Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus:

BLOGS CORREIO BRAZILIENSE/BRASÍLIA
Data Veiculação: 14/03/2020 às 18h49

ANA MARIA CAMPOS Balanço da Secretaria de Saúde mostra que há hoje (14/03) 8 casos confirmados do novo coronavírus, 116 em investigação e 53 descartados. Até o momento, todos que contraíram a doença viajaram recentemente à Europa ou Estados Unidos procuraram a emergência de um hospital particular ou fizeram um exame domiciliar. A paciente 01 é a advogada de 52 anos que deu entrada no Hospital Daher, no Lago Sul, e foi transferida para o isolamento do HRan. O resultado saiu em 5 de março. A partir daí outros casos foram detectados. O marido da paciente que se encontra em estado grave — entubada, sedada e isolada — também testou positivo. Ele teve sintomas sugestivos da doença, mas não precisou ser internado. Está em casa de quarentena. O casal fez uma viagem de três semanas a várias cidades do Reino Unido. O vice-presidente do Flamengo, Maurício Gomes de Mattos, passou mal na última terça-feira (10/03), na saída de uma festa, com a presença do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), de quem é muito amigo. Saiu do evento e foi ao Hospital Santa Luzia, onde permanece internado. Dias antes de chegar a Brasília, ele esteve na Espanha, país onde o número de doentes está crescendo dia após dia. O quarto caso é o de um argentino de 51 anos, consultor de segurança do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que esteve na Inglaterra e Dinamarca. Está internado no Hospital Sírio-Libanês. Um brasileiro, de 46 anos, que chegou na última terça-feira (10/03) da França, também testou positivo. Ele é especialista em Regulação e Vigilância Sanitária da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Não precisou de internação e até agora está em isolamento domiciliar. Os outros três integraram a comitiva do presidente Jair Bolsonaro aos Estados Unidos e estiveram em Miami, no hotel do presidente Donald Trump. São eles: o secretário-adjunto de Comunicação da Presidência, Samy Liberman, o senador Nelson Trad e a advogada Karina Kufa. Mundo A pandemia já atinge 122 países. No cenário mundial, vem ocorrendo um aumento no número de casos, totalizando 132.758 desde o início da epidemia até sexta-feira (13/03). Enquanto na China, que responde por mais de 61% dos casos, se observa uma redução no número de novos doentes, nos demais países vem se registrando aumento.

CORREIO WEB/CORREIO BRAZILIENSE/BRASÍLIA
Data Veiculação: 14/03/2020 às 13h50

Paciente está internada no Hran (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)) A primeira pessoa diagnosticada com coronavírus no Distrito Federal continua em estado grave, segundo informou o boletim médico divulgado pela Secretaria de Saúde neste sábado (14/3). A mulher, de 52 anos, permanece internada em isolamento na unidade de terapia intensiva (UTI) do Hospital Regional da Asa Norte (Hran) e está sedada. De acordo com o boletim, ela apresenta síndrome respiratória aguda severa e está afebril. Além disso, a paciente tem doenças que agravam o quadro clínico. “A paciente está sob cuidados intensivos da equipe multidisciplinar e recebe todo suporte técnico-científico”, informou a secretaria. Nesta sexta-feira (13/3), o quadro clínico dela era o mesmo. Contudo, a mulher apresentou dois episódios febris, o que agravou o estado geral. Cinco casos confirmados O Distrito Federal registrou cinco casos confirmados de coronavírus. A Secretaria de Saúde confirmou neste sábado que um argentino de 51 anos, funcionário do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), tem Covid-19. Ele esteve na Inglaterra, desembarcou em Brasília no último domingo (8/3) com sintomas da doença e foi atendido no Hospital Sírio Libanês. Lá, o paciente fez o teste para detectar se estava infectado pelo Covid-19 e o resultado deu positivo. O outro paciente é um brasiliense de 46 anos, que trabalha na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Ele chegou da França em 7 de março e foi atendido no Hospital São Mateus, no Cruzeiro Velho, e colocado em isolamento domiciliar.

