Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus:

G1/NACIONAL
Data Veiculação: 07/06/2020 às 09h04

Um hospital privado de São José dos Campos está entre os que participam de uma pesquisa nacional para identificar a eficácia da hidroxicloroquina em pacientes com sintomas leves da infecção pelo novo coronavírus. Por meio deste estudo, será avaliado se a medicação pode evitar complicações da doença quando utilizado no quadro inicial e, consequentemente, reduzir as internações. A pesquisa é coordenada pelo Hospital Oswaldo Cruz e tem a participação de outras entidades de referência, como o Albert Einsten, Sírio-Libânes e HCor. No Vale do Paraíba e o único que participa da pesquisa é o Policlin, que começou a recrutar voluntários há uma semana. Alvo de uma polêmica na área científica, a hidroxicloroquina chegou a ter pesquisas suspensas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) após um estudo indicar riscos do uso da cloroquina e da hidroxicloroquina. Porém, este estudo perdeu valor científico e a OMS voltou atrás e retomou os testes, mas reforçou que isso é muito diferente de recomendar o uso do medicamento e afirmou que espera ter respostas definitivas em breve. Em contraponto, cientistas da Universidade de Oxford, na Inglaterra, que lideram um estudo sobre tratamentos para Covid-19 em mais de 11 mil pacientes no Reino Unido, anunciaram na sexta-feira (5) que não encontraram benefícios em tratar a Covid-19 com hidroxicloroquina. Por isso, essa parte dos estudos, que envolve 1,5 mil pessoas, foi suspensa. Oito pessoas em São José dos Campos já participam da pesquisa e estão sendo acompanhadas pela equipe médica. Em todo o Brasil, 100 voluntários estão no estudo. A intenção dos pesquisadores é ter a participação de, no mínimo, 1,3 mil pessoas. "A Hidroxicloroquina tem sido muito polemizada, sobre benefícios ou prejuízos", diz o médico cardiologista Carlos Magalhães, que coordena o estudo no hospital em São José. "Anteontem, um estudo da Oxford, da Inglaterra, mostrou que a hidroxicloroquina não tem benefício em pacientes que já estão internados. Recentemente, um estudo publicado na revista Lancet, sobre o uso da hidroxicloroquina em pacientes com sintomas leves, foi questionado. Então, continua a pergunta: a hidroxicloroquina tem benefícios no quadro inicial? Isso que esta pesquisa quer verificar", afirmou Magalhães. Voluntários Para participar da pesquisa, há alguns requisitos. O voluntário precisa ter mais de 18 anos, estar com os sintomas iniciais da Covid-19, ter alguma comorbidade ou histórico de alguma doença do grupo de risco, e que não precise ficar internado após avaliação médica. Existem também alguns critérios para exclusão: não podem participar pessoas que tiveram problema de retina, algum problema renal ou que não tenha condições após realização de um eletrocardiograma. Quando voluntário está apto e aceitar participar da pesquisa após assinar um termo, ele começa ser tratado com hidroxicloroquina ou placebo (comprimido que não tem efeito no organismo). O estudo é do tipo duplo cego, em que paciente e o médico não sabem qual a medicação que está sendo aplicada. A escolha da medicação é feita de forma randômica. Esta metodologia é usada como critério de validação de práticas experimentais quantitativas em ciência. O paciente é medicado por sete dias. Entre o quinto e sétimo dia, ela realiza o teste para a Covid-19. Se der positivo, continua na pesquisa. Se o resultado for negativo, deixa a pesquisa porque ela não está infectada com o coronavírus. Os pacientes que continuarem na pesquisa serão avaliados por 30 dias. Após esse período, o hospital envia os resultados para o grupo responsável para fazer o balanço da pesquisa. "Pessoas que têm suspeita e desejam participar do estudo, podem participar. Até o fim do mês estaremos fazendo o estudo. A pessoa vai ao hospital e tem um setor específico para esse atendimento. Se a pessoa tiver os critérios para inclusão na pesquisa e aceitar, pode participar", disse Carlos Magalhães.

EXAME.COM/SÃO PAULO
Data Veiculação: 07/06/2020 às 11h00

A pandemia do novo coronavírus pegou empresas e instituições de surpresa em todo o país. Agora, quase três meses depois do início da crise no Brasil, as principais lições do período ficam mais claras. Colaboração entre empresas até concorrentes, capacidade de adaptar o negócio e a transformação digital estão entre os principais aprendizados, segundo Reynaldo Gama, presidente da HSM, empresa de educação executiva. As companhias também irão rever o home office, viagens corporativas, modelos de negócio e até canais de venda, acredita o executivo. Gama também é gerente geral no Itaú Unibanco e responsável pelo Cubo Itaú e diretor na Associação Brasileira de Startups. “Esse momento é estratégico para entender melhor o negócio, se o modelo atual vai continuar fazendo sentido depois da pandemia”, diz ele em entrevista à EXAME. Veja abaixo os maiores aprendizados que devem se manter para além da pandemia do novo coronavírus nas instituições. Rever o planejamento – e o modelo de negócios para grande parte das empresas, todo o planejamento que havia sido feito para esse ano precisou ser descartado ou, ao menos, adaptado. Planos de abertura de lojas ou novas unidades e previsões de receita foram impactados duramente pela pandemia. Gama acredita que esse momento exige reflexões ainda mais profundas sobre o próprio negócio. “Esse momento é estratégico para entender melhor o negócio, se o modelo atual vai continuar fazendo sentido depois da pandemia. É hora de pensar em como o negócio pode se adaptar e quais as oportunidades que podem surgir”, diz. Segundo ele, o comportamento do consumidor está mudando, ele está mais aberto para consumir ou testar coisas diferentes, como novos produtos, novos canais de compras ou novas marcas, o que pode ser um bom momento para que as empresas se tornem mais conhecidas e engajem um público novo. Poder de adaptação mudar o modelo de negócios, criar novos canais ou rever os processos de trabalho podem ser decisões difíceis para algumas empresas. Assim, as organizações capazes de se adaptar rapidamente sofreram menos, diz o executivo. Essa capacidade não depende do tamanho da companhia, se é uma multinacional ou startup. “É