. Ele é acompanhado pelas equipes médicas coordenadas por David Uip, Roberto Kalil Filho, Artur Katz e Tulio Eduardo Flesch Pfiffer. A doença descoberta no final do ano passado. Em 23 de outubro, Covas foi internado no Sírio-Libanês para tratar de uma infecção de pele na perna direita. Dias depois, uma trombose foi constatada no mesmo membro. No dia 28, Covas recebeu diagnóstico de câncer. O adenocarcinoma de Covas foi localizado inicialmente em um esfíncter na junção entre o esôfago e estômago — chamado cárdia—, e foram identificadas lesões no fígado e nos linfonodos ao lado do estômago. Covas passou por oito sessões de quimioterapia desde o final de outubro, tendo realizado a última delas entre os dias 5 e 6 de fevereiro. Em maio, ele foi internado no Hospital Sírio Libanês, após sentir dores abdominais. Exames apontaram que ele tinha colite, uma inflamação no cólon, parte central do intestino grosso. O político ficou dois no hospital e recebeu alta no dia 15 de maio. Apesar dos problemas de saúde, Covas continua exercendo sua atividade como prefeito. Em entrevista recente à Folha, publicada no dia 5 de maio, ele afirmou que as dificuldades enfrentadas por São Paulo na pandemia do novo coronavírus não têm impedido suas sessões de imunoterapia. “Continuo indo. As oito sessões de quimioterapia fizeram sumir dois dos três tumores. Um permaneceu, mudei o tratamento. Depois de três sessões, fiz uma nova bateria de exames e uma quarta sessão. Ela não tem a rapidez da quimioterapia, mas os médicos ficaram muito contentes com o resultado”, afirmou em maio. Secretário da Educação de SP deixa UTI após Covid O secretário de Educação de São Paulo, Rossieli Soares, 41, recebeu alta sexta-feira (12) da UTI do Hospital 9 de Julho, para a qual havia sido transferido dia 9, uma semana após ser internado com diagnóstico de Covid-19. Segundo nota oficial emitida neste sábado (13), o secretário, que foi ministro da Educação no governo Miehel Temer, está consciente, apresentou evolução favorável e, por isso, teve alta da UTI. Ele não chegou a ser intubado para receber ventilação pulmonar. Soares, 41, fez o teste para o novo coronavírus após apresentar episódios de falta de ar e redução de saturação de oxigênio no sangue na virada do mês. Não havia, até a conclusão desta edição, previsão para alta hospitalar. O responsável pela pasta da Educação é o primeiro secretário da gestão João Doria (PSDB) a ser diagnosticado com a doença. Quando recebeu o exame positivo, informou que 50 pessoas da equipe tiveram contato com ele nos últimos dias. Todas foram testadas e apenas uma teve resultado positivo, mas sem necessidade de internação. Em março, David Uip, 68, que coordenava o Centro de Contingenciamento do Coronavírus no estado, contraiu o vírus. Após se curar, ele deixou 0 cargo por questão de saúde.