GAÚCHAZH./PORTO ALEGRE
Data Veiculação: 14/03/2020 às 12h35

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Fechar uma escola já é um problema. Parte de uma cidade como São Paulo, ainda mais. Como fazer o "lockdown"? As medidas de restrição têm consequências sérias e precisam de planejamento rigoroso, lembra Mirian Dal Bem, doutora em infectologia e médica do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo. "Vamos fechar escolas, mas muitas crianças deste país dependem da escola para comer. Outras vão para casa e vão ser cuidadas por quem? Algumas podem infectar seus avós cuidadores. Também não adianta fechar escolas de modo descoordenado, cada um por si. Enfim, tem de haver orientação: não vai para a escola, mas não vai também para outra aglomeração, para o shopping, temos de ser rigorosos do mesmo modo como a Itália está sendo agora". Como fazer? Não existem regras claras sobre fechar ou não estabelecimentos, escolas, aeroportos e fazer grandes quarentenas, segundo Michael Ryan, chefe do departamento de emergência da OMS em Genebra. Trata-se, em essência, de uma decisão com base na avaliação de risco de cada país e de aceitabilidade -alguns lugares, por exemplo, podem não lidar bem com determinados tipos de proibição. O especialista deu o exemplo de que na China escolas foram fechadas, enquanto em Singapura, não -dois países usados como exemplos positivos da contenção do vírus (a China tem o maior número de casos, mas sua curva de crescimento parou de aumentar). "Em países com números menores de casos [como no Brasil], distanciamento social não tem o mesmo impacto imediato de rastrear contatos com pessoas doentes, isolamento desses contatos e de casos, e quarentena de contato. Isso significa que você está perseguindo o vírus", afirma Ryan. "Quando você perde o fio do vírus, você precisa criar distanciamento social entre todo mundo, porque você não sabe quem está contaminado. É uma substituição pobre para ações de saúde pública agressivas no início, mas pode ser a única opção quando você não sabe mais onde o vírus está", diz o especialista da OMS. O nível de rigor do governo pode fazer toda a diferença, se vai sugerir que as orientar que as pessoas evitem contatos ou se vai proibi-los, lembra Kraenkel, da Unesp. Também é uma incógnita se as pessoas vão seguir as recomendações governamentais. Ele reconhece que há dificuldades. "É fácil para mim, professor universitário, orientar meus alunos a distância. Mas para alguém com empregos com horários fixos ou que estejam tentando se virar na vida podem ter dificuldades para manter o distanciamento de outras pessoas: não vão ganhar dinheiro, o patrão vai descontar os dias de falta etc."

FOLHA DE S.PAULO ONLINE/SÃO PAULO
Data Veiculação: 14/03/2020 às 11h52

Fechar uma escola já é um problema. Parte de uma cidade como São Paulo, ainda mais. Como fazer o “lockdown”? As medidas de restrição têm consequências sérias e precisam de planejamento rigoroso, lembra Mirian Dal Bem, doutora em infectologia e médica do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo. “Vamos fechar escolas, mas muitas crianças deste país dependem da escola para comer. Outras vão para casa e vão ser cuidadas por quem? Algumas podem infectar seus avós cuidadores. Também não adianta fechar escolas de modo descoordenado, cada um por si. Enfim, tem de haver orientação: não vai para a escola mas não vai também para outra aglomeração, para o shopping, Temos de ser rigorosos do mesmo modo como a Itália está sendo agora”. Como fazer? Não existem regras claras sobre fechar ou não estabelecimentos, escolas, aeroportos e fazer grandes quarentenas, segundo Michael Ryan, chefe do departamento de emergência da OMS em Genebra. Trata-se, em essência, de uma decisão com base na avaliação de risco de cada país e de aceitabilidade —alguns lugares, por exemplo, podem não lidar bem com determinados tipos de proibição. O especialista deu o exemplo de que na China escolas foram fechadas, enquanto em Singapura, não —dois países usados como exemplos positivos da contenção do vírus (a China tem o maior número de casos, mas sua curva de crescimento parou de aumentar). "Em países com números menores de casos [como no Brasil], distanciamento social não tem o mesmo impacto imediato de rastrear contatos com pessoas doentes, isolamento desses contatos e de casos, e quarentena de contato. Isso significa que você está perseguindo o vírus", afirma Ryan. "Quando você perde o fio do vírus, você precisa criar distanciamento social entre todo mundo, porque você não sabe quem está contaminado. É uma substituição pobre para ações de saúde pública agressivas no início, mas pode ser a única opção quando você não sabe mais onde o vírus está", diz o especialista da OMS. O nível de rigor do governo pode fazer toda a diferença, se vai sugerir que as orientar que as pessoas evitem contatos ou se vai proibi-los, lembra Kraenkel, da Unesp. Também é uma incógnita se as pessoas vão seguir as recomendaç��es governamentais. Ele reconhece que há dificuldades. “É fácil para mim, professor universitário, orientar meus alunos a distância. Mas para alguém com empregos com horários fixos ou que estejam tentando se virar na vida podem ter dificuldades para manter o distanciamento de outras pessoas: não vão ganhar dinheiro, o patrão vai descontar os dias de falta etc.”

