Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus:

JORNAL DAS DEZ/GLOBONEWS/SÃO PAULO
Data Veiculação: 06/07/2020 às 23h03

agora para aproveitar e para finalizar ao da gente fala que o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto do PSDB. Ele seguiu hoje para o hospital sírio-libanês em São Paulo, onde vai continuar o tratamento da COVID-19 que foi de aviões de alunos de cada perdão no último dia vinte e nove de junho a primeira dama de Manaus também Elisabete Valley foi diagnosticada com a doença também seguiu e os dois vão fazer o tratamento no Hospital Sírio Libanês Heraldo. Ju sério para vai às informações a partir. A você, boa noite.

G1/NACIONAL
Data Veiculação: 06/07/2020 às 20h54

O município de Envira, distante 1.208 km de Manaus, registrou os três primeiros casos confirmados do novo coronavírus nesta segunda-feira (6), segundo o boletim epidemiológico divulgado pela Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM). O município era o único que não havia registrado contágio pela doença desde o início da pandemia, até a atualização desta segunda. Com o registro, o Amazonas passou a ter 100% dos municípios com casos confirmados de Covid-19. O número de casos do novo coronavírus no estado chegou a mais de 76,4 mil, com mais de 2,9 mil mortes, segundo boletim desta segunda. Até o dia 22 de junho, Ipixuna também não havia registrado nenhum caso da doença, mas os três primeiros casos foram confirmados na cidade no dia seguinte. O prefeito de Envira, Ivon Rates da Silva, informou que três pessoas foram encaminhadas do hospital de Envira para receber tratamentos em Eirunepé, na última sexta-feira (3). Entre os pacientes, um índio e o acompanhante passaram por teste rápido e testaram positivo para o novo coronavírus. “Além disso, identificamos hoje (segunda, 6) uma pessoa por teste rápido. Ele está no anexo hospitalar recebendo tratamento e todos que o cercam estão em procedimentos apropriados para serem testados depois. Infelizmente, Envira não é mais um município sem o vírus no Amazonas”, lamentou o prefeito do município. No dia 10 de junho, o prefeito de Envira contou, em entrevista à Rede Amazônica, que não foi preciso impedir a circulação de pessoas em meio as medidas de isolamento social, devido a pandemia do novo coronavírus. Ele informou que todos os mais de 20 mil habitantes da cidade receberam máscaras como forma de prevenção. "O isolamento com Manaus, pelo menos na distância (1.208 km da capital), é um fator que contribui. Ainda em março, implementamos ações de controle de entrada e saída do município, ao longo dos rios e no aeroporto da cidade. Instalamos barreiras sanitárias para controlar o fluxo de pessoas, bem como a triagem, e orientação constante ao povo", disse Rates, na ocasião. De acordo com os dados do último boletim epidemiológico da FVS-AM, dos 76.427 casos confirmados no Amazonas até esta segunda-feira (6), 28.871 são de Manaus (37,78%) e 47.556 do interior do estado (62,22%). O prefeito de Manaus, diagnosticado com a doença, está internado no hospital Sírio Libanês, em São Paulo, em tratamento da Covid-19. Ao todo, 62.344 pessoas já passaram pelo período de quarentena (14 dias) e se recuperaram da doença. O boletim aponta ainda que 11.142 pessoas com diagnóstico de Covid-19 estão sendo acompanhadas, ou seja, são casos confirmados nos últimos 14 dias, que se encontram internados ou em isolamento domiciliar. Redução da Covid-19 No Amazonas, a pandemia do novo coronavírus levou o sistema público de saúde ao colapso, entre os meses de abril e maio. Neste mês de junho, o número de mortes na capital amazonense, que ficou 108% acima da média histórica, já se aproxima do que era registrado antes da pandemia, com redução que chega a 60%. O hospital de campanha municipal zerou o número de pacientes e encerrou as atividades no dia 23 de junho, após 71 dias de funcionamento. O comércio na capital amazonense começou a reabrir, de forma gradual, no dia 1º de junho. Nesta segunda-feira (6), o Governo do Amazonas autorizou a abertura de bares e instituições de ensino privada, no quarto e último ciclo do plano estadual de retomada das atividades econômicas não essenciais.

JORNAL NACIONAL/TV GLOBO/SÃO PAULO
Data Veiculação: 06/07/2020 às 20h41

Com a redução nos casos de covid19 no Amazonas, o governo anunciou que vai desativar mais um hospital de campanha à prefeitura de Manaus já havia fechado o outro na capital escolas particulares voltarão a receber alunos. O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto do PSDB foi transferido hoje para o hospital sírio-libanês em São Paulo, ele estava internado com convide desde o dia 29 de junho no hospital Adventista na capital amazonense. A prefeitura informou que Arthur Virgílio passa bem e que a transferência em jato particular foi uma decisão dele para fazer um checar e terminar o tratamento contra o coronavírus. O Governo do Amazonas exonerou a secretária de saúde, Simone papais, ela foi presa na última terça-feira e deixou a prisão ontem, como suspeita de fraude na compra de vinte e oito respiradores pelo Governo do estado. O governador Wilson Lima, do PSC também está sendo investigado e teve os bens bloqueados pela justiça.

ESTADÃO/SÃO PAULO
Data Veiculação: 06/07/2020 às 18h10

Contaminado com coronavírus no último dia 19, o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto (PSDB), de 74 anos, embarcou na tarde desta segunda-feira, 6, para São Paulo, onde vai concluir o tratamento no Hospital Sírio Libanês, na capital. O tucano embarcou em um aeronave alugada ao lado da esposa, Elisabeth Ribeiro, que também contraiu a doença. O prefeito, que estava no Hospital Adventista de Manaus, não irá para a UTI em São Paulo e vem se recuperando bem. Ele não chegou a ser entubado e hoje tem 30% do pulmão comprometido. Segundo auxiliares, ele optou pelo Sírio Libanês porque se trata há 30 anos no hospital paulista. O último boletim médico do prefeito disse que o paciente está com “melhora global e mantendo o ar ambiente em boa saturação”. A capital do Amazonas registrou um dos mais dramáticos cenários da pandemia, mas já o número de casos caiu para ⅓ do auge da crise sanitária.

