Confira o que os especialistas do Hospital Sírio-Libanês já falaram na imprensa sobre o novo Coronavírus:

BBC BRASIL/SÃO PAULO
Data Veiculação: 03/06/2020 às 00h00

A droga era uma das quatro apostas de tratamento em análise no projeto internacional Solidarity, em que a organização coordena experimentos com pacientes em 18 países com a finalidade de verificar sua segurança e a eficácia no combate ao coronavírus. Estão na lista de medicamentos em estudo a hidroxicloroquina — agora com testes suspensos —; remdesivir; lopinavir-ritonavir; e essas duas drogas combinadas com interferon beta-1a (confira detalhes sobre estudos com cada um destes quatro tratamentos abaixo). Os estudos com a cloroquina e hidroxicloroquina estão cercados de polêmicas. Sua adoção é defendida pelo presidente Jair Bolsonaro, ainda que não haja evidências científicas suficientes de sua eficácia e segurança. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, diz estar tomando a droga preventivamente, contrariando a recomendação oficial dos órgãos de saúde de seu próprio governo. Apesar da decisão da OMS, no Brasil, o Ministério da Saúde vai manter as orientações que ampliam o uso da cloroquina e da hidroxicloroquina. Além destas quatro frentes de aposta do projeto Solidarity, a OMS afirmou por e-mail à BBC News Brasil que está acompanhando mais de 700 estudos clínicos pelo mundo com diferentes medicamentos. Pelo menos 550 destes já estão recrutando pessoas para testes. A organização criou uma plataforma que reúne detalhes destes estudos, como país de origem e tipo de droga usado, em tempo real. Todos as quatro apostas do Solidarity já têm pelo menos um estudo envolvendo pacientes com covid-19 publicado em algum periódico de renome, com revisão de pares, e que segue critérios de excelência em pesquisa científica, essenciais para testar medicamentos — são estudos do tipo clínico randomizado controlado (RCT, na sigla em inglês), que envolve pacientes (clínico), divididos aleatoriamente (randomizado) em um grupo que recebe o medicamento e um grupo de controle, que não recebe medicamento, ou que é submetido a outro tratamento, com placebo, ou seja, os pacientes recebem um medicamento inócuo. Os medicamentos incluídos no Solidarity também foram testados ou já são comercializados para o tratamento de outras doenças, como malária e HIV. Este foi um critério importante para sua escolha por um painel de especialistas consultados pela OMS, pois, por não serem novas criações, há mais garantia de sua disponibilidade e qualidade das informações. Assim, o processo pode ser mais rápido — uma vantagem na comparação com remédios novos ou até vacinas para prevenção, cujo desenvolvimento também está a todo vapor na atual pandemia de coronavírus, mas começa do zero. Ainda que alguns desses medicamentos testados para a covid-19 já estejam disponíveis no mercado, especialistas e autoridades orientam que nenhum deles deve ser usado sem indicação ou supervisão médica — até porque podem levar a uma falta dos itens para pacientes que precisam deles para tratar outras doenças, como ocorreu com a cloroquina. Essas drogas focam em inibir a replicação do vírus. Mas na ausência de uma que comprovadamente ataque esse coronavírus de forma eficaz, há também outros tratamentos em análise que estão sendo usados não para enfrentar o micróbio em si, mas para tratar as consequências que a infecção traz ao corpo. Veja nesta reportagem alguns estudos independentes já publicados sobre os tratamentos escolhidos pela OMS no Solidarity, que ainda não divulgou seus próprios resultados completos. Confira ainda outras drogas que estão sendo pesquisadas no Brasil. Antes de começarmos a falar sobre estudo com outros medicamentos que estāo sendo realizados, é importante ressaltar que especialistas dizem que não há certeza de que haverá uma droga capaz de curar de fato a doença, e que a medida mais eficaz é a prevenção, seja hoje na forma de higiene e isolamento social ou eventualmente com uma vacina. O presidente da Sociedade Brasileira de Virologia, Fernando Spilki, diz que não se deve esperar que um medicamento solucione o problema do coronavírus. Isso porque tratamentos contra vírus são difíceis de desenvolver. "Em tratamento viral, não tem Santo Graal, um remédio que cure. No caso da hepatite C, por exemplo, temos dificuldade para tratar até hoje. Nos pacientes de HIV, é possível controlar sinais clínicos, mas não sem efeitos colaterais e prejuízos à qualidade de vida. E isso é verdade com vários medicamentos e doenças", diz ele. Essa dificuldade, afima, vem do fato de que vírus usam a máquina celular do hospedeiro para se replicar. "Portanto, (ao atacar o vírus), o medicamento acaba inibindo algum aspecto da biologia celular que vai prejudicar o hospedeiro. Você minimiza (o vírus), mas tem efeitos colaterais." Spilki diz também que, além disso, um tratamento ministrado a longo prazo pode acabar se tornando inócuo, pois o vírus desenvolve resistência ao medicamento, assim como acontece com bactérias e antibióticos. Então, o que é realista esperar do desenvolvimento de tratamentos? "Alguns antivirais estão sendo usados - não para cura total, mas para minimizar os efeitos, reduzir o número de dias de internação no hospital. Além disso, há também terapias que tentam modular a resposta inflamatória do corpo", diz ele — essas não são voltadas para frear a replicação do vírus, mas para conter consequências da doença. "Esse tratamento que chamamos de suportivo é o que está salvando vidas", diz o presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), o médico Clóvis Arns da Cunha. Ele consiste de três pilares, explica: oferecimento de oxigênio; medicamentos contra o desenvolvimento de trombos (coágulos no sangue que podem ter como consequência uma série de problemas fatais); e tratamento das doenças crônicas que o paciente pode ter, como dar insulina para diabéticos, por exemplo. O antiviral criado inicialmente para combater o ebola — sem, no entanto, passar da fase dos experimentos para a comercialização — é uma aposta importante nos Estados Unidos, de onde saiu um dos principais estudos recentes sobre o medicamento. Era do remdesivir que o médico Anthony Fauci, do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas dos EUA (Niaid, na sigla em inglês) e um dos nomes mais importantes no combate ao coronavírus no país, estava falando no final de abril quando disse que testes realizados pelo órgão mostraram um efeito "certeiro" para tratar a covid-19. O estudo em questão é do tipo RCT e envolveu 1.063 pacientes com quadro moderado a crítico em diferentes países. Após a publicação do estudo, um editorial do New England Journal of Medicine classificou os resultados como "relativamente modestos". O principal deles foi uma diminuição no tempo para recuperação dos doentes, de 11 dias entre aqueles que receberam o remdesivir na veia e 15 o placebo. Também foi constatado menor percentual de mortalidade entre aqueles que receberam o remdesivir (7,1%) do que os que tomaram o placebo (11,9%), mas essa diferença não é considerada estatisticamente relevante. Efeitos colaterais sérios foram observados em 27% dos que tomaram o placebo e 21% no grupo do remdesivir — neste, os efeitos mais comuns foram anemia e insuficiência renal. Mas em ambos os grupos, nenhuma morte foi ligada aos tratamentos. "Nossos resultados preliminares dão suporte ao uso do remdesivir em pacientes hospitalizados com covid-19 e que precisam de suplemento de oxigênio. No entanto, considerando a alta mortalidade apesar do uso do remdesivir, é evidente que um tratamento apenas com um antiviral não é suficiente", conclui o artigo, sugerindo associação com outros antivirais ou tipos de medicamentos. O remdesivir inibe a replicação de vírus, como foi observado antes em testes com animais para a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS). In vitro, com células cultivadas em laboratório, o medicamento também mostrou boa atividade contra o coronavírus que causa a covid-19 — mas isso precisa, para todo tratamento, ser ratificado em testes com pacientes. Pesquisadores chineses publicaram em abril um artigo no periódico Lancet concluindo que o "remdesivir não se mostrou associado a benefícios clínicos estatisticamente significativos" em tempo de recuperação ou mortalidade na comparação com um placebo. O estudo, também do tipo RCT, envolveu 237 adultos internados em estado grave por covid-19 em hospitais de Wuhan, cidade chinesa origem da covid-19. Mas este experimento acabou sendo limitado por medidas de isolamento, que atrapalharam o recrutamento de pacientes — o que os próprios autores reconhecem como um fator que pode ter influenciado nos resultados. Também vem do New England Journal of Medicine o mais importante — por seu desenho e número de participantes, 199 — estudo publicado até aqui de tratamento para covid-19 com lopinavir-ritonavir, uma combinação usada no tratamento do HIV. O estudo, do tipo RCT, dividiu pacientes em um grupo recebendo a dupla lopinavir-ritonavir e outro o apenas tratamento padrão para covid-19 (com antibióticos e ventilação mecânica, entre outros). Não foi constatada diferença no tempo de recuperação (cerca de 16 dias nos dois grupos) —, parâmetro definido como prioritário no artigo. É digno de nota que os pacientes envolvidos estavam muito doentes, podendo ser nesses casos tarde demais para que o tratamento antiviral funcionasse. Os pacientes estavam internados em um hospital de Wuhan, China. Em indicadores considerados secundários no estudo, porém, a dupla lopinavir-ritonavir teve resultados ligeiramente melhores — mas estatisticamente não tão significativos — do que o tratamento padrão, como mortalidade no 28º dia de doença (19% no primeiro grupo e 25% no segundo); e tempo na UTI (6 dias versus 11). Efeitos adversos gastrointestinais, como náusea e diarreia, foram mais comuns no grupo lopinavir-ritonavir, mas consequências consideradas mais graves, como insuficiência respiratória e renal, foram mais frequentes no grupo do tratamento padrão. Como no estudo com o remdesivir, os autores do artigo no NEJM apontaram ser desejável que se realizem testes da associação lopinavir-ritonavir com outros medicamentos. Também foram publicados alguns estudos importantes sobre esta dupla, mas nestes casos ainda sem a chamada revisão dos pares (peer review) ou no modo pré-publicação (preprint) — neste caso, o trabalho foi revisado por especialistas independentes e aceito, mas ainda não foi publicado em uma edição completa do periódico. Um estudo deste tipo, em pré-publicação, dividiu 86 pacientes em grupos recebendo lopinavir-ritonavir; o antiviral umifenovir; ou tratamento padrão. Os pesquisadores, da China, não encontraram diferenças significativas nos parâmetros principais do estudo, como tempo para que o exame molecular desse negativo para o coronavírus e também desaparecimento de febre e tosse. Outro estudo, também chinês e publicado na plataforma Medrxiv, apostou no antiviral novaferon em comparação com lopinavir-ritonavir. Com 89 pacientes, o teste os dividiu em três grupos: aquele que recebeu apenas o novaferon; um segundo, com novaferon e lopinavir-ritonavir; e um terceiro, que foi tratado apenas com lopinavir-ritonavir. Em média, o tempo para que o vírus não fosse mais detectado por testes moleculares foi melhor nos grupos que receberam novaferon e novaferon com lopinavir-ritonavir (seis dias), do que naquele que recebeu apenas lopinavir-ritonavir (nove dias). Como neste teste com o novaferon, uma das quatro frentes do Solidarity aposta na associação de medicamentos — mas, neste caso, a dupla antiviral lopinavir-ritonavir é associada ao interferon beta, um "imunomodulador" usado para fortalecer o sistema de defesa principalmente no tratamento da esclerose múltipla. O estudo mais completo a se aproximar desta tentativa foi publicado no Lancet por mais de 40 cientistas liderados pelo professor da Universidade de Hong Kong Kwok-Yung Yuen. Do tipo RCT, o trabalho envolveu 127 pacientes com quadros leves a moderados de covid-19. Os participantes foram divididos em dois grupos. Um recebeu apenas lopinavir-ritonavir (grupo controle); outro, lopinavir-ritonavir, interferon beta 1-b e também ribavirina, outro antiviral. Quem tomou este coquetel eliminou mais rápido (em média sete dias) o coronavírus segundo constataram testes moleculares, na comparação com quem recebeu apenas lopinavir-ritonavir (12 dias). Também foram constatados melhores resultados da combinação tripla no tempo para desaparecimento de sintomas (quatro dias, versus oito no grupo controle); e para alta do hospital (nove dias versus 14,5). Como nenhum paciente morreu durante o estudo, não foram considerados dados de mortalidade. Os efeitos adversos foram considerados leves e semelhantes nos dois grupos (relatado por cerca de metade dos participantes de cada grupo), incluindo principalmente diarreia, febre e náuseas. Agora, os autores querem verificar particularmente qual é o papel do interferon beta nos efeitos positivos, buscando responder se ele pode agir sozinho ou precisa mesmo ser combinado a outras substâncias. Enquanto a publicação no Lancet trabalhou com o interferon beta 1-b, a OMS incluiu no Solidarity o interferon beta 1-a. Ana Cristina Simões e Silva, professora titular da Faculdade de Medicina Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), explica que as letrinhas distintas correspondem a "diferenças moleculares pequenas, que modulam de forma sutil o interferon" — esta sim a substância que mais importa. Ela esclareceu também por que a combinação com outros medicamentos pode ter feito tanta diferença nos resultados, em comparação com lopinavir-ritonavir isolado. "Quando se combina tratamentos, o objetivo é combinar mecanismos diferentes de ação. Por exemplo, um antiviral conjugado a uma droga que modula o sistema imune: você quer atuar em duas frentes, bloqueando a proliferação do vírus dentro da célula e controlando a resposta imune. Supõe-se que isso pode ser mais potente, pois você está como que 'atacando em duas frentes'", diz Silva, médica pós-doutora pelo Medical College of Wisconsin, nos EUA. Pode ser também que estas diferentes ações possam ser escalonadas por fases da doença, sugere a pesquisadora. "Para uma infecção inicial, o antiviral me parece ótimo, porque ele contém a disseminação do vírus. Mas em uma fase intermediária, fármacos que controlam o sistema imune podem entrar muito bem", aponta, lembrando que muitos quadros graves de coronavírus envolvem uma resposta exacerbada do sistema imunológico. O último boletim da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) registrou 347 estudos aprovados sobre o vírus aprovados até o dia 25 de maio no Brasil, parte deles, sobre diferentes tratamentos para a covid-19. Na lista estão testes com cloroquina, hidroxicloroquina, esses dois associados ao antibiótico azitromicina, com células mesenquimais, corticoide, com a transfusão de plasma sanguíneo de pacientes convalescentes da Covid-19, entre outros. Uma aposta do governo brasileiro é a nitazoxanida (comercializada como o vermífugo Annita). O Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações está fazendo testes clínicos em 17 hospitais em sete Estados do país. Os testes estão sendo feitos em pacientes na fase inicial da doença, com sintomas leves ou assintomáticos, e também com sintomas graves da doença ou hospitalizados. Antes disso, foram feitos testes em laboratório para identificar medicamentos que tenham moléculas que possam inibir proteínas que são necessárias para que o vírus se replique. Foram feitos testes in vitro juntando seis delas com células infectadas com o SARS-CoV-2. O Annita foi o medicamento que apresentou maior eficácia, 94%. Pesquisadores ressaltam que bons resultados de pesquisas in vitro são apenas indícios de sucesso, pois o medicamento pode não funcionar da mesma maneira em humanos. O estudo em pacientes ainda não tem o número de participantes necessário, 500, para ter seus resultados divulgados. A hidroxicoloroquina é um derivado mais brando da cloroquina. A hidroxicloroquina é usada para tratar reumatoide, lúpus, e outras doenças autoimunes, e a cloroquina é usada para prevenir e tratar a malária. A esperança mundial de que a hidroxicloroquina pudesse ser um tratamento para a covid-19 começou na China, após um estudo feito in vitro, numa cultura de células, ter resultados positivos. No entanto, fenômenos observados in vitro podem não acontecer quando o medicamento é aplicado a seres humanos. Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, Clóvis Arns da Cunha, menos de 10% das drogas testadas com sucesso in vitro têm o mesmo resultado em humanos. Em seguida foi feito um estudo na França em pacientes com covid-19, depois amplamente criticado pela comunidade científica pela falta de rigor em sua metodologia. A Food and Drug Administration (FDA), agência americana reguladora de alimentos e medicamentos, havia emitido em março uma autorização de "uso emergencial" da hidroxicloroquina e da cloroquina no tratamento da covid-19 para um número limitado de casos hospitalares. Um mês depois, no entanto, diante de estudos apontando um elo entre os medicamentos e a incidência de arritmia cardíaca em pacientes, a agência advertiu contra o uso deles fora de hospitais ou de testes clínicos. Muitas pesquisas vêm sendo feitas, adotando uma variedade de metodologias. A maior delas foi publicada recentemente no periódico científico The Lancet. O estudo coletou informações de 96 mil pessoas internadas com coronavírus em 671 hospitais de seis continentes e mostrou que não houve benefício no uso da hidroxicloroquina após o diagnóstico de covid-19. Além disso, seu uso foi associado a um risco maior de arritmia e de morte. Após essa publicação, a Organização Mundial da Saúde (OMS) decidiu suspender os estudos com a hidroxicloroquina no projeto Solidarity. A cloroquina não chegou a ser testada no escopo da pesquisa incentivada pela entidade. O estudo publicado no periódico Lancet é observacional — os cientistas não têm tanto controle sobre os grupos, seu recrutamento e monitoramento, como em um estudo RCT. Após a publicação do estudo, um grupo de mais de 100 cientistas enviou uma carta ao periódico onde pedem mais transparência a respeito dos dados usados na pesquisa e fazendo outros questionamentos. O grupo levanta dúvidas sobre a integridade dos dados e sobre a metodologia do estudo. O periódico publicou nesta terça-feira (2/6) uma nota em que alerta leitores de que "questões científicas sérias" foram trazidas à sua atenção e diz que os autores do estudo encomendaram uma avaliação independente dos dados, que deve ser tornada pública em breve. De acordo com a cientista-chefe da OMS, Soumya Swaminathan, a suspensão dos estudos sobre a hidroxicloroquina foi feita por precaução, devido ao fato de o estudo da Lancet ter sido feito com um número expressivo de pacientes e após questionamentos feitos por agências de saúde de vários países. Segundo ela, será feita uma revisão e o conselho do Solidarity, formado por dez dos países participantes (o Brasil não faz parte da lista), vai decidir se retoma ou não os estudos com a droga nas próximas semanas. Seja qual for o resultado, a OMS diz que, por enquanto, cloroquina e hidroxicloroquina só devem ser usadas em experimentos, em hospitais e sob supervisão médica. Como ainda há pesquisas em andamento, Arns diz que a avaliação sobre a hidroxicloroquina pode mudar no futuro. Como ainda não existe um medicamento que possa comprovadamente impedir o avanço do vírus, uma solução é tratar pacientes dos problemas que advêm da doença. Nos casos mais leves, isso significa, por exemplo, tomar analgésicos e anti-inflamatórios como paracetamol, ibuprofeno ou dipirona. Para casos graves, médicos estão adotando alguns caminhos, como oferecer oxigênio por meio de respiradores, lidar com consequências da inflamação dos tecidos e tratar as doenças crônicas que o paciente possa ter. Pacientes de covid podem ter uma infecção tão grave que pode levar a uma reação desproporcional do sistema imunológico, que vem sendo chamada de "tempestade inflamatória". A inflamação é tal que pode prejudicar os órgãos. Pesquisadores acreditam que uma substância central para essa reação é a proteína interleucina 6, portanto, uma linha de aposta é administrar um medicamento que possa frear seu efeito, o tocilizumabe. A droga está sendo objeto de um ensaio clínico randomizado com 150 pacientes da Beneficência Portuguesa de São Paulo. Também está sendo testada em 200 participantes pelo Albert Einstein, em estudo aberto - quando pacientes e médicos são informados do uso e dose da droga, sem placebo. Parte dos pacientes graves de covid-19 desenvolvem trombose, coágulos nos vasos sanguíneos - não se sabe ao certo qual proporção deles. Esses coágulos podem se formar nos capilares que envolvem o pulmão. Desse modo, esses coágulos, ou trombos, podem dificultar a circulação de oxigênio pelo corpo. Para isso, médicos têm administrado anticoagulante como a heparina a pacientes de covid-19 em estágios mais avançados da doença - os cerca de 15% do total de infectados que precisam de atendimento em hospital. Anticoagulantes são feitos para tornar o sangue mais líquido e evitar que ele se solidifique e forme coágulos. Liderando o uso e o estudo da droga anticoagulante heparina em pacientes do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, está a doutora Elnara Negri, professora do departamento de patologia, médica do Laboratório de Investigação Médica, do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e pneumologista do Sírio-Libanês. Ela diz que a heparina deve ser usada apenas no grupo de pacientes que precisam ser hospitalizados e que ela deve ser usada com cuidado e exclusivamente com acompanhamento médico, pois pode ter como efeito colateral a hemorragia. Além disso, há uma série de contraindicações. Não pode ser usada, por exemplo, em pessoas que estão se recuperando de cirurgias, fazendo tratamentos oncológicos e outros. "De jeito nenhum deve ser administrado sem acompanhamento. As consequências podem ser graves", diz ela. Nos pacientes para os quais não há contraindicações, o uso e a dose devem ser avaliados constantemente por uma equipe médica. Neri e sua equipe publicaram os resultados num estudo pre-print - ou seja, que ainda não foi revisto por outros especialistas, passo importante para a validação de uma pesquisa. Outra limitação é que o estudo não teve grupo de controle, ou seja, os resultados não foram comparados com os de pessoas que não receberam o tratamento. Para tornar a avaliação do tratamento mais precisa, ela e sua equipe agora desenvolvem uma análise retrospectiva, comparando as situações de pacientes que tomaram heparina e outros que não tomaram. Isso, no entanto, ainda não é o bastante. Ela diz que o medicamento também será adotado para tratamento no HC da USP e que lá será feito um teste clínico randomizado e controlado, passo necessário para que um tratamento possa ser avaliado por sua segurança e eficácia. Já assistiu aos nossos novos vídeos no YouTube? Inscreva-se no nosso canal!