CORREIO WEB/CORREIO BRAZILIENSE/BRASÍLIA
Data Veiculação: 14/03/2020 às 08h19

Pacientes chegaram da França e da Inglaterra (foto: Jack Guez/AFP) O Distrito Federal registra mais dois casos confirmados de coronavírus. A Secretaria de Saúde confirmou, neste sábado (14/3), que um argentino de 51 anos, funcionário do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Ele esteve na Inglaterra, desembarcou em Brasília no último domingo (8/3) com sintomas da doença e foi atendido no Hospital Sírio Libanês. Lá, o paciente fez o teste para detectar se estava infectado pelo Covid-19 e o resultado deu positivo. O outro paciente, é um brasiliense de 46 anos, especialista em regulação e vigilância sanitária, na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Ele chegou da França no último dia 7 de março e foi atendido no Hospital São Mateus, no Cruzeiro Velho, e colocado em isolamento domiciliar. No momento, o DF tem cinco casos de pacientes com coronavírus. Na noite de sexta-feira (13/3), o vice-presidente de Embaixadas e Consulados do Flamengo, Maurício Gomes de Mattos, testou positivo para a doença e está internado no Hospital Santa Luzia, em Brasília. No caso dele, o primeiro exame apontou a existência da infecção pelo Covid-19, porém o segundo, deu resultado inconclusivo. Mas o terceiro teste confirmou o diagnóstico. Esteve em escola Antes de saber da doença, Maurício Gomes de Mattos visitou uma escola infantil no Paranoá, onde estudam 164 crianças com idades entre 4 e 6 anos de idade. Em função do decreto do governador Ibaneis Rocha, de suspender as aulas até terça-feira (17/3), todos os alunos estão em casa. Em entrevista ao Correio na sexta-feira, a coordenadora de formação integral da escola, Larissa Carvalho, informou que aguardava o resultado final do exame de Maurício para avaliar o que seria feito. Em nota oficial, enviada ontem (14/3), ao Correio, a Secretaria de Saúde informou que "paciente com os sintomas descritos no protocolo, e que manteve contato com pessoas suspeitas ou confirmadas para o vírus, deve procurar a unidade básica de saúde mais próxima, ou o estabelecimento coberto pelo plano de saúde". A reportagem fez novo contato com a pasta, por e-mail e por telefone, e aguarda retorno. Guia O Correio preparou um guia com informações sobre o Covid-19 e orientações sobre o que cada brasileiro pode fazer para evitar a infecação pelo coronavírus. As informações deste guia reúnem dados da Organização Mundial de Saúde (OMS); Organização Panamericana de Saúde (Opas), Ministério da Saúde e Secretaria de Saúde do Distrito Federal.

