Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus:

MSN BRASIL
Data Veiculação: 04/07/2020 às 00h00

A bateria de exames de segunda-feira detectou o primeiro caso de coronavírus no elenco do Palmeiras desde a volta dos treinos presenciais, no último dia 23 - outros dois profissionais que trabalham no centro de treinamento também foram contaminados. Nada, porém, que surpreende. Ao LANCE!, o coordenador científico Daniel Gonçalves explicou que o protocolo tem como objetivo exatamente essa identificação, com programação já pronta para infectados. - O protocolo do Palmeiras é que o atleta assintomático fica em isolamento, fazendo um treinamento físico monitorado, parecido com o que foi feito até o mês passado, de forma virtual, recebendo um programa de treinamento e até se apresentando em tempo real para um treino remoto. Se apresentar sintomas, reduz ou cessa a carga de trabalho e fica em repouso - contou Daniel Gonçalves, que investiga até possíveis sequelas da COVID-19. Antes da volta dos trabalhos na Academia de Futebol, ocorreram os primeiros exames para detectar coronavírus no elenco, no Hospital Sírio-Libanês, no último dia 18 - a primeira de seis baterias desde então. Nesses testes iniciais, apareceu um jogador contaminado e afastado dos treinos - voltou na última segunda-feira - e outros três que tiveram a doença, mas já estavam curados e, por isso, liberados. Todos eles, como tem sido comum em atletas no mundo inteiro, sem sintomas. E todos passaram por análise para se ver deficiências. - Percebemos perda de condicionamento cardiorrespiratório, que pode ter sido proporcionada pela pouca atividade. Mas, dos três, um não teve perda nenhuma, outro teve perda bem pequena e outro, maior. Fizemos uma pesquisa minuciosa, vendo a questão cardiorrespiratória, com exames de sangue, avaliando as funções fisiológica, e não verificamos nenhuma alteração clínica causada pelo vírus - apontou, já vendo evolução em todos os casos. - Estamos em processo de condicionamento e treinamento, então vamos avaliando treino a treino. Temos percebido progresso, mas é cedo para refazer os testes porque eles são muito sensíveis e, em curto espaço de tempo, não apresentaria modificações significativas - explicou o coordenador científico. Daniel Gonçalves explica o que se adota no clube (Agência Palmeiras) O clube trabalha sabendo que novos casos devem aparecer, mas o cuidado é para tornar quase nula a chance de a contaminação ocorrer no centro de treinamento. Há um cuidado a ponto de os preparadores de goleiros jogarem álcool em gel nas bolas antes de as chutarem para defesas. Além disso, o elenco vem sendo dividido em grupos e há até mesmo horário definido para cada um almoçar, mantendo distância entre si. Fora ações mais comuns em ambientes de trabalho de diversas áreas, como o uso obrigatório da máscara. - Inevitavelmente, ocorrerão novos casos de infecção, mas vindo de fora. Se o atleta se apresentar infectado, será identificado. Se não for identificado em um primeiro momento, está no início, com a carga viral ainda baixa e, como o contato próximo com outros é só no ambiente externo, o vento faz a gotícula de saliva cair. Por isso, a atividade física ao ar livre tem menos riscos - explicou Daniel Gonçalves. - Nenhum ramo econômico tem mais segurança sanitária do que clubes de futebol atualmente, porque testamos todos os envolvidos, 100% da população, com uma periodicidade de cerca de 48 horas e com testes de alta confiabilidade, junto com outras medidas, como questionário de sintomas e medição de temperatura corporal. Assim, identificamos o assintomático e reduzimos drasticamente a possibilidade de transmissão - reforçou. O rígido protocolo de segurança tem, entre outras orientações, a instrução de fazer o trajeto para o treino e de volta para casa sem paradas, questionário sobre sintomas, medição de temperatura corporal e estações individuais de descanso, além de material de higiene e nutrição individualizados e a obrigação do uso de máscara quando não estiverem em atividade. O clube mantém a estratégia de não revelar os contaminados. Como já faz desde a semana passada, não divulga imagens de todos os jogadores presentes nas atividades na Academia de Futebol, para que não se desconfie de quem está ausente. Os primeiros testes também indicaram que um funcionário do clube, que não faz parte do elenco, teve a COVID-19 antes da reapresentação, mas se recuperou. Agora, outros dois estão afastados.