SAÚDE BUSINESS ONLINE/SÃO PAULO
Data Veiculação: 06/07/2020 às 19h37

Cuidado com o bem-estar emocional dos profissionais da linha de frente foi o destaque da quarta edição do Anahp Ao Vivo Cuidar de quem cuida de nós. Em meio a tempos de mudanças e situações de intenso stress, como as enfrentadas por profissionais da linha de frente no combate ao coronavírus, o equilíbrio emocional dos colaboradores se tornou um dos desafios das instituições hospitalares. Esse foi um dos assuntos de destaque na quarta edição do Anahp Ao Vivo, evento online promovido na noite desta quinta-feira (02). Com o tema “Como a COVID-19 tem afetado a relação entre instituições e colaboradores na linha de frente”, o debate contou com a presença de representantes de diversas empresas ligadas ao setor de saúde e empresa de facilities, promovendo uma visão 360º sobre a nova dinâmica de profissionais que não podem parar durante a pandemia. Com a mediação de Eduardo Amaro, presidente do Conselho da Anahp e do Hospital e Maternidade Santa Joana, os participantes foram enfáticos ao citarem a valorização dos cuidados com a saúde emocional, apresentando programas de apoio com foco no acolhimento aos colaboradores. Além disso, a disseminação de melhores práticas de enfretamento ao coronavírus também foi apontada como importante ferramenta das áreas de RH em tempos de pandemia. Trazendo o olhar terapêutico sobre saúde mental, a psicóloga do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Angélica Cardoso Martins, destacou que comportamentos como tensão, medo de transmitir o vírus para a família e a impotência perante os casos mais graves foram observados nas equipes de linha de frente. “Estamos atuando com atividades online e presenciais, para que os profissionais consigam encarar todo esse processo de uma forma mais serena”. A empatia nunca foi tão importante nas relações interpessoais, e nos postos de trabalho de profissionais da área da saúde, ela se torna ainda mais fundamental. Para quem está acostumado a cuidar do próximo, o momento é de receber cuidado. Reforçando essa ideia, o superintendente de Práticas Assistenciais do Hospital Sírio-Libanês, Luiz Francisco Cardoso, falou sobre as ações tomadas pela instituição. “Criamos o Programa Cuidando de Quem Cuida, que acompanha os colaboradores positivados e com suspeita da doença”, destacou. Além do suporte psicológico, outro ponto abordado durante o debate foi proporcionar a segurança técnica e material para a rotina de trabalho. Representando uma das principais entidades de Recursos Humanos do país, Guilherme Cavalieri, presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH) e superintendente de RH do A.C.Camargo Cancer, frisou a importância das campanhas de boas práticas ao longo dos próximos meses e a fiscalização para assegurar o fornecimento de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) para todos os funcionários. Novas condutas, cuidados, protocolos, insegurança… Em um mundo com diversas transformações, os profissionais de saúde têm mostrado a importância de suas atuações em meio a pandemia. Pessoas que acima de qualquer adversidade, lutam diariamente para salvar vidas!

G1/NACIONAL
Data Veiculação: 06/07/2020 às 15h47

Internado com Covid-19 desde o dia 29 de junho, o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto (PSDB), foi transferido para o hospital Sírio Libanês, em São Paulo, nesta segunda-feira (6). A Prefeitura de Manaus informou, em nota, que o prefeito passa bem a decisão pela transferência partiu dele. Arthur estava internado no hospital Adventista, em Manaus, junto da primeira-dama, Elizabeth Valeiko, também diagnosticada com a doença. *Esta matéria está em atualização.

NEWS LAB ONLINE/SÃO PAULO
Data Veiculação: 06/07/2020 às 12h41

Plataforma de inteligência artificial na radiologia agiliza o diagnóstico de pacientes com Covid-19 Publicado por jornalismo em 6 de julho de 2020 imagem: CBR. Tecnologia desenvolvida pelo InovaHC, braço de inovação do Hospital das Clínicas da USP, já teve mais de 20 mil acessos e quase 7 mil exames analisados em um mês A plataforma RadVid-19 de inteligência artificial para diagnóstico do novo coronavírus tem ajudado médicos e instituições de saúde de todo o país a otimizarem diagnóstico e tratamento contra a covid-19. Desenvolvida pelo Instituto de Radiologia (InRad) da USP, e pelo InovaHC – braço de inovação e tecnologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP) –, desde que foi lançada, há pouco mais de um mês, já recebeu 21.500 mil acessos e cadastrou quase sete mil exames de imagens enviados por radiologistas de 12 estados brasileiros, com 71% de resultados positivos para a covid-19. Alimentada por um vasto banco de imagens de raios-X e tomografias do tórax de pacientes de 50 hospitais cadastrados de todo o Brasil até o momento –, a plataforma é capaz de identificar indícios da presença de covid-19 nos exames, a partir de algoritmos e tecnologia de inteligência artificial. O serviço está disponível gratuitamente para médicos e instituições de saúde de todo o Brasil. O objetivo é auxiliar a tomada de decisão sobre o melhor tratamento a ser indicado contra a doença causada pelo novo coronavírus, com base em um diagnóstico mais preciso. A proposta do sistema é realizar a leitura de raios-x e tomografias computadorizadas, e indicar a probabilidade de a pessoa estar ou não infectada pela covid-19. O processo, rápido e simples, acontece via identificação de padrões comuns da doença nos exames de imagem. A ferramenta mostra também o grau de comprometimento pulmonar e, assim, cria um grande banco de dados, que pode auxiliar médicos a definir conduta e possível tratamento mesmo antes do resultado de outros tipos testes. Além disso, a plataforma permite que médicos radiologistas em plantão online possam esclarecer dúvidas de diagnóstico com base nos exames de imagem – indicando, por exemplo, alta ou baixa probabilidade para covid-19. “Desde o final de maio temos radiologistas experientes em regime de plantão. A ideia é auxiliar demais médicos de hospitais de todo o país que utilizam a plataforma, para sanar dúvidas e discutir casos de pacientes, com o diagnóstico preciso baseado no algoritmo de inteligência artificial disponível na plataforma”, destaca o diretor do InovaHC, Marco Bego. Além dos plantonistas, “a plataforma está em constante aprimoramento. Em breve serão liberadas novas funcionalidades para auxiliar os profissionais que estão em locais com casos mais críticos por causa da pandemia”, completa Giovanni Guido Cerri, presidente do instituto. Empresas parceiras A plataforma é um projeto do InovaHC e do Instituto de Radiologia (InRad), ambos do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP), viabilizado pelo Todos pela Saúde com apoio do Itaú Unibanco e pela Petrobras. Entre os parceiros tecnológicos estão Amazon Web Services, GE Healthcare – Divisão de Enterprise Digital Solutions (EDS), Huawei Cloud e Siemens Healthineers – Área de Digital Health. Instituições como o Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR), a Sociedade Paulista de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (SPR) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) também estão no projeto como apoio institucional. A Deloitte apoia a estratégia, o aconselhamento e a governança dor projeto. Entre os parceiros estão o Grupo Fleury e o Instituto Tellus. O Hospital Sírio-Libanês faz parte como parceiro na idealização e construção do projeto. A plataforma RadVid ainda tem a Fundação Novartis como parceiro estratégico e apoio das secretarias estaduais de Desenvolvimento Econômico e da Saúde e do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). Profissionais de saúde e instituições médicas de todo o país podem acessar a plataforma pela internet radvid19.hc.fm.usp.br. Sobre o InovaHC O Centro de Inovação Tecnológica – InovaHC tem como principal objetivo encorajar a inovação no âmbito do HCFMUSP, administrar a propriedade intelectual gerada nesse ambiente, e providenciar meios para promover a transferência de conhecimento científico, tecnológico e cultural ao setor produtivo público e privado, visando à melhoria da saúde do Estado e da Nação. Esse propósito geral está de acordo com as leis estadual e federal, que têm como motivação tornar a inovação tecnológica um componente estratégico de economia e desenvolvimento. O Inova é um movimento com o objetivo de incentivar a inovação dentro e fora do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Sobre o InRad O Instituto de Radiologia (InRad) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP) é um centro de excelência em pesquisa, diagnóstico e terapias por imagem. Também é responsável pela produção farmacêutica de itens utilizados diariamente para pesquisas clínicas e, ainda, de produtos usados na rotina clínica e fármacos produzidos no setor de medicina nuclear onde fica o cíclotron, acelerador de partículas que produz a fórmula radioativa de glicose FDG (Fluorodesoxiglicose) usados em exames PET (Tomografia por Emissão de Pósitrons). Durante o processo, se o paciente tiver uma célula cancerígena ela fica reluzente. Além disso, o InRad conquistou a classificação de melhor centro de medicina nuclear do mundo pela Agência Internacional de Energia Atômica. Por ano, passam pelo InRad 215 mil pacientes. Nos últimos quatro anos, foram realizados mais de 1,5 milhão de exames, entre ultrassonografia, radiologia geral, tomografia computadorizada, ressonância magnética, medicina nuclear e mamografia. No instituto são 82 equipamentos de radiologia de última geração para realizar mais de 300 mil exames por mês, 25 mil só de raios-X. Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR) Deloitte GE Healthcare – Divisão de Enterprise Digital Solutions (EDS) Grupo Fleury

