Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus:

VEJA SÃO PAULO.COM.BR/SÃO PAULO
Data Veiculação: 12/06/2020 às 17h10

Saúde Exame pode ser produzido em larga escala, de até 110 000 amostras por dia Mandelics/Divulgação Publicidade Desenvolvido pelo laboratório Mendelics em parceria com o Hospital Sírio-Libanês, o novo teste para a Covid-19, chamado de #PARECOVID, detecta o vírus por meio da saliva em 60 minutos e estará disponível para empresas e hospitais a partir do dia 22, segunda-feira. O paciente cospe em um pote de plástico e o exame consegue identificar na amostra o material genético do novo coronavírus em sua fase aguda. Segundo o CEO da Mendelics, David Schneleiger, o teste é mais barato e rápido do que os atuais, mas tem a mesma capacidade de diagnóstico, 80%. O preço médio é 95 reais. Os exames à disposição no mercado hoje custam de 240 a 470 reais. “Temos o resultado em uma hora e este exame pode ser feito em larga escala”, complementa David em entrevista ao NeoFeed. + Assine a Vejinha a partir de 6,90 A estimativa de processamento inicial é de 55 000 amostras por dia, podendo ser ampliada para 110 000. O exame não apresentou resultados falso-positivos após fase de testagem e até o final de julho poderá ser disponibilizado a todos os laboratórios do país. Coronavírus, Covid 19 exame teste Publicidade

R7.COM/SÃO PAULO
Data Veiculação: 12/06/2020 às 17h03

Há três semanas como secretário Estadual de Saúde do Rio de Janeiro, Fernando Ferry, que assumiu o cargo em meio à pandemia e à investigação por corrupção na pasta, definiu o trabalho que tem feito como "divertido" em entrevista, por telefone, ao Balanço Geral RJ na tarde desta sexta-feira (12). “Está sendo divertido sabe por quê? Porque já troquei todo o subsecretariado, estou trocando toda a parte administrativa, estou arrumando a casa. Eu tenho curso de gestão pelo Sírio-Libanês, então estou colocando o processo de gestão, botando para fora todos que identificamos não ser republicanos”, disse o secretário. Após ter um problema no sinal telefônico, porque estava em deslocamento, Ferry retomou a entrevista e se desculpou pela colocação: "É divertido no sentido pessoal, porque é uma tarefa muito árdua. Mas está sendo divertido porque o governador me deu carta branca para resolver os problemas. E nós estamos arrumando a gestão. Mas estamos arrumando o pneu de um carro de Formula 1 a 300 km/h . E o que acontece: por todas as atitudes que o govenador está tendo junto a mim, não acredito que o governador tenha envolvimento com essa lama toda que aconteceu, não. Porque estou com carta branca. Ele já botou à minha disposição a Controladoria, o Ministério Público, o Tribunal de Contas, auditoria, eu já tenho quatro auditores dentro da secretaria e tudo por ordem do governador. Estamos fazendo um trabalho árduo e todos estão me pedindo uma data, mas a logística é muito difícil", disse Ferry se referindo às inaugurações de hospitais de campanha em atraso. O secretário se comprometeu a comparecer ao Balanço Geral RJ na próxima segunda (15) para detalhar as ações da Saúde no enfrentamento do coronavírus no Estado do Rio, onde mais 7 mil mortos por covid-19 e 75.775 infectados pelo vírus.

EXAME.COM/SÃO PAULO
Data Veiculação: 12/06/2020 às 17h00

Um projeto do banco Itaú Unibanco fez uma parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para criar dois centros de processamento de testes do novo coronavírus. O programa é do Todos pela Saúde, projeto que nasceu após aporte de 1 bilhão de reais do Itaú em abril para ações contra o coronavírus e que é liderado pelo Dr. Paulo Chapchap, diretor-geral do hospital Sírio Libanês. As unidades ficam localizadas nas cidades do Rio de Janeiro e em Eusébio, no Ceará (a 24 quilômetros da capital Fortaleza). A capacidade de processamento é de 25.000 testes de coronavírus por dia, sendo 10.000 testes no Ceará e 15.000 testes no Rio. Segundo o Todos pela Saúde, essa quantia é capaz de dobrar a capacidade atual de realização de testes no país. Pedro Barbosa, presidente do Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP) e membro do Todos pela Saúde, afirma em comunicado divulgando a iniciativa que a subnotificação de casos de covid-19, decorrente da falta de testes, ainda é um dos maiores desafios no combate à doença. “Seguramente, nós temos muito mais casos do que aqueles que estão sendo notificados, pois nosso nível de testagem ainda é muito baixo”, diz Barbosa no comunicado. O Brasil registrava até o último boletim, na quinta-feira, 11, 41.058 mortes pelo novo coronavírus e mais de 800.000 casos confirmados da doença, fazendo do país o segundo no mundo com mais óbitos. Os dados são coletados junto às secretarias estaduais por um consórcio formado por veículos de imprensa. O desafio da testagem Um dos principais desafios não é necessariamente obter o material para os testes, mas coletar em massa as amostras e processar os resultados. Os centros vão analisar os chamados testes moleculares, isto é, o chamado RT-PCR, em que uma amostra é retirada do nariz do paciente e, depois, analisada na busca pelo material genético do vírus. O teste RT-PCR é considerado um dos mais eficientes na detecção do vírus. O teste RT-PCR é diferente dos modelos de teste do tipo “rápido”, em que um equipamento detecta em alguns minutos anticorpos contra o vírus após analisar uma amostra de sangue. Esse teste, por sua vez, costuma ser mais eficiente para pacientes que já estão infectados há vários dias, e, portanto, já desenvolveram anticorpos. “Há disponibilidade de testes, com fornecimento em grande escala pela Fiocruz ao Ministério da Saúde, sendo limitações hoje a capacidade de processamento dos testes e a baixa coleta na maior parte do País”, disse Barbosa em nota. O Brasil é um dos países que menos realiza testes do coronavírus, segundo ranking do site World o Meters, que compila dados mundiais. Claudia Politanski, vice-presidente do Itaú Unibanco, também afirma que os centros construídos agora poderão ser usados depois da pandemia, para a detecção de outras doenças. A Fiocruz, entidade vinculada ao Ministério da Saúde, vem liderando e coordenando os esforços de testagem da covid-19 no Brasil. Já o projeto Todos pela Saúde do Itaú Unibanco, além dos centros de teste, vem usando seu orçamento para outras ações de combate à pandemia. Entre seus especialistas parceiros tem nomes como Drauzio Varella e Sidney Klainer, presidente do hospital Albert Einstein. O projeto também encomendou mais de 20 milhões de máscaras, criou a campanha “Máscara Salva”, comprou 1.000 equipamentos hospitalares e 90 milhões de equipamentos de proteção individual (EPIs) para profissionais da rede pública de saúde no Brasil