FOLHA WEB/BOA VISTA
Data Veiculação: 03/06/2020 às 00h00

Depois da publicação da matéria "Hospital de Campanha ainda não tem previsão de funcionamento", a equipe FolhaBV recebeu a informação de que instituições como Ministério da Saúde, Hospital Sírio Libanês e Banco Itaú, por meio do projeto “Todos Pela Saúde - Uma Aliança Contra a Covid-19” fizeram parceria com a Operação Acolhida em Roraima, com a finalidade de agilizar o início do funcionamento da Área de Cuidados, que seria de responsabilidade do Governo do Estado. A informação é de que a parceria vai proporcionar a abertura dos 80 leitos e ampliação de mais leitos, assim como haverá contratação de médicos de todo o país, aquisição de insumos, equipamentos e medicamentos para garantir o funcionamento da área de Cuidados, pois a área de Proteção já está em funcionamento. Ainda não há uma data para a abertura da Área de Cuidados, mas a informação obtida é de que está sendo trabalhado para que seja o mais breve possível.

G1/NACIONAL
Data Veiculação: 03/06/2020 às 20h30

O Hospital das Clínicas de São Paulo vai começar a testar o uso de plasma de pacientes que já tiveram o novo coronavírus no tratamento de pacientes que estão internados com Covid-19. O estudo já havia sido autorizado em hospitais privados da capital, mas é inédito na rede pública de São Paulo. O plasma é a parte líquida do sangue. O uso desta substância retirada de pacientes recuperados já foi usado com sucesso em surtos de outras infecções respiratórias, incluindo a pandemia do vírus influenza H1N1, que ocorreu entre 2009 e 2010; a epidemia de Síndrome Aguda Respiratória (chamada de Sars-CoV-1), em 2003; e a epidemia de síndrome respiratória do Oriente médio (Mers-CoV), de 2012. No HC, 40 pacientes vão receber de 400 a 600 ml de plasma. O estudo ainda vai ter um grupo de controle - 40 pacientes que não vão receber as amostras. Os voluntários serão pessoas internadas em enfermarias e UTIs, com autorização das famílias. A ideia é que essa terapia evite o agravamento da doença. “Nosso estudo pega os pacientes que ainda não foram entubados, até 48h depois de serem entubados. Isso é porque a gente quer pegar em um estado mais precoce. Uma das hipóteses é que o plasma teria um efeito antinflamatório, então o que a gente pensa é que, além de ter esse efeito da imunoterapia, de dar anticorpos para o paciente, ele teria componentes dentro do plasma que evitariam inflamação”, afirma Vanderon Rocha, diretor do Hemocentro de São Paulo. O Hospital das Clínicas espera ter um resultado preliminar sobre o estudo em até dois meses. Esse tempo pode ser menor, dependendo do recrutamento dos pacientes. Testes de vacina São Paulo também recebeu outra notícia positiva nesta terça-feira (3) sobre o combate ao coronavírus. A Unifesp vai testar, em profissionais de saúde, a vacina que a universidade de Oxford, na Inglaterra, está desenvolvendo contra a doença. A Anvisa já autorizou esses testes. A universidade vai selecionar 2 mil voluntários em São Paulo e no Rio de Janeiro entre aqueles que mais estão expostos à Covid-19: profissionais de saúde, motoristas de ambulâncias e equipes de limpeza dos hospitais, por exemplo. Um grupo vai receber a vacina e o outro não, para servir de comparação. Os voluntários serão acompanhados durante um ano. Plasma em hospitais particulares O consórcio dos hospitais Albert Einstein, Sírio-Libanês e Universidade de São Paulo já havia sido autorizado pela da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) para começar a fazer testes clínicos com plasma de pacientes que já se recuperaram do coronavírus em doentes em estado grave. Nos Estados Unidos, a agência que regulamenta medicamentos, a Food and Drug Administration (FDA), autorizou o tratamento experimental contra a Covid-19 usando plasma de pacientes que já se recuperaram da doença provocada pelo novo coronavírus. Um estudo feito com cinco pacientes graves internados em um hospital da China, usando o mesmo método, já demonstrou eficiência. "Se a terapia funcionar como nós estamos esperando, dentro dos parâmetros que nós estamos esperando, ela deve ser útil para evitar que um grande número de pessoas vá para a UTI. Que é justamente aonde está o maior gargalo. Você tem bem menos gargalo, felizmente, na internação comum do que em UTI, porque os números de leitos são bem menores. Então, o objetivo da pesquisa, entre outras coisas, é claramente diminuir o número de pacientes que necessitem de suporte de Terapia Intensiva", disse Luiz Vicente Rizzo, diretor de pesquisa do Hospital Albert Einstein. A Agência Naional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou uma nota sobre o tema, que reconhece que o plasma tem potencial de ser uma opção para tratamento da Covid-19. Mas que o tamanho limitado de amostras e o desenho dos estudos impedem a comprovação definitiva sobre a eficácia. A Anvisa disse que é papel dela alertar que não existem evidências científicas conclusivas sobre a eficácia do tratamento e que os estudos clínicos com o plasma para a Covid-19 não precisam ser aprovados pela agência. O Ministério da Saúde disse que realiza uma revisão da literatura científica para avaliar se há dados suficientes e robustos a respeito da eficácia da utilização da técnica e que está em contato com centros hemoterápicos que deram início aos protocolos de pesquisa. Se houver evidência da efetividade de novas terapias, o Ministério diz que pode compartilhar orientações para o uso delas pelo serviço de saúde. "Eu entendo hoje que a maior dificuldade realmente vai ser definir aqueles doadores que de fato são convalescentes. Quem são esses, quem são esses pacientes, que, na verdade, são esses pacientes, de fato como que eles vão ser definidos, como que eles vão ser definidos como curados. Nós temos que ter critérios, nós temos que refletir sobre isso, exatamente qual o melhor doador, qual o melhor momento, o fato é que o tempo urge. E nós precisamos fazer isso no intervalo mais curto de tempo", disse Daniel Tabak, hematologista, oncologista e membro titular da Academia Nacional de Medicina. Alessandro Leal, médico oncologista e pesquisador do Albert Einstein, disse em entrevista ao Fantástico que “o soro, cumprindo esses anticorpos, eles podem ser administrado, de maneira profilática, para prevenir a infecção em casos de alto risco como, por exemplo, indivíduos idosos, ou vulneráveis, pacientes com doenças cardiovasculares e até prestadores de cuidados de saúde, com exposição de casos já confirmados de covid-19”. “Esse é um tratamento promissor, visto que a vacina levará de 12 a 18 meses pra gente obter sucesso”, disse Leal. Em meio à urgência da pandemia do coronavírus, a FDA está liberando o uso emergencial de plasma de pacientes recuperados para serem usados naqueles que estão com o quadro grave da doença, enquanto estudos mais completos ainda estão sendo desenvolvidos. "Esse processo [liberado pela agência] permite o uso de um medicamento sob investigação para o tratamento de um paciente individual feito por um médico licenciado, mediante autorização da FDA. Isso não inclui o uso de plasma convalescente da Covid-19 para a prevenção de infecção", afirma a instituição. Segundo a agência americana, "embora promissor, o plasma convalescente não demonstrou ser eficaz em todas as doenças estudadas." De acordo com a FDA, "é importante determinar, por meio de ensaios clínicos (...) o que é seguro e eficaz de fazer." Experiência na China Na China, cinco pacientes em estado grave diagnosticados com a Covid-19 apresentaram melhora após o tratamento com plasma de pessoas que adquiriram o novo vírus e se recuperaram. Os resultados fazem parte de uma pesquisa feita por um hospital da China, e divulgada nesta segunda (30) pela revista de pesquisa científica Jama. A pesquisa foi realizada pelo departamento de doenças infecciosas do hospital, Third People's Hospital em Shenzhen no sudoeste do país, em cinco pacientes que apresentaram pneumonia grave com progressão rápida e a carga viral da Covid-19 continuamente alta. Todos estavam respirando por meio de aparelhos. O estudo foi realizado de 20 de janeiro a 25 de março deste ano. Os pacientes, com idades entre 36 e 73 anos, receberam a transfusão de plasma com um anticorpo específico neutralizados do Sars-Cov-2, o nome científico do novo coronavírus. O plasma convalescente, rico em anticorpos, vem sendo usado por décadas para tratar doenças infecciosas, como o ebola e a influenza. Após a transfusão, a temperatura corporal de quatro pacientes normalizou em três dias, e as cargas virais também diminuíram 12 dias após a transfusão. Três dos cinco pacientes tratados voltaram a respirar sem a ajuda de aparelhos dentro de duas semanas após a transfusão. Eles receberam alta hospitalar após permanecerem internados cerca de 50 dias. Os outros dois estão em condição estável após 37 dias da transfusão. Os doadores de 18 a 60 anos haviam se recuperado da infecção e consentiram em fazer a doação sanguínea para a pesquisa. Segundo os pesquisadores, a limitação de testes impede a afirmação definitiva sobre a eficácia do tratamento.

FOX SPORTS BRASIL
Data Veiculação: 03/06/2020 às 07h36

Avaliação do departamento médico do Verdão é de que haverá a necessidade de uma nova pré-temporada para o elenco quando as atividades forem retomadas Gazeta Press A comissão técnica do Palmeiras ficou preocupada com a incidência de lesões na retomada do Campeonato Alemão após a parada pela pandemia de covid-19. Com o time inativo há mais de dois meses, o clube planeja também fazer novos exames cardiológicos em seu elenco no conceituado hospital Sírio-Libanês. “O futebol alemão logo na primeira rodada teve vários jogadores com lesões, já ligando o sinal de alerta. Há estudos que demonstram a necessidade de uma pré-temporada adequada com o objetivo de performance e de evitar lesões, mas nossa realidade nesse ano é totalmente diferente”, disse o coordenador científico Daniel Gonçalves durante o Congresso Palmeiras de Ciências do Futebol. O time alviverde está inativo desde o último dia 14 de março, data em que empatou por 0 a 0 contra a Inter de Limeira, pela 10ª rodada do Campeonato Paulista. A partir do começo de maio, impossibilitado de usar a Academia de Futebol, o elenco vem realizando treinamentos físicos a distância. “Todos os nossos atletas serão novamente testados na parte cardiológica. Vamos verificar os déficits das condições anteriores para ter um trabalho específico nesse retorno, de forma que consigamos prevenir lesões”, declarou o coordenador científico do Palmeiras. O clube já preparou um protocolo para a retomada das atividades e pretende testar todos os seus atletas. Para os eventuais resultados positivos, Daniel Gonçalves planeja checar possíveis prejuízos renais e hepáticos, além de cardiológicos. O futebol será retomado em São Paulo apenas com aval das autoridades sanitárias municipais e estaduais. “Vamos ter muito cuidado com esse retorno, porque coisas novas surgiram. O que aconteceu na Alemanha pode acontecer no Brasil. Nosso atleta não é o que a gente acha, mas o que ele pode apresentar. O atleta tem limite de assimilação e resposta física. Esses cuidados estão sendo tomados”, garantiu o coordenador de preparação física Antônio Mello.