HOSPITAIS BRASIL ONLINE
Data Veiculação: 06/07/2020 às 00h00

Cuidar de quem cuida de nós. Em meio a tempos de mudanças e situações de intenso stress, como as enfrentadas por profissionais da linha de frente no combate ao Coronavírus, o equilíbrio emocional dos colaboradores se tornou um dos desafios das instituições hospitalares. Esse foi um dos assuntos de destaque na quarta edição do Anahp Ao Vivo, evento online promovido na noite de quinta-feira (2). Com o tema “Como a Covid-19 tem afetado a relação entre instituições e colaboradores na linha de frente”, o debate contou com a presença de representantes de diversas empresas ligadas ao setor de saúde e empresa de facilities, promovendo uma visão 360º sobre a nova dinâmica de profissionais que não podem parar durante a pandemia. Com a mediação de Eduardo Amaro, presidente do Conselho da Anahp e do Hospital e Maternidade Santa Joana, os participantes foram enfáticos ao citarem a valorização dos cuidados com a saúde emocional, apresentando programas de apoio com foco no acolhimento aos colaboradores. Além disso, a disseminação de melhores práticas de enfrentamento ao Coronavírus também foi apontada como importante ferramenta das áreas de RH em tempos de pandemia. Trazendo o olhar terapêutico sobre saúde mental, a psicóloga do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Angélica Cardoso Martins, destacou que comportamentos como tensão, medo de transmitir o vírus para a família e a impotência perante os casos mais graves foram observados nas equipes de linha de frente. “Estamos atuando com atividades online e presenciais, para que os profissionais consigam encarar todo esse processo de uma forma mais serena”. A empatia nunca foi tão importante nas relações interpessoais, e nos postos de trabalho de profissionais da área da saúde, ela se torna ainda mais fundamental. Para quem está acostumado a cuidar do próximo, o momento é de receber cuidado. Reforçando essa ideia, o superintendente de Práticas Assistenciais do Hospital Sírio-Libanês, Luiz Francisco Cardoso, falou sobre as ações tomadas pela instituição. “Criamos o Programa Cuidando de Quem Cuida, que acompanha os colaboradores positivados e com suspeita da doença”, destacou. Além do suporte psicológico, outro ponto abordado durante o debate foi proporcionar a segurança técnica e material para a rotina de trabalho. Representando uma das principais entidades de Recursos Humanos do país, Guilherme Cavalieri, presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH) e superintendente de RH do A.C.Camargo Cancer, frisou a importância das campanhas de boas práticas ao longo dos próximos meses e a fiscalização para assegurar o fornecimento de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) para todos os funcionários. Novas condutas, cuidados, protocolos, insegurança… Em um mundo com diversas transformações, os profissionais de saúde têm mostrado a importância de suas atuações em meio a pandemia. Pessoas que acima de qualquer adversidade, lutam diariamente para salvar vidas!

CORREIO WEB/CORREIO BRAZILIENSE/BRASÍLIA
Data Veiculação: 06/07/2020 às 06h00

A técnica em enfermagem Maria das Graças (E) participa de acompanhamento multidisciplinar no HUB. Silvia Furtado é a coordenadora do projeto (foto: Ana Rayssa/CB/D.A Press ) Eles estão sempre prontos a estender as mãos e cuidar de quem mais precisa. Na hora do sufoco, são os profissionais da saúde que encaram as rotinas intensas e colocam-se na linha de frente para salvar vidas. Com a chegada do novo coronavírus ao Distrito Federal, médicos, enfermeiros, técnicos em enfermagem e tantos outros da área sentem o peso e a responsabilidade de amparar pacientes e familiares. Mas eles também precisam de cuidados e buscam o apoio psicológico para manter a saúde mental equilibrada. A ajuda de uma assistente social e de uma psiquiatra tem sido fundamental para a enfermeira Renata Oliveira, 35 anos. Há um mês, ela lida quase que diariamente com pacientes de covid-19. “Os cuidados são muito individualizados. Alguns precisam de medicamento o tempo todo”, detalha. De modo geral, ela se diz forte, mas, lidar com a morte e com a forma como os familiares encaram o luto não tem sido fácil. Um dos casos que a marcou foi o de um homem de 21 anos. “Era um paciente totalmente fora da curva, não era idoso, nem tinha comorbidades. Mas era obeso e, provavelmente, morreu por isso. Não tem outra explicação. Os médicos fizeram tudo que estava ao alcance. Aquilo mexeu comigo”, lembra. Enfermeira por amor à profissão, ela quer continuar ajudando a quem mais precisa, mesmo depois da pandemia. “Quando acabar essa confusão, quero me dedicar aos pacientes que tanto precisam de nós, como os oncológicos. Aqueles acamados e que estão de fora da linha de atenção nesses tempos de covid-19.” Diante do momento, há uma tendência para que esses profissionais desenvolvam quadros de depressão e ansiedade, como explica o psicólogo Romeu Maia, do Conselho Regional de Psicologia. “É um cenário de incertezas, e existe um nível elevado de estresse que mexe com toda a organização mental e orgânica da pessoa diretamente envolvida”, avalia. “Um dos medos é de ter que decidir a vida e a morte, caso ocorra um colapso do sistema de saúde. Ainda não aconteceu, mas, a ideia de ter de enfrentá-lo vem desde o comecinho da covid-19 no DF.” Super-heróis Gradativamente, a pressão do trabalho tem afetado mais quem trabalha diretamente com pacientes de covid-19. Segundo Marli Rodrigues, presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Brasília (Sindsaúde), o número de profissionais diagnosticados com transtornos mentais triplicou durante a pandemia. “O servidor precisa dar uma resposta para o paciente, mesmo quando não tem condições. Imagine o esforço mental. O sofrimento deles, muitas vezes, é em segredo”, diz. Vestir a capa de super-herói e esquecer a própria saúde mental é um dos influenciadores dos quadros de transtornos, explica Fábio Aurélio Leite, psiquiatra do hospital Santa Lúcia. “Eles têm de saber a hora de pedir ajuda e conhecer o limite. Não podem ter preconceito de tomar remédio, seja antidepressivos, ansiolíticos ou indutores do sono”, afirma. Fábio tem acompanhado muitos colegas de profissão que estão lidando com depressão e ansiedade. “Médicos são formados para salvar pacientes da morte, só que a situação atual depende muito menos deles e mais dos recursos e estruturas”, acredita. As incertezas da doença são um fator agravante. No cenário atual, a perspectiva de não conseguir atender a todos é assustadora. “Se a doença sair do controle e o número de casos não parar de subir, o medo é que aconteça o mesmo que ocorreu em alguns países da Europa. Esse é o cenário mais catastrófico”, avalia o cardiologista Carlos Rassi, 37 anos. Chefe do pronto-socorro do hospital Sírio-Libanês, ele não apenas lida diariamente com pessoas infectadas por coronavírus, como foi um dos primeiros casos graves a se recuperar no DF. Após voltar de uma viagem aos Estados Unidos, precisou ser internado por 25 dias, período em que, inclusive, ficou intubado. Recuperado, ele voltou a atender. “A parte mais difícil é a ansiedade e o medo dos próprios pacientes. A doença está mais próxima das pessoas”, constata. Para cuidar dos profissionais, o hospital aperfeiçoou uma ala de acompanhamento psicológico, com médicos de família para todos os colaboradores. Carlos garante que a iniciativa ajudou. “Estou seguindo a vida normalmente. Como gestor da instituição, entendo que isso é de extrema utilidade para o profissional.” Há um mês, a enfermeira Renata Oliveira lida quase que diariamente com pacientes de covid-19 (foto: Ana Rayssa/CB/D.A Press ) Apoio O acompanhamento multidisciplinar desses profissionais da linha de frente tem contribuído para manter a qualidade de vida deles. O Hospital Universitário de Brasília (HUB), por exemplo, criou o projeto Cuidar, em que psicólogos, psiquiatras, terapeutas ocupacionais, enfermeiras, dentistas e farmacêuticos atendem às equipes da instituição. “O que mais vemos é a ansiedade e o receio de se contaminar e infectar familiares, além de não saber o que esperar. Isso vai gerando sentimentos, que, se não forem cuidados, podem virar algo patológico”, explica a psicóloga Silvia Furtado, chefe da unidade psicossocial do HUB e coordenadora do projeto. Ela orienta que cada um busque formas de ocupar a cabeça fora do hospital. Mesmo aqueles que se distanciaram dos familiares, na tentativa de não expo-los, devem procurar companhia. “Tente uma atividade física, ainda que dentro de casa, faça uma atividade que gosta. Para lidar com a solidão, hoje, as redes sociais têm nos ajudado muito. Se, antes atrapalhavam as nossas interações, hoje, vieram para ajudar. O isolamento é físico, não afetivo”, destaca. A técnica em enfermagem Maria das Graças Oliveira, 53, tem desfrutado do projeto do HUB. “Não sei como estaria hoje, sem esse apoio. A gente só quer desabafar, botar para fora, então, esse apoio é essencial.” Ela trabalha na unidade de manejo de síndrome respiratória aguda e conta que o reconhecimento dos corpos é uma das situações mais difíceis. “Não por morrer de covid-19, mas pela maneira como a família vê. O corpo fica em uma sala, lacrado em um saco, como determina o protocolo. A gente abre, e eles só olham por uma janelinha de vidro, minúscula”, detalha. Por questão de segurança, ninguém pode se aproximar. “Depois, o saco é fechado, a funerária põe no caixão, lacra e vai embora. Antes da covid-19 chegar, a gente fechava o leito, deixava os familiares se despedirem, e os consolávamos”, lembra. “Agora, não pode, é tudo muito frio. É uma honra cuidar do paciente, porque os parentes viam que, mesmo que a pessoa tivesse morrido, tinha sido cuidada. Agora, a impressão que fica é a de que não tem alma, não tem coração.” Com a assistência que tem recebido dos psicólogos, Maria das Graças aprendeu a lidar melhor com tudo. “Passei a entender que o melhor foi feito e fui superando. Cada um que sai daqui curado é uma festa. Isso renova a minha alma e me faz querer ser um anjo para cada um que passa pela internação.” Ajuda psicológica Centros de Atendimento Psicossocial (CAPS) • Espaços destinados ao cuidado com a saúde mental, de maneira multidisciplinar. Conta com psicólogos, psiquiatras e demais profissionais relacionados ao tema. No DF, há 18 unidades Gerpis • Mais conhecido como práticas integrativas em saúde, fazem terapias e atendimentos on-line. Tem foco na prevenção das doenças, promoção, proteção, recuperação e reabilitação da saúde, na integralidade e na humanização do cuidado à saúde e no exercício da clínica ampliada. Para saber mais, basta enviar um e-mail para gerpis.sesdf@gmail.com Agir para salvar vidas • Uma plataforma on-line em que profissionais da saúde (médicos, enfermeiros, técnicos em enfermagem, dentre outros) envolvidos no combate ao coronavírus podem se consultar com psicólogos e psiquiatras voluntários de todo o país. Está disponível, gratuitamente, no site www.agirparasalvarvidas.com.br.

