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Medicina Avançada - EspecialidadesObesidade e Transtornos AlimentaresAnorexia Nervosa

 

Obesidade e Transtornos Alimentares

Anorexia Nervosa

​​​​​​​​​​​​​​​​Anorex​ia Nervosa

  • O que é anorexia?

    Anorexia nervosa é a perda de peso exagerada relacionada à baixa ingestão alimentar voluntária e acompanhada da desilusão corporal e falta de menstruação por pelo menos três meses seguidos (usa-se o termo amenorreia). Foi descrita inicialmente no século XIX. O paciente apresenta emagrecimento e magreza como tradução do distúrbio de apetite.

  • ​Qual é sua causa?

    A causa é multifatorial, havendo fatores genéticos, neuroquímicos, psíquicos e socioculturais envolvidos.

  • Como se classifica a anorexia?

    Há dois subtipos: a clássica ou restritiva, na qual ocorre perda de apetite, e a associada a compulsão alimentar, na qual o paciente tem episódios de grandes ingestões alimentares associadas à tentativa de compensação principalmente através do exercício ou jejum prolongado e não do uso de diuréticos ou laxativos como na bulimia nervosa.

    A condição obrigatória para o diagnóstico é a da amenorreia, mas a característica clínica mais importante é a desilusão corporal, com a convicção dos pacientes de que estão gordos, sendo que estão extremamente magros. Precisa haver perda substancial de peso, estando este 85% do peso corpóreo para idade, sexo e altura ou com IMC 17,5 kg/m2 (calcule seu IMC).

  • Quais são os grupos mais envolvidos?

    Sexo - A prevalência de transtornos do apetite em mulheres jovens é de 9% a 13%, sendo que a anorexia ocorre entre de 0,5% a 1% desta população. É mais comum em mulheres (85 a 95% dos casos), sendo a incidência em homens (5 a 15%) bem mais rara que a de outros distúrbios alimentares.

    Raça – Ocorre principalmente em pessoas de pele branca, ocidentais e sua prevalência é discretamente maior nas classes sociais média ou alta.

    Faixa Etária - A faixa etária costuma ser a de segunda década, mas a incidência vem crescendo assustadoramente em faixas etárias mais precoces, provavelmente como resultado dos apelos sócio-culturais de culto a beleza do corpo.

    Anorexia em homens

    A anorexia em​ homens costuma ocorrer em grupos bem definidos de atletas como lutadores de box e fisiculturistas, na maioria homossexuais.

    Anorexia em mulheres

    Entre as mulheres a anorexia é mais prevalente em atletas como bailarinas, corredoras, dançarinas, ginastas olímpicas e nadadoras. Também é comum entre modelos. Existe um tipo de personalidade, chamada tipo C, mais vulnerável ao distúrbio. São jovens perfeccionistas, autocríticas, inseguras e com baixa autoestima.

    A história natural dos transtornos do apetite se inicia na infância entre 9-10 anos. Nesta faixa etária 40% dos pacientes começam regimes e estão insatisfeitos com o peso, podendo evoluir para qualquer transtorno de apetite.

  • Como é o quadro clínico?​

    A história clínica é muito importante e nela deve-se investigar:​

    • História de Peso Corpóreo

      A história ponderal deve conter, de preferência, pesos anteriores para comparação. No caso das anoréxicas, apenas 30% tinham sobrepeso antes, 50% eram normais e 20%, magras.

    • Hábitos Alimentares

      São comuns alguns vícios relacionados à alimentação, em geral ligados à repetição insistente de alimentos que, acredita-se, sejam menos calóricos. Normalmente são carboidratos com maçã, bolacha de água e sal ou barra de cereais.

    • Dietas Prévias

      Com baixas calorias (<1000 cal/dia), restritivas e sem orientação do médico.

    • Padrão de Exercício

      Com relação à atividade física, é necessário investigar "pistas" sobre como está sendo utilizado para emagrecer, como intensidade maior, função, utilização em horários de outras atividades fundamentais como ir à escola.