bem mais difícil virar um transatlântico do que uma canoa – startups têm mais poder e velocidade de manobra. Já as empresas grandes têm mais estrutura para suportar o baque da queda de vendas.” Esse é um momento especialmente delicado para as startups com pouco caixa. A solução da startup pode ser boa e em crescimento, mas sem apoio, novos aportes e com queda nas vendas a dificuldade é maior. “Os fundos de venture capital têm noção disso. Vão aportar mais caixa nas soluções mais disruptivas e que fazem mais sentido para um mundo pós-pandemia. É óbvio que muitas empresas vão sucumbir, mas muitas irão ressurgir”, afirma. Transformação digital as empresas que já atuavam de forma mais digital se adaptaram melhor ao momento. Empresas que só trabalhavam com desktop precisaram sair com pressa e comprar notebook para os funcionários, por exemplo. Mais do que ser uma startup ou grande empresa, o importante é a mentalidade digital, diz o executivo. “A Amazon é uma empresa gigante, mas que já nasceu digital e vende num cenário como esse.” A Amazon mantém seu valor de mercado em níveis recordes, perto de 1,2 trilhão de dólares, alta de 30% desde o início do ano. Questionar processos com a transformação digital, algumas práticas nas empresas são questionadas. Um exemplo simples é a assinatura de contrato, por exemplo. Antes feita pessoalmente, a assinatura passou a ser feita digitalmente – e não deve voltar ao modo anterior. O home office chegou para ficar em diversas empresas – muitas, como o Twitter e Nubank, estenderam a prática para até o fim do ano e outras a adotaram de forma permanente, como a QuintoAndar. Gama, porém, diz que essa mudança precisa vir acompanhada de outras adaptações nos benefícios oferecidos aos colaboradores. “Vivemos num país com um desnível social muito grande, nem todo mundo tem cadeira e mesa adequados. Como a empresa vai ajudar o colaborador? Vai custear a internet, oferecer mais vale alimentação? É necessário entender as realidades de cada um”, diz. Viagens a trabalho também devem ser questionadas, já que representam um custo alto para as empresas. Se o objetivo é só realizar uma reunião, deve ser transferida para uma teleconferência, por exemplo. Inteligência emocional muitos estão usando o período de isolamento para o desenvolvimento pessoal, com cursos online. Mas, além de cursos sobre habilidades técnicas, a HSM percebeu aumento no interesse pelos cursos de habilidades pessoais, ou as chamadas “soft skills”. Entre os cursos mais buscados está o de liderança digital. Segundo Gama, o papel de líder no meio de uma turbulência como a atual pandemia do novo coronavírus é diferente do papel de momentos de crescimento. “Em momentos de turbulência, de pandemia e crise, o líder precisa acalmar. Em tempos de bonança, a liderança precisa criar um senso de urgência e realidade”, afirma. A empresa de cursos diz que vê muita procura por cursos sobre inteligência emocional, para ajudar a lidar com o momento, a necessidade de se adaptar e a ansiedade que vem com a crise. Colaboração “Se existe algo positivo nessa pandemia é que estamos vendo uma colaboração maior entre as companhias”, diz Gama. Parcerias em projetos, em doações em conjunto e até na divulgação de conhecimento, como em lives e seminários digitais, estão mais comuns. Na HSM, por exemplo, houve seminários para clientes, com o Sebrae para pequenas empresas e com hospitais como o Sírio Libanês e a Beneficência Portuguesa. Além de deixar uma marca de solidariedade, a colaboração também pode ser uma oportunidade de escalar um produto, aproveitando as forças das diversas marcas. “É um legado que precisamos insistir para manter.”

UOL NOTÍCIAS - ÚLTIMAS NOTÍCIAS/SÃO PAULO
Data Veiculação: 07/06/2020 às 04h00

A educadora física Marina Amaral, 25, só precisava retirar o dente do siso em dezembro do ano passado, quando uma complicação inesperada terminou em uma infecção generalizada que a colocou entre a vida e a morte. Quando ela finalmente deixou o hospital após 12 dias internada, a pandemia de covid-19 já era realidade, e Marina não conseguiu marcar todos os exames e consultas de que precisava para acompanhar a evolução da doença. Ela sobreviveu para contar sua história ao UOL, mas muitos podem não ter a mesma sorte. Os esforços para conter a pandemia do coronavírus acabaram afetando outras áreas médicas, como a cardíaca, hepática, digestiva e oncológica. As restrições para receber pacientes em hospitais, a transferência de leitos para o tratamento da covid-19 e o medo de pacientes de procurar ajuda médica derrubaram o número de consultas, exames e cirurgias. Isso deve resultar em aumento de óbitos e acúmulo de doentes que só receberão cuidados quando a pandemia acabar. Teremos uma avalanche de problemas de saúde relacionados ao agravamento de doenças que deveriam ter sido diagnosticadas, monitoradas e tratadas oportunamente. Poderemos enfrentar outra enxurrada de óbitos que poderiam ter sido evitados com diagnóstico precoce e manutenção dos atendimentos. Priscilla Franklim Martins, da Abramed (Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica) "50 mil diagnósticos de câncer a menos por mês" Um caso emblemático é o cancelamento de 70% das cirurgias de câncer no Brasil, entre 11 de março e 11 de maio, segundo levantamento da SBCO (Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica) — uma redução de 116 mil procedimentos nesse período. "Também são 50 mil diagnósticos de câncer a menos por mês desde o início da pandemia", afirma o patologista Clóvis Klock, presidente do Conselho Consultivo da SBP (Sociedade Brasileira de Patologia). Enquanto isso, os laboratórios de diagnóstico registraram uma queda de 70% nos atendimentos, desde que o coronavírus chegou ao Brasil, segundo a Abramed. "Os diagnósticos com hora marcada caíram vertiginosamente, enquanto laboratórios e clínicas de exames por imagem tiveram redução expressiva", diz a diretora-executiva da entidade, Priscilla Franklim Martins. "A pandemia estremeceu o sistema de saúde e fez os cidadãos se preocuparem apenas em evitar a infecção pelo novo coronavírus." Principal causa de óbitos no Brasil (média de 390 mil por ano), as doenças cardíacas tiveram suas cirurgias canceladas em 70% na primeira semana de