O GLOBO/RIO DE JANEIRO | Geral
Data Veiculação: 06/07/2020 às 03h00

Uso de plasma contra Covid-19 é promissor, dizem dentistas Tratamento experimental no Rio mostra tendência de redução de taxa de mortalidade de pacientes ANA LUCIA AZEVEDO ala@oglobo.com.br Pioneiro em aplicar o tratamento experimental de plasma de convalescentes contra a Covid-19, o estado do Rio tem agora seus primeiros resultados. Foram tratados pacientes graves atendidos pelo Instituto Estadual do Cérebro (IEC) e um estudo está à espera de publicação em revista científica. Paulo Niemeyer Filho, diretormédico do IEC, vê no plasma um caminho promissor para bloquear o agravamento da doença. — O plasma de convalescentes trará maiores benefícios a pacientes de enfermarias, para bloquear o avanço da doença. Aprendemos na UTI lições que podem contribuir para evitar que os doentes com Covid-19 precisem delas—diz. O diretor do IEC salienta que a infusão de plasma com anticorpos das pessoas que se Q “0 plasma é seguro, não tem efeitos tóxicos. Poderá ser opção para pacientes de média gravidade” Amílcar Tanuri, UFRJ curaram da Covid-19 é um processo relativamente simples e. Por isso, poderia ser usado em municípios sem boa infraestrutura. A premissa é que, em tese, os anticorpos presentes no plasma atuam contra a multiplicação do coronavírus. MORTALIDADE CAI O estudo apontou tendência de redução da taxa de mortalidade, diz o supervisor da UTI do IEC, Pedro Kurtz. O trabalho analisou 113 pacientes de Covid-19 internados em UTI e não randomizados. Ou seja, seus casos foram comparados, mas a escolha não foi aleatória, como nos estudos randomizados, o que permitiria estudar sem qualquer viés a resposta do paciente ao tratamento. Receberam infusão de plasma de convalescente 41 pacientes. Os outros 72 não receberam plasma e seus casos foram considerados apenas para comparação. A média de idade dos pacientes foi de 58 anos, 61% homens e 39% mulheres. Dos 41 que receberam plasma com anticorpos apenas sete não usaram ventilação mecânica. Esses sete sobreviveram. Após 14 dias de internação, 42% dos que não receberam plasma de convalescente morreram. Entre os que receberam a infusão, o percentual de mortos foi de 29%. Depois COMO FOI 0 TRATAMENTO 0 processo de seleção de doadores, coleta do soro e infusão no paciente leva cerca de cinco dias Doadores foram selecionados por meio de entrevista por telefone e exame clínico no Hemorio. Os aprovados fizeram teste de anticorpos e molecular do coronavírus e colheram sangue para análises de outros vírus e condições nocivas. Foram aprovados os que têm anticorpos IgG, que podem atacar o coronavírus. No IEC o soro foi injetado no paciente por meio de uma transfusão simples. 0 Laboratório de Virologia Molecular da UFRJ fez então a análise do soro desses possíveis doadores. Os médicos buscaram anticorpos neutralizantes. Q 0 anticorpo neutralizante precisa atacar o coronavírus e impedir que ele se multiplique. Q Os pesquisadores verificaram a existência e a quantidade desses anticorpos colocando o soro numa cultura de células infectadas pelo Sars-CoV-2. As amostras que indicam redução da mortalidade de células foram analisadas para detecção da concentração e da especificidade do anticorpo. g_ T^T 0 As amostras aprovadas foram informadas ao Hemorio que, então, colheu o soro aprovado para ser usado no tratamento. Este passa por um processo de inativação de patógenos, que no Brasil é feito apenas pelo Hemorio e pelo Hospital Sírio-Libanês (SP). Depois, é congelado e enviado ao IEC. Fonte: lEC/UFRJ/Hemorio Editoria de Arte de 28 dias, porém, a diferença foi reduzida: 56% dos que não receberam plasma morreram; 49% dos tratados com a infusão faleceram. —E preciso cautela, mas observamos uma queda de marcadores inflamatórios e houve aumento dos linfócitos. Isso é significativo pois pacientes graves de Covid-19 sofrem linfopenia (redução do número de linfócitos) —diz Kurtz. Ele explica que, para mostrar significância estatística do plasma na redução da taxa de mortalidade, o estudo precisaria incluir ao menos mil pacientes ou ter revelado queda sensível da mortalidade. O tratamento experimental com plasma de convalescentes no Rio tem coordenação do Hemorio, que recrutou os voluntários e colheu o plasma. O material foi testado e, uma vez aprovado, preparado para a infusão nos pacientes. A UFRJ fez os exames para detectar se o plasma doado tinha anticorpos capazes de neutralizar o vírus. O IEC foi um dos três hospitais que aplicaram o tratamento. Niemeyer conta que decidiu se pronunciar sobre o estudo porque o coronavírus continua a avançar: —Se fôssemos esperar publicação em revista científica, deixaríamos de oferecer uma possibilidade de tratamento para muita gente que não pode esperar. O plasma pode ser uma opção nas UPAs. SEGUNDA APLICAÇÃO O diretor-médico do IEC considera crucial a descoberta de que era necessário aplicar uma segunda bolsa de plasma. Como a carga viral era medida diariamente, os pesquisadores verificaram que, por volta do quarto dia após a infusão, a concentração de vírus caía. Mas, depois, voltava a subir. —Foi aí que decidimos fazer a infusão de uma segunda bolsa de plasma, e a mortalidade caiu de 40% para 17%. Repetir a infusão mudou tudo. Tivemos três grupos de pacientes: os que não receberam plasma, os que receberam uma infusão e os que receberam duas. No terceiro grupo, a taxa de letalidade caiu para 17% —destaca. Segundo ele, o melhor resultado aconteceu quando o paciente recebeu o plasma antes de ser colocado em ventilação. Amilcar Tanuri, virologista e professor da UFRJ, diz que esse foi um primeiro passo: — O plasma é seguro, não tem efeitos tóxicos, reduz a carga viral e a inflamação. Poderá ser uma opção para pacientes de média gravidade. Mônica Gadelha, chefe do Laboratório de Biologia Molecular do IEC, observa que muitos pacientes já chegaram quase mortos ou sem chance de recuperação, às vezes, devido à demora na remoção. Ela também vê com otimismo o uso terapêutico do plasma. O diretor do Hemorio, Luiz Amorim, que idealizou o estudo, ficou impressionado com a solidariedade dos doadores. Mais de mil pessoas que tiveram Covid-19 e se recuperaram se inscreveram para doar. O Hemorio coletou e preparou até agora o plasma de 100 doadores —cada um doou soro necessário para obtenção de duas a três doses de plasma. Nem todos são aptos a doar. De acordo com Amorim, 20% dos que tiveram Covid-19 não têm anticorpos. — Não é uma doação simples, o processo, artesanal, leva até 4 horas. Mas muita gente quer ajudar, temos plasma em estoque — frisa. Já receberam infusão de plasma 140 pacientes de Covid-19 — os hospitais Pedro Ernesto (UERJ) e Antônio Pedro (UFF) também realizam protocolos do tratamento.