SAGRES/APARECIDA DE GOIÂNIA
Data Veiculação: 03/06/2020 às 07h35

A Prefeitura de Aparecida de Goiânia, por meio do Comitê de Prevenção e Enfrentamento ao novo Coronavírus, decretou a realização do escalonamento regional das atividades comerciais na cidade a partir da próxima segunda-feira (8). O objetivo é aumentar a taxa de isolamento na cidade, conforme recomenda as autoridades de Saúde, evitando assim a contaminação em massa da população pela Covid-19. De acordo com a portaria nº 035/2020 do Gabinete da SMS, o município foi dividido em 10 macrozonas, sendo que a cada dia da semana, duas delas não irão funcionar. A portaria que regulamenta o escalonamento do comércio do município foi publicada na tarde desta quarta-feira (3) no suplemento do Diário Oficial Eletrônico de Aparecida. O prefeito Gustavo Mendanha explica que, desde 22 de abril, Aparecida de Goiânia vem construindo um plano de enfrentamento com maior previsibilidade de isolamento social e para combater a Covid-19, e que o escalonamento é mais uma forma de promover o distanciamento social, alcançando 50% da população da cidade em casa. “Esta é uma ação inédita. Precisamos ampliar o isolamento, que hoje é de 35,8% para mais de 50%. Dessa forma vamos evitar o colapso do sistema público de Saúde e reduzir o índice de contágio da doença, além de melhor atender aos pacientes que apresentarem a forma mais grave da Covid-19”, sublinhou o prefeito Gustavo Mendanha. “Não podemos retomar tudo de forma irresponsável. O momento é de redobrar os cuidados”, complementou. As 10 macrorregiões foram divididas em Jardim Alto Paraíso, Vila Brasília, Buriti Sereno, Expansul, Papillon Park, Santa Luzia, Zona da Mata, Centro, Cidade Livre e Garavelo. Os lockdowns regionais (bloqueios totais das atividades) acontecerão um dia por semana, em duas das macrorregiões diferentes, a partir desta segunda-feira, 08 de junho. Como mostra o quadro abaixo, nas segundas-feiras serão fechados os comércios, inclusive os essenciais como farmácias e supermercados, nas macrorregiões da Vila Brasília e Jardim Alto Paraíso; nas terças-feiras não funcionarão os estabelecimentos da região do Garavelo e Zona da Mata; nas quartas ficarão sem abrir o comércio a região do Buriti Sereno e Cidade Livre; já nas quintas-feiras não abrem o Centro e Expansul e, por fim, nas sextas-feiras ficam fechados os estabelecimentos da região do Santa Luzia e Papillon Park. “Sábados e domingos não entram no programa, pois o funcionamento no sábado é em apenas uma parte do dia e o domingo é o dia comumente usados para descanso. Queremos pontuar que o escalonamento tem como função evitar que as pessoas circulem nas ruas dessas regiões. Muitos comerciantes questionaram se fechando uma região a população não vai para a outra fazer compra. Por isso, o que podemos neste momento é contar com a compreensão e conscientização dos moradores, para que se programem, pois vamos divulgar em vários locais como funcionará o escalonamento, e todos podem evitar sair naquele dia que a sua região estiver em lockdown”, afirmou o prefeito. Aparecida já registrou mais de 500 casos de Covid-19 em mais de 100 bairros, de acordo com a Secretaria Municipal de Saúde. Efetividade do Escalonamento O secretário de Saúde, Alessandro Magalhães, explicou as estratégias de enfrentamento à Covid-19 adotadas pela Prefeitura, que também obedecem às recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS). Segundo ele, elas podem ser resumidas em três frentes: testar, isolar e cuidar. “Aparecida já realizou mais de seis mil testes para diagnóstico da Covid-19. Definimos critérios para a realização do exame e nossas estatísticas comprovam que a testagem tem sido eficaz: a cada 11 exames realizados diagnosticamos um positivo. Essa testagem em massa, bem direcionada, nos permite o diagnóstico e o isolamento precoce dos contaminados”, afirmou. Segundo o secretário, em 62% dos casos positivos da cidade a Secretaria identificou a origem da infecção. “Nossa equipe de telemedicina liga todos os dias para os casos confirmados e acompanha o isolamento, rastreando a contaminação”. De acordo com Alessandro Magalhães, até hoje, apenas 12% dos pacientes diagnosticados com Coronavírus em Aparecida de Goiânia precisaram de internação, sendo que 7% ficou hospitalizado em Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). “Nesse sentido, ampliamos a oferta de leitos. Atualmente, temos 63 UTI´s exclusivas para pacientes com Covid-19 e 60 semi-UTI´s. Além disso, firmamos uma parceria com o Hospital Sírio-Libanês e diariamente os médicos de lá avaliam remotamente nossos pacientes. Isso nos permite usar protocolos médicos avançados”, detalhou. Para Alessandro Magalhães, essas medidas fecham o ciclo de recomendações da OMS, que embasam as ações de enfrentamento ao Coronavírus. “Diariamente monitoramos a taxa de ocupação dos nossos leitos e o coeficiente de incidência da doença. A partir desses dados, seguindo a matriz de risco do Ministério da Saúde, temos que hoje o risco da pandemia em nossa cidade é baixo. Caso esse risco mude de patamar, o escalonamento também vai mudar, de forma a ficar mais rígido”, completou. A aprovação do escalonamento do comércio foi tomada nesta segunda-feira, 1º, durante reunião do Comitê na sede da Cidade Administrativa. A discussão sobre a nova portaria contou com a presença de representantes do Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO), Defensoria Pública, Câmara de Vereadores, OAB Subseção Aparecida, Associação dos Feirantes de Aparecida, Associação Comercial e Industrial de Aparecida de Goiânia (Aciag). Sesi/Senai, Sebrae Regional Aparecida e Federação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte em Goiás (Femicro-GO). “Além dos estudos feitos pelos membros do comitê, realizamos reuniões diárias com comerciantes de todas as macrorregiões de Aparecida para debater o assunto e informar todos os passos a serem tomados pela gestão, que tem o objetivo de preservar vidas”, pontuou o prefeito Gustavo Mendanha. Fiscalização Para garantir o cumprimento das normas de segurança contra o contágio do novo coronavírus no comércio e garantir que os estabelecimentos das macrorregiões fiquem sem funcionar nos dias estipulados a cada uma, a Prefeitura de Aparecida aumentou de 500 para 800 o número de servidores que atuam na fiscalização orientativa e ostensiva do município. Os 300 novos profissionais designados para essa atividade começarão a trabalhar nesta segunda-feira (8) em conjunto com as equipes que já atuam nas fiscalizações desde o dia 28 de abril, data em que foi flexibilizado o funcionamento de 82% das atividades comerciais de Aparecida. De acordo com o secretário da Fazenda de Aparecida, André Luis Rosa, todos os estabelecimentos precisam atender as regras e não abrir nos dias estipulados para a macrorregião em que está inserido. “Até mesmo os supermercados, mercearias, distribuidoras e farmácias não poderão funcionar nesses dias. A exceção é apenas para hospitais; órgãos públicos e concessionários de serviços públicos; segurança pública e privada; atividades religiosas, que já cumprem rodízio; funerárias; indústrias dos Pólos Industriais com mais de 15 trabalhadores que fornecerem transporte coletivo; e as feiras que terão regras próprias com rodízio”, pontuou o secretário. Continua proibido o funcionamento de academias, arenas de esporte, galerias, bares e restaurantes. Estes dois último são permitidos apenas em forma de entrega (delivery). Eventos também continuam suspensos.

CNN BRASIL ONLINE
Data Veiculação: 03/06/2020 às 19h00

Um dos sintomas mais associados aos quadros graves de Covid-19 é a insuficiência respiratória. Um grupo de cientistas da USP sustenta a hipótese de que a raiz de parte dos mais severos sintomas respiratórios da doença está em um distúrbio de coagulação do sangue causado pelo novo coronavírus. Além disso, foram positivos os resultados preliminares do uso do remédio anticoagulante heparina no tratamento de pacientes graves. Uma das primeiras profissionais a iniciar estudos sobre os efeitos na coagulação do sangue causados pelo novo coronavírus foi a médica Elnara Negri, professora da Faculdade de Medicina da USP, que atua no Hospital das Clínicas e no Hospital Sírio-Libanês, ambos na capital de São Paulo. A médica contou à CNN que, no final de março, observou uma paciente no Hospital Sírio-Libanês que, mesmo respirando normalmente, apresentava níveis baixos de oxigênio no sangue. Além desta condição, chamada de "hipóxia silenciosa", a paciente apresentou sinais de trombose no dedão do pé. Elnara explicou que, ao ver as marcas no dedão, associou os sintomas a um problema na coagulação e começou a administrar heparina. A paciente teve uma melhora progressiva até se recuperar da doença e ganhar alta hospitalar. A médica compartilhou o resultado desta primeira experiência com outros médicos do Hospital das Clínicas (HC) da USP. Assim, os pesquisadores foram tentar entender como estes coágulos poderiam estar afetando os pulmões de quem morreu com quadro grave de Covid-19. Esse estudo foi possível graças a um método de autópsia seguro e pouco invasivo desenvolvido no HC, que inclusive ganhou destaque na renomada revista científica Nature. Os pesquisadores compilaram suas descobertas em um artigo que foi revisado por outros cientistas e publicado no Journal of Thrombosis and Haemostasis. Leia também: Os efeitos do vírus na coagulação os estudos mostram que a Covid-19 faz com que, basicamente, as células do revestimento interno dos pulmões descamem, ficando em "carne viva". "Isso libera na circulação uma grande quantidade de uma substância chamada 'fator tecidual', e faz com que a coagulação seja ativada na circulação pulmonar", afirmou Elnara. Esses microcoágulos obstruem os vasos do pulmão e impedem a passagem de oxigênio para nosso sangue. Em síndromes respiratórias "comuns", os alvéolos – pequenos "sacos" internos aos pulmões onde as trocas gasosas são feitas – "inflamam mais rapidamente, se enchem de líquido e células inflamatórias, e o pulmão fica enrijecido", conta Elnara. Na Covid-19, essas condições não acontecem. "O pulmão ainda é fácil de insuflar, como uma 'bexiga mole', mas mesmo que entre ar, como os capilares estão obstruídos, não ocorre a passagem de oxigênio para o sangue", complementa. Por isso, muitas pessoas aparentam estar respirando normalmente, mas têm índices de oxigenação baixos sem perceber. O nível de oxigenação pode ser monitorado de maneira simples, até mesmo em casa, através de um aparelho chamado oxímetro. Esta abordagem inédita dos cientistas sobre os efeitos do novo coronavírus na coagulação sanguínea não interfere nos estudos e projetos de vacina que já estão em desenvolvimento sobre a Covid-19. Mas muda a forma com que podem ser tratados os pacientes graves da doença – o que representa de 10% a 15% dos infectados, segundo Elnara. Tratamento com heparina A médica afirma que já repetiu o uso de heparina em quadros graves de Covid-19 com mais de 100 pacientes do Hospital Sírio-Libanês desde o final de março. Até agora, os resultados preliminares se demonstraram positivos com redução no tempo de internação, menor necessidade de se utilizar respiradores e melhoras na recuperação. Sua experiência com os 27 primeiros pacientes foi descrita em um artigo publicado na plataforma medRxiv. Os resultados dos testes em pacientes graves devem ser consolidados em um estudo maior que está para ser iniciado em conjunto com grupos da Universidade de Toronto, do Canadá, e da Universidade de Amsterdã, da Holanda. De acordo com Elnara, eles aguardam a aprovação do comitê de Ética do Hospital das Clínicas para iniciar a pesquisa. Um dos objetivos deste estudo será também o tratamento com heparina de pacientes que ainda não evoluíram para o quadro mais grave de Covid-19. A ideia seria receitar o remédio anticoagulante precocemente, assim que os níveis de oxigênio começarem a cair. "Acredito que se deve iniciar precocemente, assim que o paciente começar a ficar com baixa oxigenação. Estamos trabalhando para provar isso em trabalhos científicos não apenas observacionais, mas infelizmente leva tempo", conclui a médica. Editoria