FOLHA DE S.PAULO ONLINE/SÃO PAULO
Data Veiculação: 14/03/2020 às 01h00

Epidemiologistas ouvidos pela Folha afirmam que o governo deveria adotar em breve providências a fim de impedir ou limitar em grande medida aglomerações e movimentações de pessoas, a exemplo do que fizeram países asiáticos e agora a Itália para atenuar a epidemia de Covid-19. Isto é, seria necessário suspender aulas, espetáculos esportivos e artísticos, cultos religiosos e qualquer grande reunião e restringir a presença física em locais de trabalho e a circulação pelas cidades. A medida deveria ser implementada daqui a 7 e no máximo dentro de 20 dias, na visão de médicos estudiosos da biologia e da matemática da disseminação de doenças infecciosas. Em países como Hong Kong, Singapura e Japão, o ritmo de crescimento do número de casos de Covid-19 é bem inferior ao do registrado em grandes países europeus. Na Coreia do Sul, apesar de uma explosão inicial de contágio, o país está perto de estabilizar o número total de casos. “Não teria muita dúvida de dizer que foi a intervenção. Fizeram um esforço brutal, inédito”, diz Claudio Struchiner, a respeito do impacto positivo das medidas adotadas em certos países asiáticos. Ele é professor de matemática aplicada na FGV-RJ, graduado em medicina na UFRJ e doutor em dinâmica populacional de doenças infecciosas pela Universidade Harvard. “Quando se comparam a velocidade do ritmo de casos totais, as curvas, entre países asiáticos e a Europa, parece evidente que a diferença se deveu às medidas drásticas dos governos”, diz Mirian Dal Ben, infectologista do Hospital Sírio-Líbanês que também trabalha com modelos matemáticos. Dal Ben e Struchiner concordam que ainda se sabe pouco do ritmo da evolução dos casos no Brasil ou de como se dá o ritmo de contágio local (excluídos casos importados e correlatos). Acreditam, porém, que não será prudente esperar dados consolidados: é melhor observar a história da doença e o resultado das medidas eficazes de outros países, antes que seja tarde. “Se nada for feito, a coisa pode ser terrível. Vamos ter uma epidemia, ela vai crescer. Já não estamos na fase de contenção, de evitá-la, mas de suavizar efeitos, reduzir o número de pessoas atingidas”, diz Roberto Kraenkel, professor do Instituto de Física Teórica da Unesp e estudioso do comportamento de epidemias. Dal Ben diz que existe uma janela de tempo para a adoção das medidas restritivas. “Nem pode ser tão cedo, pois a restrição não pode durar muito, nem tão tarde que a epidemia esteja descontrolada e os hospitais sobrecarregados. ” Kraenkel explica que o início da epidemia é o instante mais crítico. “Se ele for muito forte, pode haver um número de casos tal que o sistema de saúde não aguente, como usar o metrô na hora do rush —não tem como entrar no vagão”. Quando então deve começar a restrição, o “lockdown”? “O mais cedo possível”, diz Kraenkel. Para Dal Ben, daqui a duas semanas ou dias além disso. Struchiner concorda em parte. Acha que a restrição deve começar em uma semana, duas no mais tardar. Acha mesmo que, em tese, é possível um esforço de erradicação do vírus. Isto é, um “lockdown” que durasse o tempo da incubação da doença com o período de contágio, uns 25 dias, por exemplo. Seria uma medida de interrupção da cadeia de contágio. Não é uma proposta, necessariamente, mas um exemplo do que pode ser pensado a respeito do controle da epidemia. “O coronavírus da Sars, em 2003 foi erradicado”, diz. Dal Ben e Struchiner lembram também que o número de casos já é maior do que aquele que aparece nas estatísticas. Possivelmente, a discrepância entre o que se sabe e o número de doentes é maior do que na China ou em outros países da Ásia, onde os controles e testes foram maiores. O epidemiologista Expedito Luna, professor do Instituto de Medicina Tropical da USP, avalia que as medidas adotadas pelo governo têm sido claras e têm evitado pânico. Para ele é positivo o exemplo da Coreia do Sul, que faz testagem ampliada para diagnóstico do novo coronavírus. O país, apesar de ser o quarto com mais casos identificados (7.979, atrás de China, Itália e Irã), tem apenas 66 mortes (o Irã, com 11.364 casos, tem 514). “É uma estratégia interessante, mas o Brasil não teria essa capacidade. O diagnóstico de doenças infecciosas, como dengue, zika e influenza, é uma velha debilidade da rede pública de saúde.” Ainda assim, Luna avalia como positivas as medidas tomadas pelo governo, como estímulo ao isolamento domiciliar de pessoas com sintomas e de estrangeiros que chegam ao país. “Ainda estamos tateando. O clima tropical também molda a transmissão de agentes por via respiratória. Tradicionalmente não há epidemias de gripe por aqui do mesmo porte dos países temperados”. Em São Paulo, maior estado e centro de trânsito de passageiros internacionais do país, as discussões são dominadas por ora por David Uip, infectologista e ex-secretário estadual da Saúde, com o aval do governador João Doria (PSDB). Até aqui, Uip tem dito que não é preciso tomar medidas draconianas. À Folha Doria disse que seguirá a opinião da área de saúde do governo e que não teme críticas caso as medidas tomadas se mostrem insuficientes. “Decido com razão, não emoção”, disse. A depender do cenário, o Ministério da Saúde não descarta medidas como restrição de voos e fechamento de fronteiras, diz o secretário de vigilância em saúde do ministério da Saúde, Wanderson Oliveira, mas por ora essas medidas estão descartadas. Especialistas que fazem parte do comitê de contingência do coronavírus em São Paulo não foram consultados sobre a estratégia gradualista do governo paulista, que teria sido adotada por recomendação do Ministério da Saúde. Um integrante do comitê estadual disse que nunca viu nada parecido, que as pessoas de Brasília queriam reinventar a roda. Foi uma medida unilateral do ministério e ninguém conversou sobre isso com o comitê nem apresentou argumentos que justificassem a estratégia, afirmou. Colaboraram Natália Cancian, de Brasília, e Cláudia Collucci e Phillippe Watanabe, de São Paulo Colaboraram Natália Cancian, de Brasília, e Cláudia Collucci e Phillippe Watanabe, de São Paulo

