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 Victoza: a injeção que emagrece?

Drª. Claudia Cozer – Coordenadora do Núcleo de Obesidade e Transtornos Alimentares

Há um ano no mercado brasileiro, um novo medicamento antidiabético promete também fazer emagrecer. O liraglutide (Victoza) é um fármaco sintético que tem ação semelhante ao hormônio humano glucagon-like peptídeo (GLP-1) produzido por células intestinais. Tem ação no pâncreas na modulação da insulina e glucagon e auxilia no tratamento do Diabetes Mellitus tipo 2, ajudando na entrada da glicose na célula e diminuindo seus níveis no sangue.

Além desses efeitos, também tem ação sacietógena, agindo tanto no sistema nervoso central (aumentando a saciedade e reduzindo a fome) como no trato digestivo, reduzindo o esvaziamento gástrico e a motilidade intestinal (o que também aumenta a saciedade).

Dessa forma, os diabéticos em uso do medicamento perdem peso porque comem menos. Os estudos em obesos não diabéticos de fase I e II mostraram que o medicamento tem poucos efeitos colaterais: cefaleia, náuseas e vômitos nas primeiras semanas de uso, efeitos estes que se atenuam com o tempo. A perda de peso é significativa (em média 7 quilos, ou 2 a 3 quilos por mês).

Os estudos de fase III estão sendo realizados em 27 países, inclusive no Brasil. No entanto, diferentemente do que está sendo prescrito, os pacientes que entraram nesse estudo são obesos (IMC > 30kg/m²) ou com IMC > 27kg com complicações como hipertensão arterial, dislipidemia e pré-diabetes. Os pacientes apenas com sobrepeso, sem comorbidades, foram excluídos do estudo. Todos os participantes estão sendo submetidos a uma dieta hipocalórica e reforços para aumentar a atividade física.

Esses estudos estão no início e irão demorar pelo menos mais um ano. Portanto, o uso apenas com a finalidade de perda de peso ainda não está autorizada. É importante lembrar que o liraglutide não é milagroso. Há necessidade de mudanças comportamentais (dieta e exercícios).

Ele não deve ser prescrito para o tratamento de obesidade em pacientes não diabéticos (uso off-label), até que os estudos específicos para obesidade sejam encerrados. E não é indicado para pacientes com sobrepeso sem complicações. O medicamento não foi submetido à aprovação das agências sanitárias para o tratamento de obesidade ou sobrepeso em indivíduos sem diabetes.

Por isso, apesar de ser uma medicação vendida nas farmácias sem receita médica controlada, deve ser usada sob estrita orientação e acompanhamento médico.​