EXAME.COM/SÃO PAULO
Data Veiculação: 12/06/2020 às 15h58

Com análise a partir da saliva e estimativa de processamento de 110 mil amostras por dia, um novo teste para diagnóstico do novo coronavírus deve estar disponível para empresas e hospitais em até dez dias. O exame molecular, desenvolvido pelo laboratório Mendelics em parceria com o Hospital Sírio Libanês, não apresentou resultados falso-positivos após testes e tem como foco aumentar o número de diagnósticos da doença no País, principalmente diante do cenário de reabertura do comércio. O teste identifica o material genético da covid-19 e deve ser realizado para a detecção da doença em sua fase aguda. Segundo o CEO da Mendelics, David Schneleiger, além de ser feito em larga escala, o teste é mais barato do que o RT-PCR, considerado padrão ouro, mas tem a mesma sensibilidade (80%). Seu preço médio é R$ 95. Os testes à disposição no mercado custam hoje de R$ 240 a R$ 470. “A gente não vai vender o teste para pessoa física, mas para empresas a fim de voltar à normalidade, para que as pessoas voltem a circular mais.” O objetivo é compartilhar a técnica para que ela possa ser replicada. “Saber quem tem o vírus é fundamental para tomar decisões fundamentadas para programar retorno e saber onde a covid-19 está”, diz Luiz Fernando Lima Reis, diretor do Sírio-Libanês Ensino e Pesquisa.

SP1/TV GLOBO/SÃO PAULO
Data Veiculação: 12/06/2020 às 13h02

 

JORNAL GLOBONEWS - EDIÇÃO DAS 10H/GLOBONEWS
Data Veiculação: 12/06/2020 às 12h30

 

UOL NOTÍCIAS - ÚLTIMAS NOTÍCIAS/SÃO PAULO
Data Veiculação: 12/06/2020 às 07h24

Quarenta shoppings abriram ontem no Estado do Rio, uma semana antes do previsto e após quase três meses fechados para conter o avanço da covid-19, segundo a Associação Brasileira de Shoppings Centers (Abrasce), elevando para 385 o número de estabelecimentos em operação no País. Há 577. O shopping Rio Sul, um dos mais antigos da capital, na zona sul, decidiu manter a previsão de abrir apenas no dia 16, como previsto. Outros muito frequentados decidiram reabrir, como Norte Shopping, Shopping Tijuca e Nova América, na zona norte, Botafogo Praia Shopping, Shopping da Gávea e Shopping Leblon, na sul, e Barra Shopping, na oeste, entre outros. Cercados de restrições e com baixa frequência no primeiro dia de operação, a retomada dos shoppings é uma tentativa de manter empregos e a sobrevivência das lojas, que há 83 dias tiveram de fechar por causa da pandemia, avaliou o vice-presidente Institucional da Multiplan, Vander Giordano. Com a experiência em sete shoppings já reabertos em outras cidades em maio, a Multiplan reabriu o Barra Shopping, um dos maiores da cidade do Rio, além do Village Mall e do Park Shopping Campo Grande. "Contratamos um infectologista e criamos protocolo próprio, validado pelo Hospital Sírio-Libanês, que inclui medidas adicionais às determinadas pela Prefeitura", diz Giordano. No Rio, os estacionamentos estão restritos a um terço da capacidade e para entrar no shopping é necessário medir a temperatura e higienizar as mãos com álcool em gel. Alguns adotaram tapetes para higienização dos sapatos. Quem estiver com temperatura acima de 37,5 graus é proibido de entrar. Não é permitido aglomerações. "Redobramos os cuidados com a higienização, e é importante que a população siga as recomendações de saúde para manter as lojas abertas", afirmou o executivo, informando que para a reabertura foi necessário investir na compra de máscaras, luvas, bactericidas, filtro para ar condicionado, câmeras para aferir temperatura, treinamento, álcool em gel e em campanhas educacionais. De acordo com Giordano, o fato de restaurantes, cinemas e lanchonetes estarem fechadas, garante a menor permanência dos consumidores no local, o que ajuda a manter o ambiente saudável contra o vírus. "O tempo de permanência nos shoppings que era de 70 minutos caiu para 28 minutos nos que foram abertos antes (maio), acho que aqui vai ser o mesmo", diz o executivo, que não cria qualquer expectativa em relação à reabertura na véspera do Dia dos Namorados. "O momento é delicado para a economia, a renda da população foi abalada e o consumo está retraído, não temos nenhuma expectativa em relação à data", diz. Taxas A Multiplan reduziu aluguel (50% em março e 100% em abril), isentou em 100% o fundo de promoção (março e abril) e em 50% no condomínio (março e abril). "Se não nos unirmos, o setor vai enfrentar mais problemas do que já está enfrentando", avaliou. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

ÉPOCA/RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO | GERAL
Data Veiculação: 12/06/2020 às 03h00

