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Jovens mulheres são principais vítimas de bulimia e anorexia nervosa

​O conteúdo de alguns blogs incentiva ou ajuda a agravar problemas de transtornos alimentares. As adolescentes são as principais vítimas.

A anorexia e a bulimia são chamadas pelas adolescentes de “Ana” e “Mia”, consideradas por elas as principais companheiras nos momentos de desespero. Nos blogs, as jovens desabafam e trocam informações de como perder peso, ficar sem comer por dias e estratégias para expelir o alimento. Fotos de meninas muito magras são usadas para inspirar as leitoras.

Ao contrário de muitos sites, que servem como fonte de informações para as famílias aprenderem a lidar com os filhos que sofrem com bulimia e anorexia nervosa, estes blogs são considerados pelos médicos incentivadores para o surgimento ou agravamento dos transtornos alimentares. A principal orientação para os pais é bloquear estas páginas principalmente se tiverem crianças e adolescentes em casa, porque são justamente eles, os mais vulneráveis.

"A internet acaba sendo um momento, uma maneira de poder falar sobre isso de forma anônima e nesses blogs ou nesses sites que acabam incentivando, dando apoio, suporte para a prática continuar", explica Celso Garcia Júnior, psiquiatra/Unicamp.

Os principais sintomas da anorexia e da bulimia são preocupação exagerada com o peso, imagem distorcida do corpo, restrição ou compulsão alimentar, isolamento e ausência nas refeições com a família.

A anorexia nervosa da turismóloga Katarina Betim foi diagnosticada quando ela tinha 14 anos. “Mesmo com fome, você vai deixando de comer até não ter mais apetite. Até quando você comer e o estômago doer. O processo não acontece de um dia para o outro, é lento, mas você vai diminuindo, diminuindo, diminuindo, até chegar um ponto que você mesmo já não tem mais controle. Mesmo se você tentar, você já não consegue comer”.

Katarina conta que chegou a pesar vinte e nove quilos. Mesmo assim não parava de ser exercitar. “Ficava correndo de um quarto para outro, umas 50 vezes. Dentro do meu quarto ficava pulando, fazendo polichinelo e depois me pesava. Aí, fazia mais e me pesava para ver se diminuía 100 gramas, 100 gramas. Eu fazia isso”.

A jovem se afastou de todos os amigos, teve uma parada cardíaca e nos primeiros quatros anos de tratamento ainda apresentava resistência. Dez anos depois, ela ainda precisa do antidepressivo e das consultas ao psiquiatra, mas leva uma vida normal.

"Nós podemos falar de cura principalmente quando o quadro acontece na idade típica que é nessa época da adolescência e o tratamento adequado é iniciado de forma precoce”, diz o psiquiatra.
 
"Quero ter vida, quero poder aproveitar tudo. O sol, a chuva. Estar aí para o mundo, estar aí para tudo”, comemora Katarina.
 
Bulimia e anorexia são mais comuns entre as mulheres, em uma proporção de oito adolescentes para cada rapaz que apresenta o transtorno alimentar.