Comando para Ignorar Faixa de Opções
Ir para o conteúdo principal

 Câncer Urológico

Entendendo a próstata

A próstata é uma glândula e faz parte do aparelho reprodutor humano; ela localiza-se abaixo da bexiga e acima do reto englobando todo a volta da primeira porção da uretra abaixo da bexiga. Ela ajuda na produção de parte do fluido seminal que ajuda a carregar os espermatozoides durante a ejaculação. Um dos problemas mais comuns da próstata é o crescimento benigno da próstata que, com o passar do tempo, pode comprimir a uretra e causar dificuldade para urinar.

Fatores de risco para câncer de próstata

Ninguém sabe exatamente o que causa a doença. No entanto, sabe-se que não é uma doença contagiosa e que alguns fatores de risco fazem com que alguns homens tenham mais chance do que outros de desenvolver a doença. O câncer de próstata é o tumor maligno mais comum do homem e estima-se nos Estados Unidos que na média 1 em cada 6 homens irá desenvolver a doença.

  • Idade: Idade é o fator mais importante, sendo incomum antes dos 45 anos de idade e mais comum após os 60-65 anos. Apresenta um risco progressivamente maior após os 50 anos de idade.
  • História Familiar: Se um parente de primeiro grau (pai ou irmão) já desenvolveu a doença, o risco é maior.
  • Raça: O câncer de próstata é mais comum entre negros nos Estados Unidos da América, o que pode não ocorrer em negros de outros países, pois podem ser descendentes de tribos africanas de diferentes etnias. No Oriente, de forma geral, é menos frequente. No entanto, esta baixa incidência pode não ter exclusivamente o fator racial como justificativa, já que orientais que migram para o Ocidente e adquirem hábitos locais, apresentam risco de câncer de próstata progressivamente maior nas gerações subsequentes.
  • Dieta: Alguns estudos sugerem que o câncer de próstata está relacionado à dieta rica em carne e gordura animal, enquanto que dieta rica em frutas e vegetais poderia ter um certo fator protetor.

Outros fatores como crescimento benigno da próstata, obesidade, tabagismo, ter realizado vasectomia, uma infecção viral da próstata e a falta de exercícios físicos não são considerados fatores de risco e muitos outros estão sendo estudados

  • Rastreamento

    Como o câncer de próstata localizado ou em estágio inicial normalmente não causa sintomas, deve-se tentar descobrir a doença antes dos sintomas aparecerem e para isso preconiza-se a realização do exame da próstata pelo toque retal e a coleta de um exame de sangue, o PSA (Prostate-Specific Antigen ou seja, antígeno prostático específico). Pode ser realizado anualmente em homens acima de 50 anos ou acima de 40 anos naqueles com fatores de risco aumentado.

    Exame de toque: ou exame digital da próstata pelo reto, é realizado pelo médico para identificar áreas endurecidas na próstata e outras alterações que podem ser suspeitas de câncer.

    PSA: é mensurado através de uma coleta de sangue e é utilizado como marcador para câncer de próstata principalmente quando o valor total está maior que 2,5 ng/ml. No entanto, pode aumentar em qualquer doença da próstata, como no crescimento benigno e na prostatite (infecção e inflamação da próstata). Existem outras frações do PSA (livre e ligadas à outras moléculas) e outros parâmetros que podem ajudar o médico a suspeitar de um eventual câncer de próstata, como a velocidade do PSA (quanto que aumenta de ano para ano), densidade do PSA (a relação do exame com o tamanho da próstata) e o PSA esperado para a idade.

    Outros testes estão em desenvolvimento para tentar predizer o risco de cada homem de desenvolver ou ter câncer de próstata, que podem ser colhidos no sangue ou na urina. Alguns já estão disponíveis comercialmente nos EUA e Europa, mas não no Brasil.

  • Sintomas

    A maior parte dos homens com câncer de próstata inicial não tem sintomas. A maior parte dos sintomas como dificuldade e outros desconfortos para urinar ou a presença de sangue na urina ou no esperma são mais relacionados ao crescimento benigno ou prostatite. Uma avaliação urológica muitas vezes é necessária para esclarecer a real origem desses sintomas.