CORREIO BRAZILIENSE/BRASÍLIA | GERAL
Data Veiculação: 06/07/2020 às 03h00

Apoio especial no front Expostos a estresse, depressão, ansiedade e pressão, profissionais da saúde, como Maria das Graças Oliveira (E) e Silvia Furtado, recebem e oferecem atenção psicológica durante a pandemia da covid-19. Tudo em nome do equilíbrio da saúde mental, essencial para salvar vidas. PÁGINA 19 Na Linha de frente da guerra contra o coronavírus, profissionais da saúde sofrem com estresse, pressão psicológica, depressão e ansiedade. Enquanto eles protegem tantos, também precisam de apoio psicossocial para seguir com o trabalho de salvar vidas Cuidando de quem está na linha de frente » MARIANA MACHADO Eles estão sempre prontos a estender as mãos e cuidar de quem mais precisa. Na hora do sufoco, são os profissionais da saúde que encaram as rotinas intensas e colocam-se na linha de frente para salvar vidas. Com a chegada do novo coronavírus ao Distrito Federal, médicos, enfermeiros, técnicos em enfermagem e tantos outros da área sentem o peso e a responsabilidade de amparar pacientes e familiares. Mas eles também precisam de cuidados e buscam o apoio psicológico para manter a saúde mental equilibrada. A ajuda de uma assistente social e de uma psiquiatra tem sido fundamental para a enfermeira Renata Oliveira, 35 anos. Há um mês, ela lida quase que diariamente com pacientes de covid-19. “Os cuidados são muito individualizados. Alguns precisam de medicamento o tempo todo”, detalha. De modo geral, ela se diz forte, mas, lidar com a morte e com a forma como os familiares encaram o luto não tem sido fácil. Um dos casos que a marcou foi o de um homem de 21 anos. “Era um paciente totalmente fora da curva, não era idoso, nem tinha comorbidades. Mas era obeso e, provavelmente, morreu por isso. Não tem outra explicação. Os médicos fizeram tudo que estava ao alcance. Aquilo mexeu comigo”, lembra. Enfermeira por amor à profissão, ela quer continuar ajudando a quem mais piecisa, mesmo depois da pandemia. “Quando acabar essa confusão, quero me dedicar aos pacientes que tanto precisam de nós, como os oncológicos. Aqueles acamados e que estão de fora da linha de atenção nesses tempos de covid-19.” Diante do momento, há uma tendência para que esses profissionais desenvolvam quadros de depressão e ansiedade, como explica o psicólogo Romeu Maia, do Conselho Regional de Psicologia. “É um cenário de incertezas, e existe um nível elevado de estresse que mexe com toda a organização mental e orgânica da pessoa diretamente envolvida”, avalia. “Um dos medos é de ter que decidir a vida e a morte, caso ocorra um colapso do sistema de saúde. Ainda não aconteceu, mas, a ideia de ter de enfrentá-lo vem desde o comecinho da covid-19 no DE” Super-heróis Gradativamente, a pressão do trabalho tem afetado mais quem trabalha diretamente com pacientes de covid-19. Segundo Marli Rodrigues, presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Brasília (Sindsaúde), o número de profissionais diagnosticados com transtornos mentais triplicou durante a pandemia. “O servidor precisa dar uma resposta para o paciente, mesmo quando não tem condições. Imagine o esforço mental. O sofrimento deles, muitas vezes, é em segredo”, diz. Vestir a capa de super-herói e esquecer a própria saúde mental é um dos inlluenciadores dos quadros de transtornos, explica Fábio Aurélio Leite, psiquiatra do hospital Santa Lúcia. “Eles têm de saber a hora de pedir ajuda e conhecer o limite. Não podem ter preconceito de tomar remédio, seja antidepressivos, ansiolíticos ou indutores do sono”, afirma. Fábio tem acompanhado muitos colegas de profissão que estão lidando com depressão e ansiedade. “Médicos são formados para salvar pacientes da morte, só que a situação atual depende muito menos deles e mais dos recursos e estruturas”, acredita. As incertezas da doença são um fator agravante. No cenário atual, a perspectiva de não conseguir atender a todos é assustadora. “Se a doença sair do controle e o número de casos não parar de subir, o medo é que aconteça o mesmo que ocorreu em alguns países da Europa. Esse é o cenário mais catastrófico", avalia o cardiologista Carlos Rassi, 37 anos. Chefe do pronto-socorro do hospital Sírio-Libanês, ele não apenas lida diariamente com pessoas infectadas por coronavírus, como foi um dos primeiros casos graves a se recuperar no DF. Após voltar de uma viagem aos Estados Unidos, precisou ser internado por 25 dias, período em que, inclusive, ficou intubado. Recuperado, ele voltou a atender. “A parte mais difícil é a ansiedade e o medo dos próprios pacientes. A doença está mais próxima das pessoas”, constata. Para cuidar dos profissionais, o hospital aperfeiçoou uma ala de acompanhamento psicológico, com médicos de família para todos os colaboradores. Carlos garante que a iniciativa ajudou. "Estou seguindo a vida normalmente. Como gestor da instituição, entendo que isso é de extrema utilidade para o profissional.” Apoio O acompanhamento multidisciplinar desses profissionais da linha de frente tem contribuído para manter a qualidade de vida deles. O Hospital Universitário de Brasília (HUB), por exemplo, criou o projeto Cuidar, em que psicólogos, psiquiatras, terapeutas ocupacionais, enfermeiras, dentistas e farmacêuticos atendem às equipes da instituição. “O que mais vemos é a ansiedade e o receio de se contaminar e infectar familiares, além de não saber o que esperar. Isso vai gerando sentimentos, que, se não forem cuidados, podem virar algo patológico”, explica a psicóloga Silvia Furtado, chefe da unidade psicossocial do HUB e coordenadora do projeto. Fotos: Ana Rayssa/CB/D.A Press