UOL NOTÍCIAS - ÚLTIMAS NOTÍCIAS/SÃO PAULO
Data Veiculação: 03/06/2020 às 10h40

Na semana passada, a OMS (Organização Mundial da Saúde) decidiu retirar temporariamente a droga hidroxicloroquina da sua lista de medicamentos em estudo para tratar a covid-19. A OMS alegou que o medicamento não apresentava o nível de segurança necessário. A droga era uma das quatro apostas de tratamento em análise no projeto internacional Solidarity, em que a organização coordena experimentos com pacientes em 18 países com a finalidade de verificar sua segurança e a eficácia no combate ao coronavírus. Estão na lista de medicamentos em estudo a hidroxicloroquina — agora com testes suspensos — remdesivir; lopinavir-ritonavir; e essas duas drogas combinadas com interferon beta-1a (confira detalhes sobre estudos com cada um destes quatro tratamentos abaixo). Os estudos com a cloroquina e hidroxicloroquina estão cercados de polêmicas. Sua adoção é defendida pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), ainda que não haja evidências científicas suficientes de sua eficácia e segurança. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, diz estar tomando a droga preventivamente, contrariando a recomendação oficial dos órgãos de saúde de seu próprio governo. Apesar da decisão da OMS, no Brasil, o Ministério da Saúde vai manter as orientações que ampliam o uso da cloroquina e da hidroxicloroquina. Além destas quatro frentes de aposta do projeto Solidarity, a OMS afirmou por e-mail à BBC News Brasil que está acompanhando mais de 700 estudos clínicos pelo mundo com diferentes medicamentos. Pelo menos 550 destes já estão recrutando pessoas para testes. A organização criou uma plataforma que reúne detalhes destes estudos, como país de origem e tipo de droga usado, em tempo real. Todos as quatro apostas do Solidarity já têm pelo menos um estudo envolvendo pacientes com covid-19 publicado em algum periódico de renome, com revisão de pares, e que segue critérios de excelência em pesquisa científica, essenciais para testar medicamentos — são estudos do tipo clínico randomizado controlado (RCT, na sigla em inglês), que envolve pacientes (clínico), divididos aleatoriamente (randomizado) em um grupo que recebe o medicamento e um grupo de controle, que não recebe medicamento, ou que é submetido a outro tratamento, com placebo, ou seja, os pacientes recebem um medicamento inócuo. Os medicamentos incluídos no Solidarity também foram testados ou já são comercializados para o tratamento de outras doenças, como malária e HIV. Este foi um critério importante para sua escolha por um painel de especialistas consultados pela OMS, pois, por não serem novas criações, há mais garantia de sua disponibilidade e qualidade das informações. Assim, o processo pode ser mais rápido — uma vantagem na comparação com remédios novos ou até vacinas para prevenção, cujo desenvolvimento também está a todo vapor na atual pandemia de coronavírus, mas começa do zero. Ainda que alguns desses medicamentos testados para a covid-19 já estejam disponíveis no mercado, especialistas e autoridades orientam que nenhum deles deve ser usado sem indicação ou supervisão médica — até porque podem levar a uma falta dos itens para pacientes que precisam deles para tratar outras doenças, como ocorreu com a cloroquina. Essas drogas focam em inibir a replicação do vírus. Mas na ausência de uma que comprovadamente ataque esse coronavírus de forma eficaz, há também outros tratamentos em análise que estão sendo usados não para enfrentar o micróbio em si, mas para tratar as consequências que a infecção traz ao corpo. Veja nesta reportagem alguns estudos independentes já publicados sobre os tratamentos escolhidos pela OMS no Solidarity, que ainda não divulgou seus próprios resultados completos. Confira ainda outras drogas que estão sendo pesquisadas no Brasil. Ajustar expectativas Antes de começarmos a falar sobre estudo com outros medicamentos que estão sendo realizados, é importante ressaltar que especialistas dizem que não há certeza de que haverá uma droga capaz de curar de fato a doença, e que a medida mais eficaz é a prevenção, seja hoje na forma de higiene e isolamento social ou eventualmente com uma vacina. O presidente da Sociedade Brasileira de Virologia, Fernando Spilki, diz que não se deve esperar que um medicamento solucione o problema do coronavírus. Isso porque tratamentos contra vírus são difíceis de desenvolver. "Em tratamento viral, não tem Santo Graal, um remédio que cure. No caso da hepatite C, por exemplo, temos dificuldade para tratar até hoje. Nos pacientes de HIV, é possível controlar sinais clínicos, mas não sem efeitos colaterais e prejuízos à qualidade de vida. E isso é verdade com vários medicamentos e doenças", diz ele. Essa dificuldade, afirma, vem do fato de que vírus usam a máquina celular do hospedeiro para se replicar. "Portanto, (ao atacar o vírus), o medicamento acaba inibindo algum aspecto da biologia celular que vai prejudicar o hospedeiro. Você minimiza (o vírus), mas tem efeitos colaterais." Spilki diz também que, além disso, um tratamento ministrado a longo prazo pode acabar se tornando inócuo, pois o vírus desenvolve resistência ao medicamento, assim como acontece com bactérias e antibióticos. Então, o que é realista esperar do desenvolvimento de tratamentos? "Alguns antivirais estão sendo usados — não para cura total, mas para minimizar os efeitos, reduzir o número de dias de internação no hospital. Além disso, há também terapias que tentam modular a resposta inflamatória do corpo", diz ele — essas não são voltadas para frear a replicação do vírus, mas para conter consequências da doença. "Esse tratamento que chamamos de suportivo é o que está salvando vidas", diz o presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), o médico Clóvis Arns da Cunha. Ele consiste em três pilares, explica: oferecimento de oxigênio; medicamentos contra o desenvolvimento de trombos (coágulos no sangue que podem ter como consequência uma série de problemas fatais); e tratamento das doenças crônicas que o paciente pode ter, como dar insulina para diabéticos, por exemplo. Remdesivir O antiviral criado inicialmente para combater o ebola — sem, no entanto, passar da fase dos experimentos para a comercialização — é uma aposta importante nos Estados Unidos, de onde saiu um dos principais estudos recentes sobre o medicamento. Era do remdesivir que o médico Anthony Fauci, do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas dos EUA (Niaid, na sigla em inglês) e um dos nomes mais importantes no combate ao coronavírus no país, estava falando no final de abril quando disse que testes realizados pelo órgão mostraram um efeito "certeiro" para tratar a covid-19. O estudo em questão é do tipo RCT e envolveu 1.063 pacientes com quadro moderado a crítico em diferentes países. Após a publicação do estudo, um editorial do New England Journal of Medicine classificou os resultados como "relativamente modestos". O principal deles foi uma diminuição no tempo para recuperação dos doentes, de 11 dias entre aqueles que receberam o remdesivir na veia e 15 o placebo. Também foi constatado menor percentual de mortalidade entre aqueles que receberam o remdesivir (7,1%) do que os que tomaram o placebo (11,9%), mas essa diferença não é considerada estatisticamente relevante. Efeitos colaterais sérios foram observados em 27% dos que tomaram o placebo e 21% no grupo do remdesivir — neste, os efeitos mais comuns foram anemia e insuficiência renal. Mas em ambos os grupos, nenhuma morte foi ligada aos tratamentos. "Nossos resultados preliminares dão suporte ao uso do remdesivir em pacientes hospitalizados com covid-19 e que precisam de suplemento de oxigênio. No entanto, considerando a alta mortalidade apesar do uso do remdesivir, é evidente que um tratamento apenas com um antiviral não é suficiente", conclui o artigo, sugerindo associação com outros antivirais ou tipos de medicamentos. O remdesivir inibe a replicação de vírus, como foi observado antes em testes com animais para a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS). In vitro, com células cultivadas em laboratório, o medicamento também mostrou boa atividade contra o coronavírus que causa a covid-19 — mas isso precisa, para todo tratamento, ser ratificado em testes com pacientes. Pesquisadores chineses publicaram em abril um artigo no periódico Lancet concluindo que o "remdesivir não se mostrou associado a benefícios clínicos estatisticamente significativos" em tempo de recuperação ou mortalidade na comparação com um placebo. O estudo, também do tipo RCT, envolveu 237 adultos internados em estado grave por covid-19 em hospitais de Wuhan, cidade chinesa origem da covid-19. Mas este experimento acabou sendo limitado por medidas de isolamento, que atrapalharam o recrutamento de pacientes — o que os próprios autores reconhecem como um fator que pode ter influenciado nos resultados. Lopinavir-Ritonavir Também vem do New England Journal of Medicine o mais importante — por seu desenho e número de participantes, 199 — estudo publicado até aqui de tratamento para covid-19 com lopinavir-ritonavir, uma combinação usada no tratamento do HIV. O estudo, do tipo RCT, dividiu pacientes em um grupo recebendo a dupla lopinavir-ritonavir e outro o apenas tratamento padrão para covid-19 (com antibióticos e ventilação mecânica, entre outros). Não foi constatada diferença no tempo de recuperação (cerca de 16 dias nos dois grupos) —, parâmetro definido como prioritário no artigo. É digno de nota que os pacientes envolvidos estavam muito doentes, podendo ser nesses casos tarde demais para que o tratamento antiviral funcionasse. Os pacientes estavam internados em um hospital de Wuhan, China. Em indicadores considerados secundários no estudo, porém, a dupla lopinavir-ritonavir teve resultados ligeiramente melhores — mas estatisticamente não tão significativos — do que o tratamento padrão, como mortalidade no 28º dia de doença (19% no primeiro grupo e 25% no segundo); e tempo na UTI (6 dias versus 11). Efeitos adversos gastrointestinais, como náusea e diarreia, foram mais comuns no grupo lopinavir-ritonavir, mas consequências consideradas mais graves, como insuficiência respiratória e renal, foram mais frequentes no grupo do tratamento padrão. Como no estudo com o remdesivir, os autores do artigo no NEJM apontaram ser desejável que se realize testes da associação lopinavir-ritonavir com outros medicamentos. Também foram publicados alguns estudos importantes sobre esta dupla, mas nestes casos ainda sem a chamada revisão dos pares (peer review) ou no modo pré-publicação (preprint) — neste caso, o trabalho foi revisado por especialistas independentes e aceito, mas ainda não foi publicado em uma edição completa do periódico. Um estudo deste tipo, em pré-publicação, dividiu 86 pacientes em grupos recebendo lopinavir-ritonavir; o antiviral umifenovir; ou tratamento padrão. Os pesquisadores, da China, não encontraram diferenças significativas nos parâmetros principais do estudo, como tempo para que o exame molecular desse negativo para o coronavírus e também desaparecimento de febre e tosse. Outro estudo, também chinês e publicado na plataforma Medrxiv, apostou no antiviral novaferon em comparação com lopinavir-ritonavir. Com 89 pacientes, o teste os dividiu em três grupos: aquele que recebeu apenas o novaferon; um segundo, com novaferon e lopinavir-ritonavir; e um terceiro, que foi tratado apenas com lopinavir-ritonavir. Em média, o tempo para que o vírus não fosse mais detectado por testes moleculares foi melhor nos grupos que receberam novaferon e novaferon com lopinavir-ritonavir (seis dias), do que naquele que recebeu apenas lopinavir-ritonavir (nove dias). Lopinavir-Ritonavir