Tratamento farmacológico é o pilar do tratamento das dores osteomusculares, em conjunto com medidas de reabilitação9. Vários fármacos são utilizados para o tratamento da dor. As prescrições devem ser adaptadas às peculiaridades de cada doente, à farmacodinâmica e à farmacocinética de cada agente e suas contra-indicações. Os medicamentos, preferencialmente de baixo custo, de fácil aquisição e administração, devem ser prescritos segundo escala crescente de potência, de forma regular e não apenas quando necessário, utilizando as vias de administração mais adequadas (priorizando a via oral) e respeitando os efeitos colaterais. Alguns destes efeitos dependem da dose e/ou da natureza do fármaco, que podem ser minimizados através de medidas medicamentosas ou físicas específicas.
Analgésicos antiinflamatórios e opióides são os medicamentos mais utilizados no tratamento da dor aguda por nocicepção. Entretanto, os antiinflamatórios são menos efetivos em doentes com dor neuropática e dor crônica. No tratamento destas condições, os antidepressivos, neurolépticos, anticonvulsivantes e miorrelaxantes são os mais eficazes. Os corticosteróides, os anestésicos locais, os ansiolíticos, os bloqueadores de canais iônicos, os inibidores de reabsorção óssea, os depletores de neurotransmissores excitatórios e os dessensibilizadores do sistema nervoso, entre outros, são indicados em casos especiais.
Os analgésicos antiinflamatórios não esteroidais (AINEs) podem ser úteis nas dores agudas. dores inflamatórias e dores pós traumatismos. Os relaxantes musculares de ação periférica tem efeito habitualmente insatisfatório. Os relaxantes musculares de ação central, como a ciclobenzaprina, a tizanadina, o clorzoxazona, os antidepressivos tricíclicos (amitriptilina, imipramina, nortriptilina, clorimipramina e maprotilina) na dose de 25 a 75 mg ao dia e os inibidores duais de recaptação de serotonina e noradrenalina (venlafaxina e duloxetina) podem ser úteis como relaxantes musculares de ação central, exercem algum efeito analgésicos e normalizam o padrão do sono. Podem ser associados às fenotiazinas (clorpromazina, levopromazina, propericiazina) na dose de 20 a 100 mg ao dia, por melhorar analgesia, ansiolise, estabilização do humor e modificação na simbologia da dor1,5,9. A associação de fármacos é muito vantajosa, como AINEs com opióides (acetominofeno com codeína, acetaminofeno e tramadol), pois atuam segundo mecanismos diferentes, em sítios distintos e a interação é potencializada5,9. O Lisador associa fármacos (dipirona, prometazina e adifenina) que exercem ação sinérgica e potencializadora, proporciona uma excelente analgesia com sedação e ação miorrelaxante, é bastante útil nas dores do aparelho locomotor, associadas ou não a espasmos musculares, como lombalgia, cervicalgia, mialgias e artralgias, como também as dores agudas, pós traumáticas como entorces, cefaléias e dor pós operatória, entre outras.
A infiltração intra-articular de corticóides só deve ser realizada em número inferior a três, em casos avançados, dor intensa ou para alívio do sintoma antes de implante de prótese articular. Em casos rebeldes, pode-se realizar infiltração do tecido peritendíneo com corticóides ou AINEs, tomando-se cuidado para não provocar lesão por injeção intra-tendínea. Exercícios visando a manter a amplitude articular, melhorar trofismo muscular, propriocepção e resgatar as atividades de vida diária e sociais dos doentes são importantes. Ajustes ergonômicos, medidas que visem a diminuir a carga sobre as articulações, redução do peso corpóreo, uso de calcados e solados adequados para reduzir o impacto, bengalas, órteses, atividades para melhorar propriocepção e instabilidade devem ser também realizadas. Os hábitos de vida saudável constituem base do tratamento da dor musculoesquelética, dieta saudável, sono repousante, exercícios e atividade física programada são medidas complementares importantes para reabilitação de doentes com dor osteomuscular crônica5,9. Medicamentos visossuplementação intra-articular podem ser utilizados em casos selecionados da OA3,4.
O programa de reabilitação da SDM baseia-se na inativação dos PGs, na reabilitação muscular, orientações posturais além da remoção de fatores desencadeantes e perpetuantes1,2,5,9. Quando há insucesso dos métodos físicos ou a dor é intensa, a inativação dos PGs com agulhamento seco e ou infiltrações com anestésicos locais pode ser necessária1,5,9. Suporte emocional e psicossociais às vezes é necessária.
Referências Bibliográficas
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5. LIN TY, KAZIYAMA HHS, TEIXEIRA MJ. Síndrome dolorosa miofascial. In: TEIXEIRA MJ, BRAUN Fo JL, MARQUEZ JO, LIN TY. Dor: Contexto Interdisciplinar. Curitiba: Editora Maio. Cap 18; 2003;271-287.
9. TEIXEIRA MJ. Dor: manual para o clínico. São Paulo: Editora Atheneu; 2006.
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