CORREIO WEB/CORREIO BRAZILIENSE/BRASÍLIA
Data Veiculação: 06/07/2020 às 06h00

A técnica em enfermagem Maria das Graças (E) participa de acompanhamento multidisciplinar no HUB. Silvia Furtado é a coordenadora do projeto (foto: Ana Rayssa/CB/D.A Press ) Eles estão sempre prontos a estender as mãos e cuidar de quem mais precisa. Na hora do sufoco, são os profissionais da saúde que encaram as rotinas intensas e colocam-se na linha de frente para salvar vidas. Com a chegada do novo coronavírus ao Distrito Federal, médicos, enfermeiros, técnicos em enfermagem e tantos outros da área sentem o peso e a responsabilidade de amparar pacientes e familiares. Mas eles também precisam de cuidados e buscam o apoio psicológico para manter a saúde mental equilibrada. A ajuda de uma assistente social e de uma psiquiatra tem sido fundamental para a enfermeira Renata Oliveira, 35 anos. Há um mês, ela lida quase que diariamente com pacientes de covid-19. “Os cuidados são muito individualizados. Alguns precisam de medicamento o tempo todo”, detalha. De modo geral, ela se diz forte, mas, lidar com a morte e com a forma como os familiares encaram o luto não tem sido fácil. Um dos casos que a marcou foi o de um homem de 21 anos. “Era um paciente totalmente fora da curva, não era idoso, nem tinha comorbidades. Mas era obeso e, provavelmente, morreu por isso. Não tem outra explicação. Os médicos fizeram tudo que estava ao alcance. Aquilo mexeu comigo”, lembra. Enfermeira por amor à profissão, ela quer continuar ajudando a quem mais precisa, mesmo depois da pandemia. “Quando acabar essa confusão, quero me dedicar aos pacientes que tanto precisam de nós, como os oncológicos. Aqueles acamados e que estão de fora da linha de atenção nesses tempos de covid-19.” Diante do momento, há uma tendência para que esses profissionais desenvolvam quadros de depressão e ansiedade, como explica o psicólogo Romeu Maia, do Conselho Regional de Psicologia. “É um cenário de incertezas, e existe um nível elevado de estresse que mexe com toda a organização mental e orgânica da pessoa diretamente envolvida”, avalia. “Um dos medos é de ter que decidir a vida e a morte, caso ocorra um colapso do sistema de saúde. Ainda não aconteceu, mas, a ideia de ter de enfrentá-lo vem desde o comecinho da covid-19 no DF.” Super-heróis Gradativamente, a pressão do trabalho tem afetado mais quem trabalha diretamente com pacientes de covid-19. Segundo Marli Rodrigues, presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Brasília (Sindsaúde), o número de profissionais diagnosticados com transtornos mentais triplicou durante a pandemia. “O servidor precisa dar uma resposta para o paciente, mesmo quando não tem condições. Imagine o esforço mental. O sofrimento deles, muitas vezes, é em segredo”, diz. Vestir a capa de super-herói e esquecer a própria saúde mental é um dos influenciadores dos quadros de transtornos, explica Fábio Aurélio Leite, psiquiatra do hospital Santa Lúcia. “Eles têm de saber a hora de pedir ajuda e conhecer o limite. Não podem ter preconceito de tomar remédio, seja antidepressivos, ansiolíticos ou indutores do sono”, afirma. Fábio tem acompanhado muitos colegas de profissão que estão lidando com depressão e ansiedade. “Médicos são formados para salvar pacientes da morte, só que a situação atual depende muito menos deles e mais dos recursos e estruturas”, acredita. As incertezas da doença são um fator agravante. No cenário atual, a perspectiva de não conseguir atender a todos é assustadora. “Se a doença sair do controle e o número de casos não parar de subir, o medo é que aconteça o mesmo que ocorreu em alguns países da Europa. Esse é o cenário mais catastrófico”, avalia o cardiologista Carlos Rassi, 37 anos. Chefe do pronto-socorro do hospital Sírio-Libanês, ele não apenas lida diariamente com pessoas infectadas por coronavírus, como foi um dos primeiros casos graves a se recuperar no DF. Após voltar de uma viagem aos Estados Unidos, precisou ser internado por 25 dias, período em que, inclusive, ficou intubado. Recuperado, ele voltou a atender. “A parte mais difícil é a ansiedade e o medo dos próprios pacientes. A doença está mais próxima das pessoas”, constata. Para cuidar dos profissionais, o hospital aperfeiçoou uma ala de acompanhamento psicológico, com médicos de família para todos os colaboradores. Carlos garante que a iniciativa ajudou. “Estou seguindo a vida normalmente. Como gestor da instituição, entendo que isso é de extrema utilidade para o profissional.” Há um mês, a enfermeira Renata Oliveira lida quase que diariamente com pacientes de covid-19 (foto: Ana Rayssa/CB/D.A Press ) Apoio O acompanhamento multidisciplinar desses profissionais da linha de frente tem contribuído para manter a qualidade de vida deles. O Hospital Universitário de Brasília (HUB), por exemplo, criou o projeto Cuidar, em que psicólogos, psiquiatras, terapeutas ocupacionais, enfermeiras, dentistas e farmacêuticos atendem às equipes da instituição. “O que mais vemos é a ansiedade e o receio de se contaminar e infectar familiares, além de não saber o que esperar. Isso vai gerando sentimentos, que, se não forem cuidados, podem virar algo patológico”, explica a psicóloga Silvia Furtado, chefe da unidade psicossocial do HUB e coordenadora do projeto. Ela orienta que cada um busque formas de ocupar a cabeça fora do hospital. Mesmo aqueles que se distanciaram dos familiares, na tentativa de não expo-los, devem procurar companhia. “Tente uma atividade física, ainda que dentro de casa, faça uma atividade que gosta. Para lidar com a solidão, hoje, as redes sociais têm nos ajudado muito. Se, antes atrapalhavam as nossas interações, hoje, vieram para ajudar. O isolamento é físico, não afetivo”, destaca. A técnica em enfermagem Maria das Graças Oliveira, 53, tem desfrutado do projeto do HUB. “Não sei como estaria hoje, sem esse apoio. A gente só quer desabafar, botar para fora, então, esse apoio é essencial.” Ela trabalha na unidade de manejo de síndrome respiratória aguda e conta que o reconhecimento dos corpos é uma das situações mais difíceis. “Não por morrer de covid-19, mas pela maneira como a família vê. O corpo fica em uma sala, lacrado em um saco, como determina o protocolo. A gente abre, e eles só olham por uma janelinha de vidro, minúscula”, detalha. Por questão de segurança, ninguém pode se aproximar. “Depois, o saco é fechado, a funerária põe no caixão, lacra e vai embora. Antes da covid-19 chegar, a gente fechava o leito, deixava os familiares se despedirem, e os consolávamos”, lembra. “Agora, não pode, é tudo muito frio. É uma honra cuidar do paciente, porque os parentes viam que, mesmo que a pessoa tivesse morrido, tinha sido cuidada. Agora, a impressão que fica é a de que não tem alma, não tem coração.” Com a assistência que tem recebido dos psicólogos, Maria das Graças aprendeu a lidar melhor com tudo. “Passei a entender que o melhor foi feito e fui superando. Cada um que sai daqui curado é uma festa. Isso renova a minha alma e me faz querer ser um anjo para cada um que passa pela internação.” Ajuda psicológica Centros de Atendimento Psicossocial (CAPS) • Espaços destinados ao cuidado com a saúde mental, de maneira multidisciplinar. Conta com psicólogos, psiquiatras e demais profissionais relacionados ao tema. No DF, há 18 unidades Gerpis • Mais conhecido como práticas integrativas em saúde, fazem terapias e atendimentos on-line. Tem foco na prevenção das doenças, promoção, proteção, recuperação e reabilitação da saúde, na integralidade e na humanização do cuidado à saúde e no exercício da clínica ampliada. Para saber mais, basta enviar um e-mail para gerpis.sesdf@gmail.com Agir para salvar vidas • Uma plataforma on-line em que profissionais da saúde (médicos, enfermeiros, técnicos em enfermagem, dentre outros) envolvidos no combate ao coronavírus podem se consultar com psicólogos e psiquiatras voluntários de todo o país. Está disponível, gratuitamente, no site www.agirparasalvarvidas.com.br.