abril, segundo a SBCI (Sociedade Brasileira de Cardiologia Intervencionista). As angioplastias primárias — procedimento que reduz de 50% para 5% a mortalidade por infarto — caíram na mesma proporção em São Paulo, segundo a Sociedade Paulista de Cardiologia. "Além de causar mortes, poderemos ter aumento futuro das taxas de insuficiência cardíaca", alerta Silvio Henrique Barberato, diretor da SBC (Sociedade Brasileira de Cardiologia). Em relação a doenças renais, que provocam 35 mil mortes por ano, as cirurgias caíram 70% e os exames encolheram entre 50% e 80%, dependendo da região do país, informa a SBN (Sociedade Brasileira de Nefrologia). "Os procedimentos agendados foram remarcados e só os urgentes são realizados, como a diálise", diz a diretora da SBN, Carmen Tzanno, que estima em 20% a mortalidade dos pacientes com problemas renais crônicos. Muitos serviços cancelaram transplantes por redução de doadores, medo dos receptores, segurança epidemiológica e sanitária. Esse fenômeno é mundial. No Brasil, a redução foi de cerca de 34% nos transplantes de órgãos Carmen Tzanno, efrologista da SBN No hospital Sírio Libanês houve um "represamento dos serviços de endoscopia", exame fundamental para o diagnóstico de doenças digestivas, que deixam cerca de 70 mil mortos todos os anos no Brasil. "Se realizávamos 180 exames por dia antes do novo coronavírus, hoje conseguimos um décimo disso (18)", afirma o médico do hospital e da Sobed (Sociedade Brasileira De Endoscopia Digestiva), Marcelo Averbach. No Hospital das Clínicas (HC) de São Paulo, as cirurgias de emergência foram mantidas, mas "todas as eletivas [agendadas] foram canceladas", diz ao UOL a pneumologista do HC Juliana Carvalho Ferreira, da SBPT (Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia). Ela explica que o objetivo dos cancelamentos foi "proteger pacientes, familiares e profissionais de saúde do risco de contágio e também para manter vagas de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) para a covid-19". Teleconsultas serão comuns Para depois da pandemia, Tzanno, da SBN, espera "uma retomada gradual de consultas, exames e procedimentos". "Manteremos atendimento à distância de forma mais intensa do que antes. Creio que as teleconsultas vieram pra ficar." É o que ajudou o servidor público Bruno Montenegro, 33, com diabetes tipo 1. Parte do grupo de risco para a covid-19, ele mesmo cancelou uma consulta em 23 de março, poucos dias depois do isolamento decretado em Brasília, onde mora. "Mas durante esses 77 dias que não saí de casa, tive uma inflamação nas costas e procurei ajuda médica", conta. "Perguntei via WhatsApp se deveria procurar a emergência de um hospital, mas minha médica desaconselhou por ser uma área de risco", conta. "Ela propôs um teleatendimento. No primeiro dia, pediu imagens e vídeos da inflamação. Então ela conversou comigo, diagnosticou e prescreveu. Depois pedi a um Uber que buscasse a receita no prédio dela. Ela continua me acompanhando por imagens que envio pelo celular." Presidente do departamento de diabetes da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia), Hermelinda Pedrosa é coautora de um estudo global prestes a ser publicado na IDF (Internacional Diabetes Federation). A pesquisa indica que 38,4% das pessoas com diabetes tiveram consulta adiada durante a pandemia. Pedrosa lamenta o cancelamento no Brasil "de todos os atendimento em grupo" — muito comum entre esses pacientes — "porque uma reunião com mais de cinco pessoas já é considerada aglomeração". SUS precisará de mais dinheiro em 2021 O CNS (Conselho Nacional de Saúde) acredita que o SUS (Sistema Único de Saúde) não terá dinheiro suficiente em 2021 para tratar os casos que se acumularam em razão da pandemia. Para se ter uma ideia, dos R$ 34,5 bilhões que a União destinou ao Ministério da Saúde para impedir o avanço da covid-19, R$ 5 bilhões foram retirados da atenção básica e assistência hospitalar. Coordenador da Comissão de Orçamento e Finanças do CNS, André Luiz Oliveira defende que esse valor de R$ 34,5 bilhões, incorporado ao ministério para o combate ao coronavírus, seja adicionado ao orçamento da saúde no ano que vem. Quando encerrar a pandemia, virá essa demanda reprimida. As enfermidades crônicas e demandas eletivas vão chegar fortemente. Por isso a gente precisa incorporar esses créditos no ano que vem André Luiz Oliveira, da Comissão de Orçamento e Finanças do CNS Para Juliana, do Hospital das Clínicas, só o dinheiro não resolverá o problema da fila. "Será preciso mapear quantas consultas e cirurgias foram adiadas, como estão as filas. Envolverá parcerias entre secretarias de saúde, Ministério da Saúde e hospitais para atender essas pessoas depois."

O GLOBO/RIO DE JANEIRO | Niterói
Data Veiculação: 07/06/2020 às 03h00

Rodrigo Neves deu uma pausa na agenda de combate ao coronavírus e foi procurar, semana passada, o seu cabeleireiro de confiança, Paulo César Ferreira, o Paulinho, no Squasso. Ao chegar, Rodrigo foi aplaudido por funcionários e clientes pelo trabalho contra a pandemia. Feriadão contra o vírus A prefeitura vai criar um megaferiado em Niterói. A ideia é antecipar os feriados do segundo semestre, como o aniversário da cidade, unindo com o Corpus Christi, de quinta agora até o dia 18. Quer achatar a curva dos casos de Covid-19 na cidade para dar um passo adiante no plano de transição gradual para o que estão chamando de “novo normal”, seguindo os protocolos sanitários. Segue... Caso tudo ocorra como o esperado, a prefeitura planeja reabrir alguns parques, como o Horto do Fonseca e o Campo de São Bento, além de lojas de móveis, roupas, decoração, design e informática. E ainda autorizar drive-thru nos shoppings. Verde e rosa Do lado de cá da Baía, também é forte o apoio ao mangueirense Nelson Sargento, que vive uma situação financeira complicada. André Diniz, presidente da FAN, disponibilizou o acesso on-line ao seu livro “A mais alta patente do samba” para quem quiser ajudar o baluarte pelo site vaquinha.com. DIVULGAÇÃO/JOSEMIAS MOREIRA FILHO Jef Rodriguez. 