Distante dos holofotes e do debate público mais estridente, uma legião de cientistas e agentes de saúde do país vem buscando alternativas de terapia para os doentes com Covid-19, num esforço que vai muito além da cloroquina. Embora só no Brasil estejam em andamento mais de 400 pesquisas, em meio à urgência da pandemia, o desenvolvimento de novos medicamentos é considerado sempre uma tarefa dispendiosa e demorada. Por isso, boa parte dos estudos dedica-se à verificação da ação de medicamentos já existentes na guerra contra a doença. “Essa estratégia vale-se de conhecimento consolidado sobre a segurança e farmacocinética de medicamentos já aprovados para uso humano, evitando muitos dos complexos testes pré-clínicos”, disse Kleber Franchini, diretor do Laboratório Nacional de Biociências (LNBio), vinculado ao Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (Cnpem). Desde o início da pandemia, o Cnpem dedica-se à investigação de moléculas que sejam candidatas a combater a infecção pelo coronavírus, por meio de técnicas que misturam biologia computacional e inteligência artificial. A capa de proteína que protege as moléculas de um vírus pode ser comparada a uma fechadura cujo acesso depende de chaves específicas. Essa chave, ou pequena molécula, é a substância específica que se busca em todo o mundo, na expectativa de neutralizar a ação do vírus e impedir sua reprodução. A partir de informações sobre a constituição genética do sars-CoV-2, os pesquisadores do Cnpem testaram 2 mil moléculas de bancos de dados públicos para verificar qual delas funcionaria como “chave” ideal. A primeira filtragem resultou em 12 fármacos. Pela necessidade de baixo custo e poucos efeitos colaterais, um novo filtro resultou em seis substâncias. Testes in vitro — isto é, em laboratório, antes do uso em animais ou humanos — apontaram duas substâncias que tiveram bom desempenho. Uma foi escolhida para o teste em pacientes. “A nitazoxanida (mais conhecida como Annita) foi um composto que se destacou nos ensaios, reduzindo significativamente a carga viral em testes laboratoriais”, contou Franchini. Ele compartilhou dados com a RedeVírus MCTIC, vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, que vem viabilizando testes com o medicamento em pacientes com sintomas leves ou graves de sete hospitais espalhados pelo país. Ainda não há resultado final para os experimentos. 18 O CAMINHO DA CIÊNCIA Ui Kl *A/FOLHAPH£SS Annita i nitazoxanida ^oní ‘Ccm^mAzc gSÍJ AtFJLTO C FtW A tHCO A tarefa dos médicos é delicada. Eles precisam encontrar uma solução contra o novo coronavírus, mas não podem prescrever um remédio já conhecido que acabe virando um veneno Outro medicamento relativamente barato e que também vem sendo usado no tratamento da Covid-19 é a heparina, um dos medicamentos anticoagulantes mais prescritos no mundo, apresentado como resposta aos distúrbios de coagulação sanguínea que estariam na base dos sintomas mais graves da doença, como a insuficiência respiratória e a fibrose pulmonar. Estudos realizados na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) a partir de autópsias de pessoas que morreram em decorrência da doença já vinham apontando a existência de focos hemorrágicos na rede de pequenos vasos do pulmão, associados à presença de microtrombos — pequenos coágulos formados pela agregação de plaquetas. O trabalho vai ao encontro do que vinha observando clinicamente a médica Elnara Negri, que atua no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e no Hospital Sírio-Libanês. Ela foi uma das primeiras pessoas a perceberem o “caráter trombótico” da doença causada pelo novo coronavírus. Desde 27 de março, ela prescreve a heparina para pacientes graves, com diminuição de oxigenação, observada entre o sexto e o décimo dia de atuação da doença. “É importante monitorizar a oxigenação nesse período para iniciar o tratamento quanto antes nesse grupo de pacientes”, disse. A atuação rápida contra a formação de microtrombos vem resultando em recuperação mais veloz de infectados, ela garantiu. “Desde março já tratamos cerca de 100 pacientes e não perdemos nenhum. Não é a cura da doença, mas um método eficaz de tratamento para pacientes que desenvolveram a forma grave da Covid-19”, afirmou a médica, que fez questão de ressaltar que o tratamento só é eficaz quando realizado sob supervisão médica. O CAMINHO DA CIÊNCIA 19 Vários medicamentos já aprovados para o combate a outras doenças estão sendo testados em pacientes com Covid-19, mas os médicos alertam sobre os altos riscos da automedicação Acloroquina — droga erroneamente festejada como uma espécie de cura pelo presidente Jair Bolsonaro — já vinha sendo estudada e havia mostrado ação eficiente, in vitro, de inibição de outros vírus, como zika e a chikungunya. Ainda não havia sido testada, com eficácia, em humanos. Na China, terra dos primeiros casos do novo coronavírus no final do ano passado, os estudos iniciais com a substância apontaram a necessidade de dose altamente concentrada para se obter mínimo efeito antiviral. Um estudo recente coordenado pela Fiocruz apontou alto risco para uso nessa condição e foi cancelado. Outro, divulgado em junho por cientistas da Universidade de Oxford, com 1.500 pacientes, detectou não haver benefícios da terapia da cloroquina para pacientes com Covid-19 e também informou ser melhor optar pela busca de novas terapias. Em estudo publicado em maio na revista científica The Lancet, cientistas suíços e americanos concluíram que pacientes que haviam tomado hidroxicloroquina ou cloroquina tinham maior risco de morte. Uma semana após a publicação, o estudo foi cancelado por apresentar graves inconsistências nos números. A retratação aconteceu depois que a empresa americana Surgisphere, que forneceu dados hospitalares para a pesquisa, se negou a atender a um pedido de uma auditoria externa sob a alegação de que violaria acordos de confidencialidade com clientes. Antes, o jornal britânico The Guardian já havia revelado que a Surgisphere não tem entre seus funcionários profissionais com formação em dados ou ciência. A comunidade científica está buscando uma conclusão definitiva sobre a cloroquina, mas o presidente Jair Bolsonaro parece não ter dúvidas. Determinou que o Exército retomasse a produção do medicamento e aceitou a doação de 2 milhões de doses dos Estados Unidos. A garantia de mínima segurança para pesquisa com novos usos para medicamentos é fundamental para evitar tragédias como a ocorrida nos anos 1950, por causa da utilização incorreta da talidomida — medicação indicada como tranquilizante para melhorar o sono, mas que acabou sendo receitada para tratar enjoo matinal de mulheres grávidas. Quando já era vendida em mais de 50 países, descobriu-se que provocava malformação fetal — mais de 10 mil crianças foram afetadas pelo erro. Especialistas costumam dizer que nenhum medicamento é seguro. Por isso é válida a máxima de que o que separa o veneno do remédio é a dose. Encontrar um remédio que ataque o novo coronavírus sem afetar células do organismo hospedeiro segue como um dos maiores desafios deste começo do século XXI. O último boletim da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) aponta a aprovação, de março até a primeira semana de junho, de 402 protocolos de pesquisa científica relacionados ao novo coronavírus, dos quais 85 são ensaios clínicos — isto é, investigações sobre o uso de medicamentos e terapias alternativas de combate à doença. São quase 35 mil pacientes observados hoje por representantes de 36 instituições de todo o país — como hospitais, centros de pesquisa e afins. A maior parte dos estudos, 18, ainda está relacionada à pesquisa sobre o uso da cloroquina. Uma quantidade semelhante de estudos, 20 O CAMINHO DA CIÊNCIA i6, dedica-se a verificar o uso do plasma convalescente de pacientes recuperados da Covid-19, como forma de tentar reduzir o tempo de pacientes graves nas UTIs. O procedimento consiste na transfusão do plasma — a parte líquida do sangue — de um paciente recuperado para alguém internado. A expectativa dos médicos é que os anticorpos presentes no plasma forneçam imunidade aos doentes. Em São Paulo, os hospitais Sírio-Libanês e Albert Einstein reuniram-se em consórcio para pesquisar os efeitos dessa terapia. Há também iniciativas semelhantes no Rio de Janeiro, Paraná, Distrito Federal, Pará, Paraíba, Espírito Santo e em Minas Gerais. A técnica não é nova — foi usada no início do século passado no combate à gripe espanhola, e relatórios da época sugerem que funcionou. Pesquisas apontam o sucesso do procedimento no tratamento de doenças como sarampo e febre hemorrágica, mas insucesso para outras tantas, como o ebola. De acordo com o hematologista Silvano Wendel Neto, do Sírio-Libanês, não se trata de solução mágica “que vá levar o paciente à alta no dia seguinte”, como se fosse um super-homem. “O que se busca é reduzir a dependência do respirador e dar tempo para que o próprio organismo produza anticorpos e fique bem”, disse o especialista, que há duas semanas apresentou a colegas os resultados da primeira etapa da pesquisa, relacionada à seleção de doadores. Após serem submetidos a uma série de exames, amostras de sangue deles foram encaminhadas ao laboratório de virologia da USP, para verificar se o volume de anticorpos presente era suficiente para matar novos vírus. Cerca de 50 pessoas receberam nas últimas semanas um total de 600 mililitros de plasma convalescente por um período de dois ou três dias. Os resultados finais ainda não são conhecidos. No entanto, profissionais que têm participado do atendimento dizem que os efeitos mais animadores vêm se manifestando entre aqueles que ainda estão na fase inicial da doença, e não no período agudo, pós-intubação. Cenário semelhante foi atestado por estudo recente realizado com 39 pessoas que receberam plasma no Hospital Mount Sinai, em Nova York. A diferença de mortalidade entre o grupo que recebeu o tratamento e o grupo de controle não foi considerada relevante. Mas o resultado foi avaliado como animador quando se verificou que a necessidade de suplementação de oxigênio era consideravelmente menor entre os que receberam o tratamento. “Pacientes não entubados podem se beneficiar mais do que aqueles que necessitam de ventilação mecânica”, diz o relatório final do estudo. Ainda são aguardados os resultados de estudos clínicos randomizados — aqueles em que pacientes são escolhidos aleatoriamente e parte deles recebe o tratamento que se quer testar, enquanto a outra parte recebe um placebo. Essa é considerada a maneira mais confiável de confirmar se a técnica é eficaz. Isso já está em curso em países como Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido. Se o uso de plasma convalescente vem se mostrando mais eficaz no tratamento inicial da doença, outra opção que envolve a transfusão sanguínea vem sendo testada para o momento mais crítico vivido pelos De março até a primeira semana de junho, 402 protocolos de pesquisa científica relacionados ao novo coronavírus foram aprovados. Muitos dos estudos envolvem remédios já conhecidos O CAMINHO DA CIÊNCIA 21 Vários dos tratamentos mais promissores não podem ser usados em larga escala se forem confirmados seus benefícios. O problema é o alto custo pacientes, também conhecido como a hora da tempestade de citocina, quando há uma reação exagerada do sistema imunológico. A citocina é uma molécula que atua na comunicação entre as células do corpo e desempenha papel importante de regulação do sistema imunológico. A ação do novo coronavírus leva a uma aceleração do ataque às infecções do sistema respiratório, que pode ser ruim por acelerar processos inflamatórios e o risco de morte para o paciente. Pesquisadores do Hospital Albert Einstein conduzem estudo sobre o uso de células mesenquimais — extraídas da medula óssea de doadores e conhecidas por modular o sistema imunológico. “É um tratamento novo, para uma doença que também é nova”, contou o gerente médico de hemoterapia e terapia celular do Hospital Albert Einstein, José Mauro Kutner. A primeira aplicação em pacientes da equipe de Kutner deverá ocorrer nos próximos dias. Pesquisas semelhantes estão sendo conduzidas no Rio Grande do Sul, no Paraná e no Rio de Janeiro. No procedimento, células colhidas de doadores são purificadas e expandidas em laboratório. Só são liberadas para aplicação em pacientes depois da realização de testes para examinar a capacidade de imunomodulaçáo e garantir que não haverá contaminação por outro tipo de micro-organismo. Cada dose demora de 20 dias a um mês para ficar pronta e contém, em média, 1 milhão de células por quilo do paciente. A parte ruim é que custa caro: até RS 100 mil cada. “Pesquisadores chineses fizeram as primeiras pesquisas falando que a célula mesenquimal poderia atuar desta forma (no tratamento da Covid-19), mas ainda há vários clinicai trials em andamento. É uma terapia que deverá ganhar força nos próximos meses”, disse Juliana Godoy, especialista em terapia celular do Departamento de Hemoterapia e Terapia Celular do Hospital Albert Einstein. Na linha de frente dos hospitais e nos laboratórios dos centros científicos do Brasil e do mundo, a luta para derrotar o coronavírus continua a avançar