UOL NOTÍCIAS - ÚLTIMAS NOTÍCIAS/SÃO PAULO
Data Veiculação: 14/03/2020 às 00h00

Nos prontos-socorro de dois dos principais hospitais particulares de São Paulo, só uma palavra pairava na noite de ontem: coronavírus. A pandemia de covid-19 tomou também a emergência dos hospitais 9 de julho e Sírio-Libanês. Ao acompanhar o movimento dos prontos-socorros na noite de sexta, o UOL pôde constatar que a preocupação com o vírus tomava 90% dos pacientes. Eram raros os que chegavam à triagem e não diziam que gripe, febre, dor de cabeça, dificuldades para respirar, coriza ou tosse estavam entre os sintomas que os levaram até ali. Em conversas informais, funcionários contaram que este movimento se intensificou desde a última quinta (12). "Hoje, [suspeita de coronavírus] foi praticamente só o que a gente ouviu", contou uma funcionária. O procedimento nos dois hospitais é o mesmo: o paciente entra e vai para a triagem. Caso não preencha os requisitos, é encaminhado para o procedimento comum. Caso apresente todos sintomas, torna-se caso suspeito. Ainda mais se a pessoa teve contato com algum caso confirmado. Como M.C.*, 32, que estava com tosse seca havia quase uma semana e teve febre no dia anterior. Na manhã da sexta, o teste de um amigo próximo deu positivo. "Eu já estava com medo, agora tenho quase certeza. A cabeça está pesada", contou. Antes de colocar a máscara, era possível ver vermelhidão em toda a região nasal. Máscaras cirúrgicas e lenços de papel eram itens comuns nas salas de espera. O som de tosses e espirros se destacavam no silêncio hospitalar, interrompido também pelos anúncios do número de chamada. O uso da máscara pelos profissionais na recepção era obrigatório. Como protocolo, os dois hospitais também forneciam os utensílios aos pacientes que indicavam os sintomas. A grande maioria das pessoas acompanhadas pela reportagem não tinha todos os sintomas do vírus. Parte apresentava febre, sem problemas respiratórios, parte tosse ou coriza, sem febre. "As pessoas estão superalarmadas, hoje deu para ver. Elas querem ter certeza [se têm ou não o vírus], né? Então está movimentado", comentou um funcionário, em conversa informal. Natali Pina, 28, é um dos casos que não tem todos os sintomas, mas, por apresentar quadro de gripe desde o Carnaval, preferiu fazer o exame. Ela trabalha como guia turística para estrangeiros na cidade, o que ajuda a acender o sinal de alerta. "Não tive febre, mas sinto uma virose desde o Carnaval. Antes achava que era isso, mas não passou. No meu trabalho tem muito estrangeiro, né? Hoje eu tossi e tive que falar 'pessoal, não é coronavírus', mas, como está demorando, preferi dar uma olhada", contou. A filha da aposentada H.A, 78, também não apresenta todos os sintomas, mas passou o dia com uma forte tosse e decidiu ir ao hospital. "Nós não vínhamos, mas ela tossiu tanto que achamos mais fácil. A gente mora lá na Zona Norte, depois para voltar seria muito trabalho..., mas eu não devia nem estar aqui, né? Por causa da minha idade", refletiu a aposentada, que usava máscara cirúrgica. Ao longe, ouvia-se uma tosse forte. “Está ouvindo? É ela, tadinha. Mas até agora não teve febre, não. Tanto que nem encaminharam ela lá para dentro", contou. Muitas máscaras na rua. Os dois hospitais ficam a cerca de três quarteirões de distância no centro expandido da capital paulista. O funcionário de uma farmácia entre eles diz que o número de pessoas com máscaras cirúrgicas (e à procura delas) explodiu nos últimos dois dias. Eliana da Silva, gerente de uma lanchonete também localizada entre ambos, teve a mesma percepção. "Agora você vê muito mais [pessoas com máscara]. Elas não chegam a entrar, mas passam na rua o dia todo", contou à reportagem. "Espero que vá logo embora esse coronavírus. Já deu!", reclamou. No período da noite, a reportagem não teve a mesma percepção. "De dia é assim ó", disse Eliana, fazendo o sinal de lotação com as mãos. * Algumas pessoas ouvidas pela reportagem pediram que seus nomes fossem suprimidos para não alarmar familiares.