0 músico baiano, formado em Arte pela UFF, no Morro do Palácio, onde atua em oficinas do Marquinho Antirracismo em rima e poesia Covid-19 Dos três PMs do Niterói Presente que fiscalizavam a rua perto do Mundial, em Santa Rosa, quinta passada, um estava sem máscara e o outro com a máscara no pescoço. Apenas um cumpria a lei. Fique em casa! Saúde e economia De volta à Câmara de Niterói, Paulo Bagueira vai criar um Fórum de Desenvolvimento Econômico reunindo empresários, trabalhadores e poder público para discutir formas de garantir o reaquecimento da economia: “A prioridade é salvar vidas”. Estarão juntos prefeitura, Firjan, CDL, Ademi e sindicatos. Morador do Morro do Palácio, Jef Rodriguez milita no campo da cultura negra desde que mergulhou na música de origem afro. Aos 41 anos, além de diplomado em Filosofia e formado em Arte Contemporânea pela UFF, Jef é MC e vocalista do O quadro (junto mesmo), grupo de rap da Bahia com dois álbuns e que já entrou em novela (“Tá amarrado”, da trilha de “Segundo sol”, da TV Globo). Baiano de Ilhéus, ele ainda trabalha com arte e educação na Plataforma Urbana Digital do Marquinho e em oficinas de discotecagem, rima e poesia. Com essa bagagem, Jef analisa que a onda de protestos antirracistas iniciada nos EUA está chegando ao Brasil e à cidade. —Espero que a onda faça as pessoas refletirem sobre essa violência que existe desde sempre, mas que também dê visibilidade aos movimentos e às organizações que já acontecem aqui —diz ele, citando, entre outras, as mobilizações de mulheres pretas pelo país e os RHs antirracistas, vistos dentro de empresas. — Tenho esperança de efeitos para além do momento em que a causa se torna pop. Para Jef, o pior racismo é aquele não dito. —E quando as pessoas se surpreendem por alguém do interior da Bahia ser graduado em Filosofia e Arte, ter três turnês internacionais e dois álbuns. Ainda mais por morar numa favela, não se espera que eu tenha esse currículo. A gente percebe nas entrelinhas dos gestos — afirma o músico, há cinco anos em Niterói. Em tempo: racismo é crime! Proteção no Plaza Ainda sem data para reabrir, o Plaza Shopping terá nas entradas túneis de desinfecção com água ozonizada, tapete higienizador, totem informativo com álcool em gel acionado por pedal e câmeras com sensor infravermelho para aferição de temperatura corporal. Todo o protocolo de sanitização e conduta foi validado, segundo o shopping, por especialistas do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Páginas fake JLé. - & Um espertalhão criou vários perfis falsos com a foto do cirurgião plástico André Mattos, que também atua em Dubai. O médico já denunciou o golpe, mas alerta os pacientes para tomarem cuidado: “O Instagram tira a página do ar, mas esses picaretas criam novas. Acho que usam até em site de relacionamento para dar golpe nas pessoas”. FICA A DICA ANTIRRACISMO, FEMINISMO E MODA A feira on-line Retoke, hoje, com pequenos empreendedores, tem de cadernos artesanais com mensagem antirracista da Preteliê a camisas feministas da Bravas, que dedica 10% de suas vendas para ajudar mulheres em situação de rua. REPRODUÇÃO DA INTERNET

FOLHA DE S.PAULO/SÃO PAULO | GERAL
Data Veiculação: 07/06/2020 às 03h00

Na vanguarda da luta contra o câncer Tendências na oncologia, estudo de alterações moleculares e imunoterapia foram destaque na ASCO, que contou com médicos do Sírio-Libanês O congresso anual da Sociedade Americana de Oncologia (clínica, a AS( X), que reuniu mais de 40 mil especialistas do inundo inteiro. anulou que os diagnósticos moleculares e a imunoterapia estão) não vai aguardar da batalha contra o câncer. Com a pandemia Covid-19.0 maior evento de oncologia clínica do mundo, ocorrido de 29 a 31 de maio, deixou de ser presencial e foi realizado integralmente em formato digital. "Do ponto de vista de estudos, estamos deixando para trás a era dos diagnósticos histológicos. baseados 11 a aparência do tumor, e privilegiando cada vez mais os diagnósticos1, em que é possível 1 analisar as pequenas alterações da célula humoral e. assim, conhecer as nuances individuais de cada caso". diz Artur Katz. diretor do Centro de Oncologia do I Hospital Sírio Libanês, em São Paulo. A evolução das alterações moleculares também é acomixmliada ao longo do tratamento. “Temos, no Hospital Sírio-Libanês. as ferramentas e testes para analisar essas alterações moleculares e personalizar 0 tratamento para cada indivíduo. A tendência cada vez mais é que os tumores venham a ser testados para essas alterações", diz Katz. Pesquisas apresentadas 11a AS (IO mostraram que as doenças que estavam mais avançadas em relação ao conhecimento molecularfo- participaram do estudo. “Tivemos oportunidade de incluir pacientes do Sírio-Libanês, e isso foi muito importante. A gente sabe que com a quimioterapia, embora o efeito inicial seja bom. o paciente pode voltara ter a doença com uma situação de resistência esse deve ser o formato de tratamento daqui para a frente, uma vez que o controle da doença se mostrou mais eficaz". diz Diogo Bastos, oncologista do Centro de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês. Estudos promissores da área de câncer de pulmão com a finalidade de aumentar a sobrevida dos pacientes e a qualidade devida foram apresentados 110 congresso da ASCO. Um dos destaques foi o trabalho que demonstra a redução de 83% 11a chance de recidiva do câncer de pulmão com o uso de terapia adjuvante com osimertinibe. O câncer de pulmão é o tipo que mais mata (cerca de 1,8 milhão de pessoas por ano no inundo). Isso equivale a perder toda a população da cidade de Recife todos os anos. “A maior causa desse lipoide tumor ainda é oigar. Parar de fuma ré a melhor forma de prevenir", diz (Alberto de Castro Junior, oncologista do Centro de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês. O tumor mais comum é o carcinoma de pulmão em células quão-pequenas. “Qual o diagnosticado no estágio inicial, pode ser curado por cirurgia", diz Castro. Essa situação representa entre 10% e 20% dos casos no mundo. O problema é que. entre 50% e 70% dos casos. 