  • Diagnóstico

    O câncer de próstata localizado não aparece na maior parte dos exames de imagem como ultra-som, tomografia, ressonância magnética e PET-SCAN. Portanto, o diagnóstico é feito através de biópsia (retirada de pequenos fragmentos por agulha fina introduzida pelo reto) guiada por ultra-som e feita com sedação. Os fragmentos removidos são analisados por um médico patologista que evidencia a existência ou não do problema. Este exame tornou-se padronizado e realizado rotineiramente nas melhores instituições com baixo risco de complicações sérias e com rápido retorno do indivíduo às suas atividades normais. Um exame de biópsia realizado não exclui totalmente a presença da doença e outras biópsias podem ser necessárias dependendo da análise de vários fatores de risco.

  • Estágios da doença

    Quando o diagnóstico é confirmado pela biópsia, é necessário realizar uma série de exames que irá determinar se a doença está localizada na próstata, se já se está um pouco além dos limites da próstata, ou se células malignas já se espalharam para outros órgãos como ossos, linfonodos e outros.

  • Opções de tratamento

    Doença localizada: é o estágio que pode oferecer as maiores chances de cura. Existem algumas opções de manejo da doença a serem discutidas:

    • Cirurgia: A cirurgia é chamada de prostatectomia radical que consiste na remoção completa da próstata, vesículas seminais e eventualmente dos gânglios linfáticos que possam estar comprometidos. Depois da remoção da glândula, a bexiga é conectada à uretra através de pontos e deixa-se uma sonda que sai pelo orifício do pênis; esta sonda drena a urina, protege os pontos realizados e permanece após a cirurgia por um tempo variável que varia de 5 a 14 dias. Na cirurgia pode-se ou não preservar os nervos responsáveis pela ereção que passam muito perto da próstata e isto depende principalmente das condições locais principalmente se existe suspeita de invasão dos nervos pelo tumor. A cirurgia pode ser feita por 3 vias distintas: a via aberta convencional, a via laparoscópica ou a via perineal. A via aberta consiste em uma incisão abdominal realizada abaixo da cicatriz umbilical até próxima do osso acima da base do pênis. A via laparoscópica consiste em um acesso abdominal através de 4 ou 5 incisões de 5mm a 10m, com insuflação de gás e visão do campo cirúrgico por um monitor conectada a uma micro câmera inserida no abdome por um desses furos; esta técnica pode ser realizada também com um auxílio de um robô (chamado da Vinci), quando o cirurgião opera em um console afastado do campo operatório e o robô comanda as pinças no campo. A via perineal consiste em uma incisão entre o escroto e o ânus com acesso direto a próstata; por esta via há a limitação da possibilidade de remoção dos gânglios. Não há consenso qual a melhor via de acesso para a realização da prostatectomia radical e alguns cirurgiões tem mais experiência e/ou preferência por uma ou outra técnica e as vantagens e desvantagens de cada um deve ser discutida com o urologista

    • Radioterapia: consiste na aplicação de energia radioativa direcionada para a próstata. Pode ser feita por radiação externa (conformacional 3-D e com intensidade modulada - IMRT Intensity Modulated Radiation Therapy) ou por implante de sementes radioativas (braquiterapia) na próstata, que é feita sob anestesia.

    Doença localmente avançada: Quando o tumor ultrapassa os limites da glândula. Existem algumas possibilidades de tratamento a serem consideradas e discutidas como o bloqueio do hormônio masculino por um período prévio, concomitante ou posterior à realização de cirurgia ou da radioterapia.

    Doença metastática: Quando se identifica locais de disseminação do tumor para outros órgãos, como os ossos por exemplo, o tratamento pode ser o bloqueio do hormônio masculino (testosterona). As células malignas na próstata crescem estimuladas pela testosterona e o bloqueio desse hormônio pode fazer com que o tumor em qualquer local do corpo regrida e fique latente. Existem várias formas de realizar o bloqueio do hormônio que deve ser discutido e individualizado com o médico bem como discutir seus efeitos colaterais. Quando a doença já não responde à hormonioterapia, a quimioterapia atual é eficaz no tratamento de sintomas da doença e no aumento do tempo de vida dos pacientes com câncer de próstata.

    Hiperplasia Prostática Benigna

    A Hiperplasia Prostática Benigna (HPB) é muito comum em homens adultos. Ela é caracterizada pelo crescimento nodular de uma das regiões da próstata, que ocorre a partir dos 40 anos. Por se localizar logo abaixo da bexiga e envolver a uretra, o crescimento da próstata pode comprimir a uretra, diminuindo o seu calibre e dificultando ou impedindo a passagem da urina. A urina estagnada favorece o aparecimento de infecções e cálculos renais.

    As causas da HPB ainda são desconhecidas. Entretanto, acredita-se que sejam vários fatores simultâneos como idade, história familiar, presença de níveis elevados de hormônios masculinos (testosterona) e alterações genéticas.