CORREIO WEB/CORREIO BRAZILIENSE/BRASÍLIA
Data Veiculação: 14/06/2020 às 07h00

Isabela Viana: "Você experimenta a vida de um jeito diferente. É mais sem graça" (foto: Minervino Júnior/CB/D.A Press) Tirar os sapatos antes de entrar em casa, usar máscaras de proteção nas ruas e aumentar os cuidados com higiene pessoal são algumas das mudanças que aconteceram na rotina das pessoas, após o surgimento da pandemia do novo coronavírus. Para se proteger, foram necessárias adaptações nos hábitos de trabalho, estudo, lazer e convívio social, o avanço de serviços como o delivery, estabelecendo um novo estado de normalidade. Na casa da designer Isabela Viana, 26 anos, por exemplo, antes de entrar, os sapatos ficam dentro de um cesto, do lado de fora. Atenção especial para as roupas que usou na rua: ela não deixa encostar em nada. Antes de fazer qualquer outra coisa, é preciso tomar banho. “Mas o pior de tudo é não poder correr no parque. Sei que já reabriu, mas, mesmo assim, não vou. Sinto falta de andar na rua. Eu ia para todos os lugares a pé, e agora sinto muita falta”, lamenta. Antes da quarentena, ela só utilizava transporte público, mas, agora, a moradora de Águas Claras vai de carro para o trabalho, na Esplanada dos Ministérios. “Você experimenta a vida de um jeito diferente. É mais sem graça.” Trabalhar também mudou. Isabela passou a revezar com os colegas, fica em home office de duas a três vezes na semana. Presencialmente, o horário está reduzido. Ela não vê a hora de estar livre da necessidade da máscara, uma vez que tudo passe. “É uma obsessão por limpar tudo. Entrar no carro e higienizar o volante, as maçanetas. No mercado, achar que tudo está contaminado”, reclama. Mesmo assim, ela acredita que vai manter o uso frequente de álcool em gel e evitar o uso de sapatos em casa depois que a pandemia passar. Entre todos os hábitos reforçados por médicos, a lavagem de mãos continua sendo a mais importante, como esclarece a infectologista do hospital Sírio-Libanês Valéria Paes. “Enquanto sociedade, a gente não tinha isso como algo firme, e agora foi muito reforçada. Também aprendemos que resfriado não é bobagem, e percebemos que não é adequado que uma pessoa com infecção respiratória esteja trabalhando.” Para a médica, com certeza as coisas não voltarão ao que eram. “A gente fazia tudo sem saber do risco, sem parar para pensar, e isso é complicado. Hoje as pessoas estão motivadas pelo medo, mas elas devem ser motivadas pelo conhecimento. Esse é o desafio do momento.” Valéria destaca ainda a importância de o governo fazer campanhas para educar a população. “Estimular e estabelecer medidas que fortaleçam essas práticas de higiene é um papel fundamental para que as pessoas aprendam a lidar com essa nova situação.” Desde os primeiros casos, o Governo do Distrito Federal tomou ações para evitar a rápida propagação do vírus, como a suspensão de aulas, eventos e atividades comerciais. Além disso, foi criado o projeto Sanear, uma parceria entre a Secretaria Executiva de Cidades, e a diretoria de Vigilância Ambiental da Secretaria de Saúde, que atua na desinfecção de espaços públicos, e orientação da população. Agentes do órgão também estão fazendo campanhas educativas durante as ações de testagem itinerante para coronavírus, com distribuições de máscaras de proteção. Reflexão Em meio ao novo estado de normalidade, alguns aproveitam para refletir sobre as escolhas de vida. É o caso da coordenadora pedagógica Luísa Carvalho, 25. Trabalhando em uma escola de idiomas, agora toca os atendimentos de forma on-line. “Converso com os alunos quase que 24 horas por dia, então o horário se estende muito”, afirma. “Tudo mudou na minha vida. Sou muito ativa, gosto de sair, ir ao parque, cinema, e agora, basicamente, vejo filmes em casa, falo com os amigos por videochamada e uso plataformas diferentes para ver se conseguimos estar mais perto.” Luísa Carvalho: "Quem chega, deixa os sapatos do lado de fora e entra por um corredor lateral" (foto: Minervino Júnior/CB/D.A Press) Luísa mora com a avó, que é idosa e, portanto, o cuidado é redobrado. “Compro muita coisa para a casa, por isso tem sempre um processo de higienizar o carro, as roupas, tomar banho. Quem chega, deixa os sapatos do lado de fora, entra por um corredor lateral e toma banho no chuveiro, que fica nos fundos da casa”, detalha. “Lavar bananas é algo que eu nunca imaginei que faria na vida. É um processo, e a gente está começando a se habituar agora.” Apesar do trabalho, ela acredita que manterá alguns dos novos costumes. “Definitivamente, a gente vai ficar um pouco mais cuidadoso quando tudo acabar. Em muita coisa, eu não prestava atenção. Esses dias notei que, antes, para abrir sacola de supermercado, a gente lambia o dedo. Meu Deus, que perigo, que risco. Ninguém estava prestando atenção”, ressalta. “Está bem claro que a gente levava uma vida insustentável, colocando 400 atividades em um dia, e depois não sobrava tempo para conviver com a própria família. Por mais que seja um período difícil, também é de reavaliação de objetivos de vida.” Comportamento O momento de preocupação mundial em torno de uma doença ainda sem cura estabelecida, nem tampouco vacina, tem motivado nas pessoas um sentimento de reflexão e empatia, como destaca Erci Ribeiro, professora do departamento de Serviço Social do Centro Universitário Iesb. “A solidariedade não nasce com a pandemia, mas, com certeza, foi fortalecida.” Na sociedade, como um todo, ela destaca as mudanças nas formas de comunicação e organização. “Houve um fortalecimento das conexões virtuais, e a gente percebe isso na expansão de aplicativos com videochamadas, em uma necessidade das diversas formas de interação.” Erci explica que, em momentos de crise, como o atual, é comum que as pessoas alterem comportamentos. “A sociedade não será mais a mesma depois da pandemia. A gente observa estratégias que são reinventadas e reelaboradas.” Alguns aspectos provavelmente deverão permanecer. “Formas de expressão artística que permitem maior alcance, como as lives, continuarão. Existe, também, uma revolução nas formas de ensino e aprendizagem, com o uso de plataformas que provavelmente irão se manter”, avalia. “Além disso, canais de denúncia que atuam como forma de divulgação de violações e estratégias de enfrentamento. No âmbito de trabalho, novos cargos, novas ocupações, e novas formas de contratação estarão fortalecidas.” » Dicas Especialistas orientam quanto aos cuidados fundamentais durante a pandemia:— Lave as mãos com frequência » se não houver água e sabão à disposição, utiliza álcool em gel a 70% » Ao chegar em casa, deixe os sapatos que usou na rua, do lado de fora

FOLHA DE S.PAULO/SÃO PAULO | COTIDIANO
Data Veiculação: 14/06/2020 às 03h00

Mendelics e Síriolançam teste para Covid-19 a R$ 95 Marcos Guedes são paulo O laboratório Mendelics e o Hospital Sírio-Libanês desenvolveram um teste de detecção do novo coronavírus que tem custo de R$ 95. O exame molecular, batizado #Parecovid, usa saliva coletada pelo paciente, o que o barateia, e emprega a metodologia RT-Lamp, capaz de reconhecer a secreção o material genético do Sars-CoV2. Com promessa de resultado em 1 hora, ele já está disponível para parceiros do laboratorio como o Sírio-Libanês, mas não para pessoas físicas. David Schlesinger, CEO do laboratório, diz que apesar da simplicidade o exame é tão confiável quanto o RT-PCR, que usa secreção coletada do nariz ou garganta do paciente e custa cerca de R$ 200. O Mendelics espera chegara capacidade de 100 mil exames por dia e afirma que não vai patentear a tecnologia. Ela será aberta a outros laboratórios para que a testagem diária cresça a ponto de tomar mais segura a reabertura da economia. De acordo com Schlesinger, mesmo os laboratórios menores com exames moleculares no catálogo têm plena capacidade de realizar os testes. Para o médico, “R$ 95 é só o primeiro passo”, e o custo poderá cair.