0 tumor volta a crescer em cinco anos. O desafio é evitar essa recidiva. que vem sendo combalida com quimioterapia utilizada durante três meses. Porém, esse procedimento tem sucesso em apenas 5% dos casos. Até 2<>% dos pacientes operados em estágio inicial da doença apresentam uma mutação no gene EGFR após a retirada completa do tumores as sessões de quimioterapia, quando indicadas. Foi nesse grupo raiz que obtiveram maior avaliação nos tratamentos, com novas drogas. Um dos estudos apresentados na ASCO comprova a importância do conhecimento das alterações moleculares e promete mudar o tratamento contra o câncer de cólon e reto para pacientes que apresentam uma determinada alteração genética. O estudo mostrou que, para esse grupo, a imunoterapia é mais eficaz e menos tóxica que a quimioterapia. “O resultado foi o que sempre buscamos: um tratamento muito mais eficaz e muito menos tóxico, e que mudará a prática clínica de todo oncologista". Diz Allan Pereira. oncologista clínico do Hospital Sírio-Libanês e chefe da oncologia do Instituto Hospital de Base de Brasília. A imunoterapia duplicou o tempo que a doença levou para se agravai-. “O estudo continua e. no futuro, responderá também se os pacientes viverão mais e com maior qualidade de vida. Porém, a análise dessa etapa, feita em fevereiro de 2020. já obriga o médico a testar primeiro se o tumor tem essa alteração genética para só depois indicar o tratamento", afirma. Tradicionalmente, o corpo clínico do Hospital Sírio-Libanês marca presença no congresso anual da AS( X) para acabar as novidades e apresentar IrabaDios. Um deles foi conduzido integralmente 110 Brasil a partir da colaboração de diversas instituições. Avaliou o uso do medicamento imunocanpico em pacientes com carcinoma epidermoide. um dos tipos de câncer de pele de maior ocorrência. O medicamento age na reativação do sistema imune contra o tumor. “Mais da metade dos pacientes apresentaram respostas muito expressivas. E111 alguns deles, o tumor desapareceu. Os resultados foram fantásticos", diz Rodrigo Munhoz, oncologista clínico do Centro de oncologia do Sírio-Libanês e pesquisador líder do estudo. O trabalho reforça que, em alguns casos, a imunoterapia pode substituir a quimioterapia e é mais eficaz no tratamento desse tipo de câncer. “(lomo éumliunorque acomete pacientes em idade maisavançada, usar algo que não seja tão tóxico é importante", afirma Munhoz. A imunoterapia também mostrou grande eficácia ao ser usada imediatamente após o término do tratamento quimiocrápico em IKicienlescom carcinoma urotelial.lipo de câncer de bexiga. O objetivo do uso da imunoterapia nessa estratégia de tratamento é tentar manter a boa resposta do paciente a quimioterapia. E um tipo de manutenção do tratamento. Vários centros de pesquisa no mundo Medicamento reduzem recidiva de câncer de pulmão de pacientes que o estudo ADAURA foi realizado. Em um total de 683 pacientes, metade recebeu placebo. e a outra metade recebeu a terapia adjuvante com osimertinibe. Os dois grupos foram acompanhados durante três anos. “Em dois anos foi observado que o osimertinibe diminuiu a chance de recidiva do tumor em 83%". diz Castro. Nesse período, 90% dos pacientes que receberam a medicação estavam vivos e sem a doença, ante 44% daqueles que receberam placebo.O esludo continuar e vai responder no futuro se quem está tomando esse medicamento viverá mais limpo e com melhor qualidade de vida do que o grupo que recebeu o placebo. “O que se sabe até agora é que a medicação diminui as chances de a doença voltar", diz Castro. Estudo mostra alternativa para tratar câncer de próstata um estudo que teve destaque no encontro anual da ASCO aborda uma terapia nova para pacientes com câncer de próstata. Ela utiliza um radiofônico ligado ao PSMA, chamado de Lutécio-PSMA. um tipo de radioterapia líquida. “Foi feito um estudo comparando esse tratamento â quimioterapia em pacientes com câncerde próstata que têm metástase e nos quais a doença ficou resistente aos tratamentos convencionais. O estudo mostrou que a terapia nova foi melhor do que a quimioterapia", diz Diogo Bastos, oncologista do Centro de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês. Apesar de não estar amplamente disponível em várias partes do mundo, esse tratamento está presente em alguns centros 110 Brasil, dentre eles. 0 Hospital Sírio-Libanês. EstúdioFOLHA i projetos patrocinados Ateliê de produção de conteúdo para estratégia de marcas e mercado publicitário em todas as plataformas.

FOLHA DE S.PAULO/SÃO PAULO | COTIDIANO
Data Veiculação: 07/06/2020 às 03h00

Ilustríssima B12 A quarentena, em 19 relatos, de Fernanda Montenegro a Tom Zé Vidas em quarentena [resumo] em 19 breves relatos, brasileiros de diversas idades e regiões contam suas rotinas em tempos de confinamento. De Fernanda Montenegro à líder indígena Sonia Guajajara, passando por cineastas, escritores, músicos, fotógrafos, ativistas, educadores e médicos, todos buscam na criação e no estudo maneiras de não sucumbira o cenário desolador da pandemia Por Cláudio Leal Jornalista e mestre em teoria e história do cinema peta USP Ilustração ManuelaEichner Artista plástica O Isolamento social imposto pela pandemia do coronavírus mudou a vida de bilhões de pessoas em todo o mundo. Embora não faltem motivos para desalento, há quem tenha encontrado na crise ânimo para se dedicar a novos e velhos projetos e retomar o estudo entre quatro paredes. Ainda que o medo atrapalhe a concentração e também seja lícito não fazer ada, muitos cidadãos se sentem impelidos a dar rotina fértil ao confinamento. Há bons e variados exemplos nos relatos a seguir. Na serra fluminense, Fernanda Montenegro reserva os dias para caminhadas e as noites para Machado de Assis. Em Porto Alegre, o escritor Luis Fernando Veríssimo tenta, mais uma vez, organizar seus livros e discos, missão interrompida por alguns dias após um tombo em casa. O compositor Jorge Mautner cria sem tréguas no Rio, assim como Capinan em Salvador. A atriz Helena Ignez pratica tai chi chuan em São Paulo, mesma cidade em que a ativista Preta Ferreira saiu de uma prisão domiciliar para entrar no confinamento decorrente da pandemia. Em Brasília, o editor Charles Cosac trabalha sozinho em um museu. Por videoconferências, Sonia Guajajara tenta, de Imperatriz (MA), monitorar a evolução do vírus em aldeias indígenas. O artista visual Jaider Esbell transformou seu ateliê em roça de milho em Boa Vista (RR), enquanto a cantora Angela Ro Ro tenta concluir, enfim, um livro em Saquarema (RJ). Em conjunto, estes breves relatos sobre 19 brasileiros, famosos e anônimos, de variadas idades e