ESTADÃO/SÃO PAULO
Data Veiculação: 12/06/2020 às 05h02

Com análise a partir da saliva e estimativa de processamento de 110 mil amostras por dia, um novo teste para diagnóstico do novo coronavírus deve estar disponível para empresas e hospitais em até dez dias. O exame molecular, desenvolvido pelo laboratório Mendelics em parceria com o Hospital Sírio-Libanês, não apresentou resultados falso-positivos após testes e tem como foco aumentar o número de diagnósticos da doença no País, principalmente diante do cenário de reabertura do comércio. O teste identifica o material genético da covid-19 e deve ser realizado para a detecção da doença em sua fase aguda. Segundo o CEO da Mendelics, David Schneleiger, além de ser feito em larga escala, o teste é mais barato do que o RT-PCR, considerado padrão ouro, mas tem a mesma sensibilidade (80%). Seu preço médio é R$ 95. Os testes à disposição no mercado custam hoje de R$ 240 a R$ 470. “A gente não vai vender o teste para pessoa física, mas para empresas a fim de voltar à normalidade, para que as pessoas voltem a circular mais.” O objetivo é compartilhar a técnica para que ela possa ser replicada. “Saber quem tem o vírus é fundamental para tomar decisões fundamentadas para programar retorno e saber onde a covid-19 está”, diz Luiz Fernando Lima Reis, diretor do Sírio-Libanês Ensino e Pesquisa.

O IMPARCIAL/SÃO LUÍS | GERAL
Data Veiculação: 12/06/2020 às 03h00

Pesquisadores brasileiros desenvolvem teste acessível ANVISA Com dificuldade de aplicar testagem em massa para controlar a disseminação do novo coronavírus, o Brasil é atualmente o país com maior aumento de casos diários de infectados e mortos pela doença. Estudos estimam que, mesmo sendo a segunda nação com maior número de casos absolutos, a subnotificação é tão alta que os dados divulgados chegam a ser 10 vezes inferiores aos números reais. Pensando nisso, pesquisadores brasileiros desenvolveram um exame molecular de baixo custo e mais acessível que consegue identificar a covid-19 por meio da saliva. O teste ainda precisa passar por aprovação daAnvisa. Para atender a demanda represada, o laboratório brasileiro Mendelics, em parceria com o Hospital Sírio Libanês, desenvolveu um novo teste que permite processar 110 mil amostras por dia. 0 método leva 1 hora, e, segundo os responsáveis, possui uma especificidade de 100%. Neste momento está sendo realizado projeto piloto com 50 mil vidas e não foram identificados resultados falso-positivos. “Assim que começou a pandemia todos reconhecemos que deveriamos pensar em soluções que contribuíssem para o bem-estar de toda a população. O novo teste alivia a demanda reprimida e viabiliza a testagem em larga escala e sistemática no Brasil”, diz Laércio Cosentino, presidente do conselho da Mendelics. Para os desenvolvedores, esse teste éo que possui maior capacidade de processamento lançado no Brasil até o momento. Ele custa em torno de R$ 95 reais e não depende de equipamentos e reagentes atualmente escassos. Além disso, é considerado um método mais seguro, já que, ao invés de precisar ser coletado pelo nariz por meio de um instrumento longo capaz de chegar até a garganta, depende apenas da saliva depositada diretamente em um recipiente. Assim, evita-se um movimento involuntário que pode expelir o vírus, aumentando o risco de infecção para os profissionais da saúde. “Por ser realizado na saliva, ter um poder de processamento muito rápido, que permitirá realizar mais exames em menos tempo, podendo oferecer aos brasileiros ferramentas que permitam controlar melhor a transmissão dessa infecção”, explica Luiz Fernando Lima Reis, diretor do Sírio Libanês Ensino e Pesquisa. A proposta é que, assim que for aprovado pelos órgão reguladores de saúde, o protocolo para o teste será liberado para outros laboratórios, a fim de aumentar a capacidade de testagem e sanar essa defasagem brasileira que atrapalha no controle da pandemia.