O GLOBO/RIO DE JANEIRO | Geral
Data Veiculação: 06/07/2020 às 03h00

Uso de plasma contra Covid-19 é promissor, dizem dentistas Tratamento experimental no Rio mostra tendência de redução de taxa de mortalidade de pacientes ANA LUCIA AZEVEDO ala@oglobo.com.br Pioneiro em aplicar o tratamento experimental de plasma de convalescentes contra a Covid-19, o estado do Rio tem agora seus primeiros resultados. Foram tratados pacientes graves atendidos pelo Instituto Estadual do Cérebro (IEC) e um estudo está à espera de publicação em revista científica. Paulo Niemeyer Filho, diretormédico do IEC, vê no plasma um caminho promissor para bloquear o agravamento da doença. — O plasma de convalescentes trará maiores benefícios a pacientes de enfermarias, para bloquear o avanço da doença. Aprendemos na UTI lições que podem contribuir para evitar que os doentes com Covid-19 precisem delas—diz. O diretor do IEC salienta que a infusão de plasma com anticorpos das pessoas que se Q “0 plasma é seguro, não tem efeitos tóxicos. Poderá ser opção para pacientes de média gravidade” Amílcar Tanuri, UFRJ curaram da Covid-19 é um processo relativamente simples e. Por isso, poderia ser usado em municípios sem boa infraestrutura. A premissa é que, em tese, os anticorpos presentes no plasma atuam contra a multiplicação do coronavírus. MORTALIDADE CAI O estudo apontou tendência de redução da taxa de mortalidade, diz o supervisor da UTI do IEC, Pedro Kurtz. O trabalho analisou 113 pacientes de Covid-19 internados em UTI e não randomizados. Ou seja, seus casos foram comparados, mas a escolha não foi aleatória, como nos estudos randomizados, o que permitiria estudar sem qualquer viés a resposta do paciente ao tratamento. Receberam infusão de plasma de convalescente 41 pacientes. Os outros 72 não receberam plasma e seus casos foram considerados apenas para comparação. A média de idade dos pacientes foi de 58 anos, 61% homens e 39% mulheres. Dos 41 que receberam plasma com anticorpos apenas sete não usaram ventilação mecânica. Esses sete sobreviveram. Após 14 dias de internação, 42% dos que não receberam plasma de convalescente morreram. Entre os que receberam a infusão, o percentual de mortos foi de 29%. Depois COMO FOI 0 TRATAMENTO 0 processo de seleção de doadores, coleta do soro e infusão no paciente leva cerca de cinco dias Doadores foram selecionados por meio de entrevista por telefone e exame clínico no Hemorio. Os aprovados fizeram teste de anticorpos e molecular do coronavírus e colheram sangue para análises de outros vírus e condições nocivas. Foram aprovados os que têm anticorpos IgG, que podem atacar o coronavírus. No IEC o soro foi injetado no paciente por meio de uma transfusão simples. 0 Laboratório de Virologia Molecular da UFRJ fez então a análise do soro desses possíveis doadores. Os médicos buscaram anticorpos neutralizantes. Q 0 anticorpo neutralizante precisa atacar o coronavírus e impedir que ele se multiplique. Q Os pesquisadores verificaram a existência e a quantidade desses anticorpos colocando o soro numa cultura de células infectadas pelo Sars-CoV-2. As amostras que indicam redução da mortalidade de células foram analisadas para detecção da concentração e da especificidade do anticorpo. g_ T^T 0 As amostras aprovadas foram informadas ao Hemorio que, então, colheu o soro aprovado para ser usado no tratamento. Este passa por um processo de inativação de patógenos, que no Brasil é feito apenas pelo Hemorio e pelo Hospital Sírio-Libanês (SP). Depois, é congelado e enviado ao IEC. Fonte: lEC/UFRJ/Hemorio Editoria de Arte de 28 dias, porém, a diferença foi reduzida: 56% dos que não receberam plasma morreram; 49% dos tratados com a infusão faleceram. —E preciso cautela, mas observamos uma queda de marcadores inflamatórios e houve aumento dos linfócitos. Isso é significativo pois pacientes graves de Covid-19 sofrem linfopenia (redução do número de linfócitos) —diz Kurtz. Ele explica que, para mostrar significância estatística do plasma na redução da taxa de mortalidade, o estudo precisaria incluir ao menos mil pacientes ou ter revelado queda sensível da mortalidade. O tratamento experimental com plasma de convalescentes no Rio tem coordenação do Hemorio, que recrutou os voluntários e colheu o plasma. O material foi testado e, uma vez aprovado, preparado para a infusão nos pacientes. A UFRJ fez os exames para detectar se o plasma doado tinha anticorpos capazes de neutralizar o vírus. O IEC foi um dos três hospitais que aplicaram o tratamento. Niemeyer conta que decidiu se pronunciar sobre o estudo porque o coronavírus continua a avançar: —Se fôssemos esperar publicação em revista científica, deixaríamos de oferecer uma possibilidade de tratamento para muita gente que não pode esperar. O plasma pode ser uma opção nas UPAs. SEGUNDA APLICAÇÃO O diretor-médico do IEC considera crucial a descoberta de que era necessário aplicar uma segunda bolsa de plasma. Como a carga viral era medida diariamente, os pesquisadores verificaram que, por volta do quarto dia após a infusão, a concentração de vírus caía. Mas, depois, voltava a subir. —Foi aí que decidimos fazer a infusão de uma segunda bolsa de plasma, e a mortalidade caiu de 40% para 17%. Repetir a infusão mudou tudo. Tivemos três grupos de pacientes: os que não receberam plasma, os que receberam uma infusão e os que receberam duas. No terceiro grupo, a taxa de letalidade caiu para 17% —destaca. Segundo ele, o melhor resultado aconteceu quando o paciente recebeu o plasma antes de ser colocado em ventilação. Amilcar Tanuri, virologista e professor da UFRJ, diz que esse foi um primeiro passo: — O plasma é seguro, não tem efeitos tóxicos, reduz a carga viral e a inflamação. Poderá ser uma opção para pacientes de média gravidade. Mônica Gadelha, chefe do Laboratório de Biologia Molecular do IEC, observa que muitos pacientes já chegaram quase mortos ou sem chance de recuperação, às vezes, devido à demora na remoção. Ela também vê com otimismo o uso terapêutico do plasma. O diretor do Hemorio, Luiz Amorim, que idealizou o estudo, ficou impressionado com a solidariedade dos doadores. Mais de mil pessoas que tiveram Covid-19 e se recuperaram se inscreveram para doar. O Hemorio coletou e preparou até agora o plasma de 100 doadores —cada um doou soro necessário para obtenção de duas a três doses de plasma. Nem todos são aptos a doar. De acordo com Amorim, 20% dos que tiveram Covid-19 não têm anticorpos. — Não é uma doação simples, o processo, artesanal, leva até 4 horas. Mas muita gente quer ajudar, temos plasma em estoque — frisa. Já receberam infusão de plasma 140 pacientes de Covid-19 — os hospitais Pedro Ernesto (UERJ) e Antônio Pedro (UFF) também realizam protocolos do tratamento.