com interferon beta Como neste teste com o novaferon, uma das quatro frentes do Solidarity aposta na associação de medicamentos — mas, neste caso, a dupla antiviral lopinavir-ritonavir é associada ao interferon beta, um "imunomodulador" usado para fortalecer o sistema de defesa principalmente no tratamento da esclerose múltipla. O estudo mais completo a se aproximar desta tentativa foi publicado no Lancet por mais de 40 cientistas liderados pelo professor da Universidade de Hong Kong Kwok-Yung Yuen. Do tipo RCT, o trabalho envolveu 127 pacientes com quadros leves a moderados de covid-19. Os participantes foram divididos em dois grupos. Um recebeu apenas lopinavir-ritonavir (grupo controle); outro, lopinavir-ritonavir, interferon beta 1-b e também ribavirina, outro antiviral. Quem tomou este coquetel eliminou mais rápido (em média sete dias) o coronavírus segundo constataram testes moleculares, na comparação com quem recebeu apenas lopinavir-ritonavir (12 dias). Também foram constatados melhores resultados da combinação tripla no tempo para desaparecimento de sintomas (quatro dias, versus oito no grupo controle); e para alta do hospital (nove dias versus 14,5). Como nenhum paciente morreu durante o estudo, não foram considerados dados de mortalidade. Os efeitos adversos foram considerados leves e semelhantes nos dois grupos (relatado por cerca de metade dos participantes de cada grupo), incluindo principalmente diarreia, febre e náuseas. Agora, os autores querem verificar particularmente qual é o papel do interferon beta nos efeitos positivos, buscando responder se ele pode agir sozinho ou precisa mesmo ser combinado a outras substâncias. Enquanto a publicação no Lancet trabalhou com o interferon beta 1-b, a OMS incluiu no Solidarity o interferon beta 1-a. Ana Cristina Simões e Silva, professora titular da Faculdade de Medicina da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), explica que as letrinhas distintas correspondem a "diferenças moleculares pequenas, que modulam de forma sutil o interferon" — esta sim a substância que mais importa. Ela esclareceu também por que a combinação com outros medicamentos pode ter feito tanta diferença nos resultados, em comparação com lopinavir-ritonavir isolado. "Quando se combina tratamentos, o objetivo é combinar mecanismos diferentes de ação. Por exemplo, um antiviral conjugado a uma droga que modula o sistema imune: você quer atuar em duas frentes, bloqueando a proliferação do vírus dentro da célula e controlando a resposta imune. Supõe-se que isso pode ser mais potente, pois você está como que 'atacando em duas frentes'", diz Silva, médica pós-doutora pelo Medical College of Wisconsin, nos EUA. Pode ser também que estas diferentes ações possam ser escalonadas por fases da doença, sugere a pesquisadora. "Para uma infecção inicial, o antiviral me parece ótimo, porque ele contém a disseminação do vírus. Mas em uma fase intermediária, fármacos que controlam o sistema imune podem entrar muito bem", aponta, lembrando que muitos quadros graves de coronavírus envolvem uma resposta exacerbada do sistema imunológico. Outras apostas O último boletim da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) registrou 347 estudos aprovados sobre o vírus aprovados até o dia 25 de maio no Brasil, parte deles, sobre diferentes tratamentos para a covid-19. Na lista estão testes com cloroquina, hidroxicloroquina, esses dois associados ao antibiótico azitromicina, com células mesenquimais, corticoide, com a transfusão de plasma sanguíneo de pacientes convalescentes da Covid-19, entre outros. Uma aposta do governo brasileiro é a nitazoxanida (comercializada como o vermífugo Annita). O Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações está fazendo testes clínicos em 17 hospitais em sete Estados do país. Os testes estão sendo feitos em pacientes na fase inicial da doença, com sintomas leves ou assintomáticos, e também com sintomas graves da doença ou hospitalizados. Antes disso, foram feitos testes em laboratório para identificar medicamentos que tenham moléculas que possam inibir proteínas que são necessárias para que o vírus se replique. Foram feitos testes in vitro juntando seis delas com células infectadas com o SARS-CoV-2. O Annita foi o medicamento que apresentou maior eficácia, 94%. Pesquisadores ressaltam que bons resultados de pesquisas in vitro são apenas indícios de sucesso, pois o medicamento pode não funcionar da mesma maneira em humanos. O estudo em pacientes ainda não tem o número de participantes necessários, 500, para ter seus resultados divulgados. O caso da cloroquina e da hidroxicoloroquina A hidroxicoloroquina é um derivado mais brando da cloroquina. A hidroxicloroquina é usada para tratar reumatoide, lúpus, e outras doenças autoimunes, e a cloroquina é usada para prevenir e tratar a malária. A esperança mundial de que a hidroxicloroquina pudesse ser um tratamento para a covid-19 começou na China, após um estudo feito in vitro, numa cultura de células, ter resultados positivos. No entanto, fenômenos observados in vitro podem não acontecer quando o medicamento é aplicado a seres humanos. Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, Clóvis Arns da Cunha, menos de 10% das drogas testadas com sucesso in vitro têm o mesmo resultado em humanos. Em seguida foi feito um estudo na França em pacientes com covid-19, depois amplamente criticado pela comunidade científica pela falta de rigor em sua metodologia. A Food and Drug Administration (FDA), agência americana reguladora de alimentos e medicamentos, havia emitido em março uma autorização de "uso emergencial" da hidroxicloroquina e da cloroquina no tratamento da covid-19 para um número limitado de casos hospitalares. Um mês depois, no entanto, diante de estudos apontando um elo entre os medicamentos e a incidência de arritmia cardíaca em pacientes, a agência advertiu contra o uso deles fora de hospitais ou de testes clínicos. Muitas pesquisas vêm sendo feitas, adotando uma variedade de metodologias. A maior delas foi publicada recentemente no periódico científico The Lancet. O estudo coletou informações de 96 mil pessoas internadas com coronavírus em 671 hospitais de seis continentes e mostrou que não houve benefício no uso da hidroxicloroquina após o diagnóstico de covid-19. Além disso, seu uso foi associado a um risco maior de arritmia e de morte. Após essa publicação, a OMS (Organização Mundial da Saúde) decidiu suspender os estudos com a hidroxicloroquina no projeto Solidarity. A cloroquina não chegou a ser testada no escopo da pesquisa incentivada pela entidade. O estudo publicado no periódico Lancet é observacional — os cientistas não têm tanto controle sobre os grupos, seu recrutamento e monitoramento, como em um estudo RCT. Após a publicação do estudo, um grupo de mais de 100 cientistas enviou uma carta ao periódico onde pedem mais transparência a respeito dos dados usados na pesquisa e fazendo outros questionamentos. O grupo levanta dúvidas sobre a integridade dos dados e sobre a metodologia do estudo. O periódico publicou nesta terça-feira (2) uma nota em que alerta leitores de que "questões científicas sérias" foram trazidas à sua atenção e diz que os autores do estudo encomendaram uma avaliação independente dos dados, que deve ser tornada pública em breve. De acordo com a cientista-chefe da OMS, Soumya Swaminathan, a suspensão dos estudos sobre a hidroxicloroquina foi feita por precaução, devido ao fato de o estudo da Lancet ter sido feito com um número expressivo de pacientes e após questionamentos feitos por agências de saúde de vários países. Segundo ela, será feitos uma revisão e o conselho do Solidarity, formado por dez dos países participantes (o Brasil não faz parte da lista), vai decidir se retoma ou não os estudos com a droga nas próximas semanas. Seja qual for o resultado, a OMS diz que, por enquanto, cloroquina e hidroxicloroquina só devem ser usadas em experimentos, em hospitais e sob supervisão médica. Como ainda há pesquisas em andamento, Arns diz que a avaliação sobre a hidroxicloroquina pode mudar no futuro. Se não há remédios, como as equipes médicas estão tratando pacientes? Como ainda não existe um medicamento que possa comprovadamente impedir o avanço do vírus, uma solução é tratar pacientes dos problemas que advêm da doença. Nos casos mais leves, isso significa, por exemplo, tomar analgésicos e anti-inflamatórios como paracetamol, ibuprofeno ou dipirona. Para casos graves, médicos estão adotando alguns caminhos, como oferecer oxigênio por meio de respiradores, lidar com consequências da inflamação dos tecidos e tratar as doenças crônicas que o paciente possa ter. Pacientes de covid podem ter uma infecção tão grave que pode levar a uma reação desproporcional do sistema imunológico, que vem sendo chamada de "tempestade inflamatória". A inflamação é tal que pode prejudicar os órgãos. Pesquisadores acreditam que uma substância central para essa reação é a proteína interleucina 6, portanto, uma linha de aposta é administrar um medicamento que possa frear seu efeito, o tocilizumabe. A droga está sendo objeto de um ensaio clínico randomizado com 150 pacientes da Beneficência Portuguesa de São Paulo. Também está sendo testada em 200 participantes pelo Albert Einstein, em estudo aberto - quando pacientes e médicos são informados do uso e dose da droga, sem placebo. Parte dos pacientes graves de covid-19 desenvolvem trombose, coágulos nos vasos sanguíneos — não se sabe ao certo qual proporção deles. Esses coágulos podem se formar nos capilares que envolvem o pulmão. Desse modo, esses coágulos, ou trombos, podem dificultar a circulação de oxigênio pelo corpo. Para isso, médicos têm administrado anticoagulante como a heparina a pacientes de covid-19 em estágios mais avançados da doença — os cerca de 15% do total de infectados que precisam de atendimento em hospital. Anticoagulantes são feitos para tornar o sangue mais líquido e evitar que ele se solidifique e forme coágulos. Liderando o uso e o estudo da droga anticoagulante heparina em pacientes do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, está a doutora Elnara Negri, professora do departamento de patologia, médica do Laboratório de Investigação Médica, do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e pneumologista do Sírio-Libanês. Ela diz que a heparina deve ser usada apenas no grupo de pacientes que precisam ser hospitalizados e que ela deve ser usada com cuidado e exclusivamente com acompanhamento médico, pois pode ter como efeito colateral a hemorragia. Além disso, há uma série de contraindicações. Não pode ser usada, por exemplo, em pessoas que estão se recuperando de cirurgias, fazendo tratamentos oncológicos e outros. "De jeito nenhum deve ser administrado sem acompanhamento. As consequências podem ser graves", diz ela. Nos pacientes para os quais não há contraindicações, o uso e a dose devem ser avaliados constantemente por uma equipe médica. Neri e sua equipe publicaram os resultados num estudo pre-print - ou seja, que ainda não foi revisto por outros especialistas, passo importante para a validação de uma pesquisa. Outra limitação é que o estudo não teve grupo de controle, ou seja, os resultados não foram comparados com os de pessoas que não receberam o tratamento. Para tornar a avaliação do tratamento mais precisa, ela e sua equipe agora desenvolvem uma análise retrospectiva, comparando as situações de pacientes que tomaram heparina e outros que não tomaram. Isso, no entanto, ainda não é o bastante. Ela diz que o medicamento também será adotado para tratamento no HC da USP e que lá será feito um teste clínico randomizado e controlado, passo necessário para que um tratamento possa ser avaliado por sua segurança e eficácia.