O ESTADO DE S.PAULO/SÃO PAULO | GERAL
Data Veiculação: 12/06/2020 às 03h00

No Rio de Janeiro, lojas adotam medidas recomendadas Temperatura. Clientes são obrigados a fazer a medição Vice-presidente da Multiplan, Giordano estima que permanência dos clientes caia de 70 minutos para 28 Denise Lima /rio Quarenta shoppings abriram ontem no Estado do Rio, uma semana antes do previsto e após quase três meses fechados para conter o avanço da covid19, segundo a Associação Brasileira de Shoppings Centers (Abrasce), elevando para 385 o número de estabelecimentos em operação no País. Há 577. O shopping Rio Sul, um dos 4 mais antigos da capital, na zona sul, decidiu manter a previsão de abrir apenas no dia 16, como previsto. Outros muito frequentados decidiram reabrir, como Norte Shopping, Shopping Tijuca e Nova América, na zona norte, Botafogo Praia Shopping, Shopping da Gávea e Shopping Leblon, na sul, e Barra Shopping, na oeste, entre outros. Cercados de restrições e com baixa frequência no primeiro dia de operação, a retomada dos shoppings é uma tentativa de manter empregos e a sobrevivência das lojas, que há 83 dias tiveram de fechar por causa da pandemia, avaliou o vice-presidente Institucional da Multiplan, Vander Giordano. Com a experiência em sete shoppings já reabertos em outras cidades em maio, a Multiplan reabriu o Barra Shopping, um dos maiores da cidade do Rio, além do Village Mall e do Park Shopping Campo Grande. “Contratamos um infectologista e criamos protocolo próprio, validado pelo Hospital Sírio-Libanês, que inclui medidas adicionais às determinadas pela Prefeitura”, diz Giordano. No Rio, os estacionamentos estão restritos a um terço da capacidade e para entrar no shopping é necessário medir a temperatura e higienizar as mãos com álcool em gel. Alguns adotaram tapetes para higienização dos sapatos. Quem estiver com temperatura acima de 37,5 graus é proibido de entrar. Não é permitido aglomerações. “Redobramos os cuidados com a higienização, e é importante que a população siga as recomendações de saúde para manter as lojas abertas”, afirmou o executivo, informando que para a reabertura foi necessário investir na compra de máscaras, luvas, bactericidas, filtro para ar condicionado, câmeras para aferir temperatura, treinamento, álcool em gel e em campanhas educacionais. De acordo com Giordano, o fato de restaurantes, cinemas e lanchonetes estarem fechadas, garante a menor permanência dos consumidores no local, o que ajuda a manter o ambiente saudável contra o vírus. “O tempo de permanência nos shoppings que era de 70 minutos caiu para 28 minutos nos que foram abertos antes (maio), acho que aqui vai ser o mesmo”, diz o executivo, que não cria qualquer expectativa em relação à reabertura na véspera do Dia dos Namorados. “O momento é delicado para a economia, a renda da população foi abalada e o consumo está retraído, não temos nenhuma expectativa em relação à data”, diz. Taxas. A Multiplan reduziu aluguel (50% em março e 100% em abril), isentou em 100% o fundo de promoção (março e abril) e em 50% no condomínio (março e abril). “Se não nos unirmos, o setor vai enfrentar mais problemas do que já está enfrentando”, avaliou.