    A HPB pode levar a um aumento tão importante do tamanho da próstata que o indivíduo passa a ter dificuldade em urinar e a ter sintomas relacionados á bexiga.

    Os sintomas estão divididos entre dois grupos e podem ser obstrutivos ou irritativos:

    • Obstrutivos - relacionados à obstrução do fluxo urinário. Os mais comuns são:
      • Jato urinário fraco e intermitente (com interrupções)
      • Esforço para urinar
      • Dificuldade ou demora em iniciar a micção
      • Sensação de esvaziamento incompleto da bexiga
    • Irritativos- relacionados à irritabilidade da bexiga, que é decorrente do aumento da massa muscular da bexiga.Os mais comuns são:
      • Aumento da frequência urinária
      • Necessidade de acordar várias vezes à noite para urinar
      • Presença de sangue na urina
      • Dor e sensação de queimação no ato de urinar
      • Necessidade urgente de urinar

    Os sintomas obstrutivos e irritativos não estão relacionados apenas à HPB. Portanto, o indivíduo que apresenta um ou mais desses sintomas deve procurar seu urologista para buscar o correto diagnóstico.

    Felizmente, sintomas que prejudicam a qualidade de vida ocorrem em até 30% dos homens acima dos 65 anos de idade e são passíveis de tratamento clínico por meio da utilização de medicamentos ou cirúrgico, ambos com elevado índice de sucesso.

    Para os indivíduos com sintomas miccionais, há vários tipos de avaliação:

    • Avaliação médica detalhada, com exame físico geral e urológico (incluindo toque retal)
    • Exames de sangue - uréia e creatinina que permitem avaliar a função renal; PSA (antígeno prostático específico) para facilitar a avaliação de possíveis tumores de próstata; urina tipo I para avaliar a presença de sangue ou infecção urinária
    • Exames de imagem como a ultra-sonografia, que permite avaliar a forma e a densidade da próstata, bem como a presença de resíduo elevado de urina na bexiga, após a micção.

    Outros exames podem ser necessários (urodinâmica, uretrocistoscopia, etc.) especialmente quando existem outras dificuldades associadas como a diabetes ou doença neurológica, que podem ser causadoras de sintomas semelhantes aos da HPB.

    Após a avaliação completa, o médico deve determinar se o indivíduo apresenta HPB ou algum tipo de complicação relacionada e se ele tem indicação de tratamento, cirúrgico ou não.

Tratamento

O tratamento da HPB pode ser clínico ou cirúrgico. A seleção do tratamento é feita tendo em vista as condições clínicas do paciente, o tamanho da próstata, os danos causados ao aparelho urinário, a gravidade dos sintomas, a presença de complicações relacionadas à HPB e a preferência do indivíduo.

Indivíduos com sintomas leves, sem alterações significativas de qualidade de vida e sem complicações podem ser observados, com acompanhamento regular. Já para aqueles com sintomas moderados ou severos está indicado o tratamento medicamentoso. Alguns indivíduos com sintomas graves e/ou complicações da HPB (retenção urinária persistente e refratária ao tratamento clínico, infecções urinárias freqüentes, dilatação do sistema urinário, sangramento urinário persistente e associação de cálculos ou divertículos na bexiga) são candidatos ao tratamento cirúrgico.

O tratamento medicamentoso pode ser realizado com dois tipos principais de medicação: os bloqueadores da 5? redutase (que bloqueiam a conversão da testosterona em sua forma ativa) e os ?bloqueadores, que reduzem o tônus muscular situado ao redor da próstata.

A Ressecção Transuretral da Próstata (RTUP) é a cirurgia mais comumente utilizada para o tratamento da HPB e consiste na retirada de fragmentos do tecido prostático por via uretral, com consequente desobstrução do fluxo urinário. Como é menos traumática que a cirurgia aberta, a RTUP propicia menor tempo de hospitalização e recuperação mais rápida do paciente.

Entretanto, alguns pacientes necessitam cirurgia aberta para o tratamento da HPB. As indicações mais comuns para cirurgia aberta são próstatas muito volumosas e a presença de cálculos dentro da bexiga. A cirurgia aberta mais utilizada é a prostatectomia supra-púbica, onde a retirada do adenoma da próstata é realizado por meio de uma abertura feita na bexiga. O tratamento da HPB tem resultados muito satisfatórios, chegando à melhora significativa ou total dos sintomas em grande parte dos pacientes. Para isso, quanto mais cedo o diagnóstico é realizado, maior a chance de sucesso.

​​