TERRA/SÃO PAULO
Data Veiculação: 03/06/2020 às 10h05

Na semana passada, a Organização Mundial da Saúde (OMS) decidiu retirar temporariamente a droga hidroxicloroquina da sua lista de medicamentos em estudo para tratar a covid-19. A OMS alegou que não estava claro que o medicamento apresentava o nível de segurança necessário. Nesta quarta-feira (3), a entidade anunciou que vai retomar os estudos com a droga. A suspensão aconteceu depois da publicação de um estudo sobre o medicamento no periódico científico The Lancet. O estudo coletou informações de 96 mil pessoas internadas com coronavírus em 671 hospitais de seis continentes e mostrou que não houve benefício no uso da hidroxicloroquina após o diagnóstico de covid-19. Além disso, seu uso foi associado a um risco maior de arritmia e de morte. De acordo com a cientista-chefe da OMS, Soumya Swaminathan, a suspensão dos estudos sobre a hidroxicloroquina foi feita por precaução, devido ao fato de o estudo da Lancet ter sido feito com um número expressivo de pacientes e após questionamentos feitos por agências de saúde de vários países. Desde então, foi feita uma revisão dos dados disponíveis e o conselho do Solidarity, formado por dez dos países participantes (o Brasil não faz parte da lista), decidiu retomar os estudos com a droga. "Com base nos dados sobre mortalidade disponíveis, os membros do comitê decidiram que não há motivo para modificar o protocolo do ensaio", disse Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS. A hidroxicloroquina era uma das quatro apostas de tratamento em análise no projeto internacional Solidarity, em que a organização coordena experimentos com pacientes em 18 países com a finalidade de verificar sua segurança e a eficácia no combate ao coronavírus. Estão na lista de medicamentos em estudo a hidroxicloroquina — agora com testes suspensos —; remdesivir; lopinavir-ritonavir; e essas duas drogas combinadas com interferon beta-1a (confira detalhes sobre estudos com cada um destes quatro tratamentos abaixo). Os estudos com a cloroquina e hidroxicloroquina estão cercados de polêmicas. Sua adoção é defendida pelo presidente Jair Bolsonaro, ainda que não haja evidências científicas suficientes de sua eficácia e segurança. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, diz estar tomando a droga preventivamente, contrariando a recomendação oficial dos órgãos de saúde de seu próprio governo. Apesar da decisão da OMS, no Brasil, o Ministério da Saúde vai manter as orientações que ampliam o uso da cloroquina e da hidroxicloroquina. Além destas quatro frentes de aposta do projeto Solidarity, a OMS afirmou por e-mail à BBC News Brasil que está acompanhando mais de 700 estudos clínicos pelo mundo com diferentes medicamentos. Pelo menos 550 destes já estão recrutando pessoas para testes. A organização criou uma plataforma que reúne detalhes destes estudos, como país de origem e tipo de droga usado, em tempo real. Todos as quatro apostas do Solidarity já têm pelo menos um estudo envolvendo pacientes com covid-19 publicado em algum periódico de renome, com revisão de pares, e que segue critérios de excelência em pesquisa científica, essenciais para testar medicamentos — são estudos do tipo clínico randomizado controlado (RCT, na sigla em inglês), que envolve pacientes (clínico), divididos aleatoriamente (randomizado) em um grupo que recebe o medicamento e um grupo de controle, que não recebe medicamento, ou que é submetido a outro tratamento, com placebo, ou seja, os pacientes recebem um medicamento inócuo. Os medicamentos incluídos no Solidarity também foram testados ou já são comercializados para o tratamento de outras doenças, como malária e HIV. Este foi um critério importante para sua escolha por um painel de especialistas consultados pela OMS, pois, por não serem novas criações, há mais garantia de sua disponibilidade e qualidade das informações. Assim, o processo pode ser mais rápido — uma vantagem na comparação com remédios novos ou até vacinas para prevenção, cujo desenvolvimento também está a todo vapor na atual pandemia de coronavírus, mas começa do zero. Ainda que alguns desses medicamentos testados para a covid-19 já estejam disponíveis no mercado, especialistas e autoridades orientam que nenhum deles deve ser usado sem indicação ou supervisão médica — até porque podem levar a uma falta dos itens para pacientes que precisam deles para tratar outras doenças, como ocorreu com a cloroquina. Essas drogas focam em inibir a replicação do vírus. Mas na ausência de uma que comprovadamente ataque esse coronavírus de forma eficaz, há também outros tratamentos em análise que estão sendo usados não para enfrentar o micróbio em si, mas para tratar as consequências que a infecção traz ao corpo. Veja nesta reportagem alguns estudos independentes já publicados sobre os tratamentos escolhidos pela OMS no Solidarity, que ainda não divulgou seus próprios resultados completos. Confira ainda outras drogas que estão sendo pesquisadas no Brasil. Ajustar expectativas Antes de começarmos a falar sobre estudo com outros medicamentos que estāo sendo realizados, é importante ressaltar que especialistas dizem que não há certeza de que haverá uma droga capaz de curar de fato a doença, e que a medida mais eficaz é a prevenção, seja hoje na forma de higiene e isolamento social ou eventualmente com uma vacina. O presidente da Sociedade Brasileira de Virologia, Fernando Spilki, diz que não se deve esperar que um medicamento solucione o problema do coronavírus. Isso porque tratamentos contra vírus são difíceis de desenvolver. "Em tratamento viral, não tem Santo Graal, um remédio que cure. No caso da hepatite C, por exemplo, temos dificuldade para tratar até hoje. Nos pacientes de HIV, é possível controlar sinais clínicos, mas não sem efeitos colaterais e prejuízos à qualidade de vida. E isso é verdade com vários medicamentos e doenças", diz ele. Essa dificuldade, afima, vem do fato de que vírus usam a máquina celular do hospedeiro para se replicar. "Portanto, (ao atacar o vírus), o medicamento acaba inibindo algum aspecto da biologia celular que vai prejudicar o hospedeiro. Você minimiza (o vírus), mas tem efeitos colaterais." Spilki diz também que, além disso, um tratamento ministrado a longo prazo pode acabar se tornando inócuo, pois o vírus desenvolve resistência ao medicamento, assim como acontece com bactérias e antibióticos. Então, o que é realista esperar do desenvolvimento de tratamentos? "Alguns antivirais estão sendo usados - não para cura total, mas para minimizar os efeitos, reduzir o número de dias de internação no hospital. Além disso, há também terapias que tentam modular a resposta inflamatória do corpo", diz ele — essas não são voltadas para frear a replicação do vírus, mas para conter consequências da doença. "Esse tratamento que chamamos de suportivo é o que está salvando vidas", diz o presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), o médico Clóvis Arns da Cunha. Ele consiste de três pilares, explica: oferecimento de oxigênio; medicamentos contra o desenvolvimento de trombos (coágulos no sangue que podem ter como consequência uma série de problemas fatais); e tratamento das doenças crônicas que o paciente pode ter, como dar insulina para diabéticos, por exemplo. Remdesivir O antiviral criado inicialmente para combater o ebola — sem no entanto passar da fase dos experimentos para a comercialização — é uma aposta importante nos Estados Unidos, de onde saiu um dos principais estudos recentes sobre o medicamento. Era do remdesivir que o médico Anthony Fauci, do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas dos EUA (Niaid, na sigla em inglês) e um dos nomes mais importantes no combate ao coronavírus no país, estava falando no final de abril quando disse que testes realizados pelo órgão mostraram um efeito "certeiro" para tratar a covid-19. O estudo em questão é do tipo RCT e envolveu 1.063 pacientes com quadro moderado a crítico em diferentes países. Após a publicação do estudo, um editorial do New England Journal of Medicine classificou os resultados como "relativamente modestos". O principal deles foi uma diminuição no tempo para recuperação dos doentes, de 11 dias entre aqueles que receberam o remdesivir na veia e 15 o placebo. Também foi constatado menor percentual de mortalidade entre aqueles que receberam o remdesivir (7,1%) do que os que tomaram o placebo (11,9%), mas essa diferença não é considerada estatisticamente relevante. Efeitos colaterais sérios foram observados em 27% dos que tomaram o placebo e 21% no grupo do remdesivir — neste, os efeitos mais comuns foram anemia e insuficiência renal. Mas em ambos os grupos, nenhuma morte foi ligada aos tratamentos. "Nossos resultados preliminares dão suporte ao uso do remdesivir em pacientes hospitalizados com covid-19 e que precisam de suplemento de oxigênio. No entanto, considerando a alta mortalidade apesar do uso do remdesivir, é evidente que um tratamento apenas com um antiviral não é suficiente", conclui o artigo, sugerindo associação com outros antivirais ou tipos de medicamentos. O remdesivir inibe a replicação de vírus, como foi observado antes em testes com animais para a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS). In vitro, com células cultivadas em laboratório, o medicamento também mostrou boa atividade contra o coronavírus que causa a covid-19 — mas isso precisa, para todo tratamento, ser ratificado em testes com pacientes. Pesquisadores chineses publicaram em abril um artigo no periódico Lancet concluindo que o "remdesivir não se mostrou associado a benefícios clínicos estatisticamente significativos" em tempo de recuperação ou mortalidade na comparação com um placebo. O estudo, também do tipo RCT, envolveu 237 adultos internados em estado grave por covid-19 em hospitais de Wuhan, cidade chinesa origem da covid-19. Mas este experimento acabou sendo limitado por medidas de isolamento, que atrapalharam o recrutamento de pacientes — o que os próprios autores reconhecem como um fator que pode ter influenciado nos resultados. Lopinavir-Ritonavir Também vem do New England Journal of Medicine o mais importante — por seu desenho e número de participantes, 199 — estudo publicado até aqui de tratamento para covid-19 com lopinavir-ritonavir, uma combinação usada no tratamento do HIV. O estudo, do tipo RCT, dividiu pacientes em um grupo recebendo a dupla lopinavir-ritonavir e outro o apenas tratamento padrão para covid-19 (com antibióticos e ventilação mecânica, entre outros). Não foi constatada diferença no tempo de recuperação (cerca de 16 dias nos dois grupos) —, parâmetro definido como prioritário no artigo. É digno de nota que os pacientes envolvidos estavam muito doentes, podendo ser nesses casos tarde demais para que o tratamento antiviral funcionasse. Os pacientes estavam internados em um hospital de Wuhan, China. Em indicadores considerados secundários no estudo, porém, a dupla lopinavir-ritonavir teve resultados ligeiramente melhores — mas estatisticamente não tão significativos — do que o tratamento padrão, como mortalidade no 28º dia de doença (19% no primeiro grupo e 25% no segundo); e tempo na UTI (6 dias versus 11). Efeitos adversos gastrointestinais, como náusea e diarreia, foram mais comuns no grupo lopinavir-ritonavir, mas consequências consideradas mais graves, como insuficiência respiratória e renal, foram mais frequentes no grupo do tratamento padrão. Como no estudo com o remdesivir, os autores do artigo no NEJM apontaram ser desejável que se realizem testes da associação lopinavir-ritonavir com outros medicamentos. Também foram publicados alguns estudos importantes sobre esta dupla, mas nestes casos ainda sem a chamada revisão dos pares (peer review) ou no modo pré-publicação (preprint) — neste caso, o trabalho foi revisado por especialistas independentes e aceito, mas ainda não foi publicado em uma edição completa do periódico. Um estudo deste tipo, em pré-publicação, dividiu 86 pacientes em grupos recebendo lopinavir-ritonavir; o antiviral umifenovir; ou tratamento padrão. Os pesquisadores, da China, não encontraram diferenças significativas nos parâmetros principais do estudo, como tempo para que o exame molecular desse negativo para o coronavírus e também desaparecimento de febre e tosse. Outro estudo, também