ÉPOCA ONLINE/SÃO PAULO
Data Veiculação: 12/06/2020 às 03h00

Distante dos holofotes e do debate público mais estridente, uma legião de cientistas e agentes de saúde do país vem buscando alternativas de terapia para os doentes com Covid-19, num esforço que vai muito além da cloroquina. Embora só no Brasil estejam em andamento mais de 400 pesquisas, em meio à urgência da pandemia, o desenvolvimento de novos medicamentos é considerado sempre uma tarefa dispendiosa e demorada. Por isso, boa parte dos estudos dedica-se à verificação da ação de medicamentos já existentes na guerra contra a doença. “Essa estratégia vale-se de conhecimento consolidado sobre a segurança e farmacocinética de medicamentos já aprovados para uso humano, evitando muitos dos complexos testes pré-clínicos”, disse Kleber Franchini, diretor do Laboratório Nacional de Biociências (LNBio), vinculado ao Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (Cnpem). Vários medicamentos já aprovados para o combate a outras doenças estão sendo testados em pacientes com Covid-19, mas os médicos alertam sobre os altos riscos da automedicação. Foto: Cadu Rolim / Fotoarena / Folhapress Desde o início da pandemia, o Cnpem dedica-se à investigação de moléculas que sejam candidatas a combater a infecção pelo coronavírus, por meio de técnicas que misturam biologia computacional e inteligência artificial. A capa de proteína que protege as moléculas de um vírus pode ser comparada a uma fechadura cujo acesso depende de chaves específicas. Essa chave, ou pequena molécula, é a substância específica que se busca em todo o mundo, na expectativa de neutralizar a ação do vírus e impedir sua reprodução. A partir de informações sobre a constituição genética do sars-CoV-2, os pesquisadores do Cnpem testaram 2 mil moléculas de bancos de dados públicos para verificar qual delas funcionaria como “chave” ideal. A primeira filtragem resultou em 12 fármacos. Pela necessidade de baixo custo e poucos efeitos colaterais, um novo filtro resultou em seis substâncias. Testes in vitro — isto é, em laboratório, antes do uso em animais ou humanos — apontaram duas substâncias que tiveram bom desempenho. Uma foi escolhida para o teste em pacientes. “A nitazoxanida (mais conhecida como Annita) foi um composto que se destacou nos ensaios, reduzindo significativamente a carga viral em testes laboratoriais”, contou Franchini. Ele compartilhou dados com a RedeVírus MCTIC, vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, que vem viabilizando testes com o medicamento em pacientes com sintomas leves ou graves de sete hospitais espalhados pelo país. Ainda não há resultado final para os experimentos. Foto: Fernando Moreno / AGIF / AFP Outro medicamento relativamente barato e que também vem sendo usado no tratamento da Covid-19 é a heparina, um dos medicamentos anticoagulantes mais prescritos no mundo, apresentado como resposta aos distúrbios de coagulação sanguínea que estariam na base dos sintomas mais graves da doença, como a insuficiência respiratória e a fibrose pulmonar. Estudos realizados na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) a partir de autópsias de pessoas que morreram em decorrência da doença já vinham apontando a existência de focos hemorrágicos na rede de pequenos vasos do pulmão, associados à presença de microtrombos — pequenos coágulos formados pela agregação de plaquetas. O trabalho vai ao encontro do que vinha observando clinicamente a médica Elnara Negri, que atua no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e no Hospital Sírio-Libanês. Ela foi uma das primeiras pessoas a perceberem o “caráter trombótico” da doença causada pelo novo coronavírus. Desde 27 de março, ela prescreve a heparina para pacientes graves, com diminuição de oxigenação, observada entre o sexto e o décimo dia de atuação da doença. “É importante monitorizar a oxigenação nesse período para iniciar o tratamento quanto antes nesse grupo de pacientes”, disse. A atuação rápida contra a formação de microtrombos vem resultando em recuperação mais veloz de infectados, ela garantiu. “Desde março já tratamos cerca de 100 pacientes e não perdemos nenhum. Não é a cura da doença, mas um método eficaz de tratamento para pacientes que desenvolveram a forma grave da Covid-19”, afirmou a médica, que fez questão de ressaltar que o tratamento só é eficaz quando realizado sob supervisão médica. “A tarefa dos médicos é delicada. Eles precisam encontrar uma solução contra o novo coronavírus, mas não podem prescrever um remédio já conhecido que acabe virando um veneno” A cloroquina — droga erroneamente festejada como uma espécie de cura pelo presidente Jair Bolsonaro — já vinha sendo estudada e havia mostrado ação eficiente, in vitro, de inibição de outros vírus, como zika e a chikungunya. Ainda não havia sido testada, com eficácia, em humanos. Na China, terra dos primeiros casos do novo coronavírus no final do ano passado, os estudos iniciais com a substância apontaram a necessidade de dose altamente concentrada para se obter mínimo efeito antiviral. Um estudo recente coordenado pela Fiocruz apontou alto risco para uso nessa condição e foi cancelado. Outro, divulgado em junho por cientistas da Universidade de Oxford, com 1.500 pacientes, detectou não haver benefícios da terapia da cloroquina para pacientes com Covid-19 e também informou ser melhor optar pela busca de novas terapias. Em estudo publicado em maio na revista científica The Lancet, cientistas suíços e americanos concluíram que pacientes que haviam tomado hidroxicloroquina ou cloroquina tinham maior risco de morte. Uma semana após a publicação, o estudo foi cancelado por apresentar graves inconsistências nos números. Foto: Caio Rocha / FramePhoto / Folhapress A retratação aconteceu depois que a empresa americana Surgisphere, que forneceu dados hospitalares para a pesquisa, se negou a atender a um pedido de uma auditoria externa sob a alegação de que violaria acordos de confidencialidade com clientes. Antes, o jornal britânico The Guardian já havia revelado que a Surgisphere não tem entre seus funcionários profissionais com formação em dados ou ciência. A comunidade científica está buscando uma conclusão definitiva sobre a cloroquina, mas o presidente Jair Bolsonaro parece não ter dúvidas. Determinou que o Exército retomasse a produção do medicamento e aceitou a doação de 2 milhões de doses dos Estados Unidos. A garantia de mínima segurança para pesquisa com novos usos para medicamentos é fundamental para evitar tragédias como a ocorrida nos anos 1950, por causa da utilização incorreta da talidomida — medicação indicada como tranquilizante para melhorar o sono, mas que acabou sendo receitada para tratar enjoo matinal de mulheres grávidas. Quando já era vendida em mais de 50 países, descobriu-se que provocava malformação fetal — mais de 10 mil crianças foram afetadas pelo erro. Especialistas costumam dizer que nenhum medicamento é seguro. Por isso é válida a máxima de que o que separa o veneno do remédio é a dose. Encontrar um remédio que ataque o novo coronavírus sem afetar células do organismo hospedeiro segue como um dos maiores desafios deste começo do século XXI. “Vários dos tratamentos mais promissores não podem ser usados em larga escala se forem confirmados seus benefícios. O problema é o alto custo” O último boletim da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) aponta a aprovação, de março até a primeira semana de junho, de 402 protocolos de pesquisa