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Endourologia e Litíase (Cirurgia Endoscópica de Cálculo Renal)

Endourologia e Litíase (Cirurgia Endoscópica de Cálculo Renal) A litíase urinária é uma doença freqüente, ocorrendo 120-140 casos para cada grupo de 100.000 pessoas por ano. Atinge mais frequentemente adultos na faixa dos 30 a 40 anos. Os cálculos ureterais constituem parte importante dos casos de litíase urinária por serem responsáveis, na maioria das vezes pela cólica ureteral. Esta consiste de quadro de dor lombar de início abrupto, com irradiação para a região genital, de forte intensidade e acompanhada de náuseas, vômitos e sudorese.

Cerca de 70% dos cálculos ureterais menores de 5mm são eliminados espontaneamente, porém esta eliminação pode ser muito dolorosa causando intenso sofrimento ao paciente.

  • Diagnóstico

Os cálculos ureterais podem ser diagnosticados por vários métodos de imagem: Raio x simples visualiza cerca de 70% dos mesmos, porém apresenta limitações em cálculos pouco radiopacos e em obesos e requer preparo intestinal. A ultra-sonografia é um excelente método diagnóstico, porém é operador dependente e visualiza com dificuldade cálculos no 1/3 médio do ureter. Atualmente a associação de raio-x simples de abdome com ultra-som consegue diagnosticar corretamente até 97% dos cálculos ureterais e é a forma mais utilizada de diagnóstico em nosso meio. A urografia excretora é um excelente método diagnóstico, porém vem perdendo terreno nos últimos anos; necessita do emprego de contraste iodado e pode piorar a dor se realizada na vigência de um episódio de cólica graças à diurese osmótica que provoca. O padrão ouro no diagnóstico dos cálculos ureterais atualmente é a tomografia computadorizada helicoidal sem contraste que apresenta sensibilidade e especificidade da ordem de 97%, é um exame rápido, inócuo e que permite a medida da densidade do cálculo. Seu custo ainda é considerado elevado em nosso meio.

  • Tratamento

O tratamento dos cálculos ureterais vai desde a observação até a sua remoção utilizando ureteroscópios.
A observação é preconizada em pacientes pouco sintomáticos e com cálculos com diâmetro inferior a 7 mm. O uso de medicações que auxiliam na eliminação dos mesmos tais como bloqueadores alfa-adrenérgicos e de canais de cálcio são recomendados, pois aumentam a taxa de eliminação dos cálculos e reduzem ó número e a intensidade das cólicas. Em nosso meio a droga mais usada é a tamsulozina, que apresenta poucos efeitos adversos.

O tratamento intervencionista é indicado em pacientes com dor intratável, com ureterohidronefrose importante ou infecção. É interessante, sempre que possível que se leve em conta a densidade do cálculo, medida na tomografia. Cálculos com densidade superior a 1000 UH são mais difíceis de serem fragmentados.

Cálculos de ureter proximal menores de 10 mm devem ser tratados preferencialmente pela litotripsia extra-corpórea com até 90% de bons resultados, já aqueles maiores que 10 mm são melhor tratados pela ureteroscopia, sendo a litotripsia extra-corpórea o método de segunda escolha com 41% de bons resultados. O melhor método para tratar cálculos de ureter distal é a ureteroscopia que produz entre 93 e 97% dos pacientes livres de cálculos, sendo a litotrispia extra-corpórea a segunda escolha.

Os ureteroscópios semi-rígidos são os mais utilizados em nosso meio, dado seu fácil manuseio, boa durabilidade e versatilidade. Quando necessário fragmentar o cálculo dado seu tamanho, a melhor fonte de energia é o holmium laser. O ureteroscópio flexível permite melhor acesso ao ureter superior, pelve e cálices, entretanto, seu alto custo aliado a sua pouca durabilidade torna seu uso excepcional em nosso meio. Ao final do procedimento pode ou não deixa-se um cateter ureteral tipo duplo J, que pode permanecer de uma até seis semanas. As complicações da ureteroscopia são pouco freqüentes, citando-se entre elas a perfuração ureteral e as estenoses de ureter que acontecem em cerca de 0,5 a 1 % dos procedimentos.

Existem ainda duas outras formas de tratamento de cálculos ureterais: a laparoscopia, um método ainda não consagrado e reservado para cálculos de ureter superior maiores de 2 cm e a tradicional cirurgia aberta, hoje em dia pouco utilizada dada sua maior invasividade.
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