CORREIO BRAZILIENSE/BRASÍLIA | GERAL
Data Veiculação: 06/07/2020 às 03h00

Apoio especial no front Expostos a estresse, depressão, ansiedade e pressão, profissionais da saúde, como Maria das Graças Oliveira (E) e Silvia Furtado, recebem e oferecem atenção psicológica durante a pandemia da covid-19. Tudo em nome do equilíbrio da saúde mental, essencial para salvar vidas. PÁGINA 19 Na Linha de frente da guerra contra o coronavírus, profissionais da saúde sofrem com estresse, pressão psicológica, depressão e ansiedade. Enquanto eles protegem tantos, também precisam de apoio psicossocial para seguir com o trabalho de salvar vidas Cuidando de quem está na linha de frente » MARIANA MACHADO Eles estão sempre prontos a estender as mãos e cuidar de quem mais precisa. Na hora do sufoco, são os profissionais da saúde que encaram as rotinas intensas e colocam-se na linha de frente para salvar vidas. Com a chegada do novo coronavírus ao Distrito Federal, médicos, enfermeiros, técnicos em enfermagem e tantos outros da área sentem o peso e a responsabilidade de amparar pacientes e familiares. Mas eles também precisam de cuidados e buscam o apoio psicológico para manter a saúde mental equilibrada. A ajuda de uma assistente social e de uma psiquiatra tem sido fundamental para a enfermeira Renata Oliveira, 35 anos. Há um mês, ela lida quase que diariamente com pacientes de covid-19. “Os cuidados são muito individualizados. Alguns precisam de medicamento o tempo todo”, detalha. De modo geral, ela se diz forte, mas, lidar com a morte e com a forma como os familiares encaram o luto não tem sido fácil. Um dos casos que a marcou foi o de um homem de 21 anos. “Era um paciente totalmente fora da curva, não era idoso, nem tinha comorbidades. Mas era obeso e, provavelmente, morreu por isso. Não tem outra explicação. Os médicos fizeram tudo que estava ao alcance. Aquilo mexeu comigo”, lembra. Enfermeira por amor à profissão, ela quer continuar ajudando a quem mais piecisa, mesmo depois da pandemia. “Quando acabar essa confusão, quero me dedicar aos pacientes que tanto precisam de nós, como os oncológicos. Aqueles acamados e que estão de fora da linha de atenção nesses tempos de covid-19.” Diante do momento, há uma tendência para que esses profissionais desenvolvam quadros de depressão e ansiedade, como explica o psicólogo Romeu Maia, do Conselho Regional de Psicologia. “É um cenário de incertezas, e existe um nível elevado de estresse que mexe com toda a organização mental e orgânica da pessoa diretamente envolvida”, avalia. “Um dos medos é de ter que decidir a vida e a morte, caso ocorra um colapso do sistema de saúde. Ainda não aconteceu, mas, a ideia de ter de enfrentá-lo vem desde o comecinho da covid-19 no DE” Super-heróis Gradativamente, a pressão do trabalho tem afetado mais quem trabalha diretamente com pacientes de covid-19. Segundo Marli Rodrigues, presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Brasília (Sindsaúde), o número de profissionais diagnosticados com transtornos mentais triplicou durante a pandemia. “O servidor precisa dar uma resposta para o paciente, mesmo quando não tem condições. Imagine o esforço mental. O sofrimento deles, muitas vezes, é em segredo”, diz. Vestir a capa de super-herói e esquecer a própria saúde mental é um dos inlluenciadores dos quadros de transtornos, explica Fábio Aurélio Leite, psiquiatra do hospital Santa Lúcia. “Eles têm de saber a hora de pedir ajuda e conhecer o limite. Não podem ter preconceito de tomar remédio, seja antidepressivos, ansiolíticos ou indutores do sono”, afirma. Fábio tem acompanhado muitos colegas de profissão que estão lidando com depressão e ansiedade. “Médicos são formados para salvar pacientes da morte, só que a situação atual depende muito menos deles e mais dos recursos e estruturas”, acredita. As incertezas da doença são um fator agravante. No cenário atual, a perspectiva de não conseguir atender a todos é assustadora. “Se a doença sair do controle e o número de casos não parar de subir, o medo é que aconteça o mesmo que ocorreu em alguns países da Europa. Esse é o cenário mais catastrófico", avalia o cardiologista Carlos Rassi, 37 anos. Chefe do pronto-socorro do hospital Sírio-Libanês, ele não apenas lida diariamente com pessoas infectadas por coronavírus, como foi um dos primeiros casos graves a se recuperar no DF. Após voltar de uma viagem aos Estados Unidos, precisou ser internado por 25 dias, período em que, inclusive, ficou intubado. Recuperado, ele voltou a atender. “A parte mais difícil é a ansiedade e o medo dos próprios pacientes. A doença está mais próxima das pessoas”, constata. Para cuidar dos profissionais, o hospital aperfeiçoou uma ala de acompanhamento psicológico, com médicos de família para todos os colaboradores. Carlos garante que a iniciativa ajudou. "Estou seguindo a vida normalmente. Como gestor da instituição, entendo que isso é de extrema utilidade para o profissional.” Apoio O acompanhamento multidisciplinar desses profissionais da linha de frente tem contribuído para manter a qualidade de vida deles. O Hospital Universitário de Brasília (HUB), por exemplo, criou o projeto Cuidar, em que psicólogos, psiquiatras, terapeutas ocupacionais, enfermeiras, dentistas e farmacêuticos atendem às equipes da instituição. “O que mais vemos é a ansiedade e o receio de se contaminar e infectar familiares, além de não saber o que esperar. Isso vai gerando sentimentos, que, se não forem cuidados, podem virar algo patológico”, explica a psicóloga Silvia Furtado, chefe da unidade psicossocial do HUB e coordenadora do projeto. Fotos: Ana Rayssa/CB/D.A Press