científica relacionados ao novo coronavírus, dos quais 85 são ensaios clínicos — isto é, investigações sobre o uso de medicamentos e terapias alternativas de combate à doença. São quase 35 mil pacientes observados hoje por representantes de 36 instituições de todo o país — como hospitais, centros de pesquisa e afins. A maior parte dos estudos, 18, ainda está relacionada à pesquisa sobre o uso da cloroquina. Uma quantidade semelhante de estudos, 16, dedica-se a verificar o uso do plasma convalescente de pacientes recuperados da Covid-19, como forma de tentar reduzir o tempo de pacientes graves nas UTIs. O procedimento consiste na transfusão do plasma — a parte líquida do sangue — de um paciente recuperado para alguém internado. A expectativa dos médicos é que os anticorpos presentes no plasma forneçam imunidade aos doentes. Em São Paulo, os hospitais Sírio-Libanês e Albert Einstein reuniram-se em consórcio para pesquisar os efeitos dessa terapia. Há também iniciativas semelhantes no Rio de Janeiro, Paraná, Distrito Federal, Pará, Paraíba, Espírito Santo e em Minas Gerais. A técnica não é nova — foi usada no início do século passado no combate à gripe espanhola, e relatórios da época sugerem que funcionou. Pesquisas apontam o sucesso do procedimento no tratamento de doenças como sarampo e febre hemorrágica, mas insucesso para outras tantas, como o ebola. De março até a primeira semana de junho, 402 protocolos de pesquisa científica relacionados ao novo coronavírus foram aprovados. Muitos dos estudos envolvem remédios já conhecidos. Foto: Louisa Gouliamaki / AFP De acordo com o hematologista Silvano Wendel Neto, do Sírio-Libanês, não se trata de solução mágica “que vá levar o paciente à alta no dia seguinte”, como se fosse um super-homem. “O que se busca é reduzir a dependência do respirador e dar tempo para que o próprio organismo produza anticorpos e fique bem”, disse o especialista, que há duas semanas apresentou a colegas os resultados da primeira etapa da pesquisa, relacionada à seleção de doadores. Após serem submetidos a uma série de exames, amostras de sangue deles foram encaminhadas ao laboratório de virologia da USP, para verificar se o volume de anticorpos presente era suficiente para matar novos vírus. Cerca de 50 pessoas receberam nas últimas semanas um total de 600 mililitros de plasma convalescente por um período de dois ou três dias. Os resultados finais ainda não são conhecidos. No entanto, profissionais que têm participado do atendimento dizem que os efeitos mais animadores vêm se manifestando entre aqueles que ainda estão na fase inicial da doença, e não no período agudo, pós-intubação. Cenário semelhante foi atestado por estudo recente realizado com 39 pessoas que receberam plasma no Hospital Mount Sinai, em Nova York. A diferença de mortalidade entre o grupo que recebeu o tratamento e o grupo de controle não foi considerada relevante. Mas o resultado foi avaliado como animador quando se verificou que a necessidade de suplementação de oxigênio era consideravelmente menor entre os que receberam o tratamento. “Pacientes não entubados podem se beneficiar mais do que aqueles que necessitam de ventilação mecânica”, diz o relatório final do estudo. Ainda são aguardados os resultados de estudos clínicos randomizados — aqueles em que pacientes são escolhidos aleatoriamente e parte deles recebe o tratamento que se quer testar, enquanto a outra parte recebe um placebo. Essa é considerada a maneira mais confiável de confirmar se a técnica é eficaz. Isso já está em curso em países como Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido. Foto: Fernando Moreno / AGIF / AFP Se o uso de plasma convalescente vem se mostrando mais eficaz no tratamento inicial da doença, outra opção que envolve a transfusão sanguínea vem sendo testada para o momento mais crítico vivido pelos pacientes, também conhecido como a hora da tempestade de citocina, quando há uma reação exagerada do sistema imunológico. A citocina é uma molécula que atua na comunicação entre as células do corpo e desempenha papel importante de regulação do sistema imunológico. A ação do novo coronavírus leva a uma aceleração do ataque às infecções do sistema respiratório, que pode ser ruim por acelerar processos inflamatórios e o risco de morte para o paciente. Pesquisadores do Hospital Albert Einstein conduzem estudo sobre o uso de células mesenquimais — extraídas da medula óssea de doadores e conhecidas por modular o sistema imunológico. “É um tratamento novo, para uma doença que também é nova”, contou o gerente médico de hemoterapia e terapia celular do Hospital Albert Einstein, José Mauro Kutner. A primeira aplicação em pacientes da equipe de Kutner deverá ocorrer nos próximos dias. Pesquisas semelhantes estão sendo conduzidas no Rio Grande do Sul, no Paraná e no Rio de Janeiro. No procedimento, células colhidas de doadores são purificadas e expandidas em laboratório. Só são liberadas para aplicação em pacientes depois da realização de testes para examinar a capacidade de imunomodulação e garantir que não haverá contaminação por outro tipo de micro-organismo. Cada dose demora de 20 dias a um mês para ficar pronta e contém, em média, 1 milhão de células por quilo do paciente. A parte ruim é que custa caro: até R$ 100 mil cada. “Pesquisadores chineses fizeram as primeiras pesquisas falando que a célula mesenquimal poderia atuar desta forma (no tratamento da Covid-19), mas ainda há vários clinical trials em andamento. É uma terapia que deverá ganhar força nos próximos meses”, disse Juliana Godoy, especialista em terapia celular do Departamento de Hemoterapia e Terapia Celular do Hospital Albert Einstein. Na linha de frente dos hospitais e nos laboratórios dos centros científicos do Brasil e do mundo, a luta para derrotar o coronavírus continua a avançar. O QUE VOCÊ VAI LER EM ÉPOCA DESTA SEMANA PERSONAGEM DA SEMANA APAGÃO DOS DADOS O governo tenta mudar a contabilidade de mortes da Covid-19, mas é freado pelo Supremo Tribunal Federal O CAMINHO DA CIÊNCIA MUITO ALÉM DA CLOROQUINA Numa busca frenética, médicos e pesquisadores testam novos tipos de tratamento na tentativa de salvar vítimas da Covid-19 9 PERGUNTAS PARA... TASSO JEREISSATI O senador tucano vê o PT como trava à criação de uma frente ampla e crê que Bolsonaro pavimentará o caminho do impeachment se descumprir decisão do STF CONCORDAMOS EM DISCORDAR MURILO CLETO × ALE SANTOS O historiador e o escritor divergem sobre o que fazer com estátuas de figuras históricas que cometeram atos condenáveis e até terríveis ao olhar do presente LIÇÕES DO NOSSO TEMPO O QUE APRENDEMOS COM A PANDEMIA A convite de ÉPOCA, nove pensadores refletem sobre as transformações que estamos vivendo e seus desdobramentos em escala global MORTE NA TORRE UMA TRAGÉDIA BRASILEIRA A história da queda do filho da empregada que deveria ter sido cuidado pela patroa ganha uma nova linha de investigação VIVI PARA CONTAR A REABERTURA DO CAFÉ DOS ARTISTAS Como a pandemia afetou um ícone parisiense que não fechou nem mesmo durante a Segunda Guerra Mundial VIDA NADA SECA GRACILIANO RAMOS E A PESTE Tradutora analisa como as experiências do autor da época em que foi prefeito em Alagoas podem tê-lo influenciado a traduzir — com modificações radicais — a obra de Camus Colunistas Guilherme Amado Os fiéis, os críticos e os arrependidos Helio Gurovitz Uma narrativa assustadoramente real — e irresistível Allan Sieber Larry Rohter A militarização da política, no Brasil e nos EUA