BOL
Data Veiculação: 14/03/2020 às 00h00

Nos prontos-socorro de dois dos principais hospitais particulares de São Paulo, só uma palavra pairava na noite de ontem: coronavírus. A pandemia de covid-19 tomou também a emergência dos hospitais 9 de Julho e Sírio-Libanês. Ao acompanhar o movimento dos prontos-socorros na noite de sexta, o UOL pôde constatar que a preocupação com o vírus tomava 90% dos pacientes. Eram raros os que chegavam à triagem e não diziam que gripe, febre, dor de cabeça, dificuldades para respirar, coriza ou tosse estavam entre os sintomas que os levaram até ali. Em conversas informais, funcionários contaram que este movimento se intensificou desde a última quinta (12). "Hoje, [suspeita de coronavírus] foi praticamente só o que a gente ouviu", contou uma funcionária. O procedimento nos dois hospitais é o mesmo: o paciente entra e vai para a triagem. Caso não preencha os requisitos, é encaminhado para o procedimento comum. Caso apresente todos sintomas, torna-se caso suspeito. Ainda mais se a pessoa teve contato com algum caso confirmado. Como M.C.*, 32, que estava com tosse seca havia quase uma semana e teve febre no dia anterior. Na manhã da sexta, o teste de um amigo próximo deu positivo. "Eu já estava com medo, agora tenho quase certeza. A cabeça está pesada", contou. Antes de colocar a máscara, era possível ver vermelhidão em toda a região nasal. Máscaras cirúrgicas e lenços de papel eram itens comuns nas salas de espera. O som de tosses e espirros se destacavam no silêncio hospitalar, interrompido também pelos anúncios do número de chamada. O uso da máscara pelos profissionais na recepção era obrigatório. Como protocolo, os dois hospitais também forneciam os utensílios aos pacientes que indicavam os sintomas. A grande maioria das pessoas acompanhadas pela reportagem não tinha todos os sintomas do vírus. Parte apresentava febre, sem problemas respiratórios, parte tosse ou coriza, sem febre. "As pessoas estão superalarmadas, hoje deu pra ver. Elas querem ter certeza [se têm ou não o vírus], né? Então está movimentado", comentou um funcionário, em conversa informal. Natali Pina, 28, é um dos casos que não tem todos os sintomas, mas, por apresentar quadro de gripe desde o Carnaval, preferiu fazer o exame. Ela trabalha como guia turística para estrangeiros na cidade, o que ajuda a acender o sinal de alerta. "Não tive febre, mas sinto uma virose desde o Carnaval. Antes achava que era isso, mas não passou. No meu trabalho tem muito estrangeiro, né? Hoje eu tossi e tive que falar 'pessoal, não é coronavírus', mas, como está demorando, preferi dar uma olhada", contou. A filha da aposentada H.A, 78, também não apresenta todos os sintomas, mas passou o dia com uma forte tosse e decidiu ir ao hospital. "Nós não vínhamos, mas ela tossiu tanto que achamos mais fácil. A gente mora lá na Zona Norte, depois para voltar seria muito trabalho... Mas eu não devia nem estar aqui, né? Por causa da minha idade", refletiu a aposentada, que usava máscara cirúrgica. Ao longe, ouvia-se uma tosse forte. “Está ouvindo? É ela, tadinha. Mas até agora não teve febre, não. Tanto que nem encaminharam ela lá para dentro", contou. Muitas máscaras na rua. Os dois hospitais ficam a cerca de três quarteirões de distância no centro expandido da capital paulista. O funcionário de uma farmácia entre eles diz que o número de pessoas com máscaras cirúrgicas (e à procura delas) explodiu nos últimos dois dias. Eliana da Silva, gerente de uma lanchonete também localizada entre ambos, teve a mesma percepção. "Agora você vê muito mais [pessoas com máscara]. Elas não chegam a entrar, mas passam na rua o dia todo", contou à reportagem. "Espero que vá logo embora esse coronavírus. Já deu!", reclamou. No período da noite, a reportagem não teve a mesma percepção. "De dia é assim ó", disse Eliana, fazendo o sinal de lotação com as mãos. * Algumas pessoas ouvidas pela reportagem pediram que seus nomes fossem suprimidos para não alarmar familiares.