    • Imagem Corporal

      A avaliação da imagem corporal é fundamental e muitas vezes a paciente a esconde para não ser tratada. Esta imagem sofre influências sócio-culturais e familiares e pode ser desencadeada por abuso ou deturpação sexual.

    • História Menstrual no Sexo Feminino

      A amenorreia, que é ausência de menstruação por três meses ou até os 16 anos, precede a perda de peso em 25% dos casos, devendo ser investigada.

    • História Sexual no Sexo Masculino

      Podem ocorrer dificuldades de ereção, ejaculação e diminuição da libido.

    Os sintomas mais comuns da anorexia são:

    • Perda de peso.
    • Amenorreia.
    • Irritabilidade.
    • Depressão.
    • Transtornos do sono.
    • Fadiga.
    • Fraqueza.
    • Cefaleia.
    • Tontura com ou sem desmaios.
    • Obstipação intestinal.
    • Dor abdominal difusa.
    • Intolerância ao frio.
    • Aumento do volume de urina.

    O exame clínico é fundamental tanto para o diagnóstico como para o estabelecimento de melhor vínculo com a paciente. Deve-se medir peso e altura, que são as medidas antropométricas básicas nestes casos, já que não há necessidade de diferenciar massa magra de gorda. Vê-se então os sinais clínicos de desnutrição e economia de energia, como pele fria e ressecada, pressão baixa, frequência cardíaca baixa (bradicardia), fraqueza de unhas e cabelos, pele amarelada, queda da temperatura corporal, inchaço perto dos olhos e nos pés, barriga dolorida pela falta de motilidade intestinal.

  • Como fazer esse diagnóstico?

    O diagnóstico deve ser feito pela história e exame clínico. Os exames laboratoriais não têm nenhum valor para rastreamento da doença, mas ajudam no rastreamento das suas complicações da doença e também a afastar outras causas de perda de apetite e/ou peso. São elas:

    • Hipertireoidismo.
    • Tumores avançados.
    • Tumores de cérebro.
    • Infecções crônicas.
    • Diabetes mal controlado.

    O colesterol eleva-se em 50% das anoréticas, ocorre queda de leucócitos no sangue, redução dos hormônios sexuais, e alteração no eletrocardiograma.

  • Qual deve ser o tratamento?

    O tratamento da anorexia deve ser multidisciplinar, com endocrinologista, psiquiatra, psicólogo e nutricionista.

    Endocrinologista

    Endocrinologista

    Deve fazer o diagnóstico, a partir da anamnese e do inventário alimentar completo, além de pesquisar doenças associadas.

    Psiquiatra

    Psiquiatra

    Avalia a necessidade de tratamento com antidepressivos que tenham ação no mecanismo neuroquímico da doença (serotonina, noradrenalina) ou até de internação e também as comorbidades psíquicas frequentes.

    Psicólogo

    Psicólogo

    Pode propor psicoterapia ou terapia cognitiva-comportamental e apoio familiar.

    Nutricionista

    Nutricionista

    Deve propor estratégias de cardápio que motivem o paciente a comer, "bolar" alternativas agradáveis e passíveis de convencimento do paciente para incluir no cardápio, incentivá-lo a comer para sobreviver. A estratégia de realimentação deve ser cuidadosamente planejada já que podem ocorrer complicações. Os alimentos precisam ser reiniciados um a um e passo a passo.

    A maior importância do tratamento está na abordagem multidisciplinar com boa interação entre as equipes para que a via final comum seja a cura do paciente.

  • Como é o prognóstico?

    Infelizmente a anorexia tem alta mortalidade, 12 vezes maior do que a população de 15 a 24 anos de idade e duas vezes maior que a população feminina com 10 a 39 anos e outras doenças psíquicas. As causas mais frequentes de óbito são o suicídio, em 27% dos casos, e o efeito direto da doença, em 54%. Não existe correlação com a perda de peso e sim com tempo de doença, relações familiares complexas e faixas etárias mais baixas.

    A osteoporose é a complicação crônica mais frequente e incapacitante. A desidratação também é bastante frequente, pela baixa ingestão de água. O coração também é afetado, ficando mais fraco pela falta de massa muscular.​​

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