regiões, compõem um mosaico das tentativas de viver e seguir em frente em meio ao turbilhão sanitário, econômico e político que castiga o país. * FERNANDA MONTENEGRO Atriz, 90, região serrana (RJ) Na serra do Rio, Fernanda prefere os caminhos ensolarados. “Ando uma hora ao sol pela manhã e mais uma hora pela tarde. Ando mesmo. Passos largos, passos fortes para ganhar essa quarentena. No sol eu busco a força”, diz a atriz, que se isolou num sítio com a filha, Fernanda Torres. “Durante o dia ajudo a Nanda nos afazeres da casa. À noite, leio muito.” Pelo celular com sinal precário, ela envia a lista de seus companheiros noturnos: “Epopéia de Gilgamesh”, de Sin-léqi-unnínni; “Ferreiros e Alquimistas”, de Mircea Eliade; “Dioníso a Céu Aberto”, de Marcei Detienne; a obra completa de Cecília Meireles; e “Contos Consagrados”, de Machado de Assis. JULIO BRESSANE Cineasta, 74, Rio de Janeiro (RJ) A sombra mefistofélica sobre uma cidade, no filme “Fausto” (1926), de FW. Mumau, voltou à memória de Julio Bressane. “Ando muito assustado e muito acossado por esse pavor”, diz ele, referindo-se à “sombra que nos cobre”, como a peste, da política à pandemia. Nos dias silenciosos do Leblon, o cineasta elabora as ideias de seu próximo filme, “O Leme do Destino”, no qual representará “os diversos desvios, os diversos deslizes nos caminhos do mundo a que o destino te leva”. Antes de tudo, Bressane desenvolve a iconografia. “Vou trabalhando por pedaços, por fragmentos. Os fragmentos vão se juntando e se relacionando, transfigurados nesses pequenos detalhes. São os detalhes que acabam transtornando tudo.” O poema “Bolsograma”, do concretista Augusto de Campos, crítico ao presidente Jair Bolsonaro, o emocionou no final de março. “Achei aquilo uma espécie de Mallarmé do século 21. Um apelo extraordinário de vida.” LUIS FERNANDO VERÍSSIMO Escritor, 83, Porto Alegre (RS) Viajantes frequentes, Lúcia e Luis Fernando Veríssimo ancoraram por tempo indefinido em Porto Alegre. “Como eu normalmente trabalho em casa, minha rotina não mudou muito. A quarentena nos obrigou, isto sim, a sacrificar prazeres, como o cineminha e depois um restaurante, ou o de receber amigos em casa. Além do simples prazer de ir e vir sem o medo de estar respirando ar envenenado”, conta Veríssimo. De seu lado, Lúcia assiste às lives de Mônica Salmaso e revê antigas aulas espetáculo do escritor Ariano Suassuna. Pedro, filho do casal, organiza o cardápio de filmes e séries televisivas a ser degustado, como a clássica comédia “Seinfeld”. Além de escrever crônicas, Veríssimo insiste numa velha missão: “Estou tentando organizar meus livros e meus discos, um projeto que, tenho certeza, continuará quando o corona for de novo apenas uma cerveja mexicana, e a pandemia apenas uma má memória”. Poucos dias depois da entrevista, Veríssimo levou um tombo em casa, o que o forçou a quebrar o isolamento. Com o rosto machucado, ficou cinco dias em observação num hospital. Por decreto de Lúcia, está proibido novo passeio hospitalar. SONIA GUAJAJARA Líder indígena, 46, Imperatriz (MA) Os planos de fazer colagens e vestidos não passaram do primeiro dia da quarentena. Em Imperatriz (MA), Sonia Guajajara guardou os metros de tecido e costurou videoconferências para monitorar a evolução da pandemia em aldeias indígenas. “Essas reuniões de mobilização e de informativos ocupam todo o meu tempo”, diz Guajajara, candidata a vice-presidente na chapa encabeçada por Guilherme Boulos nas eleições de 2018. “Estou dentro de casa, até porque sou de um duplo grupo de risco: indígena e asmática.” Ela sabe de cor as estatísticas do contágio do coronavírus entre povos indígenas de vários estados. “No Maranhão estava indo muito bem, com o povo assustado e se mantendo isolado nas aldeias. Até chegar o auxílio emergencial... Aí o povo começou a sair.” As ligações com o governo federal não se completam. “O Estado está totalmente omisso.” JÉSSICA SENRA Artista visual, 24, Rio de Janeiro (RJ) Em Santa Cruz, na zona oeste do Rio, Jéssica Senra recria a quarentena como uma imprevista performance de estudo e sobrevivência. “Moro onde se localiza grande parte da população mais pobre do Rio, parte da mão de obra que faz a cidade caminhar num sentido econômico”, diz. “O fluxo de vida e trabalho prossegue para muita gente sem escolha de poder ou não parar nesta pandemia, incluindo minha mãe.” Seus projetos de cinema e fotografia caíram sem deixar rastro do ano promissor. “Vi todos os meus trabalhos sendo cancelados ou adiados por tempo indeterminado e eu sem dinheiro.” Nos momentos solitários, ela reconhece ganhos pessoais com o tempo largo em seu pequeno espaço. “A criação vem sendo constante. Minha vida se torna uma grande performance.” JARDS MACALÉ Compositor, 77, Itatiaia (RJ) Um dia na vida confinada de Jards Maealé. De manhã, ele caminha numa estrada de terra batida de Penedo, em Itatiaia (RJ), e se envolve com os deveres do lar. “Sou um lava-loucista formidáveL Sempre quis ser garçom. Resolvi preparar o café da manhã como aparato de uma boa pousada.” Mais tarde, elevai ao computador e namora o violão. “A partir daí, boto o vídeo de João Gilberto e fico tocando com ele. Me passaram o show do Japão [João Gilberto Live in Tokyo november 8 & 9,2006 Tokyo International Forum Hall A]. A maioria das cenas é close na mão e no rosto. Peguei todas as harmonias.” Na quarentena, ele já compôs três músicas e se tornou craque na limpeza de velhos LPs. “Estou lavando os meus vinis todinhos, que são em torno de 500, com o auxílio de minha mulher, Rejane Zilles.” Maealé entoa: “Lavar disco todo dia, que agonia”. “Enfim, eu não faço porra nenhuma”, conclui o artista, que pode derivar, de súbito, para jogos de pingue-pongue, sem tirar o país da cabeça: “Se vacilar, vai ter guerra civil”. HELENA IGNEZ Atriz e cineasta, 80, São Paulo (SP) e Serrinha do Alambari (RJ) Helena Ignez dança para si mesma em seu apartamento no centro de São Paulo. “Fico sozinha e gosto. Eu já disse que sou uma boa companhia. Fui descobrir isso depois da perda de Rogério [Sganzerla, com quem foi casada]” afirma a atriz. “Sou sempre experimental. Há 40 anos pratico o tai chi, essa filosofia corporal. Eu ouço blues e faço uma dança totalmente terapêutica, muito boa pro corpo, pra respiração.” A