O ESTADO DE S.PAULO/SÃO PAULO | GERAL
Data Veiculação: 12/06/2020 às 03h00

Novo teste de laboratório e Sírio-Libanês custará R$ 95 Paula Felix Com análise a partir da saliva e estimativa de processamento de no mil amostras por dia, um novo teste para diagnóstico do novo coronavírus deve estar disponível para empresas e hospitais em até dez dias. O exame molecular, desenvolvido pelo laboratório Mendelics em parceria com o Hospital Sírio Libanês, não apresentou resultados falso-positivos após testes e tem como foco aumentar o número de diagnósticos da doença no País, principalmente diante do cenário de reabertura do comércio. O teste identifica o material genético da covid-19 e deve ser realizado para a detecção da doença em sua fase aguda. Segundo o CEO da Mendelics, David Schneleiger, além de ser feito em larga escala, o teste é mais barato do que o RT-PCR, considerado padrão ouro, mas tem a mesma sensibilidade (80%). Seu preço médio é R$ 95. Os testes à disposição no mercado custam hoje de R$ 240 a R$ 470. “A gente não vai vender o teste para pessoa física, mas para empresas a fim de voltar à normalidade, para que as pessoas voltem a circular mais.” O objetivo é compartilhar a técnica para que ela possa ser replicada. “Saber quem tem o vírus é fundamental para tomar decisões fundamentadas para programar retomo e saber onde acovid-19 está”, diz Luiz Fernando Lima Reis, diretor do Sírio-Libanês Ensino e Pesquisa.