chinês e publicado na plataforma Medrxiv, apostou no antiviral novaferon em comparação com lopinavir-ritonavir. Com 89 pacientes, o teste os dividiu em três grupos: aquele que recebeu apenas o novaferon; um segundo, com novaferon e lopinavir-ritonavir; e um terceiro, que foi tratado apenas com lopinavir-ritonavir. Em média, o tempo para que o vírus não fosse mais detectado por testes moleculares foi melhor nos grupos que receberam novaferon e novaferon com lopinavir-ritonavir (seis dias), do que naquele que recebeu apenas lopinavir-ritonavir (nove dias). Lopinavir-Ritonavir com interferon beta Como neste teste com o novaferon, uma das quatro frentes do Solidarity aposta na associação de medicamentos — mas, neste caso, a dupla antiviral lopinavir-ritonavir é associada ao interferon beta, um "imunomodulador" usado para fortalecer o sistema de defesa principalmente no tratamento da esclerose múltipla. O estudo mais completo a se aproximar desta tentativa foi publicado no Lancet por mais de 40 cientistas liderados pelo professor da Universidade de Hong Kong Kwok-Yung Yuen. Do tipo RCT, o trabalho envolveu 127 pacientes com quadros leves a moderados de covid-19. Os participantes foram divididos em dois grupos. Um recebeu apenas lopinavir-ritonavir (grupo controle); outro, lopinavir-ritonavir, interferon beta 1-b e também ribavirina, outro antiviral. Quem tomou este coquetel eliminou mais rápido (em média sete dias) o coronavírus segundo constataram testes moleculares, na comparação com quem recebeu apenas lopinavir-ritonavir (12 dias). Também foram constatados melhores resultados da combinação tripla no tempo para desaparecimento de sintomas (quatro dias, versus oito no grupo controle); e para alta do hospital (nove dias versus 14,5). Como nenhum paciente morreu durante o estudo, não foram considerados dados de mortalidade. Os efeitos adversos foram considerados leves e semelhantes nos dois grupos (relatado por cerca de metade dos participantes de cada grupo), incluindo principalmente diarreia, febre e náuseas. Agora, os autores querem verificar particularmente qual é o papel do interferon beta nos efeitos positivos, buscando responder se ele pode agir sozinho ou precisa mesmo ser combinado a outras substâncias. Enquanto a publicação no Lancet trabalhou com o interferon beta 1-b, a OMS incluiu no Solidarity o interferon beta 1-a. Ana Cristina Simões e Silva, professora titular da Faculdade de Medicina Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), explica que as letrinhas distintas correspondem a "diferenças moleculares pequenas, que modulam de forma sutil o interferon" — esta sim a substância que mais importa. Ela esclareceu também por que a combinação com outros medicamentos pode ter feito tanta diferença nos resultados, em comparação com lopinavir-ritonavir isolado. "Quando se combina tratamentos, o objetivo é combinar mecanismos diferentes de ação. Por exemplo, um antiviral conjugado a uma droga que modula o sistema imune: você quer atuar em duas frentes, bloqueando a proliferação do vírus dentro da célula e controlando a resposta imune. Supõe-se que isso pode ser mais potente, pois você está como que 'atacando em duas frentes'", diz Silva, médica pós-doutora pelo Medical College of Wisconsin, nos EUA. Pode ser também que estas diferentes ações possam ser escalonadas por fases da doença, sugere a pesquisadora. "Para uma infecção inicial, o antiviral me parece ótimo, porque ele contém a disseminação do vírus. Mas em uma fase intermediária, fármacos que controlam o sistema imune podem entrar muito bem", aponta, lembrando que muitos quadros graves de coronavírus envolvem uma resposta exacerbada do sistema imunológico. Outras apostas O último boletim da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) registrou 347 estudos aprovados sobre o vírus aprovados até o dia 25 de maio no Brasil, parte deles, sobre diferentes tratamentos para a covid-19. Na lista estão testes com cloroquina, hidroxicloroquina, esses dois associados ao antibiótico azitromicina, com células mesenquimais, corticoide, com a transfusão de plasma sanguíneo de pacientes convalescentes da Covid-19, entre outros. Uma aposta do governo brasileiro é a nitazoxanida (comercializada como o vermífugo Annita). O Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações está fazendo testes clínicos em 17 hospitais em sete Estados do país. Os testes estão sendo feitos em pacientes na fase inicial da doença, com sintomas leves ou assintomáticos, e também com sintomas graves da doença ou hospitalizados. Antes disso, foram feitos testes em laboratório para identificar medicamentos que tenham moléculas que possam inibir proteínas que são necessárias para que o vírus se replique. Foram feitos testes in vitro juntando seis delas com células infectadas com o SARS-CoV-2. O Annita foi o medicamento que apresentou maior eficácia, 94%. Pesquisadores ressaltam que bons resultados de pesquisas in vitro são apenas indícios de sucesso, pois o medicamento pode não funcionar da mesma maneira em humanos. O estudo em pacientes ainda não tem o número de participantes necessário, 500, para ter seus resultados divulgados. O caso da cloroquina e da hidroxicoloroquina A hidroxicoloroquina é um derivado mais brando da cloroquina. A hidroxicloroquina é usada para tratar reumatoide, lúpus, e outras doenças autoimunes, e a cloroquina é usada para prevenir e tratar a malária. A esperança mundial de que a hidroxicloroquina pudesse ser um tratamento para a covid-19 começou na China, após um estudo feito in vitro, numa cultura de células, ter resultados positivos. No entanto, fenômenos observados in vitro podem não acontecer quando o medicamento é aplicado a seres humanos. Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, Clóvis Arns da Cunha, menos de 10% das drogas testadas com sucesso in vitro têm o mesmo resultado em humanos. Em seguida foi feito um estudo na França em pacientes com covid-19, depois amplamente criticado pela comunidade científica pela falta de rigor em sua metodologia. A Food and Drug Administration (FDA), agência americana reguladora de alimentos e medicamentos, havia emitido em março uma autorização de "uso emergencial" da hidroxicloroquina e da cloroquina no tratamento da covid-19 para um número limitado de casos hospitalares. Um mês depois, no entanto, diante de estudos apontando um elo entre os medicamentos e a incidência de arritmia cardíaca em pacientes, a agência advertiu contra o uso deles fora de hospitais ou de testes clínicos. Muitas pesquisas vêm sendo feitas, adotando uma variedade de metodologias. A maior delas foi publicada recentemente no periódico científico The Lancet. O estudo coletou informações de 96 mil pessoas internadas com coronavírus em 671 hospitais de seis continentes e mostrou que não houve benefício no uso da hidroxicloroquina após o diagnóstico de covid-19. Além disso, seu uso foi associado a um risco maior de arritmia e de morte. Após essa publicação, a Organização Mundial da Saúde (OMS) decidiu suspender os estudos com a hidroxicloroquina no projeto Solidarity, mas nesta quarta-feira, após análise dos dados disponíveis, a entidade anunciou que eles serão retomados. A cloroquina não chegou a ser testada no escopo da pesquisa incentivada pela entidade. O estudo publicado no periódico Lancet é observacional — os cientistas não têm tanto controle sobre os grupos, seu recrutamento e monitoramento, como em um estudo RCT. Após a publicação do estudo, um grupo de mais de 100 cientistas enviou uma carta ao periódico onde pedem mais transparência a respeito dos dados usados na pesquisa e fazendo outros questionamentos. O grupo levanta dúvidas sobre a integridade dos dados e sobre a metodologia do estudo. O periódico publicou nesta terça-feira (2/6) uma nota em que alerta leitores de que "questões científicas sérias" foram trazidas à sua atenção e diz que os autores do estudo encomendaram uma avaliação independente dos dados, que deve ser tornada pública em breve. O infectologista Clóvis Arns afirma que as evidências mais sólidas que existem até agora são de que a hidroxicloroquina não mostrou benefício e pode, por outro lado, trazer riscos. No entanto, ainda são necessários mais estudos para que se faça qualquer avaliação consistente — principalmente estudos de "padrão ouro", randomizados, com grupo de controle e de grande escala. De acordo com a cientista-chefe da OMS, Soumya Swaminathan, a suspensão dos estudos sobre a hidroxicloroquina foi feita por precaução, devido ao fato de o estudo da Lancet ter sido feito com um número expressivo de pacientes e após questionamentos feitos por agências de saúde de vários países. Se não há remédios, como as equipes médicas estão tratando pacientes? Como ainda não existe um medicamento que possa comprovadamente impedir o avanço do vírus, uma solução é tratar pacientes dos problemas que advêm da doença. Nos casos mais leves, isso significa, por exemplo, tomar analgésicos e anti-inflamatórios como paracetamol, ibuprofeno ou dipirona. Para casos graves, médicos estão adotando alguns caminhos, como oferecer oxigênio por meio de respiradores, lidar com consequências da inflamação dos tecidos e tratar as doenças crônicas que o paciente possa ter. Pacientes de covid podem ter uma infecção tão grave que pode levar a uma reação desproporcional do sistema imunológico, que vem sendo chamada de "tempestade inflamatória". A inflamação é tal que pode prejudicar os órgãos. Pesquisadores acreditam que uma substância central para essa reação é a proteína interleucina 6, portanto, uma linha de aposta é administrar um medicamento que possa frear seu efeito, o tocilizumabe. A droga está sendo objeto de um ensaio clínico randomizado com 150 pacientes da Beneficência Portuguesa de São Paulo. Também está sendo testada em 200 participantes pelo Albert Einstein, em estudo aberto - quando pacientes e médicos são informados do uso e dose da droga, sem placebo. Parte dos pacientes graves de covid-19 desenvolvem trombose, coágulos nos vasos sanguíneos - não se sabe ao certo qual proporção deles. Esses coágulos podem se formar nos capilares que envolvem o pulmão. Desse modo, esses coágulos, ou trombos, podem dificultar a circulação de oxigênio pelo corpo. Para isso, médicos têm administrado anticoagulante como a heparina a pacientes de covid-19 em estágios mais avançados da doença - os cerca de 15% do total de infectados que precisam de atendimento em hospital. Anticoagulantes são feitos para tornar o sangue mais líquido e evitar que ele se solidifique e forme coágulos. Liderando o uso e o estudo da droga anticoagulante heparina em pacientes do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, está a doutora Elnara Negri, professora do departamento de patologia, médica do Laboratório de Investigação Médica, do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e pneumologista do Sírio-Libanês. Ela diz que a heparina deve ser usada apenas no grupo de pacientes que precisam ser hospitalizados e que ela deve ser usada com cuidado e exclusivamente com acompanhamento médico, pois pode ter como efeito colateral a hemorragia. Além disso, há uma série de contraindicações. Não pode ser usada, por exemplo, em pessoas que estão se recuperando de cirurgias, fazendo tratamentos oncológicos e outros. "De jeito nenhum deve ser administrado sem acompanhamento. As consequências podem ser graves", diz ela. Nos pacientes para os quais não há contraindicações, o uso e a dose devem ser avaliados constantemente por uma equipe médica. Neri e sua equipe publicaram os resultados num estudo pre-print - ou seja, que ainda não foi revisto por outros especialistas, passo importante para a validação de uma pesquisa. Outra limitação é que o estudo não teve grupo de controle, ou seja, os resultados não foram comparados com os de pessoas que não receberam o tratamento. Para tornar a avaliação do tratamento mais precisa, ela e sua equipe agora desenvolvem uma análise retrospectiva, comparando as situações de pacientes que tomaram heparina e outros que não tomaram. Isso, no entanto, ainda não é o bastante. Ela diz que o medicamento também será adotado para tratamento no HC da USP e que lá será feito um teste clínico randomizado e controlado, passo necessário para que um tratamento possa ser avaliado por sua segurança e eficácia.