convite do IMS (Instituto Moreira Salles), ela encenou a sua quarentena no curta “Fogo Baixo, Alto Astral”, sem escapar a indignadas batidas de panela na varanda. Os livros do filósofo sul-coreano Byung-Chul Han são seus companheiros em São Paulo e numa comunidade ecológica da Serrinha do Alambari. “Leio em conta-gotas. Ele tem uma mente fresca, um sentido zen-budista, uma sabedoria estranha. Traz humor e alegria.” A postura de Bolsonaro motiva a sua repulsa, mas ela evita o desespero. “Temos que lembrar muito de Oswald de Andrade: a alegria é a prova dos nove.” IAN VIANA Poeta e sociólogo, 24, Brasília (DF) Editor do jornal “Jararaca”, Ian Viana continua a aglutinar, virtualmente, artistas e escritores de Brasília. Seu humor oscila durante o eonfi na mento bem-cevado de poesias de Oswald de Andrade e Roberto Piva. “Criei uma disciplina alimentar e física para tentar combater o tédio e a tristeza. E ando me debruçando sobre a obra de Luiz Antonio Simas e Luiz Rufino” conta o brasiliense, autor do livro de poemas “Eu Era Aquela Cobra Coral no Quintal da Sua Infância” (Patuá). As leituras ocupam as prolongadas horas de solidão. Vinculado à umbanda, o sociólogo vem estudando a epistemologia da macumba e os encantamentos da vida cotidiana. “Sou provocado a escrever sobre a relação entre esse encantamento em risco e a obra de Pasolini, especialmente nos ‘Escritos Corsários’. Mas, toda vez que leio o italiano, uma angústia me acomete. Foi assim que cheguei ao cinema de Werner Herzog: é minha nova paixão.” ZYUNMASUDA Médico, 64, São Paulo (SP) Longe do Hospital Sírio-Libanês, por integrar o grupo de risco da Covid-19, o médico clínico Zyun Masuda viu-se pela primeira vez socorrido pelos pacientes. "Todos eles, sem exceção, me proibiram de pisar no hospital. E o staff da enfermagem, da fisioterapia me proibiu também de pisar lá. Nunca me senti tão próximo na distância.” “Tenho o grande alento de que vamos ter uma geração de médicos mais humanos e solidários. Eles estão arriscando as suas próprias vidas, as de suas famílias”, avalia o médico. Nas horas livres, Masuda voltou a ser um estudante de medicina, dedicando-se à bioquímica e à biologia molecular. “Daqui a pouco vamos comemorar o centenário da descoberta da insulina. Muita coisa se desvendou nessas últimas quatro décadas sobre os mecanismos de síntese e secreção.” JORGE MAUTNER Escritor e compositor, 79, Rio de Janeiro (RJ) As lições de Wong, seu mestre chinês de tai chi chuan no final dos anos 1950, são aplicadas por Jorge Mautner na quarentena. “Os movimentos são lentos, quanto mais lentos, melhor. A lentidão é essencial. As bases me dão muita saúde. Você vai pen- MAUREEN BISILLIAT Fotógrafa, 89, São Paulo (SP) Uma pane elétrica atingiu a casa de Maureen Bisilliat em plena quarentena. Eficientes no socorro, os técnicos comoveram a fotógrafa pela finura do trabalho de estabilização da energia. “É importante rever e perceber as excelências que tem este país”, defende Bisilliat, que lançou o documentário “Equivalências: Aprender Vivendo” no início deste ano. Com a luz firme, ela decidiu remexer um filme dos anos 1980. “Sabe que de repente fiquei encantada pela possibilidade desse ‘O Turista Aprendiz Revisitado’? Foi feito pra uma sala especial da Bienal de São Paulo, em 1985. Tivemos a oportunidade de viajar por cinco semanas de Belém a Manaus, de Manaus a Porto Velho.” O filme refez roteiros do modernista Mário de Andrade no Norte do Brasil. “Finalizá-lo vai ser bom pro filme e pra mim, porque me dá uma continuidade neste momento em que estamos confinados. Você acorda e dorme com uma atividade. A continuidade é a base da sobrevivência. Se você não se atrelar a algo, pode ficar sem rumo.” JAIDER ESBELL Artista visual e educador; 41, Boa Vista (RR) Uma roça de milho e macaxeira se esparramou no terreno do ateliê do artista visual Jaider Esbell, da etnia maeuxi, em Boa Vista (RR). “Depois que o mundo mudou, estou fazendo uma roça no lugar em que ia construir uma vitrine pra galeria. Cultivo as roças como elementos artísticos, com essa possibilidade de faltar ali mentos” explica Esbell, convidado da 34a Bienal de São Paulo. Pinturas, esculturas e instalações convivem com as suas intervenções de educador e performer. Em abril, Esbell concluiu o curta “Contra Pandemia”, no qual se equilibra no muro do ateliê e usa a vestimenta de palha da entidade Parixara, combinando flauta, maracá e amuleto de xamã. Esbell revela familiaridade com o medo nascido da pandemia: “Enquanto indígena a gente já vem num processo histórico de fim de mundo” sando, pensando.” Pensando, pensando, Mautner envia um novo poema a cada semana para Joào Paulo Reys, editor de sua série poética no Instagram. “Somos todos condenados / a viver nesta dor do mundo / segundo a segundo / e por toda a eternidade / atormentados / e tudo isso é igual ao nada. / O poeta Hõlderlin disse: / ‘somente aqui, / mergulhado na mais profunda tristeza, / é que eu consigo cantar a alegria’”, diz um dos poemas. “Como sempre, estou escrevendo e compondo músicas, que é a maior distração. É uma vastidão. Eu fico tocando violino, vejo o noticiário. Tudo inspira”, garante o artista. “Espero sempre que vá acontecer a mudança de tudo. Essa pandemia veio até para acelerar isso. Nâo tem outro jeito. Náo há como atrasar” TOM ZÉ Músico, 83, São Paulo (SP) A quarentena de Tom Zé assumiu o portunhol selvagem como língua oficial. Reivindicada por um movimento literário da tríplice fronteira (Argentina, Brasil e Paraguai), sobretudo pelo poeta Douglas Diegues, a língua muy bonita envolve português, espanhol, guarani e, sem restrições, palavras de todos os idiomas do mundo. O tropicalista virou um falante por razões profissionais. “Estou trabalhando febrilmente com as músicas da peça ‘Língua Brasileira’, de Felipe Hirseh”, afirma Tom Zé, caçador de boas rimas em portunhol. Hirseh se inspirou em sua canção “Língua Brasileira” e incorporou outras obras do artista baiano. As inéditas nascem aos poucos no e confinamento. Nos primeiros dias, a concentração do músico abafou o noticiário. “Já estava numa quarentena sem saber. Sou uma criatura muito disciplinada, muito caseira. E eles todos se queixando que eu sou lento, mas não tem jeito. Toda a vida tem sido assim.” ANGELA