FOLHA DE S.PAULO/SÃO PAULO | COTIDIANO
Data Veiculação: 04/07/2020 às 03h00

A desigualdade mata Combinação com populismo exacerba a tragédia Oscar Vilhena Vieira Professor da FGV Direito SR mestre em direito pela Universidade Columbia (EUA) e doutor em ciência política pela USP; autor de "A Batalha dos Poderes” É desconcertante a constatação feita pelo Nobel da Economia Jeffrey Sachs de que 46% das mortes decorrentes do novo coronavírus ocorreram em apenas três países: Estados Unidos, Brasil e México, que representam não mais do que 8,6% de população mundial. Uma das hipóteses explicativas para essa tragédia humanitária é a conjugação de populismo e desigualdade. Como foi apontado pelos pesquisadores da Escola de Economia da FGV SP Nicolas Ajenman, Tiago Cavalcanti e Daniel da Mata, a qualidade da liderança política tem um forte impacto sobre a condução de pandemias. Na ausência de vacinas e remédios eficazes, 0 enfrentamento de uma pandemia como a do coronavírus depende da capacidade de a liderança política coordenar as ações das diversas esferas da administração pública na prevenção e mitigação da doença e, sobretudo, de conduzir a população a um comportamento coletivo que reduza os riscos de propagação da pandemia. Como 0 acesso à informação, especialmente no início de uma crise como a da Covid-19, tende sempre a ser muito desigual e fragmentário, é funda mental que a liderança política seja capaz de construir um forte elo de confiança com a população, deforma a reduzir os comportamentos irracionais e oportunistas, que aumentem 0 risco de toda a comunidade. Para isso é preciso falar a verdade, não negligenciar 0 conhecimento científico e propor medidas que protejam toda a população, especialmente os grupos mais vulneráveis. Da perspectiva jurídica e moral, a diretriz é clara: ninguém deve ser deixa do para trás. Como sabemos, não é isso que têm feito os líderes populistas de Estados Unidos, México e Brasil. Ao negar a virulência da pandemia, desprezar a ciência, boicotar aqueles que estão levando o combate da Covid-19 a sério e estimular a população a não tomar os devidos cuidados com a doença, cada um desses líderes vem dando sua parcela de contribuição para quase metade das mortes relacionadas ao Covid-19 que ocorreram em todo 0planeta, até 0 presente momento, como indica a alta comissária de Direitos Humanos da ONU. A magnitude dessa tragédia sanitária, no entanto, também tem sido potencializada por altos padrões de desigualdade nesses três países. Apesar de sua pujança econômica, os Estados Unidos são o mais desigual entre os países desenvolvidos. Da mesma forma, 0 Brasil, embora se encontre entre as dez maiores economias do mundo, ocupa uma constrangedora posição entre os países mais desiguais do planeta. Essa desigualdade profunda e estrutural, como aponta Paulo Chapchap, diretor do Hospital Sírio Libanês, lança os mais pobres numa condição de enorme vulnerabilidade frente ao vírus. A falta de condições sanitárias, a precariedade da moradia, a necessidade de busca diária pelo ganha-pão, afeta desproporcionalmente os mais pobres, mesmo num país dotado de um sistema sofisticado como 0 SUS. Como indica a pesquisa SoroEpi MSP, coordenada por pesquisadores da USP, Laboratório Fleury e Ibope, voltada a a/erir a proporção de indivíduos que já desenvolveram anticorpos em São Paulo, a maior cidade brasileira vive duas pandemias. O número de infectados é 4,5 vezes maior entre aqueles que não têm 0 primeiro grau com pleto do que entre aqueles que têm 0 ensino superior completo. No mesmo sentido, enquanto 19,7% dos que se declararam negros e 14% dos pardos são soropositivo, essa número cai para 7,9% para os brancos. Se 0 vírus não discrimina, as vítimas preferenciais da desigualdade e populismo têm classe e cor. | dom. Antonio Prata | seg. Tabata Amaral, Thiago Amparo | ter. Vera laconelli | qua. Ilona Szabó de Carvalho, Jairo Marques | qui. Sérgio Rodrigues | sex. Tati Bernardi | sáb. Oscar Vilhena Vieira, Luís Francisco Carvalho Filho