FOLHA DE S.PAULO/SÃO PAULO | COTIDIANO
Data Veiculação: 03/06/2020 às 03h00

O ouvidor da Polícia de São Paulo, Elizeu Soares Lopes, vai mediar um encontro entre a Polícia Militar de SP e a Comissão de Direitos Humanos da 0 ABSP (Ordem dos Advogados do Brasil) para discutiras abordagens dos agentes nos próximos protestos que ocorrerem na cidade. presente O coronel Álvaro Batista Camilo, secretário executivo da Polícia Militar de SP, já confirmou presença. DOIS LADOS A atuação da PM nos protestos de domingo (31) passaram a ser questionada depois que os policiais foram acusados de cometer excessos contra opositores de Jair Bolsonaro, e de terem protegido os apoiadores do presidente. neutra Camilo disse que a PM atuou corretamente e que não tem ideologia. missão E uma das maiores preocupações dos organizadores do ato contra Bolsonaro marcado para o domingo (7) é a presença de infiltrados nas manifestações. missão 2 Em reuniões que antecedem o evento, já há uma discussão de estratégias para identificar pessoas que se inserem nas passeatas apenas para criar confusão. muita calma A fala de Lula se dizendo contra a adesão a manifestos pela democracia que não contemplem pautas trabalhistas contrariou apoiadores do petista que endossaram os documentos. pegou mal Emissários do PT conversaram com alguns deles para sondar as reações, que foram, em sua maioria, de desaprovação. novo front Um estudo realizado por cinco centros de pesquisa brasileiros está começando a testar o uso de plasma convalescente em pacientes com Covid-19. esquadrão O plasma sanguíneo é obtido de pessoas que já foram curadas da doença, e que desenvolveram anticorpos para ela. esquadrão 2 “É a transferência da defesa que já foi montada no corpo de quem já se curou para aqueles que ainda estão doentes”, explica o infectologista Esper Kallás, do Hospital das Clínicas da USP e coordenador do estudo. luz O método já foi testado em laboratório, com sucesso. Nove estudos feitos na China, na Coréia do Sul e nos EUA observaram melhoras em pacientes. padrão ouro A pesquisa brasileira, no entanto, será a primeira feita com grupos de controle, quando uma parte dos pacientes incluídos nela recebe o tratamento e a outra, não. Só assim é possível fazer uma comparação e ter certeza dos efeitos da substância testada. ouro 2 O trabalho será realizado pelo Hospitais das Clínicas da USP de São Paulo, da USP de Ribeirão Preto, da Unicamp e pelos centros de pesquisa dos hospitais Albert Einstein e Sírio-Libanês. No total, 120 pacientes serão incluídos. Os primeiros já começaram a receber o plasma. QUARENTENA Milton Nascimento no Instagram3 Elisa Lucinda no Instagram Djavan no Instagram 0 cantor Milton Nascimento D gravou vídeo com a frase "vidas negras importam". A atriz e escritora Elisa Lucinda 0 afirmou que a escravização de milhares de negros deixou como herança o desprezo pela etnia. E o cantor Djavan □ prestou solidariedade a todas as vítimas de racismo sem sinal Integrantes da oposição ao governo paulista veem com ressalva a decisão da Assembleia Legislativa de SP de retomar, na segunda (e), os trabalhos de comissões por meio de sessões virtuais, o que traz de volta a contagem de prazo para as CPIs em andamento na Casa. caiu? Alguns deles argumentam que sessões virtuais abrem brecha para que convocados para depor nas comissões aleguem problemas técnicos para não o fazer ou para interromper suas falas em caso de incômodo. O mesmo poderia ser feito por parlamentares interessados em invalidar reuniões. abandono A Associação Paulista de Cineastas (Apaci) realiza nesta quinta (4) um ato presencial em frente à Cinemateca Brasileira, em São Paulo, para denunciar a crise financeira vivida pela instituição. juntos A ação contará com a leitura de um manifesto. O documento reunia, até a noite de terça (2), assinaturas de cerca de 40 entidades nacionais e internacionais. Os participantes usarão máscaras e manterão distância por causa da pandemia da Covid-19. queda Abril registrou uma queda de 23,3% na busca por crédito por parte de empresas de comércio, serviços e indústrias. O número é o mais baixo para o período desde2008, segundo a Serasa Experian.