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Sincope

Síncope é o termo médico utilizado para descrever o desmaio ou desfalecimento. Apresenta-se como uma perda súbita e transitória da consciência, de curta duração (geralmente não ultrapassa poucos minutos), com recuperação espontânea, sem necessidade de intervenção de qualquer espécie para reversão. É chamada pré-síncope, quando o indivíduo apresenta escurecimento visual e sensação de que vai desmaiar, mas não perde a consciência.

Antes de perder a consciência, alguns pacientes percebem tontura, visão turva, suor frio, palpitações, dor no peito, dor abdominal e náuseas. Outros não apresentam sintomas. Quando percebem, já estão no chão. Nestes, o quadro pode ser grave pelo risco de acidentes ou traumas.

É um evento clínico comum. Por ano, a síncope responde por 1 a 6% das admissões hospitalares e 3% dos atendimentos nos serviços de emergência nos Estados Unidos e 1% dos atendimentos na Europa. A ocorrência na população varia de acordo com a faixa etária: 15% em crianças e adolescentes; 25% entre os militares com idade entre 17 e 26 anos; 16% e 19%, respectivamente, em homens e mulheres com idade entre 40 a 59 anos; e acima de 23% em idosos institucionalizados com mais de 70 anos.

Ocorre em virtude da redução ou interrupção do fluxo de sangue e, por conseqüência, da oferta de oxigênio para o cérebro. Existe um nível mínimo de fluxo de oxigênio, abaixo do qual o cérebro perde seu estado de alerta, resultando na perda da consciência ou síncope. Para que se tenha uma idéia de tempo, a cessação súbita do fluxo sanguíneo cerebral por 6 a 8 segundos é suficiente para causar perda da consciência.

Causas

Várias condições clínicas, cardiológicas e não cardiológicas, podem causar ocorrência de síncopes e, muitas vezes, mais de um fator pode estar envolvido num mesmo paciente, principalmente nos idosos.

O tipo mais comum de síncope é a "síncope neurocardiogênica ou vasovagal ou neuromediada" . São aquelas que ocorrem em situações de emoções intensas, ambientes abafados, postura ereta prolongada, punção venosa para exames de sangue, procedimentos médicos e odontológicos ou após interrupção de um esforço físico. É causada por desequilíbrio momentâneo do sistema nervoso autônomo (conjunto de células e nervos responsáveis pela conexão entre o cérebro e os demais órgãos do corpo) no controle da pressão arterial e da freqüência cardíaca. Nessas situações, em pessoas predispostas, uma súbita queda da pressão arterial e lentificação dos batimentos cardíacos levam à perda de consciência. Sendo um reflexo autolimitado, essas alterações logo são revertidas e a pressão arterial se restabelece. Normalmente, esse tipo de síncope acomete crianças, adolescentes e jovens, mais raramente idosos, e é considerado de baixo risco.

Esta forma não está associada a risco de morte, exceto se houver traumatismo físico grave com a queda. Já a síncope de origem cardíaca relaciona-se a risco de morte súbita. Quando o coração, por algum motivo, tem sua força de contração diminuída ou obstrução à saída do sangue, ocorre uma diminuição da pressão arterial e do fluxo de sangue para o cérebro. Dentre as causas cardiovasculares destacam-se, pela gravidade: infarto agudo do miocárdio, arritmias cardíacas (batimentos cardíacos fora do ritmo, mais rápidos ou mais lentos que o normal), estenose da valva aórtica (estreitamento da saída do sangue do coração), miocardiopatia hipertrófica (obstrução da saída do sangue do coração) e dissecção e rotura de aorta (ruptura de camadas da artéria aorta), embolia pulmonar (obstrução da artéria pulmonar), entre outras.

As falhas na regulação da pressão arterial e freqüência cardíaca causada pela disfunção do sistema nervoso autônomo, em doenças como Síndrome de Parkinson e Diabete Melitos, podem desencadear importantes quedas da pressão arterial ao se assumir postura ereta. Desidratação ou uso excessivo de álcool, medicamentos diuréticos e vasodilatadores tem o mesmo efeito sobre a pressão arterial.

A maior parte dos indivíduos adultos saudáveis pode apresentar um episódio de síncope sem maiores conseqüências, em situações de stress emocional intenso, cansaço ou calor extremo. No entanto, quando esse sintoma se repete, ou quando provoca acidentes e traumas corporais, deve ser devidamente investigado.

Avaliação diagnóstica

Por ser um sintoma transitório, quase nunca é presenciada pela equipe médica no momento da ocorrência, a avaliação diagnóstica é complexa. Os pacientes com síncope são habitualmente avaliados por múltiplos profissionais especializados, como cardiologistas, neurologistas, endocrinologistas e psiquiatras e submetem-se a vários testes diagnósticos, muitas vezes inconclusivos, o que torna sua abordagem dispendiosa e nem sempre bem-sucedida. A causa da síncope não era identificada em até 40% dos pacientes há poucos anos atrás. Entretanto, com o surgimento de novos exames, houve uma redução significativa para apenas 14 a 18% dos casos atualmente.

Uma história clínica detalhada, com todas as informações sobre a apresentação clínica do evento e as circunstâncias com possíveis fatores precipitantes, muitas vezes é a chave do diagnóstico ou para formulação de hipóteses diagnósticas. A história clínica bem feita aliada ao exame físico minucioso (estado de hidratação, pesquisa de anemia, medida da pressão arterial nas posições deitada, sentado e em pé e verificação do ritmo de batimentos cardíacos), e o eletrocardiograma são passos iniciais que muitas vezes possibilitam o diagnóstico da síncope.

A avaliação inicial bem feita, portanto, é que vai também direcionar quanto aos exames complementares a serem realizados. Muitos exames são disponíveis hoje no arsenal médico para avaliação da síncope. São eles:
  • Ecocardiograma
  • Teste de inclinação (Tilt test)
  • Massagem do seio carotídeo.
  • Holter de 24 horas
  • Monitor de eventos sintomáticos (externo ou implantável)
  • Teste ergométrico e/ou cintilografia miocárdica perfusional.
  • Estudo eletrofisiológico
  • Ressonância nuclear magnética e/ou tomografia computadorizada do crânio
  • Doppler transcraniano
  • Cateterismo cardíaco
O esclarecimento da causa é fundamental para determinação do risco de cada paciente e para a administração do tratamento ideal. O tratamento é direcionado para a causa, variando desde medidas simples não medicamentosas até realização de cirurgias e utilização de aparelhos como marcapassos, próteses de valvas cardíacas e "stents" em artérias coronárias.


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