RO RO Cantora e compositora, 70, Saquarema (RJ) “Jardim grande, árvores, passarinhos e piscina velha, porém decente, que nem eu. Hoje está chovendo, mas quase sempre está com sol.” São notícias de Angela Ro Ro, confinada num sítio em Saquarema (RJ), pedaço de terra herdado de seus pais. “Eu gosto de solidão, de ficar em casa. Já saí muito quando era nova. Fui muito arroz de festa. Continuo saindo, mas, com essa pandemia, nâo estou me sentindo perdida”, assegura a cantora. Ro Ro chegou ao sítio pouco antes do Carnaval, e desde então nenhuma angústia criou rugas: “Eu adoro viver. Viver é um hobby”. No confinamento, ela procura cumprir antigas promessas. “Faz alguns anos que eu falo que vou fazer um livro, e a preguiça me toma. Mas tenho uma compilaçãozinha, uns rascunhos bem bagunçados no estilo Glauber Rocha, papeizinhos pela casa inteira.” Nesses meses, a cantora retira de uma poupança magra o pagamento integral de três funcionários. Com shows suspensos, graceja: “Daqui a pouco eu vou pedir dinheiro emprestado a eles”. Passada a temporada de sol e pandemia, ela espera uma chuva de convites, pois depende de dois espetáculos mensais para bancar as suas despesas. “Eu vivo o amanhã com o show que fiz ontem”, resume. PRETA FERREIRA Cantora e ativista, 36, São Paulo (SP) O confinamento de Preta Ferreira começou em 24 de junho de 2019, dia em que foi presa junto com irmào, Sidney Ferreira, na sequência de uma denúncia do Ministério Público de São Paulo contra militantes por moradia. Artistas e ativistas—entre outros, a americana Angela Davis— se manifestaram contra a prisào, por entendê-la como perseguição política ao Movimento Sem-Teto do Centro (MSTC). Depois de 108 dias, o Tribunal de Justiça determinou a soltura de Preta. Fim da primeira quarentena. “Quando saí, fiquei em prisão domiciliar [outubro a dezembro de 2019]. Eu não podia sair de casa e me readaptei. Quando veio a liminar para poder sair, eu tive que ficar em casa, por causa da pandemia. Não entrei ainda em liberdade”, conta. Confinada, ela compõe músicas, tenta fazer exercícios (“pulo corda, pegou os produtos de limpeza e faço de peso”) e se engaja em discussões sobre os absurdos do sistema carcerário, calejada pela experiência na penitenciária feminina de Santana. “O Judiciário ainda é um senhor feudal. As cadeias estão sendo construídas para pessoas negras.” CHARLES COSAC Editor e curador, 56, Brasília (DF) Charles Cosac manipula pequenas fotografias do acervo do Museu Nacional da República e se surpreende com descobertas na reserva técnica, como a presença do mobiliário do ateliê brasiliense do pintor Rubem Valentim. “Estou trabalhando sozinho no museu. Só tem o pessoal da segurança e da limpeza. Não tem perigo nenhum”, conta o diretor e curador da instituição. “Se não fosse a pandemia, eu nunca teria tempo. Agora me sinto mais autorizado a falar sobre o acervo do museu. Quando acabar a catalogação, vou estar com ele todo na cabeça”, acredita o fundador da editora Cosac Naify, fechada em 2015. Cosac diz ter assumido “a postura de funcionário público dedicado". Chega às 91130, depois almoça no Hotel Nacional, onde reside, e retorna outra vez para a jornada vespertina. Despede-se da tarefa de catalogador solitário nunca das 191130. Na TV do Hotel Nacional, evita notícias da pandemia. “Tudo o que eu passo a saber me deixa desgostoso. Claro que eu não pude escapar. Não dá pra não saber. Ainda li num artigo que a Covid não pega em fumante. Eu fumo três maços de cigarro por dia”, respira, aliviado. A OMS, no entanto, diz que não há dados científicos que confirmem que o consumo de cigarros previna a Covid-19 e alerta que fumantes podem ser mais vulneráveis ao corona vírus. JOAQUIM MELO Livreiro, 61, Manaus (AM) O Teatro Amazonas foi o primeiro a fechar. Depois, as lojas e os bares. Em 20 de março, Manaus se recolhia na vizinhança da Banca do Largo, uma referência em literatura da Amazônia. Enquanto observava o largo São Sebastião virar um deserto, Joaquim Melo atendia um biólogo alemão, seu último cliente, para quem vendeu R$ looo em livros sobre árvores amazônicas. Na dieta de leitor confinado, Melo se enveredou por “A Queda do Céu”, de Davi Kopenawa e Bruce Albert, e “O Amanhã Não Está à Venda”, de Ailton Krenak. “Essa literatura indígena ganhou importância. O que está acontecendo com a Terra é um colapso de modos de usar abusivos.” A obra do romancista Milton Hatoum, seu grande amigo, propicia o confronto entre a Manaus da infância e a cidade que agoniza nos leitos da Covid-19. “A literatura de Milton trabalha com uma cidade que existiu até o começo dos anos 70. Já foi desvirtuada faz tempo.” JOSÉ CARLOS CAPINAN Poeta e letrista, 79, Salvador (BA) “Pensando em você / Doce delírio da quarentena / Navego um mar de ausências / Pedras e surpresas / Choro sem saber por quê / A correnteza do tempo / Outras canções eu esqueço /Sou obrigado a sonhar/ Em arrancar sua blusa, rasgar um poema / Depois recordar inútil canção / Bruta delicadeza, ao forrar nossa cama / Sangrando luar foi-se a noite serena / Eu e você, amargo delírio da quarentena.” No bairo do Rio Vermelho, em Salvador, o poeta José Carlos Capinan escreve embalado pela rede, de onde envia novas letras a seus parceiros musicais. Capinan é reconhecido pelas letras de canções clássicas como “Soy Loco por ti, América” (com Gilberto GU) e “Coração Imprudente” (com Paulinho da Viola). Diabético, ele enfrentou duas internações recentes. Sob resguardo, passou a só receber visitas do filho, da ex-esposa e de uma cuidadora, para aplicação de insulina. “Não é desejável, mas o sofrimento é uma força que impulsiona a criação. E o isolamento pressiona favoravelmente no sentido de que é necessário criar para exorcizar, para profetizar coisas melhores.” LIA DE ITAMARACÁ Cantora e atriz, 76, Ilha de Itamaracá (PE) “Eu fico cantando, cantando, pedindo pro vírus ir se embora”, avisa Lia de Itamaracá, sem vacilo na hora de listar as canções de suas preces: “Minha Ciranda Não é Minha Só”, “Preta Cirandeira" e “Moça Namoradeira”. Livre de obrigações, a diva pernambucana, que atuou recentemente no filme “Bacurau”(20i9), relê sem parar a biografia “Lia de Itamaraca”, de Marcelo Henrique Andrade. “Não é bom? Não é bom ver de novo o que eu já fiz?”